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Full text of "Revista de zootechnia e veterinaria"



HARVARD UNIVERSITY 



fifl 




LIBRARY 

OFTHE 

Museum of Comparativa Zoólogy 



Anno IV FEfEiRElRO 1914 N°, 1 

REVISTA 



DE 




rinaría e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 

DO 

Serviço fle Veterinária Mistério toÁpÊnraJnteia e Connercio 



SUMMARIO 




COLLABORAÇAO : 

Dr. Paulo Parreiras Horta e António Sera- 

pião de Figueiredo Nuttalliose dos equídeos em Mi- 
nas Geraes 3 

Professor Roberto Hotíinger Assumptos de hygiene veteri- 
nária brasileira 7 

Albert Gertsch As raças bovinas da Suissa 21 

J. Wilson da Costa Os inimigos da avicultura 49 

Castro Brown Industria de lacticínios 5 1 

Dr. Pietro Foschini Uma nova discussão sobre a 

trypanosomiase 55 

Drs. A. Carini e J. J. Maciel Contribuição ao tratamento do 

itambyuvú pelotrypanblau- 63 
Dr. Thomaz Pompeu Filho O valor do emético no trata- 
mento da esponja 65 

A. Vario d'Ainvel!e O puro sangue árabe 69 

Dr. Nicoláo Athanassof Alimentação das vaccas leitei- 
ras 73 

Decimo Congresso Internacional de Medicina Veterinária 87 

PELAS INSPECTORIAS : 

Informações referentes aos districtos veterinários, prestadas pelos 

respectivos inspectores 98 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES '. no 

PELAS REVISTAS : 

Commercio internacional de gado para corte e de carne de vacca no 

ECOS E NOTICIAS : 

Censo pecuário do Brasil — Decimo Congresso Internacional de Me- 
dicina Veterinária — A etiologia da tristeza no Brasil — Feira de 
Três Corações — Matadouros avícolas — Exposição agro-pecuaria 
— Assistência Pasteur — Banheiros carrapaticidas — Carbún- 
culo hematico XI 4 




BIBLIOGRAPHIA "8 




RIO DK JANEIRO 

Typographia do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

JL33» jL^âí 



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J "ASCURRA BASSE-COUR" f 

1 55, Ladeira do Ascurra telephone 5.418 Rio de Janeiro — 1914 | 

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i 



RUÇAS GRANDES 



Wyandottes. 



Rhod Island Red. 

Faverolle. 

Langshans. 



Conchinchinas Branca 

» Preta 

'* Amarella 

* Perdiz 

Brahamas Clara 

Plymouth Rock Branca 

» » Amarella ( Coucou de Maline. 

» „ Pedrez ; Modern Langshans. 

Dorkings Branca ) 

o Prateada \ 

* Escura ) 

Orpingtons Branca \ 

* Preta \ 

* Azul .• indiana. 



Amarella } 
Prateada ( 
Perdiz ) 

Columbian ( 
Azul 



RAÇAS POEOEIRAS 



GALLINHAS OE BRIGA 



Amarella { Malaya. 



* Jubileo 

Wyandottes Branca 

Preta 



5 Old Ingiish Game. 

) Phenix. 

{ Modem Game. 



Legliornes Branca 

» Dourada 

Hamburgos. Dourada 

» Prateada 

Minorcas Preta 

Andaluza Azul 

Bresse Branca 



GALLINHAS BONITAS PARA PARQUE 

Padoues (de topete) . . . Branca 

» — » — . . Amarella 

» — »t — . . Prateada 

» — m — . . Dourada 
» (topete tranco) Preta 

Houdan. 



§ 
f 



J PREÇO DOS OVOS : 15$000 a dúzia 

I Períis Americanos — Faisões — Patos de Pekin 

I TEMOS UM STOCK DE PERTO DE 2.000 AVES QUE VENDEMOS : 

7 Ternos de frango de 00$ a 30$ II Ternos de adultos 120$ a 250S 






Ternos de animaes premiados em exposições na Europa de 200$ para cima 



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REVISTA 



nit 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFICIAL 



DO 



Serviço de Veterinária fto Ministério fta Agricultura, Industria e Commercio 



ZFZET^TDEIEÒIEIIRO - 1914 



TOMO IV IF^SLíSOIOTXXjiO I 



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RIO DE JANEIRO 

Typographia do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 
1914 




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REVISTA DE UETERinARIA E ZOOTEENniA 

Publicação Offlclal da Directoria do Serviço de Veterinária 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Distribuição gratuita aos criadores <lo palx que a solicitarem 

R\0 ^ àl\UL\RO # * Caixa Postal 1.678 * # £>RI\S\Y_ 

A REDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSABILISA PELOS CONCEITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIGNADOS POR SEUS COLLABORADORES 

ANNO IV >< Fevereiro de 1914 U N. 1 

ZEJXlIFiEIIDIIEIISrTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 
a interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possível, o numero de ordem de sua inseripção. 



COLLABORAÇÃO 



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NUTTALLIOSE DOS EQUÍDEOS EM MINAS GERAES 

( A « mijadeira » dos poldrinhos ) 

Desde longo tempo que uma enzootia pertinaz vem lavrando 
entre a criação de equídeos existente nas fazendas situadas ao 
redor da cidade de Oliveira e da villa de Passa Tempo em Minas 
Geraes. Os fazendeiros dessas zonas, intelligentes e adiantados, 
têm empregado grandes esforços na criação de equideos, sendo' 
porém, muito prejudicados pela mortandade que annualmente vem 
se manifestando nos productos obtidos. Importante criação muar 
existen o local e é também prejudicada pela mesma manifestação 
mórbida. 

A moléstia é geralmente conhecida pelo nome de mijadeira 
porque tem sido observada a morte dos poldrinhos depois de 
emittirem urina sanguinolenta. 



4 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMERCIO 

Nossos dados são ainda insuficientes quanto á mortandade 
causada pela zoonose ; parece, porém, que o coefficiente de mortan- 
dade tende sempre a augmentar e que, praticamente, se pôde 
considerar todas as fazendas da região como infectadas. 

A moléstia apparece quasi sempre sob duas modalidades 
clinicas, a que dão os nomes populares de mijadeira e de curso, 
A primeira forma surge com o apparecimento de febre, pigmentação 
amarellada das mucosas e hematúria; a segunda, apresenta também 
os mesmos symptomas, exceptuada a hematúria, havendo a mais 
uma forte diarrhéa. 

Dizem os fazendeiros da região ser fácil reconhecer o animal 
que, por acaso, tenha morrido no campo em consequência da 
mijadeira — basta uma forte compressão da bexiga para que seja 
eliminada urina sanguinolenta. 

Frequentemente, os poldrinhos nascem mortos. 

O material de estudo, constituído pelos elementos colhidos na 
observação dos casos agudos, não é muito fácil de ser obtido na 
zona flagellada porque os animaes vivem em pastos muito distantes 
entre si e as fazendas são bastante extensas nessa parte do território 
de Minas Geraes. 

Não obstante isso, pudemos recolher um material que permittiu 
estabelecer, desde já, o diagnostico da zoonose de que nos occupa- 
mos e ao mesmo tempo iniciar estudos mais precisos sobre a 
reprodução experimental da mesma, evolução clinica, anatomia e 
histologia pathologicas, e tratamento. 

Em laminas de sangue peripherico, colhidas em poldrinhos 
doentes, encontrámos um parasita endo-globular, pequeno, ás vezes 
isolado, outras vezes em numero de quatro com uma disposição em 
cruz, que nos obrigou a classifical-o no género Nutlallia creado 
por Carlos França, em 1909. 

Trata-se da espécie Nuttallia equi ( Laveran, 1901 — França, 
1909). 

Podemos, portanto, affirmar que a enzootia reinante em 
Oliveira e Passa Tempo não é mais que a nuttalliose ou tristeza do 
cavallo. 

Todos os poldrinhos e éguas observados estavam com grande 
numero de carrapatos adherentes á pelle. Retirámos um certo 



revista de veterinária e zootechnia 

numero destes ixodideos, alg-uns repletos de sangue e outros em 
condições de se poder verificar haverem picado recentemente os 
animaes. 

Examinados esses exemplares de carrapatos, com o concurso 
do Dr. Carlos Rohr, ficou demonstrado se tratar do Amblyomma 
cajannense, espécie muito commum nos equinos do Brasil. O facto 
de se encontrar nos animaes doentes e sãos exclusivamente esta 
espécie de ixodideos parece demonstrar ser ella a transmissora da 
babesiose equina em nosso paiz. 



Vê-se, pela presente nota, que nos achamos em presença da 
zoonose conhecida em outros paizes com os nomes de malária dos 
cavallos, febre biliosa, febre petechial, pyroplasmose equina, babesiose 
equina . 

Depois do trabalho de Nuttall e Strickland, publicado na 
Parasitology, em 1912, sob o titulo — On the occurrence of two species 
of parasites in Equine Pyroplasmosis or Biliary Fever, é admittido 
pela maioria dos autores que esta entidade mórbida pede ser 
produzida quer pelo Nuttallia equi (Laveran, 1901 — França, 1909), 
quer pela Babesia caballi ( Nuttall, 1910 ). 

O parasita que encontrámos em Minas Geraes deve ser classi- 
ficado como sendo a primeira espécie, não obstante já ter sido 
observada por vários autores a associação dos dous parasitas no 
mesmo animal. No n. 2 do volume I dos « Archivos da Sociedade 
de Medicina e Cirurgia de S. Paulo », Carini descreve, em uma nota, 
uma pyroplasmose equina observada em S. Paulo, com o concurso 
do Dr. Paul Maug-é, veterinário da Inspectoria de Veterinária 
desta Directoria, naquelle Estado. 

Carini descreve o seu parasita como sendo o Pyroplasma equi; 
parece-nos, pela leitura de seu trabalho, que se trata da Nuttallia 
equi, não tendo sido ainda vista, portanto, a Babesia caballi no 
Brasil. 

Em 1904, Theiler descreveu no Sul da Africa a Babesia asini, 
como sendo uma espécie differente das duas espécies acima citadas. 
Na enzootia de Oliveira e Passa Tempo, encontrámos a mesma 



6 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMBRCIO 

espécie de parasita quer em cavallares, quer em muares ; está 
ahi, pois, um ponto interessantíssimo a ser devidamente estudado, 
o que já iniciámos. 

O assumpto merece que nos occupemos detidamente com elle 
e, além do resultado do tratamento que vamos iniciar com o trypan- 
blau, esperamos apresentar mais tarde uma nova contribuição para 
o estudo da babesiose equina no Brasil. 

Dr. Paulo Parreiras Horta 

Chefe da Secção Technica. 

António Serapiâo de Figueiredo 

Interno do Serviço de Veterinária. 



»•♦ 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



ASSUMPTOS DE HYGIENE VETERINÁRIA BRASILEIRA 

Nas linhas que se seguem, pretendo entrar nos vários assum- 
ptos de hygiene dos animaes domésticos criados entre nós, e, 
naturalmente, me referirei, em primeiro logar, aos bovideos, 
cavallos e porcos. Será essencialmente um estudo veterinário brasi- 
leiro e terei de mostrar que as variações nos assumptos de hygiene 
são innumeras, em cada caso, conforme a localidade. 

Já varias vezes tive occasião de ler tratados de hygiene escri- 
ptos entre nós ; porém, com pouca excepção, não estive de 
accordo com o que disse o autor. Geralmente, trata-se de tra- 
balhos traduzidos de obras estrangeiras, escriptas para condições 
apresentadas por localidades longe dos nossos campos, do nosso 
paiz, e póde-se dizer que muitas exposições assim feitas terão 
nenhuma ou pouca applicação entre nós. Comtudo, não faria 
mal se só assim fosse, mas, ás vezes, taes conselhos, tirados de 
obras estrangeiras, não só deixam de ser úteis mas tornam-se até 
prejudiciaes. Muitos conselhos dados com toda razão para outros 
paizes não são applicaveis entre nós, por vários motivos. Outros 
seriam applicaveis, porém sem offerecer o devido lucro. 

A respeito de doenças contagiosas, que nos occuparão espe- 
cialmente, por terem o maior papel no domínio da nossa hygiene 
veterinária, ha de ser aconselhado certamente um regimen differente 
por completo daquelle em vigor em paizes europeus. Se lá 
este assumpto está crystallisado na legislação mais minuciosa no 
sentido de evitar o contagio ou de debellal-o quando houver, entre 
nós, esses preceitos, lá applicaveis com completa êxito, não terão 
valor, especialmente porque faltam entre nós as bases essenciaes : 
população agricola numerosa e um corpo grande de veterinários, 
ao alcance de cada criador. 

Voltaremos sobre isto e citaremos um exemplo clássico que 
traducção e importação de regulamentos não têm outro valor senão 
occupar um certo numero de empregados, de cujos serviços 
o estado não pôde auferir o lucro que se devia esperar. 

Se abrimos um livro europeu, por exemplo sobre hygiene de 
animaes domésticos e estudamos o mesmo, verificaremos desde logo 



8 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMERCIO 

que o mesmo versa mais sobre hygiene dos indivíduos e a protecção 
do animal contra influencias malignas. Achamos estudadas todas as 
condições em que os animaes vivem, com referencia á terra, á agua, 
aos alimentos, á atmosphera, etc. Outros livros entram ainda em 
assumptos de doenças contagiosas e dão os regulamentos que o 
governo achou conveniente pôr em pratica. 

Para nós julgo ter uma grande importância, talvez a maior 
importância, a hygiene das regiões inteiras, a hyginee de districtos 
e a hygiene das fazendas, consideradas uma generalidade como 
habitações de animaes domésticos. 

Não devemos esquecer que em outros paizes o animal domes- 
tico é criado em estrebarias, onde permanece a maior parte de sua 
existência, tendo raras vezes occasião de pastar. Esta vida é deter- 
minada pelas circumstancias, pelo clima (inverno), pela alimen- 
tação (pobreza dos pastos durante algumas estações do anno), etc. 

Em nosso paiz temos condições completamente differentes. 
O animal não conhece estrebaria (não se trata de animaes de luxo); 
o animal está acostumado a pastar. A fazenda inteira está á dispo- 
sição dos animaes e elles vão procurar o alimento onde mais lhes 
convier. Durante todo o anno e em todas as condições, elles estão 
expostos a influencias malignas, que ás vezes se tornam bastante 
perigosas e causam perdas enormes ás criações. 

Apenas seja lembrada a febre aphtosa que quasi cada anno 
apparece em algum ponto do paiz, para tomar dahi um certo rumo, 
propagando-se nessa direcção, até desapparecer, geralmente, nas 
costas do paiz. A febre aphtosa também apparece, e com o mesmo 
caracter contagioso na Europa, porém lá este mal encontra condi- 
ções differentes. A doença ha de entrar em estrebarias, onde o cria- 
dor e possuidor de poucas cabeças vigia os seus animaes, onde logo 
se percebe o mal, onde immediatamente é chamado o veterinário, 
e o proprietário tem a obrigação, sob pena da lei, de chamar 
o auxilio do Estado, para evitar que a doença se propague. Assim 
se consegue que o foco da doença, desde o primeiro momento, não 
fique occulto, tomando o governo e os seus funccionarios imme- 
diatamente conhecimento do facto e dando as providencias neces- 
sárias. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 

Todas as medidas a serem tomadas, achamos descriptas nos 
livros de hygiene europeus. Cada doença é tratada especialmente, 
conforme o género, a transmissibilidade e demais caracteristicos. 
Cada uma dessas doenças tem recebido na pratica uma certa forma 
a ser debellada. 

Supponhamos agora que entre nós essas medidas deviam ser 
tomadas do mesmo modo como naquelles paizes. Claro está que já 
na primeira supposição encontraremos difficuldade. A doença pôde 
apparecer em um animal, e como este animal não está mantido em 
estrebaria, não é tratado individualmente, os primeiros symptomas 
não serão percebidos. A doença terá occasião de propagar-se, não 
só entre os animaes da mesma fazenda, mas naturalmente também 
entre os animaes dos visinhos, pois a separação consiste apenas 
em uma cerca de arame. A doença se desenvolve, e talvez, até 
muito provavelmente, o criador não conhecerá a sua natureza; 
julga ser uma doença individual, e o auxilio finalmente já vem 
muito tarde. 

Assim consta facilmente que os conselhos nos livros de 
hyg-iene e de doenças contagiosas, dados para a Europa, terão 
pouca applicação entre nós. 

Tive occasião de estudar os regulamentos vigentes na 
Argentina, contra doenças contagiosas, e de verificar que quanto 
mais rigorosamente redigidos taes regulamentos, menos valor têm 
na pratica. Os regulamentos de cinco ou seis annos atraz, que vi 
em Buenos Aires, já me pareciam rigorosos demais e pouco apro- 
priados para esse paiz, mas os funccionarios affirmaram-me que os 
regulamentos iam ser completados. Qual o proveito de uma reda- 
cção ainda mais minuciosa, isso não sei, porém duvido delia, 
especialmente porque taes regulamentos hão de ser baseados nas 
experiências no próprio paiz, em estudos profundos das condições 
em que o gado se acha, e finalmente também nos costumes do 
criadores. 

Tive occasião de ahi ver a má vontade contra taes leis e 
executores. 

O fiscal é considerado como um intruso, que nada traz senão 
incommodos e despezas, sem vantagem alguma. O fazendeiro 

R. V. 2 



10 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

vê-se impedido em suas funcções e no trabalho zootechnico que 
está executando. O valor de tal protecção para elle nâo é dire- 
ctamente visivel, e logo que o regulamento é exigente elle procura 
ultrapassal-o. 

A Argentina, ha annos, sendo paiz de criação e tirando grande 
lucro deste ramo da agricultura, mesmo na exportação, maior 
interesse devia se esperar do criador a respeito de uma legislação 
minuciosa, porém a lei ha de tomar conta em primeiro logar do 
bem estar dos cidadãos e de procurar o accordo dos interesses 
públicos e individuaes. A forma deste convénio deve se basear em 
observações e experiências longas, para então fixar-se em termos 
convenientes para todos ou á grande maioria dos interessados. 
Fazendo-se tentativas, «abrindo-se picadas para acabar em estradas 
e ruas asphaltadas», seguindo methodicamente, é o que julgo que 
devemos fazer na questão da debellação das doenças contagiosas. 
K' por este caminho que procurarei nestas linhas dar fundamento 
a leis e regulamentos a estudar mais tarde pela potencia legislativa 
e politica. 

Os dados scientificos são pela maior parte estabelecidos; 
vejamos, pois, como pelo melhor methodo elles se podem applicar 
entre nós. 

Em varias viagens que fiz no Brasil, tive muita occasião de 
conhecer o modo dos criadores, a vida nos campos, as condições 
em que o gado se acha, e nas linhas que se seguem, não vou dar 
conselhos inapplicaveis na pratica. Julgo que as precauções que 
vou aconselhar para precaver contra doenças contagiosas, hão de 
dar lucro, e mais lucro que todos os regulamentos redigidos em 
zonas completamente differentes das nossas. 

Não tenho intenção de entrar em detalhes scientificos mais do 
que necessário para esclarecer os assumptos de que tratamos. 

Não pretendo entrar em estudos de atmosphera, do sol, do 
clima, etc, pois estes assumptos só em segundo logar podem inte- 
ressar na hjgiene dos animaes domésticos. 

Também não penso em tratar de melhoramentos de terrenos 
por drenagem ou estudar methodos complicados de esterilisação 
de cadáveres, recommendaveis em zonas mais populosas. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 11 

Entre nós teremos, pois, por emquanto, de tomar as cousas tal 
qual estão, escolhendo os meios mais convenientes para a criação 
actual, e muito mais tarde, quando a população fôr densa, outros 
meios poderão ser estutados e applicados. 

Em primeiro logar teremos de occupar-nos com os maiores 
perigos no dominio da zootechnia, como se segue. 

E' bastante conhecido que nas fazendas, 
Doenças contagiosas de vez em quando, apparecem doenças con- 
em relação á hygiene tagiosas, pestes que devastam as criações 

de tal maneira que o lucro de um anno ou 
mesmo de annos fica completamente perdido. Seja lembrada apenas 
a referida febre aphtosa que, se não mata uma certa porcentagem 
de ' | gado, jpeora o estado do mesmo, a ponto que o lucro se torna 
minimo. Animaes gordos emmagrecem dentro de poucos diasquasi 
a esqueletos, valendo muito menos do que mezes antes. A peste de 
porco acaba ás vezes com criações inteiras, e criadores muito ani- 
mados, depois de victimas deste flagello, affirmaram-me que nunca 
mais pensariam em criar porcos. 

E' o nosso intuito indagar como será possivel evitar estes 
inconvenientes e julgo muito mais importante tratar de evitar o con- 
tagio do que se occupar de tratamentos, que sempre são dispendiosos 
e o êxito não deixa de ser duvidoso. 

Entre nós, as doenças contagiosas certamente hão de ser con- 
sideradas sobre outro ponto de vista do que em outros paizes, e para 
comprehender bem este assumpto teremos em primeiro logar de 
estudar o habitat dos animaes domésticos. Na Europa e em outros 
paizes que se occupam da industria pecuária, os animaes são criados 
quasi que exclusivamente em estrebarias, e raras vezes (não se tra- 
tando de animaes novos) têm occasião de pastar. Em todo o caso, 
as estrebarias ficam occupadas durante as épocas frias, e a constru- 
cção destas habitações é factor decisivo. Constróem-se casas de pa- 
redes espessas, de fundamento forte, telhados fortes para resistirem 
ao peso da neve; janellas bem calculadas, e ventilação bem vigiavel 
e regulável, são condições absolutamente exigidas. Entre nós já vi 
varias estrebarias que se basearam em typos europeus. O proprietá- 
rio, certamente, pensava fazer cousa muito bôa, adoptando plantas 
tiradas dos livros estrangeiros ; parece-me, porém, que a rendibili- 



12 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

dade só pode ser mínima, pois toda habitação lia de ser considerada 
como um mal necessário que deve ser restricto, quanto a dispêndio, 
o mais possivel, sob o ponto de vista económico, e apenas estreba- 
rias de luxo podem ser consideradas de modo differente. 

Entre nós, a habitação de animaes domésticos são os pastos, a 
fazenda toda, e, talvez, como vamos ver, serão muito convenientes 
estrebarias apropriadas ao nosso clima e de accordo com as condi- 
ções dadas. Em primeiro logar, teremos de tomar em consideração 
a fazenda toda como habitação dos animaes, e devemos estudal-a em 
dous sentidos, a respeito da zootechnia e da hygiene. A zootechnia 
procura tirar o maior lucro possivel dos animaes, e o fim da hygiene 
é a garantia deste lucro, tratando de evitar todas as influencias 
malignas que podiam minorar o rendimento. 

Teremos logicamente de dividir a hygiene veterinária brasilei- 
ros em três capitulos : 

I. Hygiene na fazenda e no sitio de criadores (formação de 
associações). 

II. Hygiene dos districtos (estabelecimentos de concordatas). 

III. Hygiene estadoal (legislação federal). 

Estas disposições não se devem chocar umas ás outras, mas 
bem auxiliarem-se mutuamente na execução. 
Neste assumpto temos de comprehender : 

a) Fazenda de criação, grande e arredondada. 

b) Fazendas pequenas, de situações expostas, sitios de criação 
em pequena escala. 

No capitulo da Hygiene nas fazendas temos de lembrar que uma 
hygiene veterinária neste caso não pôde ser tratada isoladamente. 
Tem-se de procurar as relaçães intimas com a zootechnia, pois a 
hygiene é um auxilio para esta ultima. Não poderemos fazer um 
estudo de uma ou outra, sem entrar em correlação. Em todo caso, 
serão tratados os assumptos zootechnicos neste artigo, apenas 
quanto necessário para a comprehensão do esboço hygienico. 
Temos de procurar estabelecer um convénio entre hygiene e zoote- 
chnia, e este convénio será bem diverso, conforme as condições. 
Nem a hygiene nem a zootechnia pode ser tratada em todo 
o mundo da mesma forma. Depende de um grande numero de 
condições que fornecem a base para ambos estes ramos de sciencia. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 13 

Já acima mencionei este facto. Sempre procurei saliental-o, porém, 
ao que parece, com effeito quasi negativo. 

Julgo não ter sido bem comprehendido em trabalhos ante- 
riores. Serei mais extenso no presente artigo. Com respeito á zoote- 
chnia, está publicado nesta mesma «Revista» um estudo sobre sele- 
cção que tratará mais detalhadamente sobre os interesses zoote- 
chnicos, especialmente sob o ponto de vista das nossas condições. 
Podia-se bem falar em zootechnia e hygiene tropical, pois em todas 
as zonas tropicaes hão de ser tratadas de modo differente do usual 
nos paizes frios. A definição «tropical», porém, não será suficiente, 
pois mesmo nas zonas tropicaes notar-se-ão differenças conforme as 
condições locaes. E mesmo no Brasil cumpre bem tomar em consi- 
deração as differenças dadas no Norte e no Sul. 

Devemos estudar a fazenda primeiramente 
Hygiene nas fazendas a respeito da situação orographica, a dis- 
tribuição das aguadas, etc. Cumpre di- 
vidir os terrenos em duas classes, em terrenos mais ou menos 
montanhosos ou accidentados e em terrenos planos. Cada uma 
destas duas classes é muitissimo propicia para criações, natural- 
mente só quando preenchidas todas as condições para o nosso fim : 
terra boa para formar pastos convenientes. Em seguida, vamos ver 
como uma fazenda deve ser utilisada para os fins da 2ootechnia em 
união com a hygiene, empregando-se as precauções que em outros 
paizes se empregam nas estrebarias para evitar doenças contagiosas 
e para augmentar o lucro zootechnico. 

Relativamente ás doenças contagiosas, não pode padecer duvida 
que em uma fazenda, onde nunca houve criação, cada doença ha de 
ser introduzida de fora, e, assim sendo, temos de verificar quaes os 
meios para evitar a sua introducção. No caso da fazenda já estar 
empestada, o nosso fim será procurar os meios pelos quaes podemos 
eliminar aos poucos as doenças contagiosas da criação. 

As doenças contagiosas são introduzidas especialmente pelas 
vias de communicação e pela agua. Por conseguinte, devemos 
encarar estes dous intermediários do contagio. 

As estradas e vias de communicação são perigosas, devido ás 
tropas de animaes que por ahi passam e a animaes infectos que se 
desviam da estrada, invadindo terrenos da fazenda. Outro perigo 



14 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMBÍRCIO 

offerecem os viajantes provenientes de outros districtos ou fazendas, 
talvez infectas, e que trazem comsigo o contagio. 

A agua também é capaz de trazer doenças contagiosas, no caso 
de ter percorrido districtos infeccionados. A situação da fazenda é, 
portanto, muitissimo importante, quanto á hygiene. 

A fazenda, sendo atravessada por varias estradas ou achando-se 
no ponto de cruzamentos que vêm de differentes districtos, estará 
sempre em perigo de ser infeccionada por doenças existentes em 
qualquer desses districtos. Se por ella collea um córrego de longo 
percurso e que já tem passado outras fazendas de criação, a sua agua 
é um perigo para os animaes, pois uma propriedade agricola empes- 
tada rio acima é capaz de infeccionar as outras rio abaixo, pela 
agua corrente. 

Evitemos a possibilidade do contagio por estes meios, pois 
raras vezes o criador terá a faculdade de escolher uma fazenda que 
já se acha em condições favoráveis a respeito da hygiene. Geral- 
mente a fazenda está exposta á infecção pelas vias referidas. 

Para melhor comprehensão dos meios preventivos, vamos 
fallar sobre uma propriedade do interior, de cerca de 2.000 alqueires 
de terras, que nos servirá de exemplo para demonstrar a divisão 
da mesma para os fins zootechnicos e hygienicos. 

A fazenda é um tanto montanhosa; notam-se especialmente 
seis cabeceiras e entre ellas nascem vários ribeirões. Os valles 
percorridos por estas aguas, parte são chatos, parte brejosos. Existe 
uma cascata com uma queda de oito metros mais ou menos. Os altos 
dos morros estão cobertos com matto, que contra os valles se trans- 
forma em cerrado e capoeira. 

Relativamente ás aguas, a fazenda está completamente isolada. 
Todas as aguadas nascem nella própria. Por conseguinte, não ha 
normalmedte possibilidade de infecção pela mediação da agua. 
O matto que circumda toda a fazenda, excepção feita da parte mais 
baixa, que dá para outras propriedades, impede a invasão do gado 
visinho. 

A fazenda, porém, está em péssimas condições, em relação ás 
estradas. E' o ponto do cruzamento das quatro estradas entre Peder- 
neiras, Bauru, Jacutinga e Rio Batalha. Devido a esta circumstancia 
a fazenda estará sempre em perigo de ser infeccionada, e será o 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 15 

nosso fim tratar de pôr o gado fora do contacto com os districtos 
visinhos e vias de communicação entre elles, que em todo o caso 
temos de considerar como infeccionados. Se bem que este julga- 
mento raras vezes corresponda á realidade, não se deve esquecer 
que não se recebem informações sobre o estado sanitário dos dis- 
trictos, como em outros paizes. Não existem boletins dando a todos 
os criadores promptas noticias sobre o apparecimento de doenças 
contagiosas. Por conseguinte, acho mais prudente considerar con- 
stantemente toda a visinhança como infeccionada. 

Na escolha dos terrenos convenientes para os fins zootechnicos, 
cumpre considerar, em primeiro logar, um terreno capaz de fornecer 
fartas pastagens, sejam pastos naturaes, sejam artificiaes. 

Supponho tratar-se da criação de gado vaccum, cavallar e suino. 
Especialmente a criação de gado vaccum será convenientemente 
unida á criação de porcos, com o maior proveito dos residuos de 
lacticínios. Quanto á criação de bovideos, supponho que se tem em 
mira criar vaccas leiteiras e animaes de engorda para corte. Como 
vamos ver mais tarde, estes dous fins podem ser preenchidos muito 
bem na mesma fazenda, procedendo-se á selecção entre o mesmo 
gado, para os dous destinos que parecem ser tão estranhos um 
do outro. 

Para a criação de gado vaccum, necessitam-se de pastos 
grandes para os animaes novos, e de pastos pequenos para os 
adultos, em estado de plena producção e de prenhez. As localidades 
devem distar o menos possivel entre si. Outros detalhes daremos 
mais adiante. 

A criação de porcos pode ser com vantagem afastada da 
criação de bovideos. Segundo a natureza destes animaes, poderemos 
destinar aos porcos terreno menos prestavel para gado vaccum ou 
cavallar, isto é, um terreno mais brejoso, porém, com inclusão de 
mais alto e inclinado. 

Para a criação de cavallos poderemos aproveitar terrenos mais 
accidentados, tendo em conta que o exercicio que os cavallos nelles 
têm de fazer, fortalecem os músculos e o esqueleto, e a alimentação 
penosa, funda bem a sua resistência, como se vê em um ou outro 
exemplar criado no interior, onde os animaes, geralmente, não são 
tão bem tratados como na Argentina. Cavallos que nascem e são 



16 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMERCIO 

criados em condições muito favoráveis costumam ser pouco 
resistentes, cançam-se rapidamente, e ao receberem alimentação 
inferior, o trabalho por elles fornecido torna-se quasi nullo. 

Encontrámos o logar mais apropriado para 
Na fazenda em vista criação. Julgo que uma boa divisão seja 

bastante conveniente. Cumpre, porém, lem- 
brar que esta divisão só poderá ser feita quando a criação tiver 
attingido um certo desenvolvimento. Com poucos animaes seria 
uma descentralisação inútil e não facilitaria o trabalho. Mas quem 
pretender criar em maior escala, fará bem quando pensa em separar 
as varias criações, e se no principio do emprehendimento não é 
necessário fazer-se a divisão, ella devia ser procurada aos poucos, 
escolhendo-se bem os terrenos e fazendo-se as divisões, segundo as 
necessidades e conveniências. 

Para criações um tanto extensas, esta separação traz vantagens: 
facilita a fiscalisação tanto dos rebanhos, como do pessoal encarre- 
gado e que sempre procurará se esquivar da responsabilidade ; 
facilita a escripturação, a elaboração dos livros genealógicos e 
diminue, como veremos, o perigo da infecção do gado. Assim, por 
exemplo, os negociantes de gado vaccum não chegarão a ter 
contacto com outro gado, e as cercas impedirão a extranhos a 
entrada nos campos de criação. 

Essencial, porém, será que este systema permitta a execução 
fácil do programma que cada ramo de criação tem de preencher. 

Depois a subdivisão dos pastos dos animaes prenhes, animaes 
novos e em plena producção será fácil, a qual, entretanto, já seria 
bastante difficil quando a separação primaria não existe, e os cavallos, 
vaccas e porcos pastam no mesmo terreno. Dentro dessas divisões 
serão feitos pastos especiaes, isto é, pastos favoráveis para a 
respectiva criação. Os campos de cultura de forragens, natural- 
mente, serão feitos nos logares mais apropriados e o mais perto 
possivel dos respectivos centros de distribuição. 

Um bom terreno é muito conveniente, e ao mesmo tempo 
poderá ser por parte irrigado facilmente, para a formação de 
pastos artificiaes, culturas, etc; deve conter bastante agua para 
beber, em condições salubres, fornecida por córregos que nascem 
na mesma fazenda. O logar, porém, está exposto ao perigo que 



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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 17 

offerecem as estradas que vêm de Pederneiras, Bauru, Jacutinga e 
do Rio Batalha. Devemos eliminar este perigo. 

O melhor será deslocar a estrada para a extrema da fazenda 
e fechar a existente por completo. No nosso caso seria isto 
possível a respeito da estrada de Pederneiras, mudando-se a estrada 
mais para o cume do morro, que, sendo coberto com cerrado, 
não oíferece dificuldade para cortar a picada, e assim seria melhor 
a direcção. 

Assim, teriamos removido o perigo desta estrada, mas ainda 
continua o perigo da infecção, pois nenhuma garantia temos que 
gado de fora ou viajantes não entrem na fazenda, desviando-se da 
estrada. Outrosim, será difficil deslocar a estrada que vem de 
Bauru, e que passa pelo centro da fazenda. 

Também esta estrada ha de ficar isolada de modo a ser 
impedida a introducção do contagio na fazenda. 

Para impedir a invasão de gado da estrada, poder-se-ia cercar 
a beira da estrada com arame farpado. Tal cerca, porém, custa 
dinheiro e exige trabalho e fiscalisação, sem lucro directo para o 
fazendeiro. 

Julgo ser conveniente alinhar as estradas com cerca viva, 
plantando-se arvores para lenha e madeiras de construcção. Esta 
cerca, além de proteger os pastos, torna-se cada anno mais valiosa. 
O corte das arvores á beira da estrada é commodo e poupa o 
transporte. A lenha e as madeiras de lei cada anno terão melhor 
mercado. 

E' bem verdade que o lucro desta plantação não é immediato 
mas trata-se de um lucro garantido para o futuro, para os quaes 
finalmente também temos obrigações. Todavia, mesmo não se 
querendo pensar nisso, a fazenda cada vez mais se valorisa por 
taes bemfeitorias, á medida que essas arvores se desenvolvam. 
Julgo acertado plantar essas cercas com distancia de 50 metros 
entre uma e outra beira. 

Temos para o nosso fim um grande sortimento de madeiras, 
algumas de crescimento muito rápido, como o eucalyptus, outras de 
crescimento demorado, de valiosa qualidade. Aconselharia margear 
as estradas com uma faxa de matto plantado, systema mixto, 
composto de arvores de crescimento rápido, pouco distanciadas 

R. v. 3 



18 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

entre si, a serem aproveitadas para lenha, entremeadas em distan- 
cias de 30 a 40 metros entre si, madeiras de lei, que serão cortadas 
somente quando completamente desenvolvidas. As madeiras de 
crescimento rápido (eucalyptus) serão cortadas segundo a necessi- 
dade e replantadas conforme fôr preciso para continuamente conser- 
var-se a cerca bem densa. Os eucalyptus da primeira fila, enfren- 
tando a estrada, poderão servir já no segundo anno de moirões 
vivos para um arame, caso o proprietário o julgar necessário. 
A faixa de matto, estando plantada bem densa, assim que da 
estrada não se enxerga o pasto, não será varada por gado 
caminhando na estrada. Creio que por este meio se poderá isolar 
a fazenda da estrada eficazmente, sem dispêndio senão o da 
plantação do matto, que, todavia, promette um bom lucro para 
mais tarde. 

A estrada que vem de Pederneiras, sendo ou não deslocada, 
será isolada por este meio. No caso de ser deslocada, será preciso 
plantar a cerca viva só de um lado, do da fazenda. Da mesma maneira 
será isolada a estrada de Bauru. Esta medida, naturalmente, só se 
torna necessária em logares onde não tem matto natural, no valle 
baixo, onde a estrada atravessa o centro da fazenda. 

Km todo caso, mesmo assim, a criação não estará isolada com- 
pletamente e fora de todo perigo. As pessoas e empregados da 
mesma fazenda, andando nas estradas publicas, podem trazer 
comsigo o contagio e introduzil-o na fazenda. Para diminuir quanto 
possivel este perigo, será conveniente afastar as criações o mais 
possivel das estradas. Para evitar que o gado passe nas estradas, 
será imprescindivel fazer cercas de arame ou curauatá (caragoatá), 
caso não se prefira a plantação de matto em faixas como acima me 
referi e que em todo caso tem a vantagem de serem uma fonte de 
rendimento. Taes cercas vivas servem em grande parte para lenha. 
No anno passado determinei o valor calorifico de um certo numero 
das nossas madeiras, e julgo ser de interesse para o fazendeiro 
e criador conhecer o valor da cerca viva que elle resolver plantar, 
com respeito ao effeito na combustão. 

Poderá assim apreciar o valor de cada madeira, devendo tirar 
ainda em consideração a rapidez do desenvolvimento e o crescimento 
da planta, dados estes que aqui não podemos fornecer. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 { ) 

Estes dados acham-se no Atinuario da Escola Polytechnica 
para 1912, em uma tabeliã que dá directamente os valores em 
calorias fornecidas pela undade de volume, e não como geralmente 
se usa, pelo peso de combustivel. A este respeito, cumpre lembrar 
que o modo de se usar a madeira infiue naturalmente sobre 
o effeito calorifico. Suppõe-se serem queimadas todas as lenhas 
nas mesmas condições, no mesmo fogão, e assim se precisaria para 
aquecer, por exemplo, 10 litros de agua, quantidades differentes de 
madeira, quantidades estas representadas pela altura das linhas . 
Quanto mais alta a linha, mais lenha será necessária. Quem preten- 
der fabricar carvão, encontrará alguns dados comparativos sobre o 
valor das lenhas no Annuario já citado. Estes dados coincidem quasi 
com a tabeliã do valor calorifico das lenhas, de tal maneira que as 
madeiras de que grande quantidade é necessária para aquecer 
digamos 10 litros de ag-ua, serão máos fornecedores de carvão. 

Plantando-se só arvores, eucalyptus e outras, o gado atraves- 
saria a faixa de matto, logo que os troncos embaixo ficassem desga- 
lhados. Para evitar isso, seria necessário aparar e manter baixas 
as primeiras filas, favorecendo-se o crescimento compacto e a 
brotação na parte inferior, com o fito de obter uma cerca viva. 
Por detraz desta cerca, as arvores poderão crescer á vontade. 
Planta-se em filas densas, retirando-se mais tarde para o gasto os 
pés em excesso para permittir o livre desenvolvimento dos outros. 
Cortam-se as arvores quando tiverem um tamanho sumciente para 
servirem para algum fim na fazenda, como estacas, moirões, etc. 
Finalmente serão eliminadas todas que dificultarem o desenvolvi- 
mento das madeiras de lei. 

Em vez de aparar as primeiras filas, talvez convirá mais outra 
planta que dá cerca impenetrável para o gado. Sobre a escolha destas 
plantas, o fazendeiro poderá melhor julgar qual a que mais vanta- 
gem offerece e de mais fácil obtenção. A largura da faixa de matto 
dependerá do fim em vista ; tendo-se marcado para lenha, certa- 
mente convirá fazer a faixa mais larga; caso contrario, plantar-se-á 
mais madeira de lei que cada vez mais valor terá no mercado. O fa- 
zendeiro poderá julgar qual a maneira mais conveniente da plantação 
para o seu caso. E' bom lembrar que a plantação deverá ser feita em 
linha, pelo que será facilitado o transporte das madeiras cortadas. 



20 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Como, se vê as criações estão isoladas completamente, ficando 
impedido o accesso a pessoas extranhas e gado de fora. Cada campo 
de criação, porém, ha de ter uma entrada pelo menos e esta será 
sempre um ponto de perigo. Convém, portanto, dar a este ponto 
especial attençãopara se precaver contra a introducção do contagio. 
Aconselhamos o estabelecimento de porteiras desinfectantes. Natu- 
ralmente, esta installação ha de ser muito simples e bastante segura 
ao mesmo tempo. 

. Para receber a camada de areia, o caminho deve ser excavado 
convenientemente. O comprimento desta camada desinfectante será 
de quatro metros mais ou menos, occupando, naturalmente, toda 
a largura da estrada, e as margens lateraes devem ser cercadas 
para obrigar-se que o transito se faça por cima da camada desin- 
fectante. A protecção contra a invasão de aguas será dada pela 
declividade da estrada. O portão será collocado de modo a passar 
por cima da areia desinfectante ao abrir. Para que não fique 
ensopada a camada de areia pela chuva cahindo lateralmente, é 
preciso proteger o lado do vento, ou fechando-o com sapé ou 
plantando taquara, etc. 

Sendo a fazenda bem protegida contra doenças contagiosas, a 
respeito da agua de alimentação, temos de prever o caso opposto e 
procurar impedir a introducção de doenças por este meio, e em 
certos casos melhorar este alimento importante. Deste assumpto 
nos occuparemos em próxima publicação. 

Prof. R. Hottinger 

Do laboratório de Biologia Geral e Zooteehnia 
da Escola Polytechniea de S. Paulo. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 

AS RAÇAS BOVINAS DA SUISSA 

O Território 

O primeiro povo estabelecido no território da Suissa de 
hoje, do qual nos falia a historia, os Helvécios, foi um povo de 
pastores. Em todas as épocas da historia deste povo e do seu 
desenvolvimento, a criação e o commercio do gado occupam um 
logar saliente. De séculos atraz, as raças bovinas da Suissa eram 
conhecidas e apreciadas, adquirindo nos últimos decennios fama 
universal. 

A conformação do solo e as condições climatéricas prestam-se 
em alto gráo á criação de gado. Os lindos e ricos prados dos nossos 
valles, as pastagens alpestres com suas fontes limpidas, o ar puro, 
os periodos opportunos de chuva, emfim o caracter climatérico, 
topographico e geológico do paiz tudo contribue para o seu desen- 
volvimento. 

A Suissa é um paiz montanhoso, com uma superfície de 
41,000 k m2 . Duas cadeias de montanhas, os Alpes de um lado, e o 
Jura dt outro, atravessam o paiz mais ou menos na direcção do 
sudueste ao nordeste. 

No espaço que essas cadeias deixam entre si, se estende do 
Lago Lemano ao de Constança uma região muito fértil de collinas 
e de montanhas de menor altitude, o planalto da Suissa chamado 
Mittelland. 

Esta região tem na sua maior parte uma altitude de 400 
a 600 metros sobre o nivel do mar, exceptuando-se numerosas 
collinas e montanhas de uma altitude de 1 .000 metros e mais. Um 
clima temperado e chuvas frequentes tavorecem, em alto gráo, 
a producção de forragem. 

Por este motivo, têm sido convertidas em prados a quasi 
totalidade do terreno apto ao cultivo na região dos Alpes e do 
Jura e a maior parte dos terrenos do Mittelland. Os prados e 
os pastos comprehendem mais ou menos 70 % do terreno consa- 
grado á agricultura. 



22 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 

No planalto, no Mittelland, vêem-se em grande numero os 
prados artificiaes (alfafa de três a seis annos de duração) ao lado dos 
prados naturaes e dos pastos. 

Esta região é o centro da industria do queijo e do leite 
condensado. 

A criação do gado encontra seu sustento principal nos pastos 
que, na região alpestre, se estendem desde a altitude de 2.000 me- 
tros sobre o nivel do mar. Nesta região o gado fica durante o verão 
no campo ; na primavera e no outono está nos prados dos valles 
e nos pastos mais altos, ou alpestres. No Mittelland levam 
o gado ao campo no outono unicamente, porém ja costumam 
leval-o também na primavera. Em certas regiões do Mittelland 
e especialmente nas regiões de criação da raça Schwyz, manda-se 
o gado aos pastos durante todo o verão, e as fazendas baseadas neste 
systema vão se multiplicando. A convicção está fazendo caminho 
que só aproveitando as influencias benéficas do pastegear se pode 
alcançar resultados satisfactorios na criação do gado. Nos pastos, 
os animaes encontram sempre uma forragem substanciosa e sã 
e quasi sempre agua nascente. A vida ao ar livre, fresco e puro; a 
necessidade de buscar por si mesmo a forragem e as naturaes 
correrias, exercem uma influencia muito saudável sobre o desenvol- 
vimento dos animaes, ao bom funccionamento de seus órgãos, á 
sua força de resistência e a sua fecundidade ganha muito com este 
systema, que contribue também para o augmento do poder de 
transmissão das raças suissas criadas methodicamente desde muitas 
gerações atraz, maximé em se tratando de cria pura ou de cruza- 
mento com raças estrangeiras. 

Desde os tempos mais remotos, as raças foram criadas puras 
na Suissa ; a Schwyz e a Simmenthal, que comprehendem a 
Simmenthal propriamente dita, com manchas brancas e vermelhas, 
e a Friburgo, com manchas negras. A criação da raça Sim- 
menthal tem o seu centro na parte noroeste da Suissa, e a 
Schwyz, na parte sudeste. 

As regiões occupadas por estas duas raças principaes acham-se 
separadas por uma linha que vae de Constança por Zurigo e Brienz 
ao Matterhorn (Monte Cervin.) 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



23 



O primeiro censo do g-ado realizou-se na Suissa, em 1886 ; 
o ultimo, em 1906. Nesses dous annos, os resultados foram os 
seguintes : 



Gado vaccum em geral 



1860 



1906 



VACCAS 



Augmento 
% 



1800 



1900 



Ziirigo 

Berna 

I,ucerna 

Uri 

Schwyz 

Obwalden 

Nid walden 

Glaris 

Zug\. 

Friburgo 

Solothurn 

Basilea cidade 

Basilea campanha 

Schaffausen 

Appenzell A. Rh.. 

Appenzell I. Rh 

St. Gall.. 

Grison.. 

Argovia 

Thurgovia 

Tessin 

Vaud 

Valais 

Neuehâtel 

Genebra 

Total Suissa 



70.199 

195-327 

65-349 

11. 107 

23-473 
8.988 
6.026 
9.208 
7.226 

59.821 

28.315 
1.644 

14.043 
8.901 

14-9^3 
6.748 
69.598 
81.960 
62.938 

34-719 
45 . 020 
77.646 
62.617 
19.105 
7-954 



992.895 



112.240 

327-399 

114.472 

13.129 

36.283 

14.234 

9.466 

12.307 

13-582 

106.373 

44-444 
1.717 

24.370 

12.577 
22.332 
10.255 
iii. 258 
83-358 
94-417 
63-439 
43.626 

115.545 

75-547 

26.445 

9.089 



59-89 
67.62 

75-27 
18.20 

54-57 
58.36 
57-09 
33- 60 
87.96 
77.82 
56.96 
4.44 
73-54 
41.30 

49-25 
51-97 
59.86 

1.71 
50.02 
82.72 

3.10 
48.81 
20.65 
38.42 
14.27 



1.497.904 



50- í 



42.983 
III. 657 

35-282 
5-969 

11 -135 
5-297 
3.893 
6.014 

5-234 
28. 741 

16.439 

1-435 

9.522 

5.227 

10.604 

4.649 

41.068 

32.988 

34.787 

20.735 

20.394 

44.821 

35.7I9 

n.589 

6.245 



552.427 



59.138 

169.044 

68.993 

5.9i6 

15-215 
6.644 
5.207 
6.604 
9.402 

50.950 

23-754 
1-372 

14.364 
6.418 

13-541 
5.649 

62.494 

30.517 
47.216 
38.064 

23.I45 
62.776 

38.351 

14-136 

6.667 



785.577 



24 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Nestes censos as raças não estão classificadas. Entretanto, 
admitte-se, geralmente, que as raças Schwyz e Simmenthal, pro- 
priamente ditas, contam cada uma mais ou menos 650.000 cabeças, 
emquanto que a raça Friburgo, cuja criação se limite ao Cantão 
deste nome e a uma associação do Cantão de Neuchatel, conta umas 
50.000 cabeças. No Cantão de Valais encontra-se mais uma raça 
pequena, de côr morena, que tem o nome de seu valle, a de Eringen. 

A raça Schwyz é, pelo que se sabe, a mais antiga das da Suis- 
sa, encontrando-se seus vestígios até na época lacustre. A Simmen- 
thal parece descender de uma raça que foi introduzida na Suissa 
pelos Borguinhões, dos que immigraram no século V, vindo do 
norte. Desde varias gerações as raças Schwyz, Simmenthal e Fri- 
burgo são criadas puras. 

Os fins que se tem com a criação das raças suissas de gado vac- 
cum são vários. O objectivo primordial em todas essas raças é a 
producção de leite e de carne, tendo os animaes também aptidões 
para o trabalho. Em geral, trata-se de obter um peso vivo, mediano, 
sendo este peso um pouco maior e sujeito a menores variações na 
raça Simmenthal que na de Schwyz. 

As altitudes e as declividades, mais ou menos fortes ; a diversi- 
dade da composição e a fertilidade do solo, e, finalmente, a diversi- 
dade correspondente á manutenção e aos cuidados dados áos ani- 
maes influem de uma maneira preponderante sobre o tamanho e o 
peso vivo dos animaes provenientes de regiões e estabelecimentos 
differentes. Assim é que em algumas regiões se cria de preferencia 
gado de peso médio, ou de muito peso, emquanto que em outras se 
criam somente animaes de peso leve. Nas regiões onde se cria a 
raça Schwyz, as differenças são mais notáveis, por causa da grande 
diversidade nos methodos de criação e da manutenção do gado. Os 
fins, porém, que se visa são os mesmos nas duas raças, com a única 
diíferença, que nos animaes leves e menos cuidados a producção da 
carne e a precocidade são em geral menores. Em todos os casos, 
porém, trata-se de obter boas condições de saúde e uma constituição 
forte. No verão, grande porte dos criadores do Mittelland leva os 
seus animaes ás pastagens alpestres, e demais existe intercambio 
mui activo entre os criadores dos Alpes e os do planalto. Desta 
região, na qual a industria do queijo e do leite condensado tem a sua 




Raça Schwyz — Touro Sui,Tan, nascido em 1895, de 3 annos de 
edade. Premiado varias vezes em Zug, em 1 & classe 



, 




Schwyz — Pastagem alpestre «Bamberg», perto de Brunnen (Schwyz) 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 25 

base principal, muitas crias se vendem aos estabelecimentos das 
regiões alpestres ; são criadas alli em boas condições e voltam ao 
planalto, donde sahirão, uma vez chegadas á edade conveniente. 
Por motivo deste intercambio, que, como já foi dito, é muito activo, 
as differenças que existiam noutros tempos entre os animaes prove- 
nientes de regiões differentes vão desapparecendo pouco a pouco. 

A raça Schwyz 

A criação da raça Schwyz tem a sua sede principal na região 
dos Alpes e suas ramificações. Esta região comprehende os Can- 
tões de Schwyz, St. Gall, Grison, Glarus, Unterwalden, Appenzell, 
Zug, Uri e Tessin em sua totalidade, e, em parte, os de Turgovia, 
Zurigo, Argovia, Berna (o valle do Hasli) e Valais. 

O Cantão de Schwyz era conhecido desde tempos atraz por ter 
o melhor gado desta raça. Conscientes deste facto, os criadores das 
outras regiões compravam nesse Cantão não somente os touros que 
necessitavam para a criação, mas também muitas vaccas e novilhas. 
Por esta razão e pelo intercambio muito activo existente entre os 
estabelecimentos do planalto e os das regiões montanhosas, os 
typos differentes que existiam outr'ora vão se perdendo de tal 
maneira que o que antes era particular ao Cantão de Schwyz se 
encontra hoje em toda parte, onde se cria esta laça. Por este motivo 
têm-se abandonado todas as denominações anteriores e hoje em dia 
não se falia mais senão na raça Schwyz. 

Os animaes leves desta raça encontram-se naturalmente de pre- 
ferencia nas regiões das altas montanhas com suas fortes declivida- 
des, onde a forragem é rnenos abundante. Assim é que encontra- 
mos os typos mais leves na região do Gothardo e especialmente nas 
partes mais altas dos Cantões de Uri, Valais, Glarus, Grison e 
Tessin. Isto não impede que haja também, ás vezes, nas regiões 
alpestres animaes de bastante peso, assim como leves nos valles. 
No que se refere á sua qualidade, succede o mesmo. O Cantão de 
Schwyz mantem-se sempre no primeiro posto, seguido de perto 
pelo de St. Gall ; encontram-se, porém, nos demais cantões criações 
inteiras e animaes soltos que valem mais que aquelles. 

R. V. 4 



26 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

A côr dos animaes desta raça vae de morenoescuro ao 
cinzento-escuro (côr de café e de castanha), ao moreno-claro e 
cinzento-claro. As cores extremas vêem-se de preferencia nos 
animaes leves. Predomina, hoje em dia, a côr cinzenta (côr de 
camondongo) e seus differentes matizes, do claro ao escuro. A côr 
muda com a estação. Nas cores cinzentas (côr de camondongo) e 
castanha, nota-se menos essa mudança. Conforme aparte do corpo, 
a côr é mais ou menos pronunciada. 

Todos os animaes têm o focinho côr de chumbo, com um 
ribete mais claro em redor. Mais claro que o resto do corpo são 
também: o lábio inferior, o interior das orelhas, a parte interior 
dos membros, especialmente dos anteriores, o ubere e o escudo. 
Em geral, os animaes têm no lombo uma listra mais ou menos 
clara, mais ou menos ampla, ás vezes cortada, que se estende da 
cruz á cauda. 

Descripções de épocas anteriores demonstram que as manchas 
brancas nos pés eram bastante frequentes. Até pelo meio do século 
passado, os animaes com uma mancha branca na fronte não eram 
ainda excluídos dos concursos, porém desta época em diante foram 
pouco a pouco despreciando-se e hoje em dia não se admitte nos 
concursos e não se premeia animaes com manchas, a não ser que 
estas se encontrem na parte inferior do ventre. Os animaes que 
ostentam manchas mais por cima e em outras partes do corpo 
ficam excluidos. O pello de côr ruiva não encontra muita acceitação 
tampouco. W de notar, porém, que nos animaes expostos ás intem- 
péries nas regiões alpestres cresce um pello sujo, ruivo, que 
desaparece com a mudança de clima. 

No que se refere ás formas do corpo, os animaes criados e 
mantidos racionalmente ostentam uma figura de certa elegância e 
fineza, que dão ao mesmo tempo uma idéa de saúde, de força de 
resistência e de faculdades. A cabeça é quasi sempre pequena e 
fina. As ventas alargadas encontram-se com bastante frequência. 
Uma fronte ampla, chifres pequenos, virados para cima e uma boca 
grande fazem parte das senhas ordinárias. O collo é de uma largura 
média e coberto de pello fino com rugas. Encontram-se a miude 
animaes com peito estreito, consequência de tratamento deficiente; 
em geral, porém, esta parte é bem constituida. O lombo é largo 



•íáÊtÈtíÊÊÊm 








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il 1 



Raça Schwyz — Novilha SeXina, nascida em 1903, de 
2 3^ annos de edade. Peso vivo 650 kilogrammas, prenhada de 
20 semanas. Premiada em Milano em 1906, com diploma de 
honra e medalha de ouro. 




Raça Schwyz — Vacca Mignon, nascida em 1901, de 3 % annos 
de edade. Prémios : Frauenfeld e Arth, em 1* classe 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



27 



e bastante amplo, as ancas são amplas e bem desenvolvidas. 
O tronco inteiro, no seu grande desenvolvimento longitudinal, 
demonstra boas faculdades leiteiras. 

Os membros são em geral bem aprumados, raras vezes gros- 
seiros, geralmente fortes e robustos, se bem que finos. A maior 
parte dos animaes tem quartos com bôa musculatura, catiellas 
curtas, rodilhas, travadouros e cascos fortes. 

Animaes novos, criados nas fortes encostas dos Alpes, têm 
ás vezes o corpo um pouco inclinado para traz ; este defeito, porém, 
desapparece quasi sempre com a edade. 

Em geral, o gado da raça Schwyz não é alto sobre as pernas, 
o que lhe dá um aspecto de força. Os ossos são geralmente mais 
fortes que em nenhuma outra raça que tem as mesmas qualidades 
leiteiras. Isto prova que o criador trata por todos os meios de 
manter e augmentar o vigor e a força de resistência de seus 
animaes. 

Para a qualificação dos animaes recorre-se muitas vezes á 
medição das differentes partes do corpo. Damos em seguida os 
termos médios das medidas tomadas na exposição nacional de 
Frauenfeld, no anno de 1903. 

TABEXjXjA. 2ST. 2 



TOUROS 
reproductores de 2 
a3annos de edade 



TOUROS 

reproductores de 3 

annos acima 



% 



% 



NOVILHAS 

de 2 a 3 annos 

de edade 



VACCAS 



largura da cabeça 

» do tronco 

» do peito 

Profundidade do peito 

Amplitude do peito 

? do lombo 

L,argura da bacia 

Amplitude das cadeiras 

Espaço entre as articulações das 
cadeiras 

Altura da cruz 

Altura do osso sacro 



54 


31-8 


57 


32 


50.5 


32 


52.5 


170.5 


100 


179 


100 


159 


100 


165 


79-7 


47 


85.8 


48 


73-4 


46.2 


79-9 


74 


43-5 


78.3 


44 


69.8 


44 


72.6 


54-1 


31.8 


58.7 


32.6 


47-8 


30.4 


49.2 


42 


24.7 


44 


24.7 


41.4 


25-9 


42.2 


57-6 


34 


60.5 


34 


52.7 


33-5 


54-3 


55 


32.4 


59-i 


33-1 


54-2 


34-2 


57-3 


54-2 


31-8 


57-6 


32.5 


5i 


32.2 


52.6 


141 


82.9 


146.8 


82.6 


134- 1 


84.8 


135-9 


146 


85-9 


149 


83-7 


140.2 


88.6 


140.9 



3i-5 
100 
46 
44.2 
29.7 
25-5 
32.7 
34-5 

32.1 
82.4 
85-4 



2S MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

No que se refere ás faculdades de trabalho, deve-se ter presente 
que, tanto no planalto, como nas regiões alpestres, o cultivo do 
trigo tem diminuído constantemente nos últimos 25 ou 30 annos 
e devido a esta circumstancia não se vê mais, senão raras vezes, 
bois da raça Schwvz. No logar delles empregam-se geralmente 
vaccas ou novilhas para os trabalhos no campo. Nos confins das 
regiões de criação encontramos ás vezes bois da raça Simmenthal, 
os quaes são mais precoces e se tornam mais pesados. Isto não 
impede que a raça Schwyz produza bons animaes de trabalho. 
Seus cascos negros, duros e fortes e seu temperamento vivo 
prestam-se muito ao trabalho e permittem seu emprego até nos 
caminhos batidos. 

A faculdade de engordar é bôa e a qualidade da carne excellente. 
O peso vivo dos animaes do typo pesado é satisfactorio e poderia 
ser maior em varias regiões se se tivesse em conta aquella faculdade. 
O peso médio das vaccas adultas do tvpo pesado é de 600 a 650 
kilogrammas, o dos touros, de 850 a 950 kilogrammas. Muitas 
vezes as vaccas alcançam um peso vivo de 750 a 800 kilogrammas 
e os touros, de 1.000 a 1.100 kilogrammas. 

Damos em seguida o termo médio do peso vivo dos animaes 
que figuraram na Exposição Internacional de Milão, no anno 
de 1906. 

TABZETiTiA. 3NT. 3 



FRAUÊNFELD 1913 



Termo médio 



Máximo 



MILANO 1906 



Termo médio 



Máximo 



Touros reproductores de edade de 
18 a 22 mezes. 

Touros reproductores de edade de 

2 a 3 annos ■• ■ 

Touros reproductores de mais de 

3 annos 

Novilhas de 18 a 22 mezes de edade. 

Novilha de 2 a 3 annos 

Novilhas de mais de 3 annos de 
edade 

Vaccas 



595 

772 

941 
438 
613 

658 
674 



888 

I.I45 

493 
732 

727 
868 



600 



874 .+ 



404 



603 + 



721 



680 

940 + 
415 
735 + 

S65 



+ Na maior parte animaes de 2 a 3 annos de edade. 




Raça Schwyz — Touro Tei,i,, nascido em 1900, de 2 annos de edade. 
Premiado varias vezes em Zug, em l 9, classe 




Raça Schwyz — Vacca L/UCIA, nascida em 1897, de 6 % annos de 
edade. Prémios : Frauenfeld e Muri, em l 9 classe. Producção leiteira, 
entre dous partos, de 11 de Maio de 1903 a 7 de Abril de 1904, 11, 
21 litros por dia, 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



2 ( ) 



O rendimento em leite é muito bom, tanto pela quantidade, 
como pela qualidade. A raça Schwyz já ha muito tempo tem 
firmada a sua reputação como excellente leiteira. Se bem que na 
verdade no que se refere á quantidade é superada pelas das dos 
paizes baixos, não é menos certo que o seu leite é mais rico e a sua 
força de resistência é maior. Damos em seguida os resultados de 
algumas observações feitas sobre a producção de leite: 

1 — F . RÓSLI — FREY, WARTENSEE — SEMPACH 

No verão, os animaes alimentam-se com forragem verde, uni- 
camente; no inverno, recebem forragem secca e, segundo a qualidade 
desta, 1 1/2 até 2 kgs. de farinha de gergelim. Na primavera e no 
outono, o gado vae para o campo pelo espaço de três a cinco 
cinco semanas. Effectivo do rebanho: 16 a 21 cabeças. 



ANNO 



Médio por vacca 



Por dia 



Conteúdo em graxa 



1897 

1898. 
1899 
1900 
1901 
1902 
1903 
1904 



3515,4 


litros 


3707,9 


d 


36S8.4 


d 


4068 , 2 


d 


3625,0 


D 


3534,o 


ti 


3S25,o 


d 


3655,6 


» 



9.6 litros 
10, 1 « 
10, 1 » 

1 1 , 1 » 

9,5 " 

9.7 » 
10,5 • 

9.8 » 



3,90 % 

3,80 » 

3,55 " 

3,75 » 

3,6o » 

3,80 » 

3,85 » 

3,75 » 



2 ESTABELECIMENTO DE MAGGI, KEMPTTHAIv (ZURIGO) 

Todos os animaes que se encontram actualmente no estabele- 
cimento foram criados ahi mesmo. A criação se faz da seguinte 
maneira: 

Aos terneiros dá-se a beber em baldes ; recebem por dia, em 
duas vezes nos primeiros quinze dias, de 6a 7 litros de leite. Desde 
a terceira até a decima semana, as fêmeas recebem 8, os machos 



30 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



10 litros deleite, diariamente. Depois desde periodo, costuma-se dar 
aveia, na quantidade de 3/4 a 1 kg., conforme o sexo e o destino 
que se quer dar á cria. 

A aveia, depois de haver sido transformada no mesmo estabe- 
lecimento em farinha grossa, é cozida e misturada com leite. 
Na edade de 16 ou 18 semanas para as fêmeas e de 26 semanas para 
os machos, dá-se-lhes leite e aveia crua e quebrada até a edade de 
nove mezes. Se o tempo o permitte, leva-se-os ao campo e na edade 
de um anno transfere-se-os para a montanha. Em Janeiro ou Feve- 
reiro, as novilhas são reunidas aos touros, porém não se as deixa 
cobrir antes da edade de dous annos. 

As vaccas vão para o campo na primavera e no outono durante 
umas seis ou oito semanas. No verão, recebem exclusivamente for- 
ragem secca de bôa qualidade: 1/2 kg. de milho, 1/4 kg. de favas e 
3/4 kg. de fezes de cerveja. O milho deve ser quebrado, molhado e 
misturado com as favas e as fezes. 

O rebanho conta mais ou menos 250 a 300 cabeças, das quaes 
100 vaccas; 80 a 90 destas se encontram reunidas no mesmo 
estabulo. 

TABEIjLA 3NT. 3 



ANNOS 


Cabeças 


Producção do leite por anno < 
em litros 


vacca 


Termo médio da riqueza 
em graxa 


OBSERVAÇÕES 


1900/01 


72 


5309 


3875 


10,61 


2267 


4,78 


4,01 


2,98 




1901/02 


68 


5266 


3202 


8,77 


2194 


4,65 


3,95 


3,oo 


Febre aphtosa. 


1902/03 


69 


538o 


4093 


11,21 


2379 


4,9 


4,02 


3.20 




1903/04 


7i 


5207 


4071 


n,i5 


2416 


4,96 


4 


3,15 




1904/05 


65 


53" 


4178 


11,36" 


2628 


4,79 


4,01 


3,05 





3 — DADOS RECOLHIDOS PELA UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE CRIADORES 

DA RAÇA SCHWYZ 



Esta União tem feito por si mesmo averiguações sobre produ- 
cção de leite em vários estabelecimentos. Damos em seguida os 
resultados principaes: 



KKVISTA DK VETERINÁRIA H ZOOTIÍCHNIA 



31 



TABELLiL 3VT. 



ESTABELECIMENTOS 



^ ira 
ira <2 

£ J2 



■C 5 



Producção média por período de lactação 



I y cite 
Total 

kgr. 



Graxa 
kg. 



Subst. 
seccas 

kg. 



Graxa 

0/ 

/o 



Subst. 
seccas 

o/ 



Produção média 
em 365 dias 



Total 
kg. 



Por 
dia 

kg. 



Asvlo cautonal em Wil 
(St. Gall) : 

1903 

1904 

1905 

1906 

Total e termo médio. . . . 

Casa de pobres de Kap- 
pel a. A. (Zurigo) : 

1903 

1904 

1905 

1906 

Total e termo médio. . . . 

H. Bryner, administra- 
dor em Riesbach 
(Zurigo) : 

1903 

1904 

1905 

1906 

Total e termo médio 

Estabelecimento correc- 
cional Bizi (St. Gall): 

1903 

1904 

Total e termo médio. . . . 

J. Ziehlmann em Man- 
nenbach, perto de 
Schlupfheim (L,u 
cerna) : 

1903 

1904 

Casa de educação de 
I,inth em Ziegelbrii 
cke (Glaris) : 

19 4 

Casa de educação de 
l y inth em Ziegelbrii 
cke (Glaris) : 

1904 

Total e médio do conjunto 



25 



13 



14 



331 

386 

377 
38r 



369 



459 
425 
356 
633 



543 



339 
400 

465 
59i 



445 
357 



401 



33i 
282 



306 



343 



345 



419 



419 

397 
490 

457 

441 



500 

495 
442 

705 



535 



392 
43i 
501 
633 



4*9 



484 

463 



473 



389 

332 

360 



378 



395 
480 



3^74,3 
5005,2 

4578,7 
4996,1 

4563,7 



5452, 7 
4984, 3 
7100, 1 



5956,9 



4385,o 

4957,8 
5508,4 
5759, 2 



5152,7 



3884,4 
3645,4 

3764,9 



5223,1 

4554,4 



,7 



3879,5 



3447,i 



4985,8 



136,66 
193,28 
173,70 
189,70 



173,33 



241,08 
201,84 
209,76 
3oi,9 2 



238,25 



169,60 

177,77 
209,60 
216,74 



193,43 



160,24 
162,90 



i6i,57 



195,40 

174,07 



i84,73 



153,69 



I39,2i 
196, 10 



470,73 
650, 72 

583,37 
653-68 



589,63 



787,37 
681,17 
653,69 
974,23 



774,ii 



580, 75 
636,99 

717,45 
762,23 



674,35 



531,49 

504,88 



51a, 18 



677,13 
585,46 



631,49 



516,98 



46 r , 20 



658,15 



3,72 
3,86 
3,79 
3,77 



3.78 



4,09 

3,7o 

4,21 

4,25 



4,06 



3,87 
3.58 
3,85 
3,76 

3,79 



4,12 

4,47 



4,29 



3,74 
3,82 



3,78 



3,96 



4,04 
3,88 



12,81 
13,00 

12,74 
13,08 



12,91 



13,37 
12,49 
13,13 
13,72 



13,18 



13,23 
12,85 
13,02 
13,22 



13,08 



13,68 
I3,6"5 



13,76 



12,90 



13,32 



13,38 

13,08 



3263, 1 
3609,8 
3838,6 
3985,8 



3673,2 



4299, 7 
4278,7 
4124,5 
3675.5 



4094,6 



4376,3 
4II4.7 
3595,6 
3321,5 



3851,8 



2952,8 

2967,5 



2960,1 



4894,6 
5146,5 



5020,5 



374L2 



3479,5 



3806,2 



8,94 

9,89 

10,64 

10,92 



10,97 



11,78 
11,04 

11,3° 
10,07 



11,05 



11,99 
11,27 

9,43 
9, 10 



10,45 



.°9 
13 



8,11 



13,41 
14, IO 



13,70 



10,25 



10,08 



10,44 



32 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

4 — PRODUCÇÃO DE LEITE NO ESTkANGEIRO PELO GADO 

DE RAÇA SCHWYZ 

Na fazenda dependente da Academia Agrícola de Bonn-Pop- 
persdorf (Allemanha), estão-se fazendo desde 1896 provas com o 
objectivo de determinar as faculdades leiteiras de varias raças de 
gado vaccum, submettendo os animaes a uma alimentação mui 
abundante. Para tal fim foram compradas no outono de 1900, nos 
Cantões de Schwyz e de St. Gall, 14 vaccas da raça Schwyz. 
A producção de leite durante 21 periodos inteiros de lactação deu os 
seguintes resultados : 





Termo médio 


Mínimo 


Máximo 




5150,01 kg. 

9107,46 kg. 
3.599 % 
12,759 % 
185,3 kg. 

327,6 kg. 


3838 kg. 

6733 kg. 
3.130 % 
12,092 % 
144,4 kg. 

240,7 kg. 


7315 kg. 


» » por i.ooo kg. de peso 


13062 kg. 




3,892 % 




I3,37i % 


Rendimento em graxa por anno e vacca 
» » » por i.ooo kg. de 


269. 4 kg. 
481,0 








567 kg. 


45i kg. 


657 kg. 



Annotamos em seguida os quatro periodos de lactação das 
vaccas sujeitas á prova, que tem dado os melhores resultados: 



HH A TtT!T.T.A J$J . 8 



c:r,i.a.:do:r, 


Quantidade de leite por 
período de lactação 


Quantidade de leite cal- 
culada por 365 dias 


Termo médio da riqueza 
em graxa 


i. J. Burgi-Gretener em Arth (Schwyz) 


93oS kg. 
7595 » 
7979 » 
79S3 » 


6585 kg. 
7315 » 
6223 » 

7055 » 


3, Si % 
3,68 % 
3.50 % 
3,65 % 


3 . » » 







O gado Schwyz goza ha muitos annos já de uma reputação 
estabelecida no estrangeiro. Exportam-se vaccas leiteiras em grande 



a »o c €;3aG03 í X^ 



HOTE L AV ENIDA 

maior e mais importante do Brasil 

occupando todo o quarteirão e podendo hospedar 
diariamente -4=C^^^ pessoas 

Situação a mais distineta e concorrida da 
AVENIDA RIO BRANCO 

e ponto central de partida para todos os arrabaldes. 

Serviço de elevadores e telepho.:es eléctricos 

Diária completa a partir de 10$000 
END. TEEEG. : — AVENIDA. SOUZA & CABRAL. 

ZR,IO IDIE JAIsTEIRO 



JL 



6-4 
13 



_ m ^. J^ m m « m m <^^<' l ^J>\.>^ ■^<»/^»/^|>/'»<*^>*li<'^l<'^<'||< > ^«^^« >^ .^<«/'»^ '»/*^i /*>^''■ <'^< , '^<'^v< > ^.<^./^«/'^i<''>/^'^<"^<*^^'^<^^J'^ 



f 



Aos Srs. Avicultores í í 

aconselharmos o uso do 



Phosphato Arago 



n 



GRANULADO, PARA GALLINHAS, que é um alimento 
valioso de dosagem natural, dando-lhes faculdades especiaes de 
postura e engorda e preservando-as das múltiplas enfermidades 
decorrentes da pobreza de acido phosphorico na sua forma assi- 
- milavel de phosphato de cal — 



Analysado pelo Posto Zootechnico Fe- 
deral em Pinheiro 

Para explicações, noticias e pro- 
spectos dirijam-se ao Agente Geral 



A' venda em todas as casas de I a ordem 
-j. em saccos de 1.500 grammas 

A. Nunes de Sá 



EUA DOS OURIVES W 105 

(Sobrado) 

RIO TJE J^IVEIRO 



±J%*JL 



CAIXA POSTAL 1.448 



r-w-* 



A' venda nas seguintes casas : —A Jardineira, rua 7 de Setembro n. 151. 
— A Hortueania, rua do Ouvidor n. 77. — Casa Jardim, rua Gonçalves 
Dias n. 38. — Casa Feora, rua do Ouvidor n. 61. — Fe. Petropoeitana, rua 
Gonçalves Dias n. 17. — Sabrosa & Comp., rua da Candelária n. 1. — Hop- 
•M-kins, Causer & Hopkins, rua Theophilo Ottoni n. 95. ^h- 6 - 4 

13 







REPRODUCTQRES FRANCEZES 



L 
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C ADUBOS 

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v. 
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de Raça 3 



•* 

«* 



CARRAPATICIDAS D 
BANHOS 5 






Tanques carrapaticidas 



«* 



JJ Pedidos e informações a «^ 



f GEORGES JLION 

2; Caixa, 425 — S. 

c 



<«| 



D 



.j «.. 



E. THIERS & C. 

IMPORTADORES E FABRICANTES 



CHAPÉOS DE SOL 

A UARCHE DE nDÉ 



®© 



•• 



Casa fundada em 1868 



RIO DE JANEIRO: 

Rua Sete de Setembro, 54 

S. PAULO: 

Rua Boa Vista, 11 

PARIS : 



B ou levará du Tem pie, 11 



6-2 

13 



■D 

1 






wtmMtfod 




1/ Á MACHIA Dl WM% mniTSN A mais afamada. O numero 
total destas machinas, em uso no mundo inteiro, excede de 700.000. 



LâkfllM MtfUiWlU^VVAttU para sommar e subtrahir. Permitte 
escrever e sommar ou subtrahir em uma só operação. Cabe incontesta- 
velmente o primeiro logar ás machinas desta categoria. 



3," A 



í siáàitíla A umca que se presta sa- 
tisfactoriamente para as exigências das repartições publicas. Faz qual- 
quer das quatro operações com uma mera volta de manivella. 



í 



5 Hl AQO 



I 



A' prova de fogo e humidade. Não se deve temer 
mais as destruições dos roedores. Esta casa tem todos os estylos e tama- 
nhos adoptados nos departamentos e archivos dos governos estrangeiros. 

125, RUA DO OUVIDOR, 125 - Rio de Janeiro 

AGENCIAS E FiLIAES EM TODOS OS ESTADOS } 

Peçam maiores esclarecimentos sobre os artigos acima mencionados. 6 ~ 3 J 

13 a 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 33 

numero para a Itália e também para a Allernanha, onde já existem 
raças leiteiras muito boas, assim como para a Hespenha. A França 
também fez suas compras na Suissa, antes de tomar na fronteira 
medidas que equivalem a uma prohibição. Os touros reproductores 
encontram seu mercado princiqal na Itália e na Allernanha, porém, 
vão também para outros paizes como sejam Estados Unidos, Brasil, 
México e Japão. Por toda parte os resultados obtidos têm sido muito 
satisfactorios, tanto no que se refere ao desenvolvimento de suas 
faculdades e de suas qualidades em geral, como sob o ponto de 
vista de sua resistência. 

A raça Simmenthal 

O gado desta raça encontra-se principalmente na parte 
noroeste da Suissa. Nos Cantões de Berna (com excepção do valle 
de Oberhasli), Solothurn, Basilea, Schaffhausen, Vaud, Neuchâtel 
e Genebra, cria-se quasi que exclusivamente gado desta raça; nos 
Cantões de Thurgovia, Zurigo, Argovia, Lucerna e Valais, cria-se 
por metade as raças Simmenthal e Schw} 7 z. 

O Cantão de Friburgo cria gado Simmenthal e da raça de seu 
nome, manchado de preto. Os limites das regiões de 'criação tanto 
em geral, como nos Cantões, são bem marcados e por toda parte as 
raças criam-se puras. 

Nas regiões destinadas á criação do gado Simmenthal, com 
manchas vermelhas, amarellas e amarelladas, existiam em tempos 
anteriores vários typos diíferentes, que têm desapparecido nos 
últimos decennios. Desde vários séculos, o valle do Simmenthal, 
no Cantão de Berna, com as suas magnificas pastagens, occupa um 
logar de preferencia na criação do gado desta raça; dahi têm sabido, 
sem interrupção, reprodutores adquiridos pelos criadores doutras 
regiões. O impulso dado por este gado á criação em geral tem sido 
tão forte e sua influencia tão benéfica que hoje em dia toda a raça 
traz o nome deste valle. 

A côr do gado desta raça é o vermelho mesclado de branco. 
Os matizes das manchas vão do amarellado ao ruivo escuro (côr de 
cereja). A cabeça, as partes inferiores das pernas, o ventre e o ubere 



34 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

são em geral brancos, porém encontram-se também animaes com 
manchas nestas partes do corpo. Animaes inteiramente brancos 
ou com poucas manchas não são apreciados. 

Os chifres, o focinho e os cascos têm pigmento claro e são 
em geral de uma côr branca amarellada á da de palha. Animaes 
com manchas escuras têm, ás vezes, as pontas dos chifres de côr 
ruiva, os cascos com listras e manchas escuras no focinho, o que 
não se deve considerar como indicio de raça impura. Em geral, 
as manchas vermelhas e brancas são bem marcadas e nitidas. 
Succede, porém, ás vezes que se confundem por meio de uma listra 
de dous ou três centimetros de largura, formada em consequência do 
pello branco ou amarello. 

Manchas escuras ou pretas em qualquer parte do corpo são 
indicios seguros da impureza da raça e devidas ao cruzamento com 
outra raça. Essas manchas, quando as ha, vêem-se principalmente 
nas orelhas, na bocca (no beiço inferior), nos chifres, no pescoço, 
nos membros, especialmente nos cascos e na ponta da cauda. No 
gado Simmenthal, as formas do corpo e os signaes característicos 
são a expressão fiel de uma raça criada em vista de fins combinados. 
O conjunto tem um aspecto de muita força, sem ser grosseiro 
ou tosco., como o foram os typos das alturas, antes de sua 
selecção. 

A cabeça é de tamanho médio, até pequena e magra; a fronte, 
as queixadas e a bocca são bem desenvolvidas; o pescoço é mediai a- 
mente largo, forte e bem atado á cabeça e ás espáduas. O peito é 
largo, amplo e profundo, e o desenvolvimento das costellas, normal. 
As espáduas são amplas e bem atadas á cruz e ao peito; o lombo é 
forte e amplo, as ancas amplas e com boa musculatura; vêem-se, 
ás vezes, animaes com ancas altas e a cauda plantada demasia- 
damente alto. Este defeito era frequente ha alguns annos, porém 
tende a desapparecer pouco a pouco por uma criação racional. Os 
membros são fortes sem serem toscos, com bons músculos, amplos 
e seccos nas articulações. As canellas são largas e seccas, os cascos 
de forma redonda e bem proporcionados. 

A pelle é de espessura média, e ao mesmo tempo elástica 
e movediça. O escudo tem o desenvolvimento normal. As patas 



'■■■ ' 









Raça Simmenthal — Novilha Adi v KR, nascida em I o de 
Março de 1906, de 3 annos e 3 mezes de edade, prenhada de 
30 semanas. Premiada na Exposição Agricola do Cantão de 
Iyucerna, do anno de 1909, no 5 Q logar, com 79 % pontos. 




Raça Simmenthal — Vacca Lorxe, nascida em 12 de Março 
de 1895, de 6 annos de edade, três partos. Prémios: 1899 e 1910 
em Schmitten (Friburgo), com 82 a 84 pontos. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



35 



posteriores são bem aprumadas, ás vezes os curvilhões um 
pouco afastados. 

Animaes com um tronco amplo e baixo e com membros de 
grossura média, fortes, com bons músculos, são os que corre- 
spondem melhor aotypo do animal destinado a vários fins. Animaes 
com pernas altas, tronco estreito e mal desenvolvidos não são em 
g-eral muito aptos ao trabalho. 

Os animaes expostos na VII Exposição Agrícola Nacional, que 
se realizou em Frauenfeld, em 1903, tiveram como termo médio 
as seguintes medidas: 

TABEIjIjA UNT. 9 



24 touros de 
edade média de 4 annos 



85 vaccas de 

edade média de 5 annos 

e 4 mezes 



42 novilhas de 

edade média de 2 annos 

e mezes 



./\_ 



A 



L,argura do tronco 

" da cabeça 

" do nariz.. 

» do peito 

Profundidade do peito 

Amplitude do peito t 

» do lombo 

I,arg-ura da bacia 

" das cadeiras 

Espaço entre as articulações das ca- 
deiras 

Altura da cruz 

9 do osso sacro: 

» das rodilhas posteriores. 

9 do corvejão 

Circumferencia do peito 



188,3 





168,9 


— 


160,7 


56,5 


30,0 


52,1 


30,8 


50,2 


28,1 


14,9 


26,8 


15,9 


25,7 


86,5 


45,9 


74,5 


44,i 


71,8 


86,3 
62, 1 


45,8 
33,o 


76,5 
52,7 


45,3 
3i»2 


73,6 
50,6 


46, 1 


24,5 


42,0 


24,9 


4i,4 


65,6 


34,8 


55.3 


32,7 


52,9 


63,0 


33,5 


58,1 


34,4 


55,3 


61,4 


32,6 


54,2 


32,1 


52,6 


156,0 


82,8 


147,0 


87 


143,9 


156,9 


°,9 


I5i,9 


4,9 


150,0 


39,3 


20,9 


40,2 


23.8 


40,7 


55,6 


29,' 6 


53,5 


3i,7 


54.5 


238,0 


— 


211, 1 


— 


201,5 



31,2 
16,0 

44,7 
45.8 
3i,5 
25,8 

32,9 

24.4 

32,7 
89.5 
6,1 
25,3 
33,9 



No momento de nascer, os terneiros têm um peso vivo médio 
de 40 a 45 kg-s. Com a criação racional de costume alcançam na 
edade de 6 mezes um peso médio de 180 a 225 kg-s., a 12 mezes 



36 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

de 2S0 a 325 kgs., a dous annos de 500 kgs., toais ou menos, e na 
edade de 3 annos, geralmente na occasião do primeiro parto, um 
peso de 600 a 750 kgs. Vaccas adultas do typo meio pesado, não 
prenhes, têm um peso de 600 a 750 kgs. e excepcionalmente 
a 850 kilogrammas. 

O augmento do peso nos machos é mais rápido e o peso final 
muito mais elevado. Na edade de um anno, os touros alcançam um 
peso de 400 kgs., na de 2 annos de 750 kgs. e na de 3 annos, edade 
na qual acabam geralmente de crescer, de 900 a 1.000 kgs. e mais. 
Aos 4 annos, os touros adultos de um desenvolvimento normal 
têm um peso de 1.000 a 1.200 kgs. Os bois chegam á edade 
adulta aos 4 ou 5 annos e alcançam um peso vivo de 900 a 
1 .000 kilogrammas. 

Os animaes em mostra na Exposição Agricola de Frauenfeld, 
no anno de 1903, e na Exposição Internacional de Milão, em 1906, 
tinham como termo médio o peso seguinte : 

TLA-BET wT ■ A KTsí. IO o XI 



AITIMAES 



FRAUENFELD -1903 



Médio Máximo 



MILAN0 - 1906 



Médio Máximo 



Touros reproductores de 18 a 22 mezes de edade. . . 

» » de 2 a 3 annos de edade 

» » de mais de 3 annos de edade 
Novilhas de 18 a 22 mezes de edade 

» de 2 a 3 annos de edade 

» de mais de 3 annos de edade 

Vaccas 



665 

878 

1.045 

■ 842 

662 

739 
75o 



784 


695 


1.099 
1.198 


1 

!>972 + 
J 


59* 


— 


788 
828 


1 

>755 + 
J 


930 


792 



745 
I.I95 + 

852 + 
890 



(*) Na maior parte animaes de três annos. 

Os touros reproductores- levados ás feiras-exposições organi- 
nizadas pela União das Associações de Criadores de Gado Sim- 
menthal, e que se realizaram em Ostermundingen, perto de Berna, 
nos annos de 1901 e 1903, foram também pesados e deram ,os 
seguintes resultados : 



^r-^J-^C^^- %"; 




*« ' rí £ ^ 




Raça Simmenthal — Touro Bismark, nascido em 1902, 
de 3 annos e 9 mezes de edade. Peso vivo 1.200 kilogrammas . 
Premiado varias vezes no Cantão de I/ucerna e na Feira-E)xpo- 
sição de Touros Reproductores de Ostermundigen, Berna, em 
1 & classe e em Milano com diploma de honra e medalha de ouro. 




Raça Friburgo — Touro Capitainií, nascido em 1900, de 
4 3^ annos de edade. Peso vivo 1.210 kilogrammas. Prémios : 
Bulle 1904, 1905 e 1906, 1* classe. 



REVISTA DE) VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



37 



TABEIjIjA 3XT. 12 



EDADE — MEZES 



15)01 



Numero 

de 
animaes 



Peso vivo 



Médio — kg. Máximo — kg. 



1 1)03 



Numero 

de 
animaes 



Peso vivo 



Médio — kg. 



Máximo — kg. 



7- 8 

8- 9 

9-10 

10-11.. 

11—12 

13—14 

15—16 

16-17 

17-18. 

18-19 

19—20 

20-21 

21 — 22 

22—23 

23-21 

28-29 

31-32 

32-33 

33-34 ... 

De 3 annos acima 



16 

53 
70 

3i 
5 
5 
8 

12 

16 

22 

49 
76 
49 
13 
7 
5 



289 
331 

353 
394 
395 
458 
447 
525 
549 
583 
589 
604 
648 
686 
738 
75i 
845 
821 

833 
976 



347 
458 
440 
465 
475 
524 
620 

593 
650 

695 
743 
745 
777 
838 
785 
843 
956 
859 
9 2 5 
1.000 



20 
51 

53 
22 



13 
14 
17 
32 
45 
69 

45 
14 



5 

5 + 
7 



291 

324 

347 
376 
412 

494 
543 
556 
577 
600 
622 
650. 
615 



35o 

393 
454 
485 



554 
649 

657 
687 
695 
745 
810 
740 



905 
1.017 



941 

978 
1.060 



+ De 34 a 35 mezes de idade. 

Km caso de engorda racional, a raça Simmenthal dá resultados 
muito bons, tanto pela quantidade como pela qualidade da carne. 
A prova encontramol-a nos mercados de animaes de talho do paiz 
e do estrangeiro, onde esse gado é muito apreciado. A carne é firme, 
com fibras finas e bem provida de gordura. Os melhores resultados 
obtem-se com bois, novilhas e vaccas novas ; porém, as vaccas 
leiteiras de 8 a 10 annos de edade dão em geal bons resultados. 

O rendimento em leite da raça Simmenthal é bom e tem 
augmentado de maneira notável nos últimos decennios. Tomando 
em conta sua riqueza em graxa e em substancias seccas, póde-se 
afirmar que o rendimento não é inferior ao das melhores raças 
leiteiras conhecidas. 



38 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



A Escola Agrícola de Riitti, perto de Berna, que é um estabe- 
lecimento do Estado, possue, desde o anno de 1873, uma conta 
exacta da producção de leite, dando os seguintes resultados : 



TíLSSXjXjíL 3NT. 13 



ANNO 
TERMO MÉDIO 


N. DE VACCAS 


MÉDIA DA PRODUCÇÃO LEITEIRA 


Máximo 

da producção 

annual 

Kilogramma 


Mínimo 

da producção 

annual 

Kilogramma 


Por vacca e anno 
Kilogramma 


Por dia de 
manutenção 


1873—1877 


20 — 20 
19—22 
20 — 25 
37—38 

35—37 
39 
39 
43 
40 

44 


2.970 

2-951 
3.106 

3-504 
3-792 
4.020 
3.928 
4.062 

3-933 
3.700 


8,13 
8,oS 

8,50 
9,60 
10,38 
11,01 
10,76 
11,13 
io,75 
10,14 


4.288 
4.091 
4-363 

5-484 
5-277 
5-657 
5-825 
5.160 
5-656 


1.661 


1878-1882.... 


1 .550 


1883-1887 


2.166 


1894-1895 




1896—1900 


2.263 


1901 


2.020 


1902 


2.067 


1903 

1904 


2.585 
2.718 


1905 


2.414 



A riqueza em graxa era de 3,76 % em 1901, de 3,83 % 
em 1902, de 3,75 % em 1903, de 3,76 % em 1904 e de 3,80 % no 
anno de 1905. A média do peso vivo das mencionadas vaccas 
variou de 650 a 700 kilogrammas. 

A criação da Escola Agrícola de Riitti comprenhende um 
effectivo médio de 90 a 100 animaes da raça Simmenthal, dos quaes 
36 a 46 vaccas de edade de três até 14 annos. As vaccas retiradas 
são quasi sem excepção substituídas por animaes da própria 
criação do estabelecimento. Faz-se a renovação do sangue com- 
prando de vez em quando touros reproductores nos melhores esta- 
belecimentos de criação do paiz. No momento do primeiro parto, 
as vaccas têm a edade de dous annos e nove mezes até três 
annos e três mezes e um peso vivo de 600 a 800 kilogrammas, com 
uma média de 650 a 700 kilogrammas. A maior parte das vaccas 
pare nos mezes de Abril a Outubro. 

As fêmeas destinadas á criação recebem leite durante os 
primeiros cinco ou seis mezes. Dá-se-lhes pouco a pouco até oito 
ou nove litros por dia, quantidade que recebem por espaço de cinco 
a oito semanas e que vae diminuindo desde a decima ou decima 
segunda semana, até que se lh'a retira completamente. 




FriburGO — Chalet de Gruyère (Friburgo) 




Raça Simmenthal — Touro DiamanT, nascido em Zweisimmen 
em l 9 de Dezembro de 1903, de 2 annos de edade. Peso vivo 840 ks. 
Prémios : Château d'Oex 1904, 1905 e 1906 em 1» classe, e Milano 
em 1906, Gr and Prix. 



RKVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



39 



Acostuma-se-as em tempo ao pasto secco e desde a sétima 
ou decima semana dá-se-lhes aveia, trigo quebrado e farello. 
No primeiro verão, conserva-se-as no curral e nos annos seguintes 
leva-se-as á montanha. 

Durante os mezes de verão as vaccas recebem exclusivamente 
forrag-em verde (alfafa), no outono vão para o campo pelo espaço 
de quatro a seis semanas e no inverno dá-se-lhes forragem secca 
junto com cinco a sete kilogrammas de beterraba e uma média de 
dous kilogrammas de forragem forte (sendo um kilo de torta de 
sésamo e um kilo de trig-o quebrado ou em fezes seccas) por dia 
e por animal. Desde 1897 leva-se as vaccas também ao campo na 
primavera pelo espaço de duas a três semanas. 

A média do rendimento de leite tem sido calculada dividindo 
a producção total do anno pelo total dos dias de manutenção e 
multiplicando o resultado obtido por 365 ou 366 dias. A producção 
de cada vacca é determinada por meio de provas feitas duas vezes por 
mez. A União das Associações de Gado Simmenthal fez, em 1903, 
sobre uma grande escala averiguações a respeito do rendimento 
em leite desta raça, tomando parte nellas vários criadores e 
associações de criadores. 

Damos em seguida os resultados obtidos nos annos de 
1903 e 1904: 





te 
<a 

o 

Si 
« 








LEITE 






Graxa 


Sub- 
stancias 
seccas 


Média 
da riqueza 

A 








ESTABELECIMENTOS 


ca 

E 

B 

cã 

u 
bO 
O 

2 


CO 


ca 

ia 


ca 

E 
E 

CO 

2 


t/1 

CO 

E 
E 
ca 

fee 
_© 

2 


CO 

E 
E 

CO 

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22 


t/) 

co 

E 

E 

CO 

bo 
O 

2 


CO 

E 
c 

cã 
u 
bo 

2 


t/1 

CO 

E 
E 

CO 

bo 



2 


em 
graxa 

% 


em 

substan- 
cias 

seccas 

% 


i. Testamentária Hofer Rothaus 
2. Asylo de Alienados Bellelay.. 
3- Chr. Grossniklaus, Thun.... 
4. Casa de Educação, Sonvilier 
5- Associação de Criadores, But- 


6 
6 

4 
9 

8 
6 

14 

8 

6i 


677 
650 
725 

651 
675 

760 

707 
662 
687 


336 
322 
382 
313 

343 
361 

34-3 
301 
336 


384 
373 
435 
385 

406 
413 

400 
3^3 

393 


3.728 

3.519 
4.762 

3.3°3 

4.81 1 
4.3" 

4. 618 
3.751 


3.5iS 
3.396 
4.003 

3.077 

4.338 
3.801 

4.208 
3.772 


9, 6 4 

9,30 
10.97 

8,67 

11,88 
10,41 

11,52 
10,34 


520 
522 
552 

473 

Ó43 
5°o 

595 
570 
553 


139-6 
127,9 
154,9 
118,6 

163,9 
156,8 

i5B,o 

146,4 


457,6 
443,8 
509,8 
391,6 

554,i 
506,4 

545,3 
493,1 


3,97 
3,77 
3,87 
3,86 

3,78 
4,13 

3.75 
3,89 


13,01 
13.07 
12,73 
12, 83 

12,77 
13,32 

12,96 
13.07 


7- Asylo de Cery, perto da L,au- 


8. Associação de criadores, 1'Isle 




4- 119 


3.798 


10,41 


146,3 


492,6 


3,8.5 12,97 



40 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



A producção annual maior foi de 5.849 kilogrammas, a 
riqueza em graxa variou entre 3,35 % e 4, 43 % e as substancias 
seccas de 12,15 % até 14,40 %. 

Os resultados dos annos de 1904 e 1905 foram os seguintes: 



TABELLA INT. 15 



ESTABELECIMENTOS 



o 



LEITE 



Graxa 



Sub- 
stancias 
seccas 



Média 
da riqueza 



em 

em substan- 
cias 
seccas 



graxa 



i. Testamentária Hofer, Ro- 
thaus 

2. Asylo de Alienados, Bellelay 

3- Casa de Educação, Sonvilier 

4. Associação de Criadores. But- 

tisholz 

5- Asylo de Kõnigsfelden 

6. Asylo de Cery, perto de I,au- 

sanne 

7. Associação de Criadores, 1'Isle 

5. Casa de Pestalozzi da cidade 

de Zurigo 

9. Instituto Agrícola de Grange- 
Neuve 

io. Kscola Agrícola de Cernier. . 

TOTAES E MÉDIAS 



s 


654 


394 


447 


4.087 


3.312 


9,16 


510 


I3É3 


441,2 


3,99 


6 


-25 


35S 


•04 


3-8i6 


3.441 


9,43 


475 


129,4 


451-2 


3,72 


13 


634 


297 


367 


3.o ç o 


3.079 


8,44 


4*6 


116,5 


397,4 


3.79 


9 


Ó71 


366 


446 


4.699 


3.862 


10,58 


575 


155.8 


507,8 


4,02 


4 


680 


317 


372 


4.247 


4.157 


Ji,39 


611 


170,2 


560,7 


4, IO 


14 


732 


406 


477 


5.315 


4.094 


11,22 


559 


I59, 2 


540,6 


3-94 


5 


649 


320 


374 


3.997 


3.9°7 


10,70 


602 


152,6 


5T4,o 


3,9i 


5 


725 


370 


401 


4.301 


3-995 


10,94 


55i 


155.8 


53i,8 


4,05 


8 


737 


306 


357 


3-539 


3.728 


10,21 


506 


144. 1 


477,6 


4,00 


16 

88 


6m 
687 


393 
349 


446 


3.79^ 


3.26S 


8,95 


480 
5^5 


126,0 


422,3 


3,88 


418 


4.123 


3.608 


9,89 


140,5 


462,1 


3,88 



13,29 

12,97 
12,92 

13,25 
13,49 

13,13 
13,16 

13,33 

13,24 
12,46 

13,04 



A producção maior do anno foi de 6.006 kg-s., a riqueza em 
graxa variou de 3,99 % a 4,59 % e a porcentagem em substancias 
seccas de 11,26 até 14,06 %. 

Os estabelecimentos agrícolas dependentes da Casa de Educação 
de Sonvilier e do Asylo de Alienados de Bellelay estão situados no 
Jura bernense, a uma altitude respectivamente de 860 e 950 metros 
sobre o nivel do mar. O clima é bastante rigoroso e o inverno de 
longa duração. Km ambos os estabelecimentos, os animaes são 
levados para o campo no verão. Os demais estabelecimentos encon- 
tram-se em paragens melhores, nos quaes a alimentação dos animaes 
corresponde a normal. As condições da vida e da manutenção são 
mais ou menos as mesmas que na Escola de Riitti; as rações de 
forragem no inverno são, entretanto, algo menores. 




Raça de Friburgo — Novilha Furka, nascida em 2 de Outubro 
de 1903, de 35 mezes de edade, prenhada de 30 semanas. Peso vivo 
730 kilogrammas. Prémios : Epagny, l 9, classe; Milano 1906, meda- 
lha de ouro. 




RiGl-Ai^p (Kulmhútte) 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



41 



Do estrangeiro, temos os resultados obtidos e annotados na 
fazenda dependente da Academia Agrícola de Bonn-Poppelsdorf 
(Allemanha) no correr das provas a que têm sido submettidas varias 
raças leiteiras com uma alimentação muito abundante. As 12 vaccas 
submettidas a estas provas foram adquiridas no Simmenthal (Cantão 
de Berna) no mez de Setembro de 1901. A producção de leite, 
durante 12 periodos completos de lactação, foi a seguinte: 

ta.:b:etiTiA. gj. 16 



Médio 


Mínimo 


Máximo 




5.565,22 kg. 
8.476,99 » 
l,°5o % 
13-265 % 
225,4 kg. 
343,4 » 


4.866 kg. 
7 . 206 » 
3,807 % 
12,914 % 
188,6 kg. 
285,3 " 


6.712 kg. 

10.302 » 

4,427 % 

13,732 % 

270,8 kg. 

405,8 » 


» » por mil kg. de peso vivo 


» em substancias seecas do leite 

Rendimento em graxa por anno e por vacca 
» » por mil kg. de peso vivo 




659 kg. 


59° kg. 


737 kg. 





Annotamos em seguida os quatro periodos de lactação das 
vaccas submettidas á prova que tem dado os melhores resultados: 



TAEELLA :KT. 17 



CRIADOR 


Quantidade de leite 
por período de lactação 


Quantidade de leite 
calculada por 365 dias 


Termo médio 
da riqueza em graxa 


1. Rebmann, Deputado ao Conselho Na- 


10591 kg. 

8014 » 
6914 )> 
6310 » 


6078 kgi 
6c 94 » 
6712 » 
6109 » 


3,94 % 
4.13 » 
4,04 ii 
3,8i » 




3- Muller, Christ, em Zweisimmen 

4. Kung J. W., Stygem Diemtigem 



A estructura, a constituição e o temperamento do gado Sim- 
menthal o habilitam, em alto gráo, para o trabalho. Os ossos fortes, 
o bom desenvolvimento dos músculos de todas as partes do corpo, 
especialmente do lombo, da bacia, das espáduas e dos membros, a 
pelle robusta e elástica, uma grande facilidade de movimentos nas 
articulações, o temperamento vivo, o bom caracter, a saúde e a força 

K. v. 6 



42 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

de resistência, olhos intelligentes e sua docilidade, são qualidades 
do gado Simmenthai e o fazem mui apto ao trabalho. 

Na Suissa, especialmente nos estabelecimentos agrícolas de 
menor importância, a maior parte ou quasi a totalidade dos trabalhos 
no campo se fazem com animaes desta raça. São postos á contribuição 
e apreciados nos trabalhos no campo, por sua força muscular; nos 
caminhos batidos, por seus cascos fortes e no manejo de machinas 
agrícolas, per seu caracter leal, franco, docilidade e agilidade. 

Devido a diminuição do cultivo de trigo e da agricultura em 
geral nos últimos 20 ou 30 annos, faz-se, porém, trabalhar menos o 
gado Simmenthai do que em outros tempos. Ha muitos estabeleci- 
mentos, especialmente dos maiores, nos quaes se ha renunciado de 
todo a cangar o gado. Por esta razão tem-se podido prestar uma 
attenção maior á producção do leite e da carne, assim como ao 
desenvolvimento das respectivas faculdades, que já tem chegado 
quasi a perfeição. 

Ha cem annos que já se exporta animaes da raça Simmenthai 
para o estrangeiro e, nos últimos 50 annos, a procura desse gado 
tem sido geral. No estrangeiro, os animaes são empregados tanto 
na criação pura como em cruzamentos. Tem seu melhor mercado 
na Allemanha do Sul, especialmente em Baden, Wiirtemberg e 
Bavaria, entretanto, são encontrados também na Allemanha central 
e ainda no Norte. Exporta-se também em numero crescido para 
Austria-Hungria, França, Itália e Rússia e para os demais paizes 
europeus, assim como para o México, Brasil, Japão e outros. 

Por toda parte, os resultados obtidos têm sido satisfactorios. 
O gado Simmenthai acelima-se em qualquer parte com facilidade. 
Entretanto, não se presta bem á criação pura em logares de terrenos 
áridos e de pouco pasto. 

Mesmo nestes casos, porém, tem feito suas provas nos cruza- 
mentos e augmentado muito as aptidões das raças cruzadas. Seu 
grande poder de transmissão tem-se feito notar especialmente nos 
cruzamentos com raças atrazadas. Em casos desta natureza, a raça 
Simmenthai tem valor especial, porque chega em tempo relativa- 
mente curto e com bastante segurança a bons resultados. Neste 
ponto, o gado Simmenthai deixa atraz todas as demais raças 
conhecidas. 




Cabanas e pastagens alpestres do Simmenthal-Diemtigen 




■ h t'á&- : feâf ■ I 






% 



1; wr.^ 



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Raça Simmentlial — Touro Bismark, ; nascido em Krledbach 
em 1901, de4annos de edade. Peso vivo 1.120 kilogrammas. Premiado 
varias vezes em Schmitten, em 1* classe, e em Frauenfeld, também, 
em I a classe. 



REVISTA dh; veterinária e zootechnia 43 

A raça de Fri burgo 

Noutros tempos, esta raça estava bastaste difundida na Suissa, 
hoje em dia, porém, cria-se pura quasi que exclusivamente no 
Cantão de Friburg-o, onde Governo, criadores e associações de 
criadores fazem grandes esforços em seu favor. 

A côr do pello é preta e branca, em manchas. Encontra-se com 
frequência animaes que têm a cabeça e os membros brancos e o resto 
do corpo preto, assim como animaes quasi inteiramente brancos ou 
pretos. Animaes deste typo não são muito apreciados e para a 
criação preferem-se animaes com manchas brancas e pretas bem 
repartidas. O focinho, os chifres e os cascos são pretos ou de côr 
amarello-clara, segundo a côr das partes visinhas. Pellos averme- 
lhados ou cinzentos são indicios de impureza da raça. 

Como na raça Simmenthal, a criação do g-ado Friburgo tem 
vários fins. Os animaes desta raça distinguem-se por seu grande 
peso, constituição robusta e força de resistência, assim como pelo 
rendimento em leite, facilidade de engorda e aptidões para o traba- 
lho. Nas boas criações, com alimentação racional, alcança-se uma 
producção média de leite de 3.500 kgs. e mais por anno. O leite é 
rico em graxa e sua porcentagem média é como nas raças Simmen- 
thal e Schwyz, de 4%. A faculdade de engorda e a qualidade da 
carne são boas, prestando-se a isto a bôa musculatura. Sua consti- 
tuição, bôa saúde e mansidão os habilitam em alto gráo para o 
trabalho. 

As vaccas expostas na VII Exposição Agricolo-Suissa de Frau- 
enfeld tinham um peso vivo médio de 771 kgs. com fluctuações de 
695 a 838 kgs. 

As formas do corpo não se differenciam essencialmente das do 
gado Simmenthal. Os animaes pesados têm aspecto amplo e pro- 
fundo, o tronco de uma largura regular, membros fortes, bem apru- 
mados e bem providos de músculos. O peito e a bacia são em geral 
bem desenvolvidos, o lombo amplo e carnudo. 

O gado Friburgo encontra sahida tanto nos mercados do paiz 
como nos do estrangeiro. Acclima-se nas paragens baixas como nas 
regiões montanhosas. Nas regiões altas é apreciado especialmente 
por sua grande força de resistência. Encontrámos animaes deste 



44 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

typo na França, Austria-Hungria, Itália, Allemanha do Norte, 
Rússia, porém, raras vezes se os vê reunidos em criação própria. 
O gado Friburgo presta-se muito bem tanto para a criação pura, 
como para os cruzamentos com outras raças. Algumas raças pretas 
de baixas regiões têm sido cruzadas com sangue Friburg-o, com o 
objectivo de melhorar sua constituição e estructura, especialmente 
no trem posterior. 

A Federação dos Syndicatos de Criação da Raça Friburg-o, 
fundada em 1898, conta actualmente 27 syndicatos com 374 sócios, 
proprietários de 81 touros e 2.200 vaccas, an notadas nos registros 
genealógicos. 

Com o fim de melhorar e uniformisar os assentamentos nos 
registros genealógicos, a Federação procede cada anno á inspecção 
dos livros administrativos dos syndicatos. Para fomentar a venda 
dos productos da criação organiza mais cada anno uma feira-expo- 
sição de touros reproductores, na occasião da afamada feira de 
St. Denis (na 3 a . semana de Setembro). O numero dos touros expos- 
tos varia de 150 a 200. Uma somma de Fr. 2.000 reparte-se como 
prémios aos proprietários dos melhores reproductores. 

Medidas communs para o fomento da criação do 
gado vaccum na Suissa 

A Confederação, os Cantões e os particulares contribuem, cada 
um na sua esphera, ao fomento da criação do gado vaccum, pres- 
tando reciproco apoio. No orçamento da Confedeaação figura uma 
rubrica de Fr. 500.000 — que devem ser empregados no interesse 
da criação de gado vaccum e especialmente em prémios para touros, 
vaccas e novilhas, assim como no fomento das associações de cri- 
ação. A distribuição destas subvenções faz-se por intermédio dos 
Cantões, que, entretanto, não podem cobrar sua parte, se não desti- 
nam elles também uma parte egual ao mesmo fim e cumprem com 
certas condições. Conforme as prescrições federaes, uma vacca não 
pode ser premiada com mais de 100 francos e um touro com menos 
desta somma por anno. Os prémios concedidos aos touros não são 
pagos senão nove mezes depois de premiados, tendo o touro ficado 
em poder do proprietário ; e os concedidos ás novilhas só depois da 




Raça Simmenthal — Vacca Baronne, nascida em Zweisimmen em 
9 de Abril de 1901, de 3 annos de edade, suissa. Prémios : exposição 
em Frauenfeld 1903 e Milano 1906, Granei Pr ix. Baronne; teve dous 
terneiros dos quaes um figura ao lado na edade de 2 annos. 




Raça de Friburgo —Touro Garibaldi, nascido em 1903, 
de 3 ^ annos de edade. Peso vivo 1.105 kilogrammas. Prémios : 
Jíulle 1905 e 1906 de 1* classe e Milano 1906, medalha de ouro, 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 45 

primeira barriga e do nascimento d'um terneiro vivo, descendente 
de um touro premiado. 

Com a ajuda da Confederação e dos Cantões têm sido fundadas 
nos últimos vinte annos muitas associações de criadores de gado 
vaccum. Estas associações têm por objectivo fomentar a criação do 
g-ado não somente nos grandes estabelecimentos, como também 
nos de menor importância, que são os que dominam na Suissa. 
Para alcançar este fim, empregam os seguintes meios: Compra e 
emprega de reproductores escolhidos com as melhores vaccas ou 
novilhas da raça correspondente, sendo estas ultimas marcadas e 
annotadas no herd-book (registro genealógico), como viveiro de 
criação ; criação racional dos terneiros, comprando ou alugando 
para este fim, se fôr necessário, pastagens alpestres ; criação de um 
herd-book e instrucção sobre a melhor maneira de mantel-o; certidões 
de origem fidedigna ; ensino e discussão sobre todas as questões 
referentes á manutenção do gado e ao fomento da venda do mesmo. 
Actualmente ha na Suissa umas quinhentas associações de 
criadores. As associações que têm unicamente um completo herd-book 
assiste-lhe o direito ás subvenções. Nas differentes regiões de 
criação, as associações têm-se constituido em Uniões de Criadores. 
No anno de 1890 fundou-se a União das Associações de 
Criadores da Raça Simmenthal com o effectivo de 10 associações. 
A 1 de Janeiro de 1906 a União contava 166 associações com 4.678 
membros, assim como 443 touros e 11.099 vaccas e novilhas regis- 
trados no herd-book, Estas associações repartem-se, como se segue, 
pelos differentes Cantões: Berna 42, Lucerna 10, Friburgo 26, 
Soloturn 3, Basiléa (Campanha), Argovia 11, Vaud 67. 

Cada anno a União organiza na ultima semana de Agosto ou 
na primeira de Setembro, em Ostermundingen, perto de Berna, 
uma feira-exposição de reproductores com prémios. Nos últimos 
annos têm sido levados a este mercado cerca de 600 a 750 touros. 
A União occupa-se também com muito empenho da confecção dos 
livros nas associações, especialmente da maneira como se mantém 
o herd-book. Desde o anno de 1901 tem se feito inspecções periódicas 
dos livros genealógicos (herd-books) mantidos pelas associações. 

A União dos Criadores do Gado Simmenthal (typo da mon- 
tanha) e para o fomento dos estabelecimentos alpestres (Verband 



46 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

fiir Simmenthaler Alpfleckviehzucht und Alpwirtschaft) contava, em 
1 de Janeiro de 1900, 19 associações municipaes e 579 criadores. 
A União comprehende os districtos de Saanen, Obersimmenthal, 
Untersimmenthal, Frutigen e Interlaken, no Cantão de Berna. Em 
cada outono, no principio de Setembro, realizam-se nesta região 
grandes feiras de animaes reproductores e de trabalho. As feiras de 
mais fama são as de Saanen, Zweisimmen, Erlenbach, Reichenbach 
e Frutigen. 

A União das Associações de Criadores de Gado Simmenthal 
da Suissa oriental contava, em 1 de Janeiro de 1906, 33 associações 
com 1.560 membros e 2.460 animaes de criação registrados no 
herd-book. As associações repartem-se entre os Cantões de Zurigo, 
Thurgovia e Schaffliausen. Em cada anno, na primeira quinzena 
de Agosto, a União organiza em Winterthur um mereado de touros 
reproductores, que tem ao mesmo tempo caracter de exposição. 
Em geral são levados a ^ste mercado cerca de 200 touros. 

No anno de 1897, 82 associaçõesfundaram a União das Asso- 
ciações de Criadores de Gado da Raça Schwyz. A 1 de Janeiro de 
1906, esta União contava 145 associações e 4.738 membros, assim 
como 13.711 .animaes de criações registrados no herd-book. A União 
desempenha-se da mesma maneira como a União dos Criadores da 
Raça Simmenthal. Organiza cada anno uma feira-exposição de 
touros em Zug, a qual levaram nos últimos annos cerca de 900 
reproductores. Nesta exposição encontram-se tanto criadores do 
paiz, como interessados estrangeiros, que encontram nella a melhor 
opportunidade para fazer as suas compras. Desde o anno de 1898, 
a União procede ás inspecções periódicas dos livros genealógicos 
(herd-book) organizados pelas associações que delia fazem parte. 

Ha vinte annos a Confederação, os Cantões e as associações 
dedicam uma attenção especial á instituição de certidões de origem 
fidedigna. Nas exposições e nas feiras, figuram estas certidões, con- 
cedendo-se aos seus portadores prémios especiaes. 

Desde 1891, a Confederação entrega, por intermédio dos Can- 
tões, certidões de cobrição aos proprietários de touros que tenham 
obtido altas recompensas. Os proprietários destes reproductores 
entregam, por sua vez. as referidas certidões aos proprietários 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 47 

de vaccas e novilhas levadas ao touro, sendo declaradas aptas para 
elle por commissões de peritos cantonaes e devidamente marcadas. 
Os terneiros descendentes destes touros levam uma marca na 
orelha. Ao lado das certidões federaes, ha também as cantonaes 
que especialmente no Cantão de Berna têm papel importante. 
A certidão federal, com a marca na orelha, está mais em uso no 
território da raça Schwyz que no da Simmenthal. 

Os livros genealógicos (Jierd-books) das associações são man- 
tidos por empregados especiaes. Têm por base as informações das 
commissões de peritos, assim como do dono do touro e as commu- 
nicações dos membros, feitas em formulas especiaes. 

Compras 

Aos que querem estudar as raças bovinas da Suissa e o seu 
modo de viver, recommendamos visitar as escolas agrícolas 
seguintes, que têm todas uma fazenda como dependência : Riitti, 
perto de Berna ; Strickhof, perto de Zurigo ; Plantahof, perto de 
Landquard (Grison), e Grangeneuve-Hauterive, perto de Friburgo, 
devendo concluir esta visita por um gyro nos Alpes e suas pas- 
tagens. No outono, especialmente nos mezes de Setembro e Outu- 
bro, realizam-se em todas as regiões concursos e exposições de 
animaes vaccuns, offerecendo esta época melhor opportunidade para 
compras de bons animaes de criação. Os secretários das varias 
uniões de criadores estão sempre á disposição dos interessados para 
oriental-os, seja no estudo das raças suissas, seja nas compras de 
gado. 

O mercado de gado de criação está aberto todo anno, porém 
os principaes negócios fazem-se nos mezes de outono (Agosto 
e Novembro). Km certas regiões fazem-se, entretanto, numerosas 
transacções especialmente no que se refere a touros, também nos 
mezes da primavera (Março e Abril). Nas épocas mencionadas 
realizam-se, em diíferentes partes do paiz, grandes mercados, aos 
quaes são levados, ás vezes, 2.000 e 3.000 animaes. A maioria das 
transacções, especialmente quando se trata de animaes de alto 
preço, faz-se também nos estabelecimentos dos criadores mesmos. 



48 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Os preços variam muito, segundo a qualidade e a origem dos 
animaes. Para novilhas de criação e vaccas novas pagam-se 800 
a 3.000 francos ; para touros, 800 até 5.000 francos. Excepcional- 
mente ha também preços mais altos. 

Albert. Gertsch. 

Bibliographia 

Os dados contidos neste folheto, que resume brevemente os 
mais importantes sobre as raças bovinas da Suissa, foram tirados na 
sua maior parte das publicações seguintes : 

1 . Das Fleckvieh der Schweú (o gado Simmenthal), por 
F. Káppeli. «La race bovine tachetée de la Suisse», traducção 
franceza do primeiro. 

2. Das schweizerische Braunvieh (o gado Schwytz), por 
Heinrfch Abt. 



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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 49 



OS INIMIGOS DA AVICULTURA 

Mal informados andam aquelles que pensam que a avicultura 
é um céo aberto, uma mina do Potosi, onde basta lançar a esmo as 
mãos, para recolhel-as cheias de pepitas e ouro em pó. . . 

A avicultura é uma industria importantíssima, uma das que 
maiores resultados pôde dar no mais curto espaço de tempo, mas 
tem também os seus graves contratempos, que não me seria licito 
occultar. 

Um de seus maiores inconvenientes, principalmente no campo 
e em um paiz como o nosso, reside no grande numero de inimigos 
que ha a combater : — desde o homem (gatuno) até o minúsculo 
piolhinho, que se concertam em perseguir as aves, dando ás vezes 
consideráveis prejuízos ao seu proprietário 

O ladrão de gallinhas tem mais apurado faro e mais fino ouvido 
que o melhor cão perdigueiro ! Não sei se fareja ou se presente 
a existência de um gallinheiro no quintal, mas o facto é que elle 
salta muros, arromba portões e limpa o gallinheiro ! 

Em segundo plano temos outros inimigos, não menos perigo- 
sos, mas aos quaes nos é permittido justiçar sem mais aquellas. São 
os mammiferos sylvestres, que abundam em certas regiões ou por 
toda a parte de nosso paiz e que se alimentam de presas vivas. 

O maracajá ou jaguatirica, formoso felino que toda a gente 
conhece, é um devotado amigo das gallinhas. . . para comel-as. Esse 
gato selvagem é tão audacioso, que vem roubar as gallinhas que 
o caipira guarda dentro da própria casa ! Geralmente elle faz presas 
das que vagueiam nos mattos durante o dia. 

A raposa, a irara, o guará e o cachorro do matto, pertencentes 
todos ao género canis, quasi sempre atacam os gallinheiros á noite. 
São mais perigosos que o jaguatirica, porque não se contentam como 
este com uma só presa por noite : — matam quantas possam alcan- 
çar, a torto e a direito, como se fossem atacados da sede de exter- 
mínio e de sangue ! 

O gambá ou mucura, esse modelo de amor maternal . . . muito 
mal cheiroso, não obstante alimentar-se de fructos, é também 

R. v. 7 



50 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

grande apreciador da gallinha. Como trepa com agilidade, é quasi 
sempre pelo tecto dos gallinheiros que elle penetra. 

As ratazanas, quando dão para comer ovos e pintos, são ini- 
migos dos mais respeitáveis. Com seus terriveis dentes de roedor, 
matam instantaneamente o pobre pinto, que depois devoram nos 
seus covis. 

Os gaviões e as harpias são também inimigos voláteis diurnos, 
que não se podem desprezar ; assim como o tiú ou lagarto, que não 
somente come ovos como pintos. 

Vemos, portanto, que o avicultor tem de se defender de uma 
quantidade de inimigos, quer diurnos, quer nocturnos, para o que 
lhe serão necessários meios eflicazes e enérgicos. As ratoeiras e es- 
parrellas, em muitos casos, dão algum resultado, mas se os inimigos 
forem numerosos, nenhum effeito produzirão. 

O systema de defesa que eu usei, com óptimos resultados, e que 
tive ensejo de verificar na Ascurra Basse-Cour, no Rio de Janeiro, 
é muito simples e ao alcance de todos. Consiste apenas em ter 
alguns cães Fox-terrier, que são os mais ágeis, espertos, intelligen- 
tes e valentes que conheço. 

O Fox-terrier dá caça aos ratos, gatos e quaesquer outros ani- 
maes perigosos que appareçam no estabelecimento. 

Embora pequenos, são vigilantes, ferozes e destemidos, ata- 
cando com ferocidade quaesquer pessoas extranhas que tentem 
penetrar no terreno. Em numero de três ou quatro, oíferecem 
maior garantia que qualquer molosso dinamarquez ou fila. Disto 
tive repetidas experiências. 

Uma vez bem educados, elles nenhum mal fazem á criação. 

J. Wilson da Costa. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 5 1 



INDUSTRIA DE LACTICÍNIOS 

Os queijos constituem um alimento 
A fabricação dos queijos de valor nutritivo superior ao do 

leite, por conterem deste todos os 
principios úteis condensados. 

Da technica empregada no seu fabrico dependem a qualidade 
e a digestibilidade dos queijos. Esses methodos seduzem quando 
lidos nos tratados de leiteria; na pratica, porém, desanimam os que 
se dedicam a explorar essa industria, procurando resolver tudo 
summariamente. 

Cada paiz tem seu typo de queijo. 

A industria procura imitar fabricando typos idênticos em 
paizes diversos. Essa imitação, porém, no que respeita a esse pro- 
ducto differe muito do que pôde, com vantagem, ser feito em relação 
a productos de outra natureza, porquanto o profissional para operar 
em determinada região terá necessidade de verificar primeiro as 
condições topographicas e geológicas dessa região, a raça do 
animal leiteiro, o regimen e natureza da alimentação, além de 
um estudo detido da matéria prima com que terá de manipular. 
Nas mesmas condições são sugeitos os Índices das analyses. 

Por esse motivo os industriaes estrangeiros não têm conse- 
guido em nosso paiz fabricar typos de queijos idênticos aos dos 
seus paizes. O mesmo succederia a um industrial brasileiro que 
se abalançasse a ir para a Suissa fabricar lá o nosso queijo mineiro 

Finda a operação, encontrar-se-ia diante de um typo de 
queijo muito diverso do que pretenderia fabricar. 

Não entro no desenvolvimento da acção das fermentações do 
coalho, influenciadas pelos factores — raça, luz, calor, ventos, condi- 
ções topographicas, etc, porquanto iria alongar muito este artigo. 

Direi, apenas, que a situação da cava, as condições que deve 
preencher, etc, são factores de elevada importância na maturação 
dos queijos. 

O problema da fabricação dos queijos não é tão simples como 
pôde parecer e as condições varias que acabo de passar em revista 



52 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMM^RCIO 



e que carecem de realização o demonstram cabalmente ; por isso é 
irrisório ouvir-se dizer entre nós, com uma ingenuidade admirável, 
que a fabricação do queijo é cousa fácil onde não ha ainda a instru- 
cção profissional bem administrada, para fornecer aos interessados 
os conhecimentos necessários á industria de lacticínios que, entre- 
tanto, mereceu cuidados especiaes de homens da competência 
scientifica de Pasteur, Duclau, Storck, etc. 

Para precipitar a coalhada pelo coalho é 
Processo technico muitas vezes necessário aquecer o leite. *As 

caldeiras de fogo directo têm o inconveniente 
de elevar bruscamente a temperatura, podendo queimar o leite; 
por isso é preferível empregar o 
aquecimento a vapor ou a banho- 
maria. A fig. 1 representa o appare- 
lho indispensável a uma queijaria. 

A sua capacidade é variável, 
podendo aquecer 50, 100 a 150 litros 
de leite. E' construído pelo enge- 
nheiro francez Gaulin. 

Para os queijos de pasta dura, 
o coalho é preparado em temperatura 
mais elevada; quando está formado 
quebra-se a massa com o quebrador, 
ao contrario do que se faz com os de 
pasta molle, que devem ser transpor- 
tados directamente para as formas, por meio de coadores appro- 
priados a esse fim. 

A remoção da coalhada para as formas deve ser feita len- 
tamente e com cuidado para que os flocos sejam assentados de leve. 

O material necessário a uma queijaria compõe-se de tachos 
para o aquecimento, formas, prensas, espátulas, coadores, etc. 

Inútil será repetir que o asseio, a asepsia rigorosa deve ser 
inseparável de todo esse instrumental e estender-se ás salas de 
trabalho, cuja temperatura deve ser mais fresca possível (18° a 20°). 
A atmosphera pura de uma quejaria, a regularidade da temperatura 
no local do trabalho determinam as condições favoráveis á boa 
marcha das fermentações. 




Fig. 1 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 



53 



Classificação 



O logar destinado á seca pôde ser fresco, arejado ou 
A seca húmido, conforme a qualidade do queijo a fabricar. O in- 
dustrial, para estabelecer o gráo de humidade de que 
necessita, para regularisar a marcha da fermentação durante a 
seca, recorrerá ao psychrometro. 

Este apparelho é acompanhado de uma tabeliã de correcção e 
das instrucções precisas ao seu funccionamento. 

Diversas são as classificações dos typos de queijo. 
Eu os classifico em quatro categorias: 

I o . Queijos molles não fermentados. 

2 o . Queijos molles afinados. 

3 o . Queijos duros e comprimidos. 

4 o . Queijos de massa cosida. 

Os de primeira categoria, isto é, os queijos molles não fer- 
mentados, são aquelles que, apresentando uma consistência molle, 

devem ser consumidos frescos. 
O seu fabrico, tanto pôde 
ser feito com leite magro como 
também com leite gordo ou 
ainda saturados de creme para 
tornal-os mais succulentos. 

A esta categoria pertencem 
os queijos denominados duplo- 
crême — Petits-suisses — etc, 
de consumo generalisado em 
toda a parte. Os queijos magros são fabricados com leite que 
soífreu a acção do repouso durante algum tempo. Nessas condições, 
o creme sobe á superfície, é retirado para se realizar a acção do 
coalho sobre o leite, e, uma vez estabelecida a coalhada, a massa é 
cuidadosamente deposta nas formas. 

Para se operar, junta-se 35 a 36 litros de leite puro ao creme 
fresco, na proporção de 5 a 6 litros, segundo a espessura da 
camada. 

Leva-se á mistura a temperatura de 18° no máximo, quando 
se addiciona o coalho, dosado de modo tal que a coagulação se faça 
lentamente. 




Fig. 2 



54 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Finda a coagulação, esgota-se o soro atravez de um panno 
de linho, sempre nas condições anteriormente explicadas e empre- 
gando-se pesos para que o esgotamento seja uniforme. 

No fim de 18 a 24 horas bate-se a massa com um pouco de 
creme novo, deixa- se repousar para enxugar e deita-se nas formas, 
salpicando-se de sal na porporção de 1 a 1 1/2 % etc, etc. 

(O leite, suas industrias e falsificações ). 

Castro Brown. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 5S 



UMA NOVA DISCUSSÃO SOBRE A TRYPANOSOMIASE 

Do seu interesse na hygiene e na zootechnia 

A propósito da moléstia do somno surgiu, ha tempos, um 
conflicto entre duas classes de scientistas — médicos e veterinários, 
de um lado ; zoologos e zoophilos, do outro. 

O conflicto é sobre a questão se se devem ou não conservar 
as disposições legaes protectoras da caça, que figuram na legis- 
lação da maior parte das colónias inglezas e allemãs da Africa 
Central e da do Sul. 

Essas disposições originaram-se principalmente na supposição 
que o abuso dos caçadores provocasse, em breve, a extincção de 
algumas espécies de animaes de grande interesse zoológico; e são, 
em geral, observadas com grande rigor pelas autoridades locaes. 

Além disso, as espécies de animaes mais protegidas foram 
consideradas sempre como inócuas, tanto para o homem, como 
para a agricultura, de modo que, ao que parece, essas medidas 
foram inspiradas, também, por um verdadeiro sentimento de 
zoophilia. 

De algum tempo a esta parte, porém, os médicos e os veteriná- 
rios, especialmente os que se dedicam á hygiene, insurgiram-se 
contra as referidas leis e pedem sua revogação em nome da saúde 
individual e publica, tanto dos indígenas, como dos colonos e em 
nome dos grandes interesses que se referem á criação de animaes 
domésticos, porquanto, se teria verificado que o género de caça 
protegida pela lei, embora por si inócua, « pôde diffundir os 
germens de uma das mais terriveis moléstias exóticas : a moléstia 
do somno. » 

Os elementos que foram colhidos a esse respeito, e em torno 
dos quaes se agitam as controvérsias entre médicos e veterinários, 
de um lado, zoologos e zoophilos, do outro, especialmente na 
Inglaterra, na Allemanha e Itália, mostram bem quão compli- 
cados são os problemas de hygiene colonial. 

A opinião de que algumas espécies de animaes dos trópicos, 
especialmente o antílope — fossem transmissoras de germens de 



56 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 

moléstia infecciosa, tinha sido exposta pelo Dr. R. Kock, o celebre 
estudioso da malária africana. Agora essa mesma opinião resurge, 
como já disse, entre os diversos pesquisadores da moléstia do 
somno, entre os quaes Warrington Yorke, da Liverpool School 
of Tropical Medicine, e Sir David Bruce, Director da Commissão 
organizada pela Royal Society para o estudo da moléstia do somno, 
além de outros que tomam parte saliente na discussão, na Allema- 
nha e na Itália, entre os quaes destaca-se Afionso Lanfranchi, 
professor da Universidade de Parma, que se infeccionou, ha um 
anno, durante as experiências e pesquizas sobre a trypanosomiase, 
conseguindo salvar-se, milagrosamente, no Instituto Pasteur em 
Paris, e ao qual me apraz mandar desde já, pelas paginas desta 
Revista, a saudação aífectuosa de condiscípulo e admirador. 

Desde 1908 suppunha-se que a moléstia do somno estivesse 
espalhada somente na Africa Central ; nesse mesmo anno, porém, 
foi verificado um primeiro caso na Africa do Sul, em Nyassaland ; 
outros casos, não raros, foram verificados nos dousannos seguintes, 
em indígenas, europeus e até em animaes domésticos, na Nyssaland 
e na Rhodesia, isto é, nas regiões mais ao norte, pertencentes, ao 
território colonial da Africa do Sul, de penetração européa mais 
recente. 

De que modo a moléstia do somno se tivesse podido diffundir 
naquellas regiões foi no principio um mysterio, pois a espécie de 
moscas tsé-tsé, glossina, que é o vehiculo do gérmen dessa moléstia 
nas outras regiões da Africa tropical, a glossina palpalis, é des- 
conhecida quer na Nyssaland, como na Rhodesia. 

Por outro lado o exame dos doentes dava em resultado que 
elles eram portadores de trypanosomas. Esses trypanosomas, 
porém, eram bastante diíferentes dos que produzem a moléstia do 
somno na Africa equatorial ; tanto que, emquanto que estes se 
chamam Tripanosoma gambiensis , os outros foram denominados 
Tripanosomas rhodesiensis. 

Impressionada com essas noticias a sociedade ingleza Sud 
Africana mandou os precitados Drs. Yorke e Kinghorn para 
o noroeste da Rhodesia, afim de estudarem a questão a fundo 
sob o ponto de vista da hygiene e da pathologia. B os dous scien- 
tistas verificaram que naquella região os germens da terrível 



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de todos os artigos em ferro fundido e bronze para construcções como : colu- 
mnas, batentes, grades, ornatos, tesouras, armaduras e vigamentos metallicos, 
pontes, clarabóias, grades e balaustres de ferro batido, reservatórios, tanques, etc. 

SERRARIA E CARPINTARIA : Fornecimento de vigamentos de madeira, 
taboas, ripas, caibros, marcos, batentes, soalhos, forros, esquadrias diversas, 
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aperfeiçoadas machinas para lavoura de café como : descascadores, separadores, 
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bricação especial de manilhas de barro vidrado, curvas, ralos, syphões, etc, e de 
tijolos communs, e á machina, tijolos tubulares, telhas, encavas, etc 

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mos, turbinas hydraulicas, bombas, rodas d'agua, machinas para serraria, ma- 
chinas para todas as industrias» cobre, chumbo, eixos, maneaes, correias, óleos, 
tintas, vernizes, lubrificantes, arame farpado, tijolos refractários, carvão de pedra, 
carvão para forja e coke, materiaes para gazistas, funileiros, materiaes para es- 
tradas de ferro, vagonetes Decauville. trilhos, desvios, etc. 

Para construcções : Vigas duble tee, ferros ferpilados de todos os typos e 
tamanhos, chapas de cobre para calhas, chapas de zinco galvanisadas, tubos de 
chumbo e composição, tubos de ferro preto, galvanisados e de ferro fundido para 
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nossas fazendas, e byciclettes. 

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BLACKSTONE & C 9 — Motores a kerozene. 

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teiga. 

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13 



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RE VISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 57 

moléstia são vehiculados por uma mosca tsé-tsé, differente da glossina 
palpalis — isto é, pela glossina morsitans. 

Este insecto já era bem conhecido na pathologia tropical, por 
que elle também é, como se sabe, o vehiculo da moléstia dos 
animaes domésticos, conhecida pelo nome de Nagana. 

Examinando um grande numero de glossinas morsitans, captu- 
radas ao ar livre, verificou-se que 2 por 1000 ellas continham o 
trypanosoma Rhodesiensis, isto é, o gérmen da moléstia do somno. 

«Esta é uma proporção muito alta, inexplicável com a hypo- 
these de que os insectos se tenham infeccionado em tão grande 
numero, exclusivamente sugando o sangue de doentes», diz o 
Dr. Yorke, em seu relatório, publicado no British Medicai Journal 
de 21 de Junho próximo findo. 

Impunha-se, portanto, a hypothese de que a glossina morsita?is 
tivesse qualquer outro meio de infecção, isto é, que além do 
homem, o sangue de outros animaes também contivesse germens. 
Para se aquilatar do valor dessa hypothese, Yorke e Ringhorn exa- 
minaram o sangue de 700 animaes escolhidos entre as espécies 
mais diversas da fauna local, domésticos e selvagens. Os resultados 
corresponderam amplamente á expectativa : o Trypanosoma rhode- 
siense foi encontrado no estado de virulência para o homem e para 
muitos dos grandes animaes domésticos, no sangue de uma quanti- 
dade notável dos antílopes capturados. A infecção é mais frequente 
no Wasserbock : em Nowalia, no valle de Luangue, foi constatada 
na proporção de 16 casos sobre 28 individuos ; em Negoano terri- 
tório de linha de separação das vertentes Congo — Zambése, a 
proporção foi de 12 para 27. 

Também outros animaes como a helantilopes, o bushbock o 
Kudu eram encontrados infeccionados frequentemente. 

Em synthese, a caça grossa, não feroz, foi encontrada infeccio- 
nada 16 % em Nowalia e 3,3 % em Nagoa. 

Nos mammiferos de pequena estatura (ratos) nas ximias (ma- 
cacos ?) (que foram examinados em grande numero), nos grandes 
mammiferos ferozes (examinados — é claro — em pequeno numero) 
o Trypanosoma rhodesiense nunca foi encontrado. Parece, pois, 
verificado que a antílope é o reservatório dos germens da moléstia do 
somno, tão terrivel no homem e nos animaes domésticos ! 

R. V. 8 



58 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

A Glossina morsitans infecciona-se sugando o sangue do antí- 
lope sem provocar symptoma algum mórbido. Trata-se de uma 
adaptação do animal hospitaleiro para com os germens hospedes, 
adaptação que se realizou para algumas espécies de animaes e não 
para outras. No caso presente são as espécies que habitam ha mais 
tempo o paiz, que se adaptaram melhor, 

Exemplos análogos de adaptação encontram-se como se sabe, 
a cada passo na pathologia das moléstias infecciosas. 

Uma vez que se adquiriu a noção de que é o antilope o reser- 
vatório das try pano somas rhodesienses e que a glossina morsitans é o 
vehiculo intermediário entre elles e o homem e algumas espécies de 
animaes domésticos mais úteis, surge a questão, como possa essa 
noção ser utilizável para combater a moléstia do somno produzida no 
homem e nos referidos animaes. 

Kmquanto que a glossina palpalis na Africa equatorial habita 
quasi que exclusivamente as visinhanças dos rios e de outros cursos 
d'agua e que por isso se encontra em muito poucos exemplares 
longe dos rios e dos lagos, a. glossina morsitans na Africa do Sul 
é espalhada pelas diversas zonas do território, sem relação alguma 
com as aguas. Por isso que emquanto que na Africa equatorial a 
prophilaxia da moléstia do somno já obteve brilhantes resultados 
somente por ter removido os centros de habitações da visinhança 
das aguas (tornando desse modo impossivel ao insecto encontrar 
o homem) as mesmas medidas são de nenhum resultado na Rho- 
desia. 

O methodo radical, ahi, seria destruir por completo a vegeta- 
ção em monta o chamado bushrescJí) que é a morada da glossina 
morsitans. Mas se isso é possivel na immediata visinhança das 
aldeias, não o é mais além ; além disso a capacidade de reprodu- 
cção daquella vegetação é tamanha que tornaria impossivel impe- 
dil-a por muito tempo. 

Em vista disso, Yorke propõe que, em vez de combater os 
insectos, vehiculos dos germens, se o faça ao antílope, que é o 
reservatório dos mesmos. Não precisa, diz elle, que se matem 
todas as antilopes do paiz ; esses animaes, porém, devem ser 
systematicamente repellidos das localidades habitadas para as desha- 
bitadas. Uma primeira tentativa desse género teria, porém, apenas 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 59 

o caracter de experiência scientifica, isto é, em algumas localidades, 
far-se-ia a estatistica dos doentes da moléstia do somno e da porcen- 
tagem aproximada das glossinas infeccionadas: — depois afastar- 
se-iam dahi as antilopes, que por espaço conveniente de tempo 
deveriam estar ausentes. Depois de alguns annos, procedendo-se á 
nova estatistica, ter-se-ia uma idéa exacta sobre o valor da 
experiência. 

Naturalmente que em se tratando de regiões onde existem 
leis de protecção severa em favor das antilopes, estas leis deveriam 
ser revogadas, completamente, no que diz respeito á caça por parte 
dos europeus, e condicionalmente ao que se refere á caça feita pelos 
indígenas. 

As propostas de Yorke levantaram vivas objecções por parte 
dos zoologistas e dos zoophilos. 

Marshall affirma que a moléstia do somno é endémica na 

Rhodesia e na Nigéria e que, portanto, os animaes reservatório sâo 

representados, na pratica, já não pelas antilopes tão somente, 

mas por todos os indígenas e pelos diversos animaes domésticos : um 

certo numero destes seria immunisado em relação ao gérmen 

(elles também seriam adaptados, ao gérmen, como a antílope) e 

constituiriam, assim o reservatório de onde a glossina tira os 

germens que, inoculados de outros indígenas e aos europeus, não 

resistentes, emíim, a animaes não adaptados, dariam logar á 
moléstia. 

Por outro lado Minchin é de opinião que, eliminadas as anti- 
lopes, as glossinas faltando-lhe aquellas victimas, picariam ainda 
mais o homem e os animaes domésticos, augmentando, assim, a 
possibilidade de transmissão da moléstia. 

Mas Yorke respondeu a Marshall que os resultados das 
pesquizas feitas por elle e por outros domonstram de modo certo 
que a moléstia do somno é recente na Rhodesia e que está longe de 
apresentar a larga diffusão endémica, que apresenta na Nigéria » 
e respondeu a Minchin dizendo que, eliminando de uma localidade 
toda a caça, que constitue a maior parte do material de pasto da 
glossina morsitans, obter-se-ia, immediatamente, a morte pela 
fome, de uma grande quantidade destes insectos e, portanto, seria 
mais fácil livrar-se delles quando fossem em menor numero. 



60 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Corroborando as affirmaçâes de Yorke veiu agora o relatório 

sobre outras pesquizas feitas por Sir David Bruce, em Kasu Hill, 

que é a região da Nyassa Land, onde a moléstia do somno tem 
maior diffusão. 

Verificou-se pelos trabalhos de Bruce que naquella localidade 
as antilopes que apresentavam trypanosomas virulentos eram em 
porcentagem muito elevada (31,7°/ ) emquanto que a glossina 
morsitans toi encontrada infeccionada em uma proporção de sete 
para 50 — isto é, 14 °/ . 

Trata-se, pois, de resultados análogos obtidos por Yorke 
e Kinghorn, e ainda mais significativos, porquanto foram obtidos 
em localidades mais infeccionadas, das que foram estudadas por 
estes autores. 

W preciso dizer que Bruce levantou duvidas sobre a identidade 
da moléstia apresentada pelos animaes domésticos, indigenas e europeus 
por elle observados — com a moléstia do somno que se observa na 
Africa equatorial, segundo elle pbnsa trata-se de uma forma 
especial do NAGANOJá conhecido. 

Seja como for, as verificações feitas por Bruce não deixam de 
collimar com as dos outros dous homens de sciencia no que diz 
respeito a importância epidemologica das antílopes e abrem, desse 
modo, novos horizontes para o estudo das relações vitaes existentes 
entre o homem, os animaes domésticos e a fauna de um dos terri- 
tórios de maior futuro da Africa do Sul. 

A discussão acha-se ainda nesse ponto. A grande importância 
que ella tem para a pathologia e a hygiene não carece de maior 
realce, assim como é evidente o interesse scientifico que ella encerra 
para a zoologia. 

Não me julgo autorizado — está claro — de emittir opiniões 
minhas, pessoaes, em uma questão em que brilham altas mentali- 
dades. Apenas é de notar-se que esteja de que lado estiver a razão, 
do lado dos zoologistas ou dos médicos — ou caiba um pouco a uns* 
e pouco a outros, o que foi provado é o seguinte : a Trypanosomiasei 
na Africa perdeu extraordinariamente em intensidade, nos logares- 
mais assolados ha annosatraz, mas tende a espalhar-se para outras 
regiões. Resta saber, porém, se, de facto, se trata de uma propa- 






RKVISTÁ DE VETFRINARIA E ZOOTECHNIA 61 

gação, de uma invasão recente a outros logares que eram julgados 
virgens, ou simplesmente, de encontral-a onde já existia em forma 
endémica. 

Marshall, segundo disse, sustenta que a moléstia do somno é 
endémica na Rhodesia e na Nigéria, tanto para o homem como 
para alguns animaes domésticos. E\ pois. legitimo duvidar que 
ella exista, sob a mesma forma, em outras zonas da Africa Central 
e do Sul. E se isso é ainda pouco provável, não ha, por outro 
lado, razão de crer que as antilopes, ameaçadas de destruição nas 
regiões das quaes agora cogitam, particularmente sábios e governo 
inglezes, por instincto de conservação, emigrem levando a terrivel 
moléstia a outros logares, até hoje immunes ou tido como taes ? 
Eis por que, além da hygiene e da pathologia geral a discussão 
interessa também á zootechnia. 

Em Março ultimo, alguns fazendeiros do Estado do Rio de 
Janeiro perguntaram-me se não existia na Africa Central e do Sul 
uma raça de zebú, boa productora de leite, e se julgava que 
essa raça bovina pudesse melhorar o zebií que existe actual- 
mente no Brasil, tão escasso no que diz respeito á producção 
lactifera. As mesmas perguntas foram-me feitas por alguns fazen- 
deiros do Estado de Minas, ainda ha pouco, e dos quaes me apraz 
lembrar o nome do activo Coronel Guarita,, de Uberaba, que, como 
se sabe, é um dos mais intelligentes criadores mineiros e o que, 
entre os meus distinctos interlocutores, me pareceu mais resol- 
vido a tentar a importação do dito zebú, 

Effectiva mente existe uma raça de zebú, que se poderia chamar 
africana, que tem uma aptidão a produzir leite superior aos de raças 
asiática (embora derive desta) : é de pequeno porte, a côr de seu 
pello é castanho muito escuro; o typo no conjunto é o de qualquer 
outro zebú. Mas, admittindo (o que não acredito) que essa raça 
pudesse trazer um beneficio, no que diz respeito á producção do leite, 
em prejuízo, bem entendido da producção da carne, ao zebú que se 
cria no Brasil ; a lembrança de que possa trazer para aqui uma das 
moléstias mais terríveis que se conheçam, deve fazer pelo modo 
mais absoluto : — abandonar a idéa. Pelo contrario, o governo brasi- 
leiro deve até precaver-se a esse respeito, no interesse supremo da 
saúde publica e no grande interesse da criação do gado. 



62 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMKRCIO 

Ainda lia pouco o governo da America do Norte prohibiu 
absolutamente o desembarque em território da Republica de uma 
expedição de gado procedente da Africa. 

Os criadores brasileiros, naturalmente, não poderão correr 
nenhum risco; mas se alguém com fim utilitário tentasse essa 
importação, o exemplo dos Estados Unidos da America do Norte 
sem duvida seria seguido. 

Dr. P. Foschini 

Medico Veterinário 



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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA (>?> 

CONTRIBUIÇÃO AO TRATAMENTO DO NAMBYUVÚ 
PELO TRYPANBLAU 

São conhecidos os bons resultados colhidos no tratamento 
de algumas piroplasmoses dos bovideos, dos equídeos e dos cães 
( Nuttal, Theiler, Stockmann, Bumann, Belitzer, Moussu, etc. e 
entre nós Carini e Misson ) com o trypanblau. 

Tivemos opportunidade de experimentar este medicamento 
em um caso nambyuvú, moléstia dos cães, determinada por um 
parasita que apresenta estreito parentesco com os piroplasmas. 

Km 28 de Novembro ultimo enviou o Sr. Flaquer, de São 
Bernardo, a este Instituto, um cão veadeiro, de grande porte, 
gravemente doente. 

O animal, que adoecera havia três dias, estava muito prostrado, 
mal podia andar e tinha as mucosas muito descoradas e ictéricas. 

Nas orelhas e em diversas partes do dorso notavam-se as hemor- 
rhagias cutâneas tão frequentes no nambyuvú. O animal havia dous 
dias que não se alimentava. A temperatura era de 39°, 2. 

O proprietário nos referiu ter perdido dias antes dous outros 
cães com idêntica moléstia e, julgando egualmente perdido o cão 
em questão, trazia-o ao Instituto para o estudo desta zoonoze que 
annualmente dizima grande numero de cães de caça. 

Convencidos que de facto se tratava de um caso grave de 
nambyuvú, occorreu-nos ensaiar o tratamento dessa moléstia com 
o trypanblau. 

Então, injectámos immediatamente na veia saphena externa, 
20 c. c. de uma solução de trypanblau a 1 °/ feita em soro 
physiologico. 

Ao mesmo tempo, com o fim de augmentar a resistência do 
animal, tonificando-o, injectámos no peritoneo 250 c. c. de solução 
physiologica cafeinada. 

No dia seguinte notámos ligeiras melhoras que permittiram ao 
animal alimentar-se com leite, continuando, porém, o estado de 
prostração e as hemorrhagias cutâneas. 



64 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

No terceiro dia, como perdurassem as hemorrhagias e o abati- 
mento, resolvemos fazer nova applicação do trypanblau que foi 
ministrado na mesma dose, (20 c. c. de uma solução a 1 °/ ) pela 
mesma via. 

Depois dessa segunda applicação as melhoras foram se accen- 
tuando cada vez mais e ao fim de alguns dias o animal reanimou-se, 
adquiriu de novo o appetite, desappareceu a ictericia, as mucosas 
retomaram a cor normal e as hemorrhagias cessaram. 

Com o fim de estabelecer o diagnostico, fizemos repetidos e 
cuidadosos exames do sangue periférico, não tendo sido encontrado, 
como é regra nestes casos, nenhum parasita. 

Entretanto, a inoculação de 5 c. c. do sangue do animal, 
recolhido antes da applicação do trypanblau, feita na cavidade 
peritoneal de um outro cão, permittiu-nos firmar o diagnostico. 

O cão inoculado morreu 24 dias depois, apresentando nos 
órgãos numerosos parasitas, especialmente nos rins. 

Tendo tratado um só caso não queremos tirar conclusões. 
Só uma longa experimentação poderá nos permittir um juizo 
sobre o real valor therapeutico desse medicamento no nambyuvú. 
Citamos apenas o caso, esperando que a experiência de outros 
venha confirmar os nossos resultados no tratamento dessa terrivel 
e frequente moléstia dos cães. 



Drs. A. Carini e J. J. Maciel 

Do Instituto Pasteur de S. Paulo. 






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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA f>5 



YALOR DO EMÉTICO NO TRATAMENTO DA ESPONJA 

Datam de meados de Maio de 1912 as primeiras applicações 
de emético feitas em animaes atacados de esponjas, no serviço 
polyclinico da Inspectoria de Veterinária do 3 o Districto. 

Por esse tempo, perlustrando o Dr. José Gomes de Faria 
o Estado do Ceará, em missão scientifica, custeada pela Inspectoria 
de Obras Contra as Seccas, fez algumas pesquizas microscópicas 
com o fim de elucidar a etiologia da esponja, chegando á conclusão 
de ser a moléstia produzida por um cogumello parasito (talvez um 
saccharomyces ), cuja identidade, porém, não pôde determinar pela 
deficiência dos meios de investigação. 

Dessa conclusão nasceu a idéa do emprego do emético no 
tratamento da esponja. 

As primeiras experiências foram feitas em três muares da 
E. F. Carril do Ceará, os quaes apresentavam lesões diversamente 
localisadas : n'um, a esponja de forma arredondada, com cerca 
de 12 cm. de diâmetro, estava situada no lado direito do pescoço, 
próxima ao tronco ; no outro, a lesão assestava-se na pata anterior 
esquerda, para diante e logo acima da coroa do casco ; no terceiro, 
finalmente, notavam-se três ulceras : a maior, para diante e acima 
do casco da pata anterior esquerda ; a outra, no rebordo do prepúcio 
e a ultima, de pequeno tamanho, para diante e acima do casco 
trazeiro, do lado direito. 

O tratamento fora iniciado cautelosamente, tacteando-se a 
tolerância dos animaes e empregando-se, apenas, por via endo- 
venosa, 30 centigr. de emético dissolvido em 150 c.c. de agua 
physiologica a 0,75%. 

Não obstante a insignificância da dose, logo ao 4 o dia de trata- 
mento, depois de duas injecções, notavam-se sensíveis modificações 
para o lado das lesões, indicio de uma reacção local, principalmente 
caracterisada pela hyperhemia das ulcerações, cujos bordos se 
mostravam entumecidos, salientes, edemaciados, emquanto que a 
superfície delias se cobria de espessa Fecreção clara e viscosa, mais 
ou menos abundante. Tal reacção, intensa no muar, da esponja 
do pescoço fora, nos outros dous, mais discreta, menos accentuada. 

R. V, 9 



66 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

Naquelle, os phenoracnos congestivos foram rapidamente retro- 
cedendo com o tratamento, ao mesmo tempo que, em todo o 
perímetro da ulcera, se manifestava activo o processo de cicatri- 
sação ; nos outros animaes, porém, as reacções salutares correram 
mais fracas, mais attenuadas, a cura, mais arrastada. 

O primeiro muar restabeleceu-se com cinco injecções endo- 
venosas de 30 centigr. de emético, feitas de dous em dous dias ; os 
outros necessitaram para sarar : um, oito injecções, o ultimo, dez, 
nas mesmas condições de dose e de tempo. 

Este facto é digno de reparo : traduz o phenomeno clinico 
sempre comprovado de que, de todas as localisações da esponja, a 
das extremidades é a que mais lentamente se deixa influenciar pelo 
tratamento estibiado, necessitando, para ser debellada, medicação 
prompta e intensiva. 

Foi mesmo devido á resistência de certas esponjas das patas 
que se procurou modificar o tratamento primitivo, elevando-se a 
dose de emético nas injecções e fazendo-se, ao mesmo tempo, 
applicações, loco dolente, da mesma substancia. 

Nos casos rebeldes, atonicos, as applicações tópicas de emético 
exercem, effectivamente, acção benéfica, coadjuvadora do trata- 
mento interno, sendo, porém, impotentes, por si sós, para 
determinar a cura das lesões. 

De Maio de 1912 a princípios de 1913, trataram-se desse 
modo 38 muares atacados de esponja, obtendo-se em todos elles, 
systematicamente, a cura da moléstia. 

De então para cá conseguiram-se, na polyclinica da Tnspectoria 
de Veterinária do 3? Districto novas curas, que deixam, todavia, 
de ser mencionadas, por não ter o autor, presentemente, em mãos, 
os dados que a ellas se referem. 

Dos 38 casos acima referidos ha que deduzir 13, nos quaes se 
fizeram contemporaneamente injecções endo-venosas de emético e 
applicações locaes de vários antisepticos (sulfato de cobre, lysol, 
etc), por cuja influencia se poderia interpretar a cura. 

Restam, todavia, 25 casos tratados e curados exclusivamente 
pelo emético, abono mais que sufiiciente da excellencia desta 
medicina. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA í>7 

Fora fastidioso e mesmo improfícuo pormenorisar aqui a 
historia de todos elles ; assim, apenas, se dirá dos dous extremos, 
isto é, daquelle caso cuja cura correu fácil e daquelle outro que, 
por mais rebelde, exigiu tratamento enérgico e demorado. 

O primeiro diz respeito a um muar portador de uma ulcera 
esponjosa de cerca de 10 cm. de diâmetro, localisada ao nivel da 
articulação escapulo-humeral direita. Este animal, por occasião da 
segunda injecção na jugular, debateu-se tanto que a agulha sahindo 
da veia, a injecção embebeu-se toda no tecido cellular subcutâneo. 

No dia seguinte ao deste accidente, o animal apresentava 
formidável edema de toda a região anterior do pescoço, propa- 
gando-se ao peito, á parte superior e anterior dos membros e ao 
esterno, dificultando a marcha. 

Suspendeu-se o tratamento e, por meio de repetidas massagens 
e fricções de therebentina , sobre a região edemaciada, conseguiu-se, 
em oito dias, o desapparecimento da inchação . 

Não obstante ter o animal recebido apenas 1 gr. e 20 de emético 
em duas injecções, uma endo-venosa, outra accidentalmente sub- 
cutânea, a cicatrisação da esponja evoluiu com celeridade, de 
modo que, ao desapparecer o edema, já a ulcera se achava reduzida 
ás dimensões de uma moeda de vintém e fechava definitivamente, 
poucos dias depois, sem outro tratamento. 

Nem sempre, porém, as cousas correm assim tão de feição : 
ulceras ha, geralmente localisadas acima da coroa dos cascos, que 
só se curam com tratamento enérgico e intensivo. 

Uma mula apresentando uma esponja relativamente pequena, 
situada logo acima do casco e do lado externo da pata posterior 
esquerda, recebeu, para curar-se, 10 grs. e 40 de emético em 12 
injecções endo-venosas, sendo 4 de 60 centigrs. e 8 de 1 gramma, 
feitas de dous em dous dias, afora varias applicações locaes do 
mesmo medicamento. 

Em média, faziam-se de 4 a 6 injecções de 1 gramma de 
emético, durante o tratamento dos casos communs. 

Actualmente, o tratamento da esponja é feito na Inspectoria de 
Veterinária do 3? Districto por meio de injecções endo-venosas 
de 50c. c. de uma solução de emético a 2 % feita em agua physio- 
logica contendo 0,75 % de chlorureto de sódio. 



68 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

O emético empregado é o tártaro duplo de potássio e antimonio. 

As injecções são feitas systematicamente na jugular com os 
cuidados de asepsia que o caso requer. 

A solução é preparada, momentos antes de ser injectada, 
em agua physiologica esterilisada, sendo empregada sem prévia 
filtração. 

Nos casos rebeldes, fricciona-se energicamente a ferida com um 
tampão de algodão estéril embebido na mesma solução estibiada 

As injecções são espaçadas de dous dias. 

Conclusões — Do que fica exposto infere-se que : 

1.° O tártaro emético é agente poderoso, senão especifico, da 
cura da esponja. 

2.° Nem todos os casos se deixam egualmente influenciar pela 
medicação : as ulceras do tronco são menos resistentes do que as 
das extremidades. 

3.° As applicações locaes de emético reforçam a acção desse 
mesmo medicamento, administrado por via venosa, mas são impo- 
tentes, por si sós, para determinar a cura das lesões. 

4.° As indicações mencionadas neste trabalho referem-se a 
muares de pequeno porte, como soem ser os do N. E. do paiz. 



Dr. Thomaz Pompeu Filho 

Inspector Veterinário do 39 Distrieto. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA W) 



PURO SANGUE ÁRABE 

Reproductor preciso çzara a croação da 
raça cavallar nacional 

A indicação do sangue árabe para ser o principio da rege- 
neração da raça cavallar brasileira e da fixação do typo nacional, 
parece dada de modo tão claro, por considerações theoricas, que é 
deveras para admirar que não se achem todas as opiniões de accordo 
sobre este ponto. 

Outrosim, são aquellas considerações a única base sobre a 
qual possamos, poremquanto, estabelecer nosso systema de criação. 
Seria a experiência um guia mais certo na via a seguir, porém nos 
falta. E por quantos annos ainda nos faltará ? Pois não se deve 
esquecer que, em matéria de criação, as qualidades das segundas, 
terceiras e seguintes gerações são aquellas que hão de ser conside- 
radas muito mais do que os resultados do primeiro cruzamento. 

O puro sangue inglez sendo o reproductor que vejo o mais 
frequentemente oppôr aqui ao puro sangue árabe, indicarei minhas 
razões de preferir este áquelle para iniciar a obra da criação da raça 
cavallar nacional. 

Não direi negar, mas só discutir a excel- 
Puro sangue inglez lencia do puro sangue inglez como cavallo 

de sella seria uma asneira imperdoável da 
parte de quem faz ostentação de alguma sciencia hippica. 

Elle é um corcel tão solido como brilhante, isto é, tendo tantas 
qualidades de fundo quantas de velocidade e pode ser considerado 
com toda a razão como o cavallo de armas ideal. 

Convém, todavia, accrescentar, que essa maravilhosa machina 
para dar seu rendimento completo, exige condições de cuidados e 
conservação mais severos, portanto, mais difficeis a encher do 
que outra menos delicada. 

Delia cita-se quantidade de proezas : — raids esplendidos, reco- 
nhecimentos estratégicos de grandes manobras de 110, 120 e mais 
kilometros durante um dia, executados com perfeita facilidade. 

De accordo. Apenas uma palavra. Taes «performances» são 
façanhas de of&ciaes, cujas cavalgaduras, ainda que compartilhando 



?0 MINISTÉRIO t>A AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

a existência dos cavallos das fileiras, a das noites de guarda e 
de «bivac», são o objecto, ninguém o pôde negar, de cuidados 
muito maiores do que estes. 

E não pensam que a destreza do cavalleiro não deve entrar 
como coefilciente do rendimento ? O cavalleiro inferior que repre- 
senta o soldado em comparação do ofncial estará longe de obter 
resultados eguaes. 

Ensinae 100 soldados de tal modo que sejam capazes de fazer 
a manobra, a escola de regimento, montados sobre cavallos de puro 
sangue inglez, tereis o primeiro esquadrão do mundo, mas per- 
guntae a qualquer ofncial de cavallaria o que pensa a respeito da 
dificuldade da tarefa. De facto, uns cavallos de puro sangue inglez 
que tenho visto nas fileiras, embora confiados aos melhores caval- 
leiros, estavam sempre de manejo difficil. Além disso, o estado 
geral soffria da sua nervosidade ; alimentavam-se mal e quasi 
sempre appareciam magros. 

Então julgo que só é quando tiverdes cavalleiros capazes de 
montal-os que podereis desejar ver toda a remonta do paiz em 
cavallos de puro sangue inglez. 

Ainda não é o caso aqui. 

Porém, o ponto de vista que acaba de ser encarado não é 
exactamente o em que nos devemos collocar para examinar o 
« english thoroughbred ». Trata-se neste momento não de seu 
valor intrinseco, mais sim de seu valor como garanhão a dar 
ás éguas indígenas que destinamos a serem a origem da nossa 
futura raça. 

Como reproductor, é de novo um concerto de louvores de 
que é merecedor o puro sangue inglez. Suas qualidades para a 
transmissão do sangue, da acção nervosa são attestadas pelos 
descendentes dos celebres fundadores da raça, Dailey- Arabien, 
Godoiremo Arabien e Byerley Arabien. 

Só arriscar-me-ei a fazer um reparo. Não pode a excellencia 
de um producto ser attribuida exclusivamente a um dos reprodu- 
ctores ; o outro também tem desempenhado seu papel e, antes 
de tudo, a influencia preponderante que tem agido sobre o mysterio 
de sua união é a do appropriamento de um para outro. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 7l 

Manifesta-se este appropriamento por um certo numero de 
semelhanças. 

A primeira, a que salta aos olhos, é a do tamanho. São pre- 
cisas dimensões em relação. Ora, todos sabem que a altura de 
l m .60 já não é grande para o puro sangue inglez, ao passo que 
raras são as éguas daqui que passam de l m ,45. As juncções nestas 
condições não só fazem correr grandes riscos aos productos de 
serem desconjuntados, mas ainda mais põem em perigo a vida da 
reproductora. í} deveria isto bastar largamente para que seja a 
discussão acabada. 

A procura das outras semelhanças, tão recommendada por 
todos os hippologos, desde que esteja presente á memoria a 
natureza do sangue que corre nas veias do cavallo brasileiro, 
fornece-nos nova razão irrefutável de dar a preferencia ao puro 
sangue árabe. 

Se esta é a solução mais lógica, não tenho receio de dizer que 
também é a mais feliz a adoptar- se. 

A autoridade que falta a uma voz escura 
Puro sangue árabe para proclamar a excellencia da raça árabe 

para a reproducção, apenas tenho eu difíi- 
culdade de escolher para tiral-a dos autores conhecidos. 

Segundo André Sanson, o sangue árabe serviu para melhorar 
todas as raças cavallares do mundo, e não somente as da sella, 
de tiro leve, de luxo e de guerra, bem como para tornar menos 
lerdas ou menos tardígradas as grandes raças cargueiras e pesadas, 
e isso pela simples infusão de uma dose minima (1/4). 

O Conde de Comminges relata no seu livro A travers V Alle- 
magne hippique que os allemães, no haras de Neustadt, tendem a 
substituir o puro sangue inglez, cuja influencia energetida desap- 
parece na descendência pelo puro sangue árabe, tendo verificado 
que os anglo-arabes assim obtidos, istoé, com uma maior proporção 
de sangue árabe, fazem melhores cavallos de guerra, mais duros, 
mais resistentes e mais rústicos, ainda que menores. 

Acabarei por um autor deste paiz, o illustre Dr. Assis Brasil, 
o qual escreveu : — « Se os especialistas dissertam quanto a consi- 
derar o árabe como o tronco original de toda a população cavallina 
do orbe, estão todos de accordo em que do árabe vem o sangue 



72 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

regenerador por excellencia, que tem fundado as mais bellas e 
valiosas raças actualmente existentes. Directa ou indirectamente 
descendem delle : o puro sangue inglez, o veloz americano que 
cobre a milha (160, ms ), a trote, em dous minutos e dous segundos; os 
elegantes russos Orloff , os saltadores e valentes hunters, os cavallos 
de guerra da Allemanha, da Áustria, da França, etc, os cavallos 
de sella da Europa, das duas Américas, da Africa e da Austrália 
e até mesmo os mais ágeis e elegantes dos animaes de tiro pesado». 

Ora, a leitura destas linhas suggere uma nova observação 
que vem ainda amparando nossa these. 

O que é o puro sangue inglez, senão o descendente do cavallo 
árabe? Este, na arvore genealógica porque têm costume de se 
apresentar espécies e familias, é o tronco, aquelle um dos ramos 
que delle nascem. Nâo será no tronco, no coração da arvore que 
a seiva terá mais vigor e, portanto, não será lá que é preciso 
procural-a de preferencia á parte mais ou menos remota dos canaes 
divergentes ? 

Isso é que foi perfeitamente entendido em França, na obra, 
realizada de modo tão admirável, da regeneração das raças de 
Therbes, das Landes e da Camargue. 

Alli também tinham-se achado em presença do sangue oriental 
e a raça tinha, por causas muito parecidas com as daqui, considera- 
velmente definhado. 

Mas encontram nisso a prova fornecida pelas experiências, 
cuja falta eu lastimava ao principio destas notas. Já se vê que 
por ella está confirmado o ensino theorico, demonstrando até a 
evidencia que o garanhão a dar em primeiro logar ás éguas brasi- 
leiras, em vista de fixar o typo nacional, é o puro sangue árabe. 



Â. Varin d' Ainvelle. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



73 



ALIMENTAÇÃO DAS VACCAS LEITEIRAS 



IV 



( Vide n. 2, de Abril de 1912 ) 



Tendo já sido examinada a influ- 
A ração da vacca leiteira encia dos princípios nutritivos das 

e sua composição forragens sobre a secreção láctea, 

compete-nos agora estudar a ração e 
sua composição, afim de melhor podermos satisfazer ás necessidades 
próprias do organismo e da secreção láctea, assim como examinar 
as principaes forragens para tal fim empregadas. 

a) Exigências nutritivas das vaccas leiteiras. — Antes de se 
estabelecer qualquer ração para vaccas leiteiras torna-se necessário 
conhecer: I o , a quantidade de principios nutritivos indispensáveis 
para satisfazer ás necessidades do organismo; 2 o , as necessidades da 
própria producção. 

De numerosas experiências feitas na Allemanha e na Dinamarca 
póde-se deduzir que para producção unicamente de 10 litros de 
leite são indispensáveis, segundo o Dr. Kellner, 550-650 grs. de 
albumina e 2 kilos a 2 kilos 700 de valor amido, sendo a gordura 
avaliada em 500 a 600 grs. por 1.000 kilos de peso vivo. Se, 
porém, accrescentarmos a estes dados a quantidade de principios 
nutritivos indispensáveis para attetider ás próprias exigências do 
organismo e que é de 600-800 grs. de albumina digestivel e 8-9.5 
kilos de matérias não azotadas, inclusive a gordura, fácil é esta" 
beleceras seguintes normas de rações para vaccas leiteiras: 



ESPECIFICAÇÃO 


Matéria secca 

M. S. 


Maté- 
ria azotada 

M. A. 


Matéria graxa 

M. 6. 


Hydratos 
de carbono 

M. H. C. 


Total dos 
principios nu- 
tritivos 

MA+(MGX 
X2-4HMHC 


R. N. 
Relação nu- 
tritiva 

li 


Vaccas dando 

, por diae por 

500 kilos de 

! peso vivo: < 


IO » 

^20 » 


22 — 27 
25—29 
27—33 

27-34 


i-3 
2.0 
2.7 

3-4 


0.3 
0.5 
0.6 
0.8 


10.5 
12.7 
14.6 
16.0 


12.5 
15-9 
18.7 
21.3 


8.5 
7.0 

5-9 

5-3 



R, V, IO 



74 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Examinando-se os dados acima, vê-se facilmente que a 
alimentação da vacca leiteira deve ser feita de accordo com a sua 
producçâo e o seu peso, pois não se pode negar que uma vacca que 
dá diariamente 15 litros deverá exigir maior quantidade de prin- 
cípios nutritivos na sua alimentação do que outra que produz 
apenas 5 litros. 

Na composição das rações convém egualmente lembrarmo-nos 
de que uma vez attingida á normal, as addições a mais não augmen- 
tam proporcionalmente a producçâo, resultando, pois, que o ultimo 
litro obtido, até chegar-se ao máximo do poder transformador da 
glândula, custará mais caro do que os outros. 

Quando, pois, os autores recommendam alimentarem-se as 
vaccas leiteiras ao máximo não se deve concluir que se trata 
de superalimental-as, mas de attingir á normal, que é o limite 
physiologico e, talvez, económico, ao mesmo tempo. 

A alimentação das vaccas, em muitas explorações pastoris, 
é calculada em commum, tomando-se como base a producçâo 
média ; entre nós, porém, convém dizel-o, não preside nenhum 
critério ou o calculo mais rudimentar. Tanto no primeiro caso 
como no segundo, em consequência de uma tal alimentação, teremos 
as vaccas divididas em três grupos: um que será bem alimentado, 
outro mal ou insuficiente e, finalmente, o terceiro superalimentado 
até a engorda. Os efleitos da ração nos dous casos não são, pois, 
racionaes, sendo prejudicada a secreção láctea. Quando as vaccas 
são superalimentadas, a glândula engorda, diminuindo sua activi- 
dade, ao passo que com uma alimentação insuficiente ellas 
emmagrecem, a glândula enfraquece-se, observando-se logo uma 
forte regressão no rendimento. Para poder avaliar-se a conse- 
quência disto, basta dizer que a secreção láctea, sendo hereditária e 
resultante de variações individuaes fixadas pela gymnastica funccio- 
nal e boa alimentação, não mais será transmittida ás gerações 
seguintes, desde que deixem de existir as condições que a determi- 
naram. Fácil é, pois, comprehender-se a necessidade de alimentar 
cada vacca de accordo com as suas exigências, para se manter 
sempre progressiva a lactação. A alimentação individual é a única 
capaz de satisfazer a taes exigências, podendo conseguir-se isso nai 
pratica, dividindo-se as vaccas em quatro a cinco grupos, de confor- 



RKVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIÂ 75 

midade com a producção, sendo a ração para cada grupo composta 
de tal sorte que ellas se conservem em bom estado, sem emmagrecer 
nem engordar, mantendo a secreção constante e a mais abundante 
possível. 

Na ração das vaccas já velhas, que não se pretende conservar 
para a reproducção, em vista de forte diminuição em sua producção 
e que são destinadas á venda para o corte, uma vez Analisado o 
seu período de lactação, convém introduzir-se nos três ou quatro 
últimos mezes um pouco de hydrato de carbono, elevando-se 
egualmente a percentagem de albumina até 2.5 kilos, por 1.000 kilos 
de peso vivo. A pratica, por muitos seguida em taes casos, e que 
consiste em iniciar a engorda desde o principio da lactação, é 
irracional, prejudicando a secreção láctea e occasionando maior 
gasto de alimentos. 

Tratando-se de vaccas em gestação, convém também augmen- 
tar-se a albumina, particularmente nos últimos quatro mezes. Neste 
mesmo periodo, a titulo hygienico, é egualmente de vantagem 
diminuir-se a quantidade das forragens fibrosas e muito volumosas. 

b) Exigências das vaccas leiteiras para os sáes mineraes. — 
Pouca ou quasi nenhuma importância se tem ligado até hoje aos 
sáes mineraes, que a ração das vaccas leiteiras deve conter. 
Entretanto, estudando-se uma analyse de leite, fácil é observar-se 
a enorme quantidade de sáes mineraes, principalmente de cal, 
acido phosphorico e potassa, que pelo leite são eliminados do 
organismo. Segundo o Dr. Kellner, o leite contém, em média, 
por litro, 7.4 grs. de sáes mineraes, das quaes : 1.8 grs. de cal. 
1.5 de acido phosphorico, além de outros de menor importância. 
Fácil é, pois, comprehender-se que os alimentos constitutivos da 
ração devem ser bastante ricos em princípios mineraes, afim de 
poderem satisfazer, além das exigências do próprio organismo, ás 
necessidades da secreção láctea, pois em caso contrario aquelle será 
prejudicado, em bôa parte, em favor desta. 

Pelas analyses feitas, sabe-se que nem todos os princípios 
mineraes contidos na ração são utilisados pelo organismo ; para a 
cal e o acido phosphorico calcula-se que é apenas utilisado um 
terço da quantidade introduzida no organismo. Se tomarmos para 
exemplo uma vacca que produz diariamente 20 litros de leite, 



76 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

ser-lhe-ão indispensáveis, só para manter a sua secreção láctea, 
108 grs. de cal e 90 grs. de acido phosphorico. Devemos ainda 
accrescentar a quantidade indispensável á simples manutenção do 
organismo, e que, conforme o Dr. Kellner, se avalia em 100 grs. 
de cal e 50 grs. de acido phosphorico, para cada 1.000 kilos de 
peso vivo ; teremos assim, no total, e por 1.000 kilos de peso vivo, 
para uma producção diária de 20 litros de leite : 208 grs. de cal 
e 140 grs. de acido phosphorico. 

Em geral, estes dados são suficientes para orientar o criador 
sobre a quantidade de matérias mineraes, particularmente cal e 
acido phosphorico, que devem ser contidas na ração, para que ella 
possa satisfazer ás exigências do organismo e da secreção láctea. 

Na pratica, o criador dispõe de dous meios : I o , alimentando 
as vaccas com forragens naturalmente ricas em phosphatos e cal 
e 2 o , addicionando á ração estes elementos. 

Incontestavelmente, o primeiro methodo é melhor, e geralmente 
as rações bem compostas são bastante ricas para satisfazer a 
essas exigências, principalmente quando o são de leguminosas, 
como alfafa, trevo, etc, fenos, capins e alimentos concentrados 
de boa qualidade. Pelo contrario, quando as forragans são natu- 
ralmente pobres em sáes de cal e acido phosphorico, torna-se 
indispensável corrigir as rações com um supprimento de phosphatos 
alimenticios, taes como : pós e cinzas de ossos, phosphato pre- 
cipitado, etc- A falta prolongada de cal e acido phosphorico na 
ração affecta o esqueleto, observando-se ao mesmo tempo uma 
diminuição quantitativa e qualitativa do leite. Convém notar que 
os phosphatos addicionados á ração não são tão efficazes como as 
forragens naturalmente ricas, porém, ainda assim, na realidade 
pouco se perde, pois a parte que não fôr utilisada pelo organismo 
animal passa a enriquecer o estrume, que vem servir á adubação 
das forragens. 

Para demonstração dos effeitos de uma alimentação mineral 
insuficiente, sobre a qualidade e a quantidade do leite, relatamos 
a seguir duas experiências de Weiske e Fingerling : 

O primeiro scientista, em 1871, alimentando durante 42 dias 
uma cabra com uma ração pobre em cal e acido phosphorico, 
observou uma forte diminuição da cinza da matéria sêcca do leite, 






revista de; veterinária e zootechnia 



77 



a qual passou de 8 °/ o para 4.72 °/ ; a cal de 1.79 °/ passou para 
1.64 °/ e o acido phospliorico de 2.05 °/ para 1.86 °/ . 

Fingerliug, por sua vez, em uma experiência muito mais 
recente, publicada em 1911 no Die Lanwirtschaftlichen Versuchs- 
Stationen, com duas cabras, demonstra que com uma alimentação 
prolongada e pobre em sáes mineraes (cal e acido phosphorico) a 
secreção é muito prejudicada, sendo diminuida a quantidade de leite 
2 proporcionalmente a de cinza. 

Esta diminuição póde-se avaliar pelas médias diárias consigna- 
das para o 1? e 4? periodos da experiência, no quadro abaixo : 



CABRA A 



Leite 



Cinzas 



Grs. 



Grs. 



% 



CABRA 31 



Leite 



Grs. 



Cinzas 



Grs. 



o/c 



[° período com alimen- 
tação rica em saes' 
mineraes ' 

2 o período com alimen- 
tação pobre em saes 
mineraes ' 



1958 



-570 



13-31 


6.8 


IOII 


8-59 


8.90 


6.4 


7S7 


6.55 


—4.41 


— 


— 224 


— 2.04 



8.5 



Vê-se, pois, que na cabra A a diminuição foi em média, por 
dia, de 570 grs. de leite e 4.41 de cinzas e na cabra jz, foi de 224 grs. 
de leite e 2.04 de cinzas. Resulta mais da experiência acima referida 
que a composição das cinzas pouco variou, observando-se que com 
a alimentação pobre a porcentagem das cinzas pouco diminuiu, 
sendo até mais elevada a de cal e acido phospliorico nellas contida; 
porém, no total, para ambos, observou-se pequena diminuição ou 
constância. Dessa experiência deprehende-se, pois, que, quantitati- 
vamente, a secreção láctea é fortemente prejudicada por uma 
alim entação pcbre em saes mineraes e que sendo bastante constante 
a composição do leite seria difícil se obter, á vontade, um leite 
mais rico em phosphatos e cal, como diz o Prof. Baron: « Phos- 
phatez vos terrains, vous phosphatez vos luzernes, vos vaches 
et leur lait». 

c) A ração deve ser isenta de alimentos nocivos á qualidade do 
leite. — Na composição da ração para as vaccas de leite, indepen- 
dentemente da quantidade de princípios nutritivos que ella deve 



78 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA B COMMKRCIO 

conter, precisa-se evitar a introducção de alimentos capazes de 
prejudicar o sabor, a cor, sua qualidade, emfim, e isto quer pelo 
simples contacto do leite, quer pela ingestão e eliminação pela 
glândula mammaria. Assim é que o leite se resente com a alimen- 
tação composta de plantas de odor activo, taes como o alho, as 
cruciferas em geral, o milho ensilado, o absintho e outras proveni- 
entes de máos prados, as quaes communicam ao leite o odor 
e o sabor particulares que possuem, tanto mais pronunciadamente 
quanto maior for a quantidade consumida e mais forte o odor da 
planta. A herva doce, o thymo, as cenouras e diversas outras dão, 
ao contrario, ao leite um perfume agradável, concentrado na 
manteiga, desde que não seja exaggerada sua quantidade. 

Dahi resulta que na producção do leite não se deve olhar 
apenas a quantidade dos alimentos, mas também sua qualidade, 
que influirá sobre os productos derivados. E}\ pois, indispensável 
fazer-se uma escolha judiciosa dos alimentos que devem entrar na 
composição da ração, os quaes, além de suas qualidades alimenticias 
e hygienicas, não devem prejudicar a qualidade do leite e da 
manteiga. 

Na pratica, é bem conhecido pelos criadores que os alimentos 
estragados pela humidade, pela fermentação, ou qualquer outra 
causa e utilisados na alimentação das vaccas leiteiras alteram o 
sabor do leite e da manteiga, notando-se ainda que essa alteração 
pôde persistir muitos dias depois de sua retirada da ração. A mesma 
alteração observa-se ás vezes com o consumo de alimentos fermen- 
tados mal preparados, forragens verdes que ficaram durante muito 
tempo amontoadas e, finalmente, pela limpeza insuficiente das man- 
jedouras e recipientes que contenham os alimentos. Em todos estes 
casos trata-se, provavelmente, da acção de certas bactérias que 
occasionam a decomposição dos alimentos, da qual resultam certos 
principios particulares que passam ao leite e á manteiga, alterando" 
lhes assim o sabor e a qualidade. 

O sabor do leite é egualmente alterado pela ingestão de certas 
sementes de que não foi extrahido o principio amargo; pelo farello 
de trigo misturado com muito joio; pelas tortas de colza, quando 
distribuidas em dose diária, e por cabeça, de mais de um kilo e, 
finalmente, pela ingestão de agua imprópria e de máo cheiro. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 79 

São consideradas como favoráveis á producção de leite e man- 
teiga saborosos, em primeiro logar, as forragens verdes provenientes 
de boas terras de cultura, das pastagens compostas de gramíneas c 
leguminosas, particularmente quando no inicio da floração; as 
cenouras, as beterrabas, as batatas doces; entre as farinhas, a de 
aveia, a de arroz, etc. Basta lembrar aqui o aroma agradável, por 
todos conhecido, que possuem as manteigas da Suissa no verão e as 
da Normandia, obtidas de vaccas alimentadas em pastos ricos em 
boas gramíneas e leguminosas. 

Outros alimentos são reputados como tendo propriedades 
especiaes para tornarem a manteiga mais dura e consistente. 
Tal inconveniente observado particularmente nos paizes frios, 
onde se torna difficil trabalhar a manteiga, entre nós constitue 
uma vantagem. Esta propriedade é attribuida aos fenos e ás 
forragens verdes que c< ntém muitas plantas acidas ; os brotos 
novos depois da queima ; o verde e os fenos cortados muito tarde ; 
as palhas de cereaes muito maduras ; as beterrabas, as ervilhas, 
as farinhas de palmeira, de coqueiros, de linho e de algodão. 

Pelo contrario, a manteiga fica mais molle e menos consistente 
em consequência da introducção na ração de maior quantidade 
de aveia, fubá, farello de trigo, farinha de arroz, torta de colza, 
gergelim e gyra-sol. Essa diversidade na acção dos alimentos sobre 
a qualidade da manteiga depende naturalmente da quantidade 
consumida e por isso não se a observa sempre na pratica ; não 
obstante, muitos criadores europeus recorrem aos alimentos cor- 
respondentes, para corrigir os defeitos apresentados pela manteiga. 

Finalmente, devem ser tomadas precauções especiaes na 
alimentação das vaccas, cujo leite é destinado ás crianças ou pessoas 
doentes, evitando-se principalmente o emprego de forragens que 
contenham certas plantas venenosas, cujos princípios tóxicos podem 
ser eliminados pela glândula mammaria. A alimentação typo para 
as vaccas leiteiras deve ser constituída, pois, de boas forragens, 
bem conservadas e provenientes de terras férteis e adubadas com 
phosphatos ; as farinhas e os sub-productos de fabricação devem ser 
sêccos ou frescos, sem alteração ou falsificação. 

d) A ração deve ser bastante aquosa. — Examinando-se a analyse 
do leite é fácil ver-se que elle contém 85 °/ de agua, d'ahi resultando 



SO MINISTÉRIO DÁ AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMM^RCIO 

uma saliida pela glândula mammaria de cerca de 17 litros de agua 
para uma producção diária de 20 litros de leite. As necessidades 
orgânicas e a tensão sanguinea são por sua vez outras tantas 
exigências que permittem a conclusão de que a vacca leiteira 
necessita de uma ração bastante aquosa e succulenta, podendo-se 
approximal-a da do capim verde, com cerca de 70 °/ de agua. 
Praticamente, consegue-se isto introduzindo-se na ração forragens 
verdes, raízes, sopas, alimentos cozidos, etc, que permittem assim 
fornecer-se ao organismo a quantidade de agua que lhe é indis- 
pensável. O processo muito empregado de se dar ás vaccas forragens 
sêccas, fazendo-as em seguida beber muita agua, não produz o 
mesmo resultado do primeiro caso, porque a agua incorporada ás 
próprias forragens torna-as mais digestiveis e, por conseguinte, 
mais aptas a se tirar delias melhor partido. 

A ração da vacca leiteira deve ser bastante aquosa, sem 
exaggero porém, porque uma alimentação muito aquosa, composta, 
por exemplo, de residuos de distillarias contendo 90-95 °/ de agua, 
beberagens muito diluidas, capins muito aguados, pôde reflectir-se 
sobre o organismo, enfraquecendo-o e contribuindo ao mesmo tempo 
para a secreção de um leite muito aguado. 

O Dr. Kellner cita o exemplo da alimentação de um rebanho 
com uma ração muito aquosa e que era assim composta para cada 
1 .000 kilos de peso vivo : 

50 kilos de borras de distillarias. 
21 » » » » cerveja. 

40 » » beterrabas. 

A riqueza média em gordura foi de 2.10-2.45 °/ , emquanto 
que as mesmas vaccas antes davam um leite normal e mais rico. 
Esta experiência não quer de modo algum dizer que se pôde á 
vontade variar a composição do leite, augmentando ou diminuindo 
a quantidade das forragens aquosas. 

Uma experiência realizada pelo Sr. M. Lafite, em Reims, em 
1912, teve por fim resolver a questão de se saber se com uma ração 
muito aquosa o leite se tornava aguado. 

Para este fim foram escolhidas oito vaccas hollandezas num 
rebanho de 140 vaccas leiteiras, dividindo-se-as em dous lotes : 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 81 

um de quatro, para a experiência e outro, também de quatro* 
para testemunhas. 

I. A ração foi assim composta : 

Kilos 

Alfafa 5 

Palha de aveia 5 

Grelos de malt 2: 

Matéria secca 16 k 156 Farello de trigo 2: 

Agua 22 k 844 Borra de cerveja 10' 

Beterrabas 15 

39 k 000 

39 

II. A seguinte ração intermediaria : 

Kilos 

Vicia forragem 35 

Palha 7 

Matéria sêcca 16 k 498 Farello 4 

Agua 35 k 502 Melaço 2 

Agua 4 

52 k 000 

52 

III. A ração aquosa foi composta de : 

Kilos 

Feno 5 

Palha 5 

Matéria sêcca 17 k 098 Beterrabas 25 

Agua 38 k 902 Borra de cerveja 20 

Farello 1 

56 k 000 

56 

As três rações acima enumeradas, empregadas na experiência, 
que se realizou de 3 de Março a 2 de Junho de 1912, continham a 
a mesma quantidade de princípios nutritivos e quasi a mesma de 
matéria sêcca, differindo apenas na quantidade da agua : 

1* 22.844 kilos. 
2* 35.502 » 
33 38.902 » 

No quadro abaixo acham-se referidos os resultados da expe- 
riência, que se compunha de seis periodos, de 15 dias cada um : 

R. V. II 



82 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEROO 



Ração que receberam as vaccas 


Vaccas de experiência 

A 


Vaccas testemunhas 




de experiência, 
durante os seis períodos 


/ 

Litros de leite 
Média por dia 


Grs. de 
manteiga 


1 

Litros de leite 
Média por dia 


Grs. de 
manteiga 


Observações 




47.8 
47.8 
48.6 

50.5 
46.0 

47-4 


29.6 
29.2 
28.0 

27-5 
29.8 

27-5 


52.6 

54-6 
52.6 

52.6 

49-5 
47-8 


37-4 
34-2 
32.8 

31.8 
32.5 

30.7 


i9 período de 15 dias 


Agrua á discrecção, ração n. i 


20 » » » » 
30 » » » » 


Ração aquosa n. 3, mais agua 


40 » » » » 




50 » » » » 
60 » » » » 







As vaccas testemunlias receberam a mesma ração n . I, durante 
toda a experiência. Examinando-se os resultados consignados no 
quadro acima, veriíica-se que a alimentação aquosa muito pouco 
influiu sobre a quantidade e a riqueza do leite. Esta experiência, 
e outras feitas no mesmo sentido, vem demonstrar que não é possivel 
obter-se á vontade leite mais abundante e aguado, submettendo-se 
as vaccas a uma alimentação aquosa. Resulta, pois, dahi que a 
composição do leite é relativamente pouco variável em consequência 
da administração de alimentos mais aquosos, desde que seja 
mantida a dose de princípios nutritivos. O leite aguado, pois, só é 
secretado em condições muito especiaes, que ainda não são bem 
conhecidas, mas que com toda certeza denotam estado doentio do 
animal. Diz ainda o Dr. Kellner que, para que os effeitos de uma 
alimentação muito aquosa se reflictam sobre a qualidade do leite, é 
preciso que a vacca a receba durante um tempo bastante longo, o 
que sem duvida vem enfraquecer a glândula mammaria. 

e) A alimentação deve ser constante e sem interrupção. — A 
ração, constituida das forragens disponiveis no momento, deverá 
ser aos poucos modificada pela necessidade de se lhe introduzirem 
novas forrag-ens, de accordo com os recursos forrageiros impostos 
pela época do atino, tendo-se, porém, o cuidado de manter con- 
stante a quantidade de princípios nutritivos, de accordo com a 
producção e as necessidades do organismo. A constância no caso 
presente não significa que uma vez constituida a ração de capim e 
fubá, por exemplo, nunca mais se deva alteral-a; ao contrario, 
deve-se modifical-a, introduzindo novas forragens que se apresen- 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 83 

tem na occasião em abundância, substituindo-se umas por outras, 
total ou parcialmente, porém de modo gradativo e mantendo-sc 
sempre a dose necessária de principios nutritivos. Sabe-se que òs 
effeitos da alimentação sobre a secreção láctea são notáveis, até 
attingir-se a normal, partindo-se de uma alimentação insuficiente, 
caso este em que o animal é obrig-ado frequentemente para ella 
contribuir com seu próprio organismo. Em tal condição a addição 
de novos alimentos produzirá maiores resultados; mas, alcançada a 
normal, a addição não augmenta mais proporcionalmente a quan- 
tidade de ]eite e predispõe o animal á eng-orda. Tanto no primeiro, 
como no segundo caso uma tal alimentação é anti-economica e 
prejudicial á secreção láctea, sendo sempre difficil restabelecel-a ao 
nivel primitivo, particularmente quando a diminuição é conse- 
quência de uma alimentação insuficiente. Diz a respeito o Sr. Mer 
que, seg*undo as observações feitas, não é possivel restabelecer-se 
a secreção láctea normal antes da parição seguinte, desde que 
ella seja prejudicada temporariamente por uma alimentação 
insuficiente. 

K' de particular recommendação fazerem-se na alimentação as 
modificações impostas pela época do anno gradativamente, passan- 
do-se por um periodo de transição e cuidando-se para que a nova 
ração não seja inferior á antecedente. 

A pontualidade na distribuição das rações, sempre á mesma 
hora, é por sua vez indispensável e tem as suas consequências 
benéficas. Quando os alimentos são sempre distribuidos a mesma 
hora, os órgãos dig-estivos adquirem rapidamente uma espécie de 
automatismo favorável á boa execução da sua funcção e as vaccas 
conservam-se assim mais soceg*adas, sem agitação. Todos conhe- 
cemos bem quanto agitadas ficam as vaccas quando esperam a 
ração, estado este naturalmente muito desfavorável á secreção. 
O pequeno criador, para seu beneficio, deve acostumar-se a esta 
exigência hygienica, e nos grandes estabelecimentos para abasteci- 
mento de leite ás cidades os proprietários devem obrig-ar e habituar 
seus vaqueiros á pontualidade no arraçoamento das vaccas. 

f) Do regimen das vaccas leiteiras. — As vaccas leiteiras são 
conservadas quer no pasto exclusivamente, quer no pasto e no 
estabulo, ou regimen mixto, quer em estabulação permanente. 



84 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

A alime?itação no pasto, — Entre nós é o systema mais comtnum 
e o predominante, excepção feita nos arredores das cidades, onde, 
por circumstancias especiaes, se adopta o regimen mixto e o da 
estabulação permanente. Em geral, o regimen do pasto pôde divi- 
dir-se em intensivo e extensivo, isto de accordo com o valor das 
pastagens e os cuidados dispensados com seu trato, adubação, etc. 

Na opinião de muitos criadores o regimen do pasto realiza 
melhor as condições económicas e hygienicas para a producção de 
um leite abundante e rico, com a condição única de que sua com- 
posição seja boa, sejam limpos, livres de pragas, de área suficiente 
e bem adubados. A composição dos pastos tem, pois, grande impor- 
tância, particularmente quando consta de gramineas e leguminosas 
de boa qualidade. As pastagens que possuem grande proporção 
de plantas duras, pouco nutritivas e cheias de pragas são pouco 
favoráveis á producção do leite, influindo até em certos casos sobre 
sua qualidade. Nas boas pastagens as vaccas com o exercício 
moderado ao ar livre têm sempre disposição para consumirem mais, 
notando-se por conseguinte um augmento de rendimento de leite 
com maior quantidade de matéria secca e gordura. E\ pois, em 
taes pastagens que ellas encontram uma ração completa, á vontade 
escolhida, abundante, aquosa e bem digestivel. Não nos devemos 
admirar de que seja em taes condições que o criador obtenha maior 
quantidade de leite mais rico e saboroso, sendo a manteiga delle 
proveniente mais reputada e de melhor conservação. A maior 
producção observada no regimen do pasto não deve ser attribuida 
á melhor utilisação dos alimentos, mas a uma alimentação mais 
abundante e mais rica do que a ração bem medida no estabulo. 
E' preciso egualmente reconhecer que em muitas condições este 
systema constitue um verdadeiro desperdicio de alimentos nutriti- 
vos, particularmente de albumina. Mas, nem sempre as pastagens 
são boas; muitas vezes pela própria natureza dos terrenos, a época 
do anno, o clima, a secca prolongada, o verão muito quente, etc, 
escassea o pasto, ao ponto de se ver forçado o criador a sustentar 
seu gado leiteiro em meia estabulação, administrando-lhe uma 
ração composta de diversas forragens cultivadas e de alguns outros 
alimentos, productos da fazenda, ou comprados no mercado. 
As vaccas recebem este supprimento no estabulo, quando reunidas 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 85 

para a ordenha. No verão, quando o tempo está muito quente, 
convém conserval-as durante as horas mais cálidas do dia no 
estabulo, soltando-as no pasto, á noite. No inverno, ao contrario, 
ellas devem ser conservadas á noite no estabulo e durante o 
dia no pasto. 

Quando o pasto é muito novo e aguado, recommenda-se dis- 
tribuir um pouco de forragem secca, que as vaccas procuram com 
avidez, á noite, no estabulo ou antes de irem para o pasto. 

Estabulação permanente. — A vacca, como animal productor 
de leite, pôde ser explorada na? condições económicas as mais 
variadas. Nos arredores das cidades, até 100-150 e mais kilometros 
de distancia, o leite produzido é vendido em natureza, convindo 
sua transformação em queijo e manteiga quando é difficil o tran- 
sporte. Nas cidades grandes, para a venda do leite fresco, existem 
vaccarias que contam geralmente de 10 a 15 vaccas mantidas em 
estabulação permanente, e conservando-se ahi somente quando 
em plena producção, devido ao seu elevado custeio, sendo, ter- 
minada a lactação, vendidas ou removidas para fazendas afastadas. 
Na alimentação das vaccas em estabulação permanente o criador 
deve observar todas as regras de hygiene, afim de atteuuar os máos 
effeitos de tal systema, devendo as vaccas sahir diariamente para 
um pasto perto, quando o permitia o tempo. Tal pratica concorre 
ao bom arejamento do estabulo, asseio das manjedouras, facilitando 
até a distribuição da ração da tarde. 

No regimen do estabulo o criador deve tomar as necessárias 
precauções para obter regularmente as forragens indispensáveis e 
poder assim effectuar as substituições gradativamente. Quando são 
administradas forragens verdes muito novas e aguadas, convém 
sempre juntar-se-lhes alguma forragem secca, que se vae dimi- 
nuindo á medida que a forragem verde se approxima da floração, 
mudando bastante sua composição. As farinhas e os grãos cozidos, 
que são previamente preparados, devem ser utilisados no mesmo 
dia, e não depois de ficarem azedos ou fermentados. 

Devido á influencia dietica favorável das forragens verdes é 
importante para o criador tomar as necessárias providencias para a 
sua producç âo durante o anno inteiro, uma vez que assim o per- 



86 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

mittam as condições de clima e solo. As forragens verdes, as raizes 
e os tubérculos, no regimen da estabulaçâo, além de favoráveis á 
secreção láctea, são relativamente mais baratos desde que sejam 
produzidos na visinhança, evitando-se transportes muitas vezes 
carissimos. O numero de forragens que podem ser cultivadas para 
consumo verde é grande; no próximo numero passaremos a exami- 
nar as principaes, estudando sua composição, seu rendimento por 
hectare, assim como seus effeitos na alimentação das vaccas 
leiteiras. 

N. Athanassof. 

( Contimía ) . 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHN1A 87 

10° CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA 

VETERINÁRIA 

LO IM D REIS — 1314 

O Sr. Professor Stewart StockmAn, Secretario Geral do 
Comité organizador do próximo Congresso de Londres, acaba de 
enviar ao Dr. Paulo Parreiras Horta, Chefe da Secção Technica 
do Serviço de Veterinária e Delegado do Comité no Brasil, a 
seguinte carta: 

«Londres, 20 de Janeiro de 1914. 

Caro collega — Faço chegar as vossas mãos o programma 
preliminar do 10° Congresso Veterinário Internacional e vos 
peço a bondade de fazel-o circular o mais longe possivel por 
intermédio dos jornaes de nossa profissão. 

Desejo vos explicar que o programma está escripto em 
inglez porque pensamos ser melhor deixar a traducção de 
uma cousa tão importante ao Comité de cada paiz em que 
fôr elle publicado. 

Acceitae, caro e honrado collega, os sentimentos mais 
distinctos. — Stewart Stockman». 

Publicamos em seguida esse documento: 

« O Decimo Congresso Internacional Veterinário deve se 
realizar em Londres, de 3 a 8 de Agosto de 1914. 

Trata-se do Congresso Jubileu, que se reunirá em Londres em 
virtude do desejo expresso dos veterinários do mundo, em honra do 
distincto veterinário inglez John Gamgee, por cuja suggestão 
foram primeiramente instituidos os congressos internacionaes de 
veterinária. 

Apezar de não ser costume do Governo Britannico fornecer 
auxilio algum aos congressos internacionaes, está elle tomando 
um grande interesse com o próximo Gongresso e convites redigidos 
da seguinte forma foram enviados pelo British Foreign Office aos 
vários paizes, convidando-os a se representar por meio de delegados 
officiaes. 



88 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

(Cópia) — Foreign Office, Setembro 1913: 

«Senhor — Transmitto-vos, junto a esta, cópias do programma 
do 10° Congresso Internacional Veterinário que se deve realizar 
em Londres, de 3 a 8 de Agosto do próximo anno, com 
o pedido, afim de que o leveis ao conhecimento do Governo, junto 
do qual estaes acreditado, convidando-o ao mesmo tempo de maneira 
que sejam enviados delegados ao mesmo. 

A historia destes congressos é a seguinte: 

Ha 49 annos, por suggestão de um distincto veterinário 
britannico, John Gamgee, effectuou-se o Primeiro Congresso 
Internacional Veterinário. A suggestão de Gamgee foi motivada 
pela peste bovina que, proveniente da Rússia, se espalhou por toda 
a Europa, devastando as fazendas, resultando d'ahi a convicção 
de que a luta contra as pestes animaes não depende exclusivamente 
de cada paiz, isoladamente, porém deve ser cuidado commum de 
todos. A razão da opinião de Gamgee foiimmediatamente reconhe- 
cida por todos os paizes europeus. Estes congressos, entre outras 
cousas, discutem todas as questões iuternacionaes que tenham 
ralação com as pestes animaes. 

Infelizmente, não puderam ser feitas as combinações, afim de 
que o primeiro e os outros congressos fossem convocados na 
Grã-Bretanha, porém ficou estabelecido um accordo pelo qual elles 
se realizaram, todos os cinco annos, em varias capitães da Europa. 
Os Governos dos paizes interessados enviaram sempre convites aos 
outros Governos, afim de que fossem nomeados delegados. 

O 9 o Congresso realizou-se em Haja, em 1909, e nessa 
occasião os Governos da Argentina, Áustria (inclusive Bohemia, 
Croatia e Slavonia), Baviera, Bélgica, Bulgária, Colômbia, Cuba, 
Dinamarca, Allemauha (inclusive Saxe-Weimar), França (inclu- 
sive Algéria e Tunisia), Grécia, Guatemala, Hungria, Itália, 
Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Hollanda, Rumania, 
Rússia, Saxonia. Servia, Suécia, Suissa, Estados Unidos da 
America, Uruguay e Wurtemberg, estiveram representados, assim 
como a Grã-Bretanha e certos dominios de além mar. 

Ainda que o Congresso não tenha sido promovido pelo Governo 
de Sua Majestade, elle tomou um grande interesse pelo assumpto 



REVISTA DE VETFRINARIA E ZOOTECHNTA 89 

para o fim a que fora convocado e terá sciencia com prazer de que 
o convite tenha sido acceito. 

Elle veria também com satisfação a representação isolada neste 
Congresso, do mesmo modo que nos de Educação ou meramente 
scientificos ou outros assumptos que interessam aos paizes que pro- 
movem as sciencias veterinárias ou utilitárias.» 

A Commissão Britannica de organização enviou um amável 
convite aos collegas estrangeiros em cada paiz, e deseja informar 
que as representações do Congresso, estrangeiras, devem fazer o 
possivel para estar em Londres, no sabbado, I o de Agosto. 

E' intenção da Commissão Britannica offerecer uma recepção 
preliminar na tarde de domingo, 2 de Agosto, aos distinctos mem- 
bros que se devem encontrar na capital londrina, afim de discutir a 
solemnidade da abertura ofiicial do Congresso e obter alguma 
ulterior deliberação. 



A abertura ofificial será na terça-feira, 3 de Agosto do corrente 
anno, occasião em que a commissão espera assegurar o patrocinio 
de uma pessoa illustre para abrir o Congresso. 



Logar de « meetings » — Os meetings do Congresso serão na 
Central Buildings, Westminster, Londres, que offerece bastante 
commodidade. 

Este local é contíguo ás casas do Parlamento, pela posição 
é conveniente em relação aos hotéis, restaurants e divertimentos. 

Diversões — O Ministério das Relações Exteriores resolveu 
dar festas em honra do Congresso. 

O programma para os banquetes e recepções, serão dados 
em honra do Congresso, ainda não se acha completo, porém notas 
completas particulares serão enviadas á Commissão Nacional, afim 
de serem publicadas o mais cedo possivel. 

A Commissão Britannica está também organizando excursões 
do seguinte modo: 

I o — Visitas a propriedades ruraes e studs próximos de Londres. 

R. V. 12 



90 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

A Commissão já foi informada de que haverá permissão para 
visitar as propriedades reaes em Windsor. 

2° — Visitas ás estações de Quarentena e de Pesquizas do 
Departamento de Agricultura. 

3 o — Excursões depois do Congresso aos logares de interesse 
histórico ou zonas notáveis pelas bellezas do scenario. 

Podem os congressistas contratar excursões particulares, que 
serão pagas mediante combinações entre elles. 

Viagens — A Commissão Britannica está preparando o itine- 
rário com varias companhias de estradas de ferro e navegação, na 
Grã-Bretanha e outros paizes, para dar especiaes concessões aos 
congressistas. Ella já scientiíicou aos Srs. Thos, Cook and Son, 
que têm de dar toda a assistência e fornecer-lhes interpretes nas 
varias estações, no sabbado, I o de Agosto, para conveniência dos 
referidos congressistas que ainda não^stejam familiarisados com 
a capital de Londres. 

Estes programmas serão objecto de intensa publicação, quando 
estiverem completos. 

Hotéis e Restaurants — Existe um grande numero de hotéis 
e restaurantes. 

Os hotéis e restaurants em Londres são excellentes e os preços 
são moderados. O preço em bons hotéis varia de 5 shillings pelo 
cima, por um quarto simples, banho e pequeno almoço. 

Os visitantes que não desejarem tomar pensão, não terão 
dificuldade em obter quartos em hotéis de primeira classe por 
preço de 5 shillings. 

Não é possivel nesta nota fornecer uma lista completa dos 
bons hotéis que estão situados próximos do logar do meeting. 

Uma lista completa, contendo, conjuntamente com preços as 
distancias approximadas, do logar do meeting, formará o objecto de 
outra publicação, quando o programma, com os vários assumptos, 
estiver completo. 

Contribuição para adhesão — A Commissão Britannica fixou 
o preço da subscripção para os membros communs, em uma libra ou 
20 marcos ou 25 francos. 

A subscripção para os profissionaes do sexo feminino foi fixada 
em 5 shillings ou 5 marcos ou 6 francos e 25 cêntimos. 



REVISTA DK VETEKINAR1A E ZOOTBCHNIA ( )\ 

As contribuições devem ser enviadas ao Thesoureiro I [onorario 
Mr. F. W. Carnett, J. P. M. R. C. V. S., 10 Red Liou Square, 
Londou, W. C. 

Tem sido lembrado por alguns dos membros dos «National 
Committees» que os vários Secretários destes «committees» possam 
fazer subscripções em vários dos paizes e envial-as depois englo- 
badamente. 

O Thesoureiro Honorário, conforme é o seu modo de pensar, 
prefere que cada individuo mande sua própria subscripção; elle não 
faz objecção ás que lhe sejam enviadas em globo, desde que ellas 
tenham completo detalhe e que sejam fornecidas pelo Secretario de 
cada «Comité National», 

ASSUMPTOS PARA DISCUSSÃO E RELATÓRIOS 

O que se segue é uma lista dos assumptos a serem discutidos, 
conjuntamente com os nomes dos scientistas que devem fazer os 
relatórios. 

REUNIÕES GERAES 

L 

Abertura official 

II 

Febre Aphtosa 

Herr Geheimer Regierungsrat Dr. NevErmann — Berlim. 

Sr. E. Lecxainche — Inspector Geral e Chefe dos Serviços 
Sanitários do Ministério da Agricultura. — Paris. 

Dr. Mohi/er — Departamento da Agricultura dos Estados 
Unidos da America do Norte. 

Dr. Remmei/ts — Inspector Chefe do Serviço Veterinário. — 
Haya. 

Sr. Professor E. Hess — Faculdade de Medicina Veterinária 
da Universidade de Berna. 

Sr. Professor A. E. Mottam — Reitor da Real Academia de 
de Veterinária da Irlanda. 

(*) Sr. Dr. J. Rudowsky — Veterináreferent, Briinn. 

(*) Ainda não respondeu. 



92 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

III 

Tuberculose 

Sr. Professor Dr. EbEr, Director do Instituto Veterinário. - 
Leipzig-, 

Sr. Professor VaujSE. — Director da Escola Veterinária de 
Alfort. 

Professor Sir John Mc Padyean, Reitor da Real Academia de 
Veterinária de Londres. 

Sr. G. Regner, Departamento Veterinário. — Ministério da 
Agricultura. — Stockholmo. 

Sr. Professor de Jong. — Universidade de Leiden. 

IV 
Aborto epizootico 

Herr Regierungsrat Professor Dr. Zwick. — Da Repartição 
Imperial de Saúde Publica. — Berlim. 

Sr. Professor Moussu. — Escola Veterinária. — Alfort. 

Herr Sanitátstierárzt SvEN Waix. — Matadouro Publico. — 
Stockholmo. 

Sir Stewart Stockmann, Chefe do Serviço Veterinário, Mi- 
nistério da Agricultura. — Londres. 

V 

Verificação da distribuição publica e venda do leite no interesse 

da Saúde Publica 

Dr. A. D. Melvin, Chefe do Departamento de Industria 
Animal. — Washington. 

Herr Geheimer Regierungsrat Professor Dr. von Ostertag, 
Director do Serviço Veterinário da Imperial Repartição de Saúde 
Publica. — Berlim. 

Sr. S. P. Nystedt, Primeiro Medico Veterinário. — 
Stockholmo. 

Sr. J. W. BrittlEbank, D. V. S. M., M. R. C. V. S., 
Departamento de Saúde Publica. — Manchester. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 93 

VI 

Sessão de encerramento 

SECÇÃO I 

SCIENCIA VETERINÁRIA EM RELAÇÃO Á SAÚDE PUBIJCA 

(1) — Envenenamentos pelas carnes — Sua Pathogenesis e medidas 

necessárias contra elles 

Sr. Professor Bougert, Escola Superior de Veterinária — 
Berlim. 

Dr. Hans Messner, Director do Matadouro — Karlsbad. 

(*) Dr. GunjvAUME, Director do Matadouro da cidade de Nice. 

(2) — Princípios geraes a serem observados na inspecção do esque= 
leto e dos órgãos dos animaes tuberculosos com o fim de se 
determinar sua segurança como artigos de alimentação humana 

Sr. Dr. Stubbe, Inspector Geral de Veterinária do Ministério 
do Interior — Bruxellas. 

Sr. Cesari, Veterinário Sanitário do Sena — Paris. 

Herr Obertierarzt Dr. Nieberle — Hamburg-o. 

(*) Sanitáts Veterinár Hy Hau^son — Stockholmo. 

(3) — Desinfecção dos vagões 

Sr. Professor Ramon Bidart, Faculdade de Medicina Veteri- 
nária da Universidade de Buenos Aires. 

Herr Reg-ierungsrat Dr. Titze, Imperial Repartição de Saúde 
Publica — Berlim. 

Sr. Rabieaux, Inspector Geral dos Serviços Sanitários no 
Ministério da Agricultura, Paris. 

(*) Sr. Professor Meloni — Nápoles. 

SECÇÃO II 

PATHOLOGIA E BACTERIOLOGIA 

(1) Moléstia de Johne 

Sr. Professor Olaf Bang, Copenhag-ue. 

Sr. Professor Dr. Miessner, Escola Superior de Veterinária, 
Hannover. 



(*) Ainda não respondeu. 



94 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Sr. A. L. Sheather, B. Sc, M. R. C. V. S., Academia Real de 
Veterinária — Londres. 

(2) — Piroplasmose bovina ( européa) 

Sr. Professor Dr. KnuTh, Chefe de Serviço do Instituto de 
Hygiene, da Escola Superior de Veterinária de Berlim. 

Sr. Professor S. von Ratz, Escola Superior Veterinária, 
Budapesth. 

Sr. W. G. Weagg, M. R. C. V. S. Laboratório do Ministério 
da Agricultura — Londres. 

(3) — Virus ultra=visiveis 

Dr. K. F. Msyer. — Universidade da Calitornia. — U. S. A. 
Sr. Professor Panisset. — Escola Veterinária. — Alfort. 
(*) Sr. Docente Dr. Pfeiler. — Chefe do Serviço de Hygiene 
Animal no Instituto Kaiser Wilhelm. — Bromberg. 

(4) — Distemper 

Sr. Professor Dr. S. Sigismund Markowski. — Escola Superior 
de Veterinária. — Lemberg. 

Sr. Carre'. — Chefe do Laboratório de Pesquizas do Ministério 
da Agricultura. — Escola Veterinária. — Alfort. 

SECÇÃO III 

EPIZOOTIOI.OGIA 

(1) — Carbúnculo 

Dr. W. H. Daivrympije:. — Universidade do Estado da Louisiania 

— U. S. A. 

Sr. Dr. Abadar Lukâcs. — Laboratório de Vaccinação. — Bu- 
dapesth. 

Sr. Reitor c Professor Dr. J. Szpii^man. — Escola de Veterinária. 

— Lemberg. 

Major Holmes. — Bacteriologista Imperial em Muktesor. — 
índia. 



(*) Ainda não respondeu. 



revista de veterinária e zootechnia 95 

(2) — Febre dos porcos 

Dr. Marion Dorset. — U. S. A. — Departamento da Agricul- 
tura. — Washington. 

Herr Hofrat Rektor und Prof. Dr. HutyrA. — Escola 
Superior de Veterinária. — Budapesth. 

(*) Herr Bezerkstierárst. — Dr. R. Frauenberger. — Friestadt, 
Áustria. 

(*) Sr. Dr. Glasser. — Repetidor na Escola Superior de 
Veterinária. — Hannover. 

(3) — Mormo 

Sr. M. de Roo. — Inspector Veterinário Principal. — Minis- 
tério da Agricultura. — Bruxellas. 

Sr. Dronin. — Director Veterinário da Cavallaria da Com- 
panhia Geral de Carruagens. — Paris. 

Sr. Professor J. SchnurER. — Escola Superior de Veterinária. 
— Vienna. 

Sr. J. R. Jackson. — M. R. C. V. S. — Ministério da Agri- 
cultura. — Londres. 

Sr. Professor Dr. Peter — Medico Veterinário Regional — 
Hannover. 

(4) Sarna Sarcoptica do Cavallo 

Sr. Veterinário Chefe A. BarriER. — Paris. 
Coronel ButlEr., Ministério da Guerra. — Londres. 
Sr. Landes veterinareferent Theophii, Halski, Czernowitz. — 
Áustria. 

SECÇÃO IV 

MEDICINA E CIRURGIA VETERINÁRIAS 

(l) Anesthesia 

Sr. professor Hendricks, Escola Veterinária. — Bruxellas. 
Dr. L. A. Merillat. — Chicago, U. S. A. 
Sr. Professor Vannerholm, Escola Superior de Veterinária. 
— Stockholmo. 



(*) Ainda não respondeu. 



96 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Professor G. H. Wooldkidge, Academia Real de Veterinária. 

— Londres. 

(2) Laminitis 

Sr. Professor Lienaux, Escola Veterinária. — Bruxellas. 
Sr. Veterinário Chefe Joly, 9 o Corpo do Exercito. — Tours. 
Professor James Macqueen, Academia Real de Veterinária. 

— Londres. 

(3) Tratamento Cirúrgico do «Roaring» 

Sr. Professor Dr. Eberlein, Escola Superior de Veterinária. 

— Berlim. 

Dr. W. L. Williams, Cornell University, U. S. A. 

Sr. Dr. Professor Fontaine, Escola de Cavallaria. — Saumier. 

Sr. P. T. G. Hobday, F. R. S. E., F. R. C V. S.— Londres. 

(4) Uso de drogas no tratamento das moléstias causadas 
por vermes nematoides 

Sr. Professor Von der Eckhout, Escola Veterinária. — 
Bruxellas. 

Sr. Professor Railliet, Escola Veterinária. — Alfort. 

Sr. Professor J. F. Craig, M. A., M. R. C. V. S., Aca- 
demia Real de Veterinária da Irlanda. — Dublin. 

Sr. Professor Perroncito, Real Universidade de Turim — 
Instituto de Parasitologia. 

SECÇÃO V 

moléstias tropicaes 

(l) Moléstias transmittidas pelos carrapatos; sua classificação, 
tratamento e prophylaxia 

(*) Dr. D. E. Salmon, Washington, U. S. A. 

Sr. Professor J. LignièrEs, Faculdade de Medicina Veterinária 
da Universidade — Director do Instituto Nacional de Bacteriologia 
do Ministério da Agricultura — Buenos Aires. 

Sir A. ThEiler, K. C. M. G. Director de Pesquizas Veteriná- 
rias, Transwaal. 



(*) Ainda não respondeu. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 97 

Sr. C. E. Gray, M. R. C. V. S., Chefe Cirurgião Veterinário, 
Transwaal. 

Sr. Dr. Paulo F. Parreiras Horta, Chefe da Secção Technica 
da Directoria do Serviço de Veterinária do Ministério da Agri- 
cultura — Rio de Janeiro. 

(4) — Moléstias transmittidas por insectos alados ; sua 
classificação e prophylaxia 

Sr. Caza^bou, Veterinário de 1'? no 70° de artilheria, Rennes. 

Sr. R. E. Montgomery, M. R. C. V. S., Bacteriologista 
Veterinário, Departamento da Agricultura, Nairobi, America 
Ingleza Occidental. 

(*) Dr. L. O. Howard, Departamento de Entomologia, Minis- 
tério da Agricultura — Washington. 

(*) Dr. Octávio Pinto Guedes, Dr. Christino Cruz Filho, 
Secção Technica do Serviço de Veterinária do Ministério da 
Agricultura. 

Professor A. LanfrAnchi, Director do Instituto de Pathologia 
Veterinária, Parma — Itália. 



(*) Ainda não respondeu. 



R. V. 13 



98 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCÍO 



PELAS INSPECTORIAS 



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2° Districto ( Maranhão e Piauhy ) 

A Inspectoria do 2 o Districto que tem sede em S. Luiz, Estado 
do Maranhão, deu scieucia ao Sr. Dr. Alcides Miranda, Director 
do Serviço de Veterinária, no boletim sanitário relativo ao mez de 
Dezembro, que para o combate contra o carbúnculo symptomatico 
foram distribuidas 800 doses de vaccinas aos seguintes criadores : 
150, á D. Torquata Rodrigues Machado, em Arayoses ; 500, ao 
Barão de Itapary, em Vianna ; 100, a Honorato Leite Ferreira, em 
Chapadinha ; e 50, a António José Pereira Júnior, em S. Bento. 

A tristeza ou babesiose ou pyroplasmose bovina, continua, 
infelizmente, grassando enzooticamente nos Estados do Maranhão 
e do Piauhy ; a poly-arthrite tem sido também observada. 

Para todos estes casos aquella repartição veterinária tem 
tomado as providencias que o caso exige, procurando por todos 
os meios ao seu alcance dar combate ás referidas enfermidades. 

3 o Districto ( Ceara' e Rio Grande do Norte ) 

Da excursão feita por funccionarios desta Inspectoria pelos 
municipios de Natal, S. Gonçalo, Macahyba e Ceará-Mirim foram 
extrahidos os seguintes e importantíssimos dados : 

Estando Natal ameaçada de uma incursão de carbúnculo 
bacteridiano, que então grassava, por informações prestadas por 
moradores das localidades de Canguaretama, Ceará-Mirim e Patú, 
alli permaneceu por muito tempo o veterinário respectivo, tomando 
as providencias que a gravidade do caso exigia. 

Com acquiescencia do Inspector Agricola naquella Capital, foi 
estabelecida uma polyclinica publica na sede da Inspectoria, sendo 
aviadas 93 receitas para animaes, gratuitamente. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECIINIA 99 

Em todos os municípios percorridos foi constatada a stomatite, 
muito commum nos equinos ; a strongilosc continua a dizimar 
os rebanhos de ovinos e caprinos ; a durina devasta os equinos 
achando-se toda a criação contaminada, não havendo um só late 
illeso ; o carbúnculo bacteridiano anniquila todos os esforços dos 
criadores e os prejuízos que acarreta são incalculáveis. 

Em Natal foram vaccinados 54 bezerros e garrotes ; em Maca- 
hyba, a vaccinação attingiu a 82 ; em S. Gonçalo, apenas foram 
vaccinados 54 e em Ceará-Mirim, 45, tudo em um total de 235 
vaccinações contra o carbúnculo symptomatico. 

A conjunctivite purulenta foi notificada em 39 cavallos do 
Regimento de Cavallaria do Estado, assim como em muitos dos 
que estiveram no serviço polyclinico ; a ascite, em uma vacca, 
que foi operada ; a polyarthrite, em bovinos, sendo todos salvos ; a 
blepharite, em um cavallo ; a sarna psorotica, foi notada, com 
frequência, nos grandes animaes de todas as fazendas ; affecção 
catarrhal em animaes do Esquadrão do Regimento de Cavallaria, 
restabelecendo-se todos ; estreitamento do conducto vaginal em 
novilhas, que foram operadas, restabelecendo-se ; a anaplasmose 
foi constatada em dous bovinos e, após rigoroso tratamento, 
salvaram-se. 

Em Quixeramobim, foram vaccinados contra o carbúnculo 
symptomatico 70 bezerros. 

Sobre a hygiene e prophylaxia foi feita intensa propaganda, 
em prol da modificação de processos rotineiros. 

A invasão dos ixodideos em todo o Estado é colossal, phan- 
tastica ; pela imprensa tem sido feita propaganda da construcção de 
banheiros carrapaticidas. 

As pastagens são regulares ; as aguadas provêm de poços 
artezianos disseminados pelos municipios ; o estado sanitário não 
é bom. 

Em Natal existem 1.800 bovinos, 200 asininos e seus hybridos, 
300 equinos, 200 ovinos, 300 caprinos e 150 suínos ; em Macahyba, 
9.000 bovinos, 700 equinos, 900 asininos e seus hybridos, 2.000 
ovinos, 2.500 caprinos e 800 suinos ; em S. Gonçalo, 10.000 bovinos, 
800 equinos, 700 asininos e seus hybridos, 2.500 ovinos, 2.800 
caprinos e 2.000 suinos; em Ceará-Mirim, 2.000 bovinos, 1.000 



100 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 

equinos, 600 asininos e seus l^bridos, 500 ovinos, 300 caprinos 
e 900 suinos. 

A avicultura vae tomando animador incremento e o movimento 
económico vae dia a dia em crescente progresso. 

— Do boletim relativo ao mez de Novembro findo e enviado por 
esta Inspectoria ao Sr. Dr. Alcides Miranda, Director do Serviço de 
Veterinária, foram extractados os seguintes dados : 

Existe enzooticamente a tristeza ou babesiose ou pyroplasmose 
bovina nos Estados do Maranhão e do Piauhy, bem como a ana- 
plasmose bovina. 

Das moléstias microbianas, foi constatada a poly-arthrite e das 
parasitarias nenhuma foi observada. 

Por pessoal da Inspectoria foram vaccinados contra o car- 
búnculo symptomatico 6.500 animaes e distribuidas 150 doses 
de vaccinas. 

4 o Districto ( Pernambuco, Parahyba e Alagoas ) 

Existem no municipio de Taquaratinga cerca de 120 fazendas 
criadoras de gado vaccum, algumas de raça ovina, caprina e uma 
ou outra cavallar. 

Por informações obtidas, calcula-se em 180.000 cabeças a 
existência do gado vaccum, muar, lanígero, suino e cavallar 
naquella localidade. 

Infelizmente, o estado de saúde do gado é máo, não se sabendo 
se devido a falta de prophylaxia ou á sêcca que alli tem reinado. 

O carrapato concorre com grande contingente para a existência 
de diversas epizootias ; a sarna também produz grandes males, 
assim como a peste da manqueira, carbúnculo symptomatico e 
mal dos chifres. 

A importação de animaes só se faz para cruzamentos e assim 
mesmo em diminuta escala e quanto á exportação, é feita em grande 
numero não só para o interior como também para os Estados de 
Pernambuco e Alagoas. 

Próximo á Taquaratinga encontra-se o povoado Gravata, centro 
prospero de criação, cortado pelo riacho Salgado, de cuja agua se 
serve o gado, não só desta localidade, como também o em transito 
que por alli passa em grandes levas. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNI A 1 1 

— Do boletim sanitário desta Inspectoria, relativo ao mez de 
Dezembro findo, extractámos as seguintes notas : 

Foram vaccinados contra o carbúnculo bacteridiano 201 
animaes como medida preventiva ; contra o carbúnculo sympto- 
matico distribuiram-se 200 doses de vaccina. 

A raiva concorreu com um caso no engenho Tabocas, no 
município de Escada, Pernambuco, attribuindo-se a sua origem 
pela raposa. 

O animal foi cremado e em diversos pontos onde abunda essa 
espécie de carnivoros, foi espalhado veneno para, desta forma, 
os eliminar. 

Foram visitados por funccionarios da Inspectoria as feiras e 
mercados de Recife, Bôa Vista, Tigipió, Jaboatão, Areias, Cabo, 
Escada e Victoria, todos em Pernambuco. 

5 o Districto ( Bahia e Sergipe ) 

Pela Inspectoria deste Districto teve conhecimento o Sr. Dr. 
Alcides Miranda, Director do Serviço de Veterinária, que nas 
fazendas de Ouro, Agua Branca, Ipoeira, Curral Velho e Páo 
Alto, foram procedidas 550 vaccinações contra o carbúnculo 
symptomatico. 

Contra o carbúnculo hematico foram feitas 300 vaccinações em 
diversas fazendas. 

Em duas delias, de propriedade dos Srs. Marcolino Moura e 
Theophilo Cerqueira, onde o carbúnculo fazia quotidianamente 
uma média de duas victimas, rarearam-se immediatamente os casos 
com o emprego da vaccina fraca. 

Na feira de gado realizada em Caldeirão, foram inscriptas 8 . 000 
cabeças de animaes, sendo, porém, apresentadas 2.930, ficando o 
restante invernado em pastagens nos municípios de Boa Nova e 
Poções. 

Dentre os animaes expostos figuraram 1 . 973 bovinos, 275 
muares e 142 cavallares. 

No numero de bovinos 34 typos podiam ser considerados 
próprios para reproducção, como Caracú, Nellore, Junqueira e 
Simmenthal, apresentados pelos Srs. Theopompo de Almeida, 



102 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMEJRCIO 

Hermínio de Almeida, Cassiano Mendes de Oliveira e Adolpho 
Velloso, criadores no município de Fortaleza, norte do Estado de 
Minas. 

Entre os bovinos considerados gado de boiada, realçava um 
grupo de 80 animaes apresentados pelo Sr. João de Almeida, criador 
em Fortaleza, os quaes foram avaliados ca média de 300 kilos de 
carne cada um, sendo que foram vendidos ao preço de 120$000. 

O restante dos bovinos era commum e devido á crise nâo 
attingiu o preço maior de 65$000. 

Os muares foram vendidos pelos preços de 100$000 a 350$000, 
variando o tamanho. 

Os cavallares, a maioria potros de dous annos, alcançaram os 
preços de 45$000 a 50$000; os typos para sella attingiram de 
130$000 a 300$000, variando a marcha e %ura. 

— Esta Inspectoria, por communicação feita pelo Inspector 
Veterinário interino ao Sr. Dr. Alcides Miranda, Director do 
Serviço de Veterinária, distribuiu 400 doses de vaccinas a criadores 
matriculados de diversos municípios do Estado, fornecendo aos que 
não se acham inscriptos as respectivas instrucções. 

Vistoriou 10.380 couros embarcados para o estrangeiro pelas 
firmas Rosback Brasil & Comp., L. Costa & Comp. e Willy See, 
com destino á Itália, Barcelona, Trieste, Nápoles e Génova. 

Foram também vistoriados 30 estábulos e examinados alguns 
animaes pertencentes ao esquadrão de cavallaria policial. 

Contra o carbúnculo symtomatico foram feitas pelo pessoal da 
Inspectoria 300 vaccinações e 80 contra o carbúnculo hematico, 
tendo sido distribuídos 20 litros de sarnol e passado um attestado 
de banheiro carrapaticida, construído no município de Serrinha. 

6 o Districto ( S. Paulo ) 

Esta Inspectoria distribuiu, durante o mez de Novembro findo, 
1.960 doses de vaccina contra a peste da manqueira e 800 contra 
o carbúnculo verdadeiro e dous tubos de serum anti-streptococcico, 
a criadores das seguintes localidades e repartições municipaes e 
estadoal : 

Crissiuma, S. Sebastião do Paraizo, Tambahú, Santa Ger- 
trudes e Jardinopolis ; ás Camarás Municipaes de Santa Rosa, 



REVISTA DK VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 103 

Alfenas e Bebedouro, á Prefeitura de Orlandia, ao Posto Zoote- 
chtiico Central Dr. Carlos Botelho e aos Srs. Drs. Kstanisláo do 
Amaral Campos e Iyuiz Picollo. 

7 o Districto ( Minas ) 

Do boletim sanitário, de Novembro findo, enviado ao Sr. Dr. 
Alcides Miranda, Director do Serviço de Veterinária, destacam-se 
os seguintes e mais importantes pontos: 

Foram constatados alguns casos de carbúnculo symptomatico, 
porém sem importância, assim como de febre aphtosa, de caracter 
benigno. 

A sarna tem concorrido também com alguns casos em bovinos 
e equideos, sendo desconhecida a sua procedência. 

A tristeza, babesiose ou pyroplasmose bovina existe enzooti- 
camente, bem como a anaplasmose. 

Das moléstias microbianas têm sido verificados alguns casos 
de gourme, « polmões » e poly-arthrite e das parasitarias, a 
helminthiases. 

A criadores diversos foram distribuídas 500 doses de vaccinas. 

— Km Dezembro findo, por communicação feita pela Inspecto- 
ria á Directoria do Serviço de Veterinária, sabe-se ter desembarcado 
em Uberaba uma leva de 40 reproductores bovinos indianos da 
raça Zebu, sendo um de 6 annos e os restantes de 18 mezes a 4 
annos, 14 adquiridos na Fazenda Modelo de Criação do governo 
inglez, situada na provinda de Punjab e 26 nas provincias de 
Guzerat e Rajahputana. 

— O Sr. Dr. Alcides Miranda, Director do Serviço de Vete- 
rinária, foi informado, pelo respectivo Inspector Veterinário, da 
constatação de focos de carbúnculo symptomatico em Cataguazes, 
Conquista, Araguary, Monte Alegre e Uberaba, parecendo, porém, 
com o periodo das chuvas, ser possivel que a referida epizootia 
diminua. 

A febre aphtosa tem grassado não só em Uberaba, como em 
Santa Rita de Cássia, Passos, Sacramento, Prata e Villa Platina, 
sendo os meios de contagio provindos de boiadas que procedem de 
outras localidades distantes, Goyaz, por exemplo, e especialmente 
de Matto Grosso, devido a grandes marchas diárias e com isto 



104 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

enfraquecendo os animaes e por fim succumbindo sem o menor 
tratamento. 

A sarna, em poucos casos ultimamente apparecidos, tem 
sensivelmente diminuido e isto é attestado pelo pessoal da 
Inspectoria. 

A pyroplasmose bovina, comquanto não haja base segura para 
se affirmar a sua existência, não é estranha ao gado deste Districto, 
poise grande a disseminação do carrapato, seu agente transmissor. 

Os meios prophylaticos e de combatividade a estas epizootias 
foram fornecidos pela Inspectoria aos interessados e, em alguns 
casos, por ella postos em pratica. 



Por informações prestadas, em succinto relatório, ao Sr. 
Dr. Alcides Miranda, Director do Serviço de Veverinaria, pelo 
encarregado da dependência desta repartição em Barbacena, foi, em 
Dezembro findo, satisfazendo a uma requisição do Sr. Dr. Carlos 
Prates, Director da Agricultura do Estado de Minas, visitada pelo 
referido profissional a fazenda Esmeralda, de propriedade do Sr. 
Dr. Cupertino Teixeira Fontes, situada no municipio de Rio Casca, 
afim de serem examinados suinos atacados por uma moléstia 
desconhecida daquelle criador, em numero approximado de 200 
cabeças. 

A raça predominante é a nacional Canastrão, havendo alguns 
mestiços com varias raças estrangeiras. 

O aspecto geral dos animaes é regular, não sendo boas as 
condições dos respectivos estábulos. 

A alimentação é boa: milho, farello e mandioca. Ha uns 10 
annos, por informações obtidas, foram verificados casos idênticos 
ao actual com uma mortandade de 70 %. 

A duração da moléstia é muito variável constatando-se casos 
fataes em poucos dias. 

Foram examinados detidamente quatro suinos que se achavam 
atacados da moléstia em questão, achando-se estes capados e bem 
nutridos. 

A temperatura normal era de 39°-39°,5; a defecação difflcil e 
ás vezes muito secca. Os animaes não apresentavam contracções 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 05 

musculares; conservavam appetite, comendo e bebendo bem, 
deitados. 

Não obstante á primeira vista parecerem paralyticos, conser- 
vavam a sensibilidade em todo o corpo. Não foi encontrada em 
nenhum delles echymoses pelo corpo, só se verificando em dous na 
mucosa buccal. 

Por falta absoluta de elementos não foi possivel diagnosticar a 
moléstia, tendo sido, porém, enviados para a Secção Technica do 
Serviço de Veterinária dous porcos doentes, de cujos estudos foi 
encarregado o respectivo Laboratório Bacteriológico. 

Feitos os estudos na Secção Technica foi verificado a presença 
de um grande numero de Stephanurus deniatus na loja peri-ne- 
phretica, além de abcessos em grande quantidade, comprehendendo 
glanglios caseificados, no interior dos quaes se encontra exemplares 
desses vermes. Além disso, não poude ser bem estabelecida a 
natureza da moléstia, pois ao lado dessas graves lesões verminosas, 
havia alguns signaes que se costumam observar em casos muito 
chronicos de hog-cholera. E' possivel que na fazenda do Dr. Cuper- 
tino exista esta entidade mórbida, contra a qual vão se tomando 
medidas de combate. 

Daquella fazenda seguiu para Estevam Pinto o referido 
funccionario, afim de examinar animaes doentes do Posto Zoote- 
chnico annexo ao Instituto Bueno Brandão. 

Um touro Hereford e uma novilha Gersey achavam-se atacados 
de tristeza. Como já tivesse, passado o período agudo da moléstia, 
encontrando-se os mesmos em estado mais ou menos satisfatório, 
foi aconselhado um tratamento reconstituinte. 

Foi examinado pela segunda vez um garanhão Anglo-Arabe, o 
«Fakir», atacado de osteoporose, sendo o seu estado quasi inalterá- 
vel, apezar de todos os cuidados tomados pelo Sr. Director daquelle 
estabelecimento. Iniciou-se então um novo tratamento, com inje- 
cções mercuriaes, attendendo-se a que em um caso idêntico se obti- 
veram brilhantes resultados em um garanhão de propriedade do 
Dr. Abelard Pereira, de Lagoa Dourada, segundo informações deste 
criador. • 

Foram vaccinados 176 bezerros, contra a peste da manqueira, 
nas fazendas da Estrella, S. Miguel, Machadinho, etc. 

R. v. 14 



106 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

9° Districto (Goyaz) 

Por telegramma transmittido ao Sr. Dr. Alcides Miranda, 
Director do Serviço de Veterinária, communicou o respectivo 
Inspector ter reunido em Rio Verde, importante centro criador, 
grande numero de fazendeiros, fazendo a propaganda dos serviços 
veterinários, constituindo-se um syndicato agricola pastoril 
naquella localidade e sendo empossada a sua primeira directoria. 

Accrescenta o referido futiccionario que proseguirá na sua 
viagem a outros municípios, onde pretende organizar sociedades 
idênticas, conforme o seu programma já submettido á apreciação 
da Directoria do Serviço de Veterinária. 

12° Districto ( Rio Grande do Sul — Uruguayana ) 

Esta Inspectoria, que tem sua sede em Uruguayana, inspec- 
cionou, durante o mez de Dezembro findo, 370 animaes ovinos da 
raça Lincoln e três asininos, procedentes da Republica Argentina, 
de propriedade do Sr. Cincinato Jardim de Menezes, criador 
naquella localidade. 

A Inspectoria forneceu 400 doses de vaccina contra a peste da 
manqueira ao Sr. António Manuel Velho, fazendeiro em Vaccaria 
e quatro tubos de serum anti-ophydico ao Dr. Menezes Pinto, 
residente em Uruguayana. 

Foram inspeccionados dous banheiros carrapaticidas, em 
São Gabriel, pertencentes aos Srs. Paulo de Assis Brasil e 
Manuel Ferreira Bicca e passados os respectivos attestados, 
approvando-os. 

Contra a tristeza, foram feitas duas injecções de trypanblau : 
em um touro Hereford, importado da Inglaterra e de propriedade 
do Sr. José Maria Belleza e em um outro, da mesma raça, também 
da referida procedência, do Sr. Francisco Carvalho Filho, ambos 
fazendeiros em Uruguayana. 

Pelos futiccionarios da Iuspectoria foram visitadas diversas 
fazendas nos municípios de Urug-uayana e Alegrete, sendo tomadas 
as providencias indicadas contra as moléstias notificadas. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 07 

lnspectoria de Campos 

O Sr. Dr. Alcides Miranda, Director do Serviço de Veterinária, 
teve sciencia de que em Santa Thereza, no Estado do Rio de 
Janeiro, foram percorridas, em Dezembro findo, por funccionarios 
desta lnspectoria, em companhia do respectivo Presidente da 
Camará Municipal, as fazendas de criação pertencentes aos Srs. 
Victoriano Bomfim, Viriato Silva, Bernardo Simões Ferreira, 
Vicente Lucena, Mário Bastos, Manuel da Costa Neves, António 
Pasielo, Pimentel Carvalho, António Gomes de Oliveira, Pacifico 
Gomes de Oliveira, Euiza Gomes de Oliveira, António Garcia 
Bastos, Joaquim Arantes Silveira e Manuel Pimentel César. 

O clima em Santa Thereza varia entre 20° e 26°, baixando no 
inverno a 10° ; as pastagens são regulares ; a agua, potável e 
corrente. 

Tanto da espécie bovina como da cavallar não existe nenhum 
exemplar de puro sangue; existem, emtanto, da raça bovina, pro- 
ductos de caracú, zebú e vestigios de hollandez e suisso. 

A população bovina é calculada em 10.000 cabeças em todo o 
municipio. 

Existem varias affecções mórbidas, de origem parasitaria umas 
e outras microbianas, atacando as diversas espécies de gado e até 
os gallinaceos. 

Dentre as moléstias parasitarias encontram-se helminthiases, 
broncho-pneumonias parasitarias e trichnose ; quanto ás microbia- 
nas: pneumo-enterite dos porcos, diphteria aviaria, typhos das 
gallinhas, carbúnculos symptomatico e hematico e febre aphtosa 
com alguma intensidade. 

A hydrophobia também tem a sua acção espalhada em todo o 
municipio de Santa Thereza, na espécie canina, de um certo tempo 
a esta parte. 

Felizmente, devido a iniciativa do Sr. Presidente da Camará 
Municipal, mandando eliminar os cães vagabundos, a raiva tem 
somente se limitado a esta espécie animal. 

Existem alguns banheiros carrapaticidas, devidamente con- 
struídos, prestando reaes serviços á pecuária. 



108 MINISTÉRIO DÁ AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Os meios proph} T laticos e de combate ás moléstias verificadas 
foram minuciosamente ministrados pelos profissionaes acima 
referidos. 

Inspectoria do Paraná' 

Por esta Inspectoria foram distribuidas, durante o mez de 
Novembro findo, 450 doses de vaccinas aos Srs. Dário Macedo e 
Herculano Wirmond, criadores em Ponta Grossa, naquelle Estado. 

Pelo Serviço de Veterinária na capital do Estado do Espirito 
Santo, teve sciencia o Sr. Dr. Parreiras Horta, Chefe da Secção 
Technica, que durante o mez de Novembro findo foram vaccinados 
nos municipios de Santa Isabel e Affonso Cláudio, em diversas 
fazendas de criação, 174 animaes. . 

A distribuição da vaccina contra o carbúnculo symptomatico 
foi feita a criadores de diversos municipios ; a tuberculose bovina 
continua a ser diagnosticada nas diversas zonas percorridas, sendo 
sempre aconselhado o isolamento dos animaes e prescriptas medica- 
ções tónicas. 

— Do boletim sanitário, relativo ao mez de Novembro findo, 
extractámos as seguintes notas : 

O carbúnculo symptomatico concorreu, em Santa Isabel, 
com um foco, perecendo oito animaes ; a tuberculose bovina, com 
dous focos, em Jacutinga e Itacibé, constatando-se dous animaes 
clinicamente atacados ; a sarna figurou com um foco em animaes 
de propriedade do Sr. Eiberalino Machado ; a pneumo-enterite 
infecciosa dos porcos, com um foco, em quatro animaes, em Itacibé, 
districto de Cariacica, tendo perecido três e um no ultimo periodo 
da moléstia; em Victoria, foi verificado um caso de tétano. 

Para todas estas epizootias foram ministrados os necessários 
conselhos, não só de prophylaxia como de combatividade. 

Pelo pessoal respectivo tem sido constatado, em quasi todas as 
zonas percorridas, o rachitismo dos porcos. 

Contra o carbúnculo symptomatico foram distribuidas 700 
doses de vaccinas e 45 contra a espirochetose das gallinhas. 

— Esta dependência do Serviço de Veterinária enviou ao 
Sr. Dr. Alcides Miranda, Director da respectiva repartição, o 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 109 

boletim sanitário de Dezembro findo e do qual extrahiram-se os 
seguintee dados : 

O carbúnculo sytnptomatico registrou um íóco com cinco 
animaes, em Santa Cruz, de propriedade do Sr. Coronel José 
Raymundo de Oliveira ; o môrmo foi constatado em um animal, 
em Campina ; a raiva apparece, felizmente, com um caso apenas, 
em um cão de propriedade do Sr. Joviano Monjardim, em Jacutu- 
quara, tendo sido mordido pelo mesmo o Sr. José Áureo Monjardim. 

O material do animal que foi sacrificado enviou-se ao Labora- 
tório Bacteriológico da Secção Technica para ulteriores estudos. 

A victima, a conselho do encarregado da dependência, veiu 
para esta Capital, afim de se submetter a tratamento no Instituto 
Pasteur. 

As pesquizas sobre esta moléstia são feitas sem descanço pelo 
respectivo pessoal e immediatamente tomadas as providencias que 
o caso requer, com urgência. 

A sarna appareceu com um foco, em dous animaes em Cariacica; 
o mal de cadeiras com seis casos, sendo dous animaes em Cara- 
pina e os restantes em Piuma ; a polyarthrite com dous casos em 
Santa Cruz. 

Continua, infelizmente, sendo observado em quasi todas as 
zonas percorridas, o rachtismo, sendo pelo respectivo pessoal 
aconselhada a conveniente medicação, bem assim nas diversas 
epizootias. 

Foram distribuídas, gratuitamente, 550 doses de vaccina a 
diversos criadores, contra o carbúnculo syrnptomatico, e 285 de 
vaccina contra a espirochetose das gallinhas. 



»»» 



110 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



'\^\^\^r\.f\ ml 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações que lhe 
forem feitos sobre assumptos de sua especialidade). 



PELAS REVISTAS 



COMERCIO INTERNACIONAL DE GADO PARA CORTE 
E DE CARNE DE VACCA 



Por HerberT W. MumEord, Professor da Industria Animal 
da Universidade de Illinois 



O quadro seguinte mostra as importantes posições occupadas 
pela Argentina e Uruguay, como paizes exportadores de carne para 
o abastecimento dos mercados do mundo. 

Quadro I — Exportação de carne de vacca 



PAIZES 


1900 

A 


1905 

A 


1910 

A. 


Libras 


Valor 


Libras 


Valor 


/ 

Libras 


Valor 



Republica Argentina 

Estados Unidos 

Uruguay 

Austrália 

Nova Zelândia 

Canadá 



93,492,000 


$ 4,418,000 


398,223,000 


$18,598,000 


580, 142,000 


434,258,000 


37,772,000 


359,247,000 


31,836,000 


1 27 , 406 , 000 


127,310,000 


6, 290,000 


103,050,000 


4,250,000 


125,450,000 


96,216,000 


5,529,000 


43,525.000 


2, 150,000 


71, 140,000 


35,895,000 


1,812,000 


17,418,000 


930, 000 


56,012,000 


5,727,000 


529.000 


39,688,000 


3,631,000 


1,312,000 



$25,480,000 

12, 196,000 

4,934,000 

3,568,000 

2,847,000 

115,000 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



111 



Os paizes para os quaes o gado para corte e produclos de carne 
foram exportados dos Estados Unidos são indicados no quadro 
seguinte, juntamente com a importância relativa de cada um. 

Quadro II — Gado para corte e carne de vacca exportados dos Estados Unidos — 1910 



PAIZES 



Gado em pé 
Cabeças 



Carne de vacca 
Libras 



Valor 
Total 



Por cento 



Grã-Bretanha 

Canadá 

Terra Nova e H,abrador 

Allemanha 

America do Sul. 

índias Oceidentaes Inglezas 

México 

Bélgica 

Noruega e Suécia 

Cuba 

Outros paizes 

Total 



122,139 
10,283 



129 

79 

5,149 

270 

207 
i,i74 



139,430 



551,837 
676,773 
213,053 

150,754 
448,541 
146,318 
110,847 

550, »79 
409,885 
262, 182 

884,506 



127,405,575 



120,596,056 
453,H7 
364 , 264 
299,927 
298,055 

277,998 
265,958 

250,925 

126, 148 

39,2i8 

1,454,362 



84.32 

1.86 

1.48 

1.23 

1.22 

1.14 

1.09 

1,3 

•52 

.16 

5-95 



$24,426,058 



100.00 



A importância da Grã-Bretanha, como um factor uo commercio 
de exportação de carne, é claramente demonstrada aqui, pois aquelle 
paiz recebe cerca de 85 °/ do total das carnes exportadas dos 
Estados Unidos. O que é verdade sobre a exportação de carnes 
dos Estados Unidos o é egualmente sobre o commercio dos paizes 
sul americanos. 

Os quadros ns. III e IV mostram a situação relativa dos vários 
paizes na exportação de gado em pé. Deve-se notar, porém, que a 
exportação de gado em pé não é de modo algum um factor tão 
importante como a exportação de carnes preparadas. 

A exportação da Argentina é principalmente destinada aos 
visinhos paizes sul americanos. As cifras para o México repre- 
sentam, na maioria, o gado que entrou nos Estados Unidos para 
completar a engorda e, portanto, não devem ser comparadas com o 
excesso do de egual espécie de outros paizes. A notável baixa na 
exportação de gado em pé dos Estados Unidos, bem como dos 
outros paizes exportadores, durante os últimos cinco annos, é 



112 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

claramente demonstrada nestas cifras. E' devido principalmente ao 
augmento da procura nacional para carne, e, consequentemente 
uma margem reduzida entre os preços em Chicago e portos inglezes 
que, sob a sua concessão de commercio livre, o gado em pé e carne 
de vacca, de procedência americana, entram livres de direitos adua- 
neiros. Outras nações européas impedem a entrada do gado e carne 
verde, procedentes dos Estados Unidos e os seus direitos sobre 
carnes xarqueadas e preparadas são tão pesados que limitam o 
commercio comparativamente a pequenas quantidades indicadas 
Apezar dos Estados Unidos occuparem o primeiro logar como 
exportadores de gado em pé, e o segundo na exportação de carne de 
vacca, em 1910, desde aquella data, o excesso tem diminuido em 
proporção muito rápida, devido ao accelerado incremento da popu- 
lação e a inadequados fornecimentos de gado para corte. A tendência 
geral do commercio de exportação de carnes pode ser julgada pelo 
quadro que se depara abaixo, no qual a diminuição, durante os 
últimos cinco annos, é notável. 

Quadro III — Exportação de gado em pé 



PAIZES 


1900 

A 


1905 

A 


1910 

A 


/ 

Cabeças 


Valor 


Cabeças 


Valor 


/ 

Cabeças 


Valor 



Estados Unidos 

Canadá 

Argentina 

México.-. 

Uruguay 



397, ooo 


$30,635,000 


568,000 


$40,598,000 


139,000 


206 , 000 


9,081,000 


167,000 


11,361,000 


157, oco 


15 1, 000 


3,549. 000 


263,000 


4,979,000 


90,000 


184, 000 


2,706,000 


99,000 


1,090,000 


193,000 


61,000 


482 , 000 


46,00c 


402 , 000 


203,000 



$12,200,000 

10,800,000 

3,900,000 

2,500,000 

1,400,00 



Não occorrendo qualquer facto imprevisto, por estas cifras é 
evidente que os Estados Unidos da America dentro de pouco tempo 
cessarão a exportação de gado para o corte e carne de vacca. Em ver- 
dade, é muito possivel, que em curto lapso, venham a ser uma nação 
importadora, pelo menos, de carnes de qualidades mais baixas. 
Têm chegado a New York pequenos carregamentos de carnes 
procedentes da America do Sul, e sob certas condições do mercado 
este commercio agora pôde ser feito lucrativamente. Todr.s as con- 
siderações preconisam a opportunidade offerecida ás Republicas 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



113 



Sul Americanas para aug-mentar com visível interesse a sua 
supremacia nesta industria. 

Quadro IV — Exportação de gado em pé e carne de vacca dos Estados Unidos 



ANNO 



Gado 
Cabeças 



Carne de vacca 
Libras 



1851 
1861 
1870 
1880 
1890 
1900 

1905 
1906 
1907 
1908 
1909 
1910 



1,000 
9,000 
28,000 
183,000 
395.000 
397,000 
568,000 
584,000 
423,000 
349,000 
208,000 
139,000 



18,000,000 
26,000,000 
27,000,000 
130,000,000 
354,000,000 
435,000,000 
359,000,000 
414,000,000 
361,000,000 
272,000,000 
183,000,000 
127,000,000 



( De La Hacienda, de Novembro de 1913 ). 



s*.f>*f*±r'\.t*\r\i*\i'\t'\4'\.f\.t'y.r*.***» , <\.t % \.l*'.f\.i n <>4 , \i , \* 



R. V- 15 



114 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIAR COMMRRCIO 



ECOS E NOTICIAS 



rifMtWsjr^fWiHf 



Censo Pecuário do Brasil — Após um anuo de esforçado serviço, vencendo 
as maiores dificuldades, a Directoria do Serviço de Kstatistica do Ministério da 
Agricultura acaba de concluir o censo pecuário da Republica, satisfazendo assim 
a uma grande necessidade e prestando á nossa industria pastoril inolvidável 
serviço . 

Esse importante trabalho, que muito honra á repartição que o elaborou e que 
vem realçar de um modo evidente o nosso valor pecuário, accusa em toda a 
Republica uma população pastoril de 80.303.000 cabeças, assim dividida pelas 
diversas unidades da Federação : 



Unidades da Federação 



POPULAÇÃO PECUÁRIA 

ITuiíiexo cLe caToeças 



BOVINOS 



EQUINOS 



ASININOS 
E MUARES 



CAPRINOS 



OVINOS 



SUÍNOS 



TOTAES 



Districto Federal 

Alagoas 

Amazonas 

Bahia 

Ceará 

Espirito Santo 

Goyaz 

Maranhão 

Matto Grosso 

Minas Geraes 

Pará 

Parahyba 

Paraná 

Pernambuco ......... 

Piauhy 

Rio de Janeiro 

Rio Grande do Norte 
Rio Grande do Sul.. 

Santa Cathàrina 

S- Paulo 

Sergipe 

Território do Acre.. • 

Estados Unidos do 
Brasil 



16.000 
260 . 000 
242.000 

2.683.000 

j . 162. oco 
161.000 

1.873.000 
640.000 

2. 50.000 

6.%r .000 
541.000 
718.000 
540 . 000 
871.000 

1. 163. 000 
519.000 
537.000 

7 . 249 . 000 
521.000 

1.322.000 

269 . 000 

7.000 



30.705.000 



10.000 

82.000 

1 r . 000 

S25.000 

421.0 o 

62.000 

316.000 

132.000 

270.000 

1 . 744 . 000 

34.000 

173.000 

230.000 

274.000 

266 . 000 

156.000 

139.000 

1.422.000 

129.000 

509.000 

83.000 

1.000 



7.289.000 



13.000 

2 I . OOO 

6.000 
572.000 
281.000 

94 . OOO 
84 .000 

34. coo 

I 2 . 000 

779.000 
7.000 

90.000 
101.-00 
106.000 

96 . OOO 
101.000 

105.000 
201.090 

46 . OOO 

417.000 

35.000 

7 000 



3.208.000 



5 . 000 

319.000 

6.000 

3 . 005 . oco 

1.495.000 

37 • 000 

90 . OOO 
190.000 

17.000 
517. OOO 

13.000 
848 . OOO 

35.000 

1 . 692 . OOO 
638 . OOO 
124.000 
418.000 

87 . OOO 

13.000 

297.000 

202.000 

1.000 



10.049.000 



- 4 . 000 

207.000 

10.000 

2 . 224 . OOO 

1 . 304 . OOO 

22.000 

95.000 

92 . 000 

26 . OOO 

447.000 
27.000 

4S6 . OOO 
70.000 

464.000 

516.000 
88.000 

357.000 
3.745.000 

35. coo 

282.000 

149.000 

3.000 



10.653.000 



16.000 

93 . 000 

40.000 

2.410.000 

486.000 

503 . OOO 

710.000 

245.000 

175.000 

6.716.000 
104.000 
168.000 
699 . 000 
293 . 000 

325.000 

738.000 

99 . 000 

2 . 204 . OOO 

3Ó0.000 

1.934.000 

76 . OOO 

5.000 



64 . 000 
982.000 

315.000 

11. 719. 000 

5.149.000 

879.000 

3.168.000 

1.333.000 

3.050.000 

17.064.000 

726.000 

2 . 483 . 000 

1.675.000 
3 . 700 . 000 
3 . 004 . 000 
1 . 726 . 000 

1.655.000 

14.908.000 

1. 104. 000 

4.761.000 

814.000 

24 . 000 



18.399,000 



80.303.000 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 1 5 

Decimo Congresso de Veterinária. — Publicando, era outro loj 
projecto preliminar do IO 9 Congresso Veterinário Internacional, ;i realizai k em 
L/ondres, no corrente anuo, cutnpre-nos assignalar a honra que teve o Serviço de 
Veterinária no convite feito ao seu illustre auxiliar, (Chefe da Secção Technica ), 
Dr. Paulo de F. Parreiras Horta, para redigir uma das memorias, que devem ser 
apresentadas á consideração do mesmo Congresso. 

Congratulando-nos com o Dr. Parreiras Horta, pela merecida distineção que 
acaba de lhe ser conferida, e de que muito se orgulha o Serviço de Veterinária, do 
qual é um dos mais distinctos funecionarios, fazemos votos para que corresponda 
com galhardia ao appello que lhe foi feito, honrando o seu nome illustre ea repar- 
tição de que faz parte. 

A etiologia da «Tristeza» no Brasil. — Recebemos do Dr. Guilherme 
Minssen a carta que publicamos abaixo, relativa ao assumpto tratado pelos 
Drs. Alcides Miranda e Paulo Parreiras Horta, no n. 6, de 1913, desta Revista. 

Os autores deste artigo agradecem a contribuição trazida pelo Dr . Minssen e 
se não se referiram aos trabalhos do autor da carta e dos Drs. Francisco R. de 
Araújo e J. F. de Assis Brasil, foi única e exclusivamente por não possuírem 
notas sobre elles na bibliographia que organizaram sobre a «Tristeza». 

Sempre que os profissionaes, que se oceupam com os assumptos tratados por 
esta Revista, ou os nossos leitores tiverem observações relativas aos artigos aquj 
.publicados, teremos o máximo prazer em contar com a sua collaboração. 

Eis a carta a que nos referimos : 

« Porto Alegre, 21 de Janeiro de 1914 — Sr. Redactor da Revista de Veteri- 
nária e Zootechnia do Ministério da Agricultura — Rio de Janeiro. 

Encontrei no ultimo numero aqui recebido, n. 6 — 1913, do Boletim de que 
sois digno redactor, um artigo com o titulo — A etiologia da ((Tristeza» fio Brasil 
— um valioso artigo da lavra dos Srs. Drs. Alcides Miranda e Paulo Parreiras Horta. 

Entre outros pontos, é tratado, nesse estudo, o dos primeiros conhecimentos 
da doença no Brasil. Como contribuição para o mesmo, tomo a liberdade de 
communicar-vos que a «Tristeza» era conhecida no Rio Grande do Sul anterior- 
mente ao anno de 1901, citado no artigo alludido como sendo a data em que o 
Sr. Dr. Francisco Fajardo publicou um artigo intitulado — A pyroplasmose bovina 
no Rio de Janeiro. Nãoignoraes o contacto constante que os criadores do Rio 
Grande do Sul mantêm com o Estado Oriental, onde muitos dos mesmos possuem 
também fazendas. Desde o anno de 1895, a «Tristeza» foi assignalada no Uruguay ; 
causou ahi, nesse anno, prejuízos muito avultados. Os factos que affectam a 
pecuária uruguaya repercutem immediatamente no Rio Grande do Sul 

Os fazendeiros rio-grandenses mais illustrados conheciam de nome a «Tristeza» 
quando em 1900 foi publicado na Revista Agrícola do Rio Grande do Sul o 
primeiro artigo, provavelmente, impresso no Brasil sobre o assumpto, pelo 
Sr. Dr. Francisco R. de Araújo, distincto medico e lente de zootechnia no Iyyceu 
Rio Grandense de Agronomia. Nesse artigo, porém, não se referiu á existência da 
«Tristeza» no Brasil. 

No mesmo anno, soffri prejuízo em animaes vaceuns de minha propriedade, 
importados do município do Rio Grande e do Uruguay, em consequência de doença 



116 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURÂ, INDUSTRIA E COMMERCIO 

desconhecida. Os mesmos prejuízos havia soffrido a Sociedade Agrícola Pastoril ou 
vários dos seus membros. Troquei a este respeito correspondência com o Sr. Pro- 
fessor L/ignières, Director do Instituto Bacteriológico de Palermo. As indicações 
que me forneceu juntamente com a leitura dos trabalhos de Sniith e Kilborne 
permittiram-me identificar a doença que tinha observado com a «Tristeza» do 
Uruguav e da Argentina, de onde nos veiu o termo tão característico, e com o 
Texas fever dos americanos. Communiquei publicamente o facto em sessão da 
Sociedade Agrícola Pastoril do Rio Grande do Sul, classificando-o : «o mais serio 
obstáculo ao aperfeiçoamento do gado vaccum deste Estado». 

Em 1903, foram publicadas repetidas noticias sobre a «Tristeza» na Revista 
Agrícola do Rio Grande do Sul. No mesmo anno, publiquei um estudo sobre a 
mesma em uma série de artigos na revista acima citada. 

Em 1904, o Exino. Sr. Dr. J. F. de Assis Brasil realizou, na sede da Associação 
Rural de Bagé, uma conferencia publica para vulgarisar os conhecimentos até então 
reunidos sobre a «Tristeza». 

Desde o anno de 1900, em que me tornei conhecedor da doença, tenho feito 
uma activa propaganda para chamar a attenção sobre os prejuízos causados pela 
«Tristeza» e os meios de minoral-os. Reivindico, pois, a prioridade, senão de 
trabalhos sobre a «Tristeza», visto como as minhas observações careciam do cunho 
verdadeiro de pesquizas, pelo menos da indicação do caracter e da presença enzootica 
da «Tristeza» no Brasil. Na campanha que continuo mantendo todas as vezes que se 
me proporciona a occasião, estou vulgarisando o muito que foi conseguido recente- 
mente pelo distincto corpo de clinicos do Ministério da Agricultura e do Estado de 
S. Paulo e, sobretudo, o grande passo dado pelas valiosissimas experiências do 
Dr. I/uiz Misson ; no emtanto, julgo ter trazido um pequeno clarão de luz, em 1900, 
quando não existia um veterinário formado no Rio Grande do Sul. 

Muito me obrigará, Sr. Redactor, com a publicação desta carta. Na esperança 
de que se dignará fazel-o, me subscrevo, etc. ». 

Feira de Três Corações. — Durante o mez de Novembro ultimo foram 
vendidas nesta feira 6.924 rezes, que renderam 1.020:000$000. 

Durante o anno passado foram vendidas na mesma feira 136.325 rezes, que 
produziram 19.716:000|000. 

Matadouros avícolas, — Com os Srs. Ugo Leal & Comp. assignou a Prefei- 
tura do Districto Federal um contracto para a construcção, installação e exploração 
de matadouros avícolas. 

Estes estabelecimentos, que deverão ser do typo mais aperfeiçoado, com 
capacidade sufficiente para os serviços a que se destinam, obedecerão a todos 
os requisitos modernos e hygienicos indispensáveis a estabelecimentos desta 
natureza. 

Exposição Agro-Pecuaria. — O Governo do Estado de Minas, attendendo 
á crise economico-financeira que atravessa neste momento o paiz, resolveu adiar 
para época, que será opportunamente annunciada, a Exposição Agro-Pecuaria que 
se deveria realizar em 21 de Abril do corrente anno na Capital do Estado . 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTRCHNIA 1 ] 7 

— A Sociedade Brasileira de Animação á Agricultura communicou ao presi 
dente da commissão organizadora da Exposição que aquella sociedade ri tolveu 
offerecer os seguintes prémios por occasião daquelle certamen : 

— Um bronze de c avalio árabe, ao criador do melhor cavallo de sella 
reproduetor. 

- Um casal de porcos da raça ((Large-BlacH ao criador dos melhores Buinoa 
de raça estrangeira nascidos em Minas. 

— I ni casal de carneiros da raça «Charmoise)), ao criador dos melhores 
carneiros de raça estrangeira, nascidos no Estado. 

- Um bronze allegorico , ao criador do melhor touro, em idênticas condições. 
Assistência Pasteur. — Com esta denominação installou-se em Curityba, 

Estado do Paraná, um instituto anti-rabico, sob a competente direcção do 
Sr. Dr. Deal Ferreira. 

Banheiros carrapaticidas. — Pelo Dr. Camillo Boulte, veterinário do 
Serviço de Veterinária, foram examinados e approvados, durante o mez de 
Dezembro passado, seis banheiros carrapaticidas nos Estados de Minas e Rio de 
Janeiro. 

Carbúnculo hematico. — Tendo os Srs. Corrêa da Silva & Irmãos, criadores 
em Três Ilhas, Estado do Rio de Janeiro, solicitado da Directoria do Serviço de 
Veterinária, a ida de um profissional á sua propriedade agrícola, afim de verificar 
qual a epizootia que alli reinava, foi designado um dos veterinários do Serviço, que 
diagnosticou «carbúnculo hematico» , 

Foram feitas as necessárias vaccinações e dadas as indispensáveis instrucções 
para a exterminação do mal. 



118 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURÂ, INDUSTRIA E) COMMKRCIO 



BIBLIOGRAPHIA 



*/*\.t**/'S* m \j'\j"\i'** 



Recebemos durante o mez de Janeiro : 

Monog-rapliia sobre a loabesiose — Pelo Dr. Domingos Vanzellotti, veteri- 
nário da Inspectoria do 3 Q Districto. — K' um livrinho que recommendamos 
todos que se interessam pela industria pecuária e cuja distribuição tem sido feita, 
gratuitamente, graças ao valioso apoio do então Governador do Estado do Ri 
Grande do Norte, Dr. Alberto Maranhão. 

Annales de Medicine Veterinaire — Annos 62 e 63, n. 12, de Dezembrc 
de 1913 e 1 de Janeiro passado. 

Annales de Gembloux — Annos 23 e 24, vols. 12 9 e l 9 , de V> de Dezembro 
de 1913 e 1<? de Janeiro de 1914. 

Annales de 1'Institut Pasteur — Anno 27, tomo 27, ns. 11 e 12, d 
Novembro e Dezembro de 1913. 

La Vie Agricole et Rurale — Ns. 49 a 52 e 1 a 7, de Dezembro e 
Janeiro de 1913 e 1914. 

Bulletin Mensuel de l'Office de Renseignements Agricoles — Paris, 
ns. 10 e 11, de Outubro e Novembro de 1913. 

Bulletin de la Société de Fathologie Exotique — Tomo VI, ns. 9 e 10, 
de Novembro e Dezembro de 1913. 

Bulletin du Service de Folice Sanitaire des Animaux Domestiques — 
Ns. 20, 21, 22 e 23, de Outubro e Dezembro de 1913. 

Anales de la Socieiad Rural Argentina — Anuo 48 9 , vol. 47, n. 6, de 
Novembro e Dezembro de 1913. 

Boletin de la Socièdad Florestal Argentina — Anno I, n. 5, de Julho 
a Setembto de 1913. 

Boletin Mensual dei Museo Social Argentino — Anno II, n. 23, de 
Novembro de 1913. 

Boletin do Ministério de Industrias — Montevideo, ns. 5, 6 e 7, de 1913. 

£1 Fais — Revista Cooperativa de la Campana, publicada sob a direcção do 
Engenheiro Agrónomo Carlos Praderi e dedicada á defesa da producção nacional 
e á diffusão de conhecimentos úteis ás industrias fundamentaes. — Anno I, n. 1, 
de Janeiro de 1914. — Montevideo. 

La Campana — Anno IV, ns. 73 a 78, de Novembro a Janeiro, 1913 e 1914. 

Vargas — Revista de sciencias medicas e pharmaceuticas. — Anno IV, n. 23, 
de Dezembro de 1913. — Caracas. 

La Hacienda — Vol. IX, ns. 2 e 3, de Novembro e Dezembro de 1913. 




REMÉDIO INFALLIVEL COMi OS CARBAPATO 



Offlcialmente apovaflo pelo Governo dos E. U. da America 



Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e outros 
apparelhos para lacticinios 




HACKER l C" 



Rio de Janeiro, S. Paulo, Bello Horizonte, Santos e Bahia 



6-3 

13 



\\^° 



Anno IV 



Abril 1914 



N°. 2 



REVISTA 



DE 




PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 



DO 



Serviço fle Veterinária do Ministério fta Aff ricultnra, Inftustria e Comercio 



SUMMARIO 




I 










A 22a exposição de potros e potrancas nacionaes de 2 annos no 

Jockey-Club 119 

Inquérito sobre o Zebú 122 

COLLABORAÇAO : 

Dr. Nicoláo Athanassof Alimentação das vaccas leiteiras 127 

Dr. Pietro Foschini Raça bovina de Vai de Chiana — 144 

Prof. Roberto Ho ttinger Assumptos de Biologria e Zoote- 

chuia geral 149 

Dr. Octávio Dupont. Contribuição ás pseudo-pestes no 

Brasil 158 

PELAS INSPECTORIAS : 

Informações referentes aos districtos veterinários, prestadas pelos 

respectivos inspectores 160 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES : 

Peste da manqueira 166 

ECOS E NOTICIAS j 

I^eilão de animaes — As raças bovinas da Suissa — Diarrhéa infecciosa 
— Bibliographia • 








RIO DE JANEIRO 

Typographia do Miuisterio da Agricultura, Industria e Commercio 



1024 



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55, Ladeira do Ascurra TELEPHONE 5.418 Rio de Janeiro — 1914 







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RAÇAS CRANDES 



Wyandottes. 



Conchinchinas Branca 

» Preta 

" Ainarella 

» Perdiz 

Brahamas Clara 

Plyraouth Rock Branca 

» » Amarella 

M » Pedrez 

Dorkings Branca 

» Prateada 

" Escura 

Orpingtons Branca 

» Preta 

» Azul 

» Amarella 

8 Jubileo 

Wyandottes Branca 

Preta 



Amarella 

Prateada 

Perdiz 

Columbian 

Azul 



RAÇAS POEOEIRAS 



Rhod Island Red. 
Faverolle. 
Langshans. 
Coucou de Maline. 
Modern Laugshans. 



GALLIfiHAS DE BRIGA 



Indiana. 

Malaya. 

Old Ingiish Game. 

Phenix. 

Modern Game. 



Leghornes Branca 

» Dourada 

Hamburgos Dourada 

» Prateada 

Minorcas Preta 

Andaluza Azul 

Bresse Branca 



GALLINHAS BONITAS PARA PARQUE 

Padoues (de topete) . . . Branca ^ 

» — » — . . Amarella 

» — » — . . Prateada 

« — M — . • Dourada 

» (topete branco) Preta 

Houdan. 



í 



PREÇO DOS OVOS: 15$000 a dúzia 

Perus Americanos — Faisões — Patos de Pekin 

TEMOS UM STOCK DE PERTO DE 2.000 AVES QUE VENDEMOS : 

Ternos de frango de 00$ a 90{ II Ternos de adultos 120$ a 130$ 
o 

Ternos de aniniaes premiados em exposições na Europa de 200$ para cima 



6-2 

14 



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REVISTA 



DE 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 



DO 



Serviço fte Veterinária Ministério fta Aaricultura, Industria e Cominercio 



ABRIL — 1914 



TOMO IV FASCÍCULO II 



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RIO DE JANKIRO 

Typographia do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

1914L 







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REVISTA DE VETERIMniA E ZDDTEEHRIA 

Publicação Offlclal da Directoria do Serviço de Veterinária 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Distribuição gratuita aios criadores do piilz que a solicitarem 






R\0 ftL ^UL\RO * * Caixa Postal 1.678 * * £>RKS\V_ 

A REDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSAP.ILISA PELOS CONCEITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIGNADOS POR SEUS COLLADOR ADORES 



ANNO IV U Abril de 1914 \><\ N. 2 



EXPEDIENTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 
sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 
a interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 
quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



A W EXPOSIÇÃO DE POTROS E POTRANCAS NACIONAES 
DE 2 ANNOS NO JOCKEY-CLUB 

As exposições annuaes, que se effectuam no Jockey-Club com 
o fim de serem examinados os potros e potrancas de dois annos, 
representam uma contribuição muito interessante para aquelles que 
se dedicam á criação do puro sangue inglez entre nós. 

Não podem, ainda, essas exposições do Jockey-Club, representar 
com exactidão o estado actual dessa criação no paiz, em virtude da 
deficiência dos meios de transporte e da enorme distancia em que fica 
o Rio de Janeiro de muitos centros criadores, fazendo com que vários 
proprietários não enviem seus productos para aqui. 

Ha mesmo uma certa tendência de muitos criadores no Rio 
Grande do Sul em só enviar o producto de seus haras para as expo- 
sições regionaes que, cada vez com maior brilho, se realizam nesse 
Estado. 

Concorre também para esse facto, a circumstancia de serem 
quasi todas as exposições do Rio Grande do Sul exposições-f eiras, 
dando um resultado proveitoso immediato aos expositores que não 
têm assim as despezas, bem importantes, de estadia no Rio. 



120 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEJRCIO 

Apezar de tudo isto, porém, não se pôde negar que as exposições 
do Jockey-Club constituem uma demonstração brilhante do esforço e 
dedicação dos nossos criadores e por ellas já se pôde acompanhar o 
progresso que o puro sangue inglez tem feito no Brasil. 

A exposição realisada em 29 de Março do corrente anno, orga- 
nisada pelo Jockey-Club, sob a presidência do Dr. Mariano de Aguiar 
Moreira e tendo como seu principal organisador o Director do 
Stud-Book dessa sociedade, o Sr. Harold Hime Júnior, foi um 
brilhante triumpho quer para o Jockey-Club, quer para os criadores 
brasileiros. 

Entre os animaes considerados de primeira classe, isto é, os puro 
sangue e sete-oitavos, destacaram-se specimens dignos de todos os 
encómios, salientando-se os bellos productos dos haras S. José e 
Pedras Altas, de propriedade dos illustres criadores Drs. Linneu de 
Paula Machado e J. F. de Assis Brasil. Ambos estes criadores têm 
demonstrado uma pertinácia, energia e intelligencia na direcção de 
seus estabelecimentos que causam a admiração dos que sabem que, 
segundo Lord Rosebery, nada é mais precário, nada mais difhcil que 
a criação do puro sangue inglez. 

Os conjunctos que ambos enviaram a exposição trouxeram como 
caracter indelével uma verdadeira uniformidade e belleza nos produ- 
ctos apresentados. A elles se deve reunir o nome do dedicado criador 
do Paraná, o Sr. Carlos Dietzch, que merece encómios principalmente 
pela apresentação do potro " Patrono". 

O potro 'Yago", também se destacou entre os concurrentes, 
sendo justa a menção aqui do nome dos Srs. João Ferreira & Irmão. 

O puro sangue "Ipê", foi um dos productos que demonstram 
o que poderia ter obtido o operoso Dr. João Teixeira Soares, em 
sua fazenda de Santa Alda, se, infelizmente, não tivesse visto seus 
esforços anniquilados pela terrível osteoporose ou cara inchada, contra 
a qual têm sido até agora improfícuas todas as tentativas de 
tratamento e, por vezes, as de prophylaxia. Em comparação com a 
exposição do anno passado, a 22 a Exposição do Jockey-Club, salien- 
tou-se pelo bom estado de saúde dos animaes e pela pequena quantidade 
de taras encontradas nelles. 

Merece também elogios a direcção do Jockey-Club pelo facto de 
ter estabelecido a realisação da exposição, antes da temporada sportiva, 
permittindo assim um melhor exame pela commissão julgadora e ao 
mesmo tempo a possibilidade dos animaes inscriptos tomarem parte 
nas primeiras corridas. 

O Ministério da Agricultura esteve, este anno, representado na 
commissão julgadora, por designação do Sr. Ministro Dr. Edwiges 



REVISTA DE) VHÍT1ÍKINAKIA R ZOOTORCHNIA 121 

de Queiroz, pelo Dr. Paulo Parreiras Horta, Chefe da Secção Technica 
deste Serviço. Entre os outros membros do Jury se encontravam: 
o Sr. General Caetano de Faria, o Sr. Carlos Coutinho, o Commen 
dador Thomaz Rabello, o Sr. Raul de Carvalho e o Sr. Vietor Magcssc 

Os animaes foram examinados com todo vagar pelo Jury, que 
pôde este anuo se pronunciar em condições muito favoráveis de exame, 
em virtude de não se ter realisado a exposição em dias de corridas. 

No dia immediato procedeu o Jury ao julgamento do melhor 
potro e da melhor potranca, únicos que deveriam ser mencionados 
entre os 15 animaes de primeira classe, concurrentes aos prémios 
do Jockey-Club. 

Foi unanimemente classificado como o melhor potro, o "Flaneur", 
de propriedade e criação do Dr. Linneu de Paula Machado, de 
S. Paulo, e como a melhor potranca a "Dictadura", criação da Granja 
de Pedras Altas, do Dr. Assis Brasil, tendo obtido um voto a potranca 
"Folie", do Dr. Paula Machado. 

Entre os de segunda classe coube o premio ao único concurrente, 
a potranca "Fama", do Dr. Linneu de Paula Machado. 

O conjuncto representado pelos animaes: "Flaneur", "Flying- 
Fox", "Folie" e "França", do Dr. Linneu de Paula Machado, 
impressionou agradavelmente pela uniformidade de linhas, succedendo 
o mesmo aos animaes do Dr. Assis Brasil: "Dictadura", Distúrbio", 
"Demónio", Dreadnought" e "Dynamite". 

A criação do Paraná esteve bem representada pelo "Patrono", 
a que coube o premio dos chronistas sportivos. 



K. V Ib 



122 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



INQUÉRITO SOBRE ZEBU 



Tendo augmentado ultimamente o movimento de exportação de 
reproduetores zebús, da zona do Triangulo Mineiro para a zona 
serrana do Estado do Rio Grande do Sul, motivou este facto um 
officio da "União dcs Criadores do Rio Grande do Sul" á Sociedade 
Nacional de Agricultura, solicitando o resultado do inquérito sobre 
o zebú, realizado durante a presidência do Dr. João Baptista de Castro. 

Scientiricada desta occurrencia, a redacção desta Revista pediu 
por sua vez á Sociedade Nacional de Agricultura cópia dos pareceres 
que foram agora emittidos pelos Drs. João Baptista de Castro e 
Eduardo Cotrim. 

Agradecendo a gentileza com que a Sociedade Nacional de 
Agricultura nos attendeu, julgamos prestar um bom serviço aos 
criadores de nosso" paiz, trancrevendo em nossas paginas os doutos 
pareceres dos Drs. Castro e Cotrim. 






UNIÃO DOS CRIADORES DO RIO GRANDE DO SUL 

Porto Alegre, 19 de Janeiro de 1914 — Exm. Sr. Presidente da 
Sociedade Nacional de Agricultura — Rio de Janeiro. 

A annos atraz, essa benemérita Sociedade promoveu um inquérito 
sobre o zebú, sob a presidência de* Dr. João Baptista de Castro, cujo 
resultado, sem duvida, do maior interesse para a pecuária nacional, 
não temos o prazer de conhecer, pois a esse tempo não tinha ainda 
existência a nossa associação. 

Suppondo que essa Sociedade tenha levadtt a cabo a sua feliz 
iniciativa e tenha publicado aquelle resultado, entretanto, apesar dos 
nossos melhores esforços, não temos conseguido tomar delle 
conhecimento. 

Quando mesmo esse resultado não tenha sido publicado, essa 
Sociedade terá archivado os innumeros e abalisados pareceres que a 
respeito de tão importante assumpto recebeu. Seja como fôr, seria 
para nós motivo de vivo reconhecimento, si V. Ex. pudesse nos 
fornecer o que essa Sociedade possuir a respeito. As repetidas 
invasões do zebú no norte do nosso Estado, ameaçando de um modo 
muito serio o futuro da nossa pecuária, nos collc<ca no dever de estudar 
esse problema ; e não o poderiamos tentar de melhor forma, senão 
indo buscar elementos nos estudos já feitos nas regiões do paiz que 



REVISTA DE VETERINÁRIA I? ZOOTRCHNIA 1 23 

de muito cultivam essa raça julgada aqui pelos criadores adiantado 
como um flagello para o melhoramento das raças bovinas qual desde 
alguns annos vem se intensificando especialmente no sul e centro 
do Estado. 

Esperando da solicitude de V. Ex. a satisfação desse nosso pedido, 
antecipamos os nossos agradecimentos, aproveitando este ensejo para 
apresentar a V. Ex. os nossos protestos de elevado apreço e distincta 
consideração. 

Cordiaes saudações — (Assignado) D. M. Rick, I o Vice- 
Presidente em exercício. 



Resposta á consulta da União dos Criadores do Rio Grande do Sul 

Tomei conhecimento da consulta formulada pela Sociedade de 
Criadores do Rid Grande do Sul, acerca do gado indiano — zebú — 
que em tamanha escala se tem introduzido no Brasil, especialmente 
em Uberaba, Minas Geraes, irradiando-se por Goyaz, Matto Grosso, 
Rio de Janeiro, etc. 

Sem reflexão nem estudos sobre os nossos mais vitaes problemas 
económicos, por quem de direito, alguns espíritos mercantis exploraram 
o zebú, attribuindo-lhe qualidades desconhecidas pelos autores de maior 
nomeada, em assumptos zootechnicos, e, no terreno pratico, pelos 
paizes que mais se têm salientado na exploração da industria animal : 
Estados Unidos, Argentina, Uruguay, Neva Zelândia, Africa 
do Sul, etc. 

Com um tal critério, é manifesto o erro d'ahi derivado com 
incalculáveis prejuízos para os criadores brasileiros, na sua quasí 
totalidade imbuídos do espirito de rotina e ignorância do que seja a 
zootechnia e veterinária. 

A questão do zebú tem sido mais que debatida entre nós ; e T 
quando em Uberaba mesmo, não ha muito ainda, tirou-se a prova 
pratica, na balança, contra o zebú, na exposição acolá realizada pelo 
Governo de Minas, onde o caracú, vencedor, veio demonstrar a sua 
superioridade, admira que não se convencessem até agora os seus 
impertinentes partidários, da inconveniência e falta de patriotismo dos 
seus esforços para sustentarem tamanho erro. Anteriormente, tem 
Bello Horizonte, egual triumpho coube a um caracú, o que demonstra 
que não precisávamos senão saber aproveitar as raças existentes no 
paiz, seleccionando-as e melhorando-as antes de tudo, conforme a 
experiência de < utras nações e os conselhos dos mais competentes 
nestes assumptos. 



124 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 

( ) Rio Grande do Sul, tão perto do Uruguay e da Argentina, 
dotado de condições naturaes tão apropriadamente similares ás desses 
paizes pastoris, não deve voltar suas vistas senão para elles e imital-os, 
si quizer progredir, caminhar. Infelizmente essa é a verdade inteira, 

em todos os terrenos. 

O Brasil não deve aspirar a produzir carne e outros productos 
derivados do gado para os seus próprios mercados somente, mas 
também para supprir os mercados externos. Os estrangeiros que já 
se vêem apossando' de extensas regiões de pastagens naturaes em 
nosso território, nos diversos Estados mais bem dotados á esse respeito, 
estão nos indicando o caminho do futuro. 

Os frigoríficos estac* surgindo embora as mil difficuldades inhe- 
rentes a este nosso meio retrogado, disposto sempre a embaraçar ou 
impedir qualquer progresso, e elles não contam tampouco com o 
abastecimento único dos nossos mercados nacionaes. 

Quem estuda um| pouco estas coisas, sabe perfeitamente que nesse 
commercio jamais predominou a carne e mais productos vindos do 
gado indiano, que não possue nenhum dos predicados exigidos peles 
consumidores mais exigentes e conhecedores do artigo. 

A Sociedade dos criadores rio-grandenses terá vantagens em trocar 
idéas com as suas congéneres do Uruguay e Argentina, e, no Brasil, 
recorrer ao Posto Zootechnico Central "Dr. Carlos Botelho", em São 
Paulo, sob a direcção do nosso distincto amigo Dr. Misson, que lhe 
remíetterá, estamos certos, de bôa mente, todas as publicações daquelle 
estabelecimento modelar e utilissimo. 

São estas as considerações que me occerrem, e oxalá possam ellas 
concorrer de alguma sorte para o proveito da Sociedade de criadores 
rio-grandensies. — (Assignado) João Baptista de Castro. 



Resposta á consulta da União dos Criadores do Rio Grande do Sul 

A questão de importação de gado indiano com o fim de melhorar 
o nosso, já está por demais debatida e parece pouco razoável a 
obstinação dos que suppõem que o gado, por sua natureza, primitivo 
e selvagem, possa melhorar qualquer cousa o nosso gado, que é hoje 
o produeto do abandono e da incúria dos criadores desprevenidos. 

Que qualidade se attribue ao boi. indiano, para justificar a 
preferencia, que alguns criadores entendem dever aconselhar? 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECIINIA 1 25 

A rusticidadc? mas isso é attributo de animal selvagem por 
natureza e cujos caracteres são o produeto de selecção natural em que 
predomina a forca contra a qualidade. 

Náo é sem duvida esse o critério que deve dominar no magno 
problema de melhoramento do gado no território do Brasil. 

Se, com a máxima tolerância, fosse permittida a justificação do 
gado indiano nas catingas estéreis e seccas dos Estados do Norte, 
nunca essa justificativa teria cabida no Estado do Rio Grande, onde 
pelas suas condições climatéricas e forrageiras, o gado melhorado de 
origem européa tem inteira applicação, já consagrada por innumeros 
exemplos e pela experiência bem prolongada. 

Entendo que nenhum erro pôde ser maior, para a criação do Rio 
Grande do Sul, do que permittir a intreducção do zebú nas suas 
mandadas. O Estado de S. Paulo, que não está em relação á industria 
pecuária, no posto de evidencia do Rio Cirande do Sul, já de ha muito 
interdictou a entrada do zebú, apesar de sua visinhança com o 
município de Uberaba, no triangulo mineiro, centro da introducção do 
zebú e da obstinação em julgar a questão pelo seu lado menos racional, 
ou talvez mesmo por isso. 

Tenho repetido com insistência que a solução do problema está 
no correctivo do meio para que o gado melhorado oriundo do bos 
taurus encontre facilidade de adaptação. A experiência e a observação 
confirmam o meu modo de entender, que parece dominar já o espirito 
da maioria dos. nossos criadores que não têm o interesse immediato e 
personalissimo na diffusão do zebú. 

A guerra aos parasitas do gado, aos quaes em geral é refractário 
o zebú, mesmo pelas suas condições selvagens, vem produzindo os 
desejados effeitos: a applicação dos banhos carrapaticidas, que 
introduzi no Brasil desde [909, vae tomando uma extensão que só é 
explicável pelos effeitos salutares da extineção dos parasitas da pelle, 
entre os quaes avulta o carrapato. 

A solução que pretende introduzir o animal selvagem e grosseiro, 
unicamente porque dispensa a hygiene veterinária do expurgo do meio, 
é anti-racional e sobretudo anti-economica. Não é seguramente com o 
produeto do cruzamento do zebú que se conseguirá collocar o Brasil 
no numero dos paizes produetores de carne, lugar que fatalmente lhe 
está reservado- pela natureza de sua posição geographica e pela riqueza 
de seus campos. Todos os economistas reconhecem 1 que na America 
do Sul estão concentradas as condições precisas para a grande criação 
de gado que deve abastecer o mundo. Os paizes do Rio da Prata bem 
cedo estão mostrando sua incapacidade para produzir tanto quanto 



126 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

seria desejável e o Brasil precisa metter hombros á obra colossal da 
organização de seus rebanhos, única alavanca capaz de impulsionar o 
seu progresso e criar verdadeiras fontes de riqueza. 

Ainda agora se observa um facto característico e que já eu previa 
ha cinco annos, quando em uma conferencia realizada na sede da 
Sociedade de Agricultura de S. Paulo, mostrei que o primeiro passo 
a dar-se na organização dos matadouros modelos seria a transformação 
da matéria prima, isto é, do gado destinado a ser abatido em taes 
estabelecimentos. 

A crise porque passa actualmente a Companhia Frigorifica e 
Pastoril de S. Paulo é consequência fatal da natureza da matéria prima 
que faena no seu matadouro, aliás aperfeiçoadissimo, de Barretos. 

Contra a guerra tenaz que ofTerecem todos os interessados no 
statu-quo em S. Paulo, a companhia não pôde se defender de uma 
maneira efficaz, porque não dispõe de gado suficientemente aper- 
feiçoado para offerecer a carne aos mercados estrangeiros. 

O grande óbice, talvez único, se encontra na qualidade da carne 
do mestiço do zebú que só pôde ser consumida no paiz e que não 
supporta a concurréncia tão necessária no desenvolvimento da 
industria e ccímmercio internacional. 

Os mais prejudicados são justamente os criadores que, n'esse 
caminho, nunca conseguirão conquistar outros mercados e estarão por 
isso permanentemente atados ás imposições da especulação do mercado 
interior onde a parte do leão sempre cabe ao intermediário retalhista 
em prejuízo final do criador. As crises de preço da carne se resolvem 
sempre com o saque á algibeira do criador, cabeça de turco voluntário, 
porque se deixa vencer pela propaganda contra seus próprios interesses. 

O Estado do Rio Grande do Sul é sem duvida o mais interessado 
de todos os da communhão brasileira e por isso eu entendo que a 
controvérsia constitue um máo indicio. Esse problema para o grande 
estado meridional da confederação- brasileira está resolvido de maneira 
peremptória e o futuro de sua industria de carnes conservadas pelo 
frio, que tem a solução final no franqueamento da barra do Rio 
Grande do Sul ficará seriamente compromettida se os poderes publicou 
ali, a exemplo do que se fez em S. Paulo, não tomarem medidas 
assecuratorias do futuro de sua principal industria, interdictando a 
entrada do zebú, como verdadeira praga nacional. 

Esse é o meu modo*' de entender, que eu não hesito em proclamar 
todas as vezes que se me offerece uma opportunidade. 

Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 1914 — (Assignado) Eduardo 
Cotrim. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTEC1IXIA 127 



COIXABQRAÇÃO 

ALIMENTAÇÃO DAS VACCAS LEITEIRAS 

v 

(Vide n. 1 Q , Fevereiro, 1914) 

Uma vez conhecidas as exigências nutritivas e as normas recom- 
mendadas para bem satisfazel-as, resta-nos estudar as forragens, que 
com resultado possam ser utilisadas na alimentação das vaccas leiteiras. 
Grande é o numero dessas forragens, mas nosso fim, neste capitulo, 
consiste apenas em examinar sumariamente algumas delias, das mais 
empregadas, sem portanto pretendermos escrever um tratado completo 
sobre o assumpto. 

Para maior facilidade dividiremos as forragens que vamos estudar 
em três grupos, bem distinctos entre si, não somente pela quantidade 
de agua e principios nutritivos, como pela natureza, e estado de 
conservação : 

I — Forragens verdes....! T ^ , 

_ . ° , j> 1 — rorragens verdes 

2 — Raízes e tubérculos J 



L te" 



3 — Palhas ] 

4 — Fenos 

5 — Grãos e farinhas de 

cereaes e leguminosas 
6 — Resíduos industriaes 



seccos. 



II — Fenos 



III - — Forragens concentradas 



As forragens verdes são, como sabemos, 
I — As forragens verdes constituídas pela parte aérea das plantas, 

que ainda não terminaram seu completo 
desenvolvimento. Taes são, por exemplo, todas as gramíneas, legu- 
minosas, etc, consumidas verdes pelas vaccas leiteiras. Estas forragens 
são de grande importância para a alimentação do gado leiteiro nas 
nossas condições, quer sob o ponto de vista económico, quer pelo lado 
hygienico. Seu valor é muito variável, dependendo da espécie, da 
variedade, da edade, da fertilidade e natureza do solo, e das condições 
meteorológicas, durante o período da vegetação, etc. 

O verde convém muito ao gado leiteiro, podendo entrar em sua 
ração em grande quantidade, podendo chegar em muitas condições 
até a constituir a ração completa. Os ruminantes, particularmente, 



128 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

pela conformação especial de seu estômago, são ávidos por ellas e 
comem-nas em grande quantidade e com real proveito. Taes forragens 
contêm geralmente elevada proporção de agua, razão por que o gado 
se vê obrigado a ingeril-as para seu sustento em maior quantidade, 
principalmente quando lhe não são addicionadas outras forragens 
concentradas ou seccas. 

Algumas das forragens verdes exigem um cuidadoso emprego, 
devido ás suas propriedades, podendo occasionar a meteorisação em 
consequência de uma abundante producção de gazes. Este accidente 
é particularmente frequente com as leguminosas ou quando se 
distribuem as forragens molhadas pela chuva ou pelo orvalho, ou 
então quando fermentadas, devido a ficarem amontoadas durante 
muito tempo. 

A matéria secca varia nas forragens verdes de 10 a 35 °|°, sendo 
em média de 16 a i8°|°. São, pois, como já dissemos, muito aquosas, 
principalmente quando muito novas. Devido á pequena quantidade 
de cellulose que contêm, seu coefnciente de digestibilidade é bastante 
elevado. 

As condições climatéricas permittem entre nós o emprego dessas 
forragens durante quasi todo o anno ; dahi poder-se dizer que ellas 
constituem a base da alimentação do gado leiteiro. Entre as próprias 
para corte, de que mais uso se faz na alimentação do gado leiteiro 
convém citar em primeiro logar os capins nacionaes, taes como angola, 
capim fino, marmelada, milha, colónia, jaraguá, chloris, graminha, etc. 
Em nosso paiz são as forragens verdes sem duvida muito bem conhe- 
cidas pelos nossos criadores e devidamente apreciadas não só pelo 
seu valor alimenticio, como pela sua rusticidade, seu rendimento 
elevado e cultura extremamente fácil, algumas mesmo nascidas espon- 
taneamente dando ainda rendimento satisfactorio. 

Desses vários capins nacionaes cultivados 110 Posto Zootechnico 
de S. Paulo foram observados os seguintes rendimentos, consignados 
juntamente com as respectivas quantidades de matéria secca no 
quadro abaixo : 



Nome da forrafem 



Rendimento verde 
por hectare 



Matéria secca 
calculada por néctar 



Capim Angola 

» fino 

» milha 

» colónia 

» jaragruá 

Chloris virgata 

Graminha 

Paspalum dilatntum 



198.000 
145.000 
131.000 
102.000 
117.000 
134.000 
78 . 000 
107.000 



16.7 

1S.7 

16.0 

19-5 
22.0 
23.8 
35-o 
18.6 



33-o66 

27-115 
20.960 
19.S90 
25-740 
31.892 
26 . 250 
19.902 



RBVISTA DK VKTKKINAKlA K ZOOTKCHNIA 



12') 



Pelo quadro acima vê-se que a matéria secca, calculada por 
hectare, varia de 33.066 a [-9.890* emquanto que o \cnlc varia de 
10,8.00o a 78. coo kilos. Sua composição em princípios nutritivo; í 
bastante variável, porém, em média, podemos (ornai- os seguintes dados, 
que poderão servir para calculo das rações: 



Designação da forragem 



Princípios brutos 






Princípios cligesliveis 



>, 


« 















t/5 


Ih 


U 





1J 


</) 




U C3 


«73 


§ 





CS g. > 

o o'J3 



Chloris virgata 

Capim Angola 

Capim fino 

Paspalum dilatatum. 

Capim milha 

Graminha 

Capim colonião. 

» jaragná 

» favorito 

Marmelada 



23.82 


3-37 


0.81 


9.84 


7-43 


2.42 


0.50 


11. 6 


15.2 


23.27 


3.26 


0.63 


7-57 


9.26 


2-3 


0.4 


10.5 


13.8 


29.53 


2.28 


0.68 


11 .90 


12. 19 


1.6 


0.4 


15-5 


18.2 


18.69 


2.12 


0.46 


7.42 


4.81 


1-52 


0.28 


8.15 


10.34 


16.00 


1.87 


0.22 


5-93 


6.18 


1-34 


0.14 


7-77 


9-44 


35-07 


2.77 


0.63 


17. So 


10.20 


2.00 


0.4 


18.8 


21.8 


19. j6 


1.71 


0-34 


7.72 


7-S 5 


1.23 


0.21 


10.03 


12.76 


22.09 


1.29 


0.46 


9-75 


8.00 


0.9 


0.3 


11. 6 


12.2 


8-54 


1-34 


0.29 


2.9 


13.18 


1 .0 


0.2 


3-9 


5-4 


19.64 


1.26 


0.43 


7.90 


7-45 


1.26 


0.27 


9-93 


11.83 



5-3 

4.9 

10. o 

5-1 

8-3 

10. o 

8. 56 

13-3 
4.1 

8.3 



Os capins verdes são também sob o ponto de vista económico 
muito vantajosos e sob tal consideração elles ainda por muito tempo 
hão de constituir a base da alimentação do gado leiteiro. São muito 
appetecidos e favoráveis á producção do leite de boa qualidade. Sua 
composição melhora, quando cultivados racionalmente em terras boas 
e bem adubadas. Alguns, como a marmelada, crescem exuberante- 
mente no tempo das águas, emquanto outros podem ser aproveitados 
durante todo o anno. Alguns prestam-se egualmente á fenaçao, dando 
um feno de qualidade regular. O gasto diário, por cabeça, pode variar, 
de 15 a 40 kilos. 

A CANNA — Cultivada entre nós em larga escala, é utilisada 
com grande proveito na alimentação do gado. Emprega-se toda a 
canna ou somente suas pontas, quando ella é destinada aos engenhes. 
E' uma forragem de grande rendimento, que se torna ainda mais 
preciosa porque sua colheita coincide justamente com. ?. falta das 
outras forragens, de Julho a Outubro. Sua composição é variável, 

K. V- 17 



130 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

conto se vê pelo quadro junto, dependendo ella não somente da 
qualidade da canna como da parte considerada : 



Designação 



01 


Princípios brutos 


Princípios 


digestiveis 




* 


O 

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W 




o 

s- 




«T313 

<< 





Canna taquara, inteira... 

» >i brotos 

Canna de assucaf. folhas. 



14.12 


0.66 


0.40 


7.S6 


4.4O 


14.61 


1-34 


o.35 


5.62 


5-90 


20.44 


1.42 


0-45 


8. 48 


7-99 


15-5.8 


0.76 


0.30 


S\Ó2 


4-83 


27-33 


0-95 


0.63 


I2.05 


12.47 



°-5 

1.00! 0.2 

i.ooj 0.3 

0.5 j 0.2 

0.7 O.4 



8.3 


9 3 


7-4 


8.9 


10.6 


12.3 


9.0 


10. 


16.2 


17. s 



18. s 

S.2 

II .1 

17.6 

25.2 



E' uma forragem que pôde entrar na ração na dose de 10 a 
15 kilos, por dia e cabeça, não convindo ser augmentada para o gado 
leiteiro. E' distribuída sempre fresca, picada, evitando-se amontoal-a 
depois de tal operação, pois fermenta facilmente e assim distribuida 
pôde causar perturbações digestivas. Pôde ser incorporada aos farelos 
ou ás farinhas ou ser distribuida só. As manjedouras devem ser bem 
limpas, pois devido ao assucar a canna attrahe muitas moscas. Para o 
gado leiteiro é preferível empregar a canna inteira, picada. 

O SORGHO FORRAGEIRO — Fornece uma colheita abundante 
de forragem verde, muito procurada pelo gado bovino e de valor 
alimentieio egual ao do milho forrageiro. Cem partes de sorgho contêm, 
além de 21.5 o ] de matéria secca, os seguintes princípios digestiveis : 



Proteína 

Matéria graxa 

Matérias hydrccarbonadas 

Total dos princípios nutritivos. . . . 



1.4 

0-3 
10.8 
12.9 



A planta tem mais a vantagem de dar annualmente dois a três 
cortes e na época em que faz mais falta a forragem verde, ao passo 
que o milho dá um só. Algumas vezes, quando é consumido muito novo, 
o sorgho, observam-se alguns casos de envenenamento, os quaes, 
segundo o professor Moussu, são caracterisadas por tremores, meteo- 
risação e desejo frequente de urinar. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTKCHNIA 1 .' I 

Envenenamentos desta natureza foram estudados por K. Dunstan 
€ A. Henry, que attribuem a causa á presença de acido cyanhydrico, 
na proporção de o.2 (, | u . Este acido não existe em estado livre, mas 
é devido a um enzima hydrolitico, que, agindo, decompõe o glycoside 
Ryanogenetico. 

O sorgho pôde ser dado ao gado, inteiro, ou então picado, de 
mistura com alguns farináceos. E' forragem muito appetccida e 
procurada pelo gado leiteiro. Não deve ser cortado muito novo, nem 
dado em dose superior a 25 ou 30 kilos por dia e cabeça. Quando não 
-é possível consumir verde toda a producção póde-se fenal-o, sendo o 
feno muito nutritivo, saboroso e muito acceito pelo gado leiteiro. 

Outra forragem muito semelhante é o theosinto, possuindo com- 
posição quasi idêntica á do sorgho e constituindo também excellente 
forragem verde. 

O Adi LHO FORRAGEIRO — E' consumido verde mais ou menos 
quando começam: a apparecer as flores masculinas, não convindo 
esperar muito, porque as hastes, tornando-se duras, são regeitadas 
pelo gado, perdendo-se assim grande parte da forragem. Exami- 
nando-se sua composição vê-se que se trata de uma forragem bastante 
aquosa, que convém particularmente ao gado leiteiro, distribuída com 
um complemento de forragens mais ricas, taes como alimentos seccos 
e concentrados. Cem partes de milho verde contêm 17.2 de materíia 
secca e os seguintes principios digestiveis : 

Proteína 0.7 

Matéria graxa 0.2 

Matérias hydrocarbonadas 8.2 

Total dos principios nutritivos 9.4 

Distribuído, como dissemos, de mistura com outros alimentos 
mais ricos, o milho é favorável á secreção láctea, obtendo-se um- leite 
abundante ; dado, porém, só origina uma certa diminuição na lactação. 
Seu consumo pôde ser feito verde directamente, ou ensilado, pratica 
muito usada na America do Norte. A conservação, feita em silos, 
onde o milho soffre a fermentação, faz-lhe adquirir uma côr verde- 
amarellada e um odor accentuado, acido ou ligeiramente doce, 
tornando-o bem acceito pelo gado bovino e ovino, quando ella é bem 
feita. Cem partes de milho ensilado contêm 17.7 de matéria secca e os 
seguintes principios nutritivos digestiveis : 

I 'roteina digestivel 0.8 

Matéria graxa 0.6 

Matérias hydrocarbonadas 9- 1 

Somma dos principios nutritivos 4.3 



132 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

O milho ensiladc pôde ser ntilisado de preferencia na alimentação 
do gado destinado á engorda, dando-se diariamente mais ou menos 
40 a 50 kilos e por 1.000 kilos de peso vivo. Seu emprego, porém, 
na alimentação do gado leiteiro é de pouco proveito, accrescendo ainda 
a circumstancia de não haver entre nós grande necessidade de se 
fazer a ensilagem, visto como podemos ter o milho verde durante o 
anuo inteiro. 

Quando a cultura do milho é bem feita podemos avaliar o seu 
rendimento, por hectare, em 100-130 toneladas, o que corresponde a 
cerca de 32 a 35.000 kilos de matéria secca e cerca de 2.600 kilos de 
proteina bruta. E', pois, uma forragem de grande rendimento, que 
oríerece enormes recursos ao criador, quando economicamente pro- 
duzida. 

Com a utihzação das flores verdes, depois da fecundação, quando 
o milho é cultivado para a producção de grãos, tem-se registrado alguns 
accidentes no apparelho urinário, traduzidos por cólicas nephriticas e 
formação de cálculos nos rins. No milho é a uríica parte toxica, desap- 
parecendo, entretanto, os effeitos nocivos desde que se dessequem as 
flores. Em todo caso é sempre preferivel só usal-as em muito pequena 
quantidade. 

A AVEIA FORRAGEIRA — A aveia é pouco conhecida entre 
nós, como forragem verde, achando-se já, porém, enormemente espa- 
lhada na Europa e nas Republicas do Sul sua cultura para tal fim, 
sendo ella até pastada directamente pelos animaes, cortada para ser 
consumida verde nos estábulos, ou fenada, dando um feno muito apre- 
ciado. Na Republica Oriental a aveia é plantada em varias estancias 
em grandes extensões, onde é pastada pelo gado bovino e ovino. 

Nas nossas condições a aveia poderá ser plantada de Dezembro a 
Março, de preferncia no fim das grandes chuvas, podendo dar dois a 
três cortes, quando cortada antes de formar a panicula. E' uma for- 
ragem que poderia ser aproveitada também de Junho em deante, 
quando escasseam as outras. 

Cem partes de aveia contêm de matéria secca 19.000 para o verde, 
88.5 para o feno e 83.3 para a mistura de aveia e vicia, e os seguintes 
princípios nutritivos : 

Verde Feno Mistura de aveia e vicia 

Matéria azotada 1.4 3.8 7.2 

Matéria graxa 0.2 0.9 1.1 

Matérias hydrocarbo- 

nadas 8.5 38.9 35.0 

Total dos princípios 

nutritivos.. 10.4 44.9 44-8 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTKC UNIA 1 33 

() feno é bastante rico e muito apreciado pelos equinos. A aveia 
e plantada ainda de mistura eom uma leguminosa, ervilhas OU ervi- 
lhacas, que lhe augmentam muito o valor, tornando-a extremamente 
favorável á prodncçào do leite. Entre nós talvez se pudesse substituir 
em tal easo as ervilhas pela mandnvira pequena. Apresenta a aveia o 
inconveniente de serem bastante earas suas sementes, sendo a cultura 
frequentemente atacada pela ferrugem; parece, entretanto, que eom 
um corte opportuno se pôde fazer desappareeer esse mal. 

Póde-se dar, verde, de 10 a 30 kilos por cabeça, formando-se 
assim com ella um terço da ração, matéria seeca, e, fenada, quatro a 
cinco kilos. 

A MO HA DA HUNGRIA — E' uma forragem muito espalhada 
nos paizes meridionaes, consumida verde ou fenada, sendo acceita de 
bôa vontade por todos os animaes. Como forragem verde é preferível 
reserval-a para os bovinos, podendo substituir o milho verde ou ser 
dada de mistura com elle. Seu valor nutritivo é superior ao do milho, 
como se pôde ver pela analyse abaixo. Cem partes de moha contêm, 
para o verde, de matéria seeca, 26.0 e, para o feno, 86.6, e os seguintes 
principios nutritivos : 

Verde Feno 

Matéria azotada 1.8 6.1 

Matéria graxa 0.3 0.9 

Matérias hydrocarbonadas. 12.0 41.0 
Total dos principios nutri- 
tivos 14.5 49.3 

A moha é colhida na occasião da formação das paniculas e quando 
cortada mais cedo ainda produz uns brotos, que as vaccas e os car- 
neiros gostam de pastar. E' uma forragem verde muito bôa para o 
gado leiteiro, sendo o feno excellente para os equideos. Essa forragem 
não é conhecida entre nós ; entretanto, as experiências que delia estão 
sendo feitas demonstrarão sem duvida afirmativamente a possibili- 
dade de sua cultura e seu valor forrageiro. 

A ESP ERG U LA — E' uma planta forrageira da família das 
caryophylaceas, cultivada na Allemanha e na Flandres belga, parti- 
cularmente para o gado leiteiro. Cem partes de espergula contêm 20.0 
de matéria seeca e os seguintes principios nutritivos digestiveis : 

Matéria azotada 1.5 

Matéria graxa 0.3 

Matérias hydrocarbonadas 9.8 

Total dos principios nutritivos.... 12.0 



134 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA Eí COMMERCIO 

E\ pois, como se vê, unia forragem de primeira ordem, muito 
acceita pelo gado vaccum, quer consumida verde, no estabulo, quer 
pastada. Dá também um feno macio e aromático, quando preparado 
em boas condições. Expõe um pouco o gado a meteorisaçÕes, sendo 
por isso necessárias algumas precauções, distribuindo-se-a de prefe- 
rencia de mistura com uma forragem secca. Experiências feitas entre 
nós, desde 1908, no Posto Zootechnico Central, de S. Paulo, indicam 
como rendimento verde, por hectare, 36.265 kilos, o que é muito pouco, 
tornando-se, pois, em taes condições uma forragem relativamente cara. 
E' provável que em terras de melhor qualidade seja maior a producção r 
deixando ella, porém, sempre um pasto, que o gado come com proveito. 

AS COUVES FORRAGEIRAS-- Utilizadas na alimentação do 
gado leiteiro em certos paizes europeus, seu uso em outros é limitado 
exclusivamente aos suínos. Pouco usadas entre nós, merecem, entre- 
tanto, ser cultivadas em larga escala. 

São conhecidas diversas variedades, distinguindo-se umas das 
outras apenas pelo maior ou menor rendimento, e pouco pela sua 
composição. A colheita é feita progressivamente, principiando-se pelas 
folhas inferiores, tirando-se de cada vez 3-4 por pé, sem offender a 
haste. Finda a colheita das folhas, as próprias hastes são dadas aos 
porcos, ou picadas para o gado. As couves constituem excellente for- 
ragem para o gado vaccum e suino, particularmente quando cultivadas 
por irrigação para a colheita em Maio a Dezembro. 

E' uma forragem que contém até 90 °|° de agua, variando sua 
matéria secca de 9-14 °|°. Cem partes de couve contêm, em média, 14.3 
de matéria secca e os seguintes ■' princípios nutritivos digestiveis : 

Matéria azotada 1.8 

Matéria graxa 0.4 

Matérias hydrocarbonadas 7.4 

Somma dos princípios nutritivos... 10.2 

Calcula-se, na pratica, que 5-6 kilos de couves podem substituir 
um kilo de feno. Elias favorecem a secreção do leite e augmentam sua 
manteiga. Malpeaux, estudando as couves forrageiras em comparação 
com as beterrabas, observou um augmento na quantidade do leite, não 
sendo sensível a diííerença quanto á manteiga, cuja qualidade é bôa, 
desde que não se exagere a dose dessa forragem. A quantidade a 
empregar deve ser de cinco a dez kilos por dia e cabeça ; uma dose 
elevada na ração poderá communicar um odor forte e desagradável 
ao leite e á manteiga. 



revista de veterinária e zootechnia L35 

Podemos ainda nesta parle mencionar as folhas e liastes da ramir, 
que em certas condições poderão ser titilisadas com resultado na ali- 
mentaçao das vaccas leiteiras. 

AS LEGUMINOSAS VERDES — São de extraordinária im- 
portância na alimentação do gado leiteiro pela sua composição e parti- 
cularmente pela proporção de matérias azotadas, que contêm. Seu 
emprego como alimento verde é muito pouco conhecido entre nós, 
devido a certas dificuldades culturaes, que o criador tem de vencer, 
principalmente para as mais valiosas, como a alfafa, o trevo, etc. Per- 
tencem ainda a este grupo as vicias, as ervilhas, os cozv-peas, a mandu- 
vira, os desmodium, etc. Todas estas leguminosas distinguem-se das 
gramíneas por uma maior proporção de matérias azotadas e riqueza 
em CaO e P2O5. 

As leguminosas verdes encerram em geral 67-86 °|° de agua, pro- 
porção que é tanto mais elevada quanto mais nova fôr a forragem. 
São ricas em matérias azotadas digestiveis, que residem principalmente 
nas folhas e na flor, sendo que as folhas são 2-3 vezes mais ricas do que 
as hastes. 

Entre as leguminosas podemos mencionar em primeiro logar a 
alfafa, que, quando cultivada em terrenos apropriados e bem prepa- 
rados, dá um grande rendimento, sendo económica sua cultura. Seu 
cultivo aqui se acha mais espalhado nos Estados do Sul, onde ella mais 
prospera. Esta forragem em estado verde é muito bem acceita pelo 
gado leiteiro, devendo ser cortada para o consumo um pouco antes de 
florescer. Quando é dada nova, apresenta o inconveniente de occasionar 
meteorisações e até a morte do animal. 

Para evitar a meteorisação deve-se distribuir a alfafa sempre 
depois de uma forragem secca, ou então de mistura com palha ou 
feno. E' preciso egualmente evitar o seu consumo verde, quando ella 
permanece amontoada e principia a entrar em fermentação. E' muito 
apreciada pelo gado leiteiro e extremamente favorável á secreção 
láctea. 

São numerosas as leguminosas nacionaes, mas até hoje ainda não 
se conseguiu cultival-as racionalmente, de modo a serem preferidas á 
alfafa. Entre ellas merecem referencia os desmodium, principalmente 
a jiquerana de Goyaz (Desmodium tortuosum) e a marmelada de 
cavallo (Desmodium leiocarpum) ; e a manduvira (Crotalaria vitel- 
iina). Estas se não se prestam a formar culturas puras são de grande 
vantagem nos pastos. As manduviras talvez fossem melhor acceitas 
pelo gado cie mistura com um cereal. 



136 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA EJ COMMERCIO 

Sobre as outras leguminosas nacionaes pouco se pôde adeantar, 
desde que se não mostre vantajosa sua cultura, convindo, entretanto, 
espalhal-as pelo menos nas pastagens. 

As raizes e os tubérculos utilisados na 
Raizes e tubérculos alimentação dos animaes caracterisam-se 

particularmente pelo seu elevado ieôr em ma- 
térias bydrocarbonadas facilmente digestiveis, as quaes se apresentam 
sob a forma de amido, assucares e matérias pecticas. Uma bôa parte 
egualmente da proteína bruta acha-se nellas sob a forma de amidos. 
São pobres em cellulose e matérias graxas, assim como em cal e acido 
phosphorico, porém, ricas em potassa e sódio. 

Devido á grande proporção de agua que contêm, as raizes e os 
tubérculos precisam ser consumidos simultaneamente com uma for- 
ragem secca e não constituir exclusivamente a ração. Podem ser dados 
na dose de 10 a 50 kilos, por dia e cabeça, chegando assim a constituir 
um terço da matéria secca da íação. Para o gado bovino são fornecidos 
picados, podendo ser dados inteiros aos suinos. 

Entre os mais conhecidos podemos mencionar aqui a beterraba, a 
cenoura, os nabos, a batata doce, a mandioca, etc, que. empregados 
moderadamente, permittem, ao criador tirar vantajosos proveitos 
sabido que quasi todos elles amadurecem justamente na época da secca, 
em que vem a penúria de forragem verde. Podemos também incluir 
nesta categoria as abóboras, empregadas preferentemente na alimen- 
tação dos suinos, e cuja composição muito se approxima da das raizes. 

A forte proporção de agua de vegetação, que encerram as raizes 
e os tubérculos, favorece a secreção láctea, sabendo-se que para o bom 
funccionamento da glândula mamaria é sempre indispensável um re- 
gimen semi-aquoso. Não é possivel constituir-se a ração exclusivamente 
com elles, porque, ricos -em agua, são pobres em principios nutritivos, 
especialmente em matérias azotadas. Dahi a necessidade de se lhe 
addicionar na ração alguns alimentos seccos, ricos principalmente em 
matérias azotadas, taes como resíduos industriaes concentrados, ou 
farináceos. Para a alimentação do gado, as raizes e os tubérculos 
deverão ser picados com uma machina especial e distribuídos depois de 
juntos á sufficiente quantidade de farináceos, feno, palha picada e sal. 

A grande proporção de agua que contêm accrescida ás vezes de 
elevada dose de sáes mineraes, quando se excede a quantidade que pôde 
sem inconveniente ser dada aos animaes, determina uma diarrhéa mais 
ou menos persistente. E' o que se dá frequentemente com as beterrabas, 
sendo necessário, quando com ellas se alimentam as vaccas, fiscalisar, 
ao mesmo tempo, o rendimento em leite, o peso e o funccionamento 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 37 

do apparélho digestivo, as fezes, de modo a poder-se intervir ;i tempo 
e prevenir o mal, tirando-se assim o melhor partido com o seu emprego. 

A BETERRABA — E' uma planta da família das Chenopodia- 
ceas, de raiz carnuda e muito conhecida nos paizes europeus, onde 
principalmente é utilizada na alimentação do gado assim como na <\ 
tracção do assucar conforme a variedade considerada. Dahi sua dis- 
tineção em beterrabas forrageiras, assucareiras e semi-assucareiras. 
A cultura da beterraba é de preferencia recommendâvel no sul da 
Republica, onde as condições são mais favoráveis, conforme o têm 
demonstrado varias experiências. Aqui, no centro do Brasil, sua cultura 
é possível e remuneradora, variando o rendimento de 25 a 60 toneladas 
por hectare para as variedades pequenas e até 90 para as grandes. 
Convém todavia observar que o rendimento para determinada varie- 
dade está directamente sob a dependência da natureza do solo, da 
adubação, do preparo, etc. O rendimento observado aqui em o nosso 
campo de experiência para a variedade Mamouth foi de 90 toneladas 
de raizes e 45 de folhas, perfazendo um total de 135 toneladas. 

As variedades forrageiras são mais pobres em assucar, porém, 
mais ricas em matérias azotadas e de maior rendimento por hectare. 
Cem partes de beterraba contêm 11.0 de matéria secca para as varie- 
dades grandes e 13.0 para as pequenas e os seguintes princípios nutri- 
tivos digestiveis : 

Variedades grandes Variedades pequenas 

Matéria azotada 1.0 0.9 

Matéria graxa 0.06 0.06 

Matérias hydrocarbonadas 6.9 10.2 

Total dos princípios nutritivos 8.0 11:2 

A beterraba é um alimento de primeira ordem para os bovideos 
em geral e em particular para as vaccas leiteiras, sendo extremamente 
favorável á secreção 1-actea. Contêm pequena quantidade de cellulose 
e é muito digestivel, convindo ser empregada para combater os máos 
effeitos de um prolongado regimen secco. Pôde ser dada na dose de 
to a 50 kilos por cabeça e por dia, devendo sua introducçao na racção 
ser feita gradativamente, misturando-se de preferencia 10 partes de 
beterraba com uma parte de feno picado. E' dada geralmente crua, 
picada, sendo também dada cosida aos animaes doentes ou convales- 
centes e que soffrem de affecções intestinaes. As beterrabas estragadas 
e podres devem ser retiradas da alimentação, pois podem occasionar 
accidentes graves. 

OS NABOS — São cultivados em grande escala na Inglaterra, 
na França e outros paizes europeus para a alimentação do gado. Entre 

K. V- l8 



138 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

nós são cultivados com bons resultados quando plantados em Março 
ou Abril. As experiências feitas no Posto Zootechnico com a variedade 
"turuips-branco-amarellado" são bastante animadoras, tendo-se obtido 
na primeira 26.500 kilos e na segunda 35.000 kilos por hectare. 

E' uma forragem rica em agua e de valor nutritivo inferior ao 
da beterraba e da cenoura, como se pode ver pela analyse abaixo. Cem 
partes de nabo contêm 92 de agua e os seguintes princípios nutritivos 
digestiveis : 

Proteína 0.7 

Matéria graxa 0.07 

Matérias hydrocarbonadas 5.2 

Total dos princípios nutritivos 6.1 

Mesmo assim, seu emprego para a alimentação das vaccas leiteiras 
é recommendavel, associado sempre a alimentos concentrados. Ao gado 
vaccum o nabo é dado picado, podendo ser dado inteiro, com as folhas, 
aos suinos. A não ser para a engorda dos suinos e das aves, raramente 
são empregados cosidos na alimentação, da qual se elimina sempre 
cuidadosamente todo o que se apresentar estragado. 

AS CENOURAS — São plantas da família das Umbellifjeras, 
cultivadas também como forrageiras. Temos experimentado no campo 
de experiência do Posto Zootechnico Federal particularmente a varie- 
dade "branca de coleo verde", que tem dado por hectare 54 toneladas 
de raizes e 27 de folhas. Cem partes de cenoura contêm 15.0 de matéria 
secca e os seguintes princípios nutritivos digestiveis : 

Matéria azotada 1.0 

Matéria graxa 0.13 

Matérias hydrocarbonadas 1 1.4 

Total dos princípios nutritivos 12.7 

Independentemente dos saes alcalinos e dos phosphatos, as 
cenouras contêm um óleo volátil, ao qual se attribuem suas pro- 
priedades especiaes na alimentação do gado leiteiro. São em geral 
menos aquosas do que as beterrabas, constituindo um exceli ente 
alimento para vaccas leiteiras, exercendo além da acção favorável 
sobre a secreção láctea alguma influencia sobre o leite que se torna 
saboroso e a manteiga, que é fina. Segundo o Sr. Malpeaux, as 
cenouras são mais favoráveis á producção da manteiga do que as 
beterrabas e os nabos. 

São geralmente empregadas na alimentação depois de previamente 
picadas e incorporadas a outras forragens seccas e concentradas. 






REVISTA DE VETFRINAKIA B ZQOTECHNIA L39 

A dose para o gado leiteiro varia de to a 20 kilos. Para os equideoi 
suinos e ovinos podem ser empregadas em menor dose, principalmente 
a titulo hygienico para os primeiros. Devido ao seu rendimento, a 
cenouras, pelo menos sob o ponto de vista económico, não offerecem 
as vantagens da beterraba. 

A BATATA DOCE- -Empregada na alimentação das clasaes 
pobres, a batata doce, de cultura muito fácil e pouco exigente, pedení 
com vantagem ser utilisada na alimentação das vaccas leiteiras e dos 
suinos. Neste caso tanto são aproveitadas as partes aéreas como forra- 
gem verde, como os tubérculos, que têm a seguinte composição; 100 
partes contêm 22.3 de matéria secca e os seguintes princípios nutri- 
tivos digestiveis : 

Matéria azotada 1 .34 

Matéria graxa 0.32 

Matérias hydrocarbonadas 14.1 

Total dos principios nutritivos 16.2 

Pela sua composição vê-se que ha realmente vantagem no seu 
emprego na alimentação do gado leiteiro, desde que não se exceda 
a dose de 10 a 15 kilos diários, por cabeça. Uma dose exagerada 
predispõe a vacca á engorda com prejuízo da secreção láctea. Deve ser 
dada picada, podendo também ser empregada na alimentação dos bois 
de trabalho, sendo, porém, seu uso mais económico na engorda dos 
porcos. Para isso costuma-se soltar os porcos no batatal, onde elles 
fossam e arrancam os tubérculos, poupando assim maior trabalho ao 
criador. Calcula-se, em média, seu rendimento por hectare em 40.000 
kilos de tubérculos e 115.000 kilos de hastes e folhas. 

A MANDIOCA — E' outra planta cultivada entre nós, que maior 
emprego poderia encontrar na alimentação do gado bovino e suíno, 
devido á sua cultura fácil e ao seu rendimento elevado e também á 
sua riqueza em principios nutritivas. Cem partes de mandioca das 
variedades branca, vermelha, aiplim e prata contêm, respectivamente, 
40.2, 32.3, 31.4 e 31.0 de matéria secca e os seguintes princípios 
nutritivos digestiveis : 

.VI ateria azotada 

M ateria graxa 

Matérias hydrocarbonadas. . . . 
Total dos principios nutritivos 



Branca 


Vermelha 


Aipim 


Praia 


1.42 


O.92 


O." 


0.82 


O.I5 


O.I4 


0.12 


O.I3 


27.6 


22.5 


2 1 .6 


21. 6 


2(J4 


23.8 


22. Ó 


22.7 



140 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Yê-se, pois, que se trata de um alimento rico em matérias hydro- 
carbonadas, podendo ser utilisado com grande proveito na alimentação 
de todos os animaes da fazenda. 

As raizes frescas, na dose de 10 kilos diários, por cabeça, consti- 
tuem bom alimento para o gado leiteiro e actuam favoravelmente 
sobre a secreção, obtendo-se um leite muito apreciado. As farinhas 
de mandioca, de qualidade inferior, são egualmente empregadas na 
alimentação do gado leiteiro, incorporadas a um alimento aquoso. 
São também utilisadas com óptimo resultado na alimentação artificial 
dos bezerros juntamente com leite desnatado. As raizes podem ser 
empregadas também com êxito na alimentação das outras espécies : 
equina, ovina, caprina e suina. Para esta ultima, quando destinada 
á engorda, convém distribuil-a cosida, tirando assim os animaes maior 
proveito. Pôde ser utilisada com óptimo resultado na engorda de 
aves para o preparo de "patês". Ao gado vaccum a mandioca é dada 
geralmente crua, picada, podendo ser também empregada cosida de 
mistura com outros alimentos. 

A mandioca não é somente aproveitada pelas raizes : toda ella 
pôde ser utilisada, hastes e folhas inclusive. Em tal caso devem ser 
cultivadas as variedades doces, que são mais precoces, sendo as hastes 
mais succulentas, tenras e macias. Para forragem verde deve ser 
cortada antes da maturação. Em taes condições o desenvolvimento 
das raizes fica paralysado momentaneamente, mas logo continua, 
porque o crescimento das hastes novas é muito rápido. 

A utilisação das variedades toxicas na alimentação necessita de 
algumas precauções, que consistem em tirar-se a casca das raizes, onde 
justamente se encontra o principio toxico, e mesmo porque amarga, 
motivo que impede os animaes de acceital-a de boa vontade. A's vezes 
o simples deseccamento ou o cosimento são sufficientes para fazerem 
desapparecer o principio toxico. Este principio, segundo algumas expe- 
riências, é o acido prussico, que com toda probalidade se origina da 
mesma forma que no sorgho novo. A intoxicação revela-se por cólicas 
fortes, cessação da ruminação e ligeira meteorisação. Como antídoto 
recommenda-se sal, vinho, ipeca, melaço diluido ou leite. 

A ARARUTA — Planta que serve para a extracção de uma 
fécula muito apreciada nos usos domésticos, o emprego de algumas 
variedades de grande rendimento na alimentação do gado pôde ser 
tentado com algum resultado. 

Nesta mesma categoria de forragens podemos mencionar as abó- 
boras, o cará, o inhame, cuja composição damos a seguir. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA I I 1 

Cem partes de abóbora, cará c araniia contêm respectivamente 
(j.i, 18.2 e [6/3 de matéria secca c os seguintes principios nutritivo 
digestiveis : 

Abóbora Cará Araruta 

Matéria azotada 1 .0 0.88 0.68 

Matéria graxa 0.3 o. 12 0.06 

Matéria hydrocarbonada 5.8 12.3 12.6 

Total dos principios nutritivos 7.5 13.5 [3.8 

AVALIAÇÃO DO PREÇO DA FORRAGEM VERDE - O 
preço de uma forragem verde depende em primeiro logar de sua qua- 
lidade e da dose de principios nutritivos digestiveis que ella contêm ; 
entretanto, na pratica, a avaliação é feita sem base alguma. Em certas 
condições, como é o caso dos vaqueiros estabelecidos nas leiteirias ur- 
banas e que na maioria dos casos são obrigados a comprar quasi todas 
as forragens, inclusive o verde, torna-se necessário fazer uma aprecia- 
ção o mais exacta possível. Tomando-se por base a matéria secca e 
o preço do mercado do feno de primeira qualidade podemos facilmente 
estabelecer c preço da forragem verde com o emprego da tabeliãs que 
dão sua composição. 

Supponhamos que 100 kilos de feno de jaraguá valem 8$ooo no 
mercado e que apenas contêm 82°|° de matéria secca; os 100 kilos 
de matéria secca deste feno valem por conseguinte : 

8$ooo X 100 „ . 

— — 8i =9$756 

O capim angola, por exemplo, que contém somente i6°|° de 
matéria secca valerá, segundo esta base : 

_g£w_X_i6_ = 

IOO * J 

preço máximo por que o poderia adquirir o criador. 

O feno dos prados naturaes, composto em sua 
II — Os fenos maior parte de gramíneas colhidas no momento da 
floração e fenadas ao ar livre em condições favorá- 
veis constitue um alimento de primeira ordem para as vaccas leiteiras. 
vSeu valor está em relação com a proporção de principios nutritivos 
que contém, com seu aroma e seu estado de conservação. Actua sobre 
o organismo não somente pelos principios nutritivos e aromáticos, 
como também porque serve de lastro para os órgãos digestivos. 
Sua qualidade e seu valor são muito variáveis e dependem em taes 
condições das plantas que entram em sua composição, assim como 
das condições em que se realizou a fenação. E' considerável seu valor 



142 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

na alimentação quando composto de plantas de boa qualidade, parti- 
cularmente ricas em matérias azotadas e mineraes, como é o caso dos 
fenos que encerram maior quantidade de leguminosas. Devido ao seu 
estado de secura conserva-se facilmente em fardos ou simplesmente 
depositado em local abrigado. E' rico em cellulose, que augmenta, 
quando a fenaçao é feita muito depois da floração. Contém apenas 
io a 15 °j° de agua. 

Os fenos mais conhecidos entre nós são compostos de uma só ou 
de duas qualidades de plantas, raramente apresentando uma mistura 
complexa de varias, dependendo portanto seu valor exclusivamente 
do da planta predominante. E' a seguinte a composição dos fenos mais 
communs entre nós : 



Designação 



100 partes conlêm os seguintes 
princípios nutritivos digestiveis 



Matérias mineraes 



M. Ar 



M. G. | M.H.C. 



Total Cinzas 



P2 o s ■ Cal 



Feno de jaraguá 

» » gordura 

» » grama 

» » graminha seda. 
» » capim favorito. 
» » alfafa 



81.00 
7S.90 

75-14 
77.10 
79-50 



4.160 0.630 42.140 | 47.800 
6.070 j 1.000 ! 40.300 I 49.000 
4.S10 ; 0.7S0 | 45.140 | 5°-75° 



4.410 , 0.670 | 42.800 
6.040 0.810 37.460 



84.00 | 10.000 1.000 33.500 



48.810 
45.440 
45.900 



7.710 

8.910 

6.810 

5.700 
7.300 



0.180 
o . 260 



0.580 
0.550 



0.160 j 0.480 
0.210 j 0.470 
0.650 2.520 



Estas e ainda outras gramíneas nossas prestam-se, pois, para o 
preparo do feno de qualidade, desde que se faça o corte no momento 
da floração ou antes e que não sobrevenham chuvas durante a fenação. 

As experiências a respeito feitas durante oito annos, aqui e em 
S. Paulo, com os capins nacionaes : jaraguá, gordura, chloris virgata 
e favorito têm sido favoráveis dando fenos muito bem acceitos pelos 
animaes. Pela composição chimica acima vê-se que sua riqueza em 
matérias azotadas varia de quatro a seis por cento, ao passo que para 
o feno de alfafa, mais rico, ella vae além de io°|°. Observa-se egual- 
mente que este ultimo feno é muito rico em cal e acido phosphorico ; 
dahi a razão do valor superior que se lhes dá para alimentação dos 
animaes em crescimento ou producção. 

O coefficiente de digestibilidade dos fenos varia muito, segundo 
sua qualidade, sendo, em média, de 42 a 72. 

Praticamente, o julgamento da qualidade de um feno depende 
de sua côr, de seu aspecto, do aroma agradável e sabor doce, do estado 
de conservação, da edade e variedade das plantas que o compõe. 



REVISTA DR VETERINÁRIA K EOOTKCHNIA 143 

sabendo-se que é no momento da floração que <>s capins alcançam 
maior valor nutritivo. ( ) bom feno não deve conter muitas planta 
lenhosas ou nocivas. Sua digestibilidade está na razão inversa da 
quantidade de eellulose, que contém, e augmenta com a da proteina. 
peve ser da colheita do anuo, porquanto com o tempo diminue muito 
seu valor. Molhado, durante a fenação, ou depois, perde ate 2.0 °|° dos 
princípios nutritivos. 

Para as vaccas leiteiras, o feno é um alimento salutar, de primeira 
ordem, tornando-se até indispensável, não somente pelos princípios 
nutritivos que encerra, mas ainda porque exerce sobre as funeções 
digestivas uma acção estimulante, devido á presença dos princípios 
aromáticos nos capins que o compõe. Basta aqui lembrarmos o que 
foi dito sobre a influencia dos princípios aromáticos sobre a secreção 
láctea, para se avaliar a necessidade de sempre incluir-se na ração uma 
dose de feno. Sua addição á ração é egualmente vantajosa, para 
diminuir os máos efteitos de uma alimentação insípida e muito aquosa. 
E' distribuído aos bovinos em doses de 2 até 15 kilos por dia e cabeça, 
convindo reduzir a dose á estrictamente necessária, quando elle fôr de 
qualidade inferior, completando-se então a ração com o verde ou 
alimentos concentrados. 

Aproveitamo-nos da opportunidade para aconselhar aos criadores 
o emprego do feno nacional composto das principaes gramíneas citadas, 
substituindo assim senão toda pelo menos parte da alfafa, cujo preço 
por kilo não raro attinge a 200 e 300 réis. O criador assim procedendo 
poderá effectuar grandes economias, chegando mesmo a produzir o 
feno nacional por 50 ou 60 réis o kilo. 

Em uma experiência realizada no Posto Zootechnico Federal no 
anno passado, com 12 vaccas leiteiras, com o fim de se estudar o valor 
comparativo do feno de gordura e do de jaraguá, foram substituídos 
na ração, no segundo período, três kilos de feno de gordura por egual 
quantidade de feno de jaraguá. Desta substituição resultou, no fim 
da experiência, uma diminuição attribuída ao feno de jaraguá, em 
média, por dia e cabeça, de ok. 407 de leite e ok. 018 de manteiga, mas 
em compensação as vaccas augmentaram de peso, na razão de ik.116 
por dia e cabeça. Póde-se, pois, considerar o feno de capim gordura 
como mais favorável á secreção láctea e o de jaraguá, ao contrario, 
como mais próprio para a engorda. Esta 'indicação, de alcance pratico, 
permitte ao criador dar preferencia a um ou outro dos dois fenos, 
conforme o estado em que se encontram suas vaccas. 

(Continua ). 

N. Athnassof. 



144 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEKCIO 

RAÇA BOVINA DE VAL DE CHIANA I 

Chamada também «RAÇA GIGANTE CHIANINA » 

Origem e historia - - A raça bovina de Vai de Chiana (bos touros 
bracliiccros — Dilrst) confome Sanson e seus discípulos, é originada 
pelo cruzamento da raça asiática (podolica) antigamente introduzida 
no logar hoje chamado Vai di Chiana, e a raça jurássica, escolhida 
para melhoral-a. 

Os dados históricos, porém, não confirmam essa hypothese. 

Sanstín baseou as suas afhrmações sobre os caracteres do Bos 
Frontosus, que apresentavam algumas conformações craneanas dessa 
raça, mas os mais recentes e geniaes estudos de Dilrst, sobre a origem 
das formas domesticas, levariam a suppor que o typo frontosus é 
o producto do cruzamento entre o macrocero e- o brachicero. Assim, 
também teria herdado os caracteres do typo frontosus não pela 
immissão do sangue jurássico, mas pela união entre brachiceros e 
macroceros e pela acção modificadora do meio. 

Si não nos é dado estabelecer de um modo positivo a origem 
dessa raça, podemos, porém, affirmar em absoluto que ella existe na 
zona citada desde tempos immemoriaes. 

Os Etruscos e os Romanos possuíram dois typos de raça bovina: 
uma, de chifres pequenos, pello branco e grande corpo, mui procurada 
para os sacrifícios religiosos, e outra, mais rústica, de pello ruivo e 
com chifres mui desenvolvidos. 

No declínio do império romano, abolido o culto de Júpiter e dos 
deuses pagãos — que muito tinha influído e animado a criação do gado 
de pello alvissimo, sobrevindo as invasões dos bárbaros, impaludado 
o valle (Cfr. Dante — Divina Comedia — XXIXC. Inferne) sobre- 
pujou a raça mais apta á vida rústica e aos pastos palustres, isto é, a 
ruiva e aquella hoje conhecida sob o nome de maremmana, certamente 
produzida por cruzamentos entre as diversas formas bovinas existentes 
no valle e as zonas limitrophes, sendo os bracJiiceros alvíssimos, finos 
e delicados muito mais escassos, mas muito mais apreciados nas 
melhores zonas qtier sob o aspecto agrícola quer sob o aspecto salubre. 

As vicissitudes dessa raça estão intimamente ligadas ás vicissitudes 
da zona, fértil nc período etrusco, palustre e doentia durante quasi 
dezenove séculos, saneada, aterrada e recultivada em 1800, e. desde 
meiado do século transacto, sadia e fertilissima. Naturalmente a 
transformação rápida do valle produziu alterações no gado existente. 







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REVISTA DE VETERINÁRIA K ZOOTKCHMA 145 

A raça actual foi se reconstituindo desde [830, ''especialmente pelos 
esforços da administração dos bens da Coroa, graças á abundante 
alimentação, á hygiene, á estabulação aprimorada e á selecção dos 
indivíduos, que ainda conservassem de modo notável as qualidades de 
finura tão apreciadas desde a época dos sacrifícios religiosos. 

Área geographica — A zena originaria desta raça está encravada 
nas províncias de Siena e Arezzo, estendendo-se até comprehender 
pequena parte da província de Perusa. Ella diffundiu-se pela Toscana, 
em Vai d'Arno superior e inferior, estendendo-se até as campinas 
pisanas e pela Umbria até as planícies do alto valle tiberino e seus 
'affluentes quasi até Cittá di Castello e Todi, 

Constituição geológica do solo — Ao sudeste de Arezzo apparece 
superficialmente uma extensa formação oceânica de arenarias e de 
schystos arenario-marnoso, que se encontra também nos outeiros de 
Castiglione Fiorentino. Ao longo do valle de Chiana desde Cortona a 
Torontola abundam as aluviões antigas e recentes, que se estendem 
até Sansavino, após ter rodeado ao norte de Iviano, as argillas, os 
saibros e as conglomeraçoes do Plyocenio marítimo. O Plyocenio 
lacustre encontra-se ao norte do lago de Chiusi, ao passo que o outeiro 
de Castiglione, formado pelos calcareos cretáceos, emerge dos depó- 
sitos do Quaternário recente, que rodeia toda a parte occidental do 
lago Trasimeno. 

Nota — Estimei de alguma utilidade citar estes apontamentos 
sobre a constituição geológica des terrenos onde se cria a raça bovina 
de Vai de Chiana, porque os criadores brasileiros podem se orientar 
melhor sobre as zonas a escolher, sempre que se animem a introduzir 
e criar esta raça de gado, que promette um resultado econemico- 
zootechnico positivo e proveitoso. 

Dados estatísticos — Deste gado, espalhado nos differentes pontos 
da Toscana e da Umbria supra-citados, se conhece tão somente o 
numero indicado pela estatística de 1908, isto é, 50.000 cabeças em 
números redondos ; naturalmente nos últimos cinco anhos ' este 
algarismo é muito mais avultado. 

Caracteres morphologicos-~'Este gado é de grandes dimensões, 
A sua altura varia desde ms. 1 .70 a ms. 1.90 nos bois. O seu typo é 
dolicomorpho e falta-lhe ás vezes a coordenação harmónica das massas. 

O grande biologista e zootechnico Leyder, os classificou — os 
gigantes da espécie. O seu enorme volume tende a augmentar sempre 
mais nos terrenos de alluvião, ao passo que fora desses terrenos perde 
um pouco da sua massa, adquirindo, porém, maior harmonia nas 
formas 

R. V. 19 



146 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Assim na Uníbria apresenta menor altura e formas mais 
recolhidas, devido em parte ás influencias mesologicas e em parte, 
talvez a maior, á acção dos criadores, que adquiriram em Chiana os 
seus reproductores, intelligentemente escolhidos entre os individues de 
membros mais curtos e corpo mais largo, proporcionando assim uma 
opportuna selecção, que visa particularmente harmonizar as formas 
nos produetos. 

Os touros de Chiana teem a cabeça levemente brachicefala e 
dolicoprosopa, relativamente pequena, com perfil direito, ligeira 
depressão no começo do nariz, syncipites em forma de M, ornamentado 
por um pequeno topete de pellos finos. Os chifres são curtos, uns 20 cu 
25 centímetros apenas, dirigindo-se primeiro aos lados, depois para 
traz e finalmente ao alto. O pavilhão auricular é geralmente grande. 
O pescoço é curto, musculoso, robusto, assas proeminente. A barbella 
muito desenvolvida. O corpo muito comprido, cylindrico, de cosíellas 
bem arqueadas. A linha dorso-lombar geralmente sellada. Este caracter 
constitue um defeito, mas é um defeito de somenos importância 
attendendo-se a que não é devido a um enfraquecimento da columna 
vertebral, mas c a resultante necessária do grande desenvolvimento* 
das apophyses espinhaes das primeiras vértebras dorsaes e das sacraes, 
como não se verifica em outra raça nenhuma. Os criadores, porém, com 
meios cpportunos e intelligentes selecções, estão corrigindo este defeito 
e é de esperar que elle desappareça completamente. 

A garupa é bem modelada, larga e comprida ; os membros, muito 
compridos, esforçando-se os criadores para obtel-os mais curtos e 
mais grossos; óptimos os aplombos anteriores, bons os posteriores; a 
pelle finíssima, característica das raças de fácil engorda. 

Pigmentação — O pello é branco e de tonalidades difterentes, 
consoante os reflexos e a côr da pelle. O focinho, a língua (parte 
livre e núa) os beiços, os hepitelios e contorno dos olhos, o floco da 
cauda, o anus, a vulva, o fundo do escroto, são pretos assim como a 
ponta dos chifres e os cascos. Estes caracteres devem ser sempre 
exigidos nos indivíduos escolhidos para a reproducção, recusando-se 
aquelles que os não possuírem. 

Um facto muito interessante é que estes bovinos transportados em 
outros terrenos, fora daquelles considerados como berço da sua raça, 
não é raro apresentarem pellos negros 110 pescoço, focinho, antebraços 
e joelhos, ao< passo que no seu meio originário é raríssima essa 
anomalia. Dão-se também casos, excepcionalissimos na verdade, em 
que se encontram algumas pequenas manchas de pellos levemente 
ruivos; c isto explica-se como um retorno atávico a um período anterior 











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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 47 

ao império romano, pois que dessa época em diante, em trecho nenhum 
das obras litterarias, históricas, scientilicas ou philosophicas, se faz 
menção destes bovinos tendo pequenas manchas de pellos ruivos. 

Os bezerros, ao nascer, são de pellos ruivos, da cor do trigo, cemo 
todas as raças podolicas. 

Aptidões — Esta raça é para corte e para trabalho. Como raça de 
trabalho dá-se muito bem nos terrenos soltos das planícies, porque o 
grande comprimento das alavancas ósseas favorece a velocidade e não 
a intensidade das contracções musculares. Todavia, em Chiana, com 
duas juntas de bois, se pôde arar em menos de três dias um hectare de 
terreno na profundidade de 35-45 centímetros. 

Quanto ás suas aptidões para o corte, é a primeira raça da Itália e 
é considerada entre as melhores do mundo inteiro, em virtude de dois 
requisitos indispensáveis que possue, isto é, grande precocidade de 
desenvolvimento e extraordinário poder assiniilativo. A rapidez da sua 
engorda, submettido ao regimen da superalimentação, é realmente 
admirável, o que a faz preferida pelos cevadores que encontram no 
gado Chianino urn incomparável accumulador de carne e de gordura. 

Os bezerros ao nascer teem um peso médio equivalente a 
48 kgs. os machos, e 45 kgs. as fêmeas ; assumem um acerescimo tão 
rapide, que durante o primeiro mez pôde oscillar de 30 a 50 kgs. e 
também superal-o. No primeiro anno de idade os vitellos (castrados) 
chegam ao peso de 400-500 kgs. e aos dois annos ultrapassam 800 kgs. 
Nos annaes do Instituto Agrário Superior de Perusa é consignado o 
facto de um vitello que tinha feito só a primeira muda, pesar 892 kgrs. 

Nas exposições pecuárias annuaes de Florença os bois aceusaram 
os seguintes pesos : 

Em 1903 um boi pesou 1 .394 kgrs. 

" 1905 " " " i ? 393 

" 1906 "' " " 1.434 " 

" 1908 " " " 1.496 " 

Os touros têm o peso médio .de 850 a 950 kilogrammas e as 
vaccas, de 650 a 750. 

O rendimento em peso liquido é sempre muito elevado, variando 
de 58 a 65 ° |°, e chegando nos vitellos e nos bois a 72 °|°, porcentagem 
não inferior áquella a que podem alcançar os melhores exemplares 
das raças especializadas. 

Não se julgue, porém, que este alto rendimento seja devido ao 
excessivo desenvolvimento dos ossos, mas é tão somente o frueto das 
suas amplas massas carnosas c dos intestinos pouco volumosos. 



148 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Systema de criação • — Nesta raça colossal notam-se ainda alguns 
defeitos, embora com tendência a desapparecerem, e devem-se attribuir 
a duas causas : primeira, ao excessivo trabalho a que sempre foram 
submettidas as vaccas ; e, segunda, á inércia forçada imposta aos 
bezerros, que, sempre amarrados nos estábulos, se resentem em 
absoluto da necessária gymnastica funccional que é tão precisa na sua 
idade. Desde alguns annos, porém, se está providenciando afim de 
eliminarem-se esses inconvenientes. A duração do aleitamento dos 
bezerros varia de quatro a seis mezes. A castração dos machos 
pratica-se entre os três e os quatro mezes de idade, favorecendo por 
tal forma o alongamento dos raios ósseos. 

Os touros são destinados á reproducção aos 15 ou 18 mezes de 
idade e as fêmeas aos 16 ou 20. Os touros deixam-se padriar até 
aos cinco annos, no máximo, ao passo que as vaccas são conservadas 
na reproducção até aos 11 ou 12 annos. 

Existe desde vinte annos um bem organizado Herd-Book desta 
raça, e es touros são muito procurados em toda parte. 

Esta raça não possue a potencialidade muscular para o trabalho, 
tão peculiar á raça Romanhola ; não tem a resistência necessária aos 
trabalhos duros e fatigantes nem supporta as privações de boas 
forragens, como se dá com a raça maremmana, mas nos terrenos soltos 
corresponde bem ás exigências da lavoura, e, o que mais importa — 
devido á sua precocidade, ao seu volume, antes único que raro, ao seu 
maravilhoso poder assimilativc — torna-se uma verdadeira machina 
accumuladora de carne, que em poucos annos não terá rival, destinada 
a formar a admiração dos criadores do mundo inteiro. 

Os criadores brasileiros, que dispõem de terrenos convenientes e 
de forragens abundantes e variadas, precederão, acertadamente, eu o 
creio, firmando a sua attenção sobre "os gigantes da espécie bovina". 

Março, 1914. 



Dr. P. Foschini 

Medico Veterinário. 










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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 149 

ASSUMPTOS DE BIOLOGIA E ZOOTECHNIA GERAL 

I — SELECÇÃO 

No capitulo anterior passamos uma vista geral sobre a selecção. 
Salientamos que a palavra selecção é usada em sentidos bem differentes 
e constatamos algumas contradições bem nítidas no emprego da 
palavra. Geralmente emprega-se a palavra selecção em. processos 
usados na pratica, sem lembrar-se da sua origem e do primeiro emprego 
da mesma. 

Promettemos estudar a selecção como deve ser, e é hoje scienti- 
íicamente empregada, especialmente na Phytotechnia, e também menos 
frequentemente na Zootechnia. Vamos nos occupar dos meios de 
selecção, debaixo do ponto de vista scientifico. 

Um destes meios consiste no conhecimento dos factos histológicos 
que se passam na propagação dos animaes bem como das plantas. 
Teremos por conseguinte de estudar um pouco estes elementos histo- 
lógicos, apezar de muitos leitores estarem orientados neste assumpto. 

A maior parte, porém, não conhece a importância que têm estes 
factos com a hereditariedade e a variação, nos quaes se basêa a selecção, 
Por conseguinte julgo importante dar alguns dados da histologia para 
melhor serem comprehendidas as theorias modernas da selecção. 
Estas theorias nos últimos se têm baseado, em grande parte, no estudo 
das reacções cellulares. 



DADOS HISTOLÓGICOS 






Os elementos de um organismo, animal ou planta, são chamados 
cellulas. Estes elementos geralmente só podem ser observados com 
augmento forte, isto é, ao microscópio. Se tomamos uma gotta de 
sangue (*) e a espalharmos sobre uma lamina de vidro para em 
seguida olhal-a no microscópio com augmento de umas 200 vezes, 
veremos corpúsculos redondos fluctuar em um liquido, os glóbulos 
de sangue. Se escolhermos o sangue de pássaro ou de reptis, peixes, 
etc, (Fig. 1) facilmente verificaremos no centro destes corpúsculos, 
uma manchasinha que se differencia claramente do resto. (Fig. ia). 



(*) A palavra «sangue» histologicamente tem outro sentido que na zootechnia. Escolhemos 
o sangue como exemplo histológico por possuir cellulas separadas. 



150 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Esta manchasinha é o núcleo da cellula de sangue, que se chama 
crythrocyto. No sangue, porém, veremos outras cellulas, que não têm 
a mesma forma, não são nitidamente redondas, mas bem de forma 
variável, ( Fig. I b) irregular e nas quaes, em certas condições, se 
pôde observar o movimento. Este movimento é caracterisado no pro- 
longamento da cellula, na emissão de um ramo que se fixa na parede, 
porta-objecto, e que arrasta depois toda a cellula. Estas cellulas são 
os leucocytos, cellulas incolores, ao passo que as outras são vermelhas, 
razão porque foram chamadas corpúsculos vermelhos do sangue. 

Sc tomarmos um pedacinho de fígado fresco, fazendo nelle uma 
incisão e raspando levemente a superfície, para em seguida examinar 
um pouco da massa, no microscópio, veremos facilmente uma grande 
quantidade de cellulas, cellulas de hgado misturadas ainda com sangue. 
Assim cada órgão é composto de cellulas, cellulas estas que são difíe- 
rentes entre si na forma e funcção, conforme a funcção do órgão. 

Tomando-se uma gotta de agua podre, deixando-se, por exemplo, 
um pouco de feno em agua durante uns oito dias, e examinando-se este 
liquido no microscópio, se encontrará uma grande quantidade de cellu- 
las fluctuando na agua, com movimento muito rápido e muito grotesco. 
São animaes pequenos, formados de uma só cellula, infusorios. 

O característico de todas essas cellulas é o corpo, isto é, o proto- 
plasma, e no centro, um corpúsculo, o núcleo. A cellula é envolvida 
cm uma membrana, a membrana de cellula. Bem assim o núcleo 
acha-se separado da cellula por uma membrana, pela membrana de 
núcleo. O corpo da cellula é composto de uma massa semi-liquida, 
chamada protoplasma. 

As albuminas contidas no protoplasma por parte acham-se em 
solução, por outra parte em estado mais ou menos solido, fluctuando 
na parte liquida. A membrana do núcleo envolve uma massa corpus- 
cular, que se chama chromatina e que tem o papel mais importante 
nos problemas biológicos e zootechnicos. 

Esta chromatina fluctua em um liquido da mesma maneira como 
no protoplasma fluctuam particulas no sueco protoplasmatico. 

Com methodo especial e em certas phases da vida dessas cellulas, 
póde-se notar ainda um corpusculosinho muito pequeno adherente á 
membrana do núcleo, o centrosoma. Estas partes todas podem ser 
vistas directamente no microscópio ; porém, a differenciação destas 
varias partes é bastante difficil e exige muito habito. Tem-se experimen- 
tado colorir as cellulas com tintas, e verificou-se que as cellulas tomam 
cores distinctas, conforme as differentes substancias. A maior parte 
das tintas de anilina, por exemplo, coloram fortemente o núcleo, isto é. 




Fig. 1 




Fig. 2 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 151 

especialmente aquelles corpusculosinlios chamados chromosoírias. As 
Cellulas, para o fim da coloração, precisam-se fixar, isto é, antes de 
empregar-se a tinta, ficam introduzidas em um meio venenoso, como 
álcool, sublimado, acido chromico, picronitico, etc. Geralmente podemos 
dizer que a cellula não se tinge senão depois de morta. (Algumas 
poucas tintas fazem excepção, tingem sem matar a cellula, por exem- 
plo, o azul de methyleno). 

Empregando-se este processo de estudar as cellulas, foram feitas 
as maiores descobertas, especialmente a respeito do núcleo. Viu-se 
que uma cellula, em certas condições, fica com a membrana nuclear 
dissolvida ; viu-se que em outras cellulas, nas mesmas condições, a 
massa nuclear, isto é, a chromatina divide-se em duas partes (fig. 2) ; 
viu-se que estas duas partes, após a separação, formaram outra vez 
uma membrana, de maneira que a cellula continha dois núcleos. 
Mas, no mesmo momento observou-se que a cellula toda segue o 
mesmo processo ; a membrana da cellula fica restringida, arrochada, 
e a cellula divide-se em duas, encerrando sempre cada cellula um dos 
dois núcleos recem-formados. 

Este processo de divisão é o mais simples e assim encontra-se 
em algumas cellulas. Hoje, porém, suppõe-se que todas as divisões 
de cellulas são mais complicadas. O processo descripto chama-se 
amitotico. Se nos lembrarmos que um animal, melhor organizado, um 
vertebrado, por exemple, se propaga, deveremos encontrar o mesmo 
processo de propagação acima descripto. Aquellas cellulas em divisão, 
temos de encontrar em um órgão especialmente dedicado' á propagação, 
nos ovários, nos ovos ou óvulos. Sabemos que nestes animaes supe- 
riores, cada propagação exige uma fecundação, isto é, o ovulo ou ovo 
só se desenvolve depois de fecundado por um macho. Na fêmea encon- 
tramos a cellula de propagação em forma de ovulo, ao passo que no 
macho temos uma cellula especifica para o fim, da fecundação do 
ovulo, o espermatozóide. Unindo-se estas duas cellulas em certas 
condições, resulta a fecundação e, em consequência, a formação de 
um novo ser. 

O ovulo, como já dissemos, tem nada mais nos caracteres 
elementares do que as cellulas descriptas acima ; porém, o processo 
da multiplicação e da divisão é bem differente. O espermatozóide tem 
uma forma especial, comparável a uma cobrasinha muito movei. 
A cabeça forma a cellula, propriamente dita, sendo a cauda o órgão 
de locomoção. 

Vamos ver mais de perto a formação destes dois elementos 
essenciaes para a reprodução. 



152 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEJRCIO 

A MATURAÇÃO DO OVO 

i) — Divisão mitotica do núcleo — Os núcleos dos seres supe- 
riores e de muitos inferiores não se dividem tão simplesmente, isto é, a 
divisão do núcleo não se dá pela simples divkão em duas partes 
eguaes. Na divisão destes núcleos, em seguida da cellula, nota-se no 
núcleo a formação especifica da substancia chromatica daquelles cor- 
pusculosinhos que se coloram intensivamente com tinta de anilina, 
As figuras 3 e 4 mostram o processo eschematicamente. Nota-se que 
esta chromatina se colloca em forma de fios e, no exame mais 
minucioso, póde-se verificar que o numero destes fios é quasi sempre 
o mesmo na mesma espécie de animal. Devemos lembrar-nos por 
conseguinte, que o núcleo, antes de proceder á divisão, transforma 
toda a massa chromatica em um numero limitado e caracteristico de 
chromosomas. Nesta época, o centrosoma que mencionamos, principia 
a dividir-se (Fig. 3 a). Separam-se os dois núcleos; solve-se a mem- 
brana do núcleo ; os centrosomas vão em opposição, formando dois 
corpusculosinhos polares e os fios chromaticos agrupam-se no equador. 
Em seguida verifica-se a formação de fiosinhos muitissimo ténues, 
pelos quaes os fios chromaticos intercommunicam com os centrosomas. 
Pouco depois, verifica-se a divisão dos fios chromaticos e, o que é 
muito essencial, uma divisão longitudinal dos chromosomas. Após esta 
divisão, ambas as partes separam-se, parecendo serem attrahidas pelos 
centrosomas, e formam dois núcleos, como os vimos na divisão 
amitotica. 

O caracteristico desta divisão é a divisão longitudinal dos chro- 
mosomas, e, como veremos mais tarde, acreditando-se que os chro- 
mosomas são os portadores da massa hereditária, seria garantida pela 
divisão longitudinal, uma divisão bem exacta das qualidades do 
individuo. Cumpre notar que nesta divisão, ambos os núcleos ficam 
outra vez com o mesmo numiero e com o mesmo quctntum de chro- 
matina. 

2) — Divisão na maturação do ovo — A maturação do ovo mostra 
caracteristicos bem importantes, caracteristicos estes que provam por 
parte, que effectivamente a chromatina do núcleo é portadora da 
massa de herança. O ovulo primitivo é uma cellula do ovário, que 
vae desenvolver-se em um ovo. Este ovo fica, como sabemos, fecun- 
dado pelo espermatozóide, (Fig. 3 G, H, I) sendo que esta cellula 
macho penetra no ovo e diffunde a sua chromatina com a do ovo. 

Conforme acima verificamos, cada espécie de animal tem um 
numero caracteristico de chromosomas. Se se desse o caso de ser intro- 
duzida mais chromatina ou numero idêntico de chromosoma no ovulo, 



A 



B 






15 





F 





H 





Fig.3 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 153 

o resultado seria uma ampliação do numero bem como da massa 
chromatica, facto, este que não estaria em. coincidência com as theo- 
rias actuaes. A maturação do ovo é caracterisada justamente pela 
eliminação da metade da massa chromatica, assim como a formação dos 
espermatozóides caracterisa-se pela eliminação da metade dos chro- 
mosomas paternos. 

Na maturação dá-se esta eliminação do modo seguinte (fig\ 3) : 
O núcleo do ovo forma chronosomas ; o centrosoma divide-se 
como acima descripto e da mesma maneira dá-se a divisão do núcleo. 
(A e B). Porém, antes de se formar a membrana do núcleo, divide-se 
este ultimo outra vez, e neste caso, a divisão realiza-se de maneira aue 
a metade dos chromosomas não experimentam divisão longitudinal, do 
que resulta a diminuição do numero de chromosomas até a metade. 
(E). Effectuada a primeira divisão, uma parte afasta-se do centro do 
ovo, fica eliminada do ovo e forma um ovulo abortivo. (Da). Este 
ovulo abortivo divide-se mais uma vez, também sem divisão longitu- 
dinal dos chromosomas. Na segunda divisão dos chromosomas do nú- 
cleo, também é eliminada do ovo uma parte, que forma o terceiro 
ovulo abortivo. Estes três óvulos abortivos carregam uma quanti- 
dade minima do protoplasma do ovo e a metade dos chromosomas. 
Elles morrem pouco tempo depois. O ovulo- assim forma uma 
cellula com a metade do numero dos chromosomas da espécie. 

3) Espermatozoa. (Fig. 4). A cellula reproduetora paterna é, 
como vimos, o espermatozóide, e este espermatozóide, na fecundação, 
ha de carregar a metade somente do numero dos chromosomas da sua 
espécie. O processo desta reducção é o mesmo que vimos na maturação 
do ovo ; porém, com a difíerença importante, que não se formam esper- 
matozóides abortivos, analogamente aos óvulos abortivos, mas bem 
quatro cellulas idênticas, (Fig. 4 G e H) todas quatro com a mesma 
quantidade de substancia protoplasmatica e todas quatro com vita- 
lidade, A reducção do numero dos chromoomas faz-se como segue: 

Formação dos chromosomas, divisão dos centrosomas, divisão 
longitudinal dos chromosomas, separação em dous núcleos que rapi- 
damente, sem formar cellulas, se dividem outra vez em duas partes, 
cada parte carregando a metade do numero dos chromosomas. Assim 
resultam espermatozóides dotados da metade da massa chromatica ou 
da metade da herança de propriedades paternas. 

4) Fecundação. (Fig. 3, G, H e I). Esta realiza-se pelo encontro 
do espermatozóide com o ovulo. Dado este momento, o espermatozóide 
penetra na cellula e dirige-se contra o núcleo. Fica absorvida a mem- 
brana nuclear e a massa chromatica paterna mistura-se com a massa 



154 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

chromatica materna. Geralmente, a dirtusao das chromatinas é com- 
pleta, de maneira que não se pôde mais verificar a sucção de chromo- 
somas paternos e maternos. Misturada a massa chromatica, cuja 
mistura succede pela destruição dos fios chromaticos, verifica-se as 
divisões dc ! núcleo da forma já descripta. Dividem-se as cellulas que, 
formando grupos cada vez maiores, pouco a pouco tomam a forma de 
um embryão. Este desenvolvimento do embryão, isto é, o desenvolvi- 
mento do ovulo até distinguir-se a forma do embryão, é muitíssimo 
importante, pois liga-se a estes estudos a lei phylo genética que também 
para o zootechnista tem importância muito grande, lei esta que diz 
que no vertebrado, o embryão ha de passar todas as phases dos ante- 
passados, ou seja, uma recapitularão da formação da espécie, resumida 
em algumas semanas. (Verifica-se, por exemplo, a formação de ra- 
nhuras branchiaes nos vertebrados durante alguns dias ; verifica-se a 
collocação typica do coração perto da cabeça, o arrastamento do nervus 
recurrens na occasião em que, no vertebrado o coração se afasta para 
a cavidade thoracica). Sobre este assumpto convirá f aliar em outro 
artigo, pois muitos característicos teratologicos e atavisticos são ligados 
a esta lei. 

Os acontecimentos, segundo o esboço que acima damos, da histo- 
logia do ovulo e do espermatozóide, bem como da divisão, isto è, multi- 
plicação destas cellulas, são visíveis no microscópio, parte directamente, 
parte após colorações especificas. O estudo dõ núcleo, empregando-se 
os vários meios de coloração, revela muitos detalhes, quer no plasma 
do núcleo, quer nos chromosomas. Quasi cada autor que se oceupou 
cerni o estudo do núcleo, descobriu corpusculosinhos novos que andam 
com nome especial, de maneira que, querendo-se tomar em consi- 
deração todas estas descobertas, já resultaria uma obra grande somente 
em respeito a esta parte do núcleo. Muitos auWres têm descripto deta- 
lhes que outros não acharam, ao passo que estes descreveram os 
mesmos detalhes sob outros nomes. Julgo que a classificação desses 
corpúsculos é uma questão muito individual, dependendo especialmente 
dos meios empregados na coloração e do methodo de observação. 

Em todo caso temos de suppor que chromosomas, ou melhor, 
as massas chromaticas, são compostas de corpusculosinhos de tamanho 
molecular, invisíveis quando separados, ou então apenas visíveis 
quando impregnados com cores. Estas massas chromaticas, chimica- 
mente, são albuminas phosphatadas, da serie das proteínas, e bastante 
caracterisadas. Estas proteínas encontram-se especialmente em tecidos 
muito ricos em núcleos, como no figado, no baço e nas glândulas. 
Nucleds isolados mostram uma grande porcentagem desta substancia 






REVISTA DK VETERINÁRIA E ZOOTECIINIA 155 

que, como foi provado, se colora identicamente á chromatina. Assim, 
chimicamente, foi provada a identidade da chromatina com uma certa 
e bem definida proteína (nucleo-proteides, que sempre são caracteri- 
zados pelo conteúdo em acido phosphorico) e com um outro grupo 
que, pela decomposição, fornece ácidos puricos, ficando uma albumina 
sem acido phosphorico, comparável com as albuminas do protoplasma 
da cellula. Importa lembrar-se deste facto que revela que a chromatina 
não é albumina simples, mas sim, albumina rica em acido phosphorico 
e substancia purica ; por conseguinte, uma albumina bem complexa. 

Na chimica, põem-se as moléculas como os últimos fragmentos 
já não mais divisíveis sem alteração* da composição, composição esta 
dada por um agrupamento de átomos, no nosso caso de carbono, 
oxygeneo, azoto, phosphoro, como elementos essenciaes. Estas molé- 
culas, suppoe-se, preenchem na chromatina uma funeção na heredita- 
riedade, pois ellas compõem a chromatina e os chromosomas, que tão 
cuidadosamente são tratados pelo corpo. 

Factos physiologicos cm relação ao problema. A histologia do 
núcleo não é capaz de dar detalhes mais minuciosos da chromatina, 
pois a visibilidade de um corpo no microscópio commum não passa de 
o,ooci m|m. 

Reconhecida a chromatina como portadora da massa hereditária, 
e sabendo-se eme um individuo tem innumeras propriedades a serem 
transmittidas, deve-se suppôr que dada uma destas propriedades esteja 
ligada a um corpúsculo chromatico que se encarrega da transmissão e 
da conservação dessa propriedade, ff o plasma germinativo que em 
nome geral se incumbe desta transmissibilidade , e que histolcgicamente 
chamamos chromatina. Numerosas são as theorias sobre o methodo 
desta transmissão. Mas qualquer que seja a theoria, ella vem basear-se 
no facto, que propriedades paternas são transmittidas mais ou menos 
exactamente aos descendentes, e como estas propriedades provêm 
de ambos os pais, como o filho ás vezes não mostra propriedades nega- 
das nos pais directos, mas sim, que caracterisavam os avós, tem-se 
de suppor que minuciosamente foram misturadas as massas chroma- 
ticas para não serem perdidos (talvez nos óvulos abortivos) certos 
caracteres. De facto, a mitose garante uma mistura completa do plasma 
germinativo. 

Para f aliar vulgarmente, podemos comparar o processo de mitose 
com a fabricação de linguiça. Misturada a massa (pedacinhos de gor- 
dura e carne), passa depois a ser misturada em forma de linguiça, e t 
comparado com a mitose, esta linguiça seria dividida longitudinalmente, 
para já não acontecer o caso de ficar de um lado, como seria possível 



156 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

na divisão lateral, pelo meio, uma composição differente, talvez uma 
camada transversal, sem que e* outro lado (outra cellula) recebesse 
uma porcentagem correspondente. 

Esta divisão longitudinal garante a continuidade do plasma ger- 
minativo na sua qualidade. Assim pode-se comprehender que mesmo 
durante algumas gerações, propriedades podem ficar latentes, para 
opportunamente serem, conforme as condições, fortalecidas de modo 
a reapparecerem. Assim póde-se comprehender que em cruzamentos 
persistem, durante muito tempo, o plasma germinativo do primeiro 
cruzamento, e o modo de f aliar em sangue (meio sangue) histologi- 
mente tem fundamento pelo facto de se dividirem mitoticamente os 
óvulos e espermatozóides. 

Estes e muitos outros factos permittem a conclusão, que o núcleo 
(nos seres superiores) tem a missão essendial de garantir a continui- 
dade da espécie, ou a continuidade do plasma germinativo. 

Como vimos, o ovulo é composto, além do núcleo, de uma massa 
protoplasmatica, na qual o núcleo está mergulhado. Este protoplasma 
tem uma funcção mais conservadora para o núcleo e incumbe o plasma 
da nutrição das massas chromaticas, ou, podemos bem dizer, da for- 
mação da chromatina. Este facto parece-me muitíssimo importante, 
pois elle impõe ao protoplasma directamente uma funcção da heredi^ 
tariedade. 

Da divisão do núcleo resulta que a metade da chromatina é elimi- 
nada; seja qual fôr o processe (mitotico ou amitotico), quantitativa- 
mente resulta metade da chromatina que qualitativamente não foi 
modificada. Esta metade, porém, ha de ser substituida, pois como 
vimos, a propagação das cellulas, continua e já depois de umas 10 
divisões, a quantidade da chromatina seria diminuída cerca de 0,00 1, 
de maneira que a chromatina ia cada vez mais desapparecendo. Isto 
não se dá. Nota-se após cada divisão, uma reconstituição da chroma- 
tina de tal maneira, que os chromosomas resultantes são idênticos com 
os anteriores da divisão. A massa chromafica, por conseguinte, repro- 
duz-se. Póde-se bem objectar que as moléculas de chromatina se 
dividem; porém, a massa que as compõe, ha de ser arranjada ahi, e o 
único meio de arranjal-a, é suppondo como fabricante e fornecedor 
do material : o protoplasma da cellula. Este facto histológico é impor- 
tante, pois, tem-se de attribuir assim também ao protoplasma (soma- 
toplasma) uma funcção importante na hereditariedade. Se a chro- 
matina é fornecida pelo protoplasma, talvez até fabricada por elle, é 
claro que o estado deste protoplasma, a alimentação, todas as circum- 
stancias capazes de influir este protoplasma, poderão ter, indirecta- 









í 







Fig. 4 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 157 

mente, uma acção sobre o plasma germinativo. Assim chegamos á 
importância das condições externas para a hereditariedade, como mais 
abaixo será exposto mais detalhadamente, pois supponho que justa- 
mente este facto 6 do maior interesse para o criador brasileiro, a cujo 
alcance estão muito menos as condições internas (plasma germinativo 
"sangue" do que as condições externas do individuo (alimentação, 
tratamento, etc). 

A relação entre plasma e núcleo, a relação entre condições externas 
e plasma germinativo preoceupam-me já ha muitos annos, e terei 
occasião de expor os resultados das minhas investigações. 



Prof. R. Hottinger 

Do I Y aboratorio de Biologia Geral e Zooteehnia 
da Escola Polyteermiea de S. Paulo. 



158 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



/^ r 



CONTRIBUIÇÃO AS PSEUDO-PESTES NO BRASIL 

Os casos de morte, em grande numero, por uma moléstia com 
causa desconhecida, do gado trazido da importante e futurosa zona 
criadora de Guarapuava e Palmas, para os centros consumidores do 
Paraná, deram um desanimo completo na ultima primavera áquelles 
que se entregam a esta espécie de commercio. 

O anno passado não tendo havido matéria para autopsia, nada 
pude apurar de concludente sobre a moléstia ; todavia, cheguei á 
conclusão que a morte só podia ser a consequência de perturbações 
graves no "tractus" digestivo do boi, tão complicado e tão facilmente 
perturbavel 

Os symptomas mais pronunciados são bem conhecidos na região : 
o animal fica triste, com as orelhas cahidas, com os olhos fixos sem 
brilho e afundados ; quasi sempre presa de uma grande sede, empan- 
zina mais ou menos e morre em poucas horas. 

Fora daquelles signaes, pude constatar que o choque da artéria 
facial era quasi imperceptível e rápido, a circulação peripherica quasi 
nulla com resfriamento peripherico ; constipação e parada nos movi- 
mentos do rumen acompanhavam sempre. 

Em algumas autopsias feitas observei no tubo digestivo o seguinte : 
conteúdo do "livro" secco e duro, quasi sem lesões das paredes, no 
caso de morte rápida. 

Em dois casos nos quaes a morte demorou alguns dias, havia 
inflammação franca das folhas do órgão e descolamento do epithelium, 
também com conteúdo resseccado. 

As mesmas lesões, em gráo menor, achavam-se nas partes vizi- 
nhas do segundo estômago e do coagulador. O intestino vasio tinha 
.alguma inflammação catharral. O rumen, nos casos de morte rápida, 
estava com excesso d'agua e de gazes. 

O sangue era muito espesso e bem coagulado. 
Eis o que se verifica. Logo duas questões se apresentam: qual 
a origem daquelles symptomas e lesões? Como se produz a morte 
que parece tão rápida? 

A moléstia provém de um complexo de causas a que tudo 
concorre: gado meio selvagem, de súbito arrancado ás pastagens, 
desorientado, em disparada por vezes durante horas e horas, em 
fileiras cerradas, fazendo uma viagem prolongada atravez do sertão 
com pouca agua e sem pasto, em uma primavera secca como a ultima. 
(Por ironia os boiadeiros chamam a estrada "corredor de corrida", 
no emtanto, elles attribuem a moléstia a uma herva venenosa.) 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 159 

Portanto temos falta de lastro liquido e solido no "rumai", 
"surmenage", inanição, intoxicação, etc, tudo isso durante muitos 
dias ; por conseguinte impossibilidade da ruminação durante toda a 
viagem, seguido de paralysia do systema polygastrico. 

Um exemplo bem frisante mostrará com que facilidade o I o , 2° e 
3° estômago se paralysam e se resecca o 3 Colin, fazendo a fistula 
dos canaes de Stenon, dois a três dias depois, parou totalmente a 
ruminação. Dias após, na autopsia acharam-se massas duras no livro, 
embora durante todo o tempo os animaes, em experiência, tivessem 
recebido agua á vontade. 

Demais, a histologia e a physiologia demonstram que o I o , 2 e 3 
estômagos não permittem absorpção nenhuma, estando esta funeçao 
reservada ao intestino delgado, pois os três reservatórios paralysados e 
além disso o terceiro com seu conteúdo endurecido, não deixam passar 
liquido nenhum para o intestino, embora os doentes bebam muito na 
sahida do matto. 

Os principaes symptomas, como a falta de circulação e resfria- 
mento periphericos, o afundamento dos olhos, a sede, etc, decorrem 
da diminuição da pressão sanguínea devida "á concentração" do 
sangue, resultado, de um lado, das privações e da perda, de outro 
lado da impossibilidade de renovar a parte dissolvente. O grande 
augmento da densidade do '.'meio interno' 1 traz, após si, difficuldade 
na circulação, sobretudo dos órgãos das grandes funeçoes : funeção 
respiratória, renal, etc, segue-se a auto-intoxicação pelas toxinas da 
desassimilação accumuladas, viciando a composição chimica do sangue. 
Estas perturbações physicas e chimicas tiram ao sangue as suas pro- 
priedades physiologicas de primeira necessidade para a vida. 

Depois, a sobrecarga do "rumen" paralysado e sem escapamento 
determina a difficuldade mecânica da respiração e vem precipitar 
a morte. O prognostico é fatal. 

Tratamento: tanto o curativo é aleatório, quanto o preventivo 
é certo. A questão é de prevenir: ter estradas orladas de pastagens 
e boas aguadas; fazer as remoções com toda cautela, depois das 
grandes chuvas, quando a pouca pastagem e a agua chegaram ao 
máximo. Assim no mez de Fevereiro próximo passado foram insi- 
gnificantes ou nullas as perdas, quando estas chegaram a mais de 
metade, das manadas introduzidas no mez de Novembro ultimo. 

Acabará cm qualquer tempo essa calamidade, depois da constru- 
cção da já projectada estrada de ferro para Guarapuava? 

Dr. Octávio Dupont 

Medico-veterinario da Fazenda Modelo 
de Criação do Paraná. 



160 MiNiSTKKiO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCJO 



PELAS INSPECTORIAS 



2 o Districto (Maranhão e Piauhy) 

O Director do Serviço de Veterinária, Sr. Dr. Alcides Miranda, 
teve conhecimento, de accôrdo com o boletim sanitário de Janeiro 
findo, enviado por esta Inspectoria, que contra o carbúnculo sympto- 
matico foram vaccinados 15 bezerros, sendo distribuidas 900 doses 
de vaccina contra a referida epizootia a criadores dos municípios de 
Tury-Assú, Itapecurú e Coroatá. todos no Estado do Maranhão. 

A propaganda contra a tuberculose bovina continua a ser feita 
sem desfallecimentos. 

A babesiose, ou pyroplasmose bovina, existe enzooticamente nos 
Estados do Maranhão e do Piauhy, bem como a anaplasmose ; a 
durina concorreu com um caso no município de S. Luiz Gonzaga, 
no Maranhão, não tendo o proprietário acceito os conselhos ministrados 
por esta Inspectoria ; a poly-arthrite tem sido também observada. 

Os meios prophylaticos e de combatividade a todas as moléstias 
foram ministrados aos respectivos criadores. 

— O boletim sanitário de Fevereiro menciona a distribuição de 
1.550 doses de vaccina contra o carbúnculo symptomatico a nove 
criadores de diversos municípios do Maranhão ; pelo pessoal da 
Inspectoria foram vaccinados 25 bezerros. Tanto no Maranhão como 
no Piauhy existem enzooticamente a tristeza, a anaplasmose e a 
pyroplasmose bovina; foi observado um caso de tétano em S. Luiz, 
capital daquelle Estado. 

7 o Districto (Uberaba) 

. Um dos funccionarios deste districto, a requisição do Sr. Coronel 
Carlos Rodrigues da Cunha, foi á fazenda das Toldas, onde vaccinou 
190 bovinos contra o carbúnculo symptomatico. 

Existem alli cerca de 600 cabeças de gado vaccum, em regulares 
condições de saúde, havendo algumas rezes atacadas de berne. 

A criação das espécies suina e equina é em pequena escala e 
encontra-se em boas condições de saúde. 

Registraram-se alguns casos de raiva em cães veadeiros, que 
foram sacrificados, não se tendo, felizmente, propagado a terrível 
moléstia a outras espécies de animaes. 



SOCIEDADE C.L SUISSA 

ISTO BRASIL 

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Em S. Paulo: 

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6—2 

14 



CARBOLINA W 



Poderoso e imico desinfectante nacional 
na Exnosição 





"'jlliiuJ' ' 



Dentre o grande numero de desinfectantes que concorreram á Exposi- 
ção, apenas dous mereceram o Grande Premio: a Carbolina Werneck e a 
Creolina de Pearson, producto estrangeiro, o que quer dizer que foram 
considerados perfeitamente eguaes, offerecendo a Carbolina Werneck 
maiores vantagens ao consumidor, pois o seu preço é muito inferior. 

Na industria pastoril ella tem prestado os melhores serviços como 
especifico para destruir completamente as bicheiras, bernes, e no tratamento 
da febre aphtosaos seus effeitos são promptos e satisfactorios. 

Os documentos abaixo transcriptos demonstram á evidencia o valor da 
Carbolina, e devemos assignalar mais o facto importante de ser a única 
creolina nacional que tem dado resultados idênticos á Creolina Pearson, 
no tratamento de bicheiras, conforme a opinião franca e sincera de dis- 
tinctos criadores dos mais conhecidos no Brasil. 



PARECERES 

Não tendo tido tempo de fazer eu mesmo a analyse da nova amostra da Carbolina, 
que me enviou, encarregou-se deste trabalho um illustre ehimieo de Berlim, o Sr.Dr. Valer 
Kobelt. 

Como se verifica pelo resultado obtido, o seu producto continua, como as amostras 
anteriores, a cujas analyses procedi pessoalmente, a ser de óptima qualidade sendo elle 
mais rico em cresóes do que a maior parte dos productos similares nacionaes e estran- 
geiros que se encontram á venda nesta Capital. 

Com elevada estima e consideração sou de V. S- adm. e amg. obr. - Dr. Daniel 
Henninger, Isente Cathedraticoda Escola Polyteehnica. 



Nunca encontrei creolina. mesmo a de Pearson, que produzisse tão bons effeitos 
como o seu preparado. A Carbolina destróe rapidamente todos os vermes que apoquentam 
especialmente o gado vaccum. Felicito-o por mais este triumpho sobre os similares 
estrangeiros.— Dr. Pedro Gordilho Paes Ume. 



Illm- Sr. Vicente Werneck- — Tenho a satisfação de communicar-lhe que tenho 
feito uso em minha fazenda de cultura e criação de diversas qualidades de creolina, 
para desinfectar e matar bicheiras das minhas criações suina. lanígera, cavallar e 
bovina ; nenhuma até hoje deu-me resuhados da sua Carbolina. que, além de tudo, é excel- 
lente para matar bicheiras em poucos minutos, superior á Creolina de Pearson, que 
considerei melhor do que o mercúrio, único medicamento que até pouco tempo empreguei 
para esse fim. Portanto, posso garantir que a Carbolina é muito bom preparado e conti- 
nuarei a preferil-o a qualquer outro conhecido. 

Apparecida, 8 de Julho de 1905.- M. U. L,engruber. 



Experimentei com o maior interesse a sua Carbolina para matar as bicheiras no 
gado de minha fazenda e tenho hoje a satisfação de communicar-lhe que o resultado 
excedeu á toda a expectativa. 

Posso garantir-lhe que ainda não empreguei melhor producto para o fim de 
extinguir os vermes da vareja e afianço-lhes que a Creolina de Pearson não é melhor 
do que o seu producto. 

Felicitando-o calorosamente pelo resultado obtido com seu excellente preparado, 
faço votos para a divulgação do seu producto e subscrevo-me com elevada estima e 
consideração. 

Campo Bello, 18 de Junho de 1905. - Seu affectuoso amigo obrigado — Eduardo 
Cotrim. 



Tenho toda a satisfação em participar-lhe que tenho empregado o seu desinfectante, 
Carbolina Werneck, no tratamento das bicheiras nos animaes e obtido em mais de um caso 
resultado verdadeiramente surprehendente. 

Além do meu testemunho pessoal sei que collegas e visinhos meus também têm 
colhido exeellentes resultados com a applicação da Carboiina Wernnck. 

Felicito-o pela confecção de um producto que vem prestar relevantíssimo serviço á 
Industria Pastoril pelos seus effeitos e modicidade de preços. 

Cantagallo, Fazenda de S. Joaquim, 29 de Junho de 1905. - José A. Fontainha 
Sobrinho. 

Deposito : PHARMACIA E DROGARIA WERNECK 
RUA DOS OURIVES N. 7 = Rio dk jankiro 

6-2 

14 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 161 

A referida propriedade tem a superfície de 600 alqueires de 
100x100, sendo as terras vermelhas na sua quasi totalidade, as 
invernadas plantadas de jaraguá e gordura-rôxo francano e os eampos 
de branco, lancêta, flexinha, chatinho, etc. 

— -Do boletim sanitário, de Janeiro findo, dessa Inspectoria, 
extractámos o seguinte : 

Em Março foram constatados focos de carbúnculo symptoma- 
tico em quâsi todos os municípios do Triangulo Mineiro. Pelo pessoal 
da Inspectoria foram vaccinados 15 bezerros pertencentes ao Sr. José 
da Cunha, Uberaba, e distribuídas 130 doses aos Srs. Innocencio 
Alves dos Santos, António Sebastião da Costa e D. Elisa Junqueira 
de Almeida ; os numerosos pedidos de maior quantidade de vaccina 
foram attendidos directamente pela Directoria de Veterinária. 

A febre aphtosa existe na forma muito benigna. 

Os casos de sarna que haviam apparecido em animaes de tracção 
na cidade de Uberaba têm decrescido muito devido ao tratamento e 
prophylaxia aconselhados. 

Além de casos de gourme e p olmo es foi participado á Inspectoria 
que em fazendas do districto de Dores, no município de Uberaba, 
haviam succumbido alguns animaes atacados da peste de coçar. 

O carbúnculo symptomatico foi notificado em Uberaba, Conquista, 
Araguary, Uberabinha, Fructal, Sacramento, Prata, etc. ; a febre 
aphtosa, em caracter benigno, em boiadas sertanejas. 

A sarna é uma dermatose muito frequente nesta zona, sendo 
atacados de preferencia os equinos viajados e enfraquecidos. 

Foram fornecidas e applicadas pela Inspectoria 2.630 doses de 
vaccina contra o carbúnculo symptomatico nos municípios de Uberaba, 
Conquista, Araguary, Uberabinha, Fructal e Santo António de 
Guanhães. 

— Durante o mez de Fevereiro foram constatados focos de 
carbúnculo symptomatico nos municípios de Uberaba, Araguary, 
Conquista, Fructal, Prata, Villa Platina e Guanhães. Contra este mal, 
distribuiram-se 2.650 doses de vaccina a 15 criadores. 

Em diversos municípios existe a febre aphtosa, embora de forma 
' benigna, tendo sido empregados contra ella os meios communs de 
prophylaxia ; verificou-se, tanto no município de Uberaba como nos 
outros do districto, sensível diminuição dos focos e parece que, devido 
em máxima parte, ao grande decrescimento do commercio de gado, 
tende a extinguir-se em breve. 

Verificaram-se na cidade acima casos de sarna produzidos pelo 
parasita scabics; apezar dos conselhos e prescripçoes fornecidas pelos 

K. V-. 21. 



162 MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA U COMMERCIO 

funccionarioSj os donos dos animaes preferiram conservar-se indiífe- 
rentes, o que provavelmente determinará a propagação do mal. 
Também ha noticia da existência do gourme e polmões. 

— Esta Inspectoria, á requisição do Sr. José Rezende, proprie- 
tário da fazenda Lageado, procedeu, em Fevereiro findo, á castração, 
pelo systema incruento, em 185 garrotes, com a torquez Burdizzo, 
achando-se o gado em excellentes condições de saúde. 

— Em princípios de Abril, na fazenda do Dr. Gabriel Junqueira, 
no município de Conquista, um auxiliar desta Inspectoria vaccinou 
465 bezerros contra a peste da manqueira. 

8 o Districío (Santa Catharina) 

Em Janeiro deste anno o boletim desta Inspectoria accusa a exis- 
tência de focos de carbúnculo symptomatico, embora não haja recebido 
communicação directa dos interessados ; a persistência da febre aphtosa 
nos municípios da Palhoça, Biguassú e S. José, trazida por tropas da 
região serrana, a forma tem sido benigna e na serra, onde teve inicio, 
tende a diminuir de intensidade. 

A raiva tem produzido poucos casos em Brusque e maior numero 
em Blumenau, apparecendo atacados delia cães, bovideos e equinos ; 
nenhum caso, porém, foi notificado directamente á Inspectoria ; foi 
mordida uma creança por animal doente. Contra esta epizootia 
nenhuma providencia foi tomada pelas autoridades locaes. 

Em Blumenau foram verificados diversos focos de pneumo-ente- 
rite infecciosa dos porcos, tendo-se aconselhado aos proprietarois a 
desinfecção e isolamento. 

No mesmo município também foram verificados focos de hog- 
cholera ou peste suina, tendo-se dado eguaes instrucçoes ás anteriores. 

Existe ainda a tristeza — pyroplasmose e anaplasmose bovina. 

Foram constatados a existência do gourme, febre typhoide, ente- 
rite e raiva em um cão, tudo em Blumenau. 

Febre aphtosa — Continuava em Março a grassar neste Estado 
no gado da serra ; para impedir a sua propagação foi prohibida a 
descida ao littoral dos animaes procedentes daquella região quando 
transitassem pela estrada Curitybanos-Blumenau, tendo sido collocado 
em ponto conveniente da mesma estrada um guarda para tornar 
effectiva a prohibição. 

Em uma propriedade abaixo da serra, denominada Pouso 
Redondo, appareceram alguns casos da moléstia, verificados em 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 163 

animaes de uma tropa, que por este motivo voltou a Curitybanos, por 
ter sido impedida de proseguir viagem para a eosta. 

A Inspectoria não dispõe de elementos para cercear a propagação, 
pois o Superintendente de Tubarão também informou o apparecimento 
de casos nesse município pedindo instrucçoes ; foi-lbe recommendado 
o isolamento dos animaes e dos pastos onde se aebam, pròhibindo-se 
tanto a sahida destes como a entrada de outros. 

Um criador do logar informou que a invasão deu-se pelo Rio 
Grande do Sul, pela estrada littoranea do Torres. Parece que as 
medidas aconselhadas deram bom resultado por se terem extinguido 
todos os casos desse município. 

Mor mo — Foi verificado um foco suspeito em Florianópolis, 
tendo sido malleinizados dez animaes sem nenhuma reacção positiva. 

A raiva — Continua em Brusque, Joinville e mais intensa em 
Blumenau; as autoridades locaes não tomaram providencias. 

Pneumo-enterite infecciosa dos porcos — Foi constatado um foco 
pela autopsia e observação microscópica, tendo morrido uns cem 
animaes ; foi aconselhado o isolamento e a desinfecção. 

Enzooticamente existe a tristeza, anaplasmose e pyroplasmose 
bovina. Verificaram-se trinta casos de gourme no Indayal e três de 
syngame tracheal em gallinhas de raça. 

12° Districto (Rio Grande do Sul) 

Esta Inspectoria deu conhecimento ao Sr. Dr. Alcides Miranda, 
Director do Serviço de Veterinária, que, durante o mez de Janeiro 
rindo, foram inspeccionados 122 animaes vaceuns e 48 equinos, expor- 
tados para a Republica Oriental do Uruguay e pertencentes ao 
Sr. Manoel da Cruz Piegas. 

Foram vaccinados também 493 animaes contra o carbúnculo 
symptomatico e 42S contra o bacteridiano, na fazenda Milano, em 
Alegrete. 

Na propriedade criadora do Sr. Dr. António Monteiro, sita em 
Uruguayana, foi observado um caso de tristeza, em um touro Jersey, 
que veiu a fallecer no momento em que se lhe applicava uma injecção 
de Trypanblau. 

Outros casos clínicos foram promptamente attendidos. 

Examinaram-se dois banheiros carrapaticidas no município de 
Alegrete, nas fazendas Santa Rosa e Bella Vista, sendo os mesmos 
approvados e passados os respectivos attestados. 



164 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Espirito Santo 

Esta dependência do Serviço enviou ao Dr. Alcides Miranda, 
Director do Serviço de Veterinária, o boletim sanitário relativo ao 
mez de Janeiro findo, sendo delle extractados os seguintes pontos: 

Foram constatados três focos de carbúnculo symptomatico, com 
48 casos, em Alfredo Chaves e Santa Cruz, sendo vaccinados 260 
animaes. 

A sarna foi notificada com três casos, em Santa Cruz ; a pneumo- 
enterite infecciosa dos porcos em três animaes, em Alfredo Chaves. 

O "mal de cadeiras", pelas informações fornecidas por alguns 
criadores, parece grassar em alguns municípios, não podendo a depen- 
dência diagnosticar a epizootia por falta de autorização de passagem 
nas estradas de ferro. 

Carbúnculo symptomatico — Foram constatados em Março quatro 
focos, tendo succumbido nelles 47 animaes ; pelo pessoal do serviço 
foram vaccinados 595 bezerros e distribuídas 400 doses de vaccina 
aos Srs. Américo Silvares, Padre Manoel Simão, ambos criadores em 
S. Matheus e Manoel António de Azevedo, em Castello. 

A tuberculose bovina verificou-se no municipio de Santa Leopol- 
dina, grassando, porém, com alguma frequência em quasi todas as 
propriedades agrícolas do Estado ; foram tuberculinizados dois bovinos, 
dando um reacção positiva e outro duvidosa ; aconselhou-se o isola- 
mento dos animaes e prescreveu-se medicação tónica. 

Verificou-se um foco de sarna em dois carneiros, no municipio 
de Cariacica, na propriedade do Sr. António Ramiro de Albuquerque. 

Clinicamente foram constatados dois focos de pneumo-enterite 
infecciosa dos porcos nos municípios de Cariacica e Regência nos 
quaes morreram cinco animaes ; casos desta moléstia apparecem fre- 
quentemente em todo o Estado. 

Segundo informações de criadores, parece grassar no municipio 
de Santa Leopoldina o mal de cadeiras. 

Foram também observados três casos de rachitismo em Santa Cruz; 
e Alfredo Chaves. 

As providencias ao alcance da dependência para a debellaçao das 
epizootias foram tomadas immediatamente, sendo aconselhadas medi- 
das hygienico-prophylaticas. 

Foram distribuídas 200 doses de vaccina contra o carbúnculo 
symptomatico. 

— Do boletim sanitário de Fevereiro constam quatro focos de 
carbúnculo symptomatico, nos quaes morreram 44 animaes ; foram 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA. 1 65 

yaccinados contra esta moléstia 312 cabeças e distribuídas 1.750 doses 
do vaccina; appareceram dois focos de sarna, tendo-se determinado 
o isolamento dos animaes atacados e a medicação conveniente. 

Inspectoria de Campos 

O boletim de Janeiro ultimo aceusa cinco focos de carbúnculo 
symptomatico, com 17 casos; nelles morreram 12 animaes e pelo 
pessoal foram vaccinados 24, tendo sido distribuidas a 13 criadores 
915 doses de vaccina. 

O môrmo é constatado frequentemente em animaes de serviço 
que, submettidos á malleinização, têm dado reacções positivas ; apezar 
disto os proprietários recusam-se a sacrifical-os e, portanto, vão 
contaminando os logares por onde transitam. 

Constatou-se um caso de mal de cadeiras; o animal, náo obstante 
o rigoroso tratamento, suecumbiu. 

Em vários municipios tem havido grande mortandade de gallinhas, 
produzida por uma verminose, parecendo tratar-se da peste aviaria. 

No mez de Fevereiro constataram-se seis focos de carbúnculo 
symptomatico, nos quaes morreram 15 animaes; pelo pessoal da 
Inspectoria foram vaccinadas 103 cabeças de gado e distribuidas aos 
criadores 500 doses de vaccina. 

Foram annotados dois casos de môrmo ; isolaram-se os animaes 
atacados que, submettidos á malleinização, deram reacção positiva ; 
os proprietários, posteriormente, mandaram sacrifical-os. 

Foi verificada a existência da febre aphtosa em cinco localidades, 
porém esporadicamente, apenas em seis animaes, todos de caracter 
benigno ; foi aconselhado o isolamento dos mesmos, a desinfecção 
dos logares em que estacionavam e communicou-se aos criadores 
vizinhos que vedassem a entrada em suas propriedades aos animaes 
de procedência suspeita. 

Actualmente estão sendo estudados alguns casos de mal de 
cadeiras. 

Tem havido também alguns casos de helminthiase, que estão 
sendo combatidos. 

A diphteria aviaria está grassando intensamente entre os galli- 
naceos no município de Campos, exigindo, segundo parece, estudos 
especiaes. 



166 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA R COMMKRCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



v 



(A Revista de Veterinária e Zootechn ia responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações que lhe 
forem feitos sobre assumptos de sua especialidade). 



N. 14 — Sr. Castorino Freitas, Amparo, S. Paulo. 

— Desejando saber qual o meio empregado para a cura da pesta da manqueira 
e para a 'immunisação dessa moléstia, venho pedir se digne responder-vie > 
dando- me as necessárias instrucções. 

Tem apparecido neste município alguns casos e eu, sempre consultado, nada 
tenho podido fazer. 

Esta moléstia aqui tem apparecido todos os annos, atacando de preferencia 
as rezes de idade de 6 metes a 2 annos. 

— Não existe cura para a peste da manqueira. O tratamento preventivo, porém f 
tem dado já, ha longos annos, um resultado admirável, não havendo exemplo de 
animal vaccinado ter contraindo a moléstia. 

A vaccina para esse tratamento é distribuída gratuitamente pela Directoria 
do Serviço de Veterinária, sendo sufíiciente para a sua obtenção um requerimento 
ao Director do Serviço, competentemente estampilhado. 

Para isso, porém, é necessário que o requerente, criador, esteja registrado no 
Registro de Lavradores e Criadores, instituído no Ministério da Agricultura. 

Com os tubos de vaccina vão as instrucções para o seu emprego. 

Durante o anuo passado foram vaccinados mais de 360.000 animaes. 



RKVISTA DK VKTKRINAKIA K ZOOTRCHNIA 167 



ECOS E NOTICIAS 



Leilão de animaes. — Autorizado pelo Sr. Ministro da Agricultura, o leiloeiro 
Sr. J. Dias vendeu, em 16 do corrente, em hasta publica, vários animaes de raça, 
productos da Fazenda Modelo de Criação Santa Mónica, no Estado do Rio de 
Janeiro, estabulados nas cocheiras que são uma dependência do edifício do 
Ministério da Agicultura. 

Foram vendidos os seguintes animaes: Dous touros Hereford ', de três annos e 
um de um anno; um Polled Angus, de um anno e quatro de seis mezes a um anno; 
um Normando , de seis mezes; oito Caracas, de um anno e um de três annos; 
vinte e duas ovelhas Rommey March; deus carneiros e dez ovelhas Cara Negra. 

Ao meio dia, o aspecto do local era animador, cerca de duzentas pesseas alli 
se achavam, avultando o numero de criadores dos Estados do Rio e Minas Geraes. 
Entre os presentes viam-se os Srs. Ministro da Agricultura e seu Secretario 
Dr. Araújo Castro, Mário Barbosa Carneiro e Dr. Manoel Rodrigues Peixoto, 
Directores Geraes de Contabilidade e Agricultura; Coronel Alberto Eevel, Director 
da Fazenda Modelo de Criação Santa Mónica; General Pinheiro Machado, Senador 
Nilo Peçanha, Conde Modesto Eeal e Barão das Duas Barras. 

O leilão rendeu mais de oito centos de réis, sendo os preços obtidos muito 
compensadores. 

As raças bovinas da Suissa. — Com esta epigraphe demos á publicidade 
no ultimo numero desta Revista um trabalho, cuja autoria attribuimos ao nosso 
illustre amigo Sr. Alberto Gertsch, digno Cônsul da Suissa nesta Capital. 

Satisfazendo a um pedido desse nosso amigo, apressamc-nos em declarar 
que aquelle trabalho não é de sua lavra, mas simplesmente traduzido por S. S. 

Diarrhéa infecciosa. — A pedido do Presidente da Camará Municipal de 
Três Ponta 5 ?, Estado de Minas, seguiu no dia 18 de Março ultimo para a fazenda 
do Sr. Euiz António de- Azevedo um veterinário que constatou existir não só 
naquella fazenda como nas adjacentes a diarrhéa infecciosa dos bezerros, aggravada 
de complicações broncho-pulmonares, que tem victimado grande numero desses 
animaes. 

Foi prescripto pelo referido veterinário o isolamento dos doentes, a desinfecção 
dos focos, a therapeutica a empregar e os indispensáveis cuidados em relação ao 
curativo e tratamento dos bezerros recem-nascidos. 

Bibliographia. — ■ T. Difjloth — Zootechnie — Races bovines — Troisième 
edition — 1911 — Librairie J. />. Roillière efoFilo — Paris. 

— Acabamos de receber e agradecemos a remessa deste óptimo livro, que 
recommendamos a todos que se oceupam coma criação de gado bovino. Osalumncs 
das Escolas Medias e da Escola Superior de Agricultura também não podem 



168 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

dispensar a leitura desse trabalho, que vem consideravelmente augmentado e com 
as ultimas acquisições scientificas, que não se encontram na segunda edição e 
que, no entanto, gosou de tanta reputação no Brasil. 

Repetindo as palavras do eminente professor Paul Regnard, no prefacio, 
teremos expendido nossa opinião sobre este valioso livro: «Não são simples 
manuaes ou formulários sem critério que efferecemos aos criadores; são tratados 
leves, nos quaes os resultados incontestáveis são pontos em evidencia, ao lado de 
bases scientificas que lhes deram origem.» 

Uma revista conscienciosa de todas as raças bovinas permitte facilmente aos 
criadores apprehender ensinamentos que lhes serão utilíssimos na pratica. 




EEMEDIO INFALLIVBL CONTRA OS CARRAPATOS 



Officialiente appiwado pelo Governo dos E. U. da America 



Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e outros 
apparelhos para lacticínios 



BOfMR 



Rio de Janeiro, S. Paulo, Bello Horizonte, Santos e Bahia 



6-4 
13 




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12—4 

13 /? 






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Anno IV 



Junho 1914 



N°. 3 



REVISTA 



D« 



Veterinária e Zootechnia 



PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 



DO 



Serviço fle Veterinária do Ministério fta Airicultura, Mustria e Oommorcío 





SUMMARIO 



PARTE OFFICIAL: 

Distribuição da vaccina 169 

COILABO RAÇÃO: 

Dr. Nicoláo Athanassof Alimentação das vaccas leiteiras 174 

Dr. J. V. de Paula Nogueira Fecundação e esterilidade 189 

Castro Brown Serviço de inspecção do leite em 

Nictheroy 198 

J. Wilson da Costa Cirurgia Veterinária — Avícola ... 219 

PELAS 1NSPECTORIAS : 

Informações referentes aos districtos veterinários, prestadas pelos 

respectivos inspectores 221 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES : 

Tricophycia — Otite 226 

ECOS E NOTICIAS : 

Congresso Internacional de Medicina Veterinária — Kpizootia de Hogr- 
Cholera — Estatística pecuária — A propósito do tratamento do 
« nambiuvú » 228 

B1BLIOGRAPHIA 230 





RIO DE JANEIRO 

Typograpbla do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

1814 






"ASCURRA BASSE-COUR" { 

55, Ladeira do Ascurra TELEPHONE 5.418 Rio de Janeiro — 1914 l 



i 

I 

í 

í 

i 

{ 




BpBÍSÍÍ?.fê&à 



í 
{ 



RAÇAS GRANDES 



Conchinchlnas Branca 

» Preta 

* Amarella 

* Perdiz 

Brahamas Clara 

Plymouth Rock Branca 



Wyandottes Amarella 

» Prateada 

» Perdiz 

» Columbian 

» Azul 

Rhod Island Red. 

Faverolíe. 

Langshans. 
Amarella l Coucou de Maline. 
Pedrez > Modern Langshans. 



RAÇAS POECEIRAS 



9 

í 



Dorkíngs Branca 

» Prateada 

• Escura 

Orpingtons Branca 

» Preta 

* Azul ) Indiana. 

* Amarella ( Malaya. 

" Jubileo \ Old Inglish Game 

Wyandottes Branca ) Pheni 

Preta ( Modern Game. 



GALLINHAS DE BRIGA 



Leghornes Branca 

» Dourada 

Hamburgos Dourada 

» Prateada 

Minorcas Preta 

Andaluza Azul 

Bresse Branca 



GALLINHAS BONITAS PARA PARQUE 

Padoues (de topete) . . . Branca 

» — » — . . Amarella 

» — » — . . Prateada 

u — » — . . Dourada 
» (topete branco) Preta 

Houdan. 



PREÇO DOS OVOS: J5$000 a dúzia 

Perus Americanos — Falsões — Patos de Pekin 

TEMOS UM STOCK DE PERTO DE 2.000 AVES QUE VENDEMOS : 

Ternos de frango de 60$ a 90$ II Temos de adultos 120$ a 150$ 

«*. 

Ternos de animaes premiados em exposições na Europa de 200$ para cima 



6-3 

14 






REVISTA 



DE 




PUBLICAÇÃO OFFICIÁL 



DO 



Serviço Ae Veterinária Qo Ministério tia Acricultiira, Mustria e Coiiercio 



«JTJiNrBIO — 1914 



^U=?l£^J4s 



má 



i^^-Tf^ 



RIO DE JANEIRO 

T_vpo'4iapIiia do Ministério da Agricultura, Industria c Commcrcio 







1AA 








Publicação Offlclal da Directoria do Serviço de Veterinária 

do 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA £ COMMERCIO 

Dislriliiilçfio gratuita aos criadores do palz que a solicitarei!! 
R\0 ftL ^UÇ.\RO * * Caixa Postal 1.678 * * &RNSW. 

A REDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSA1ULTSA PELOS CONCEITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIGNADOS POR SEUS COELABORADORES 

ANNO IV U Junino de 1914 X N. 3 



EXPEDIENTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 

sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 

a interrupção no recebimento da «Bevista», indicando, 

quando possível, o numero de ordem de sua inscripção. 



PARTE OFFICIAL 



DISTRIBUIÇÃO DE YÂCCINÂ 



Sendo constantes os pedidos de vaccina e de outros medicamentos 
contra as diversas epizootias, que assolam o gado vaccum, por parte 
de Camarás Municipaes, de Inspectorias Agrícolas, Associações 
Agro-Pecuarias, etc, commíunicamos a todos os interessados que o 
Sr. Ministro da Agricultura resolveu que, de agora em diante, só 
fossem aquelles medicamentos distribuídos aos próprios lavradores, 
desde que se achem inscriptos no Registro de Lavradores e Criadores 
deste Ministério. 

Assim, pois, as Camarás Municipaes, Inspectorias Agrícolas e 
Veterinárias, Associações Agro-Pecuarias devem promover e inte- 
ressar-se junto dos criadores de seus municípios, districtos e asso- 
ciados para que inscrevam suas propriedades naquelle Registro. 

Para isso basta dirigirem-se a Directoria Geral de Agricultura, 
pedindo instrucçoes a respeito, ou a cada uma das Inspectorias 
Agrícolas ou Veterinárias nos respectivos Estados. 

Desejando entretanto auxiliar os senhores criadores, abaixo 
transcrevemos as instrucçoes que foram expedidas para a execução 
desse serviço, chamando especialmente a attençao dos interessados 
para as disposições dos arts. 6 o , 7 e II o das mesmas instrucçoes. 



R. V 22 



170 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Instrucções para a execução da portaria de 21 de Setembro de 1909, que approvou as disposições referentes 
ao Registro de Lavradores, Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas 

Art. I o — O Registro de Lavradores, Criadores e Profissionaes 
de Industrias Connexas, estabelecido no Ministério da Agricultura, 
Industria e Commercio, de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro 
de 1909, tem por objecto a estatística dos profissionaes de agricultura, 
criação e industrias ruraes existentes no paiz, mediante o disposto na 
citada portaria e nas presentes instrucções. 

Art. 2 o — Os lavradores, criadores e profissionaes de industrias 
connexas, que se inscreverem no referido registro, gosarão das 
seguintes vantagens : 

a) preferencia na distribuição de sementes, plantas e publicações 
que fizer o Ministério ; 

b) dispensa de attestado profissional, quando requererem ao 
Ministério sobre o assumpto em que seja exigido tal documento; 

c) preferencia na obtenção dos favores contidos no decreto 
n. 7.737, de 16 de Dezembro de 1909, (■*) relativo á importação de 
animaes reproductores ; 

d) preferencia em caso de requisição de veterinários do Minis- 
tério e no fornecimento de medicamentos, seruns, vaccina, etc, quando 
verificar-se qualquer epizootia em animaes de sua propriedade ; 

c) preferencia nos auxilios prestados á agricultura pela Dire- 
ctoria de Inspecção, Estatística e Defesa Agrícolas e por outras depen- 
dências do Ministério. 

Art. 3° — O pretendente á inscripção deverá requerer ao Mi- 
nistro, apresentando as seguintes informações : 

I a , nome do lavrador, criador ou profissional de industria rural; 

2 a , denominação da propriedade ; 

3 a , se é própria, arrendada ou alugada (neste caso o nome do 
proprietário) ; 

4 a , município onde se acha situada ; 

5 a , cidade, villa ou povoação mais próxima ; 

6 a , se é servida por estrada de ferro, ou por navegação marítima 
ou fluvial ; 

7 a , superfície total e qualidade das terras ; 

8 a , área cultivada ; 

9 a , área inculta ; 

10 a , se existem mattas, e a superfície correspondente; 

11 a , área destinada a pastagens; 

12 a , género de producção. 



(*) Este Decreto foi alterado pelo de n. 8.537, de 25 de Janeiro de 19 11 






MAG.NESIA FLUIDA 



DK 



MURRAY 

Patente pelo processo especial do 

invento de 

Sir James Murray 



Fabricas em Dublin e Rio de Janeiro 



i ^ i 



Todas as famílias devem estar providas 
deste precioso medicamento, que tantas vezes já preve- 
niu moléstias graves, sendo tomado a tempo, para 

Indigestões, azia do 

estômago, dores de cabeça, 

affeeeões gastro-intestitiaes, 

flgado e febres em geral. 



= SEU EMPREGO FACILITA A ACÇÃO DO MEDICO = 



Por ser chimicamente pura a 

MAGNESIA DE MURRAY 

conserva- se indefinidamente e nunca se altera 



Evitar as imitações 



12 — 

13 



-M"M-*M-*M--t-4-t- ++■ ++ -i"t- ++ 4-t- -H- -HH-f4f4f4f4H-l' M 1 • } • t-j—H—HHH—t- 1 
•HM- -M* «hM-f *H- 4*Hh+ -H- -+* 4+ -H- 4+ -hHH- thh*H- <H- 44 44- -4-+- 4-M-444444; 

tft Ciado de raça [XX 



tt 

44 



Gado de raça 

l*\ [XX 

GAVALLAR, VACCUM E SUÍNO íi 

XX 

4) Na afamada Granja de Pedras Altas, Rio Grande do Sul, ^44 

-j-^C propriedade do Sr. Dr. Assis Brasil, vendem-se reproductores \+% 

XXy vaccuns, Jersey e Devon, suinos Berkshire e Tainworth, bem como >TX 

4-4/ potros e cavallos para corridas, sella e tiro, puro sangue inglez, 54-4- 

J4-) árabe, irlandez e anglo-percherons. M-í 

XX^ A vacca Jersey é a que dá mais rico leite e melhor manteiga, S^4 

^t\ sen do também a mais sóbria e sadia. \XX 

~VX\ A Devon é boa leiteira e produz a melhor carne. yiX 

XX\ O porco Berkshire é o melhor productor do toucinho e de mais )%% 

44s fácil engorda. A Tainworth é especial para carne e presunto, e /44 

4-4s ambas são de grande peso. Si-;- 

^Xi Os interessados podem entender-se com Alipio Teixeira de SJTjt 

4-4-/ Souza, proprietário do America Hotel, á rua do Cattete n. 234. \tt 

tt \xx 

. } ■■).. } ■ ' ,■(•. ( , ,{.{■■ m ,{. | . ,(,}. ■ { . {, ■ { .,'(, t j^+^-j. ^ ,{,. ( . ,(,. ( ■ fr. -{ . i| 4 H" ! •;•■> > 4 -j--h4-M~i~hM^ 4- 
-M-44HH-4H-444H-4-444-M < -h44^4^^-^^-4-K44H-H^44-K-f-M--)H-444-4-M'4-4 



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Grande sortimento de ferragens, ntensilios e objectos 
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Vantagens económicas do banho com Sarnol : 

I o , mata todo o carrapato; 2 9 , não prejudica o animal; 3 9 , produz 
uma immunisação temporária, isto é, com um certo numero de banhos 
(para o Brasil calculamos de 4 a 6 no anno) obtem-se o ideal de ter o 
gado sempre limpo de carrapato, e provavelmente também do berne. 

SARNOL TRIPLE FLUIDO 

Km latas de 20 e 5 litros, o litro 1$600 

SABÃO SARNOL TRIPLE t~™~5?~ 

Com os mesmos elementos do Fluido Sarnol Triple prepara-se o Sabão 

Sarnol Triple para matar, como aquelle, o carrapato, 

além do piolho e a sarna dos bovinos 

Chácaras de cultura de plantas: rua Haddock Lobo, 228 (deposito geral e cultura 

de palmeiras); rua Santa Alexandrina n. 134 (cultura de arvores 

fructiferas e roseiras) 

Deposito gerai de plantas: RUA HADDOCK LOBO 223 — Vilia ítala 6— i 

EICKHOFF, CARNEIRO ILEXo & C 13 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 7 1 

Art. 4° — Tratando-se de propriedade destinada á criação, deve 
o requerente acerescentar os seguintes dados : 

a) numero de cabeças de gado, com designação do sexo; 

b) suas espécies; 

c) se possue prados artificiaes ; 

d) natureza das culturas forrageiras; 

c) seu rendimento por unidade de superfície. 

Art 5° — Se o requerente possuir fabrica ou outro qualquer 
estabelecimento de industria rural, deve additar ás informações exigi- 
das pelos artigos 3 e 4 , na parte que lhe competir, as seguintes : 

a) data da fundação da fabrica; 

b) natureza da sua producção; 

c) procedência da matéria prima; 

d) producção média annual; 

e) numero de operários; 

/) centro de importação dos produetos. 

Art. 6 o — O pretendente á inscripção deverá requerer neste sen- 
tido ao Ministro, apresentando certidão do imposto que paga ao 
Estado ou municipio, como lavrador, criador ou profissional de 
industria connexa, além das informações mencionadas nos arts. 3 , 
4 o e 5°, conforme a classe a que pertencer. 

Art. 7° — A falta do documento de que trata o artigo anterior 
poderá ser supprida por attestado do Presidente da Municipalidade, 
do Prefeito ou Agente Executivo ou de dois lavradores já inscriptos, 
devendo ser legalmente reconhecida qualquer das respectivas firmas. 

Art. 8 o — As indicações de que tratam os arts. 3 , 4 , 5 e 6 o 
deverão ser renovadas annualmente pelo interessado, em relação aos 
pontos em que se tenha dado* qualquer alteração. 

Art. 9 o — O Ministro providenciará para que os inspectores 
agrícolas, seus ajudantes e os auxiliares da Defesa Agrícola tenham 
á sua disposição modelos dos requerimentos que lhe devem ser diri- 
gidos para a inscripção no registro, e delia dar-se-á certificado 
assignado pelo Director da Directoria Geral de Agricultura e Industria 
Animal. 

Art. 10 — Haverá na 2 a secção da Directoria Geral de Agricultura 
e Industria Animal um livro destinado ás inscripçoes e outro de 
talões numerados em que as mesmas serão lançadas, sendo entregue 
o talão ao inscripto, conservando a secção a costaneira com a assi- 
gnatura do funecionario que a extrahiu e a rubrica do Director da 
respectiva secção. 

Art. 11 — Os requerimentos e documentos relativos á inscripção 
de que tratam as presentes instrucçÕes estão sujeitos ao sello da lei. 



172 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Rio de Janeiro, 15 de Junho de 1910. — Manoel Rodrigues 
Peixoto, Director Geral. 

MODELO DC) REQUERIMENTO PARA INSCRIPÇÃO 

Sr. Ministro da Agricultura, Industria e Commercio. 

F..., desejando inscrever-se no "Registro de Lavradores, Cria- 
dores e Profissionaes de Industrias Connexas" estabelecido nesse 
Ministério, de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro de 1909, 
apresenta, para esse fim, o documento exigido pela mesma portaria 
e as inclusas informações e pede-vos autoriseis sua inscripção. 

Pede deferimento. 



MODELO DAS INFORMAÇÕES 

Informações apresentadas por F..., ao Ministério da Agricul- 
tura, Industria e Commercio, para inscrever-se no "Registro de 
Lavradores, Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas", 
estabelecido de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro de 1909. 

Nome. 
Profissão. 

Denominação da propriedade. 
Estado. 
Município. 

Cidade, villa ou povoação mais próxima. 
E' própria ? Nome do proprietário. 
E' arrendada ? Nome do proprietário. 
E' alugada ? Nome do proprietário. 
— <{ Servida pela estrada. 
Estação mais próxima. 
Meios de communicação. 
Área total e qualidade das terras. 
Área cultivada. 
Área inculta. 
Área em pastagem. 
Área em mattas. 
Género de producção. 
Média animal de producção. 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



173 



Numero de cabeças de gado, com designação do sexo. 

Suas espécies. 

Possue prados artiliciaes ? 

Natureza das culturas forrageiras. 

Rendimento por hectare, alqueire, etc. 

| Data da fundação da fabrica. 
Natureza da sua producção. 
Procedência da matéria prima. 
Producção média animal. 
Numero de operários. 
Centro de exportação de produetos. 



MODELO DE REQUERIMENTO PARA REQUISIÇÃO DE VACCINAS 

Sr. Director do Serviço de Veterinária. 

F..., criador em... Estado de..., inscripto no Registro de 
Lavradores, Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas sob 
n. . . . letra ... a fls. . . . do respectivo livro, possuindo . . . cabeças de 
gado, pede-vos a remessa de... doses de vaccina, visto estar o seu 
gado ameaçado da peste da manqueira. 



Estampilha 

k 
300 réis 



Nota — Para requisição de sarnol ou qualquer outro medica- 
mento serve este mesmo modelo, fazendo, apenas, as indispensáveis 
modificações. 



174 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMEJRCIO 



COIXABORAÇÃO 
ALIMENTAÇÃO DAS YACCAS LEITEIRAS 

VI 
( Vide 11. 2, Abril, 1914 ) 

III — FORRAGENS CONCENTRADAS 

Um bom numero de grãos das plantas cultivadas, ou seus resíduos, 
entra com vantagem, quer pela sua composição, quer pelo seu preço 
relativamente baixo, na alimentação das vaccas leiteiras, sendo a maior 
parte delles dados depois de reduzidos a farelos ou farinhas, e alguns 
outros cosidos. São designados commummente pelo nome de alimentos 
concentrados, devido ao seu alto teor em principios nutritivos. Entre 
os mais empregados podemos mencionar aqui as sementes de cereaes, 
de leguminosas e os residuos industriaes seccos. 

a) Grãos e farinhas de cereaes 

O FUBÁ' — Producto da moagem do milho, pôde dizer-se que é o 
alimento concentrado mais usado entre nós, não somente na engorda 
dos suinos, como na alimentação de quasi todas as espécies domesticas. 
Cem partes de fubá contêm 87.3 de matéria secca e os seguintes prin- 
cipios nutritivos digestiveis : 

Matéria azotada S . 00 

Matéria graxa 4 . 00 

Matérias hydrocarbonadas 68. 6 

Total dos principios nutritivos 86 . 2 

E' o principal alimento de que se dispõe no interior, nunca ou 
raramente produzindo seu emprego perturbações digestivas. Bastante 
rico em matérias graxa e hydrocíarbonadas, seu emprego na alimen- 
tação das vaccas leiteiras não deve ser exaggerado, visto como a 
engorda viria prejudicar a secreção láctea. Por este motivo a dose a 
administrar diariamente por cabeça não deve ir além de 1 y 2 kilos, 
dando-o juntamente com uma forragem picada e pouco appetecida 
pelo gado e humedecido com um pouco de agua salgada, ou como 
beberagem com agua morna, permittindo ás vaccas absorverem maior 
quantidade de agua, indispensável á funcção normal da glândula 
mamaria. Entretanto, ainda muitos criadores hesitam em introduzir 
o fubá na ração de suas vaccas leiteiras, sob o pretexto de que elle 
predispõe á engorda. 






^,/^. k< ^V J fV J >■y^<■^.^^ w ^^.<'1 > /^ > /■^ l ./■. > /■■^/■■^, l ;>^, < '■^ < >^ J >■S.>^^ J ^^.^^ > /^ll,/■.^,/^.l.^^■^,>-V■l'•S J '■^.' l ^■.' , ^>.•1■,/^'>/'^^,/■l,/■v■l-l.■^'^l|ll »!»« Ml « ... ■ .^ 

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6-6 
13 






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aconselhamos o uso do _JL;1^Z^^ 

GRANULADO, PARA GALLINHAS, que é um alimento 
valioso de dosagem natural, dando-lhes faculdades especiaes de 
postura e engorda e preservando-as das múltiplas enfermidades 
decorrentes da pobreza de acido phosphorico na sua forma assi- 
:========= milavel de phosphato de cal — - 

Analysado pelo Posto Zootechnico Fe- A' venda em todas as casas de I a ordem 

deral em Pinheiro 4- em saccos de 1.500 grammas 

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spectos dirijam-se ao Agente Geral B%mt ■ li 

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3FLXO 33DE3 iT-A.a^ESII^O 



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—A Hortueania, rua do Ouvidor n. 77. — Casa Jardim, rua Gonçalves 
Dias n. 38.— Casa Peora, rua do Ouvidor n. 61.— Fe. Pf/tropoutana, rua 
Gonçalves Dias n. 17. — v Sabrosa & Comp., rua da Candelária n. 1. — Hop- 
' .h-kins, Causer & Hopkins, rua Theophilo Ottoni n. 95. ^h- 6 — 6 

13 



/*"ié"i<r^r">r"ir>r^r^r^r\ 



%» 










mes (ic tiaça ? 



^ *.. 



REPRODUCTORES FRANCEZES 



C ADUBOS 

C CARRAPAT1CIDAS 



BANHOS 



-E- 






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D 

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1 

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tf 



tf 



E. THIERS & C. 

IMPORTADORES E FABRICANTEvS 
DE 

CHAPÉOS DE SOL 
i f 



1 



• • 



©O 



Casa fundada em 1868 



n 



<P 



Pedidos e informações a ^ 



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}s Caixa, 425 — S. 



n 



RIO DE JANEIRO: 

Rua Sete de Setembro, 54 

S. PAULO: 

Rua Boa Vista, 11 

PARIS : 

B ou levar d du Temple, 11 

6-4 
1.3 



I 



nato cousas de que nos (levemos lembrar 



ÉiÈSÊsafiâd^É &iiá kWuW Y&àb il)&à!^iiyày^ A mais afamada. O numero 
total destas machinas, em uso no mundo inteiro, excede de 700.000. 

2| A A MÂCHIKÀ REMINGTON-WÀJIL para sommar e subtrahir. Permitte 
escrever e sommar ou subtrahir em uma só operação. Cabe incontesta- 
velmente o primeiro logar ás machinas desta categoria. 

V A IASH1NA SE CALCULAR TEIMAM 

tisfactoriamente para as exigências das repartições publicas. Faz qual- 
quer das quatro operações com uma' mera volta de manivella, 



ii ÂAyèilVUS Sa ACU A' prova de fogo e humidade. Não se deve temer 
mais as destruições dos roedores. P)sta casa tem todos os estylos e tama- 
nhos adoptados nos departamentos e archivos dos governos estrangeiros. 

O^^^^L PRATT 

125, RUA DO OUVIDOR, 125 - Rio de Janeiro 
AGENCIAS E FILIAES EM TODOS OS ESTADOS 
Peçam maiores esclarecimentos sobre os aríig os acima mencionados. 6 ~ 5 



I 

A única que se presta sa- X 

í 



I 



I 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 75 

( ) milho inteiro não é bem aproveitado pelos bovinos, passando 
facilmente ao estrume, sendo-o melhor pelos equinos e muares. 

São egualmente utilisados com proveito na alimentação cio gado 
vaccum os farelos de milho, provenientes da trituração das espigas. 
Cem partes de farei ode milho e de farelo com espigas inteiras contêm 
respectivamente 88.2 e 87.3 de matéria secca e os seguintes princípios 
•nutritivos digestiveis : 

Farelo de milho Farelo de milho, espigas inteiras 

Matera azotada 7.9 3.7 

Matia graxa 3.4 1 . 8 

Matérias hydrocarbouadas 56.6 55.7 

Total dos princípios nutritivos. . 72.7 63.8 

E' um farelo grosso, de valor nutritivo bem alto, conforme indica 
a analyse, económico e particularmente vantajoso para ser distribuido 
com as forragens aquosas, ou então molhado com agua quente e sal. 
Emprega-se-o na dose de dois a cinco kilos por dia e cabeça, podendo 
vir a substituir uma boa parte do feno. Para reducção das espigas a 
farelo são utilisadas machinas especiaes, como a denominada "Des- 
integrador Dr. Carlos Botelho". 

A AVEIA E A FARINHA DE AVEIA — São pouco ou quasi 
não são empregadas entre nós, devido ao seu preço elevado. A aveia 
reduzida á farinha é empregada com resultado na alimentação das 
vaccas leiteiras, visto agir positivamente sobre a secreção láctea. Seu 
uso talvez seja possivel nos Estados do Sul, quando ella for obtida por 
preços mais vantajosos. Seu preço actual no mercado torna-a impos- 
sível de figurar na ração das vaccas leiteiras. Cem kilos de aveia 
contêm 86.7 °|° de matéria secca e os seguintes princípios nutritivos 
digestiveis : 

Matcria azotada „ 8.3 

Matéria graxa . , 4.0 

Matéria hydrocarbpnada 47 . 3 

Total dos princípios nutritivos ■ 65.2 

Pôde ser dada também quebrada ou cosida e tanto num como 
noutro caso a dose deve regular dois kilos, isto é, mais ou menos uns 
quatro litros por dia e cabeça. 

FARINHA DE CEVADA — Relativamente pouco usada entre 
nós devido ao seu preço elevado, é empregada com vantagem nos paizes 
europeus e na America do Norte na alimentação dos bovinos e suínos. 
Cem partes contêm 85.7 de matéria secca e os seguintes princípios 
nutritivos digestiveis : 

Matéria azotada 7.0 

Matéria graxa 1.9 

Matéria'-, hydrocarbonadas 65, 5 

Total dos princípios nutritivos 75.1 



E um alimento rico em matérias hydrocarbonadas e mucilagem- 
e nutritivo e refrescante, agindo favoravelmente sobre a secreção 
láctea. Seu uso. entretanto, só deve ser feito, quando se a puder obter 
por preço barato. E' empregada com proveito na alimentação das 
vaccas de leite, dos ammaes convalescentes ou dos cujo apparelho 
digestivo se acha fatigado por uma alimentação intensiva, sob a forma 
de beberagens mornas ou incorporada a forragens picadas. A dose é 
de um a três kilos por dia e cabeça 

FARINHA DE CENTEIO E DE TRIGO -São raramente 
utihsadas na alimentação dos animaes, a não ser quando se acharem 
alteradas ou imprestáveis para o consumo humano. Fora disto seu uso 
so será possível nos paizes productores, quando o preço do grão fôr 
muito baixo. Nas leiterias suburbanas do sul da França e em alguns 
paizes productores de centeio usa-se a farinha deste cereal com muito 
bom resultado na alimentação das vaccas, desde que a dose seja 
moderada. 

Pretendem alguns auctores que grande quantidade de centeio na 
ração communica ao leite máo gosto, tornando a manteiga amarga. 
Usado, porém, moderadamente tal inconveniente desapparece. 

O SORGO E O MIEHETE — O sorgo é cultivado para o forne- 
cimento de matéria prima para o fabrico de vassouras, produzindo 
neste caso ainda grande quantidade de sementes, que podem ser vanta- 
josamente empregadas na alimentação das espécies domesticas. Taes 
sementes não são naturalmente tão apreciadas como a aveia ou o milho, 
porém, sua composição permitte empregal-as, depois de reduzidas á 
farinha, com alguma vantagem. Cem partes de sorgo e de milhete 
contêm respectivamente 84.8 e 86.0 de matéria secca e os seguintes 
principios nutritivos digestiveis : 

Sorgo Milhete 

Matéria azotada 7.8 8.9 

Matéria graxa 2,7 3.2 

Matéria hydrocarbouada 57.0 45.0 

Total dos principios nutritivos.. 71.4 61.6 

O milhete cultivado como forragem principalmente na Europa 
Oriental o é também para semente, sendo empregado depois de redu- 
zido á farinha na alimentação do gado. A's aves é dado inteiro. 

b) Sementes e farinhas de leguminosas 

As leguminosas, entre as quaes citamos o feijão, as ervilhas, as 
lentilhas, as favas, etc, empregadas na alimentação do homem, cara- 
cterisam-se pelo seu elevado teor em matérias azotadas e phosphatos. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 177 

Seu valor alimentício, sua digestibilidade e seu preço permdttem seu 
emprego com vantagem na alimentação do gado bovino, principal- 
mente quando não são próprios para a alimentação do homem. 
A utilisação das leguminosas na alimentação dos animaes tem levan- 
tado algumas discussões, sendo aceusadas de occasionar perturbações 
orgânicas de origem plethorica. Determinam facilmente meteorisação 
e prisão de ventre quando não são bem pulverisadas c são admi- 
nistradas em doses elevadas. 

As favas e todas as leguminosas em geral são ricas em acido 
phosphorico, cal e azoto, motivo por que são tidas como de grande 
importância na alimentação dos animaes em crescimento. Devem ser 
introduzidas progressivamente na ração, sendo primeiro quebradas, 
immergidas nagua ou cosidas, facilitando-se assim sua mastigação e 
augmentando sua digestibilidade. São, pois, recommendaveis princi- 
palmente para os animaes de engorda ou para os que são submettidos 
a um trabalho penoso. 

Segundo a opinião do prof. J. Kuhn, as leguminosas não são 
favoráveis á secreção do leite, razão por que aquelle auetor não as 
classifica entre as forragens destinadas ao gado leiteiro. O professor 
Cornevin, por sua vez, considera-as como causadoras da diminuição 
da manteiga e do extracto secco do leite. O prof. Kellner, finalmente, 
attribue á vicia uma acção desfavorável sobre a producção do leite, 
tanto quantitativa como qualitativamente. 

Sem contestar as affirmaçÕes dos scientistas citados, pensamos 
que mesmo na alimentação das vaccas leiteiras se pôde tirar proveito 
com a introducção na ração de leguminosas, administradas sob a 
forma de beberagens mornas, ou reduzidos os grãos a pós finos, ou 
cosidos e transformados em sopas e incorporados a outros alimentos. 
Convém não levar a dose além de um a um e meio kilo, por dia 
e cabeça. . 

Ao feijão vaqueiro, frequentemente usado nos estabulo urbanos 
do Rio e de S. Paulo, attribue-se a morte, por envenenamento, de 
algumas vaccas, considerando-se mesmo alguns como contendo o acido 
cyanhydrico. (Ex. favas de Belém). 

E' provável que os feijões, por serem administrados geralmente 
cosidos e assim conservados durante muitos dias, fermentem, occa- 
sionando graves perturbações e até a morte das vaccas. Na Escola 
Agrícola de Piracicaba, em 1909, empregou-se o feijão cosido na 
dose de 1 ^ kilo por dia e cabeça na alimentação das vaccas leiteiras, 
durante cinco mezes, com óptimo resultado e sem se registrar o 
mínimo accidente na saúde das vaccas nem prejuízo na qualidade 
do leite. 

«. v. 23 



178 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

c) Resíduos industriaes 

Das operações de preparação dos grãos de cereaes destinados á 
alimentação do homem, da extracção de óleos de sementes de plantas 
oleaginosas resultam vários detrictos de extraordinário valor na ali- 
mentação do gado leiteiro. 

1. RESÍDUOS de mobnho 

O FARELO DE TRIGO — Resulta da moagem do trigo, sendo 
constituído principalmente pela camada externa da pellicula, cuja 
proporção varia segundo o processo adoptado. Para se fazer uma idéa 
exacta do valor do farelo basta examinar a composição das differentes 
partes do grão de trigo, podehdo-se egualmente dahi deprehender 
quanto influe o modo de preparação da farinha sobre o valor alimen- 
tício do farelo resultante dessa operação. Cem partes do grão de trigo 
contêm : 

Envo'ucro Amêndoa Gérmen 

Matéria azotada 18.75 11.90 42.5 

Matéria graxa 5.60 1.40 12.5 

Matérias mineraes 4.68 0.80 5.3 

Os envolucros representam, pois, mais ou menos i|6 do peso 
total dos grãos e pela composição acima vê-se que são também mais 
ricos em matérias azotadas e mineraes, ao passo que a farinha consti- 
tuída pela amêndoa é mais rica em matérias hydrocarbonadas. 

O farelo de trigo é rico em matérias azotadas e mineraes e como 
tal constitue um alimento de primeira ordem para as vaccas leiteiras. 

Sua composição é a seguinte : 

Matéria secca 86.4 

Proteína digestivel 10.6 

Matéria graxa digestivel 2.4 

Matéria hydrocarbonada digestivel 44.4 

Total das matérias digestiveis 60.8 

Encontram-se no commercio duas qualidades de farelo : o grosso 
e o fino ou farelinho. O peso de um litro é de 250 grammas. E' um 
alimento muito rico em saes mineraes e em acido phosphorico, o que se 
pôde ver, comparando-se as três analyses seguintes : 

No grão Na farinha No farelo 

Saes mineraes 1.80 0.760 6.5 

Acido phosphorico 0.80 0.245 3.0 

E' de fácil digestibilidade, como se verifica pelos respectivos 

coefficientes para os diversos princípios nutritivos que contêm. Assim 

1 
temos : ' . . 

Coefficiente de digestibilidade para a proteína 95.7 

» » para a mat. graxa.. 86.0 

» » para a cellnlose 77.0 

» » para o amido 100.0 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 7 ( ) 

Resulta dahi que o farelo de trigo é bem aproveitado pelo orga- 
nismo e não é uma matéria inerte, como pretendem alguns. Absorve 
2 J/2 vezes seu volume de agua, donde se tira a indicação pratica de 
administral-o aos animaes de preferencia humedecido, evitando-se 
que elles ingiram grande quantidade deste alimento secco. 

O farelo de trigo, quando bem conservado, é particularmente 
favorável ás fêmeas em gestação, actuando sobre o organismo prin- 
cipalmente com os saes mineraes e o azoto. As vaccas leiteiras devem 
receber o farelo sob a forma de beberagens mornas, obrigando-se-as, 
assim, a absorver uma quantidade de agua sufficiente, ou então secco, 
incorporados a alguns alimentos picados, como canna, raizes, etc, 
ou ainda ligeiramente molhado de mistura com outros farináceos. 
Devido aos seus effeitos favoráveis á secreção láctea, o Sr. Alfredo 
Leroy aconselha até que se dê ás vaccas tantos litros de farelo quanto 
os que ellas produzem de leite. Uma vacca, por exemplo, que produz 
diariamente dez litros de leite pôde receber até dois kilos e 500 gram- 
mas de farelo, pesando o litro 250 grammas. 

O farelo distribuído em excesso aos adultos pôde occasionar per- 
turbações graves no apparelho digestivo e no urinário, pela formação 
de depósitos de saes mineraes, em consequência de insufficiente elimi- 
nação pelos rins. 

O preço do farelo nos mercados do Rio e S. Paulo regula em 
média 90 réis o ki-lo, sendo sujeito a falsificações por parte de nego- 
ciantes pouco escrupulosos, motivo por que se torna indispensável 
examinal-o cuidadosamente. Entre as matérias utilisadas para a falsi- 
ficação citamos: i°, a serragem de madeira; 2°, a areia e alguns pós 
inertes ; 3 , o farelo de arroz. 

2. RESÍDUOS das fabricas de óleos 

Da extracção do óleo de certas sementes oleaginosas resultam 
uns residuos denominados em geral tortas ou farelos, que são utili- 
sados com grande êxito na alimentação do gado, mormente porque 
não é possivel o aproveitamento directo dessas sementes, devido á 
sua elevada riqueza em matéria graxa. Grande é o numero de tortas 
usadas na alimentação do gado, não sendo possivel neste artigo o 
exame de todas ellas. Mas, desde que eliminemos algumas como 
suspeitas, outras que devem ser previamente sujeitas a certas prepa- 
rações, afim de se tornarem próprias para o consumo, e finalmente 
as difficeis de se encontrar a preço vantajoso 110 mercado, o numero 
das que merecem o nosso exame fica assim muito reduzido. 

O valor das tortas em geral depende da proporção de princípios 
nutritivos digestiveis, da sua inocuidade para a saúde dos animaes, 



180 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

de sua pureza, identidade e estado de conservação. Importa egualmente 
saber-se se ellas provêm de sementes brutas, ricas em matérias 
lenhosas, ou de sementes limpas, descascadas, pois neste ultimo caso 
ellas são mais ricas e nutritivas, e egualmente inofTensivas á saúde. 

Na acquisição das tortas não se deve descuidar desses factores, 
apreciando-os o mais exactamente possivel. 

Sua composição será determinada pela analyse chimica, que for- 
necerá os principies nutritivos brutos ; ella, porém, por si só, não 
permittirá distinguir-se uma torta comestivel de outra nociva. O exame 
microscópico e a experiência directa com animaes são um auxilio 
decisivo neste caso. A identidade da torta é determinada por um 
exame macro e microscópico, observando-se os grãos de amidos e 
outros detritos das sementes de que ella provém. Isso é de grande 
importância, para se reconhecer as misturas fraudulentas com outras 
de valor inferior. 

A impureza consiste na mistura com areia, pós inertes, detritos 
orgânicos, etc, que podem ser introduzidos fraudulentamente ou pro- 
virem de sementes impuras, utilisadas na extracção dos óleos. 

O estado de conservação deverá ser apreciado o mais exacta- 
mente possivel, devendo as tortas ser seccas, isentas de mofo, não 
atacadas por insectos, e não rançosas. Finalmente, possuirem a côr, 
o sabor, a dureza e os outros caracteres, que lhe são normaes. i 

As tortas são utilisadas com resultado na alimentação de quasi 
todas as espécies domesticas, porém, melhor partido se tem tirado 
delias, quando empregadas na alimentação dos bovinos, ovinos e 
caprinos. No commercio são encontradas inteiras, trituradas, e algumas 
até peneiradas e promptas para o consumo. São dadas seccas junta- 
mente com outros alimentos, sob a forma de beberagens e sopas, ou 
depois de fermentadas ou cosidas com alimentos. 

As tortas seccas, trituradas, são de preferencia incorporadas a 
outros alimentos grosseiros e pouco appetecidos pelos animaes. As 
beberagens e as sopas são preparadas com agua morna e dadas sempre 
frescas, afim de se evitarem as fermentações, que podem communicar 
á mistura um sabor desagradável. São principalmente úteis ás vaccas 
leiteiras. Seu cosimento é praticado á vapor, collocando-se-as em 
camadas superpostas com palhas e raizes, num apparelho especial. 
Quando se pratica a fermentação, prepara-se uma mistura de partes 
eguaes de feno picado e torta, bem molhada e addicionada de sal, 
deixa-se-a num recipiente fechado durante 48 horas, sem comprimil-a 
muito. 

Quando utilisadas na alimentação dos equideos e ovideos, as 
tortas são de preferencia dadas seccas. 






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Torta de linho 


Farinln ile linho 


88.2 


89.0 


24.7 


29.6 


9.6 


3. 3 


29.8 


32.3 


77.5 


69.8 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 S 1 

A TORTA DE LINHO — Pela sua composição e propriedades 
a torta de linho é considerada a melhor para a alimentação do gado, 
motivo por que sempre alcança nos mercados um preço mais elevado 
do que as outras. 

No commcrcio é encontrada sob a forma de galhetas, com 2 cms. 
de espessura, de côr castanho-clara até castanho-escura, pesando cada 
uma de um a três kilos. Seu sabor é doce e agradável, o odor asse- 
melha-se ao de amêndoas, desmancha-se facilmente nagua, fria ou 
quente, formando abundante mucilagem. Damos a seguir a compo- 
sição da torta e da farinha : 



Matéria secca 

Matéria azotada digestivel 

Matéria graxa . . 

Matéria hydrocarbonada digestivel.. . 
Total dos princípios nntritivos 

E', pois, um alimento rico e ao mesmo tempo hygienico, que 
permitte, na alimentação intensiva do gado, bom funccionamento do 
apparelho digestivo. Convém particularmente para o gado novo, e 
para as vaccas leiteiras deve ser dada na dose de meio a um kilo, 
como beberagem, ou de mistura com outras forragens. 

Existe egualmente no commercio a farinha de linho, que provém 
da pulverisação da torta por processo commum ou especial. E' um pó 
fino, pardacento claro, cuja composição demos ao lado da da torta 
e que é empregado na dose de 20 grammas por litro de leite desnatado, 
na alimentação dos bezerros. 

Muito pouco conhecida entre nós, a farinha de linho pôde ser 
obtida por preço medico, sendo útil e vantajoso seu emprego na 
alimentação do gado leiteiro, livrando ao mesmo tempo o criador dos 
máos effeitos produzidos pelo farelo de algodão. 

A TORTA DE 'AMENDOIM — São conhecidas no commercio 
duas qualidades : 

I a , as tortas de amendoim descascado, que são as melhores e 
mais estimadas, brancas-crême com alguns pontos amarellos, de 
fractura farinácea, desagregando-se facilmente na agua e absorvendo-a 
até três vezes seu peso, de modo a formarem uma massa bastante 
consistente. A agua proveniente da maceração destas tortas torna-se 
leitosa, branca, devido ao amido que fica em suspemao. 

2 a , as tortas não descascadas, de côr parda e textura mais gros- 
seira, mostrando os detritos da casca. Postas nagua formam uma 
massa de aspecto differente da da anterior, deixando sempre um 
deposito de impurezas. 



182 MINISTÉRIO DÁ AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Eis as respectivas composições : 

Descascada Não descascada 

Matéria secca 88 . 5 90 . 2 

Proteína digestivel 40. 4 24. 8 

Matéria graxa digestivel 6.5 7.2 

Matéria hydrocarbonada digestivel.. . 23.5 19.0 

Total dos princípios nutritivos 79.5 61.1 

Vê-se, pois, pela composição acima, que se trata de um alimento 
muito rico em proteína e portanto recommendavel principalmente para 
enriquecer as rações das vaccas leiteiras em matéria azotada. O sabor 
particular que possue este alimento faz com que as vaccas não o 
acceitem facilmente no principio, sendo preciso addicionar-se-lhe 40 
a 60 grammas de sal, até habitual-as. Emprega-se de 1 / 2 a 2 kilos, 
por dia e cabeça. Devido á forte proporção de proteína que contém 
esta torta deve-se sempre começar com pequenas doses, que serão 
augmentadas progressivamente. Nas zonas onde se actya bastantte 
desenvolvida a cultura do amendoim, ellas constituem um alimento 
barato para as vaccas leiteiras e um meio fácil de se corrigirem as 
rações pobres em azoto. 

TORTA DE COPRA — Designa-se por este nome, no commercio, 
o residuo da extracção do óleo da amêndoa do coco (cocus nucifera). 
A extracção é feita tirando-se a pellicula que envolve a amêndoa e 
cortando-se em seguida em fatias ou reduzindo-se-a a farelo grosso, 
para depois submettel-o a uma forte pressão. E' geralmente encontrada 
sob a forma de pães quadrados ou redondos, de três a quatro cms. 
de espessura, pesando cada um dois a três kilos ; desagregam-se 
facilmente, dando um pó grosso semelhante á serragem de madeira. 
Com agua fria não forma massa, porém possue um poder absorvente 
extraordinário : 50 grammas de torta em pó durante 12 horas de 
maceração a frio absorvem 295 grammas de agua e augmentam con- 
sideravelmente de volume. 

Encontra-se também no commercio a farinha de copra, que é 
obtida pela reducção da torta, frequentemente libertada do óleo pelo 
sulfureto de carbono. E' a seguinte a composição da torta e da 
respectiva farinha: 

Torta Farinha 

Matéria secca 89.7 87.4 

Proteína digestivel 15.0 17.7 

Matéria graxa digestivel 11.0 6.8 

Matéria hydrocarbonada digestivel... 40.3 41.7 

Total dos princípios nutritivos 81.7 75.7 

A torta e a farinha de copra acham-se entre os alimentos 
mais apreciados para as vaccas leiteiras, assim como para a engorda 
dos bovinos e ovinos. São dadas de preferencia em beberagens, pro- 



REVISTA DK VETFRINAR1A E ZOOTECHNIA 1 83 

longando-se sua maceração por 10 a 12 horas. A dose diária por 
cabeça vae até dois a três kilos. Altera-se facilmente, quando exposta 
ao ar e á luz, rança, podendo em taes condições occasionar intoxicações 
no gado. Devem ser conservadas em logar secco e escuro. 

A TORTA DE ALGODÃO — Provém do residuo da extracção 
do óleo das sementes do algodoeiro e conforme o modo de preparação 
delias para a extracção temos tortas de sementes descascadas, meio 
descascadas e não descascadas. 

As primeiras, geralmente de procedência ingleza ou norte-ameri- 
| cana, são de côr amarello-açafranada, ou amarello-esverdeada, sem 
ou com raros detritos pretos, de textura homogénea, fractura farinácea 
ou granulosa e dureza variável. São encontradas em geral no com- 
mercio sob a forma de pães quadrados, pesando dois a quatro kilos. 

Encontra-se também á venda o farelo, de côr amarello-esverdeada, 
proveniente de grãos descascados ou meio descascados, ou então de 
farinhas peneiradas nos números 1, 2 e 3 (ou dupla peneiragem). 
E' evidente que o melhor será o de farinha obtida de peneiragem 
dupla, ou de sementes descascadas. O mais commum entre nós é de 
sementes não descascadas, contendo todos os detritos do caroço, que 
são vendidas em saccos de 50 kilos, a razão de io$ooo os 100 kilos. 
Deve ser passado na peneira n. 2, para se ter uma farinha mais limpa, 
dahi resultando uma perda de i6°|°. Damos em seguida a composição 
do farelo bruto, do farelo descascado e da farinha : 

Farelo bruto 

Matéria secca 89 . 4 

» azotada digestivel 18.0 

» graxa » 5.9 

» hydrocarbonada digestivel 17.7 

Total dos principios nutritivos digestivos 49.9 

Examinando-se a composição acima vê-se que o farelo de algodão, 
commum, é de valor alimentício relativamente inferior ao dos pro- 
venientes de sementes descascadas. A farinha de sementes descascadas 
é mais rica em proteína ; com pequena quantidade delia poder-se-á 
corrigir as rações pobres em matérias azotadas, sendo seu preço nos 
mercados sempre menos elevado. Seu uso é preferido para as vaccas 
• cujo leite é destinado ao fabrico de manteiga, que por isso 
se torna mais dura, mais granulosa e de mais fácil trabalho, principal- 
mente no verão. A dose é de um a um e meio kilos, por dia e cabeça, 
juntamente com outras farinhas, molhada ou de mistura com forra- 
gens picadas. Raramente se preparam beberagens com ella. 

Os farelos de algodão têm sido considerados como tóxicos, devido 
á presença de um principio toxico nas sementes ; dados em grande 
quantidade podem occasionar verdadeiros envenenamentos. Além 



) descascado 


Farinha 


90.0 


91.2 


36.9 


37.0 


12.0 


13.7 


16.8 


17.1 


82.5 


87.0 



184 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

disso, os farelos provenientes de sementes não descascadas occasionam 
obstrucçoes digestivas, observadas frequentemente nos ovinos e os 
detritos da casca muito duros, produzem irritações constantes, ás 
quaes se vem juntar a acção das toxinas. 

E' conveniente conhecer estes factos, para na pratica se dar 
sempre preferencia ás farinhas peneiradas e nunca exceder a dose 
de um e meio kilo, por dia e cabeça. Devem ser conservadas num 
local secco, afastando da alimentação as que estiverem mofadas. 

3. RESÍDUOS das cervejarias 

Nas vizinhanças das grandes fabricas de cerveja os criadores 
podem com vantagem utilizar na alimentação os residuos do fabrico 
da cerveja. Pelo seu valor nutritivo e pelo seu preço vantajoso são 
dois os que merecem aqui uma referencia : 

i°, grelos de malt — São os residuos provenientes da germinação 
da cevada para obtenção do malt, que serve para a fabricação da 
cerveja. Apresentam-se sob a forma de filamentos finos e frágeis, de 
de côr branco-amarellada, pouco amargos e muito hygroscopicos,, 
podendo absorver cinco a seis vezes seu peso d'agua. E' a seguinte 
sua composição : 

Matéria secca 88 . 2 

Proteína digestivel 19.1 

Matéria graxa digestivel 1.0 

Moteria liydrocarbonada digestivel 49. 5 

Total dos principios nutritivos 71.0 

E', pois, um alimento rico em matérias azotadas e hydrocarbona- 
das, de uma grande digestibilidade, e muito favorável á secreção 
láctea, qualidades que autorisam seu emprego com êxito na alimen- 
tação das vaccas leiteiras. E' dado juntamente com os alimentos 
aquosos, picado, ou então depois de posto em maceração com sal, 
na agua morna. A dose a empregar é de um kilo por dia e cabeça. 

2 o , borra fresca de cervejaria — E' constituída pelos residuos da 
extracção do malt para o fabrico da cerveja, utilizados ainda frescos 
na alimentação das vaccas leiteiras. E' a seguinte sua composição; 

Fres:a Se:ca 

Matéria secca 23 . 8 90 . 5 

Proteína digestivel 3.7 14.4 

Matéria graxa digestivel. 1.4 5.7 

Matéria hydrocarbonada digestivel.... 8 8 32.8 

Total dos principios nutritivos 15.9 60.9 

A borra fresca é rica em agua e matérias azotadas, não devendo 
ser dada em dose superior a 25 kilos, por dia e cabeça. E' de difficil 
conservação, alterando-se facilmente, motivo por que se deve ter 
cuidado no seu emprego, afim de se evitarem accidentes, que são 






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Revista de Veterinária eZootechnia 

PUBLICAÇÃO OFFICUl 0* DIRECTORIA HO SBIIVIÇO OK VETERINÁRIA 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

* * Distribuição gratuita aos criadores do paiz que a solicitarem >t< * 

ACCEITAM-SE AIM «NI U NCIOS 

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|Encyclopedia illustrada de publicação mensal, consagrada á agricultura, pecuária, 
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Director — Júlio Arsénio Barbosa. 
Redactor — Eduardo Cotrim Filho. 
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Envia-se exemplar specimen a todos que o solicitarem 

A Evolução Agrícola \ O Fazendeiro 

Revista mensal de Agricultura, Industria 
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185 



frequentemente graves. Nos estábulos situados próximo ás fabril a 
de cerveja seus proprietários poderão tirar grande proveito, utilisando 
esses resíduos, com moderação, principalmente por serem elles obtidos 
a preço baixo. 

Terminando este rápido estudo sobre as principaes forragens 
utilizadas na alimentação do gado leiteiro, resta-nos apenas indicar 
alguns exemplos de rações, que poderão servir de guia aos nossos 
criadores, para a composição de outras, desde que sejam observadas 
a composição das forragens, suas propriedades, e as exigências ou a 
produetibilidade de seu gado. 

EXEMPLOS DE RAÇÕES PARA VACCAS LEITEIRAS 

Os exemplos de rações, que vamos citar, são compostos das 
mesmas forragens, cujo exame acabamos de fazer. O criador, por sua 
vez, poderá fazer as necessárias substituições, de accôrdo com o preço 
das forragens, observando, como já dissemos, sua composição e pro- 
priedades, assim como a somma de princípios nutritivos exigida, 
conforme o peso e a produetibilidade de cada vacca. Supponhamos 
que o criador disponha, numa época dada, para a alimentação no 
estabulo de suas vaccas das seguintes forragens : milho forrageiro, 
feno de aveia com ervilhacas, capim angola, fubá, farelo de trigo e 
torta de linhaça. A ração para cada vacca do peso vivo de 500 kilos 
e producção diária de dez litros de leite poderá ser composta da 
seguinte maneira : 



Designação da forragem 



MATÉRIAS 



Secca 
13.500 



Azotada 
1.000 



Graxa 
0.250 



Hydrocar- 
bonada 
6.350 



TOTAL 


"3 

e 


Poder 
nutritivo 



ire 

V 

os 


7.950 


1 :7 



Milho forrageiro 

Capim verde 

Feno de aveia com ervilhacas 

Fubá , 

Farelo <le tri^o 

Torta de linhaça 

Somma... • • . 



25 


4.300 


O.I75 


IO 


1.672 


0.150 


5 


4 • 165 


0.360 


1.5 


I-3I7 


0.078 


1-5 


1.296 


O.I59 


o-5 


0.441 


0.123 


43-5 


13. iyi 


1.045 



o . 050 
0.030 

0.055 

0.028 
0.036 
0.048 

0.247 



2.050 


2.350 


0.820 


1.040 


1.750 


2.240 


0.832 


0.884 


0.666 


0.912 


0.149 


0.387 


6.267 


7.803 



1:6.5 



K. V. 24 



186 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMM^RCIO 

Comparando a somma dos princípios nutritivos da ração assim 
composta com as normas, notamos apenas uma diííerença, a menos, 
de 147 grammas, o mais quasi coincidindo com ellas. Maior coinci- 
dência não se justifica na pratica, porque as tabeliãs apenas fornecem 
a composição média das forragens, sabendo-se que a oscillação na sua 
composição pôde variar frequentemente do simples ao duplo. As nor- 
mas indicam para uma vacca com a producção dada acima a relação 
nutritiva de um para sete ; a ração proposta terá a relação egual a : 



RN 



1045 



6267 + (2.4 X 247) 



6-5 



Resulta dahi que a relação nutritiva da ração que compuzemos 
é um pouco mais estreita, isto é, mais rica em matérias azotadas, o 
que até constitue uma vantagem. A ração assim constituída é boa, 
sendo seu preço de 1^075 réis. A proporção dagua incluída nas for- 
ragens representa pouco mais ou menos 70 o ) , pois sendo seu peso : 
de 43.5 kilos e o da matéria -secca de 15 kilos 191, a quantidade 
d agua é de 30 kilos 309. A proporção conservada entre o verde, 
o feno e as forragens concentradas é pouco mais ou menos de 
t :i x /2 :io e pôde variar de accôrdo com a forragem de que se dispõe, 
passando até a 1:3:10, etc. 

Damos a seguir algumas rações para vaccas leiteiras, de 500 
kilos de pese vivo e producção diária cie dez litros de leite, ■ podendo-se 
facilmente, a exemplo destas, compor outras, com as forragens de 
que se dispõe : 



Beterrabas . . . 15 

Feno nacional 7.5 

Borra de cerveja 12. 5 

Farelo de algodão 1.0 

Farelo de trigo 1.0 

37.000 

Capim angola 10.0 

Canna forrageira 12 . 5 

Feno de gordura 5.0 

Farinha de a Veia 0.5 

Fubá 1.0 

Farelo de trigo 1.0 

Borra de cerveja 10.0 

40.000 



kilos 
» 

» 



REXAÇÃO NUTRITIVA I : 5.5 
PREÇO — 850 RÉIS 



Agua contida nas forragens 
Matéria secca 



Peso total da ração. 



II 



kilos'! 



Agua contida nas forragens 
> Matéria secca 



Peso total da ração, 



24.346 
12.654 

37.000 



REEAÇÃO NUTRITIVA I I 6.2 
PREÇO — 962 RÉIS 



28.0 
11.9 

40.0 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



1S7 



iii 



Sorgo forrageiro 30.0 kilos' 

Feno de alfafa 2.5 » 

Feno de Jaraguá 2.5 » 

farelo de trigo 1.0 » 

jFarelo de milho 1.0 » 

í ''rijàO 1.0 )) 

38.000 



REEAÇAO NUTRITIVA 1 : 6.3 
PREÇO — 1$U00 

Vgua contida nas forragens 24.769 

> Matéria secca ...... 1 3 . 231 

Peso total da ração 38.000 



IV 



Alfafa verde 10 

Capim angola 15 

Feno de gordura 5 

Farelo de trigo 1 

Farelo de milho 1 

Feijão 1 



kilos 

» 
» 



REEAÇAO NUTRITIVA I 
PREÇO — 775 RÉIS 

Agua contida nas forragens 



f Matéria secca 

Peso total da ração. 



20.517 

12.433 

33.000 



V 



Canna forrageira 12.5 

Capim angola 12.5 

Feno de alfafa 2.5 

Feno de favorito 5.0 

Farelo de trigo 1.0 

Farelo de algodão 1.0 

Feijão 1.0 

35 . 500 



kilosl 

)> 



REEAÇAO NUTRITIVA I 

PREÇO — 1&L50 



Agua contida nas forragens 
)■ Matéria secca 



Peso total da ração, 



22.084 
13.416 

35.500 



VI 



Milho forrageiro 25.0 kilos 

Feno de favorito 5.0 » 

Feno de jaraguá 2.5 » 

Farelo de trigo 1.0 » 

Fubá 1.0 )) 

Torta de amendoim.... 1.0 » 



35.500 



REEAÇAO NUTRITIVA i: 
PREÇO — 900 RÉIS 

Agua contida nas forragens 
Matéria secca 



Peso total da ração, 



22.568 
12.932 

35.500 



VII 



Aveia forrageira 25.0 kilos" 

Batata doce 10.0 » 

Feno de alfafa 2.5 » 

Feno de jaraguá 2.5 » 

Farelo de trigo 1.0 » 

Farelo de algodão 1.0 » 

Fubá 1.0 » 

43.000 



relação nutritiva i 
preço — 1$075 

Agua contida nas forragens 
? Matéria secca 



6.2 



Peso total da ração. 



29.303 
13.697 

43.000 



188 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMfíRCIO 



VIII 



Cenouras 10.0 kilos" 

Molia da Hungria 15.0 » 

Feno de gordura 5.0 » 

Feno de alfafa 2.0 » 

Farelo de trigo 1.0 » 

Torta de copra 1.0 » 

Fubá 0.5 » 

34.500 



RELAÇÃO NUTRITIVA I 
PREÇO — 1$175 

Agua contida nas forragens 
)- Matéria secca 

Peso total da ração 



21.269 
13.231 

34.500 



IX 



Capim verde 21.0 

Mandioca 4.0 

Feno de gramíneas 5.0 

Farelo de trigo 1.0 

Farelo de milho 2.0 

Farelo de algodão 1.0 



34.000 




RELAÇÃO NUTRITIVA I 
PREÇO 795 — RÉIS 

Agua contida nas forragens 
Matéria secca 



Peso total da ração, 



21.219 

12.781 

34.000 



X 



Capim verde 35.0 kilos ' 

Torta de copra 2.0 » 

Torta de linhaça 0.5 » 

Farelo de trigo 2.5 » 

Farelo de cacáo 2.0 » 



RAÇÃO USADA NA EAZENDA DO 
SR. NICOEAS, EM D'ARCV, BRIE, ERANÇA 



XI 



a b 

Nabos 45.450 25.450 ks. 

Palha 9.000 7.275 » 

Farinha de algodão . 2.500 2.150 » 
Farinha de aveia 1.000 1.800 » 



RAÇÕES, USADAS NA INGLATERRA, PARA 
VACCAS CUJO LEITE É VENDIDO 
PARA O CONSUMO 



XII 



Nabos 19.0 kilos 

Palha 9.0 » 

Aveia moida 1.8 » 

Farinha de alsfodão 2.270 » 



RAÇÃO, USADA NA INGLATERRA, PARA 
VACCAS CUJO LEITE É DESTINADO' 
ÁS FABRICAS DE MANTEIGA 



XIII 

Nabos 16. kilos] ração, usada na Inglaterra, para 

Palha 6.350 » vaccas cujo leite É destinado 



Farelo de algodão 2.000 » 

Feno 3.200 » 

Fubá 1.600 » 

Pinheiro, 8 de Abril de 1914. 



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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 1 89 



FECUNDAÇÃO E ESTERILIDADE 

Fecundação e esterilidade nos animaes domésticos 
( Da Gazeta das Aldeias ) 

São frequentes as consultas que dos assignantes da Gazeta das 
^Aldeias recebo acerca de casos em que ora os machos, ora as fêmeas 
dos animaes domésticos são defeituosos, sob o ponto de vista do acto 
da precreação. Para servir de guia aos agricultores, que desejam 
remediar esses defeitos, vou hoje resumir neste pequeno artigo os 
casos principaes que ordinariamente se observam, e indicarei a 
maneira de intervir com probabilidade de êxito. 

Iremos por partes, para melhor comprehensão do assumpto. 

A falta de cio ou ardor genésico nas fêmeas 
Falta de cio é muito frequente, e causa sérios embaraços e 
prejuízos aos criadores de gado. 

Em regra, as fêmeas dos animaes domésticos não têm a menstrua- 
ção regular ou periódica, tal como se observa na mulher. Todavia 
em muitas fêmeas das espécies domesticas apparece o cio ou amamento 
•com alguma regularidade, embora não seja acompanhado de emissão 
sanguínea, excepto nas cadellas que, ás vezes, quando aluadas, mostram 
essas perdas de sangue. 

â periodicidade média do cio nas diflerentes espécies pode indi- 
car-se do seguinte modo : 



Cadella Cada 30 dias 

Porca " 20 " 

Ovelhas e cabras 15 a 20 " 

Vaccas 20 " 

Éguas c jumentas 25 a 30 " 

Manifestando-se, o cio dura, em média, uma a duas semanas na 
jumenta e na égua; dois a três dias na vacca e na porca; um a dois 
dias na cabra e ovelha ; e meio dia, apenas, na cadella. 

E' de todos sabido que só quando uma fêmea domestica está 
aluada é que deve ser levada á cobrição, porque é, sobretudo, nessas 
condições que fica fecundada, ainda que, ás vezes, muito raras, ella, 
sem estar com o cio, acceite o macho. 

Ordinariamente as fêmeas domesticas perdem o cio, logo que, 
sendo cobertas, pegam, isto é, quando ficam fecundadas. Por isso é 
regra geral levar a fêmea ao macho, emquanto ella de bom grado o 
receber. 



190 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Durante a prenhez, o cio só muito excepcionalmente reapparece. 

EfTectuado o parto, torna a apparecer o cio, dos quatro aos cinco 
mezes na cadella, ovelha e cabra ; de um a dois mezes na porca e 
na vacca ; ao fim de uma semana até dez dias na jumenta e na égua. 

O cio manifesta-se a primeira vez, quando a fêmea attinge a 
puberdade, e esta dá-se, em regra : 

Na égua e na jumenta, aos dois annos e meio; 

Na vacca e na ovelha, ao anno e meio ; 

Na cabra, ao anno ; 

Na porca, aos dez mezes ; 

Na cadella, aos seis mezes ; 

Na coelha, aos cinco mezes ; 

Na gallinha, aos sete mezes ; 

Na perua, ao anno ; 

Na pavôa, aos dois annos e meio ; 

Na pata, aos dez mezes. 

A égua e a jumenta podem ter periodicamente o cio durante 
cerca de quinze annos ; a vacca, dez annos ; a ovelha e a cabra, seis 
annos ; a porca, cinco annos. 

Ha fêmeas sempre frigidas, absolutamente refractárias aos ardores 
genésicos. Essas recusam todos os machos, furtando-se obstinadamente 
á cobrição. Não vale a pena tentar corrigir esses temperamentos; 
o melhor é vender ou eliminar os animaes que possuem tal defeito. 

Outras fêmeas são parcialmente frigidas faltando-lhes o cio a 
miúdo, ou apparecendo-lhes muito fugaz. Estes podem-se modificar 
por diversos meios. 

Devemos começar por introduzir a fêmea pouco ardorosa no 
meio de vários machos da sua espécie, e ver se com o tempo ella 
mostra preferencia por algum, utilizando então este. 

Se tal meio falhar, tentaremos modificar a nutrição do animal, 
dando-lhe substancias tonificantes, como são, por exemplo, as seguintes : 

Sulfato de ferro puro 

Carbonato de sódio puro., lana ioo grammas 

Agua fervida 

Alcaçuz e althéa em pó. . . " 50 

Farinha e mel, quanto baste para electuaric. (Dose para três dias 
para a égua ou para a vacca). 

Acido arsenioso em pó ... . 50 centigrammas 

Genciana em pó 15 grammas 

Quina em pó 5 



HBVISTA DK VETERINÁRIA H ZOQTECHNIA 191 

Num papel, n. 12. 

(Um papel por dia á égua ou á vacca, polvilhando a ração). 



Carbonato de ferro 5 centigrammas 

Genciana em pó 20 

Quina em pó 5 

Excipiente — q. b. para uma pílula. N. 50. (Três por dia, á cadella). 

Fitina 5 decigrammas 

Um papel, n. 20. (Dois por dia, de manha e á noite, no leite, á 
cadella). 

Algumas vezes a fêmea frigida resiste a estes meios ; é então 
'-preciso ensaiar outros mais enérgicos, e por isso mesmo um pouco 
perigosos, exigindo, portanto, muita prudência. 

A seguinte beberagem aphrodisiaca é muito usada, na Suissa, para 
as vaccas : 

Bagas de zimbro em pó 150 grammas 

Cantáridas em pó 15 

Agua 6 litros 

■ Dá-se em dois dias : no primeiro dia três litros, sendo um de 
manhã, um ao meio-dia e um á noite ; no segundo dia outros três 
litros dados do mesmo modo. 

Tratando-se de cadellas, podemos também administrar-lhes as 
cantáridas, sob a forma de vinho cantaridado, dez até vinte gottas 
por dia, no leite. 

Por ultimo, poderemos ainda combater a falta do cio por meio 
do alcalóide chamado ioimbina, em injecções sub-cutaneas, da forma 
seguinte : 

Chlorhydrato de ioimbina. . 5 centigrammas 

Agua distillada 5 cent. cúbicos 

Para uma injecção hypodermica, na taboa do pescoço da égua, 
podendo-se repetir a injecção no mesmo dia ou nos dias seguintes, 
até que se manifeste o cio. 

Para a vacca a dose de ioimbina, em cada injecção, deve ser 
reduziria a 2 centigrammas, assim : 

Chlorhydrato de ioimbina 2 centigrammas 
Agua distillada 3 cent. cúbicos 



192 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEKCIO 

Para a cadella bastam cinco millisrammos do alcalóide, forniu- 
Jando-se a injecção como segue: 

Chlorhydrato de ioimbina .5 milligrammas 
Agua distillada. 1 cent. cubico 

Tanto na cadella como na vacca, podemos repetir a injecção no 
mesmo dia ou nos dias immediatos. 



Numerosas fêmeas são infecundas ou incapazes de conceber, já 
por defeito congénito, já por doença contrahida. 

Os animaes hermaphroditas ou app.arentemente dotados dos dois 
sexos são, em geral, estéreis. Dos animaes gémeos, também quasi 
sempre são infecundos os femininos. Se ambos os gémeos são mas- 
culinos, um ou os dois, em regra, são hermaphroditas e por isso 
ordinariamente estéreis. Todos estes casos de esterilidade, por serem 



congénitos, não tem cura, 



Egualmente são incuráveis os casos de esterilidade congénita ou 
adquirida, por motivo de deformidades graves dos órgãos genitaes,. 
\isto é, dos ovários, oviduetos, útero, vagina ou vulva. 

Quando, porém, esses órgãos são atacados de certas doenças 
curáveis, pôde temporariamente tornar-se estéril o animal, voltando, 
todavia, a ser fecundo logo que desappareça a doença. Estes casos 
são os que mais nos interessa agora conhecer, para se lhes applicar 
o tratamento adequado. 

As inflammaçoes do útero e do seu collo, da vagina e dos ovários, 
são as causas mais frequentes da esterilidade temporária. Este defeito 
é mais de receiar, quando essas inflammaçoes são catarrhaes, isto é, 
quando se acompanham de corrimento. 

Os abortos, as retenções das secundinas e o prolapso ou queda 
do útero produzem muitas vezes os catarrhos das vias genitaes. 

Vejamos a maneira de tratar esses catarrhos. 

Se a inflammação é uterina ou vaginal, o principal cuidado con- 
siste em desinfectar a vagina e o útero. Para isso recommendam-se 
primeiro as injecções de agua quente, de 38 a 40 gráos, mas previa- 
mente fervida. Fazem-se assim duas injecções por dia. Depois 
injecta-se também duas vezes por dia agua quente, tendo meia gramma 
de iodo por litro. 

Estas injecções ou lavagens fazem-se com um tubo de borracha 
bastante comprido, bem desinfectado em agua a ferver, o qual se 
introduz pela vulva até ao fundo do útero, e o liquido deita-se num 
funil a que se prende devidamente o tubo; levantando alto o funil 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA L93 

entra o liquido no útero com a forca sufficiente para irrigar. ( ) mesmo 
tubo, solto do funil e voltado para baixo, dá sahida fácil ao liquido 
do útero, depois da irrigação. 

Insiste-se todos os dias nestas irrigações, ale se obter a cura 
do catarrho. Conseguida esta, e voltando o cio ao animal, tem-se o 
Cuidado de não o levar á cobriçao, sem que, nas vésperas do cio, se 
faça uma injecção de agua quente tendo por litro 200 grammas de 
assucar. Dissolve-se primeiro o assucar na agua commum, depois 
ferve-se a agua e injecta-se, quando, tirada do lume, a agua descer 
á temperatura de 38 a 40 gráos. 

Certas fêmeas, sem terem catarrho ou corrimento do útero ou 
da vagina, possuem comtudo nessas vias um muco tão acido, que mata 
o esperma nellas derramado no acto da cobriçao. Quando se notar 
essa acidez do muco, modifica-se este, antes da cobriçao, por meio 
de injecções com: 

Phosphato de sódio 20 grammas 

Agua quente previamente fervida. . 1 litro 

Obtem-se o mesmo resultado, injectando o seguinte: 

Bicarbonato de sódio 45 grammas 

Folhas de eucalipto em pó 5 

Agua fervida 1 litro 

A impotência é a impossibilidade do animal 
jjj — Impotência masculino se reproduzir. Umas vezes o animal 

não pôde cobrir ou copular, por defeito da 
verga ou por fraqueza geral ; outras vezes o animal realiza a cópula, 
mas é incapaz de fecundar a fêmea, já porque não tem esperma, já 
porque o esperma não encerra espematozoarios, em virtude de doença 
ou de deformidade, congénitas ou adquiridas, dos testículos. 

A impotência congénita, em regra, não tem remédio. A outra 
pôde tel-o ou não, conforme os casos. 

Sendo a impotência causada por debilidade geral do organismo, 
deve-se tentar o emprego de medicamentos tónicos, de que ha diversos. 

Um delles é o arsénico, ou acido arsenioso. Para o administrar 
ao cavallo, podemos servir-nos do acido em pó, na dose de 25 a 50 
centigrammas por dia, durante vinte dias, cessando depois durante 
dez dias, para recomeçar ; e assim suecessivamente. O pó dá-se em 
farello ou sêmeas molhadas, ou dentro de miolo de pão. 

Para o porco e para o cão é preferível administrar o arsénico 
sob a forma de licor de Fowler, de que se devem dar, por dia, ao 
cão umas seis gottas, três a cada refeição, no leite, e ao porco duas 

R. V. 25 



194 MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

grammas, na bebida. Ao cabo de vinte dias, interrompe-se a admi- 
nistração do licor de Fowler, para recomeçar dez dias depois ; e assim 
successivamente. 

Aos touros póde-se também dar o arsénico em pó, exactamente 
como aos cavallos, mas a dose diária não deve exceder 20 centi- 
grammas. 

Ao carneiro e ao bode duas centigrammas do pó. 

O arsénico, tomado assim devagar e com as precauções indicadas, 
fortifica seguramente o organismo. 

As cantáridas também se usam muito para augmentar o ardor 
genésico dos machos ; mas é preciso ter cautela com esse medicamento 
aphrodisiaco. O cavallo tolera, sem maior inconveniente, 10 grammas 
de tintura de cantáridas por dia, dadas por metades, uma a cada 
refeição, na agua da bebida ou, melhor, em sêmeas ou farellos. 

Por ultimo, podemos recorrer ao chlorhydrato de ioimbina, nas 
mesmas doses e condições que foram acima indicadas para as fêmeas. 

Para se saber se um animal, masculino ou 

IY — Excesso de feminino, tern ardor genésico excessivo, preci- 

ardor genésico sa-se conhecer um certo numero de dados phy- 

siologicos. 

A duração da virilidade nos animaes masculinos, isto é, o tempo 
durante o qual elles estão aptos para fecundar as fêmeas da sua 
espécie, conta-se da seguinte maneira : 

No cavallo e no burro, dos 3 aos 12 annos. 

No touro, de 1 até aos 6 annos. 
1 No carneiro, dos 18 mezes aos 5 annos. 

No bode, dos 18 mezes aos 8 annos. 

No porco, dos 8 mezes aos 4 annos. 

No cão, desde os 6 mezes. 

No coelho, desde os 5 mezes. 

No gallo, desde os 7 mezes. 

No peru, desde os 12 mezes. 

No pato e ganso, desde os 10 mezes. 

No pombo, desde os 5 mezes. 

No pavão, desde os 2 até aos 6 annos. 

Em regra, as fêmeas estão aptas para a cobrição em idade um 
pouco mais nova do que os machos, e essa aptidão prolonga-se mais 
tempo ; assim : 

Na égua e na burra vae dos 2 e meio até aos 15 annos. 

Na vacca, dos 16 mezes aos 10 annos. 

Na ovelha e cabra, dos 16 mezes aos 6 annos. 



SOCIEDADE CL SUISSA 

NO BBASIL 
MATRIZ: ZEZIfcvd: ZXJBICII, STJISSA 



FILIAES: <^ 



No Rio de Janeiro : 

ROA PRIMEIRO DE MARÇO N. 100, caixa 1.775 

Km S. Paulo: 

DIREITA N. 3, sobrado, caixa 763 



ENGENHEIROS, COWRUCTORES, IMPORTADORES 



INSTALLAÇÕES COMPLETAS 



DE 



Fabricas de tecidos, papel, papellao, cellulose, gelo, 
serraria e lacticinios 



ÚNICOS REPRESENTANTES 

DA 

DESNA.TADEIRA TUBULAR SH ARPLES 

A mais simples, rendosa e durável 



Batedeiras, salgadeiras, vasilhames dos 
melhores fabricantes 



3XTa.te;3ris.l <zl<z<ztxícéc> í motores, cl-sT-raa-mos, eabos, fios, etcs. 



MOTORES A GAZ POBRE, KEROZENE, etc. 



Dispõe de engenheiros especialistas e 

pessoal technico 

de toda a competência para todo e qualquer 

estudo ou installaçoes 



6-3 

14 



Poderoso e imico desinfectante nacional, jreiiaflo com o GraMe Premio 
na Exposição lacionai ú Hygiene de 1909 



Dentre o grande numero de desinfectantes que concorreram á Exposi- 
ção, apenas dous mereceram o Grande Premio: a Carbolina Werneck e a 
Creolina de Pearson, produeto estrangeiro, o que quer dizer que foram 
considerados perfeitamente eguaes, offerecendo a Carbolina Werneck 
maiores vantagens ao consumidor, pois o seu preço é muito inferior. 

Na industria pastoril ella tem prestado os melhores serviços como 
especifico para destruir completamente as bicheiras, bernes, eno tratamento 
da febre aphtosaos seus effeitos são promptos e satisfactorios. 

Os documentos abaixo transcriptos demonstram á evidencia o valor- da 
Carbolina, e devemos assignalar mais o facto importante de ser a única 
creolina nacional que tem dado resultados idênticos á Creolina Pearson, 
no tratamento de bicheiras, conforme a opinião franca e sincera de dis- 
tinctos criadores dos mais conhecidos no Brasil. 



PARECERES 

Não tendo tido tempo de fazer eu mesmo a analyse da nova amostra da Carbolina, 
que me enviou, encarresrou-se deste trabalho um illustre ehimieo de Berlim, o Sr.Dr. Valer 
Kobelt. 

Como se verifica pelo resultado obtido, o seu produeto continua, como as amostras 
anteriores, a cujas analyses procedi pessoalmente, a ser de óptima qualidade sendo elle 
mais rico em cresóes do que a maior parte dos produetos similares nacionaes e estran- 
geiros que se encontram á venda nesta Capital. 

Com elevada estima e consideração sou de V. S- adm. e amg. obr. — Dr. Daniel 
Henninger, Lente Cathedratico da Escola Polytechuica. 



Nunca encontrei creolina, mesmo a de Pearson, que produzisse tão bons effeitos 
como o seu preparado. A Carbolina destróe rapidamente todos os vermes que apoquentam 
especialmente o gado vaceum. Felicito-o por mais este triumpho sobre os similares 
estrangeiros.— Dr. Pedro Gordilho Paes I v eme. 



Illm- Sr. Vicente Werneck- — Tenbo a satisfação de conimuniear-lhe que tenho 
feito uso em minha fazenda de cultura e criação de diversas qualidades de creolina, 
para desinfectar e matar bicheiras das minhas criações suina, lanígera, cavallar e 
bovina ; nenhuma até hoje deu-me resultados da sua Carbolina, que, além de tudo, é excel- 
lente para matar bicheiras em poucos minutos, superior á Creolina de Pearsor., que 
considerei melhor do que o mercúrio, único medicamento que até pouco tempo empreguei 
para esse fim- Portanto, posso garantir que a Carbolina é muito bom preparado e conti- 
nuarei a preferil-o a qualquer outro conhecido. 

Apparecida, 8 de Julho de 1905. — M- U- Lengruber- 



Experimentei com o maior interesse a sua Carbolina para matar as bicheiras no 
gado de minha fazenda e tenho hoje a satisfação de communicar-lhe que o resultado 
excedeu á toda a expectativa. 

Posso garantir-lhe que ainda não empreguei melhor produeto para o fim de 
extinguir os vermes da vareja e afianço-lhes que a Creolina de Pearson não c melhor 
do que o seu produeto. 

Felicitando-o calorosamente pelo resultado obtido com seu excellente prep rado, 
faço votos para a divulgação do seu produeto e subscrevo-me com elevada estima e 
cons:deía;ào. t 

Campo Bello, iS de Junho de 1905.— Seu affectuoso amigo obrigado — Eduardo 
Cotrim. 



Tenho toda a satisfação em participar-lhe que tenho empregado o seu desinfectante, 
Carbolina Werneck, no tratamento das bicheiras nos auimaes e obtido em mais de um caso 
resultado verdadeiramente surprehendente- 

Além do meu testemunho pessoal sei que collegas e visinhos meus também têm 
colhido excellentes resultados com a applicaçào da Carbolina Wernnck. 

Felicito-o pela confecção de um produeto que vem prestar relevantíssimo serviço á 
Industria Pastoril pelos seus effeitos e modicidade de preços. 

Cautagallo, Fazenda de S. Joaquim, 29 de Junho de i9°5- ~ José A- Foxtaixha 

SOBRIXHO. 



E 



RUA DOS OURIVES N 



RIO DE JANEIRO 
14 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 

Na porca, dos 10 mezes aos 5 annos. 
Na cadella, desde os 6 mezes. 
Na coelha, desde os 5 mezes. 
Na gallinha, desde os 7 mezes. 
Na perua, desde os 12 mezes. 
Na pata e gansa, desde os 10 mezes. 
Na pomba, desde os 5 mezes. 
Na pavôa, desde os 2 até aos 6 annos. 

Convém egualmeíite saber qual o numero de fêmeas que um 
macho pôde regularmente cobrir na época própria : 
O cavallo cobre 40 a 50. 
O burro, 60 a 70. 
O touro, 30 a 40. 
O porco, 40 a 50. 
O carneiro, 30 a 50. 
O bode, 100 a 200. 
O coelho, 6 a 10. 
O gallo, 10 a 15. 
O peru, 6 a 10. 
O pato e o ganso, 3 a 6. 
O pombo, 1. 
O pavão, 4. 
O faisão, 5. 

A prenhez dura, em média: 
Na égua, 11 mezes. 
Na burra, 12 mezes. 
Na vacca, 9 mezes. 
Na ovelha e cabra, 5 mezes. 
Na porca, 4 mezes. 
Na cadella e gata, 2 mezes. 
Na coelha, 1 mez'. 
O choco ou incubação dura: 
Na gallinha, 3 semanas ou 21 dias. 
Na perua, 4 semanas ou 30 dias. 
Na pata, 4 semanas ou 30 dias. 
Na gansa, 5 semanas ou 35 dias. 
Na pavôa, 4 semanas ou 30 dias. 
Na pintada ou gallinha da índia, 25 a 28 dias. 
Na pomba, 18 dias. 



O excesso de cio ou de ardor genésico das fêmeas tem o nome 
(cientifico de nimphomcuiia. 



196 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

São muitas as causas que podem determinar esta doença, que 
é mais frequente na vacca, na égua e na ovelha, do que nas outras 
fêmeas domesticas. 

Nas vaccas a alimentação muito forte, a estabulação prolongada 
e a falta de exercício, podem produzir a nimphomania. A tuberculose 
e diversas alterações dos órgãos genitaes também provocam a exal- 
tação do cio. Este vicio nota-se mais frequentemente nas fêmeas que 
foram cobertas mais de uma vez. 

As fêmeas atacadas de nimphomania tornam-se más, aggressivas 
até para as pessoas, mostram-se quasi sempre agitadas, comem pouco, 
e emmagrecem portanto, procuram e perseguem os machos e até 
mesmo as fêmeas da sua espécie. 

Os animaes afTectados de nimphomania raramente conseguem ser 
fecundados e, quando o são, geralmente abortam. 

Como havemos de prevenir ou de curar essa desastrosa exaltação 
do instincto genésico das fêmeas? 

Se o mal tem por causa alguma alteração dos órgãos genitaes, 
só o cirurgião veterinário lhe pôde dar o remédio, que consiste em 
operar o animal, conforme a natureza da lesão existente. 

Não se suspeitando ou não se verificando haver lesão desses 
órgãos, trataremos de modificar o regimen do animal, reduzindo-lhe 
a ração, dando-lhe alimentos aquosos ou fracos, e obrigando-o a tra- 
balhar e a passar parte do dia ao ar livre, em pastagem, mas sempre 
longe de animaes masculinos da mesma espécie. 

Se isto não bastar para fazer desapparecer a nimphomania, lan- 
çaremos mão dos medicamentos calmantes apropriados ao caso. 

O chloral produz bom effeito. Administre-se, pois, á vacca e á 
égua a seguinte bebida : 

Hydrato de chloral 50 grammas 

Agua 4 litros 

(Para dar por duas vezes, metade de cada, pela manhã e á tarde). 
A' cadella pôde também dar-se o chloral, mas é bom addicionar- 
Ihe a morphina, do seguinte modo : 

Xarope de chloral "1 

r , . )> ana 30 grammas 

Xarope de morphma J 

Agua de tilia 40 

(A's colheres, das de chá, uma a cada hora). 

O brometo de potássio e os outros brometos, também dão bons 
resultados. A' égua e á vacca podemos administrar os brometos em 
beberagem : 



RKVISTA DJÍ VFvTKRJNAKJA E ZOOTECHNIA 107 

Brometo de potássio 1 

T) . , ,. > ana 20 grammas 

Brometo de sódio J h 

Agua íooo 

Mel q. b. para adoçar 

Dá-sc em; garrafada, de uma só vez, pela manhã, podendo repe 
tir-se á noite egual dose. 

Para as cadellas é preferível a formula seguinte : 

Brometo de potássio 4 grammas 

Brometo de sódio 



Brometo de estrôncio í 

Julepo gommoso 100 

(Seis colheres, das de chá, por dia.) 

.O brometo de camphora ainda melhor effeito produz contra o 
excesso de cio da cadella. Emprega-se como segue: 

Brometo de camphora 3 grammas 

Álcool 1 ,, 

~„ . )> ana 100 

(jlycenna J 

(Seis colheres, das de chá, cada dia.) 

Ha ainda um meio seguro de curar a nimphomania : é a castração, 
mas exige a intervenção de um veterinário hábil em praticar essa 
operação. 

Nos animaes masculinos o excesso de ardor genésico toma o 
nome de satiriase. 

As causas são quasi as mesmas que indiquei para a nimphomania : 
alimentação demasiadamente forte, falta de exercício, estabulação 
permanente, alterações dos órgãos genitaes, excitações genésicas muito 
repetidas pela copula ou pela coabitação com as fêmeas, o onanismo, 
certas doenças nervosas, etc. 

Os symptomas da satiriase são parecidos com os da nimphomania : 
os animaes estão inquietos, tornam-se máos, aggressivos, furiosos 
mesmo, parecendo ás vezes atacados de raiva, atacando os outros 
animaes e as pessoas ; têem priapismo ou erecção permanente ; mastur- 
bam-se como podem, segundo as espécies ; entristecem, enfraquecem e 
chegam a inutilizar-se completamente. 

O tratamento a oppôr á satiriase é análogo ao da nimphomania ; 
mas a castração é o remédio mais efficaz. 

A castração dos animaes masculinos não tem as difficuldades e 
perigos da castração das fêmeas. 

J. V. de Paula Nogueira 

Isente de medicina veterinária 



.98 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 



ERVÍÇO DE INSPECÇÃO DO LEITE El NICTHEROY 

(Relatório apresentado pelo Dr. Castro Brown, á Dire- 
ctoria do Serviço de Veterinária) 

Sr. Director. 

No presente relatório encontrareis a synopse dos serviços exe- 
cutados e dos resultados colhidos no exercicio da commissão de 
organização da inspecção do commercio de leite, que, a requisição do 
Sr. Dr. Prefeito da cidade de Nictheroy, houvestes por bem confiar-me. 

A feitura de uni trabalho desta natureza é sempre motivo de 
justas aprehensoes para quem, como eu, reconhece que a magnitude 
do assumpto transpõe os limites de meus conhecimentos profissionaes ; 
chamado, porém, a executar essa aspiração dos fluminenses, diz-me 
a consciência que, seguindo a vossa orientação e auxiliado pela 
competência do chefe da secção technica, me desobriguei da missão 
com critério technico e scientifico, imprimindo ao serviço um cunho 
moderno, utilitário e pratico. 

Convém ponderar, que, no exercicio dessa commissão, era eu o 
único technico, tendo apenas como auxiliar o Sr. Godofredo de 
Menezes, que, não sendo profissional, todavia prestou a essa commissão, 
com grande dedicação, o melhor de seus esforços, pelo que exige a 
justiça que, ponha em destaque o muito que fez para o êxito obtido 
pela commissão. 

A população unanime desta cidade, a imprensa de todos os matizes 
e as corporações scientificas do paiz, são os testemunhos destes esfor- 
ços, que seriam infructiferos se não encontrassem da parte do Sr. Dr. 
Prefeito e de seu digno auxiliar o Sr. Dr. Borman Borges, Director 
de Hygiene, todo o auxilio e empenho em dotar a cidade do appare- 
lhamentp mais moderno e scientifico da hygiene publica. 

Neste particular, não me é licito proseguir sem transcrever as 
seguintes palavras pronunciadas pelo eminente hygienista, o Sr. Dr. 
Carlos Seidl, em memorável sessão da Academia Nacional de Medicina : 

"Conclusões eguaes foram as adoptadas no Orneio Internacional 
de Hygiene Publica, que funcciona em Paris, e do qual faz parte o 
nosso paiz. Deve ser profundamente lisongeiro ao nosso nascente amor 
próprio nacional, em questões sanitárias, quanto garantidor de nosso 
futuro social, podermos afíirmar que a 2 a conclusão, votada unanime- 
mente pela recente Conferencia Internacional da Tuberculose, acaba 
de ser tomada na devida consideração pela Municipalidade da Capital 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 199 

da Republica, reorganizando sob novos moldes o seu serviço de fisca- 
lização do leite ; cabendo ao governo do Estado do Rio, a tal respeito, 
o mérito da iniciativa de um trabalho útil e vantajoso e bem orientado 
pelo Ministério da Agricultura, commettendo á sua Secção de Medicina 
Veterinária, tarefa correlacta." 

Depois de uma inspecção geral das con- 
 organi sacão geral diçoes do commercio de lacticínios e atten- 
(lo serviço dendo ao estado actual dos estudos bacterio- 

lógicos relativos ao leite, procurei estabelecer a 
organização do serviço, realizando : 

I o , a policia veterinária e a inspecção do leite infectuoso ou 
fraudado ; 

2 o , a inspecção medica do pessoal entregue a exploração deste 
commercio ; 

3 o , a verificação das condições de hygiene c do ambiente dos 
estábulos ; 

4 o , as condições de asseio na ordenha e nas diversas manipulações 
do leite; 

5 o , verificação das condições do vasilhame de entrega e deposito 
e da temperatura de conservação do leite ; 

6 o , verificação da natureza da agua destinada a ser consumida 
pelo gado e limpeza do vasilhame ; 

7 o , inspecção das forragens e condições de transportes, eliminando 
os impróprios ou defeituosos e, finalmente, os detalhes assignalados 
nos quadros da organização do serviço, annexos sob os ns. i e 2. 
Cumpre considerar que era muito deficiente a lei municipal desta 
cidade para se poder estabelecer, taxativamente, todas as exigências 
que a provisão de leite innocuo exige ; todavia, o serviço foi organizado 
sem temer os congéneres das mais adiantadas capitães do mundo. 
alá continue a ser executado com a orientação que lhe foi impressa 
pela commissão.. 

Cotejar o desenvolvimento da nossa 
A industria de lacticínio industria de lacticínios, com o que se 

tem feito de ha vinte annos para cá, 

nos paizes productores da Europa e da America, é totalmente impos- 

í, tal o estado em que se encontra ainda, entre nós, esta fonte 

ta 1 do bem. estar das classes ruraes e da riqueza publica de 

iodos os paizes productores e civilisados, que se estendem pela redon- 

-•i do globo. 

Se com efíeito, a nossa pròducção tem augmentado lentamente, 

quasi meio século de exploração industrial, a technica se tem 

: ido em ( tado rudimentar, ape ai de em iquei ida pelo contingente 



200 MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 

scientiíico que lhe trouxeram os notáveis trabalhos de Pasteur e de 
seu mais dilecto discípulo o professor Duclaux. 

Imperam ainda com pujança, no exercido da profissão, suppostos 
industriaes, que desconhecem as regras de technica e todos os prin- 
cípios de ordem scientifica, applicados ao desenvolvimento desta 
industria, e, por isso, nem se quer transpomos ainda o nosso próprio 
oceano, em busca de novos mercados, para collocarmos os excessos de 
nossa producção durante a safra e vivemos limitados aos mercados 
do Rio e S. Paulo, porque o pouco que exportamos, não é mais, com 
raras excepções, do que o fructo da fraude e da especulação, que só 
tem servido para o descrédito da industria e triumpho do producto 
estrangeiro. 

Ha vinte annos que a industria honesta contempla este obstáculo, 
em que se detém o seu desenvolvimento, representado pela fraude e 
pela desorganização dos methodos uniformes de technica, que tanto 
prejudicam os esforços impulsionadores do trabalho de brasileiros 
encanecidos na profissão e na tentativa de aproveitar as vastas exten- 
sões territoriaes de nosso paiz, com as suas diversas modalidades de 
climas e de aguas e suas ricas pastagens onde medram expontanea- 
mente as mais admiráveis qualidades de forragens. 

Vejamos a Áustria, com a sua pequena industria do leite o que 
conseguiu fazer em 14 annos, apenas, de trabalho, e possuindo 
2. 119 cabeças de gado bovino por 100 kilometros quadrados, isto é, 
muito menos do que a Allemanha, Hollanda, Dinamarca, Suissa, etc, 
libertando-se do espirito rotineiro de technica, seleccionando o seu 
gado de origem indígena pela de raça manteigueira, regulamentando 
e fornecendo noções económicas e, finalmente, apparecendo hoje com 
as suas 700 cooperativas de leiteria e tudo isto em um paiz onde um 
litro de leite custa, em nossa moeda, apenas 75 réis. 

Os seus esforços não ficaram ahi, o governo austríaco foi secun- 
dado logo pelo Parlamento que consagrou no orçamento do Ministério | 
da Agricultura dois milhões de coroas, destinados simplesmente a 
manutenção exclusiva desta industria, o que é feito por empréstimo, 
ora com os juros de 5 °|° ora sem ónus de espécie alguma, todos, 
porém, amortizáveis em tempo previamente ajustado. 

A Suissa, que contemplamos com o duplo amor de profissional 
e de brazileiro, conseguiu lançar, não só as bases da sua riqueza 
■publica como também o seu nome, em todo o orbe, com os seus j 
admiráveis productos derivados do leite. 

E' pois, chegado o momento de se abordar e resolver este pro- 
blema entre nós, porque esta industria não é uma creação forçada 
nem artificial; a sua base é o leite, producto natural, que bem con- 






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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 2<>1 

duzido dará ao nosso pai/., o logar que ha muito devia occupar entre 
outros, cujas condições não são superiores ás nossas. 

As nossas antigas fazendas estão sendo invadidas pela industria 
pastoril, crente na orientação promettida pelo governo, e não é preciso 
buscar princípios philosophicos para demonstrar a necessidade de não 
se desanimar, cumprindo cada um o seu dever. 

Agora, só os esforços dos industriaes de lacticínios, calcados 
sobre as bases de uma regulamentação official de ordem technica e de 
associação, poderão offerecer as vantagens do ideal visado. 

Nem foi por ordem de consideração diversa que a Dinamarca, 
França e Áustria triumpharam. 

A unidade de vistas e de esforços deverão ser a nossa divisa, 
com auxilio, apenas, do Ministério da Agricultura, creando uma 
inspectoria geral de leiteria, com um bem organizado regulamento 
que salvaguarde os créditos da industria honesta, mantendo a unifor- 
midade de technica nos ensinos, fiscalisando os produetos, instruindo 
os produetores, melhorando os meios de transportes e a sua hygiene, 
embalagem, cotações, estatísticas, etc. 

O que se vae ler justifica a urgência desta medida, que todos os 
paizes possuem no interesse económico não só do desenvolvimento 
desta industria, como também da sua legislação, etc. 

De todos os ramos do commercio é o leite e seus derivados o mais 
importante, quer considerado do ponto de vista económico, quer do 
da hygiene publica, por servir á alimentação da infância, ao regimen 
dietético dos enfermos e dos hospitaes e constituir parte notável da 
alimentação do homem são. 

Esse ramo de commercio e industria não deve funecionar livre- 
mente, sem uma regulamentação que lhe trace normas garantidoras 
da salubridade publica e da riqueza da pátria. 

E a meu ver, é criminoso o governo que mantém esta industria 
ao abandono de todos estes requisitos. 

O controle do leite, no ponto de vista 
Controle do leite hygienico, offerece bastantes difficuldades e exige 

grande pratica e conhecimento de vários estra- 
tagemas para se evitar a sua acção funesta, porque a fraude do leite 
dispõe de recursos ao alcance das intelligencias mais mediocres, para 
illudir o perito encarregado de pesquizal-a, e é assim que, em toda 
parte, onde se exerce uma fiscalização severa e real, o pessoal é 
primeiramente adestrado, antes de entrar em funeção, nos conheci- 
mentos que a natureza deste serviço comporta. 

Baseado neste critério, é que elles estabelecem a orientação 
imprescindivel aos interesses da industria e dos consumidores, porque, 

R. V. 26 



202 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

se a ninguém é dado prejudicar os interesses da salubridade publica, 
também não é licito ás autoridades, por deficiência de conhecimentos, 
aífectarem os créditos e a honorabilidade dos productores. 

O controle do leite deve, pois, ser executado sem vexame, e de 
forma a conciliar os interesses económicos da industria com os dos 
consumidores. 

E' por esta intuição muito simples, que em toda a parte este 
serviço constitue uma garantia de interesses recíprocos, chegando as 
autoridades em muitos paizes a trabalharem de accôrdo com as socie- 
dades de controle, em busca do mesmo ideal de só permittirem a venda 
de leite puro e saudável. 

Os inimigos que de ordinário apparecem são os intermediários, 
que procuram atravessar os negócios com o fim manifesto de frau- 
darem, mas, com estes, é que as autoridades devem estar de sobreaviso 
e serem enérgicas quando apanhal-os em fraude. 

O controle do leite torna-se difficil pela actual deficiência de 
meios de verificação, porque se a fraude for executada por um falsi- 
ficador intelligente não é o serviço de controle que possuimos, que 
irá revelar o estratagema empregado, porque elles possuem meios 
de equilibrar o peso especifico do producto e o seu gráo de acidez, etc. 

E' neste particular, justamente, onde se pôde avaliar a perícia 
do perito encarregado do serviço de inspecção que, possuindo pratica 
do commercio deste producto e da technica da industria, saberá aban- 
donar muitas vezes o caminho theorico da pesquiza, para surprehender 
nos seus planos os fraudadores do leite. 

Eis aqui um exemplo bem frisante do que se fez era Luxemburgo, 
quando se organizou naquella capital o serviço de controle do leite: 

"Le réglement sur la vente du lait au Luxemburg a été publié 
á la plus grande satisfaction de tous les milieux interesses le 31 
Decembre 1901. 

Les préparatif s nécessaires á son execution et 1'éducation du 
personnel pour le maniement des appareils ont été entrepris sans 
tardei*,, et des 1903 le controle s'est trouvé suffisamment organisé pour 
pouvoir entrer en vigueur définitivement. 

Pourtant pendant les premiérs temps, les agents, qui en avaient 
reçu 1'ordre de ne proceder qu'avec toute la prudence et les menage- 
ments que commandaient les circonstances. 

Ces premiérs temps ne devaient d'ailleurs être que des temps 
d'essais, d'apprentissage et de tatonnement, et 011 comprend aisément 
que la moindre faute commise au commencement aurait pu devenir 
néfaste pour le succés de cette entreprise, dont elle aurait á coup sur 
fini par compromettre 1'avenir d'une maniére absolument irremediable." 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 203 

Este modo de agir vem demonstrar o critério que se deve ter na 
execução e organização de um serviço desta natureza, e provar ainda 
que o controle do leite não se aprende atravez dos livros, mas somente 
no systema de commercio de cada paiz e nos pontos vulneráveis de 
cada typo de leite, de accôrdo com as regiões de onde procedem, etc. 

E se o leite é sujeito a estas fraudes, mais fácil estarão ainda os 
seus derivados, os queijos, por exemplo, que permittem, com muita 
facilidade, o emprego de agentes conservadores e de antisepticos, que 
zombam dos recursos da chimica, se ella não fôr manejada por mãos 
hábeis de especialistas. 

Nós temos o nosso serviço calcado no ponto de vista da fraude, 
tão somente, pois, os seus effeitos tornam-se illusorios, attendendo 
ao estado actual do estudo bacteriológico do leite. Parece-me, pois, 
que, um leite pathologico, é muito mais grave do que aquelles que 
são fraudados pela agua ou enfraquecidos pela desnatação, mas em 
geral estes factos são entre nós de somenos importância, existindo, 
infelizmente, centenas de animaes em plena lactação, ardendo syste- 
maticamente em febre por todos estes estábulos e fornecendo* tran- 
quillamente leite ao regimen infantil e dietético dos enfermos e dos 
liospitaes. 

[Naturalmente, no ponto de vista bromatologico, nada teremos a 
dizer, mas infelizmente o mesmo não suecede no ponto de vista da 
prophylaxia veterinária, porque o movimento commercial da pecuária 
annulla por completo as medidas prophylacticas desta repartição, 
tornando-as illusorias. 

Encarado sob este aspecto, o nosso serviço de inspecção de leite 
está muito atrazado na defesa das moléstias contagiosas de origem 
bovina, ou de outras de que o leite é vehiculo. Infelizmente, esta 
verdade é ainda secundada pelas epizootias de raiva, que reinaram 
em dois Estados produetores de leite, sem que houvesse medidas 
prophylacticas por parte das autoridades que garantissem os inte- 
resses da salubridade publica, contra a sua invasão e damnos. 

A pratica vem demonstrando, diariamente, vários artifícios que 
constituem outras tantas provas da necessidade systematica da policia 
veterinária do gado estabulado, destinado, ao provimento de leite ao 
consumo publico; os processos da mistura dos leites do interior, com 
os das vaccas estabuladas, mantidos pelo preconceito do consumidor, 
são a prova mais evidente dos cuidados que devem ter todos aquelles 
a quem a lei incumbe a defesa dos interesses da salubridade publica 
•de uma cidade. 

Não é naturalmente na inspecção de controle, que se irá descobrir 
cste artificio, porque os leites misturados estabelecem quasi sempre 



204 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA 3 COMMKRCIO 

uma uniformidade de composição e de caracteres normaes, que não 
deixa perceber as misturas nem reconhecer de prompto, as affecções 
em começo. 

E não se diga que se pôde evitar estes processos, porque são 
elles admittidos em toda a parte e, entre nós, são mantidos pelo 
preconceito do consumidor, que paga preços muito mais elevados 
pelo leite dos estábulos, do que pelos outros que procedem do interior, 
apesar de nunca se terem lembrado de bater ás portas de uma peniten- 
ciaria, em busca de uma mulher para alimentar seus filhos, mas 
que entendem dar preferencia ao leite de vaccas sujeitas a uma 
prisão eterna e deslocadas de seu meio natural de vida e de ali- 
mentação. 

! O lucro deste artificio é compensador e o preconceito se torna 
difficil de ser annullado pela desídia no modo hygienico de nossos 
transportes e nos cuidados de pureza que não são observados pelos 
nossos produetores, e finalmente pela espécie do vasilhame em que 
são conduzidos os leites do interior. 

O quadro annexo, do serviço executado em oito mezes, apenas 
mostra a vigilância exercida sobre o gado produetor, as fraudes do 
leite e os elementos pathologicos e anormaes daquelles que eram 
expostos á venda, etc. 

Convém ponderar que a deficiência do laboratório montado nesta 
cidade por esta Directoria não comportava as pesquizas múltiplas que 
a natureza deste produeto comporta, além de que, só dispunha de um 
único profissional technico para satisfazer a todas as exigências da 
organização geral do serviço. Ainda assim, foram controlados 476 
amostras de leite, das quaes 431 foram reputadas boas, 35 falsificadas, 
cinco pathologicas, e condemnadas 45. Na Inspecção veterinária, 
foram até a organização deste quadro, tuberculinizadas sete vaccas, 
interdictas 19 em 1.040 visitas feitas. 

Na inspecção medica foram isoladas quatro pessoas e interdictas 
duas, afTectadas de moléstias transmissíveis e incuráveis. 

O serviço de controle era feito em diversas horas do dia, desde 
os pontos de producção até ás grandes leiterias da cidade. 

O controle do leite é feito em todos os paizes desde as fontes 
produetoras até os centros de consumo. 

A photographia junta, demonstra a precisão deste serviço e o 
modo de sua execução na Allemanha. 

Vê-se o perito junto das vaccas produetoras pesando o leite pelo 
processo ponderal e mais adiante, o chimico, dosando a sua riqueza 
fundamental. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTRCHNIA 205 

Esta cidade consome, diariamente, 3.687 

A producção, raça e a litros de leite, dos quaes mais de metade, 

estatística do leite são procedentes do interior do Estado e 

oriundos de vaccas sujeitas ao regimen de 
campo, situados estes nas zonas de Cantagallo e do ramal de Campos, 
de onde procede também não pequena quantidade de leite que é 
destinado ao consumo do Districto Federal e que aqui passa apenas 
em transito, e o restante de vaccas estabuladas, nas zonas urbanas e 
suburbanas da cidade, que se divide em seis districtos, attingindo ao 
total de 587 cabeças de gado bovino, assim destribuido : vaccas em 
gestação e em lactação, 370; touros, 31 ; novilhas e vitellas, 186. 

Durante estes oito mezes em que executávamos o serviço, não 
existia epizootias de espécie alguma. 

A raça deste gado é a hollandeza mixta, cruzada nesta cidade; 
alguns animaes procedem do interior do Estado e do Districto Federal, 
existindo muitos que constituem bellos espécimens, verdadeiras vaccas 
leiteiras de magnifico porte e com o caracteristico de sua raça. 

Na sua totalidade, estes animaes estão bem installados e são sufíi- 
cientemente alimentados, sendo ordenhados duas vezes por dia ; uma 
uma pela manhã, ao alvorecer e outra á tarde, entre 2 e 3 horas. 

Fora destes prazos, os animaes não são mungidos. 

O leite é colhido em latas de folha de zinco estanhado e depois 
acondicionado em garrafas brancas de fundo chato, arrolhadas com 
cortiça ainda não usada. 

Não se admitte lacre nas garrafas, não só para evitar os fra- 
gmentos, como também porque em geral esta substancia é colorida 
com matéria toxica, verde-paris, etc. 

O lacre posto sobre as rolhas para evitar a fraude do leite, como 
se usa no Districto Federal, durante o trajecto do estabulo para a 
moradia do consumidor, é medida contraproducente e perigosa: con- 
traproducente, porque não evita de modo algum a fraude que pôde 
ser praticada em, plena rua e novamente lacrada a rolha, pois com 
um pedaço de lacre e um phosphoro essa operação se executará facil- 
mente em qualquer logar ; perigosa, porque sendo o lacre muitas vezes 
corado com substancias toxicas, verde-paris e outras, pôde haver con- 
taminação do leite, no acto de serem abertas as garrafas, dado o 
pouco escrúpulo dos serviçaes e deste modo o leite levado a ser ingesto, 
tendo em dissolução partículas toxicas. 

Não é preciso salientar a importância 
A hygiene (los estábulos considerável que exercem os estábulos 

mal mantidos, sobre as condições do leite. 



20b MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Não só a alimentação concorre para influir na boa qualidade, 
a hygiene tem também uma grande e importante parte sobre a sua 
fineza, sabor, odor e coloração, etc. 

São os cuidados hygienicos, que põem o leite ao abrigo das con- 
taminações, susceptiveis de provocar todas as suas alterações e de 
inquinal-o de uma série considerável de germens que habitam os 
estábulos que se resentem destes immediatos cuidados. 

E' para este fim que devemos observar não só as suas condições 
topographicas e installaçoes, como também as relativas á temperatura, 
ar e luz. 

O asseio corporal dos animaes e do pessoal encarregado do trato. 
ordenha, é medida indispensável, bem como a collocação da estrumeira, 
combinada de precauções sobre o ponto de vista pratico de sua utilidade 
e da protecção que devem merecer os estábulos contra as suas emana- 
ções e contaminação dos insectos vectores de moléstias, como as 
moscas. 

As manjedouras são outra causa que tem passado despercebida 
entre nós, e que requerem, todavia, cuidados hygienicos especiaes, 
porque nellas residem grande numero de germens que os residuos 
das rações accumulam em plena fermentação e que actuam não só 
sobre o ambiente dos estábulos e do leite, como também sobre os 
novos alimentos, que são deste modo contaminados e que alteram o 
seu sabor, pelo que os animaes os repugnam e regeitam, enfraque- 
cendo-se pela deficiência que estes inconvenientes acarretam á sua 
alimentação. 

Seria, pois, prudente, que ellas fossem construidas de ferro 
esmaltado ou de outro qualquer material, que facilitasse as grandes 
lavagens, o que não succede com as de madeira, e que fossem syste- 
maticamente lavadas com uma solução de agua de cal que nenhum 
inconveniente offerece ao leite e ás rações dos animaes, e que teria 
ainda a vantagem de difricultar as fermentações. 

Os limites minimos de espaço para as estrumeiras, deviam ser 
também previstos, não sendo permittido ; a sua construcção, se não 
arrastadas pelo menos 10 metros, dos animaes em lactação. 

Neste particular, eram de um descuido entristecedor as condições 
de muitos dos estábulos situados nesta cidade, alguns dos quaes, no 
centro de povoação densa, constituindo verdadeiro perigo para a salu- 
bridade publica, porque o leite produzido em um estabelecimento 
nestas condições, longe de constituir um elemento de vida, é um 
factor de lethalidade que nenhum paiz civilisado admitte, mormente 
com o testemunho da clinica medica, como infelizmente succede 
entre nós. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 20 7 

Náo hesito mesmo em alongar-me neste capitulo. As considerações 
que venho fazendo são suggeridas pela minha longa pratica de pro- 
fissional que conhece bem os perigos que pode offerecer o leite, quando 
oriundo de um meio desta natureza. 

Ainda ha pouco mereci, embora capciosamente, a censura de um 
profissional estrangeiro ao serviço do meu paiz, por haver assim, em 
um trabalho technico, me manifestado, tanto quanto possível, em favor 
do leite esterilisado, porque conhecia os benefícios que estes conselhos 
trariam as gerações futuras e os interesses económicos desta industria, 
mas nem de longe procurei defender-me destas censuras e se ainda 
agora consigno nestas linhas o meu modo de vêr, é tão somente 
para que a par do que elle escreveu fique também consignado aquillo 
que um homem; educado no exercicio da profissão e em cujo meio 
sempre viveu pôde apprehender sobre os efFeitos que um leite pro- 
duzido nestas condições, pôde acarretar ao nosso organismo sem 
modificar o seu aspecto normal, parecendo, entretanto, um alimento 
inócuo, generoso e rico. 

Se assim penso, é porque conheço perfeitamente os nossos usos 
de commercio, transportes, acondicionamento e controle do leite em 
nosso paiz para contestar este direito que todos julgam possuir, de 
sacrificar o próximo em seu proveito pessoal, e deste modo não posso 
acceitar as doutrinas do professor que me honrou com a sua censura. 

Agora deixo áquelles que com effeito entendem de leite, o julga- 
mento de minhas opiniões profissionaes, de accôrdo com o meio onde 
opero. 

Não é, certamente, só o aspecto deste estabulo, situado no centro 
da cidade, que deixa no animo do espectador a mais triste impressão, 
mas também o abuso resultante da promiscuidade de vida entre os 
animaes e os membros da família de seus proprietários com todos os 
seus objectos de uso domestico, congregando deste modo, todos estes 
elementos de contagio, em torno do leite, que pela sua composição 
especial em matérias albuminóides e phosphatadas o faz tornar um 
meio propicio ao seu desenvolvimento. 

Assim, por esta forma simples, não ha leite que não prejudique 
os nossos organismos, usado em estado natural, não incluindo ainda 
os germens que são muitas vezes adquiridos no seio do próprio animal 
produetor. 

Impunha-se pois, da parte das autoridades sanitárias desta cidade 
a mais severa vigilância contra este estado de cousas e foi natural- 
mente o que impressionou o espirito illustrado do Sr. Dr. Prefeito, 
para solicitar do Sr. Ministro o pessoal de que carecia para organizar 
nesta capital tão importante serviço de hygiene social. 



20S MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMEJRCIO 






O seu modo de vêr foi com maior razão comprehendido pelo 
illustrado medico, o Sr. Dr. Bormamm Borges, Director de Hygiene 
desta capital. 

Modificações radicaes foram realizadas de prompto, e hoje Nicthe- 
roy possue estábulos que, se não são a ultima palavra em matéria de 
hygiene, preenchem, todavia, seus principaes fins. 

Era muito rudimentar e incompa- 

A venda avulsa (lo leite e tivel com os interesses da salubridade 

a entrega a domicilio publica e da civilização da cidade, o 

systema adoptado na entrega do leite 
a domicilio e na venda avulsa. 

O leite era conduzido em cangalha de muares, que traziam os 
cavalleiros mercadores de pés descalços, em mangas de camisa, desa- 
ceiados e maltrapilhos. 

Estes residiam no centro da cidade e nas horas mais movimen- 
tadas entregavam e ofTereciam a sua mercadoria, nas tristes condições 
descriptas e na supposiçao de que praticavam uma obra meritória e de 
que exerciam um commercio innocuo. 

As garrafas em que conduziam este leite eram de formato e de 
cores diversas e vinham na sua totalidade vedadas com folhas de 
vegetaes diversos, arrancadas dos arbustos existentes nas portas dos 
estábulos e onde se encontravam, adherentes, insectos mortos e excre- 
mentos que por esta forma inquinavam o leite dos mais perigosos 
organismos, accrescendo os que elle mesmo já traz muitas vezes do 
seio do animal productor. 

Os muares, alguns bastante velhos e sem o asseio necessário, 
traziam estas garrafas em caixas immundas e quasi que em contacto 
com o pello mostrando assim por esta intuição muito simples, como 
o leite podia diariamente trazer ao organismo humano os elementos 
geradores das mais graves enfermidades. 

Em consequência deste estado de cousas, esta commissão pediu 
logo de prompto medidas enérgicas que modificassem este estado pri- 
mitivo que ainda existia em pratica nesta cidade, ligado aos usos 
primitivos dos tempos coloniaes. 

Uma circular da Directoria de Hygiene foi enviada a todos os 
mercadores, intimando-os a modificar 1 systema em uso pelos que 
continham a circular ; foram, porém, inf ructif eros todos estes esforços, 
porquanto as novas exigências não lograram ser attendidas ; exgotados 
todos os meios suasórios, foram então intimados os negociantes nos 
termos do edital abaixo, durante oito dias publicado e que logrou 
efTeito pelas disposições em que se achavam as autoridades de agir 
energicamente, caso não fossem obedecidas. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 20 ( ) 

De ordem do Sr. Dr. Director de Hygiene, 

Edital com faço sciente aos commerciantes de leite, que, 

O prazo de oito diiis tendo terminado o prazo concedido pela 

circular de 14 de Março findo, para a substi- 
tuição dos muares, na entrega do leite a domicilio ou na venda avulsa, 
pelas bolsas ou carrocinhas, e das substituições das rolhas de folhas 
de vegetaes, pelas de cortiça, que ainda não tenham sido usadas, bem 
como, das garrafas de cores diversas, pelas de côr branca de fundo 
chato, devidamente authenticadas, com a designação do nome do ven- 
dedor e da procedência do produeto, etc. 

Esta Directoria faz sciente, que a contar desta data e no prazo 
de oito dias, serão aprehendidos e inutilisados todos os produetos que 
nestas condições forem ainda encontrados e autoados os infractores 
nos termos da lei. 

Nictheroy, 2 de Setembro de 1913. — O Inspector Sanitário, 
Dr. Baptista Pereira. 

Só assim cessou o estado deplorável em que era conduzido e 
vendido o leite para dar logar ao uso das garrafas de cores claras ou 
brancas, arrolhadas com cortiça ou porcellana e entregues em bolsas 
ou carrocinhas apropriadas a estes misteres. 

O leite, pelo papel importante que representa como transmissor 
de moléstias contagiosas, não podia ser conduzido nas condições em 
que o era, porque ninguém hoje desconhece os cuidados que elle 
requer em todas as administrações publicas dos paizes civilizados, 
para evitar que um alimento salutar e innocuo se torne prejudicial 
ao nosso organismo, como ponderou o Dr. Enock, notável medico 
hygienista, aconselhando todo o cuidado e lembrando que esse liquido 
é muitas vezes, o único alimento infantil. 

As autoridades de Nictheroy comprehenderam bem as necessi- 
dade imprescindíveis deste serviço e procuraram traduzil-as em actos 
de poder publico no firme propósito de evitar o prejuízo resultante 
da "grande lethalidade da infância na capital do Estado do Rio, tendo 
por causa as alterações do leite. 

O regimen alimentar das vaccas estabula- 
Regimen alimentar das nesta cidade é o mixto, leguminoso, 
(vaccas estabuladas) graminio feculento: favas, feijões, farello, 

fubá e finalmente capim d'Angola. 

As qualidades destas forragens eram systematicamente examina- 
das e justo se torna salientar que as suas condições satisfaziam 
perfeitamente aos fins a que eram destinadas, se alguns processos de 
manipulação não se tornassem inconvenientes e prejudiciaes aos 
interesses da saúde publica. 

K. V. 27 



210 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Quando, linhas atraz, lembrei a importância capital que incon- 
testavelmente exerce no ponto de vista da hygiene social, o controle 
de leite, o fiz, não só levado pelos meus conhecimentos profrssionaes 
de mais de duas décadas de annos, como também pela impressão 
nítida de processos graves que as investigações e os estudos desta 
commissão vieram revelar. 

Não é somente a fraude, como vulgarmente se julga, as causas 
determinantes da grande mortandade infantil, antes pelo contrario, 
estas ficam muitas vezes aquém dos grandes inconvenientes que a 
desídia de um serviço de veterinária pôde acarretar á salubridade 
de uma cidade. 

A presença da ammonia no leite é sempre um indicio de caracter 
grave, mormente quando o leite é destinado á alimentação infantil, 
mas como em geral a sua existência tem origem na fraude pela 
aguagem artificial do leite e falta de arejamento do estabulo e pela 
transpiração das mãos dos vaqueiros no acto da ordenha, estas causas, 
abstrahindo as patológicas, se manifestam sempre 10 a 12 horas depois 
da ordenhação do leite, mas aqui, um facto anormal fazia coagular 
o leite ordenhado horas depois e acondicionado em garrafas perfeita- 
mente limpas, apresentando ainda todos os seus caracteres physicos 
perfeitos. 

Era uso no comjmercio de leite nesta cidade, o emprego de rolhas 
de goiabeiras em cuja composição rica em acido tannico acharia talvez, 
explicação a coagulação rápida do leite pela acção daquelle acido 
sobre a caseína e proporcionando o seu desdobramento ; as medidas, 
porém, adoptadas na substituição desse systema pelas rolhas de por- 
cellana, cortiça, borracha, etc, vieram demonstrar que outras eram 
as causas determinantes deste grave inconveniente. 

Com effeito, tratava-se de um produeto que tinha a origem de sua 
fermentação anormal no próprio ubre da vacca, em virtude de se 
lhe haver ministrado forragens em plena fermentação pútrida. 

Ainda ha «pouco o realce dos estábulos de Hamburgo e Berlim, 
ecoou no recinto da nossa Academia de Medicina, sem que todavia 
ninguém se lembrasse que alli, naquelles estabelecimentos, as vaccas 
estão sujeitas a um regimen severo de fiscalização offkiàl e de um 
tratamento todo especial, quando destinadas ao aleitamento infantil! 
chegando o escrúpulo a ser negado a estes animaes as forragens 
verdes, quando habituadas as forragens seccas. 

Avesso a citações extranhas ao nosso meio, abri apenas este- 
parenthesis no firme propósito de manifestar-me contra estas litte- 
raturas estranhas que só têm servido para atrophiar a nossa orien- 
tação e nosso progresso. 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 2 1 1 

A nós, que vivemos cm outro meio diverso do europeu, é que 
compete estudar e estabelecer as regras e verificar a influencia que 
podem ter as nossas forragens sobre a producção do leite, quantitati- 
vamente e qualitativamente, assim como estabelecer quaes as influen- 
cias que podem produzir bacteriologicamente no leite e seus derivado-, 
estas mesmas forragens. 

Este modo de ver é ainda corroborado por esta commissão que 
venho desempenhando em obediência ás instrucçoes que me foram 
ministradas por esta Directoria, de estudar tanto quanto possível, 
todas estas questões prezas naturalmente ao lado económico e social 
do paiz. 

O leite apresentava a existência da amónia e coagulava rapida- 
mente porque era um produeto fermentado antes de ser mungido, em 
virtude de ter sido administrado ás vaccas, favas e feijões em plena 
fermentação pútrida, por ser systema dos vaqueiros cozinharem estas 
substancias apenas uma vez por semana e empregarem-nas até á phase 
putrefactoria completa. 

O processo empregado nas pesquizas desta substancia no leite, 
foi o de Nessler, porque infelizmente não pude empregar o de Trillat 
e Sauton, que é o mais adoptado nas pesquizas dos saes de ammonia 
no leite, porque não encontrei em parte alguma o reactivo adoptado 
por estes autores (Trichlorureto de Iodo). 

O fubá de milho empregado na alimentação das vaccas em excesso 
e no percurso da gestação adiantada é outro assumpto que merece ser 
divulgado pelo serviço de veterinária. 

No processo physiologico da formação do leite, o ubre inflam- 
ma-se e o abuso desse alimento leva ao tubo digestivo não pequena 
quantidade de matérias azotadas que, além de perturbar a digestão do 
animal, produzem resíduos muito resequidos, que se tornam responsá- 
veis pela prisão de ventre e absorpção de toxinas ou de princípios 
tóxicos que determinam a formação de grandes abcessos, erysipelas 
e finalmente a morte por septicemia como suecedeu nesta capital. 

Este alimento actua para que o processo inflammatorio da forma- 
ção do leite attinja a proporções consideráveis, não permittindo nem 
se quer que o animal se possa levantar para se alimentar ou nutrir 
a cria. 

A maior gravidade, porém, deste inconveniente está em serem 
tratados estes animaes enfermos pelos próprios indivíduos encarre- 
gados da ordenha dos animaes sadios existentes no mesmo estabulo 
e em plena lactação, porquanto sabido é que a estreptococeia é de 
fácil contagio e prompta disseminação. 



212 MINIlOTE fO DA AGRIC JVTVA L, INDt STRIA R COMMERCIO 






A proporção desta enfermidade, devido aos inconvenientes apon- 
tados, estaria tomando grande vulto se não fossem conhecidas as 
suas causas a tempo de serem orientados os proprietários sobre os 
grandes inconvenientes que a sua ignorância estava mantendo em 
deprimento de seus próprios interesses e dos da salubridade publica. 

Em vinte e cinco vaccas, recem-paridas, cinco foram attingidas 
pelo mal, sendo que uma succumbiu ao ser removida para o isolamento, 
estando presentemente dando os melhores resultados as instrucçoes 
ministradas a estes homens no sentido de não abusarem do fubá como 
alimento nas proximidades do parto. 

Nas vaccas estabuladas nas zonas suburbanas, o regimen é o de 
meia estabulação, isto é, o gado vem apenas para os estábulos ao 
cahir da tarde onde permanece até o dia seguinte ás 9 horas da 
manha, quando é de novo conduzido ás pastagens. 

Nestes campos não foi encontrada nenhuma variedade de plantas 
nocivas, nem mesmo as denominadas herva de rato ou arrebenta 
cavallo foram alli notadas. 

A natureza da agua, dada como bebida ao gado estabulado, foi 
também objecto de estudos desta commissão, em virtude de sua 
escassez, o que obrigava os proprietários destes estábulos a retel-a 
durante muitos dias em tanques de cimento e em] caixas de ferro, 
algumas das quaes construidas sem o necessário abrigo, pelo que 
se transformavam em deposito de matérias orgânicas que, entrando 
em decomposição, afTectavam as condições de pureza do liquido, preju- 
dicando o fim para que era destinado. 

Nas mesmas condições se achavam as caixas de ferro que 
oxidavam facilmente, contaminando as aguas com saes deletérios e 
indirectamente o leite. 

Além destes inconvenientes eram construidas nas proximidades 
das estrumeiras dos estábulos, que levavam os seus vapores e emana- 
ções, ao contacto d'agua. 

Todos estes inconvenientes foram annotados por esta commissão 
e mereceram da Directoria de Hygiene desta cidade as mais severas 
medidas de precauções sanitárias. 

Naturalmente, para que se possa pôr ao abrigo destas conta 
minaçoes, a vida de uma população é preciso que se traduza em factos, 
não só a fiscalização systematica das forragens, como também a inspe- 
cção dos animaes estabulados e do pessoal entregue a exploração deste 
importante ramo de industria, com uma organização legislativa capaz 
de produzir todos os benefícios que este assumpto complexo exige. 
O martyrio eterno da estabulação destes animaes, que vivem 
obrigados pela prisão a comerem forragens nocivas, já é por excel- 









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REVISTA DJ? VETERINÁRIA B ZOOTECHNíA 2 1 3 

lcncia factor pernicioso á alimentação da infância, como é a do 
regimen de uma penitenciaria, em cujas portas ninguém ainda se 
lembrou de bater em busca de uma mulher destinada a alimentar 
uma criança. 

A existência da ammonia nas leguminosas fermentadas e o 
excesso do fubá de milho nos alimentos das vaccas em gestação 
adiantada, podem acarretar as mais graves enfermidades no organismo 
tenro e delicado da criança, quando imperar a desídia em um serviço 
desta natureza. 

Do inquérito de todos estes factores, se chegou ao conhecimento 
de que as " Favas de Belém" foram as causas determinantes da 
mortandade immediata de uma série de vaccas leiteiras nesta cidade, 
como foram também a tempos, no Districto Federal. 

Em orneio n. 9, esta commissao detalhou minuciosamente esta 
circumstancia e fez remetter a esta Directoria uma pequena quantidade 
desta leguminosa, que foi mais tarde enviada pela Directoria Geral 
de Agricultura ao Laboratório de chimica Bromatologica do Posto 
Zootechnico, afim de ser verificada a existência do acido cyanhydrico, 
tendo este Laboratório procedido a dois ensaios negativos e semeado 
o restante para estudar o momento exacto em que as favas se podem 
tornar venenosas. 

De posse destes dados, esta commissao procurou orientar todos 
os proprietários de estábulos sobre a conveniência de não empregarem 
esta substancia como alimento das vaccas, bem como forneceu áquelles 
que ainda não a conheciam alguns exemplares das ditas favas, que 
são hoje também cultivadas no território deste Estado, mormente nas 
cidades de Valença e de Vassouras. 

Seria salutar que esta Directoria tornasse conhecidos todos estes 
inconvenientes colhidos com estes estudos, afim de evitar damnos 
que podem e devem -ser evitados. 

Não será tarefa difíicil as municipalidades legislarem sobre este 
assumpto, posto que já se acha estudado e consignado em leis especiaes 
na Republica Argentina, Inglaterra, Uruguay, etc. 

O quadro graphico demonstra o serviço 
A tuberculinisação executado até 6 de Dezembro do corrente anno, 

(las vaccas época em que o actual Ministro determinou a 

suspensão desta commissao. 

Por este motivo, esta commissao não pôde concluir os estudos 
que vinha encetando para conhecer mjethodicamente os indicios de 
analyses dos leites tuberculosos, todavia, ainda pôde levantar os 
expressos no único quadro que acompanha o histórico deste capitulo. 



214 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Por estes dados se pôde verificar que os índices de cinzas, acidez 
deixaram ver anormalidade do produeto. 

Deixo de mencionar o numero de vaccas tubercuíinizadas, porque 
naturalmente deve fazer parte do relatório do Sr. Dr. Pietro Foschini, 
veterinário desta Directoria, encarregado desta parte da commissao. 

As forragens e os objectos de uso domestico, bem 

 coiistrucção como os aposentos dos empregados e dos membros 

(los estábulos das famílias de seus proprietários, foram retirados 

do interior dos estábulos e observadas as condições 

de luz e arejamento destes estabelecimentos. 

Os estábulos que não obedeciam a estas condições foram intimados 
ás modificações que satisfizessem a estes requisitos e ao conforto dos 
animaes ; nestas condições muitos delles estão presentemente em obras 
em obediência a estas exigências da Directoria de Hygiene. 

A simples menção destas exigências põe em relevo o modo pelo 
qual procurou esta commissao executar a organização geral deste 
serviço, inspirada nas condições especiaes das leis em vigor que não 
conviria, sem modificações profundas das tradicçoes de trabalho, ainda 
em uso nesta cidade, exigir mais do que se fez. 

Felizmente, nenhum insuecesso soffreu esta commissao, que 
procurou sempre a praticabilidade do serviço sem aífectar o movimento 
industrial e económico da industria. 

A' iniciativa e á disciplina, aliadas ao saber 
O transporte (lo leite profissional, deve a industria de lacticinios 

os progressos realizados ha 30 annos a esta 
parte em todos os paizes produetores. 

Com eífeito, todos nós comprehendemos que a industria de lacti- 
cinios não é uma criação forçada ou artificial que exija medidas 
excepcionaes para se expandir, mas ella requer dos poderes públicos 
os meios adequados de transportes para se poder manter e satisfazer 
as exigências scientificas da salubridade publica. 

Neste particular estamos atrazadissimos, porque nenhuma das 
nossas estradas de ferro faculta o desenvolvimento desta industria, 
porque todas se resentem dos requisitos de l^giene de transportes 
que a natureza do leite e as suas condições organolepticas exigem no 
interesse económico da industria e da hygiene social. 

Tendo assistido logo no começo da organização deste serviço, a 
chegada do leite procedente dos ramaes de Campos e Cantagallo, na 
Estação de Leopoldina Railway, em Sant'Anna de Maruhy, notei 
o perigo que poderia causar á população desta cidade a norma do 
serviço alli instituído. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTEC unia 215 

No meio de moveis e de roupas usadas, aves, fruetas, peixe, 
etc, e em latas oxydadas, com lampa de metal, arrombadas e extra- 
vasando, chegava a esta cidade o leite que era destinado a alimentação 
infância, ao regimen dietético dos enfermos c dos hospitaes c final- 
Lite da parte notável da alimentação do homem são. 

A simples intuição mandava interdictar alli mesmo, a venda de 
semelhante produeto que, affectando os interesses da saúde publica, 
eliminava por completo toda a parte económica da industria de lacti- 
cínios deste Estado. 

Considerando, pois, as condições de fixidez do leite e a sua 
riqueza em substancias albuminóides e phosphatadas que o torna um 
meio dos mais propícios ao desenvolvimento de toda a sorte de ger- 
mens que o cerca, esta commissao reclamou enérgicas providencias 
contra este inqualificável abuso, por todos os meios ao seu alcance, 
dando em resultado a intervenção das autoridades de hygiene desta 
cidade, que conseguiram melhorar consideravelmente os meios de 
transporte do leite. Hoje, o serviço é muito outro. 

Actualmente o leite é conduzido em um magnifico carro que só 
conduz este produeto e a sua descarga é feita directamente para os 
caminhões, sem contacto com outras mercadorias incompatíveis com 
a sua natureza e existentes nos armazéns para onde, antes, eram 
remettidas as latas que conduziam este produeto. 

Eis, Sr. Director, espalhados por vários capítulos deste relatório, 
os serviços executados na cidade de Nictheroy, á requisição de suas 
autoridades. 

E creio que cumpri eficientemente com o meu dever. 

Rio de Janeiro, 31 de Dezembro de 1913. 

Castro Brown. 



216 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIQ 



Quadro Synoptico da Fiscalisação Geral do Leite em Hictheroy 



SERVIÇO DE VETERINÁRIA (secção technica) 



N. 1 



O 

■< 

t/3 

o 



f2s£ 

t/J 

■< 



f Estábulos — Bons n 

Leiíerias — Dificientes n 

Depósitos — Ruins n 

Empregados — Bons n Doentes n . 

Ánimaes — Bons n Doentes n . 

Convenientes ? 



Moléstias. 
Moléstias ■ 



Forragens. . . . 



Nocivas ?. 



f Bôa? 

Vasilhame — Asseio e natureza \ Difieiente 



\ Jjinei( 
l Má ?.. 



Srs. 



Rita Inobservância^ 

Art. 



Muitas 



intimações. 



FISCALISAÇÃO : 



( Provas do leite normal n. 



tu 
2 

tu 



tu 

■< 
X 

tu 



f Matéria graxa % . 

I Extra to seeco %■ 

\ Mediadas J Caseína %. 

I percentagens ] lactose %. 

I Cinzas %. 

^ Agua %. 



Provas do leite anormal n Causas 



Desintegração 



Falsificações 



í Fermenteciveis ?. 

I 
i 



Collostraes ?• 



Gestativas ? 

V Sedimentosas ?. 



Descremação — Parcial • 

Aguagem % — Total 

Agentes chimicos ? 

Provas do leite pathologico n Causa -\ Misturas? • 

Substancias extranhas ?. 



EXPOENTES NORMAES (PADRÃO TYPO) 



MÉDIAS DOS EXPOENTES ENCONTRADOS 



Densidade a 15 o — I02 8 a 1034., 
Acidez de 15 o a 25 o — Dornio.. 
Matéria graxa mínimo de 3 %• 
Extracto secco mínimo de 12 %. 



Coeficiente relativo de riqueza normal . . . 
Coeficiente relativo de riqueza encontrada 



Densidade a 15 o • 
Acidez Dornio.. 
Matéria graxa . . . 
Extracto secco.. 
Matéria graxa . . . 

Caseína 

Matéria graxa. . . 
Caseína. 



O Director 



O Inspector de serviço 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



217 



Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

SERVIÇO DE VETERINÁRIA (sboçIo nonui) 



N. 2 



Quadro do serviço semanal e mensal do exame e estatística do leite c inspecção 
das vaccas leiteiras da Cidade de Nictheroy 



Exame do leite 



Temperatura do leite exposto á venda 

peites analysados 

J«eites encontrados em bom estado 

peites falsificados 

Eeites pathologieos 

Eeiles condenmados 

Pesquizas de antisepticos 

Mínimo de densidade a 15 o 

Min imo de matéria graxa % 

Minimo de extracto secco % 

Minimo de acidez 

Produeção diária 

Inspecção das vaccas leiteiras e estábulos 

Numero de estábulos inspeccionados 

Natureza da sua construceão 

Condições de asseio 

Vaccas em condicções de fornecer leite 

Vaccas em estado pathologieo 

Vaccas tuberculinisadas 

Vaccas reagindo positivamente á tuberculina 

Vaccas reagindo negativamente á tuberculina 

Vaccas interdictas 

Epizootias reinantes 

Regimen de alimentação 

Espécie do vazilbame de uso 

Estado de conservação e asseio do mesmo 



SEMANA 



MCZ 



Inspecção do pessoal dos estábulos 

Numero de indivíduos adultos empregados nos estábulos. 

Numero de menores 

Suas condições de saúde 

Pessoal isolado em virtude de moléstias contagiosa 

Pessoal interdicto a trabalhar nesse serviço 



CONCLUSÃO 



J)r.. 



Inspector Sanitário do l,eite. 
VISTO — Director de llygiene. 



OBSERVAÇÕES 

Foram coudemuados os leites expostos á 
venda pelos seguintes senhores : 



Ruas,. 



Foram reputados bons os expostos á venda 
pelos seguintes senhores: 



Ruas, 



u. v. 28 



218 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

SERVIÇO DE VETERINÁRIA - (Secção teclmica) 
ANÁLYSES DE LEITE TUBEKCULOSO (Forma mmn 

RAÇA CRUZAMENTO HOLLANDEZ 
A B G 

Agua Lactose Cinzas Matéria graxa Caseína 

835,0 a 845 42,25 a 46 9,0 a 9 24,0 a 45 55,0 a 65 

por °/ 00 



Reaçao (Expressa em acido Láctico). 1,40 a 1,50 - °/oo 

Densidade a 15° 1027,6 a 1030 

Extracto a 100° 155,0 a 165 



As amostras analysadas foram colhidas em Setembro em 
diferentes ordenhas de vaccas estabuladas na cidade de Ni- 
ctheroy, em plena lactação, e com febre permanente de 40° e 
7 décimos 

Temperatura e diagnostico do Dr. Pietro Foschini, ana- 
lyses de Castro Brown. 



OBSERVAÇÕES : 



Estes animaes foram marcados á fogo e reti- 
rados immediatamente para fora da cidade pela 
Directoria de Hygiene. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 219 



CIRURGIA VETERINARIO-AVICOLA 

Em um estabelecimento avícola, por mais cuidado que se tenha, é 
muito commum darem-se certos accidentes, que requerem uma imme- 
diata intervenção cirúrgica. Por isso, todo avicultor deve conhecer 
os meios de operar as suas aves, em casos de accidentes. 

A operação mais vezes necessária e, portanto, mais commum, é 
a sangria. Nos casos de congestão, cyanose da crista, tonturas, con- 
j vulsoes, etc, uma sangria muitas vezes salva a ave enferma. 

Nas gallinhas, a melhor forma de sangrar é cortando uma das 
unhas do pé e immergindo este em agua morna, para provocar 
hemorragia. Caso esta não se dê abundante, sufficiente, deve-se cortar 
a crista do animal ou uma das barbellas. 

Aos patos, ou corta-se a unha ou fere-se a veia visivel sob a 
aza da ave. 

As fracturas dos membros são também muito communs. 

Se a ave não é de preço nem de estimação ou ainda é tão nova 
que não possa ser aproveitada, convém encannar o membro partido. 

Sendo a fractura no tarso ou em qualquer osso da aza, basta 
reunir a fractura com tiras estreitas de papelão fino e fazer uma 
ligadura que se embeberá com arnica. Nas fracturas da coxa, clavícula, 
etc, depois de applicado o apparelho, reforça-se com gesso, para sua 
permanência perfeita. Para isso, dissolve-se o gesso em agua e appli- 
ca-se sobre o apparelho conservando-se a ave na posição devida até 
o enturecimento do gesso. 

Quando os casos de empapada não cedem á medicamentação 
apropriada, para salvar a ave só resta o recurso da esophagotomia, 
operação muito delicada, que consiste na abertura do papo. Para isso 
depenna-se um trecho do papo e faz-se uma incisão profunda, que 
perfure a pelle e a membrana daquelle órgão. Extrae-se então todo 
o alimento fermentado nelle existente, lava-se com agua morna e 
sotura-se, primeiro a membrana e depois a pelle do papo. 

Nos casos de esparavão, abcessos, tumores, etc, a intervenção 
impoe-se. Lanceta-se o abcesso, extrae-se todo o pus e cauterisa-se 
a ferida. 



220 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

As lancetas, bisturis c demais instrumentos empregados nas opera- 
ções, devem ser cuidadosamente desinfectados em agua fervente, 
durante alguns minutos. 

Em todo estabelecimento avícola, por melhor montado que seja 
e por mais cuidados que se tenha em sua direcção, é indispensável 
uma enfermaria e um arsenal cirúrgico, como já se encontram na 
"Ascurra Basse Cour", em Aguas Férreas, Rio de Janeiro, um dos 
mais vastos e melhor dirigido de nossos aviários. 

J. Wilson da Costa. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHN1A 221 



PELAS INSPECTORIAS 



I o Districto ( Amazonas e Para' ) 

A Inspectoria deste districto informa que no dia 30 de Março, 
a Directoria do Serviço Sanitário Municipal de Belém, lhe communicou 
o apparecimento de certa moléstia infecciosa e transmissível, em avul- 
tado numero de cabeças de gado vaccum, desembarcado no curro 
modelo do Maguary, no município de Belém, ficando atacados dessa 
moléstia cerca de dois terços de todo o gado. 

Algumas autopsias praticadas revelaram a existência de graves 
lesões nas vísceras. 

2 o Districto ( Maranhão e Piauhy ) 

Pelo boletim sanitário do mez de Março, essa Inspectoria informa 
que seu pessoal vaccinou 43 bezerros, contra o carbúnculo symptoma- 
tico ; distribuiu, além disso, 200 doses desta vaccina ao criador João 
Manoel Pereira da Silva, do município de Cajapió e mais 200 ao 
Sr. Anesio Carneiro de Araújo, criador no município de Cururupú, 
ambos no Estado do Maranhão. 

Nos dois Estados existe enzooticamente a tristeza — babesiose 
ou pyroplasmose bovina — e anaplasmose bovina. 

Durante o mez de Abril, esta Inspectoria vaccinou 75 bezerros, 
contra a peste da manqueira e eífectuou activa propaganda contra a 
tuberculose bovina ; foi observada a existência da polyarthrite e, em 
ambos os Estados, a tristeza — piroplasmose e anaplasmose bovina. 

3 o Districto ( Ceara' e Rio Grande do Norte ) 

Por telegramma de 13 de Maio, a Inspectoria deste Districto 
informa que o veterinário e um auxiliar, nessa data, seguiram para o 
norte do Estado do Ceará, afim de percorrer, em serviço da repartição, 
os municípios de Quixadá, Santa Quitéria, Entre Rios, Sobral, São 
Francisco, Pentecoste e Maranguape. 

4° Districto ( Pernambuco, Parahyba e Alagoas ) 

Durante o primeiro trimestre do anno corrente, esta Inspectoria 
produziu os serviços seguintes : forneceu 50 doses de vaccina contra 
o carbúnculo hematico ao Sr. Aristides Marques, proprietário da 



222 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA H; COMMKKCIO 

fazenda Trapió, município de Patos, Estado da Parahyba; verificou 
três focos dessa moléstia nos municipios de Victoria e Jaboatão, em 
Pernambuco, onde morreram 15 animaes, tendo sido vaccinadas contra 
a mesma moléstia 465 cabeças. 

Em Março verificou-se um foco de carbúnculo symptomatico 
na fazenda Agua Branca, do Sr. Egydio Camillo da Silva, em 
Pernambuco. 

Para combater este morbus foram distribuídas 605 doses de 
vaccina aos criadores seguintes : Francisco Xavier de Andrade, de 
Pesqueira ; Luiz do Rego C. de Albuquerque, de Barreiros ; Dr. Joa- 
quim Corrêa X. de Andrade, do Recife ; Henrique de Castro Guima- 
rães, de Rio Formoso; Eugénio César Santojoni, de Jaboatão; 
Francisco Luiz de Mello, de Alagôa Grande, Parahyba; Milanio de 
Barros, de Pernambuco e Máximo de Souza Malheiros, de Pilar, 
Parahyba. 

O pessoal da Inspectoria vaccinou 92 bovinos contra a peste dá 
manqueira. 

5 o Districto ( Bahia e Sergipe ) 

Esta Inspectoria informa que durante os três mezes de Março, 
Abril e Maio, attendeu ás solicitações de 31 criadores, distribuídos 
por 15 municipios. 

Não obstante a decisão do Sr. Ministro, recommendando que 
somente aos criadores registrados fosse distribuída vaccina, houve 
um augmento extraordinário de pedidos, bastando apenas dizer que 
em Março foram distribuídas 300 doses de vaccina contra a manqueira, 
em Abril 700 e em Maio, 5.580. Os municípios que mais aproveitaram 
foram os de Feira de Sant'Anna, Conquista, Amazonas e Mundo 
Novo. Além desta vaccina foram ainda distribuídas 2.000 doses contra 
o carbúnculo hematico, uma dose de soro anti-tetanico, três de soro 
anti-estreptococcico, três plantas de banheiros de gado e attendidas 
53 consultas. 

7? Districto ( Uberaba ) 

Esta Inspectoria informa, mediante o boletim sanitário mensal, 
que durante o mez de Abril continuou a grassar no Triangulo Mineiro 
o carbúnculo symptomatico, em cujos focos o numero de animaes 
mortos foi bastante elevado ; o pessoal da Inspectoria vaccinou contra 
este mal em diversas fazendas, 684 animaes. As informações a respeito 
da febre aphtosa foram insufncientes, mas constatou-se o declínio 
delia em Abril, o que parece prenunciar sua breve extincção. Sabc-se 
também da existência da poly-arthrite e polmões ; mas o assumpto 



REVISTA DE VETERINÁRIA K ZOOTKCHNIA 223 

qitc no clistricto exige actualmente trabalhos ou pesquizas especiaes 
é o curso preto. 

— Ó Inspector Veterinário desse clistricto, informa que em prin- 
cípios de Abril realizou uma excursão á propriedade agrícola do 
Sr. Pedro Sabino de Freitas, situada a 35 kilometros de Uberaba e á 
margem do Rio Grande, com 678 alqueires de superfície, entre campos 
naturaes e invernadas, cortada por três ribeirões e contendo quatro 
lagoas que resistem ás grandes seccas. 

A criação tem sido feita até o presente sem o menor cuidado 
zootechnico, encontrando-se de mistura bovinos de raças differentes, 
indígenas e exóticas, preponderando, porém, os mestiços de zebú com 
caracú, china, bruxa, pedrez, curraleiro, etc. 

Todo o gado, 550 cabeças, está em óptimas condições de saúde 
e muito gordo. 

Criam-se equinos em pequena escala, sendo as éguas muito bem 
escolhidas ; o reproduetor empregado é mestiço de árabe. Os produetos 
observados, em numero de onze, são todos muito bem conformados 
e excellentes marchadores ; também se explora a criação de porcos 
cm pequena escala. 

A peste da manqueira apparece periodicamente nos mezes de 
Maio, Junho e Julho ; a febre .aphtosa, com caracter benigno, atacou 
o gado da fazenda pela ultima vez em 1912. 

Ensinou-se a castração pelo systema incruento, tendo para isso 
operado 70 novilhos ; vaccinaram-se contra a peste da manqueira 
188 bezerros de cinco a sete mezes de idade. 

Em seguida, o mesmo Inspector visitou a fazenda do Sr. Ismael 
Machado, onde se criam 530 rezes zebú, de ^4 a puro sangue. Este 
fazendeiro, contemporaneamente faz também a criação do gado caracú 
puro, possuindo para- esse fim três reproduetores e umas 60 vaccas 
da mesma raça, todos exemplares de rara perfeição. Além desse gado, 
foram notadas egualmente algumas novilhas caracú-durhan e caracú- 
limousino, bem como um reproduetor limousino, muito bem acelimatado. 

Iodo o gado está limpo, não havendo um só portador de berne. 
Existe ainda, em pequena escala, uma criação de equinos, que é feita 
com todo o esmero. 

Pelo veterinário desta Inspectoria, segundo seu relatório de 11 
de Maio, por solicitação do Sr. Director da Fazenda Modelo de 
( 'nação, de Uberaba, foi tratado um garanhão anglo-arabe, perten- 
ce nte á mesma fazenda e que se achava affectado de contusão no 
11 íacl linho da perna posterior direita, da qual resultaram complicações. 



224 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA ti C.OMMlíKVíO 

O mesmo veterinário apresentou um relatório sobre experiências 
feitas para a descoberta de um tratamento efncaz contra as ulceras 
mycoticas, affecção frequente nos bovinos e equinos do municipio. 

Por ora nada se pôde afíirmar sobre o resultado de taes expe- 
riências, visto acharem-se ainda no período inicial e não autorizarem 
conclusões importantes. 

Aproveitando sua estadia na fazenda do "Aguirre", no municipio 
de Conquista, onde o dono dessa fazenda, Coronel Tancredo França, 
é agente executivo, vaccinou o mesmo veterinário 53 bezerros, contra 
a peste da manqueira; attendeu a outro jumento reproductor, de 
origem italiana, que se achava sonrendo em consequência das mudas 
e apresentava travagem, febre, gengivas inflammadas, pouco appe- 
tite, etc. 

Os criadores desse municipio já vão adquirindo reproductores 
exóticos, de differentes raças e espécies, destinados ao aperfeiçoamento 
da criação por meio da mestiçagem. 

Na referida fazenda do "Aguirre" observou, além de outros 
garanhões, um cavallo inglez e dois jumentos de origem italiana, 
adquiridos para chefiarem os rebanhos de equinos. 

8 o Districto ( Santa Catharina ) 

Esta Inspectoria informa que durante o mez de Março forneceu 
200 doses de vaccina contra a manqueira ao Sr. Henrique Fener- 
schuette, de Tubarão ; verificou um caso de tuberculose bovina em 
Blumenau ; em ambos estes municípios ainda grassa, embora benigna, 
a febre aphtosa, tendo-se dado novos casos delia; como meio pro- 
phylactico tem sido aconselhado o isolamento. Em Blumenau, Brusque 
e Joinville reina a raiva, tendo sido atacada uma vacca neste muni- 
cipio e quatro naquelle. Para o diagnostico serviu o critério clinico 
e a analyse da urina. 

Enzooticamente existe também a tristeza ; além disso continua 
a reinar o gourne ; notou-se um cavallo com ascaridiose, um com 
bolanite e acrobustite, um com defeito de nutrição na madre do casco 
e um porco com insolação. 

Victoria 

A Dependência do Serviço de Veterinária no Estado do Espirito 
Santo, no boletim sanitário do mez de Abril informa: foram consta- 
tados casos de carbúnculo symptomatico nos municípios de Espirito 
Santo, Victoria, Cachoeiro de Santa Leopoldina, Cachoeiro de Itapeme- 
rim e Coriasico. Nesses cinco focos verificados, morreram 40 animaes. 
O pessoal vaccinou contra o mesmo mal 412 cabeças e distribuiu 



kKVISTA DK VKTHKINAK1A E ZOOTKCIINIA 22S 

500 doses de vaccina aos seguintes Srs. : Coronel Joaquim Gomes de 
Paiva, em Mimoso; Eugénio Santos Neves e Manoel Luiz dos Santos, 
em S. Matheus e Coronel Sebastião Monteiro da Gama, município 
do Alegre. 

Foi constatado um foco de mormo em Cachoeiro de Itapcmerim, 
tendo sido sacrificado pelo proprietário o burro que desse mal padecia. 
Verificaram-se três focos de pneumo-enterite infecciosa dos porcos 
com sete casos fataes. 

Constataram-se também um caso de polmoes e alguns de rachi- 
tismo, tendo sido aconselhadas as medidas apropriadas a cada caso. 

Ao Sr. Pulcherio José do Nascimento, criador no município de 
Victoria foram concedidas 90 doses de vaccina contra a espiroquetose 
das gallinhas. 

A Dependência, pelo boletim sanitário do mez de Maio, participou 
á Directoria as seguintes oceurrencias : foram constatados dois focos 
de carbúnculo symptomatico, um constituído por sete animaes atacados, 
pertencentes ao Sr. Coronel Cyrillo Pinto Machado, município de São 
José do Calçado e outro contendo seis animaes, de propriedade do 
Sr. Casimiro de Araújo, em Ponta de Fructa, município do Espirito 
Santo. 

Pelos funecionarios foram vaccinados 100 animaes contra esse 
mal. Verificou-se um caso suspeito de tuberculose em um boi que, 
submettido á tuberculinização, apresentou reacção duvidosa ; acon- 
selhou-se ao proprietário, o referido Coronel Cyrillo, que isolasse 
esse animal e lhe desse medicação tónica. 

Foi verificado um foco de sarna em dois carneiros do Sr. Coronel 
Bento Lino de Oliveira Carvalho, em Conceição do Muquy, município 
de S. Pedro de Itabapoana ; ficaram curados pela medicação sulfurosa. 

A Dependência foi informada da existência da pneumo-enterite 
infecciosa dos porcos no município de Iconha ; também teve conhe- 
cimento que em Regência, município de Cachoeiro de Santa Leopol- 
dina, morreram alguns animaes de espécies differentes e que pelos 
symptomas descriptos pelo proprietário, Sr. Leopoldo Nunes, parece 
tratar-se do mal de cadeiras ; verificou ainda um caso de tétano na 
capital ; soube haver occorrido casos de polmoes em S. José do 
Calçado ; constatou, com regular frequência, casos de rachitismo em 
quasi todas as propriedades visitadas e submetteu a tratamento dois 
coelhos doentes de ophtalmia purulenta, um dos quaes já está restabe- 
lecido. 



R. V. 29 



226 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA 1Ç COMMIÍRCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações tpie lhe 
forem feitos sobre «assumptos de sua especialidade). 

N. 15 — Sr. Joaquim Cândido Ribeiro do Valle, Estação Jnlio Tavares, Rede 
Sul Mineira — Minas . 

CONSULTA - Tenho umas vaccas, que soffirem da pcllc , que começa a radiar 
e cuja rachadura vai, pouco a pouco, augmentando , fazendo cahir todo cabello. 
E" 1 uma espécie de impigem, que tem passado das vaccas cts suas crias c mesmo a 
outros annimaes. 

RESPOSTA — Pelas informações prestadas parece não haver duvida que se 
rata de uma moléstia da pelle dos bovideos, produzida por um cogumello que 
vive nos pellos e também nas escamas e pequenas vesiculas, que se formam na 
região . 

Trata-se de uma tricophycia, sendo que o parasita encontrado no Brasil é o 
tricophyton faviforme álbum. 

E' bom enviar a esta Directoria uma porção dos pellos, que ficam logo ao 
redor da placa da impigem, assim como um pouco de raspas e escamas que se 
destacarem no acto da raspadura. 

Como tratamento, aconselhamos pincelar todos os dias todas as placas cem 
uma solução de tintura de iodo diluida ao decimo, solução que pode mandar 
preparar em qualquer pharmacia. 



Dr. P. H. 






N. 16 — Sr. J. da Cruz Zany, Santa Maria — Rio Grande do Sul. 

CONSULTA — Possuindo um amigo meu um cão veadeiro, que sojfre de 
um dos ouvidos, de onde sahe vm corrimento, e sendo também um tanto surdo 
devido áquelle mal, consulto como deve ser tratado afim de ficar curado? 

RESPOSTA — Pela exposição feita, parece tratar-se de uma Otite, que pode 
ser aguda, chronica e algumas vezes parasitaria. 

Quando aguda ou simples, nianifesta-se pela abundância de cerumen ou por 
tumores do ouvido e algumas vezes pela. presença e estadia de corpos estranhos 
nesse orgam . 

Apresenta estes symptomas: o tegumento da orelha fica vermelho, quente e 
doloroso . 

A Otite chronica é geralmente uma consequência daquella e também é 
conhecida pelo nome de catarrho auricular. 



KK VISTA 1>h; VKTKKINAK1A li 20QTR.CHN1A 227 

Neste caso, nota-se: augmento <le volume do tegumento interno, vegetações 
papilifonnes e humidade constante, assem elhando-se a eczema húmido. 

Finalmente, será parasitaria quando é produ/ida pela presença de um parasita 
conhecido pelo nome de Symbiotes aiiricufaruw . 

No catarrho auricular, o cão sacode frequentemente a cabeça e a parte interna 
da orelha torna-se dolorosa ao toque. 

Na Otite parasitaria, os symptomas são mais ou menos os mesmos, a não ser 
o apparecimento de convulsões e crises epileptiformes, o que é raro. 

No primeiro caso, isto é, na Otite aguda, deve-se proceder a nina lavagem 
cuidadosa da face interna do pavilhão da orelha e conduçto auditivo, com agua 
morna e sabão e irrigações, por meio de uma seringa, com agua iodada a L %, duas 
vezes ao dia. 

Nos outros dois casos, procede-se a lavagem, secca-se bem com um tampão 
de algodão eapplicam-se depois 15 a 20 gottas de iodo naphtyl, medicamento este 
especialmente indicado para esta moléstia. 

C. B. 



228 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



ECOS E NOTICIAS 



Congresso Internacional de Medicina Veterinária — O Sr. Ministro da 
Agricultura designou o Dr. Paulo Parreiras Horta, nosso illustre companheiro de 
redacção e Chefe da Secção Technica do Serviço de Veterinária, para representar o 
Brazil no Congresso Internacional de Medicina Veterinária, que se deve reunir em 
Londres, a 3 de Agosto próximo. 

O Dr. Parreiras Horta foi escolhido pelo Comité organisador do Congresso 
para relator da 5^ secção — moléstias tropicaes — devendo se occupar, de modo 
especial, com as moléstias transmittidas pelo carrapato, sua classificação, prophy- 
laxia e tratamento. 

Nesse Congresso deve o Dr. Horta encontrar-se com o professor LÀgnières, de 
Buenos Ayres, e interessante vai ser, de certo, a discussão que se deve dar, entre 
os dous, sobre a moléstia Tristeza, no Brazil e na Argentina. 

Este Congresso, que será em honra ao veterinário inglez John Gamger, 
está interessando vivamente o Governo Britânico que, por intermédio do British 
Forein Office, tem dirigido convites a vários paizes, convidando-os a se fazerem 
representar por meio de delegados ofiiciaes. 

Ao embarque do Dr. Horta, que se effectuou no dia 24 do corrente, no 
vapor Getria, compareceram muitos collegas, amigos e admiradores, que foram 
levar ao illustre congressista os seus cumprimentos de boa viagem, fazendo 
sinceros votos pelo êxito de sua commissão. 

Epizootia do Hog-cholera — Tendo os Srs. Durisch & Comp., criadores 
no districto de Santa Cruz, município da Capital, offerecido ao Governo, a titulo 
gratuito, não só o local necessário para o laboratório e demais dependências, 
como também todos os auimaes indispensáveis para colher a vaccina e o soro des- 
tinados a combater a epizootia do Hog-cholera que, ha muito, dizima os suinos na 

zona daquelle districto, o Sr. Ministro da Agricultura omciou áquelles criadores, 
agradecendo e acceitando o offerecimento feito e designou para dirigir taes tra- 
balhos o Sr. António Serapião de Figueiredo, interno do embarcadouro e 
dezembarcadouro deste Serviço. 

Estatística pecuária — Segundo um inventario feito pela secção do districto 
do Rio Branco, da extincta Superintendência da Borracha, existem no município 
de Boa Vista, no Território do Acre, 73.496 cabeças de gado, sendo vaccum, 
67.605; cavallar, 3.426; lanígero, 1.741 e suíno, 724. 

As moléstias, que mais atacam os animaes naquella zona, são a tristeza, o 
carbúnculo e a febre aphtosa . 

▲ propósito do tratamento do « Nambiuvú » — O Sr. Dr. Paulo Mangé, 
do Serviço de Veterinária de S. Paulo, escreveu ao Sr. Dr. Parreiras Horta, chefe 









REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 22^ 

de secção technica do Serviço de Veterinária do Ministério da Agricultura a 
seguinte carta: 

« No n. 1 (anno IV) da Revista de Veterinária do mez de Fevereiro <lc 1914, 
pagina 63, appareceu uma coniniuuicação interessante sobre o tratamento do 
Nambiuvú, pelo Dr. Carini e Dr. J. J. Maciel, por meio do trypanblau . 

Folgo muito em ver que os estudos do Dr. Carini e Dr. Maciel vieram confir- 
mar os meus, feitos em 1912, conforme meu relatório desse anno, anuexo ao rela- 
tório do Dr. Iviiiz Ribeiro, Inspector Veterinário do 6 9 districto, pagina 4, onde 
narro três casos typicos de nambyuvú , curados pela injecção hypodermica de 
20 a 30 grammas de uma solução de 1 o/ ó de trypanblau . 

Dessa época em diante, tenho sempre empregado o trypanblau em alguns 
casos de Nambyuvú, com suecesso em muitos, em outros, em cães já moribundos, 
sem suecesso, e em outros casos sem vir a saber o resultado, por se tratar de 
indivíduos que não mais tornaram a me procurar para dar noticias . 

Estou, pois, de inteiro accôrdo com os illustres scientistas Dr. Carini e 
Dr. Maciel; apenas avoco os meus direitos de prioridade, conforme documentos 
anteriores aos estudos destes, que vem a ser o citado relatório de 1912, em vosso 
poder desde esse anno.» 



230 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMERCIO 



BIBUOGRAPHIA 



ALLEMANHA 

Transatlântico (O) — Revista mensal illustrada, de litteratura, arte e 
industria — Berlim, Anno I, ns. 1 a 4, 1914. 

ARGENTINA 

Anales de la Socledad Rural Argentina — Buenos Aj^res, Anno XIJX, 
Março e Abril, 1914. 

Boletin dei Ministério de Agricultura — Buenos Ayres, Tomo XVII, 
n. 2, Fevereiro, 1914. 

Revista de la Liga Agraria — Buenos Ayres, Anno 18, Tomo 17, n. 3, 
Março 1914. 

BÉLGICA 

Annales de Gembloux — Orgam dos engenheiros do Instituto Agrícola do 
Kstado — Bruxellas, Anno 24?, n. 5, Maio, 1914. 

Annales de Médécine Vétérinaire — Ixelles-Bruxelles, Anno 63 Q , n. 5, 
Maio, 1914. 

CANADÁ 

Canadian Pouitry News — Ontário, Anno 15 Q , Maio, 1914. 

ESTADOS UNIDOS 

Boletim da União Pan-Americana — Washington, Vol. VI, ns. 4 a 6, 
de Abril a Junho, 1914. 

Hacienda (La) — Buffalo — New-York, Vol. IX, ns. 4 a 8, Janeiro a 
Maio, 1914. 

FRANÇA 

Annales de 1'Institut Pasteur — Paris, Anno 28 <? , ns. 4 e 5, Abril e 
Maio, 1914. 

Bulletin de la Société de Pathologie Exotique — Paris, Anno 17 Q , 
ns. ,4 e 5, Abril e Maio, 1914. 

Bulletin Mensuel de 1'Ofíice de Renseignements Agricoles — Paris, 
Anno 13^, ns . 3 e 4, Março e Abril, 1914. 

Pathologie Interne — Nutrition, anto-intoxication, appareil urinaire, 
peau, par C. Cadéac. Segunda edição, 1914. Um volume em S 9 , com 534 paginas e 
143 figuras. J. B. Baillière & Fils — Rue Hautefeuille 19, Paris. 

Temos sobre a mesa mais um importante trabalho da encyclopedia Cadéac, 
nome já bastante conhecido e que só por si basta para recommendaro seu livro aos 
interessados no assumpto. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 231 

E$m todos os capítulos, as varias moléstias vêm estudadas de um modo resu 
mido, mas trazendo o essencial para tornar o seu trabalho útil e indispensável ;i 
todas as bibliothecas dos que lidam com assumptos de veterinária. 

Além disso, traz o livro boas estampas elucidativas, requisito necessário á 
publicações dessa natureza. 

E', pois, a Pâthologie Interne um trabalho útil que, com prazer, recommen- 
Bàmos aos interessados. 

Vie Agricole et Rurale (La) — Anuo 3 9 , ns. 19 a 28, Abril a Junho, 1914. 

HONDURAS 

Boletin de la Secretaria de Fomento, Obras Publicas y Agricultura — 

-Tegucigalpa — - Tomo íl, n. 12, Dezembro de 1913 e tomo III, ns, 2 e3, Fevereiro 
e Março, 1914. 

INTERIOR 

Archivos Brasileiros de Medicina — Rio de Janeiro Anuo IV, ns. 1 a 4, 
Janeiro a Abril, 1914. 

Boletim do Departamento Estadual do Trabalho — S. Paulo. Publicação 
Official da Secretaria da Agricultura. Anno II, ns. 8 e 9, 3 P e 4 9 trimestres de 1913. 

Chácaras e Quintaes — S. Paulo. Vol. IX, ns. 2 a 6, Fevereiro a Junho, 
1914. 

Criador Paulista (O) — S. Paulo. Publicação official da Secretaria da Agri- 
cultura. Anno IX, ns. 81 a 83, Janeiro a Março, 1914. 

Emetina na Pramboesia Trópica (A) — Bouba, pelo Dr. Theodoro Bayma, 
do Instituto Bacteriológico de S. Paulo. 

E' esta uma publicação que merece francos elogios, porque vem augmentar 
os recursos de cura de uma moléstia que, até bem pouco tempo, antes do appare- 
cimento do Salvarsan e Neosalvarsan, se achava sem defesa. 

O autor teve a idéa de tal ensaio, com os resultados satisfactorios obtidos 
pelo professor Milian no tratamento de varias manifestações da syphilis, que com 
a bouba se assemelha no que diz respeito ao agente etiológico e a algumas mani- 
festações clinicas. 

O trabalho traz algumas estampas de doentes de bouba, cujo diagnostico foi 
feito pelo exame bacteriológico, tendo sido encontrado em profusão o seu agente 
causador, o treponema pertenue , nas quaes se verificam com clareza os proveitosos 
resultados, notando-se, após o tratamento, como vestígio da moléstia, apenas as 
manchas cicatriciaes. 

K' mais uma das grandes propriedades da emetina, que já tem sido empregada 
com suecesso no tratamento da desynteria amebica, em alguns casos de syphilis, 
nas hemoptizes e hemorrhagias intestinaes. 

Fazendeiro (O) — S. Paulo. Revista mensal de Agricultura, Industria e 
Commercio. Anno VII, ns. 4 e 5, Abril e Maio, 1914. 

Lavoura (A) — Rio de Janeiro. Boletim da Sociedade Nacional de Agricul- 
tura. Anno 17 9 , ns. 9 a 12, Setembro a Dezembro, 1913. 

Memorias do Instituto «Oswaldo Cruz» — Rio de Janeiro. Anno 1914, 
tomo VI, fascículo I. 



232 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Norte Medico — Fortaleza, Ceará. Anno II, n. 1, Março, 1914. 
Revista Medica de S. Paulo — S. Paulo. Jornal pratico de Medicina, Ci- 
rurgia e Hvgiene. Anuo XVII, ns. 1 a 6, Janeiro a Junho, 1914. 

MONTEVIDEO 

Boletim, n. 9 è IO — Ministério de Industrias, Inspeccion Nacional de 
Ganaderia y Agricultura — Abril, 1914. 

Campana (La) — Revista dedicada aos interesses ruraes. Anno IV, ns. 79 a 
87, Janeiro a Junho, 1914. 

Pais (El) — Anno P, n. 13 e 14, Maio, 1914. 

PORTUGAL 

Boletim da Associação Central da Agricultura Fortugueza — L,isbôa. 
Anno XVI, vol. Ill, n. 4 e 5 Abril e Maio, 1914. 

Revista de Medicina Veterinária — LÃsbôa. Anno 13, ns. 145 e 146, 
Março e Abril, 1914. 

SUL DA AFRICA 

Report of the Director of Veterinary Research — Outubro, 1912. 








Oicialmente approvad.0 D8lo Governo dos E. U. ia America 



Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e outros 
apparelhos para lacticínios 

BMM1DEI1G. HAEKER l E" 



! 

Rio de Janeiro, S. Paulo, Bello Horizonte, Santos e Bahia 



6-4 

13 



Jf 



IMPORTAÇÃO DIRECTA DE AVES ESCOLHIDAS 



^ 




ARTIGOS VETERINÁRIOS 




/ .^«^.^..^.^..f..^ ^^^^.,^. ,.|..t. ,j„}. ,t..|, ^. 
/ . t . . { ..♦. .{..[. .[..}. , t ..t. . t . A ^ A-j.A-^.A~Ai J i. < t ..t. J .J^S. 



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•MHH-MH— H ■ ! ■•(■ i-MHH-MH- 4-fr -H + 



í 
^ CHOCADEIRAS e CRIADEIRAS v 



4 v fl 3 ° 



Anno IV 




I 
Agosto 1914 



N". 4 



KJc, V 




DE 




PUBLICAÇÃO OFFICIÂL 



DO 



Sarin fle Teieriaaría Miriam) íatoioiltirUiÈstria e Cdiiíf» 



r 



SUMMARIO 





PARTE OFFICIÂL: 

Serviço de Veterinária (Do relatório do Sr. Ministro) 213 

Registro de lavradores e Criadores 243 

Vaccinas e outros medicamentos 244 

COLLABORAÇAO : 

Dr. Aleixo de Yasconcelios Sobre um processo rápido de collo- 

ração de protozoários em cortes 
histológicos, pela solução de Gi- 
emsa 245 

Dr. GastOQ Urbaw Kncepbalite chronica complicada de 

pachymeningite cerebral e espi- 
nhal ossificante, no cavallo 248 

Dr. Pietro Fosclitai Raça bovina maremmana 250 

Drs. André Gouin e P. Andonará O valor productivo attribuido por 

Kellneraos principaes alimentos 
do gado corresponde ás observa- 
ções da pratica ? 255 

J. Wilson da Costa Selecção , 261 

PELAS INSPECTORIAS : 

Informações referentes aos districtos veterinários, prestadas pelos 

respectivos inspectores 263 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES 2.3o 

ECOS E NOTICIAS j 

Estatística pecuária — Eeilão de anhnaes — Pecuária em Minas — In- 
dustria pastoril em S. Paulo — Repioductores zebus 280 

B1BLI0GRAPHIA 283 




RIO DE JANEIRO 

Typographla do Ministério da Agricultura, Industria e Commcrcio 

1914 



CASA IVSOREINO 

142 ^ÒJJJL. DO OTJYIDOB 143 




Seringas especiaes para uso veterinário, com agulhas de aço, muito fortes e em forma de lança, que dispensam 

o uso do trocater 

Estas seringas, de5,10e2Q cc , modelo Casa Moreno, são as únicas usadas 
e recommendadas pela Directoria do Serviço de Veterinária do Ministério 
da Agricultura. 




Installações completas de laboratórios de chimica, bacteriologia, etc, etc, a 
gaz, álcool, petróleo e electricidade. 

Estufas, autoclaves, fornos, banho-maria, etc, etc. 

Apparelhos especiaes de Gerber, para exame de leite, manteiga e queijo 

Caixas com comprimidos para exame de agua e urinas. 

Apparelhos especiaes para extincção de formigas e outros insectos por meio 
de vapores de formol, pulverisadores, seringas para desinfecção, estufas, etc, etc. 

Instrumentos de cirurgia, arte dentaria, accessorios de pharmacia e labora- 
tórios, fundas, etc, etc. 

MORENO BORLIDO & C. 
142 :O.TT.A. X>0 OUVIDOR 142 

155, I^/ua cio Rosário 



Telegr. Cod- Ribeiro 

CASAMORENO 



E DEPOSITO 

RITA GONÇALVES DIAS, 80 

BIO IDIS JAUBIEO 



Correio 

CAIXA 735 



REVISTA 



DR 




PUBLICAÇÃO OFFICIAL 



DO 



Serviço fle Veterinária flo Ministério da Apito, Industria e Comercio 



AGOSTO - 1914 



TOMO ITT FASCÍCULO IV 




^5^^^Tv^ 



RIO DE JANEIRO 

Typograpkia *• Ministério da Agricultura, Industria e Cemmercio 
1&14 



FIEUISTA DE UETERinARÍA E ZDOTEEHOIA 

Publicação Officlal da Directoria do Serviço de Veterinária 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Distribuição gratuita aos criadores do palx que a solicitarem 
R\0 £>L àl\UURO * * Caixa Postal 1.678 # * fcflASW. 

A RKDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSABILISA PELOS CONCEITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIGNADOS POR SEUS COI.LABORADORES 




ANNO IV X Agosto de 1914 )>< N. 4 



EXPEDIE1TTB 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 

sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 

a interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 

quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



PARTE OFFICIAL 



*"\**Wi.? , l.f*.? , > */%/•«/ 



SERVIÇO DE VETERINÁRIA 



(Do relatório apresentado ao Exmo. Sr. Presidente da Republica pelo Dr. Manoel Edwiges de Queiroz Vieira, 

Ministro da Agricultura, Industria e Commercio) 

Continua esta repartição a prestar á nossa industria pastoril 
incontestável e poderoso auxilio, já orientando-a pelo melhor critério, 
já amparando-a por uma assistência constante e systematizada. 
Da capacidade de nossa pecuária dá uma justa idéa a estimativa que, 
'com bons fundamentos, lhe attribue cerca de 30 milhões de bovinos 
ou seja o quinto logar entre os paizes creadores, depois da índia, dos 
Estados Unidos, da Rússia e da Argentina. 

O movimento de importação de animaes de espécies varias, da 
Europa e das Republicas do Prata, tende a augmentar, attendendo-se 
ás condições próprias que á pecuária ofTerecem dilatadas zonas áo 
paiz e á efficacia das medidas ofnciaes postas em pratica não só para 
a selecção do sangue como para a defeza da producção. Durante 
o anno passado, desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, depois 
de inspeccionados pelo pessoal do Serviço, 1.222 animaes, assim discri- 
minados: 403 bovinos, 189 equinos, 240 ovinos, 54 suinos, 21 caninos, 

R. v. 3 o 



234 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 

6 asininos e 309 aves, desembarcando em Santos, onde foram também 
inspeccionados, 261 bovinos, 100 equinos, 116 asininos, I ovino, 
40 suinos, 56 caninos, 43 caprinos, 52 aves, 1 gato, 1 elephante e 
3 macacos, ao todo 674 cabeças. 

A Inspectoria do 11 o districto (Porto Alegre), submetteu á 
inspecção 4.360 animaes, importados da Europa e do Estado Oriental; 
os oriundos da Europa entraram pelo porto do Rio Grande e os 
do Estado Oriental pela fronteira do Livramento. 

A Inspectoria do 12 o districto (Uruguayana), em igual periodo, 
examinou 18.624 animaes, procedentes da Argentina e do Uruguay, 
sendo 9.450 bovinos, 8.330 ovinos, 449 equinos, 392 asininos e muares 
e 3 aves, notando-se que, só no primeiro semestre, as entradas se 
elevaram a 16. 191 cabeças, das espécies acima referidas. 

[Verinca-se um sensível declinio na importação de animaes da 
Republica Argentina e do Uruguay, no segundo semestre do anno 
passado, concorrendo poderosamente para esse resultado a alta do 
preço do gado de cria alli observada e o imposto cobrado pelo poder 
ipublico sobre o gado exportado do seu território, exportação que 
tomava tanto maior intensidade quanto mais urgente era a necessidade 
dos creadores do Rio Grande do Sul, de repovoarem os seus campos, 
(largamente devastados pelas prolongadas seccas dos últimos annos. 

Encontra pronunciada acolhida por parte dos creadores a 
construcção de banheiros carrapaticidas, como poderoso meio de 
expurgar o gado desse terrivel parasita, substituindo-se assim, por 
este remédio efficaz, os antigos processos de prophylaxia constantes 
de benzeduras, queimada de pastos, etc. Tem incontestavelmente, 
!contribuido para esse resultado a propaganda feita pelo Serviço, das 
vantagens dos banheiros, a distribuição dos modelos de fácil constru- 
jcção e o premio instituido pela lei orçamentaria de 191 3. A lista, 
abaixo publicada, confirma o asserto : 

lista dos banheiros carrapaticidas examinados pelo pessoal do Serviço de Veterinária 

Nome do creador Nome da propriedade Município Estado 

Dr. R. F. D. Junqueira Santa Rita Rezende Rio de Janeiro 

Dr. H. R. Villaça Cachoeirinha Juiz de Fora Minas 

N. F. da S. Neves Veneza Valença Rio de Janeiro 

F. A. Brandi Pedra Branca Além Parahyba Minas 

T. Ribeiro Assis Floresta Juiz de Fora » 

Dr. F- T. Cotrim Campo-Bello Rezende Rio de Janeiro 

José M. Bernardes Do Campo-Bello • ■ • » » » » 

D. C A. Magalhães Ouro Fino Além Parahyba . . • Minas 

Conde de Nova Friburgo Gavião Cantagallo Rio de Janeiro 

Durisch & C Fazenda Nacional. Santa Cruz Districto Federal 

Ramos Pinto & C Barra do Ouro Além Parahyba Minas 

F. V. de Andrade Pavão Barra Mansa Rio de Janeiro 

F. A. Villela Barra Alegre S.Paulo do Muriahé Minas 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 235 



Nome do creador Nome da propriedade Município Estado 

Dr. J. Miranda Bella Alliança Pirahy Rio <!<• janeiro 

Dr. H. A. D. Guimarães. Anuo Bom Barra Mansa » » » 

Ribeiro & Junqueira Pensylvania Leopoldina Minas 

José R. Junqueira Niagara » » 

A. M. R. Junqueira Abahyba » » 

J. B. A. Antunes Quatiug-a Lorena S. Paulo 

Alcides Faria Palmeiras Cruzeiro a » 

S. R. de S. Pinto SanfAnua » » » 

D. R. C. Fleming' Embahú » » » 

Dr. J. P. Britto Penedo., Rezende Rio de Janeiro 

O. M. V. de Andrade Santa Clara Parahyba do Sul. . » » » 

D. R. S. F. Junqueira Aterrado Barra do Pirahy . . . » » » 

F. A. Duque Caeté Lima Duarte Minas 

G.A.Andrade Campo Grande Passa Tempo » 

A. van Erven Santa Clara Cantagallo Rio de Janeiro 

J. Xavier Botelho Ponte Alta Pirahy » » » 

» » » Santa Cecília » » » » 

"W. A. Junqueira Luziania Leopoldina Minas 

Dr. A. D. Junqueira Paysandú Barra do Pirahy. . . Rio de Janeiro 

D. Leite Pinto Forquilha Valença. » » » 

A.C.Martins Taboão.. Caxambu Minas 

Companhia C. Pastoris Itatiaya Rezende Rio de Janeir« 

Comp. C. Pastoris do Brazil Ubá Vassouras. » » » 

A. A. J. Garcia São Joaquim Pirahy » » » 

Dr. J. R. Peixoto Santa Cecília Barra Mansa » » » 

C. M. F. Leite Macuco Além Parahyba. . . Minas 

n » » » Degredo » » ... » 

0. Vieira da Silva Da Ponte Rezende Rio de Janeiro 

Dr. J. T. Soares SanfAlda Além Parahyba . . . Minas 

Dr. A. C. Gomes São José Valença Rio de Janeiro 

1. F. Pires Bom Reth-o. Lima Duarte Minas 

S. Rangel & C Cachoeira Vassouras Rio de Janeiro 

Dr. L,- de Freitas Triumpho » » » » 

S. E- de Andrade Engenho da Serra. Turvo. Minas 

Dr. P. S. Bastos Santa Clara Juiz de Fora. » 

F.T.Botelho Constância Além Parahyba — » 

J. Andrade & Irmãos S. Luiz Juiz de Fora » 

J. C. A. Gonçalves - . • N. S. da Piedade. . Barra Mansa Rio de Janeiro 

F. D. da Motta Serra Lima Duarte Minas 

D. Cândido de Araújo Boa Esperança Cantagallo Rio de Janeiro 

J. L- Modesto Leal Ponte Alta Barra do Pirahy .. . » » » 

Monerat & Monerat Paraizo Sapucaia » » » 

A. Silva Costa Cachoeira Guarará Minas 

A. C. Branco & Irmãos — Além Parahyba ... » 

A. da Silva Fortes Estivado. Barbacena » 

F. M. Costa Cruz Turyassú Cataguazes » 

Coronel P. Motta Pouso Alegre Lima Duarte » 

Dr. A- C. Branco Conceição Além Parahyba. • • » 

Dr. C. P. S. Fortes Pinho Barbacena » 

Companhia Alliança Vista Alegre. Valença Rio de Janeiro 

J. P. Barros Leal Bom Jesus • Quixeramobim Ceará 

P. P. Ferreira Gomes. Formosa » • • • • » 

J. P. Pinto Accioly Bretanha » » 

Fausto Cândido Jurupary » » 

A. A. Maranhão Califórnia S. Gonçalo Rio Grande do Norte 



236 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Nome do creador 

A. M. L,opes Cavalcanti 

F. Porfírio de Britto 

Juvenal de Carvalho. 

Brazil I v . C. P. h tA 

F. Gomes Leitão 

F. Pereira Barreto 

I,uiz Seraphim 

Manoel P. Horta 

Cantidio Camargo 

David Araújo 

M. Freitas Valle 

Vicente J. da Maia 

L,uiz A. Palraeiro 

Ottoui Villela. 

João Peró 

Iy. Gonçalves Chagas 

Januário Chagas 

José Ferreira I y eite 

Américo Ferreira L,eite 

Olyntho F. Diniz 

Urbano de Andrade 

Dr. H. Sá Fortes 

Honorina da Cunha e Silva- 

Aldino da Fonseca 

I,úiz A. da Cunha 

Gabriel F. Mé Junqueira 

António Ribeiro Pires 

Emmanuel L,evy 

Adolpho C. Gomes 

Ricardo Curvello 

José Cordeiro de Almeida. . . 



Nome da propriedade 
Canto das Pedras . . 

Cuyabá 

SanfAuna. 

Murungará 

Santa Francisca. . . 
Cabana Pastoril ... 

Bella Vista.. 

Grama 

Santa Amélia 

S. Luiz 

Umbu.. • 

Santa L,uiz* 

Candelária 

Santa Cármen 

S. Luiz 

S. I y ucas 

Primavera 

Pedra Negra 

Palmeiras 

Pitangueiras 

Catava 

Bôa Fé. 

Primavera 

Bôa Vista 

Coqueiros 

Bôa Vista 



Município Estado 

Sobral Ceará 

Porto da Folha. . . . Sergipe 

Morada Nova Ceará 

Jaraguarah3'va Paraná 

Cravinhos S. Paulo 

Queluz » » 

Piquete » » 

Pinheiros » » 

Cerquilho » » 

I^apa Paraná 

Alegrete Rio Grande do Sul 

D » H B 

Itaquy » * » » 

Alegrete » » » » 

Uruguayana » » » » 

Rosário » » » » 

S. Vicente » » » » 

Passa Tempo Minas 

Oliveira » 

* » 

Turvo » 

Barbacena » 

Juiz de Fora » 

Barra Mansa Rio de Janeiro 

Palmyra Minas 

Rezende Rio de Janeiro 

Lima Duarte Minas 

Bananal S. Paulo 

Porto da Folha Sergipe 

Riachuelo.. » 

Serrinha Bahia 



Banheiros construídos pelo Ministério da Agrieultnra 



Município 



Caetité Estado da Bahia 

Jequié » » » 

Ouixadá » do Ceará 

Ouixeramobim ... » » » 

Ipú » » » 

Campos Salles. . . » » » 

Canindé » » » 

Sobral » » » 

Ponta Grossa » » Paraná (Fazenda Modelo de Creação) 

Pirahv » » Rio (Posto Zootechnico Federal) 

Vassouras » » » (Fazenda Modelo Santa Mónica) 

Bello Horizonte. . » » de Minas (Posto de Observação de 

Bello Horizonte) 

Biguassá » de Santa Catharina 

Santo Amaro » » » • » 

Taquaras » » » » 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIa 237 

O movimento nos banheiros do Ceará, durante os mezes de 
agosto a dezembro do anno findo, foi de 1.537 cabeças, sendo: 

Banheiro de Ouixadá 852 

» » Campos Salles 481 

» » Canindé 204 

A rede de banheiros officiaes necessários a impedir a marcha das 
epizootias de tristeza, provenientes do gado originário do Estado do 
Piauhy, ficará completa quando se construirem banheiros em Tucuns, 
Gamelleira, Barra do Vento, S. José, Sobradinho, S. Gonçalo e Alto 
Alegre, na fronteira com o Piauhy, o que se torna urgente levar a 
effeito para mais efficaz e decisiva acção do Serviço. 

Os banheiros officiaes existentes foram construídos de accôrdo 
com estudo prévio das principaes correntes de gado que percorrem 
os Estados, em suas marchas continuas para as grandes feiras e a esse 
plano obedece a collocaçao dos que ainda é mister construir, tanto no 
Piauhy como na Bahia. 

Tendo fracassado, por completo, as esperanças despertadas pela 
vaccina Ligniéres, empregada na Republica Argentina, para evitar o 
apparecimento da babesiose bovina ou tristeza, dirigiu o Serviço de 
Veterinária as suas vistas pára o methodo de immunização aconselhado 
(pelos profissionaes Nutall e Hadwen e muito empregado nas colónias 
inglezas do sul da Africa pelo professor Stockmann, chefe do Serviço 
Veterinário da Inglaterra. 

O methodo de Nutall e Hadwen veiu resolver, de modo positivo, 
essa questão de capital interesse para o nosso paiz, empenhado em 
povoar os nossos campos de reproductores de raças finas, que melho- 
rem o gado nacional e tornem mais rendosa a exploração da pecuária. 

Durante o anno findo foram irrumunizados aqui 115 animaes 
importados, posteriormente enviados para os Estados da Bahia, Rio 
de Janeiro, Paraná e Districto Federal, não se tendo dado a morte 
de nem um delles pela tristeza, não obstante acharem-se em campos, 
não raro, infestados por esse mal. As Inspectorias de Porto Alegre, 
Uruguayana e Ceará immunizaram também vários reproductores 
vindos do extrangeiro, achando-se as dos outros Estados habilitadas 
a empregar o mesmo processo toda a vez que lhes solicitarem. 

O methodo que tem dado tal resultado consiste no systema de 
Nutall, modificado de accordo com as observações feitas pelo Serviço 
e que constituem objecto de trabalho scicntiíico publicado na Revista 
de Veterinária e Zootechnia deste Ministério. Para o estudo e emprego 
desse methodo de immunização, o Serviço adquiriu abundante material 
com que obteve o esclarecimento completo da etiologia da tristeza no 






238 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMM^RCIO 

Brazil, resultando dahi a affirmaçao dos drs. Alcides Miranda e Paulo 
Parreiras Horta de que o parasita causador da tristeza, entre nós, 
não era o que fora até então descripto por todos os scientistas que 
se occuparam deste assumpto, e sim uma espécie nova, exclusivamente 
sul-americana, a que denominaram Babesia-australe. O estudo deta- 
lhado que fizeram a este respeito foi publicado na Revista de Vete- 
rinária, acompanhado de uma estampa em que são reproduzidos os 
principaes aspectos do parasita, que se encontra no Brazil, no Uruguay 
e na Republica Argentina. 

Em virtude desses trabalhos sobre a etiologia da tristeza, o Comité 
Organizador do X Congresso de Medicina Veterinária, que se deve 
reunir em Londres, em agosto próximo, escolheu o dr. Parreiras 
Horta, chefe da secção technica do Serviço, para relator omcial de 
uma das theses que devem ser discutidas no Congresso, intitulada 
"Moléstias transmittidas pelos carrapatos; sua classificação, prophy- 
laxia e tratamento" . 

Attendendo a solicitações do prefeito de Nictheroy, esse Serviço 
designou dois de seus funccionarios para exercerem, durante alguns 
mezes do anno findo, em collaboração com a Directoria de Hygiene 
do Estado do Rio, a inspecção do leite dado ao consumo na referida 
cidade. Essa inspecção obedecia ao seguinte programrna: 

I o — Policia veterinária e inspecção do leite fraudado ou 
tpathologico. 

2 o — Inspecção medica do pessoal entregue á exploração do com- 
mercio de leite. 

3 o — Verificação das condições de hygiene dos estábulos. 

4 o — Verificação do asseio da ordenha e do modo pelo qual eram 
effectuadas as diversas manipulações feitas com o leite. 

5 o — Verificação das condições do vasilhame de entrega e deposito, 
além da fiscalização da temperatura de conservação do leite. 

6 o — Inspecção das forragens que servem de alimentação aos 
animaes. , 

7 o — Verificação das condições de transporte do leite. 

No correr desse serviço verificou-se que Nictheroy consome diaria- 
mente 3.687 litros de leite, do qual mais da metade é procedente do 
Interior do Estado e proveniente de vaccas sujeitas ao regimen do 
campo, em sua maior parte, situado nas zonas de Cantagallo e do 
ramal de Campos. A outra parte do leite consumido é colhido de vaccas 
estabuladas nas zonas urbanas e suburbanas da cidade. 






revista db; veterinária e zootechnia 239 

quadro seguinte (*) demonstra os resultados desses exames 
e as occorrencias mais importantes, de fevereiro a setembro de 1913: 

I^eites controlados 476 

» reputados bons 431 

» falsificados 35 

» patliologicos 5 

» anoruiaes 5 

» condemnados 45 

Inspecções veterinárias 1 . 040 

Vaccas em estado pathologico 19 

» tuberculosas 3 

» tuberculinizadas 7 

» interdictas 19 

Pessoal isolado 4 

» interdictado 2 

Multas impostas ". 40 

Intimações diversas 125 

Remoções de animaes -» 7 

Desinfecções 10 

Riqueza fundamental do leite consumido na cidade de Nietheroy e as variações de sua composição 

Máxima Mínima 

Matéria graxa 55,0% 35,0% 

Caseina 65,0 % 45,0 % 

lactose 55,0% 37,0% 

Agua 860,0% 850,0% 

1 . •■ , ; ' ■ » 

* * 

Continua a reinar enzooticamente em todos os Estados do Brazil 
o carbúnculo symptomatico ou peste da manqueira. Actualmente, 
entretanto, com o emprego da vaccina que o Serviço distribue, em 
larga escala, só experimentam perdas os proprietários que não tomam 
a precaução de vaccinar todos os animaes de suas fazendas. 

No decurso de 19 13 foram distribuídas 420.395 doses de vaccina, 
sendo grande parte applicada directamente pelos veterinários e seus 
auxiliares, em zonas em que essa prevenção era totalmente desco- 
nhecida. Releva ponderar, porém, que, em muitos Estados, ainda é 
difficil a applicação da vaccina, não só pela ignorância dos fazendeiros 
com relação á essa prophylaxia, como ainda pela dimculdade de se 



(*) Este quadro demonstra apenas o serviço feito durante os oitos mezeà 
acima, tendo todavia, continuado a ser executado até 31 de Dezembro de 1913. 
A tuberculinização teve inicio no correr deste ultimo mez. 



240 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

encontrar seringas em numero sufficiente para todos os creadores. 
Durante o an.no passado foram distribuídas 203 seringas para injecções, 
numero insignificante deante da necessidade da distribuição desse 
apparelho que, devido ao seu custo e á deficiência da verba, não é ainda 
encontrado, com facilidade, no interior de certos Estados. 

Algumas pequenas epizootias de carbúnculo bacteridiano foram 
assignaladas em 191 3, nos Estados do Rio Grande do Sul, S. Paulo, 
Paraná, Minas Geraes e Rio de Janeiro, além de casos esporádicos 
surgidos indistinctamente em quasi todos os Estados da Republica. 
O serviço de vaccinação intensivo, feito pelos veterinários destacados 
por todos os focos assignalados, conseguiu suffocar essas epizootias. 

A vaccina empregada é fabricada no Instituto Oswaldo Cruz, 
pelo processo clássico das duas vaccinaçoes, com intervallo de 15 dias, 
utilizando-se uma vaccina fraca e uma vaccina forte. Essa vaccina, 
>pelas verificações que foram feitas pelo Serviço de Veterinária, deu 
óptimos resultados no Estado do Rio Grande do Sul, não succedendo 
o mesmo nos Estados do Rio, Minas e Districto Federal, o que levou 
o Serviço a promover uma modificação da vaccina, empregando-se uma 
injecção única, na dose de 2 cc. da vaccina fraca, isto é, quatro vezes 
mais enérgica do que a dose antes empregada. Esta modificação acha-se 
sufficientemente sanccionada pelo bom resultado decorrente de seu 
emprego em mais de 6.000 animaes. 

Surgiu em 19 13 a febre aphtosa, sob a forma de uma epizootia 
que, partida do Triangulo Mineiro, se irradiou por S. Paulo, Paraná, 
Santa Catharina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goyaz. 
O Estado que mais soffreu, com essa moléstia, foi o Rio Grande do 
Sul, onde o inspector veterinário assignalou a perda de mais de 
500.000 animaes. Tomadas pelo Serviço as providencias precisas 
emprehenderam-se vários estudos para a descoberta de um tratamento 
verdadeiramente efficaz contra esse mal. 

Iniciou-se no Districto Federal a luta contra o môrmo. Em diversas 
cocheiras foram malleinizados cavallos de todas as categorias e uma 
'centena de muares, verificando-se que existe infelizmente na Capital 
Federal grande numero de animaes atacados, quer da forma interna 
thronica, que só se revela pela acção da malleina, quer da forma interna 
ratoria, clinicamente confirmada, quer da forma cutânea (lamparão). 
A porcentagem das reacções positivas foi approximadamente de 25 o ] , 
o que demonstra a necessidade de uma boa lei de policia sanitária 
animal, que permitta a suppressão dos animaes doentes. 

Nos Estados foram também assignalados alguns focos, em que 
a acção do Serviço só se poude exercer de modo decisivo, graças ao 
apoio das auctoridades estadoaes e municipaes. 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 241 

Considera-se, felizmente, extincta a grande epizootia de raiva, 
que, durante annos, reinou em Santa Catharina. Em todos os pontos 
do Estado, a que chegou a acção do Serviço de Veterinária, foi veri- 
ficada a eliminação da moléstia, estando actualmente o Estado com 
todo o seu littoral e a ilha de Santa Catharina completamente expur- 
gados de tão mortífera epizootia. 

No município de Blumenau, no logar denominado " Gaspar", 
ainda se observam alguns casos de raiva epizootica, que não foram 
extinctos porque só tardiamente a municipalidade dessa cidade per- 
mittiu que se executasse a campanha de prophylaxia. O foco de 
Blumenau está entregue á acção da Inspectoria Veterinária do 
8 o districto, não tendo sido possível conservar a Commissão antirabica 
até sua completa extincção, em virtude da deficiência da verba do 
corrente exercício. 

O tétano poucas vezes appareceu sob a forma epizootica. O serviço 
de immunização preventiva, logo realizado, conseguiu jugular esses 
surtos epizooticos. Casos esporádicos são assignalados em todos os 
Estados do Brazil, tendo sido alguns delles tratados com muito bom 
resultado. 

Proseguem no Posto de Observação e Enfermaria Veterinária 
de Bello Horizonte os trabalhos de fabricação de um soro e vaccina 
contra a moléstia que, sob o nome vulgar de batedeira, faz grandes 
estragos em quasi todas as creaçoes de suínos. Em numerosas appli- 
caçoes feitas durante o anno, ficou comprovado o valor dos productos 
biológicos manipulados em Bello Horizonte, esperando-se que, com 
a terminação das installaçoes desse Posto, possa a producção satisfazer 
ás necessidades urgentes dos creadores. 

A violenta epizootia de strongilose pulmonar e intestinal que foi 
acompanhada e combatida pelo Serviço, em S. Paulo, em 19 12, declinou 
sensivelmente em 19 13. A grande secca observada neste anno também 
concorreu para esse resultado, perturbando, consideravelmente, a 
evolução dos embryoes e ovos dos vermes intestinaes. Foram atacados 
mais de 30.000 animaes, sendo a mortalidade observada, para os vitellos, 
de 60 a 65 o ! , e para os adultos, de 25 a 30°|°. O tratamento fez 
decrescer a mortalidade a o, tendo dado, em geral, bons resultados 
todos os vermífugos empregados. A essência de therebentina ou mesmo 
a agua-raz foi o mais eíficaz, sendo, na pratica, o mais aconselhável, 
pelo seu baixo preço. 

Em virtude dessa epizootia, foram inspeccionados no interior 
()<).\oj animaes, em propriedades visitadas pelo veterinário doutor 
Paulo Maugé. 

A febre typhoide ou pleuro-pneumonia contagiosa dos cavallos 
1 ausou, durante o anno, numerosas victimas, quer nesta capital, quer 
i' v ',1 



242 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E> COMMKRCIO 

em S. Paulo. A evolução da moléstia differe um pouco, no Brazil, 
da que se observa na Europa. Em S. Paulo, o dr, Paulo Maugé fez 
observações que o induziram a crer que o carrapato tem algum papel 
na disseminação dessa enfermidade. Hoje a epizootia está apparente- 
mente extincta. 

Moléstias outras prenderam a attenção do Serviço de Veterinária, 
em 191 3, bastando citar a espiroquetose das gallinhas, a distomatose 
dos ovinos, a osteoporose, a actinomycose, etc. Não formaram, porém, 
focos notáveis, razão por que não são aqui estudadas isoladamente. 






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Fornecem os adubos necessários para 
qualquer cultura e attendem a toda e qual- 
quer consulta verbal ou por escripto sobre 
o modo como devem ser applicados os 
adubos chimicos nas diversas culturas. 

Propõem-se visitar gratuitamente as 
propriedades agrícolas para ensinar pra- 
ticamente a adubação chimica racional. 

Distribuem livros, folhetos e brochu- 
ras sobre a adubação chimica a quem os 
solicitar. 

12 — io 
13 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



243 



REGISTRO DE LAVRADORES E CRIADORES 



Modelo de requerimento paia ínscripção 



Sr. Ministro da Agricultura, Industria e Commercio: 

F. . . , desejando inscrever-se no «Registro de Lavradores, Criadores 
e Profissionaes de Industrias Connexas» estabelecido nesse Ministério, 
de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro de 1909, apresenta, para 
esse fim, o documento (*) exigido pela mesma portaria e as inclusas 
informações (**) e pede-vos autorizeis sua inscripção. 



Pede deferimento. 




(*) O documento referido 6 o que diz respeito ao imposto que paga ao Estado 
ou ao município como lavrador ou criador (art. 6° das inst.). 

A falta desse documento poderá ser supprimida por attestado do Presidente 
da Municipalidade, do Prefeito ou Agente Executivo ou de dois lavradores já 
inscriptos, devendo ser legalmente reconhecida qualquer das respectivas firmas 
(art. 7 das inst.) . 

Qualquer dos documentos citados está sujeito ao sello da lei, isto é, 300 réis 
federal (art. 11 das inst.). 

(**) As informações, a que se refere o requerimento, devem ser assim pres- 
tadas : 



244 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Nome 

Profissão , 

Denominação da propriedade 

Estado 

Mnnicipio 

Cidade, villa ou povoação mais próxima. 

E' própria ? Nome do proprietário 

E' arrendada? Nome do proprietário. . . . 

E' alugada ? nome do proprietário 

Servida pela estrada 

Estação mais próxima 

Meios de communicação 

Área total e qualidade das terras 

Área cultivada . . . 

Área inculta 

Área em pastagem 

Área em mattas 

Género de producção 

Média annual de producção 



{ Numero de cabeças de gado, com designação de sexo 

Suas espécies 

\ Possue prados artificiaes ? 

Natureza das culturas forrageiras 

„ Rendimento por hectare, alqueire, etc 



VACCINAS E OUTROS MEDICAMENTOS 

Modelo de requerimento para requisição de vaccinas 

Sr. Director do Serviço de Veterinária: 

F..., criador era... Estado de..., inseri pto no Registro de 

lavradores, Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas sob 

n... letra... a fl. . . do respectivo livro, possuindo... cabeças de 

gado, pede-vos a remessa de. . . doses de vaccina, visto estar o seu 

gado ameaçado da peste da manqueira. 

Pede deferimento. 




Nota — Para requisição de sarnol ou qualquer outro medicamento serve este 
mesmo modelo, fazendo, apenas, as indispensáveis modificações. 



revista de veterinária b; zootkchnia 245 

COLLABORAÇÃO 

SOBRE UM PROCESSO RÁPIDO DE COLORAÇÃO DE PROTO- 
ZOÁRIOS EM CORTES HISTOLÓGICOS, PELA SOLUÇÃO 



Das modificações do primitivo pó de Jenner, é sem duvida pot 
emquanto, o methodo de Giemsa o que fornece preparações mais 
distinctamente coloridas. Appticou-se durante algum tempo, restricto 
aos esfregaços e ás laminas de sangue, para estudos puramente histo- 
lógicos e pesquizas de protozoários e bactérias. A sua grande propa- 
ganda foi feita por Schaudinn, quando o empregou para a coloração 
da lympha de productos syphilMcos e descobriu o "spirochoeta/" 1 . 
Este único facto, basta para mostrar o grande valor dos processos 
de coloração, no estudo da etiologia das moléstias infectuosas. 

Não é portanto, descabida de interesse, uma contribuição neste 
capitulo das sciencias 'expermientaes, embora importe ella em uma 
si:: pies modificação de technica. O processo de coloração que propomos, 
nós o conseguimos quando procuramos colorir piroplasmas no sangue 
de um animal (bezerro Gersey). que havia morrido ha quatro horas. 
Como porém a morte se dera em estado agonico, não foi possível 
encontrar sangue fluido no coração ; havia coágulos, enchendo com- 
pletamente as cavidades, que aproveitamos, collocando-os em álcool 
methylico. 

Depois de concluída a autopsia, feita pelo Dr. Herbster Pereira 
e por nós, foram lançados em formol fragmentos de fígado, baço e 
rins, tendo-se o cuidado de fazer antes, esfregaços das mesmas vísceras. 
Nas laminas assim preparadas, a coloração habitual da solução de 
Giemsa, permittiu que fossem verificadas formas anulares de babesia, 
dentro das hérnàtiâs e muito semelhantes as formas de schizontos 
novos, encontrados nos capillares cerebraes e no baço de indivíduos 
mortos de paludismo tropical, conforme verificação já feita pelo 
Dr. Parreiras Morta. 

A tentativa portanto de pesquiza no coagulo, era animadora, 
comquanto até aqui não conheçamos referenda a este processo de 
e; une. Depois de uma hora de contacto com o álcool methylico, foram 
os pedaços de coagulo lançados no xylol renovado três vezes de 
quinze em quinze minutos e incluídos em parafina. O sangue coagulado 
i presta admiravelmente para uma inclusão rápida, fixado previa- 
mente erii álcool ethylico ou methylico. Quatro passagens em parafina 



246 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 

enovada de quarto em quarto de hora, sendo duas vezes de 38 o e duas 
ezes em parafina de- 55 o , são suffirientes para a moldagem do bloco. 
lm sumíma : da fixação á microtomiase gastam três horas. Para a 
oloração segundo o methodo original de Giemsa, appl içado aos cortes 
íistologicos, seriam necessárias mais vinte e quatro horas e para a 
:oloração segundo o nosso processo, mais quarenta minutos apenas 
)astaríam. 

Antes de detalhar a modificação que pretendemos introduzir, 
ramos explicar como Giemsa aconselha a coloração de cortes com 
l matéria corante por elle preparada. "Pedaços de 5 mim são collo- 
:ados em sublimado-alcool, segundo a formula de Schaudinn : solução 
:oncentrada aquosa de sublimado duas partes, e uma parte de álcool 
ibsoluto". (*) 

Depois de 24 horas estão fixados os fragmentos. Lavam-se em 
agua corrente e passam para a séri ; e alcoólica iodada, álcool absoluto, 
çylol e parafina. Os cortes de 5 m|m são depois de hydratados, tratados 
)elo lugol, lavados e de novo tratados por uma solução á 0,5 °|° de 
ryposulfito de sódio durante 10 a 20 minutos, para o desappareci- 
nento completo das granulações de sublimado. Depois de bem lavados, 
:olloca-se sobre os cortes a solução de Giemsa, durante 24 horas, 
>odendo-se renovar a coloração depois da primeira hora. 

Uma vez lavadas as preparações, faz-se a differenciação com as 
;eguintes misturas : 

1 — Acetona 95 cem., xylol 5 cem. 

2 — Acetona 70 cem., xylol 30 cem. 

3 — Acetona 30 cem., xylol 70 cem. 

4 — Xylol puro. 

5 — Fechar em óleo de cedro. 

Toda esta série de operações implica em desperdício de tempo e 
le material, sem todavia se conseguir sempre boas preparações. 

Conhecido o processo original, vejamos agora em que consiste 
1 nossa modificação. 

A primeira tentativa foi, como dissemos, a pesquiza do piro- 
plasma no coagulo fixado pelo álcool methylico. Os cortes finíssimos 
:me obtivemos (2m.m.), foram hydratados como de costume, porém 
:om agua distillada ; em seguida, coloridos com a solução de Giemsa 
durante meia hora, preparada segundo a proporção habitual : uma 
^ota da solução commercial e 1 c. c. de agua recentemente distillada. 
Os cortes se apresentam assim nitidamente coloridos sem super- 
:oloração. Lavam-se em agua distallada e applfca-se depois unii 
processo de deshydratação mecânica muito simples e que os não 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTRCHNIA 247 

prejudica absolutamente. E' esta a parte principal da technica. 
O excesso d'agua que existir em torno do preparado, enxuga-se com 
um panno e colloca-se sem a menor attricçao sobre o corte, um pedaço 
de papel de filtro, exercendo-se sobre elle uma ligeira pressão 
mudando-se duas ou três vezes de posição. O corte fica ligeiramente 
húmido completando-se em seguida a deshydratação com xylol. 

Quando logo ás primeiras gottas a preparação não fica completa- 
mente transparente, colloca-se sobre o corte embebido de xylol um 
pedaço de papel de filtro, deitando-se immediatamente novas gotas 
de xylol, para finalmente fechar-se a preparação em bálsamo neutro. 
Vemos pois que se precisa apenas de papel de filtro e de xylol para 
a deshydratação. Não ha necessidade de diíferenciação porque o tempo 
de coloração não obriga a isso. 

Em quarenta minutos no máximo, se obtém uma boa preparação 
histopathologica colorida pela solução de Giemsa, por um processo 
económico, seguro e rápido. 

Aleixo de Vasconcellos. 



(*) Quando se fazem es f regaços para a fixação húmida, aquece-se 
a mistura fixadora á 70 o . 



248 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMBRCIO 

ENCEPHALITE CHROHICA COMPLICADA DE PÁCHYMENIN 
GITE CEREBRAL E ESPINHAL 0SS1FICANTE, NO 
CáVALLO 

A pachymeningite ossificante commum no cão é, tão rara nos 
equideos, que merece ser mencionada quando apparece no cavallo. 

Em Maio p. p. fui procurado, em Florianópolis, para examinar 
um cavallo que, deitado desde dois dias, estava impossibilitado de se 
levantar. Encontrei o doente deitado em decúbito lateral esquerdo, 
fortemente emaciado, principalmente na parte trazeira do corpo, onde 
já existiam! muitas feridas provocadas pelo decúbito prolongado. 
Tratava-se de um cavallo indigena, castrado, com 17 a 18 annos de 
'idade. Constatei o pulso accelerado e pequeno, a respiração curta e 
accelerada, a «temperatura geral normal, a cauda paralysada, o anus 
largamente aberto, os membros posteriores paresiados, porém, sensiveis. 

Disserami-me que, durante os últimos quinze dias, este animal 
apresentara perturbações motoras do treno posterior, perturbações 
essas que se accentuaram sempre mais até a occasião em que o animal 
jcahiu para não mais se levantar. Soube também que anteriormente 
o cavallo tinha grande somlnolencia, dormia em pé e cahia em 
qualquer logar. 

[Grassando, no Estado de Santa Catharina, a raiva nos grandes 
herbívoros, assim como o mal das cadeiras nos equideos, fui obrigado 
a aproveitar todos os elementos ao meu alcance para verificar se o 
caso constatado devia ser attribuido a uma ou outra dessas entidades 
mórbidas. 

Julgando inútil e anti-economica qualquer intervenção tendente a 
conservar ou curar o animal, de accôrdo com o proprietário, sacri- 
fiquei-o e procedi iinjm.ediatam.ente á autopsia, examinando com especial 
attenção os centros nervosos. A caixa craneana estava exteriormente 
normal. Notei a ossificação comjpleta da foice do cérebro. Estavam 
também ossificadas as granulações que, ás vezes, se encontram nas 
faces lateia.es da foice do cérebro, granulações essas impropriamente 
denominadas glândulas de Paechioni. 
1 Verifiquei também a ossificação quasi total da tenda do cerebello. 

Os ventrículos lateraes estavam fortemente dilatados e cheios de 
liquido citrino. 

Nos cortes da substancia cerebral encontrei vários focos hemor- 
rhagicos. ' 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTKCHNIA 2-492 

(Na região lomibar, na face inferior da medulla, encontrei, na 
dura-mater, uma placa óssea de quatro centímetros de comprimi nto 
sobre um centímetro de largura. 

Esta placa óssea, comprimindo a medulla. provocava as pertur- 
bações motoras e a paralysia das partes posteriores do corpo. 

As inoculações em animaes de laboratório e os exames microscó- 
picos excluíram a possibilidade da existência da raiva e do mal de 
cadeiras. 

Estava, portanto, em presença de um caso de encephalite chronica 
ou "immiobilidade" em consequência á pachymeningite ossificante cere- 
bral e lombar e á hydropesia dos ventrículos lateíaes. 

Florianópolis, Julho de 1914. 

Dr. Gaston Urhain, 

Medico Veterinário. 



ft. V. 32 



250 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA i$ COMMEJRCIO 



RAÇA BOVINA MAREMMANA 

Em duas monographias publicadas nesta miesma " Revista dé. 
Veterinária e Zootechnia" illustrei duas raças bovinas da Itália que 
devem ser consideradas entre as primeiríssimas do mundo — a raça 
romanhola (vencedora do grand-prix na Exposição Internacional de 
Paris) e a raça de Vai de Chiana, ambas, creio não enganar-me, 
destinadas a produzir resultados extraordinários também no Brasil, 
quer reproduzidas puras, quer importadas para o melhoramento dos 
bovinos aqui existentes. 

Nenhum preconceito de campanilismo me induziu a afirmar o 
que aqui repito e sim a convicção formada pelo conhecimento adqui- 
rido mediante longa e constante pratica e ainda pelo estudo do 
ambiente do antiquíssimo berço dessas raças, do ambiente de sua 
origem mais recente, daquelle em 1 que actualmente se criam, multi- 
plicam e prosperam maravilhosamente, da sua estruetura morphologica 
e tendências innatas ou determinadas pelo homem, em relação ao que 
é no actual momento o ambiente agricolo-zootechnico brasileiro. 

Admirador enthusiasta e sincero das já celebres raças bovinas 
da Europa, apezar disso não posso deixar de dizer uma vez por todas, 
que, cm um ambiente como ainda é o Brasil agrícola, as raças espe- 
cialisadas, quasi artificiaes, por assim dizer, creadas e formadas em 
ambientes frios e, se não frios, sempre extremamente húmidos, não 
podem dar senão resultado pouco duradouro. 

As raças destinadas a triumphar em ambiente agricolo-zootechnico 
como o do Brasil são as que têm origem natural e de raça pura (a 
Schuytz, a Romanhola, a Simmenthal e a Chianina), que embora 
vivendo alguns mezes do anno na penúria, têm progredido esplendida- 
mente e continuam a progredir mais em virtude dos próprios dotes 
intrínsecos e naturaes do que por obra do homem. Em todo caso, só 
o futuro dirá se tenho razão. 

Agora proponho-me a f aliar da raça maremmana, cujo conheci- 
mento, penso, pôde interessar muito, porque delle se obtém idéa da 
grande maioria dos bovinos que povoam actualmente a parte leste 
da Europa, grande parte da Ásia Occidental e da Ásia Menor; esse 
conhecimento pôde interessar também por outras razoes que irei 
expondo. 

A raça bovina maremmana, dada por Sanson 
Origem e historia como pertencente ao B. T. Asiaticus, teve suas 

origens dos bovinos macroceros cinzento.-escuros 
que, da Ásia, seu centro de domesticação, foram trazidos para o 



REVISTA DE VETERINÁRIA K ZOOVHCHNIA 251 

Sud-Est da Europa. Segundo Marchi, os dados morphologicos, physio- 
fogicos, prehistoricos c históricos induzem a considerar a rara marem- 
mana como descendente directa dos macroceros úcranicos, introdu- 
zidos na Itália durante o VI século por Agilulfo, senhor dos 
longobardos. 

Estes bovinos, de chifres longuíssimos, de pello cinzento e cinzento- 
escuro, habitam ainda hoje uma extensa superfície: a Ucrânia, a 
Podolia, Bessarabia, Rumania, Hungria, Transylvania, Bósnia, Dal- 
mácia, grande parte da zona adriática italiana, a maremma da baixada 
thirrena e uma bôa parte do Sul da Itália. A área geographica falia, 
portanto, a favor de sua diffusão, occorrida no Occidente com as 
invasões dos bárbaros. 

A raça maremmana assim se chama porque 
Área geograpliica criada na Itália na maremma (baixada pantanosa) 

grossetana e romana. Ainda que na região de 
Grosseto e na de Roma a raça seja a mesma, não obstante, quem as 
observe attentamente relevará uma ou outra ligeira differença entre 
os bovinos das duas zonas. 

Os bovinos da maremma grossetana oceupam a província de 
Grosseto e pequena parte da de Siena; os da maremma. romana 
habitam toda a região do Lacio e a baixa Sabina (Umbria). 

O recenseamento de 1908 (não me consta a 
Dados estatísticos realização de outro posterior) indica que os 

bovinos de raça maremmana da provincia de 
Grosseto ascendem a 40.000 cabeças; os da provincia de Siena a 
20.000 e os do Lacio a 135.000, em cifras redondas. 

Este bovinos têm em geral formas 
Caracteres niorplioiogícos vigorosas, de membros grossos e que 

demonstram no seu conjuncto caracteres 
de força e resistência excepcionaes. A cabeça, antes leve confrontada á 
massa do tronco, tem a fronte larga e plana e o sincipite que não 
projecta para traz; chifres robustos de differentes sinuosidades, 
dispostos com frequência em forma de lyra, como na maior parte das 
raças podolicas, de 60 a 80 cm. de comprimento nos touros e vaccas 
e muito mais nos bois. As pontas dos chifres distam entre si de 80 a 
130 cm.; olho vivaz, orelhas de mediana grandeza e moveis, focinho 
preto lustroso com margem clara. 

O pescoço é encorpado muitíssimo musculoso e a barbella 

abundante. 

O trem anterior apresenta desenvolvimento predominante — 
caracter que se pôde chamar especifico das raças cujas aptidões ao 
trabalho e á producção da carne são superiores ás lactiferas, nas quaes 
o trem posterior predomina, como, por exemplo, na raça hoilandeza. 



252 MINISTÉRIO DA AGRICUI/fURA, INDUSTRIA R COMMRRCIO 

A cernelha é pronunciada, o thorax profundo, a linha dorso- 
lombar perfeitíssima, garupa um pouco declinante para traz. Os 
aplombs são regulares, as articulações largas e fortes e unhas 
robustíssimas. 

A garupa, relativamente não muito desenvolvida é um dos defeitos 
característicos da raça. A pelle é espessa. A altura dos touros varia 
de im,52 a im>6o; a das vaccas de 1111,42 a im,55 approximadamente. 
O pello é cinzento em suas varias gradações. Ha 
Pigmentação prevalência do cinzento-escuro 110 contorno dos olhos, 
nas regiões do pescoço, das costas, do sacro, na face 
anterior dos antebraços e das canellas. E' preto nas margens das 
orelhas, nas orlas das pálpebras, no focinho, na abobada palatina, na 
superfície superior da lingua, no pincel da cauda, na ponta do escroto 
e ás vezes em todo elle ; no anus, perineo, vulva, no terço superior 
dos chifres, dos quaes as outras partes são de um branco-amarellado. 

Os vitellos, ao nascer, têm o pello fulvo, como todas as raças 
podolicas. 

E' difficil encontrar uma raça bovina possuidora dos 
Aptidões requisitos da maremmana para o trabalho. Ella desenvolve 
enorme somma de energia motriz — de modo que fornece 
indivíduos de trabalho por excellencia. E' typo rústico e deve ser 
bosta entre as raças mais sóbrias, frugaes, resistentíssima ás fadigas 
e ás moléstias. Supporta facilmente a fome e nutre-se de forragens 
grosseiras, depreciadas. 

Os bois iniciam a vida de trabalho aos três annos de edade deixan- 
do-a dos dez a doze annos, edade em que, submettidos a melhor 
regimen alimentar, são preparados para o corte. 

A aptidão para a producção de carne — considerado o regimen 
de vida, os systemas de criação e de alimentação que têm conservado 
á raça os caracteres da primitiva rusticidade — não pôde ser a da 
romanhola e menos ainda a da chianina — antes fica muito longe 
desta. Apezar disso, o rendimento liquido em carne dos bovinos 
maremmanos, e embora mantidos em regimen inteiramente solto 
(bravio), varia de 47 a 55°|°; porém, logo que se lhe melhorem as 
condições de nutrição, esse rendimento alcança e supera 58°|°. 

A' carne falta a ondulação especial (marezzatura) , porque a 
gordura, em logar de depositar-se no tecido connectivo entre os feixes 
de fibras musculares, acoumula-se de preferencia no connectivo sub- 
cutâneo e ao redor dos rins. Mas o sabor dessas carnes, apezar da 
qualidade inferior das forragens, é sempre muito bom. 

Quanto á aptidão lactifera das vaccas não foram feitas experiên- 
cias porque são muito rústicas e não é fácil mungil-as ; sabe-se que a 
porcentagem de gordura no leite é muito alta, variando de 5 a 6, 75 °[°. 




03 

d 

cá 

8 
B 

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o. 

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O 



o 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTRCHNIA 25 ?> 

Oitenta por cento da população bovina morem- 
Systema de criação mana é conservada no regimen inteiramente 

livre, bravio, (brado), não tem agasalho, vivendo 
sempre ao relento, nos prados naturaes ou pastos artificiaes ou nos 
bosques, quer nos grandes calores do verão, quer no rigido frio 
hibernal. 

Os pastos são divididos em reservas, onde a criação é deixada 
em liberdade por um tempo determinado. De regra, os bois ficam 
em pastos separados das vaccas e touros ; os vitellos desnuammados, 
por sua vez, também são separados. 

Durante o inverno, os bovinos maremmanos, são juntos e reco- 
lhidos nos bosques, onde lhes é fornecida uma pequena ração de 
palha e feno, visto que os pastos são completamente insuficientes 
para manter-lhes a vida. 

A cobertura é feita de Maio a Setembro. Para cada grupo de 
8o a ioo vaccas destinam)-se 4 ou 5 touros. Estes começam a monta 
aos 2 y 2 annos e conservam-se como reproduetores até os 7. 

A primeira selecção dos machos destinados á reproducção é feita 
quando< estes se acham entre 7 e 8 mezes de edade; a segunda, que é 
definitiva, realiza-se no seio dos primeiros quando attingem dois annos. 

As fêmeas, comtanto que não estejam defeituosas, são todas 
guardadas para a reproducção, até a edade de 11 annos. 

Esta raça tem um grande futuro nas zonas e paizes onde certas 
moléstias são endémicas e onde ha necessidade de muito trabalho; 
porque para os trabalhos agrícolas e industriaes é uma verdadeira 
machina, sendo muito resistente ao calor. 

Além disso, está-lhe reservado um grande futuro como machina 
produetora de carne, dando-lhe abundante alimentação durante todo 
anno e subtrahindo-a aos períodos de verdadeira fome, a que sempre 
esteve sujeita até hoje. 

O cruzamento com a raça chianina tem dado resultados discretos; 
deu-os óptimos com a romanhola e com a Schwytz, especialmente 
com esta ultima que tem um poder excepcional de refrescar o sangue 
das outras raças bovinas. 

Esta raça, além dos motivos expostos, é interessante 
Observações ainda por ter sido a primeira sobre que se iniciaram 
os estudos da malária bovina (tristeza). 

Emquanto Celli, Marchiafava e Grassi aprofundavam e com- 
pletavam seus estudos sobre a malária humana, que os tornaram 
celebres; outro sábio iniciou (pela primeira vez no mundo) os estudos 
sobre a malária bovina (tristeza), que naquelle tempo matava todos 
os bovinos da baixada toscana e da região romana procedentes de 



254 MINIUTiSB ÍO DA AGRIC JI^TUJl k, TNDT STRIA B COMMBRCIO 

outras zonas e paizes, ao passo que a raça maremmana não estava 
sujeita a essa moléstia. Refiro-mie a O reste, o grande pathologista e 
clinico que ainda é director da Escola Superior de Veterinária, de 
Nápoles, o primeiro que estudou a malária bovina e sobre ella 
escreveu, demonstrando depois porque a raça maremmana era natural- 
mente immune. Os estudos de Oreste foram continuados pelas escol; 
inglezas, francezas e húngaras, em cujos paizes a moléstia é endemicí 
e onde, a raça maremmana levada para melhorar as raças que coi 
ella têm a mesma antiga origem, não foi atacada daquella forma de 
malária que, como é sabido, é sempre tão maligna. 



Dr. P. Foschini. 

Medico Veterinário 



MAGNESIA FLUIDA 



DE 



MURRAY 



Patente pelo processo especial do 

invento de 

Sir James Murray 



Fabricas em Dublin e Rio de Janeiro 



i ^ i 



Todas as famílias devem estar providas 
deste precioso medicamento, que tantas vezes já preve- 
niu moléstias graves, sendo tomado a tempo, para 

Indigestões, azia do 

estômago, dores de cabeça, 

affecções gastro-intestiitaes, 

figado e febres em geral. 



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Por ser chimicamente pura a 

MAGNESIA DE MURRAY 

couserva-se indefinidamente e nunca se altera 



Evitar as imitações 



12 — 
T3 



256 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



apresentamos o quadro das migrações do azoto alimentício no corpo 
dos animaes em experiência, adraittindo que cada um kilogramma de 
azoto ganho, corresponda á fixação de 30 grs. deste elemento. 



Expe- 



ANNO 



Duração 



(dias) 



Peso mé- 
dio 

(kgs.) 



Cres- 
cimento 
diário 

(grs.) 



Azoto 
consumido 
por 100 

(kgs.) 



REPARTIÇÃO DO AZOTO CONSUMIDO 



Urina 

% 



Cresc. j Perdas 

% % 



F('zís 

% 



Azoto fecal 
Kelirer 



Excesso 

da 
previsão 

de 
Kellner 



A. 
B. 

C. 
I). 
E. 
F. 
G. 
li 
I. 
J. 
K 
L. 
M 

X. 
O. 

p 

R 

S. 

T. 

U 



1910 


20 


50 


75o 


97.60 


26.36 


1902 


41 


69 


806 


122.03 


45 16 


1910 


42 


87 


332 


98.25 


24.98 


1908 


99 


92 


S84 


88.62 


39-11 


1807 


37 


98 


1.054 


76.90 


47-13 


1907 


39 


128 


705 


67.98 


42.17 


1903 


55 


136 


882 


87.79 


43-55 


1908 


49 


158 


418 


63.42 


44.80 


1904 


58 


161 


716 


63.98 


35-92 


1904 


9i 


162 


683 


76-54 


25.00 


1912 


77 


165 


885 


62.42 


20.39 


1905 


48 


170 


937 


65-53 


25.00 


1902 


57 


191 


1 .026 


45-03 


15.12 



1909 
1912 



91 

49 



46.16 
28.60 
11.70 

32.53 
42.04 

25 -3° 
22.16 
12.54 
20. 87 
16. 11 
25.78 
25.92 
35-8i 



10.86 


16.62 


16. So 


9-36 


35-21 


28.11 


4.28 


24 . 08 


2-34 


8.49 


6.03 


26.50 


13-35 


20.94 


15-03 


27.71 


0.50 


42.71 


17-75 


41.14 


14.46 


39-37 


12.04 


37-04 


0.81 


48.26 



4.99 

0.84 

14-81 

4.87 

i-93 
18.35 
14-63 
16.18 
35-81 
25-55 
16.46 
22.36 
22.15 



Erro mbdio. 



1906 


84 


203 


946 


50.74 


18.25 


27-57 


7.48 


46.75 


1911 


49 


203 


827 


43.47 


22.51 


28.13 


8.42 


40.94 


1907 


9i 


204 


643 


44-51 


27.76 


21 .26 


3-83 


48.13 


1903 


98 


205 


8ó7 


44.88 


21.74 


27-93 


11 .20 


39-13 


1905 


98 


259 


770 


51-19 


27.13 


17.83 


10.86 


44.18 


1909 


42 


293 


821 


45-05 


24.24 


18.66 


10.13 


46.97 



24.90 
25.54 

33-18 
25-65 
21.22 
34.08 



Erro médio. 



3^7 
407 



659 I 39.02 | 
755 I 42.75 í 



23-03 
20.69 



13.00 j 10.68 I 53.29 I 36.28 

13.02 | 17.44 I 48.85 I 31.57 

Erro médio 



233.06 

1. 016. 29 

89.80 

395-07 
339-9° 

44.41 

43-13 
71.26 
19.27 
61.02 

139.18 
65.65 

117.85 



70.20 

87.75 
60.30 
45.06 

52.55 

108.20 

37.82 



65.27 

46.88 
54-74 



50.81 



Deixando de lado a primeira edade, para a qual as differenças 
são sensíveis, vemos que, em média, a proporção do azoto fecal excedeu 
65.93 °|° das previsões das taboas de Kellner. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 257 

A differença das de Wolíí se eleva a 75.04 "|*.\ 

Além do azoto excretado dos alimentos, as fezes contêm nina 
pequena quantidade fornecida pelo intestino, quantidade essa que não 
attinge á fornecida pelo intestino do homem.; o próprio Kellner não 
avaliou essa fracção e até aqui ainda não podemos determinar a sua 
importância. 

A escola dinamarqueza tem investigado depois de um estudo sobre 
a alimentação das vaccas leiteiras. 

Reprimimos a experiência, de nossa parte e ainda assim não con- 
seguimos encontrar os mesmos algarismos, collocados em condições 
differentes das suas. 

Seria ocioso, a propósito das divergências entre os nossos resul- 
tados e as taboas de Kellner, de fazer sobresahir o cuidado com que 
recolhemos o azoto das dejecções dos nossos animaes, visto como 
a menor negligencia de nossa parte, não teria tido outro resultado que 
o de diminuir a differença nas nossas experiências. 

Do que resulta para nós, um facto miuito claro. 

O valor em amido, attribuido por Kellner, aos alimentos que 
estudamos e que, para a maior parte se acham entre os mais empre- 
gados, não é exacto, porquanto a fracção para a qual o azoto contribue 
neste valor, é notavelmente muito elevada. 

O engano não se limita, todavia, aos princípios de azoto ; os 
nossos resultados, fornecem egualmente, a prova. 

Com as rações que nos servimos, podemos constatar que umla 
mesma quantidade de principios nutritivos digeridos em um tempo 
dado, produz, nos animaes em experiência, um acerescimo mais ou 
menos egual, pela relação, ao seu peso e á sua superfície. E' o que 
nos permitte formular a lei das despezas de crescimento. 

Si os valores de amido, de Kellner, fossem reaes, todas as nossas 
rações possuiriam um valor de amido pouco differente; os seus 
effeitos seriam muito próximos. 

O seguinte quadro mostra, com effeito, que elle não o é. 

Para simplificar, damos em nossos cálculos, o valor amido, attri- 
buido o coefnciente único 2.27 em todas as graxas e contado como 

R. V. 33 






258 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 



albuminóide todo o azoto digerido, o que não pôde dar senão diiTe- 
ivnças insignificantes. 





Duração 

(dias) 


Edade 
(dias) 


Peso 
(kgs.) 


Superfície 
(ms.~) 


Cresci- 
mento 

(grs.) 


UNIDADES NUTRITIVAS 


Differenqa sobre 
as previsões 

% 


Valor 

(amido) 

das unidades 

nutritivas 

% 


ANNO 


Despezas 


1903 


55 

49 
40 
48 
35 
30 
49 
84 
49 
9i 


110 

143 
155 
T57 
164 
190 

195 
208 

3" 
43i 


136 

147 
186 
170 

i54 
218 
205 
203 
296 
379 


2.56 
2.70 

3-15 
2.97 
2.78 
3-5i 
3-36 
3-34 
4-30 
5.06 


882 

745 
925 

937 
357 
783 
827 
946 
' 888 
769 


1.622 
1.478 
1.494 

J-547 
1 . 166 
1.329 
1.382 
1.468 
1.281 
1.128 


1 . 604 
1-510 
1.427 
1.608 
I.201 
1.312 
1-359 
1-497 
1.291 

I.T20 


+ r.n 

— 4.01 

+ 4.63 

— 3-76 

+ 2.SS 

+ 1.26 
+ i-7o 

— 1.94 

— 0.77 
+ 0.63 


92.76 
76.49 
86.84 
95-75 
93-23 
82.42 
89.62 
80. 98 
79-34 
83-32 


1904 


1907 


1905 


1908 


1907 


1911 


1906 


1909 


1909 





Constata-se, neste quadro, as differenças de 25 °|° entre o valor 
nutritivo attribuido por Kellner ás rações que produziam quasi o 
mesmo resultado. 

Poderíamos, sem duvida, ter essa averiguação; entretanto, os 

exemplos to miados isoladamente vão nos permittir demonstrar com 

maior precisão. 

Era 1909, alimentamos, durante três semanas e com 700 grs. de 
tortas de amendoim] e feno, á vontade, uma novilha cuja nutrição 

começamos a estudar alguns mezes depois. 

O balanço diário, das três semanas, estabeleceu-se como se segue: 

Quantidade M. S. Cinzas M. G. M.H.C. M. A. Valor (amido) 

Tortas 0.700 0.615 0.037 0.057 0.184 0.337 0.483 

Feno 6.947 6.009 0.507 0.141 4.755 0.606 1.781 

"6.624 0.544 0.198 4.939 0.943 2.264 

Urina .... 4.151 de azoto urinário correspondem a. .. 0.250 

Fezes.. 17.285 2.885 0.384 0.083 1.937 0.481 

Perdas.. 17.285 3.739 0.160 0.115 3.002 0.212 

6.624 0.544 0.198 4.939 0.943 

Peso médio do animal 353 kilogrammas, superfície 4.83 metros 

e crescimento 571 grammas. 



REVISTA DE) VIÍTFRINARIA i< ZQOTEQHJflA 






D 



espessas theoricas, segundo as regras,, por uó.s propo 



I.° Sustento do corpo 

2.° Materiaes do crescimento. 

3.° Trabalho do crescimento. 







lllllll.llll . 


4.83 ' SOO 




2 41 í 


370 

i 




•I ! 


353 > .soo 

i 


1 
ooo 


t . 008 



Total 



634 



As despezas exactas não excederam as theoricas, senão em j i°|°, 
Os valores em amido equivaliam a 60.94 o ! . 

A novilha recebeu, em seguida, durante 10 semanas, uma certa 
quantidade de batatas, depois beterraba c finalmente as duas junta i, 
ao mesmo tempo que supprimiamios as tortas de amendoim. O Éeno 
continuou a ser dado, á vontade. 

Deixando de lado a primeira semana, onde se effectuou a transição 
entre os dois regimens muito differentes, damos o balanço das nove 
outras semanas : 





Quantidade 


M. S. 


Cinzas 


M. G. 


M. H. C. 


M. A. 


Valor (amido) 




0.413 


0.360 


0.020 


0.040 


0.113 


0.187 


0.260 




6.111 


1.334 


0.073 


0.001 


1.104 


0.156 


1.456 




. 19.048 


1.778 


0.242 


0.016 


1.320 


0.200 


0.858 




4.543 


3.945 


0.312 


0.113 


3.120 


0.400 


1.178 




7.417 


0.647 


0.170 


5.657 


0.943 


3.952 




5.758 de 


azoto 


urinário 


correspondem a... 


0.206 






17.048 


2.649 


0.496 


0.080 


1 . 548 


0.525 




Não achado . . . 


17.048 


4.768 


0.151 


0.090 
0.170 


4.109 


0.212 






7,417 


0.647 


5.657 


0.743 





Peso médio 389 kilogrammas, superfície 5.15 metros e crescimento 
diário 936 grammas. 
Despeza theorica : 



1.° Sustento do corpo. 



5.15 X 500 



2.° Materiaes de crescimento.. 370 X ~ 



936 



000 



3.° Trabalho do crescimento. 



Elementos nutritivos da ração : 



389 



Unidades 

2.575 

346 
1.821 

4.742 

Unidades 

Graxa 90 X 2.27 204 

Hydratos de carbono 4. 109 

Proteína não achada 212 

Proteína da urina 



s 1 . 000 

Totai, 



TOTAI,.. 



4.731 



260 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMM^RCIO 

As despezas reaes foram mais ou menos eguaes ás nossas previsões. 

Assim é, que, tanto num como no outro caso, o rendimento dos 
princípios nutritivos foi sensivelmente o mesmo. 

Depois que os valores amido se conservaram fixos, se elevavam 
no ultimo caso a 79.12 o ! dos princípios nutritivos, contra 60.94 °|° 
110 primeiro. 

Estes valores, se acham pois, confirmados pelos factos. 

Kellner, entretanto, faz a saccharose soffrer uma depreciação de 
i|4, pois ella é consumida pelos ruminantes. 

Resumiremos brevemente uma experiência feita em 19 12, que 
nos permitte adoptar uma opinião. 

Uma novilha, cujo crescimento diário observamos constantemente, 
após o seu nascimento, recebeu, durante três semanas, uma alimentação 
que comprehendia cerca de 900 grammas de amido, fornecidos pela 
farinha de mandioca e de batata. O crescimento médio attingia 
821 grammas. Sem, tocar no resto da ração, substituímos os feculentos 
pelos assucares, Em um conjuncto de princípios nutritivos de 1.273 
grarrírnas por 100 kilogramnras attingiram 400 grammas de assucar. 
A ração se achava proporcionalmente inferior á precedente. 

Apezar disso, o accrescimo passou de 821 a 908 grammas ou 
seja 10.72 °]°. 

Longe de confirmar o modo de ver de Kellner, sobre a diminuição 
do valor nutritivo do assucar, quando consumido pelos ruminantes, 
esta experiência, prova antes o contrario. 

Por falta de espaço deixamos de publicar os resultados de outras 
experiências que nos conduziram ás mesmas conclusões. 

(Continua). 

André Gouin. 
P. Andonard. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTEC HN1A 201 



SELECÇÃO 



Em todas as industrias ruraes, tanto relativas á agricultura, conio 
á pecuária, a selecção se impõe como medida preventiva e de extra- 
ordinário alcance pratico. E' por meio da selecção das sementes que 
se consegue o aperfeiçoamento dos fructos e dos cereaes, o augmento 
sempre progressivo do peso das colheitas e a progressão crescente 
dos lucros. E' por meio da selecção que se obteve, se obtém e se 
obterá, em qualquer época, o aperfeiçoamento das raças de animaes 
domésticos, tirando-lhes ou attenuando-lhes os defeitos e elevando 
ao mais alto gráo as suas qualidades productivas. 

Toda e qualquer cultura, quer vegetal quer animal, onde não 
se pratique com toda a intelligencia e deligencia a selecção, irá, de 
geração em geração, retrocedendo, até attingir o miais completo 
depauperamento e extincção final. 

Esta lei tem uma influencia muito poderosa na avicultura ; e o 
avicultor que a menosprezar, em breve prazo reconhecerá o seu erro 
e negligencia. 

Ouçamos o que acerca deste magno assumpto escreveu o grande 
Bakewel, o creador da zootechnia: — "Si se escolher para repro- 
ductores aquelles espécimens que apresentam bem desenvolvidas as 
propriedades particulares que se desejam e com os seus filhos se 
segue o mesmo methodo, dirigindo ao mesmlo tempo a educação, o 
regimen alimentício, o peso, os exercicios hygienicos e de gyminastica 
funccional, que contribuam para augmentar aquellas disposições 
naturaes nos indivíduos seleccionados, ao cabo de algumas gerações 
se terá formado uma nova casta, cujos caracteres serão muito supe- 
riores aos da raça primitiva". 

(Muitas das mais bellas e melhores raças do mundo, taes como 
a Cochinchina, a Langshan, a Mourisca, a Leghorn, a Hamburgo, etc, 
nada mais são que o producto de uma selecção intelligente e accurada. 
Assim, estas raças, elevadas pela selecção, voltarão ao seu estado 
primitivo se na sua cultura não proseguirem os mesmos methodos 
empregados. 






262 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA K COMMISRCIO 

Felizmente, em nossos grandes aviários, como v. g. a "Ascurra 
Basse-Cour", em Águas Férreas, no Rio de Janeiro, que é sem 
contestação um aviário modelo e que muito honra o nosso paiz e a 
nossa classe de avicultores, a selecção é um dos problemas mais 
seriamente encarados, de que resulta serem as aves alli nascidas e 
criadas, superiores em typo, volume e belleza aos mais soberbos exem- 
plares importados dos mais celebres e afamados criadores estrangeiros. 

Sem selecção, jamais poderemos criar qualquer cousa que preste. 



J. Wilson da Costa. 



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PIIBHCAÇÍO OFtfMM DA IMIiUCTOlilA DO SBRVIÇI! !)!! OTIRHARU 

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Toda a correspondência relativa á REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA, pedidos, 
reclamações, etc, devem ser dirigidos a Fernando Werneck, Caixa Postal n. l678 

RÍO DE JANEIRO jfc BKA^IL 

^Encyclopedia illustrada de publicação mensal, consagrada á agricultura, pecuária, 
industrias ruraes e commercio dos Estados Unidos do Brazil 



Director — Júlio Arsénio Barbosa. 
Redactor — Eduardo Cotrim Filho. 
Secretario — Eurico de Oliveira Santos. 



* * ASSIGNATURA (F»ÀGA.íVIK]SITO ADEANTADO) * * 

Brazil 12$000 | Estrangeiro 13|000 

redacção — RUA DO HOSPÍCIO, 184 (sobrado), rio de janeiro 
Envia-se exemplar specimen a lodos que o solicitarem 

A Evolução Agrícola O F*a.z;e::n.cie:i:ro 

Revista mensal de Agricultura, Industria 

REVISTA MENSAL e Commefcio 



da Lavoura, Industria e Commercio 
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Directot — Dr. Edmundo Navarro de An- 
drade. 

Redaetor-Chefe — Dr. A. Queiroz Telles. 
** assignatura annual ** \ Redactor-secretario - Octávio Vecchi. 

Editores proprietários — Along-i & C- 

Brasil i2$ooo | União Postal 20 frs. ) assignaturas 

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escrever e sommar ou subtrahir em uma só operação. Cabe incontesta- 
velmente o primeiro logar ás machinas desta categoria. 

V A 1IACH1NA DE CALCULAR TRIUOTATQR a „„** que se presta sa - 

tisfactoriamente para as exigências das repartições publicas. Faz qual- 
quer das quatro operações com uma mera volta de manivella. 



1 



1 V ARCHIVOS DE ACO 
Z 

I 



A' prova de fogo e humidade. Não se deve temer 



I 



mais as destruições dos roedores. EJsta casa tem todos os estylos e tama- 
nhos adoptados nos departamentos e archivos dos governos estrangeiros. 

CjSLS-A. PRATT 

125, RUA DO OUVIDOR, 125 - Rio de Janeiro 
AGENCIAS E FÍLIAES EM TODOS OS ESTADOS 
Peçam maiores esclarecimentos sobre os artigos acima mencionados. 6 ~ 6 



l 
I 
1 
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REVISTA 1)K VIÍTKK1NAK1A fl) ZOOTF y CHNIA 2^ 



PELAS INSPECTORIAS 



I o Districto (Amazonas e Para') 

Do Inspector Veterinário deste Districto a Directoria de Vete- 
rinária acaba de receber o relatório dos serviços efTectuados durante 
o anno de 191 3, do qual extrahimos os tópicos capitães. 

As epizootias mais graves occorridas no referido anno foram a de 
carbúnculo em Vizeu e a de febre aphtosa em quasi toda a ilha 
de Marajó. 

Os serviços executados em Vizeu constaram de incineração dos 
cadáveres de animaes victimados pela moléstia ; queima dos campos 
onde se constituíram focos, quando era possível f azel-o ; isolamento 
dos animaes doentes e suspeitos e a vaccinação dos animaes nos 
campos considerados não contaminados. Todas essas medidas produ- 
ziram os resultados desejados, pois até 30 de Junho desse anno não 
occorreu um único caso de carbúnculo na referida região. 

Muito mais penosa e difficil foi a prophylaxia da febre aphtosa 
na ilha de Marajó, já pela penúria de meios de transporte, já pelas 
condições de imípraticabilidade que ofTerecem os terrenos, alagados 
durante meio anno. Apezar disso, o pessoal da Inspectoria envidou 
os maiores esforços para debellar o mal, o que só conseguiu no fim 
de um mez. 

— Durante o mez de Maio deste anno o pessoal da Inspectoria 
vaccinou contra a manqueira 148 bezerros. 

— O veterinário Dr. Miguel de Lima Mendes, em companhia 
do auxiliar de I a classe Agostinho Tavares Vianna, seguiu para 
a ilha de Marajó, no Estado do Pará, para inspeccionar rigorosamente 
as fazendas do "Carmo", de D. Maria Chermont; "Montenegro" e 
"Minas", do Dr. Augusto Montenegro e "Egypto", do Dr. Virgílio 
Sampaio, por terem sido condemnadas as rezes daquellas fazendas, 
remettidas para o Curro Modelo de Maguary ; partindo para as 
fazendas "Montenegro" e "Minas", teve occasião de examinar 40 rezes 
que naquella occasião eram exportadas para o referido Matadouro, 
encontrando apenas quatro vaccas, com ligeiros symptomias de febre 
aphtosa, estando as demais de perfeita saúde, satisfazendo assim 
a<> fim destinado: consumo publico. 



264 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

Attribue ao modo de transporte do gado, em barcos e mal accom- 
niodado, o motivo de chegarem as rezes ao Matadouro em más 
condições, bem como a falta de alimentação e de agua, durante três, 
quatro e miais dias. 

Na fazenda Santa Catharina, a moléstia reinante era febre aphtosa ; 
o rado desta fazenda é um proucto do zebú mestiçado com gado 
creoulo. 

Vaccinoti 78 bezerros, contra a peste da manqueira e nos retiros 
Jacaré e Lago 70, não tendo feito em maior numero, por estar o gado 
muito distante. Examinou, rigorosamente, o gado da fazenda Monte- 
negro, gado mestiço com o zebú, achando-o em boas condições, apezar 
de viver dentro de banhados e perseguido por insectos, tendo feito 
embarcar 40 rezes para o Matadouro, que foram acceitas pelo medico. 

Também visitou as fazendas Carmo e Julahy, não tendo veri- 
ficado caso algum de moléstia infecto-contagiosa, prestando serviços 
proftssionaes reclamados por abcessos, febre traumática, contusões e 
conjunctivite. 






2 o Districto (Maranhão e Piauhy) 

O boletim sanitário de Maio accusa a distribuição de 250 doses 
de vaccina contra a nianqueira e a vaccinação de 64 bezerros pelo 
pessoal da Inspectoria. Foram observados casos esporádicos de cães 
raivosos e foram eíf ectuados serviços avulsos de pequena cirurgia 
e polyclinica. 

— No miez de Junho distribuiu a Inspectoria 1.500 doses da 
referida vaccina e o pessoal vaccinou 10 bezerros. 

A tristeza existe enzooticamente em ambos os Estados. Foi obser- 
vado um caso de tétano em S. Luiz. No dia 10 de Junho, procedentes 
do Rio de Janeiro, foram examinados quatro bezerros e quatro vaccas, 
uma delias de raça hollandeza, dois dos bezerros são de raça turina 
e um jersey, todos apresentavam apparencias de bôa saúde. 

3 o Districto (Ceara' e Rio Grande do Norte) 

No míez de Abril o veterinário desta Inspectoria foi ao município 
de Quixeramobim onde, por nleio de conferencias publicas, aconselhou 
aos criadores presentes os meios de melhorar o gado e de tornar o seu 
commercio mais lucrativo; ensinou-lhes os rudimentos da sciencia da 
prophylaxia e os rrteios de obterem do Ministério da Agricultura os 
auxilios que este proporciona. 

4 o Districto (Pernambuco, Parahyba e Alagoas) 

Em orneio de 18 de Julho, o Inspector veterinário remetteu 
algumas informações das visitas feitas a feiras e mercados do Estado 






REVISTA DIÍ VETERINÁRIA E ZOOT1ÍCHNIA 265 

de Pernambuco pelo pessoal da mesma inspectoria. A mais importante 
e rica de todo o listado c a da cidade de Violoria, oUtr ? ora SailtO 
Antão, a Sud-Oeste do Recife e servida pela listrada de Ferro 
Central de Pernambuco. Nella se realizam aos sabbados duas feiras, 
uma de todos os géneros de alimentação e outra de anima.es e que 
se prolongam até os domingos. 

Na feira de animaes contamKse bellos espécimens da espécie 
cavallar e magníficos typos de muares. Além desta, foram visitadas 
as feiras de Tigipió, Jaboatao e Areias, de pequena importância. 

7 o Districto (Uberaba) 

No boletim do mez de Maio, esta Inspectoria informa que lhe 
consta a existência da peste da manqueira nos municípios de Uberaba, 
Sacramento, Araxá, Fructal, Araguary, Villa Platina e outros pontos 
do Triangulo Mineiro; o pessoal da Inspectoria vaccinou 558 cabeças 
de gado contra este mal. 

A febre aphtosa parece extincta no Triangulo; verificaram-se 
alguns casos de sarna escabiosa, tendo sido prescripta a prophylaxia 
e o tratamento. 

— Procedentes da villa de Amedabhad, província de Guzerat, 
índia, em 27 de Junho desembarcaram na cidade de Uberaba 78 rezes 
da raça zebú pertencentes aos Srs. Clarindo Irineu de Miranda e 
Stanislau Severino Soares. São 41 touros e 37 vaccas (duas da 
variedade Gyr), de dois a sete annos de edade e nove bezerros, dos 
quaes nasceram dois a bordo durante a travessia marítima. Todos 
elles apparentavam bom estado de saúde. 

— Por solicitação do Director da Fazenda Modelo de Criação 
de Uberaba, o veterinário da Inspectoria medicou uma vacca caracú 
pertencente a mesma ' fazenda. O animal estava atacado de glossite 
e bicheiras em diversas partes anteriores da bocca. 

— No boletim mensal de Junho é aceusada a existência de vários 
focos de carbúnculo symptomatico em Frutal e Prata e alguns animaes 
atacados de sarna. 

— Do relatório dos serviços realizados pela Inspectoria durante 
o primeiro semestre de 19x4, destacamos os seguintes tópicos: a raça 
predilecta pelos criadores do Triangulo Mineiro continua a ser a zebú, 
das espécies Guzerat e Nellore e em menor escala as de Isar e Gil. 

A criação de equinos prosegue animada, tendo sido introduzidos 
bons reproduetores inglezes, anglo-arabes e platinos. A de asininos 
também está sendo vivamente melhorada com a introducçao de repro- 
duetores hespanhóes, e italianos em maior numero. A criação de 






266 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

suinos está sendo agora melhorada, depois dos óptimos resultados 
e altos preços conseguidos por alguns productos da raça Berkshire, 
Parece que breve tomará grande desenvolvimento. 

A criação de aves finas tem tido também um desenvolvimento 
intenso. ' 

Os funccionarios da Inspectoria vaccinaram 2.602 bezerros contra 
a manqueira, e distribuíram 5.850 doses de idêntica vaccina aos 
diversos criadores e pela Directoria do Serviço foram remettidas a 
criadores do Triangulo Mineiro 37.915 doses. Foram efTectuadas 730 
castrações de novilhos e três de equinos. 

— Resumo do relatório apresentado ao Dr. Cantidiano de Almeida, 
Inspector veterinário do 7 Districto, pelo veterinário Dr. Epaminondas 
de Souza, sobre os serviços prestados nas fazendas Tijuco e Indayá, 
município de Uberaba, solicitados pelos respectivos proprietários, 
Coronéis Manoel Borges e Zacharias Machado Borges. 

O motivo da requisição deste veterinário nas fazendas Indayá 
e Tijuco, segundo o diagnostico por elle feito, foram os seguintes: 
Um caso de hepatite em um cavallo de sete annos, um caso de inflam- 
mação em a perna direita de um cavallo de cinco annos, apresentando 
uma synovite e engorgitamento dos tendões posteriores, attribuindo 
a uma violenta contusão em consequência de entorse em viagem, ou 
de compressão entre corpos sólidos. Um caso de melanose, apresen- 
tando intensamente os tumores pretos pigmentaes debaixo da cauda 
e ao redor do anus, tendo aconselhado o que julgou conveniente para 
obter a cura. 

Observou também um caso de hérnia abdominal, em uma vitella 
e o engorgitamento da região abdominal circumvizinha ao penis em 
um reproductor zebú, diagnosticando cryptogamo no sangue, dia- 
gnostico que foi confirmado pelo exame microscópico, revelando o 
pseudo anaplasma nos glóbulos sanguineos e fora delles e apresença 
de mycelios, disseminados no plasma, prescrevendo tratamento interno 
e externo e esperando que obtenha a cura. 

Nessas fazendas a peste da manqueira é enzootica, victimando 
rebanhos de bezerros ; observou também pouca intensidade nos ataques 
de bernes, bicheiras e carrapatos. 

Notou depilações em alguns bovinos, não podendo asseverar o 
diagnostico, por desconhecer as causas, podendo ser attribuidas á 
tinha tonsurante ou mycose, ou a ambas, tendo também observado 
casos de mycose (pseudo-anaplasmas) de forma anemica. 

Cita a predilecção que os criadores tem pelo zebú, por dar grande 
interesse, chamando a attenção do Governo para aniquilar essa espécie 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 2*>7 

de criação prejudicial ao desenvolvimento racional da pecuária, vefbe 
rando os criadores que preterem o interesse futuro ao presente com 
a propagação do zebú tão mal reputado. 

8° Districto (Santa Catharil aj 

No boletim sanitário de Abril, esta Inspectoria aceusa a exisjtencia 
da febre aphtosa nos municipiós de Tubarão e Laguna e o reappare- 
ciinenío delia em Biguassú. Esta epizootia tem se apresentado de 
forma benigna^ excepto nos terneiros de menos de um mez, que 
morrem em maior proporção. O isolamento dos doentes, aconselhado 
como meio prophylatico, não é executado^ com o necessário rigor. 

A raiva grassava em Blumenau, Garcia, Brusque e já haviam 
apparecido casos novos em Biguassú. As medidas tomadas pelas 
autoridades locaes foram deficientes. O diagnostico foi feito mediante 
autopsias, injecções de substancia nervosa e analyses de urina, 
A Inspectoria projectava encetar a vaccinação anti-rabica dos animaes 
em Blumenau, tendo retardado o serviço pela difnculdade de preparar 
o material necessário para esse fim. 

Em Campo Alegre foi constatado um caso de pasteurellose bovina 
cujos symptomas principaes eram diarrhéa e tosse. Pela autopsia 
verificou-se a existência de lesões hemorrhagicas no tubo digestivo 
e rins. O veterinário da Inspectoria, em seu relatório sobre o caso, 
nota que a moléstia é curiosa porque produz lesões de pneumo-enterite 
e os animaes não ficam immunizados depois da cura, que se realiza 
expontaneamente quando retirados das montanhas. Esta moléstia 
merece, pois, um estudo bacteriológico acurado. 

Verificou ainda um cavallo atacado de gourme, um de helmin- 
thiase, um de harper, um de eczema, dois de arthrite aguda dos 
joelhos e um de distensão do perfurante. 

— A Inspectoria constatou no mez de Maio alguns casos de 
carbúnculo symjptomatico nos municipiós de Laguna e Tubarão. Contra 
esse mal foram vaccinados 99 bezerros pelo pessoal da Inspectoria 
e distribuidas mais 50 doses a um criador da Laguna. 

A febre aphtosa foi verificada em Tubarão, Imiaruhy e Laguna, 
com forma benigna; terneiros ha, porém, que -ficam victimados. 
Os meios prophylacticos empregados têm sido a prohibição do transito 
de gado dos focos para as zonas indemnes e vice- versa. 

A raiva, que grassava intensa em Brusque e Blumenau, parece ter 
cessado inteiramente em ambos os municipiós, constando o reappa- 
recimento em Luiz Alves (municijpio de Itajahy). A Inspectoria 
constatou ainda um foco de pasteurellose na Laguna, um caso de mal 
de cadeiras, dois de gourme, um de febre typhoide, quatro de helmin- 



268 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA , INDUSTRIA £ COMMEJRCIO 

thiases em equinos e um foco de cholera das gallinhas ; para iodos 
esses casos foi preseripla medicação ou prophylaxia adequada, lendo 
dado bons resultados na maioria dos casos. 

— No boletim sanitário de Junho a mesma Inspectoria aceusa o 
desapparecimento da febre aphtosa dos focos antigos, apenas se veri- 
ficou uma vacca aphtosa no município de Florianópolis, procedente 
do continente. 

A raiva perdura em Blumenau e Luiz Alves em equídeos, 
bovideos e cães ; foram communicados 18 casos e soube-se haver 
pessoas mordidas de cães raivosos. As autoridades locaes nenhuma 
providencia tomaram. 

Além dos casos graves acima foram verificados um caso de 
sarna sarcoptica em um cavallo, cinco casos de febre typhoide dos 
cavallos, complicada de gourne, dois de helminthiases em cavallos, 
um de coccidiose em uma vacca, dois cavallos com arthrite aguda, 
um com envenenamento por forragem deteriorada, sete casos de 
cholera das gallinhas e três de drphteria das gallinhas. 

9 o Disíricío ( Goyaz ) 

Resumo do relatório apresentado pelo Dr. Samuel Hardman, 
Inspector Veterinário do 9 Districto : 

Regressando de longa excursão, que fiz nas zonas sul e sul-éste 
do Estado de Goyaz, no propósito de não só colher informações, que 
me habilitem a agir, consciente, para auxiliar o desenvolvimento e 
progresso da pecuária em Goyaz, como também para tornar conhecido 
entre criadores dos logares percorridos o desejo deste Ministério 
em lhes prestar os mais efficazes auxílios. 

Foram percorridas, de 24 de Janeiro a 25 de Março, 517 léguas, 
com; grandes difficuldades em vista da enorme vastidão territorial, 
falha, por completo, de regulares vias de communicação. 

O problema da industria pastoril em Goyaz tem de ser resolvido 
por varias maneiras ou soluções, tantas quantas as zonas em que 
para este estudo convém dividir o Estado. 

Differem tanto as condições, quer do criador, quer da criação, 
na ubérrima e extensa faixa de terrenos, banhada pelo Paranahyba 
e seus afluentes e nas abruptas caatingas, encravadas entre o Tocantins 
e o território bahiano, que ao mais leigo em assumpto de tal ordem, 
se afigurará, sem esforço, a impossibilidade de equiparal-os, na distri- 
buição de quaesquer medidas inherentes á protecção da industria 
pastoril, e entretanto, são goyanos os dois trechos dos territórios, 
apresentados como paradigmas, ou antes, estão ambos adstrictos á 
9 a circumscripção veterinária. 



REVISTA de; veterinária n Z0OT1ÍCIINIA 269 

Bem sei que não pôde ter o governo a pretenção de ser egual 
mente útil a todos os pontos do listado, em alguns dos quaes é até 
materialmente quasi impossível levar os mais elementares recursos. 

Por isso mesmo, desprezando as diflieuldades e fadigas, parti no 
dia 24 de Janeiro de Catalão, atravessei em três dias o rio S. Marcos, 
o maior afluente do Paranahyba, que separa a sede desta comarca do 
districto de Santo António do Rio Verde, centro importante de 
criação pela bondade de seus campos, óptimas aguadas e ausência 
de epizootias. 

O districto de Rio Verde conta uns 10 criadores abastados, 
(possuindo cada um mais de 1.000 rezes. 

A criação de equinos cifra-se na criação de alguns exemplares 
que não chegam sequer para os trabalhos domésticos e a de porcos 
é medíocre. 

Foi convocada uma reunião de criadores na fazenda do Coronel 
Henrique da Veiga Jardim, comparecendo 30 interessados aos quaes 
foram expostas as vantagens e conveniências de certos princípios 
básicos do aperfeiçoamento da criação bovina, a necessidade de uma 
acção conjuncta de todos os interessados para a consecução do mesmo 
fim, mostrando-lhes as vantagens, que, sem ónus algum, poderão 
obter, pondo-se em communicação constante com o Ministério da 
Agricultura, directamente ou por intermédio da Inspectoria Vete- 
rinária no Estado. 

Aproveitando a opportunidade concitei os presentes a organizarem 
uma associação que, sob a forma de syndicato, gozasse dos favores 
que a lei concede a taes institutos. 

Acceito o alvitre, foi aprovado o projecto de estatutos organi- 
zados e eleita a primeira directoria do Syndicato Agrícola e Pastoril 
de Santo António do Rio Verde. 

Foram neste districto visitadas oito fazendas, feitas diversas 
operações de pequena cirurgia e praticadas vaccinaçoes contra man- 
queira, etc. 

No dia 5 de Fevereiro achava-me na Serra dos Pilões; mas ahi 
para alcançar o município de Formosa, a ponto de percorrel-o nos 
vãos do Rio Preto e do Urucuya, era-me necessário, em vista do 
mau estado dos caminhos a leste, procurar a estrada de Paracatú,. 
que, por se destinar ao serviço postal, é a que melhor se oíferece 
aos viajantes, nas épocas chuvosas. 

Passando num trecho desse rico município mineiro, onde tive 
opportunidade de observar o enorme esforço de alguns fazendeiros 
progressistas, possuindo muitos gado de grande peso, bello formato, 
criado em "invernadas" esplendidas de capim-gordura ou de jaraguá, 



270 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA E COMMEJRCIO 

só a 23 de Fevereiro pude galgar as primeiras etapas do grande 
planalto eentral do Brasil, zona de um futuro surprehendente, quando 
a viação férrea que numa população dotada de competência e acti- 
vidade explore convenientemente as grandes riquezas naturacs alli 
existentes. 

Eis-me em Formosa, a 2 de Março, já conhecendo grande parle 
das suas campinas ao levante. 

O município é um dos maiores e mais futurosos de Goyaz, tendo 
duas zonas completamente distinctas, sobretudo salientando quanto 
aos recursos para manutenir e desenvolver a industria pastoril, que é 
a quasi exclusiva preoceupação dos seus habitantes. 

Ao lado da grande " chapada" que é o portentoso divortium 
aquarum das três maiores bacias hydrographicas do Brasil (Prata 
Amazonas e S. Francisco), existem os valloes ou vãos do Rio Preto, 
do S. Marcos e do Paraná, o que constitue recurso precioso para 
o suecesso da criação. 

Assim é que, durante a época das aguas (de Outubro a Março), 
o gado mantem-se nas baixadas, engordando rapidamente, com a 
exuberância e variedade de pastagens, subindo, logo que começam 
os fins de Abril, para as queimadas dos outeiros onde se conserva 
nutrido e sadio. 

A raça bovina, predominante em todo o município, é a "curra- 
leira" ou creoula, propriamente dita, criada á larga, na maior pro- 
miscuidade de typos, quasi sem /'custeio", porquanto nem a "salga" 
se faz muito necessária, pela existência de "barreiros". 

O curraleiro é pequeníssimo, de fronte larga e curta, orelhas 
redondas, olhos proeminentes e vivos, chifres curvados para a frente 
e convergentes, barbela insignificante, pello curto e macio, cauda 
despontada e fina, ossudo, pouco resistente ás intempéries, não obstante 
a sua bi-secular adaptação a tal meio. 

No município de Formosa, não são muitas as moléstias bovinas ; 
e en> geral o gado é sadio e prospera, numa percentagem animadora 
sobre os nascimentos. 

A terrível febre aphtosa nem todos annos apparece, e é sempre 
para alli importada pelas "boiadas carreiras" que fazem o transporte 
de mercadorias de Catalão para aquella cidade. 

Também não é muito commum a peste da manqueira, contra a 
qual agora é que vae ser iniciada a vaccinação. 

Graças á coincidência de funecionarem umas missões catholicas 
em Formjosa, durante a minha permanência alli, pude não somente 
entreter relações com muitos criadores, como também conseguir que 
houvesse grande assistência de interessados, na conferencia que 



REVISTA DE VETERINÁRIA if ZpÇTBCHNIÁ 27 1 

realizei, no Paço Municipal daquella cidade aos <S de Mano, depois 
de que installei o Syndicato Agrícola Pastoril de Formosa. 

Dahi dirigi-me para o município de Bomíim; se bem que menor 
que o de Catalão, Santa Luzia e Formosa, é rico pela fertilidade de 
seus terrenos de culturas, a bondade de seus campos, abundância de 
aguadas, etc. 

A 21 de Março cheguei a Althamir, sede do município de egual 
nome; a; suas condições agrícola e pastoril são qiaasi idênticas ás 
de Formosa, sendo que, notei maior capricho por parte dos criadores 
para melhorarem o gado e as pastagens. 

Ahi também fundei um Syndicato Agro Pecuário, distribui vac- 
cinas e seringas. 

Em seguida percorri os municípios: Santa Luzia, antiga cidade 
Goyana, tradicional pelas explorações auríferas ; Annapolis, Aracaty 
(antigo Boa Vista das Trahyras, município de Antas), Pyrenopolis, 
Campo Formoso, Cavalleiro e Ipanery, todos egualmente futurosos 
e empenhados no grande desenvolvimento de expansão da pecuária. 

10° Districto ( Matto Grosso ) 

O Inspector deste Districto enviou o relatório dos trabalhos 
realizados em 1913. 

Precede o relatório um mappa do Estado de Matto Grosso. 

Esta Inspectoria foi primeiramente installada em Barranco 
Branco e mais tarde transferida para Campo Grande, em virtude da 
exposição feita dos inconvenientes da sede inicial e as vantagens da 
mudança ; tem desde a installação lutado com difficuldades, que 
modificaram-se gradualmente, attendendo actualmente aos serviços a 
que foi destinada. 

As boiadas vindas de Minas Geraes faziam ponto em Campo 
Grande, ahi concentrando-se, desenvolvendo a actividade na vida desta 
localidade de grande futuro. Sendo de clima ameno, terras férteis, 
aguadas abundantes e nas proximidades da Estrada Noroeste, é incon- 
testavelmente o ponto de maior convergência da Campanha Matto 
Grossense, onde se faz a troca dos productos do paiz, representados 
pelo gado, como graxa, etc. Para a respectiva installação a Inspectoria 
luctou com difficuldades diversas, já com transporte de mobiliário, 
que teve de supportar o transporte por lancha até Aquidauana e viagem 
de trinta e tantas léguas em carros de bois, em tempo chuvoso, máos 
caminhos, rios cheios, devendo esperar a baixa e consumindo quatro 
mezes para a travessia. 

Depois de chegado o mobiliário, outras difficuldades surgiram:: 
A Inspectoria somente tinha uma sala cedida pela Camará Municipal 



272 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

e do pessoal só havia o Inspector! Não vindo para Matto Grosso, 
nem auxiliares, nem veterinários. A Camará Municipal, providenciava 
na reconstrucção de um prédio para a respectiva sede. O Inspector 
fazia viagens em propaganda da Inspectoria, procurando estudar o 
methodo de criar, transportes e consumo dos productos. Depois da 
chegada do veterinário Tineceiro Icibaci, iniciou-se a polyclinica, 
luctando sempre com outras difficuldades de correspondência postal 
e telegraphica, recebendo telegrammas com 40 dias de atrazo. 

Havia também atrazo de recebimento de vencimentos e de contas 
a pagar de gastos. Modificando-se esta situação, pôde a Inspectoria 
entrar em relação com o centro em dez dias (via S. Paulo). 

Está hoje installada em óptimo prédio, na Avenida Marechal 
Hermes, dispondo de duas salas, dois gabinetes, completamente mobi- 
liados, conforme a relação que juntou, tendo nos fundos um terreno 
onde se faz plantações de varias forragens, servindo de campo de 
demonstração, indicando aos visitantes e criadores as vantagens desta 
ou aquella forragem. Dá uma lista do expediente da Inspectoria no 
anno de 19 13. Junta uma estatística do gado existente em 18 muni- 
cípios de Matto Grosso, demonstrando por elle que a única industria 
pecuária é o gado vaccum na zona do sul. 

O cavallar, e lanígero, são principalmente criados nessa zona, 
sendo o suino insufficiente para o abastecimento e necessidade do 
Estado. Sobre o ponto de vista pastoril, este grande Estado comporta 
três divisões, em 1 differentes condições, de clima, topographia, vege- 
tação e exploração de industria pastoril, são elles : i° Districto do 
Norte, 1. 100.000 kls. de área; 2 Districto do centro ao pantanal, com 
167.000 kls. situado no centro do Estado. Districto do Sul, 250.000 kls. 
O gado vaccum é originário do Paraguay e Argentina, tendo-se 
conservado livre de mestiçagem por muitos annos, denominando-se 
a raça Pantaneira, sendo hoje raro encontral-a pura. 

De Minas e S. Paulo veiu a raça Franqueira e China e de Minas 
o Zebú, encontrando-se o cruzamento dessas raças. A raça Zebú ha 
trinta annos é empregada como na zona do sul. As raças que predo- 
minam são: ao norte e nos pantanaes a Pantaneira, hoje já cruzada 
com a China, Franqueira e Caracú e ha trinta annos, com a Zebú. 
O mesmo se nota na zona essencialmente pastoril do sul. A criação 
do gado vaccum occupa o primeiro logar dos recursos de Matto 
Grosso, contribuindo em 1912 com uma média de 249:2Ó4$ooo para 
a receita. A producção é de 300.000 cabeças por anno (dados officiaes), 
calculando-se em J4 sobre 2.483.000 o numero de vaccas em todo 
o Estado. 

As zonas Norte e pantanal, exportam somente xarque, na do 
Sul o gado vae para os Estados de Minas e S. Paulo. Em 1913 foram 






REVISTA DH VKTIÇRINARJA g ZOOTlíClINlA 273 



abatidos mais ou menos 100.000 cabeças para o consumo do Esta4o 
e a exportação foi de 80.000. Pela estatística evidencia-se que o Estado 
exporta o couro, xarque e gado vivo cm proporção crescente de anno 
para anno. E' rudimentar a industria de carne. Somente no Noilc 
existem algumas xarqueadas e uma fabrica de extracto solido de 
carne, que é exportado para a Europa. 

Esse estabelecimento, situado no "Descalvado" pertence á "Sqcieté 
Industrielle et Agricole du Brésil", que possue uma fazenda de 
240 léguas quadradas, sendo 20 em território boliviano, apparelhada 
com pastagens cercadas e diversos melhoramentos. Existem também 
as xarqueadas de Pindehival, do Triumpho, S. João de Cuyabá, Manga 
do Barão, Barranco Branco e Miranda, situadas em zona importante 
pela qualidade de gado. 

E' florescente a Empreza Extractiva e Pastoril do Brasil, que 
está sendo montada para uma capacidade de 250 rezes diárias, pos- 
suidora das melhores pastagens do pantanal. Para o Estado de Minas 
são exportadas, onde permanecem em invernadas refazendo-se da 
longa viagem, são conduzidas as rezes para a capital da Republica, 
como procedentes desse Estado. Com a abertura da estrada de 
rodagem pela Companhia Viação S. Paulo, faz-se actualmente a 
exportação para S. Paulo e outros Estados. Pelo porto de SanfAnna 
de Parnahyba sobre o rio do mesmo nome, no ponto onde se efíectua 
a passagem para as invernadas mineiras, o rio tem de largura 
600 metros. Nessa travessia ha perdas de 2°|°. No porto de Taboado 
é mais difficil a passagem. 

A Companhia Frigorifica de Barreto, cogita em melhorar este 
porto por meio de transporte a vapor. A exportação para S. Paulo 
é de 45 °|° annualmente. Para a Republica do Paraguay é em pequena 
escala. No anno de 1913 a exportação foi a seguinte: para Minas, 
40.000 cabeças; para S. Paulo, 10.000; para Paraguay, 6.000 cabeças. 
Este anno o total do> gado exportado attingiu a 80.000 cabeças. 
As boiadas que atravessam por Sant'Anna de Parnahyba, Rio Pardo 
e Sucuriú, fazem uma viagem de 80 léguas em 20 dias no mínimo. 
As viagens são effectuadas em Agosto, Setembro e Outubro. O imposto 
estadoal é de 3$ooo por cabeça e para 1914 está orçado em 5$ooo 
para o boi e 7$ooo para a vacca. 

Lacticínios — E' quasi nulla e descurada em todo o Estado, esta 
industria. 

A manteiga é fabricada por um ou outro fazendeiro, em pequena 
escala e para uso particular. Egualmente, o queijo, é fabricado em 
pequena escala e de má qualidade. Ha vaccas de leite em todas as 
propriedades agrícolas, mas tratadas á lei da natureza, produzindo 

R. V. 35 






274 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMÊJRCIO 

apenas de um a três litros diários. Em Corumbá, por occasião das 
enchentes do rio Paraguay, eleva-se a 3$ooo por litro. 

No sul do Estado o queijo custa i$5oo por kilo. O animal cavallar 
é criado principalmente na zona do sul, calculando-se em 200.000 
cabeças. 

No pantanal, a "peste de cadeiras" ataca em geral os animaes. 
E' ainda muito obscura a origem do cavallo neste Estado, parecendo 
(procedentes, os primeiros das Republicas do Paraguay e Argentina, e 
dos Estados circumvizinhos, S. Paulo, Minas e Goyaz. Os municípios 
de Campo Grande, Bella Vista, Ponte Porão e SanfAnna do 
Parnahyba, criam animaes cavallares, porém pelo systema primitivo, 
soltos no campo e sem cuidados de melhoramentos. 

Não exportam, sendo vendidos para outras zonas do mesmo 
Estado. Pelos característicos, parece que são mestiços também de 
cavallos árabes. 

Criação de suínos — E' diminuta a criação de suinos neste 
Estado, computando mais ou menos em 40.000 cabeças. Não ha raças 
boas, em geral mestiços degenerados e de difficil engorda. Ha em 
geral falta de banha no Estado, importando essa mercadoria do Rio 
Grande do Sul. O toucinho custa 2$5oo o kilo e a carne de porco 2$ooo. 

Gado lanígero e caprino — E' deficientissima a criação do car- 
neiro, em escala diminuta é feita na zona do sul, Campo Grande, 
Ponte Porão e Bella Vista. Apezar de excellentes pastagens para 
esta criação, está muito descurada. A criação do caprino também 
é rara. Exportam couros desses animaes. Não vendem o leite das 
cabras e carneiros. 

Gallinaceos — Também não é extensiva a criação de gallinaceos. 
Sendo os ovos de preços altos. Alguns criadores, em pequeno numero 
já tem importado alguns specimens de boas raças, apezar das diffi- 
culdades de transporte. 

Inspecção sanitária do gado importado — Do Estado de Minas, 
S. Paulo, Rio Grande do Sul e Paraguay são exportados e impor- 
tados sem inspecção sanitária. Lembra a criação de um posto de 
observação em Corumbá. 

Inspecção sanitária de carne e leite — Está atrazadissimo neste 
ponto. Não ha installação de matadouro modelo, existindo em projecto 
um em Corumbá. O leite e carne são vendidos sem exame algum e 
muitas vezes em vasilhame impróprio. Os preceitos de hygiene são 
desconhecidos dos fazendeiros e criadores. Sendo o território Matto 
Grossense geralmente saudável, as criações conservam-se fortes e 
resistentes. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTIÍCHNIA 275 

Somente a zona do pantanal é doentia, sendo alli também o gado 
(perseguido por mosquitos e outros insectos. A zona do norte ainda não 
é bem conhecida sobre as moléstias reinantes. Na zona baixa, a "peste 
de cadeiras", ataca os cavallos e muares, devastando as fazendas. 

Peste de cadeiras — Esta moléstia flagella a zona baixa do 
pantanal, desde o Rio Apa até 16 o de latitude norte e nas margens 
do S. Lourenço, Cuyabá, Taquary, Miranda e Aquidauna, São 
S. Luiz de Cáceres, em uma área de 170.000 kls. quadrados. Reina 
epizooticamente de Novembro a Maio, época das aguas. Examinado 
o sangue ao microscópio de alguns animaes atacados, observou uma 
espécie de trypanosoma julgando ser o Elmassiani, transmittido por 
mutucas e outros insectos. Tem empregado o tártaro emético como 
tratamento, sem resultado. 

Febre aphtosa — Esta moléstia está generalizada, ataca de prefe- 
rencia o gado vaccum e suino. Desenvolve-se e propaga-sè com maior 
intensidade nos annos chuvosos, determinando a morte de grande 
quantidade de gado, principalmente de bezerros. 

Carbúnculo symptomatico - — Está também generalizada em todos 
os municípios, victimando grande numero de bezerros, como medida 
preventiva, os fazendeiros transportam os bezerros para as queimadas 
novas, no apparecimento da moléstia. 

A Inspectoria recebeu este anno 2.000 doses de vaccina, que 
foi empregada em grande numero de bezerros das fazendas próximas 
da Inspectoria, não tendo podido attender a todos os pedidos por 
falta de lympha, sendo necessário augmentar-se a remessa. 

Carbúnculo bacteriano e môrmo — Estas duas moléstias ainda não 
foram observadas pela Inspectoria, sendo entretanto informada por 
alguns criadores que tem grassado nos seus rebanhos. 

Tristeza ou piroplasmose — Desenvolve-se em geral em todo o 
Estado, sendo mais infectada a zona do pantanal. Já indicamos aos 
lavradores a construcção de banheiros carrapaticidas, mas em todo 
d Estado nenhum foi construído, até agora. Em uma excursão que 
fez em Novembro deste anno em companhia do veterinário, até as 
margens do Ivinhema, nenhum caso foi observado, sabendo que ella 
tnanifesta-se de Março a Julho. As zonas mais infectadas são as 
los rios Anhaduhy-Guassú, Anhaduhy-Mirim, Campos do Ivinhema e 
também em Cabeceira Limpa, Rondinha, Barrandadinho, Cabeceira 
de Forquilha, Atolado e Porto Alegre. 

Visitou a outra margem do Rio Anhaduhy e districto marginal 
do Rio Ivinhema. Esta epizootia não ataca os animaes cavallares, 
victimando o gado vaccum de ambos os sexos. E' conhecida por 



276 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

.peste de seccar. Segundo as estatísticas, poucas são as moléstias 
contagiosas na zona de Campo Grande, que é geralmente saudável. 
Encontra-se uma moléstia única com varias denominações devido á 
ignorância dos lavradores de medicina veterinária. Havendo climas 
diversos é possível que se encontre também moléstias completamente 
diflerentes. Sendo difficeis os meios de transporte e grandes as distan- 
cias a percorrer, limita-se a Inspectoria a percorrer as zonas mais 
vizinhas, que ainda assim fornecem serviço por longo prazo. 

Pretende breve percorrer a zona do norte. As moléstias conta- 
giosas mais frequentes são : febre aphtosa, carbúnculo symptomatico, 
diarrhéa dos bezerros, tristeza, peste de seccar e mal das cadeiras. 
Não tendo tido tempo de pesquizar outras moléstias que grassam, 
segundo consta. A pyroplasmose desenvolve-se mais nas zonas panta- 
nosas, atacando de preferencia as raças finas, importadas. A moléstia 
vulgar da raça equina é a peste de cadeiras, privando a criação deste 
gado na zona do pantanal. A zona do sul é a melhor para a criação, 
dotada de extensíssimos campos verdejantes, illimitados á vista, com 
boas aguadas, com pastagens enriquecidas com as melhores qualidades 
de gramíneas : capim mimoso, fresco, limão, felpudo, branco e gramma 
nativa, reputando- os melhores campos do mundo e de excellente clima. 

Vias de communicação — A estrada de ferro Noroeste do Brasil 
quasi próxima do seu termo, vem prestar relevantes serviços de 
transporte. As communicaçÕes fluviaes são feitas pela Companhia 
Viação de S. Paulo Matto Grosso, no rio Paraná e seus affluentes, 
via Jupia e margem do Ivinhema. O Campo Grande é o municipio 
mais criador, este anno calcula-se em 500.000 rezes dentro do muni- 
cipio e 80.000 equinos. A légua quadrada custava a quatro annos de 
seis a oito contos de réis e hoje custa de 25 :ooo$ooo a 3o:ooo$ooo, 
sendo difficil encontrar-se a venda, e isto pela facilidade que vae 
oíferecer em breve a viação. A Companhia Americana "The Brasil 
Land Cattle and Packing Company", já possue nesta zona 11 léguas 
quadradas e 15.000 cabeças de gado vaccum. Nesta zona, em geral, 
cria-se 500.000 rezes por légua quadrada. Apezar do pouco cuidado 
dos fazendeiros na criação e cultivo das pastagens, tiram grande, 
resultado devido as condições natur/aes. Em- geral os fazendeiros 
que possuem de 2.000 a 3.000 rezes, tem um a dois empregados, 
para tomar conta do gado, pela simplicidade do modo de criação. 

O gado predominante é mestiço e ultimamente foi introduzido 
o zebú, que como é sabido não presta, em face das raças Hereford, 
Durrham, etc, introduzidas no Rio Grande do Sul, desconhecendo 
em geral os fazendeiros as vantagens do cruzamento das raças 
melhores, que ultimamente elles tem difficuldades de transporte.. 



REVISTA DE) VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 277 

Os preços do gado regulam 55$ooo a 58$ooo o boi 25$ooo a 
30$ooo a vacca e 20$ooo os bezerros de um anno. 

12° Districto J(Uruguayana) 

Esta Inspectoria, em officio de n de Junho, informa á Directoria 
do Serviço de Veterinária que durante os mezes de Março, Abril 
e Maio effectuou os trabalhos seguintes : 

Foram inspeccionados dois carneiros reproductores da raça 
"Romney-Marsh", procedentes da Republica Oriental do Uruguay, 
importados pelo Sr. Adolpho Menna Barreto, com destino a este 
município; 1.700 animaes vaccuns mestiços "Durhan", importados da 
Republica Argentina pelo Sr. Victor Alves de Oliveira; 12 carneiros 
reproductores "Romney-Marsh", importados da Republica do Uruguay 
pelo Sr. Alcides Barbosa e seis animaes de egual raça e procedência 
importados pelo Sr. Africo Rodrigues Sant'Anna ; 200 animaes vaccuns 
de cria, importados da Argentina pelo Sr. Felisberto Gonçalves; 
999 vaccuns mestiços de cria e 31 equinos crioulos, importados deste 
ultimo paiz pelo Sr. Cincinato Jardim de Menezes e mais 21 pelo 
Sr. João Francisco Gonçalves. 

Durante o referido periodo foram vaccinados 34 terneiros da 
raça "Durhan" contra o carbúnculo symptomatico, na fazenda do 
Sr. Leonidas Brasil e na do Dr. António Carneiro Monteiro foram 
feitas 700 vaccinaçoes contra essa moléstia e 2.500 contra o carbúnculo 
bacteridiano. 

Além do mencionado, foram visitadas diversas fazendas onde 
grassavam a lombriga e manqueira nas ovelhas, sendo indicados os 
tratamentos, curativos e respectiva prophylaxia; foram attendidos 
ainda diversos casos clinicos na campanha e na cidade de Uruguayana. 

De 23 a 27 de Maio o Inspector representou o Ministério da 
Agricultura no Congresso da União dos Criadores e na Exposição 
pecuária realizada na cidade de Santa Maria. 

Tendo occorrido alguns casos suspeitos de manqueira em gado 
da fazenda do Sr. Dr. Osório de Almeida, Estação de Javary, o 
veterinário desta Directoria vaccinou contra essa moléstia 40 novilhos 
e garrotes da referida fazenda. 

Inspectoria Veterinária do Estado do Rio de Janeiro 

Esta Inspectoria informa que durante o mez de Abril constatou 
27 focos clc carbúnculo symptomatico nos quaes morreram 28 animaes ; 
esses focos foram circumscriptos, vaccinando-se o gado das proximi- 
dadcs; para esse fim clistribuiram-se 1.585 doses de vaccina a quinze 
criadores. 



278 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Afim de dar a demonstração pratica dessa operação, o pessoal 
da Inspectoria vaccinou 138 animaes. 

Os municípios atacados foram os de S. João da Barra, Macahé, 
Campos, Santa Maria Magdalena, S. Fidelis e Itaperuna. 

Na cidade de Campos foram verificados pela malleina cinco 
casos de môrmo ; aos respectivos proprietários aconselhou-se que 
sacrificassem os equinos mormosos ; um proprietário attendeu man- 
dando sacrificar dois animaes no valor de 150^000 cada um; os 
outros ficaram em rigoroso isolamento. 

Os criadores do município de Campos estavam reunindo as 
vaccas que fornecem leite á cidade desse nome afim de submettel-as 
á tuberculinização. 

Foram constatados alguns casos de febre aphtosa, aos quaes 
attendeu-se promptamente aconselhando o isolamento dos animaes 
atacados e tratando-os mediante soluções antisepticas. 

Nos trabalhos de polyclinica veterinária foram constatados três 
casos de polyarthrite em animaes que submettidos a tratamento 
obtiveram óptimos resultados. 

Continua grassando a variola nas gallinhas produzindo grandes 
perdas na criação ; ■ com muita frequência apparecem casos de 
carbúnculo symptomatico em bovinos não vaccinados. 

— Durante o mez de Maio a Inspectoria cerceou um foco de 
carbúnculo bacteridiano em S. Fidelis, fazendo vaccinar o gado das 
immediações contra essa moléstia. Também foram constatados 19 focos 
de carbúnculo symptomatico com 25 animaes mortos nos municípios 
de Santa Thereza de Valença, Barra Mansa, Campos, S. João da 
Barra, Macahé, Itaperuna e S. Fidelis ; para debelar esses focos 
foram distribuídas a oito criadores 580 doses de vaccina e o pessoal 
da Inspectoria vaccinou 300 cabeças. 

Na cidade de Campos estava sendo malleinizado um muar que 
parece atacado de môrmo ; 110 dia 1 de Junho devia ter sido iniciada 
a tuberculinização das vaccas que fornecem leite a esta ultima cidade. 

No município de Magdalena verificou-se pela autopsia que 17 
porcos morreram envenenados pelo sulphato de cobre que havia sido 
usado como formicida ; devido a esta mesma causa succumbiram 
alguns gansos dos 22 envenenados. 

No município de Itaperuna deram-se oito casos de distoma 
hepático; em S. Fidelis está sendo tratado um caso de osteo-malacia. 

— Em Junho o boletim accusa 21 focos de carbúnculo symptoma- 
tico em diversos municípios, tendo morrido nelles 32 animaes. 
O pessoal da Inspectoria vaccinou 590 bezerros contra essa moléstia 
e distribuiu 1.285 doses. 



RBVISTA DB VETERINÁRIA B ZOOTECHNIA 279 

Em vários districtos do município de Campos foram! verificados 
seis casos de môrmo em três muares e três cavallares, aconselhou-se 
aos donos o sacrifício immediato desses animaes. 

Na cidade de Nictheroy estão sendo tuberculinizadas 470 vaccas. 

Em diversos municípios foram verificados seis casos esporádicos 
de febre aphtosa de forma benigna. Dois casos de sarna estão sendo 
tratados mediante o sarnol; em Nictheroy occorreram três casos de 
aborto epizootico em vaccas hollandezas estabuladas, tendo-lhes sido 
prestado os necessários auxílios pelo veterinário da Inspectoria. 
A peste aviaria e o gogo têm feito muitas victimas. 

A Inspectoria tem mantido um activo serviço de polyclinica. 

Inspectoria Veterinária do Paraná' 

Durante o mez de Junho distribuiu 320 doses de vaccina contra 
a peste da manqueira e 80 litros de sarnol. 

Dependência em Victoria 

O boletim sanitário de Junho assignala um foco de carbúnculo 
symptomatico em Piúma, tendo morrido seis animaes. Foi constatado 
um caso de sarna e um de pneumo-enterite dos porcos. ' 

— O boletim de Julho accusa dois focos de carbúnculo sympto- 
matico com nove animaes mortos. O pessoal da dependência vaccinou 
contra esta moléstia 73 bezerros. 

Foram verificados ainda dois casos de pneumo-enterite infecciosa 
dos porcos, um de poly-arthrite do cavallo, duas vaccas com mamite 
e alguns casos de diarrhéa dos bezerros. 



280 MINISTÉRIO DÁ AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



(A Revista de Veterinária e Zooiechnia responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações que lhe 
forem feitos sobre assumptos de sua especialidade ) . 



ECOS E NOTICIAS 



Estatística pecuária — Está se procedendo no Estado do Rio Grande do 
Sul ao recenseamento da população pecuária. 

Para a apuração definitiva, aguarda a repartição respectiva as informações 
relativas aos municipios de Vaccaria, Bom Jesus, Porto Alegre, Pelotas, Rio 
Grande, S. José do Norte e S. Lourenço. 

A apuração já feita, em 62 municipios, dá o seguinte resultado, relativamente 
ao gado bovino : 

Annos Cabeças , Valor approximado 

1908 5.588.881 117.1 50 :465$000 

1909 5.859.495 199.606:085$000 

1910 5.890.036 236.470: 865$000 

1911 5.905.825 280.343:S35$000 

1912 6.119.779 351.006:975$000 

1913 6.390.667 462.378:921$000 

Leilão de animaes -Nas cocheiras do Ministério da Agricultura realizaram-se 
nos dias 30 de Junho passado e 21 do mez próximo findo, leilões de animaes 
procedentes do Posto Zootechnico Federal, de Pinheiro. 

No primeiro leilão, excluídos dois cavallos, que não alcançaram preço equiva- 
lente, e um touro que adoeceu, o producto das vendas ascendeu a 12:SOO$0C0 
resultado esse bastante animador. 

O ultimo leilão, também bastante concorrido, produziu a soturna de 11:S50|000, 
ou nos dois leilões, 24:650$000. 

Ambos os actos tiveram regular concurrencia , tendo comparecido o Sr. Ministro 
da Agricultura e grande numero de criadores. 

Pecuária em Minas — O governo do Estado importou no anuo passado 80 
reproductores diversos, tendo despendido com essa importação 101:723^935. 

Por conta de importação de 1911, o Estado deverá receber da União 36:240^000, 
além do auxilio de 39:500$000 com que deve concorrer este Governo para paga- 
mento de animaes importados em 1912. 



REVISTA DK VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 281 

— Existem no listado de Minas diversos pequenos Postos Zootechnieos, 
mantidos e auxiliados pelo Governo e que muito têm eoneorrido para o melho- 
ramento da criação. 

No anno passado a despeza com estes postos montou a 46:157|871. 

— Tem tido notável incremento a distribuição da vaccina contra o carbúnculo 
symptomatico ou peste da manqueira. 

Pyin 1913, o Estado despendeu 91:000^000 com esse serviço; descontando-se, 
porém, a importância de 46:540^160, indemnizada pelos criadores, veriíica-se que 
o Estado concorreu, de facto, com 44:459^840 para o custeio de tão importante 
serviço. 

Aos criadores do Estado foram cedidas, durante o anno passado, 363.595 
doses de voccina, fornecidas pelo Instituto « Oswaldo Cruz», ou mais 103.855 
do que em 1912. 

— No intuito de dar combate efficaz á febre do Texas, também conhecida 
pelo nome de tristeza, tem o Governo do Estado auxiliado a construcção de 
tanques carrapaticidas para expurgo dos parasitas que infestam o gado, tendo 
despendido com esse auxilio, em 1913, a importância de 6:250$000. 

Industria Pastoril em- S. Paulo — A mensagem do Presidente do Estado 
apresentada ao respectivo Congresso, em 14 de Julho passado, assim se refere 
á pecuária : 

«Merece especial referencia o desenvolvimento que, ultimamente, tem alcan- 
çado no Estado a pecuária, que tem elementos para se tornar, em futuro não 
remoto, industria de grandes proporções e constituir, juntamente com o café, a 
base de nossa riqueza. Não só pela exploração em larga escala nas regiões limitro- 
phes dos Estados vizinhos, onde se encontram vastas pastagens naturaes e 
artificiaes, como também pela producção limitada nas fazendas, onde a criação é 
necessária para a manutenção das culturas diversas, está o Estado de S. Paulo em 
condições de offerecer vantagens incontestáveis a esta industria, que terá no porto 
de Santos o escoadouro natural e fácil de seus productos, para os mercados da 
Europa, onde a carne vai se tornando escassa e cara e como problema de real 
magnitude, preoccupa já a attenção dos poderes públicos de diversos paizes. 

Ao governo não tem sido indifferente o esforço dos criadores paulistas e por 
todos os meios ao seu alcance procura anirnal-os e coadjuval-os. Ao mesmo tempo 
se preoccupa também com os diversos problemas que mais se relacionam com o 
assumpto, entre outros cem o estudo dos meios de communicação e transporte 
(especialmente estradas de rodagem), entre as grandes zonas de criação e as 
invernadas e entre umas e outras e os mercados de consumo e com o estudo do 
aperfeiçoamento das raças de gado vaceum. 

A' iniciativa particular deve-se a fundação ultimamente, de grandes e impor- 
tantes estabelecimentos, destinados ao completo aproveitamento do gado e seus 
resíduos. Dentre elles, podem ser citados o matadouro frigorifico de Barretos, 
perfeitamente montado e que fornece diariamente carne a esta capital e a outras 
cidades; O « Caçapava Packing Iloitse», considerado também estabelecimento 
modelar no género, que já abateu mais de 6.000 animaes. No bairro de Pinheiros, 
desta capital, está em construcção o grande estabelecimento frigorifico da The 
Continental Products Company». 

K- V. 36 



282 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

— Durante o anuo passado o Estado importou grande numero de animaes 
reproductores para os seus estabelecimentos e para particulares. 

— O Serviço de Veterinária mantido pelo Estado tem sido bastaute proveitoso 
aos criadores, não só na clinica do Posto Zootechnico Central, como por meio 
de consultas, conselhos e viagens a chamado dos interessados. 

— Com o concurso das municipalidades, foi organizado o serviço das estações 
de monta com o fim de facilitar, quanto possivel, o aproveitamento dos reprodu- 
ctores pelos criadores do Estado. 

— No Posto de Selecção do Gado Nacional, proseguem os trabalhos de melho- 
ramento do gado indigena-caracú e mocho, tendo-se obtido já alguns característicos 
para a sua fixidez. 

— Existem em S. Paulo dous haras : «O Paulista», em 1913, primeiro anno 
de producção effectiva, apresentou productos de magníficos aspectos, bem superior 
ao que se esperava para a primeira geração e o de Pindamonhangaba, que está 
destinado a prestar ao Estado bons serviços na criação de um typo de cavallo 
nacional, que satisfaça os misteres que delle se exigem. 

Reproductores Zebú — A Inspectoria Veterinária de Uberaba, Minas, exa-< 
minou na fazenda do Coronel Ovidio Irineu de Miranda uma leva de reproductores 
zebús, recentemente importados da índia. 

Compõe-se ella de 17 touros, 42 vaccas e 12 novilhos, todos pertencentes ao 
Sr. Armei de Miranda. 

São todos da raça Guzerath-Cancrege, havendo alguns misturados com Gill 
e Nellore. 



-^ 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 283 



BIBLIOGRAPHIA 



ALLEMANHA 

O Transatlântico — Revista mensal illustrada, de litteratura, arte e indus- 
tria—Berlim, Anno I, ns. 5 e 6, 1914. 

ARGENTINA 

Boletin Mensual dei Museo Social Argentino — Buenos Ayres, Anno 
III, ns. 27 a 32, Março a Agosto, 1914. 

Boletin dei Ministério de Agricultura — Buenos Ayres, Tomo XVII, 
ns. 3 a 5, Março a Maio, 1914. 

Facultad de Agronomia y Veterinária — K' este o titulo de uma bro- 
chura, fartamente illustrada, em que se faz o histórico desse útil estabeleci- 
mento, mostrando, ao mesmo tempo, a sua influencia no desenvolvimento e 
melhoramento da agricultura e da pecuária no paiz. 

Revista de la Facultad de Agronomia y Veterinária — L,a Plata, 
Tomo X, n. 3, 1914. 

Revista de la Liga Agraria — Buenos Ayres, Anno 18 ç , Tomo XVII, 
n. 5, Maio 1914. 

BÉLGICA 

Annales de Gembloux — Orgam dos engenheiros do Instituto Agrícola do 
Estado, Bruxellas, Anno 24, Julho, 1914. 

Bulletin du Service de la Folice Sanitaire des Animaux Domesti- 
ques — Bruxellas, ns. 11 e 12, Junho, 1914. 

ESTADOS UNIDOS 

Boletim da União Pan-Amerlcana — Washington, Vol. VII, ns. 1 a 3, 
Julho a Setembro, 1914. 

Hacienda (Iva) — Buffalo, New- York. Revista mensal illustrada de agricul- 
tura, criação de gado e industrias ruraes — Vol. IX, ns. Xe XI, Julho e 
Agosto, 1914. 

FRANÇA 

Annales de 1'Institut Pasteur — Paris, Anno 28°, n. 6, Junho, 1914. 
Bulletin de la Société de Pathologie Exotique — Paris, Anno 17°, 
ns. 6 e 7, Julho e Agosto, 1914. 

Bulletin Mensuel de i'Office de Renseignements Agricoles — Paris, 

Anno 13°, ns. 5 e 6, Maio e Junho, 1914. 

Vie Agricola et Rurale (Iva) — Paris, Anno 2 9 , ns. 27 a 34, Junho e 
Julho, 1914. 



284 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B) COMMKRCIO 

HONDURAS 

Boletin de la Secretaria de Fomento, Obras Publicas y Agricul- 
tura — Publicação official. Tegucigalpa, lomo III, n. 5, Maio, 1914. 

INTERIOR 

Casa do Lavrador (A) — Publicação mensal da Secretaria da Agricultura do 
Paraná, Anno 3 o , ns. 3 a 6, Março a Junho, 1914. 

Chácaras e Quintaes — S Paulo, Anno V, Vol. X, n. 1, Julho 1914. 

Criador Paulista (O) — Publicação da Secretaria da Agricultura, S. Paulo, 
Anno IX, ns. 84 e 85, Abril e Maio, 1914. 

Fazendeiro (O) — Revista mensal da Agricultura, Industria e Commercio, 
S. Paulo, Anno VII, ns. 6 e 7, Junho e Julho, 1914. 

Lavoura (A) — Boletim da Sociedade Nacional de Agricultura. Rio de 
Janeiro, Anno XVII, ns. 1 a 4, Janeiro a Abril, 1914. 

Mensagem — Do Presidente do Estado de Minas ao Congresso do 
Estado, 1914. 

Relatório — Do Dr. Ernesto Luiz de Oliveira, Secretario da Agricultura do 
Paraná, ao Presidente do Estado, 1914. 

Revista Medica de S. Paulo — Jornal Pratico de Medicina, Cirurgia e 
Hygienne. S. Paulo, Anno XVII, n. 13, Julho, 1914. 

POTUGAL 

Revista de Medicina Veterinária - Orgam da Sociedade Portugueza de 
Medicina Veterinária. Lisboa, Anno 13 9 . ns. 147 a 149, Maio a Julho, 1914. 

I7RUGUAY 

Boletim n 11 — Dedicado a Cooperativas de Avicultura. Montevideo, 1914. 
Campana (La) — Revista dedicada aos interesses ruraes. Montevideo, Anno 
IV, ns. 88 e 89, Junho e julho, 1914. 

VENEZUELLA 

Vargas — Revista quinzenal de sciencias medicas y pharmaceuticas. Caracas, 
Anno V, n. 2, Junho, 1914. 




REMÉDIO IPifflfEL CONT 




Oicialmente aprovado pelo Governo dos E. U. da America 

Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e outros 
apparelhos para lacticínios 

bmibeiie, hacker i i 



Rio de Janeiro, S. Paulo, Bello Horizonte, Santos e Bahia 



6-5 
13 




( -f — f — $■ .( ■! ■{ .}■ .( (. ■)•■(, f H-H"hHH-Kf4 



ABEIRAS e CRIADEIRAS v. 



^\ d po 



Anno IV 



Outubro 1914 



N'\ 5 




:".. 



DIC 




PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 



DO 



Cf 



ervlco k Veterinária do Ministério la imito Iràitria e Cernirei 



SUMMARIO 




PARTE OFFICIAL 



Registro de lavradores e Criadores. 
Vaccinas e outros medicamentos 



COLLABORAÇAO: 

Dr. Nicolau Athanassof Fenos dos capins gordura e jaraguá. 287 

Drs. André Gonin e P. Andouard estudo do minimum de albuminói- 
des necessários para as differen- 
tes especulações animaes 302 

A. Varin d' Ainvelle Visita ao Piaras Paulista 3 o8 

Wilíiam Frederico Cheston A escolha do gado leiteiro 3 r 7 

Dr. Herbster Pereira Cholera das gallinhas 3 22 

Dr. Paulo Maugé Mais uma observação clinica 327 

PELAS INSPECTORIAS ; 

Informações referentes aos districtos veterinários, prestadas pelos 




respectivos inspectores. 



363 



CONSULTAS E INFORMAÇÕES 334 



ECOS E NOTICIAS : 

Carbúnculo verdadeiro — Exposição de Bagé — Feira de Sitio — Regis 
tro de criadores e lavradores em Minas — Distribuição de vacci- 
nas — Transporte de gado em Minas 334 




RIO DE JANEIRO 




Typographia do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

1914 



M 

142 IEòTT-A. IDO OTTVTIDOIR/ 142 




Seringas especiaes para uso veterinário, com agulhas de aço, muito fortes e em forma de lança, que dispensam 

o uso do trocater 

Kstas seringas, de5,10e20 cc , modelo Casa Moreno, são as únicas usadas 
e recommendadas pela Directoria do Serviço de Veterinária do Ministério 
da Agricultura. 




Installações completas de laboratórios de chimica, bacteriologia, etc, etc, a 
gaz, álcool, petróleo e electricidade. 

í£stufas, autoclaves, fornos, banho -maria, etc, etc. 

Ápparelhos especiaes de Gerber, para exame de leite, manteiga e queijo 

Caixas com comprimidos para exame de agua e urinas. 

Ápparelhos especiaes para extincção de formigas e outros insectos por meio 
de vapores de formol, pulverisadores, seringas para desinfecção, estufas, etc, etc. 

Instrumentos de cirurgia, arte dentaria, accessorios de pharmacia e labora- 
tórios, fundas, etc, etc. 

MORENO BORLIDO & C. 

142 3FLTT.A. X>0 OUVIDOR 142 

!£>£>, I^iia cio Rosário 



Telegr- Cod- Ribeiro 

CASAMORENO 



3 DEPOSITO 

KVA GONÇALVES DIAS, 80 

JEITO IDIE CT^ZCsTIEIIRO 



Correio 

CAIXA 735 



REVISTA 



DR 




PUBLICAÇÃO OFFICIAL 

DO 



Serviço de Veterinária Ao Ministério da Agricultura, Iinstria e Comercio 



OUTUBRO - 1914 



touveo Trsr — fascioijIjO ir 



^^^K^^^t. 



^J^y^-^J^ 



RIO DE JANKIRO 

Typoiíiaphia do Ministério da Agricultura, Industria e Comruercio 

1914 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZODTEEHRIA 

Publicação Officlal da Directoria do Serviço de Veterinária 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Distribuição gratuita aos criadores <l<> palz que » solicitarem 

R\0 DL il\UL\RO * * Caixa Postal 1.678 * * £>Rf\S\\_ 

A REDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSABILISA PELOS CONCEITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIONADOS POR SEUS COLLABORADORES 

ANNO IV U Outubro de 1914 U N. 5 



EXPEDIEITTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 

sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 

a interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 

quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



PARTE OFFICIAL 



REGISTRO DE LAVRADORES E CRIADORES 



Modelo de requerimento para inscripção 

Sr. Ministro da Agricultura, Industria e Commercio: 

F. . . , desejando inscreyer-se no «Registro de Lavradores, Criadores 
e Profissionaes de Industrias Connexas» estabelecido nesse Ministério, 
de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro de 1909, apresenta, para 
esse fim, o documento (*) exigido pela mesma portaria e as inclusas 
informações (**) e pede- vos autorizeis sua inscripção. 

Pede deferimento. 




286 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 



O documento referido é o que diz respeito ao imposto que paga ao Kstado 
ou ao município como lavrador ou criador (art. 6° das inst.). 

A falta desse documento poderá ser supprida por attestado do Presidente 
da Municipalidade, do Prefeito ou Agente Kxecutivo ou de dois lavradores já 
inscriptòs, devendo ser legalmente reconhecida qualquer das respectivas firmas 
(art. 7 das inst.) . 

Qualquer dos documentos citados está sujeito ao sello da lei, isto é, 300 réis 
federal (art. 11 das inst.). 

(**) As informações, a que se refere o requerimento, devem ser assim pres- 
tadas: 

Nome 

Profissão 

Denominação da propriedade 

Kstado 

Município 

Cidade, villa ou povoação mais próxima. 

E)' própria ? Nome do proprietário 

K' arrendada ? Nome do proprietário 

W alugada ? nome do proprietário 

Servida pela estrada 

Estação mais próxima 

Meios de communicação 

Área total e qualidade das terras 

Área cultivada 

Área inculta 

Área em pastagem 

Área em mattas 

Género de producção , 

Média annual de producção 

Numero de cabeças de gado, com designação de sexo. . . 

Suas espécies 

Possue prados artificiaes ? ... 

Natureza das culturas forrageiras 

Rendimento por hectare, alqueire, etc 

VACCINAS E OUTROS MEDICAMENTOS 

Modelo de requerimento para requisição de vaccinas 

Sr. Director do Serviço de Veterinária: 

criador em . . . Estado de ... , inscripto no Registro de 



F..., 
lavradores 
n . . . letra . 

gado, pede-vos a remessa de... doses de vaccina, visto estar o seu 
gado ameaçado da peste da manqueira. 

Pede deferimento. 



Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas sob 
a fl . . . do respectivo livro, possuindo . . . cabeças de 




Nota — Para requisição de sarnol ou qualquer outro medicamento serve este 
mesmo modelo, fazendo, apenas, as indispensáveis modificações. 







CAPIM JARAGUÁ (andkopocon ruFus) 
Producção verde : 117.716 kilos por hectare. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 287 



COLLABORAÇÃO 



>/'»/">,y"s/->,<' 



FENOS DOS CAPINS GORDURA E JARAGUA' 

(Estudo comparativo de seu emprego na alimentação das vaccas leife'ras 
e seus effeiíos sobre a secreção láctea e o peso dos animaes) 

Muitas pessoas, que desconhecem a Bromatologia, emittem 
frequentemente conselhos gratuitos sobre o valor alimentício desta 
ou daquella forragem, como adaptada ou favorável á secreção do 
leite, sem que entretanto tenham a comprovar suas affirmativas 
quaesquer experiências a respeito, judiciosamente feitas. Não é 
mesmo raro encontrar-se quem organize até listas inteiras, indicando 
determinadas forragens como especiaes para a producção de um leite 
aquoso, e outras como apropriadas á producção de um leite rico em 
matéria gorda, etc. Mas, as divergências neste sentido têem chegado 
a tal ponto que, ás vezes, a mesma forragem é preconizada por uns 
como vantajosa á alimentação do gado leiteiro, ao passo que outros 
a aconselham para o gado de engorda. Já por varias vezes temos 
consultado os nossos criadores sobre os capins gordura e jaraguá, 
mas nem sempre são concordes as respostas obtidas. Eis por que nos 
resolvemos organizar uma experiência, que nos permitta avaliar 
exactamente o valor- de cada um destes fenos, preparados annualmente 
em grande quantidade para alimentação dos animaes deste estabeleci- 
mento, e assim prestar um pequeno serviço aos nossos criadores, que 
poderão tirar algum proveito pratico das nossas observações. 

E' incontestável que entre as forragens nacionaes mais espa- 
lhadas aqui no centro do Brasil e que constituem a base da alimentação 
de todo o gado, merecendo por isso especial attenção, se acham o 
capim gordura (Melinis minutiflora) e o capim jaraguá (Andropogon 
rufus). Tanto um como o* outro é consumido pelos animaes quer no 
pasto, directamente, quer" no" estabulo, f enados. 



288 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Estas duas gramíneas differem bastante uma da outra pelo seu 
aspecto, aroma, densidade e composição chimica, como também sob 
o ponto de vista da exigência do terreno, contentando-se o gordura 
com terrenos seccos e mais pobres, emquanto que o jaraguá exige 
terrenos mais ricos e frescos. 

Segundo as analyses feitas no Instituto Agronómico de Cam- 
pinas, é a seguinte a composição de 100 partes dos fenos destes capins: 



DESIGNAÇÃO 









Maté- 






Pro- 


Maté- 


ria 


Cellu- 


Agua 


teína 


ria 
graxa 


não 
azota 


lose 



Maté- 
ria 

mine- 
ral 



Po- 

tassa 



dal 



Adito 

j)lios- 
«ho- 
rico 



Si 02 



Feno de gordura roxo 

» » ii branco 

Média 

Feno de jaraguá antes da flor — 
» » » depois da flor. • 

Média 



21.10 


8.42 


1-75 


l6.54 


6-33 


1.67 


18.82 


7-37 


1.71 


18.95 


5-7S 


I.OI 


10.12 


4.66 


1.41 


M-53 


5.22 


1.21 



36.22 
38.97 



37.59 
33-82 

40.42 



37.12 



24.29 

27.58 

25.93 
30.92 

35.67 

33.29 



8.22 
8.9I 



8.56 

9-52 

7.71 



8.6l 



2.387 


0.421 


0.241 


2.373 


0.552 


0.259 


2.380 


0.484 


0.250 


1.697 


0.442 


0.180 


0.922 


0.5*2 


0.585 


1.309 


0.512 


0.382 



4-7 



5-9 



Examinando as analyses acima, notamos que o feno de gordura 
é mais rico em matérias azotadas e contém menos cellulose, ao passo 
que o de jaraguá, mesmo colhido antes da flor, é mais rico em 
cellulose. A relação nutritiva do de gordura é de 1:7, mais rico em 
matérias azotadas, e a do de jaraguá é de 1 : 10.4, mais rico em 
matérias não azotadas. O exame da composição das cinzas mostra 
que o feno de jaraguá é mais rico em silica, sendo o de gordura 
rico em potassa e acido phospborico. As mesmas analyses acima 
indicam-nos egualmeute que o jaraguá fenado depois da floração é 
bem. rico em cal e acido phospborico, mas também muito rico em 
cellulose. 

O numero de analyses destes capins, que possui mos, é pequeno 
e por conseguinte as médias sobre as quaes nos podemos basear para 
o estudo das duas forragens é insufficiente ; mas, mesmo assim, 
percebe-se que o feno de gordura parece ser, pela sua composição, 
de relação nutritiva estreita (1:7) mais próprio á alimentação do gado 









CAPIM GORDURA (mkunis minutjfi^ora) 
Producção verde : 124.000 kilos por hectare. 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 2S'> 

leiteiro, emquanlo que o de j aí agua* com relação nutritiva mais larga 
( i :io,4 a 1:15), é mais vantajoso ao gado de engorda e ao de 
trabalho. Nosso fim, sendo justamente estudar comparativamente, pela 
experiência directa com os animaes, os elíeitos de um e outro destes 
fenos sobre a secreção do leite e o peso dos mesmos animaes, satis- 
fazemo-nos por emquanto, com os dados fornecidos pelas analyses 
acima, não se fazendo mesmo mister de outras analyses, para o caso 
presente. 

Examinando-se esses dois fenos, é fácil distinguir um do outro 
pelo simples aspecto exterior e aroma, pela côr e densidade, consti- 
tuindo ambos excellente forragem para o gado, principalmente quando 
os capins são cortados no momento da floração e fenados em boas 
condições. O valor do feno depende, como sabemos, além da pro- 
porção de princípios nutritivos e sáes mineraes, que elle contém, do 
seu aroma ou de seus princípios específicos que estão em relação 
com as espécies forrageiras, que o constituem, e de seu estado de 
conservação e edade. 

Sabemos também que o feno, devido á quantidade elevada de 
matéria sêcca e fibrosa, que encerra, serve de lastro aos órgãos 
digestivos e actua sobre o organismo não somente pelos seus prin- 
cípios nutritivos, como também pelos seus princípios especiíicos, que 
exercem certa acção estimulante sobre as f uneções digestivas dos 
órgãos. Basta aqui lembrarmos as experiências do Dr. Fingerling e 
as a este respeito citadas pelo professor Kellner ('*), para provarmos 
o eíteito desses princípios especiíicos. Sua acção, pois, não pôde ser 
negada, sabendo-se que pelo seu sabor elles agem não somente sobre 
a mastigação, mas também exercem uma influencia sobre a alibilidade 
dos princípios nutritivos contidos na forragem, provocando ainda uma 
excitação do systema nervoso, circumstancia esta favorável á secreção 
do leite. 

No caso presente^ difhcil séria attribuir se o áugrtienfo ou a 
diminuição na secreção láctea exclusivamente a estes ou áquelles 
princípios específicos contidos nos fenos que estudamos. Não foi este 
o nosso intuito: procuramos, em geral, saber qual dos dois fenos 
mais favorecia a secreção láctea, quando introduzido 11a ração, na 



< : ) Revista de Veterinária e Zootec/iuia, 1912, 11. 2, r.ag, 112. 

K. V. 37 



290 MINISTÉRIO DAAGRICUI/TURA, INDUSTRIA BCOMMBRCIO 

dose de três kilos, por dia e cabeça. Experiências futuras talvez nos 
demonstrem que seja possível attribuir alguma influencia exclusiva- 
mente ao aroma forte do capim gordura, no momento da floração, 
de todos nós tão bem conhecido. Por emiquanto, limitamo-nos a saber, 
de um modo geral, quaes são os seus eííeitos sobre a secreção láctea 
em comparação com o de jaraguá, sem entrarmos em indagação dos 
cif eitos específicos, que possam actuar favoravelmente sobre a mesma 
secreção. 

! A resolução de problemas dessa natureza não é possível fazer-se 
com simples exame do aspecto apresentado pelo feno, nem mesmo 
com as analyses chimicas mais completas, sem o concurso de expe- 
riências directas com os animaes. E' por meio dessas experiências 
bromatologicas, que se pôde determinar o valor exacto de uma 
forragem e conhecer seus effeitos sobre este ou aquelle género de 
producção. 

A experiência emprehendida neste Posto com os fenos dos capins 
gordura e jaraguá era inadiável, em virtude da grande quantidade 
dessas duas forragens, que empregamos na alimentação do gado esta- 
bulado, merecendo ser repetida com as mesmas forragens, no estado 
verde. 

Passemos agora a resumir o plano de nossa experiência e os 
dados colhidos, dos quaes fácil é deduzirem-se algumas conclusões 
praticas. 

I — PLANO DA EXPERIÊNCIA 

A experiência, organizada no Posto Zootechnico Federal, em 
Pinheiro, e realizada sob a direcção do chefe e auxiliar da 4 a secção, 
durou 80 dias, comprehendidos entre 1 de agosto e 19 de outubro 
de .1913. 

Para este fim, foram escolhidas no nosso rebanho de gado leiteiro 
12 vaccas, quasi todas no primeiro período de lactação e mais ou 
menos da mesma edade, pois é justamente nesse período que ellas 
melhor podem reagir sobre as influencias, que podem ser attribuidas 
á alimentação. A producção média diária, para cada cabeça, e a 
riqueza do leite antes do inicio da experiência diíferiam pouco de 
uma para a outra. 



ljá$\ ob [ ?^| ^o [*fln ^cj h- r^irpç 1 23 " li 




REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 2^1 

As vaccas foram divididas cm três lotes egnaes, tendo cada um 
portanto uma producção miais ou menos egual e os pesos médios de 
450, 425 e 335 kilos. A ordenha foi executada semipre pelos mesmxjs 
vaqueiros, duas vezes por dia: pela manha, ás 6 horas, e á tarde, 
ás 4, sendo o leite pesado diariamente e tirando-se amostras para 
determinação da gordura, pelo methodo de Gerber. 

A experiência foi dividida em quatro períodos de 20 dias cada 
um, pesando-se as vaccas no principio de cada período, para se 
conhecer o augmento ou a diminuição de peso. Os dados dessas 
pesadas acham-se consignados no quadro n. 1, figurando o augmento 
ou a diminuição resultantes para cada período nos quadros ns. 2 e 3. 

A experiência, mesmo assim estabelecida em condições médias de 
uma exploração agrícola bem organizada, com os meios de que nella 
se pôde dispor, não deixou de satisfazer ás exigências de exactidão, 
tendo ainda para nós mais valor, porque foi feita sobre maior numero 
de animaes, obtendo-se assim dados directamente applicaveis na 
pratica. 

AS RAÇÕES EMPREGADAS 

Para a experiência foram compostas três rações, de accôrdo com 
a produetibilidade e o peso das vaccas, as quaes designamos pelas 
letras A, B e C. Estas rações, cuja com|posição damos nos quadros 
junto, differem apenas porque A contém três kilos de feno de gordura, 
B, três kilos de feno de jaraguá, sendo a ração C egual á ração A 
mais 10 kilos de milho forrageiro. Em taes condições era a seguinte 
a percentagem de agua e matéria secca, que encerravam as forragens 
constitutivas da ração : 

A 55°|° de agua e 10.755 kilos de matéria sêcca 
& 55-5 °|° de a gua e 10.683 kilos de matéria sêcca 
C 63.3°!° de agua e 12.475 kilos de matéria sêcca 

As vaccas recebiam agua á discrição, durante toda a experiência, 
havendo no estabulo bebedouros automáticos, para esse fim. A ração 
total era distribuída em quatro refeições, sendo A dada durante todo 
o i° e o 4 o períodos; B durante somente o 2° período e C durante 
o 3 o período. A ração C, que continha 10 kilos de milho forrageiro, 



292 MINIUTSB IO DA AGRIC JLTO A l, IN Dl STRIA B COMMERCIO 

rico cm agua. veiu augmentar o total dos princípios nutritivos e a 
percentagem dagua, que passou de 55 °|° para 63.3 °|°. Tínhamos em 
vista constituir com ella um período intermediário, que permittisse 
evitar a passagerrí repentina de uma para outra ração e ao mesmo 
tempo nos certificarmos da sufficiencia ou insufficiencia da ração A, 
para o hm para que foi composta. 

RESULTADOS OBSERVADOS 

( )s resultados observados no correr da experiência acham-sc 
consignados nos quadros ris. 2 e 3. 

A secreção láctea, como é sabido, não é constante desde- o prin- 
cipio até o fim da lactação ; para podermos,, pois, verificar exactamente 
se as variações observadas eram, devidas á substituição do gordura 
pelo jaraguá no segundo período e a addição do milho forrageiro no 
terceiro, tivemos de calcular a producção para esses dois períodos, 
tomando em consideração a producção do i° e do 4 , nos quaes a 
ração foi a mesma. Confrontando no 2 e 3 períodos as quantidades 
de leite obtidas com as calculadas fácil é deduzir-se o augmento ou 
a diminuição da producção, que pôde ser attribuido á mudança de 
forragem. 

Examinando-se o quadro ri; 3, observa-se a diminuição na quan- 
tidade de leite, no segundo período, assim como na de manteiga. 
Neste período, a diminuição geral, por cabeça e por dia, foi em 
média de o kilos 485 de leite e 0.020 de manteiga. O peso vivo, 
durante este mesmo período, augmentou de 22 kilos 333, ou sejam, 
por dia e cabeça, 1 kilo 160. 

Durante o 3 período, em consequência da engorda, nota-se ainda 
diminuição no leite e na manteiga, sendo o augmento de peso nelle 
de o kilos 404, por dia e cabeça. 

( )bserva-se egualmente que a diminuição na producção do leite 
toi acompanhada de um augmento do peso, tendo essa diminuição 
sido tanto maior quanto foi o augmento de peso de cada vacca. 

As temperaturas observadas durante a experiência foram indi- 
cadas no graphico junto, apresentando uma oscillação de 4°.5, passando 
a média suecessivamente de 17 o . 3 para i§°.0, 20 o . 8 e 21 o . 8, 110 ultimo 
período. 



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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTRCHNJA 



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CONCLUSÃO 

Resumindo as observações feitas nesta experiência, podemos 
(irar as seguintes conclusões: 

I a . No primeiro período, durante o qual as vaecas foram alimen 
tadas com a racao A, contendo três kilos de feno de gordura, ;i 
producção do leite manteve-se regular desde o principio até o fim, 
notando.-se apenas um ligeiro augmento do peso das vaecas, de o kilos 
2/j, por dia e cabeça. 

2 a . No segundo período, durante o qual se substituiu o feno de 
gordura pelo de jaraguá, a diminuição diária dõ leite, por cabeça, 
foi de o kilos 485, augmentando o peso das vaecas de 1 kilo 160, 
por dia e cabeça. 

3 a . A addiçao do milho forrageiro ao terceiro período teve como 
effeito um ligeiro augmento da producção de leite. 

4 a . O restabelecimento da ração no quarto período teve como 
consequência o augmento da quantidade de leite e da percentagem de 
manteiga, em detrimento do peso das vaecas. 

Desses dados, podermos deduzir que o feno de capim gordura, 
introduzido na ração das vaecas leiteiras na dose de três kilos, por 
dia e cabeça, exerce uma influencia favorável sobre a secreção láctea 
e mantém o peso das vaecas. O feno de capim jaraguá, ao contrario, 
mostra-se inferior para a producção de leite, favorecendo, porém, 
a engorda e a manutenção do estado de boas carnes. Dahi resulta 
que seu emprego será melhor indicado para a alimentação dos animaes 
de engorda, de trabalho, ou das vaecas, cujo estado de magreza exige 
tal alimento. 

Os resultados dessa experiência são bastante demonstrativos, o 
que nos anima a leval-os ao conhecimento dos nossos criadores, que, 
conforme o casso, poderão tirar bons proveitos com o emprego 
dos alimentos, que acabamos de estudar, na alimentação de 
seu gado. 

Pinheiro, 27 de março de 1914. 



N. Athanassof. 



294 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Resultados observados durante a experiência relativa ao estudo comparativo 

Rendimento em leite, riqueza, 



RAÇA E NUMERO DAS VACCAS 



lo PERÍODO 
I a 20 de Agosto de 1913 



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2 o PERÍODO 

21 de Acosto a I) de Setembro de 1918 





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Flamenga, i8S.. . 

Turina, 4 

Turina. "... 

Flamenga, 91.. • • 

Somma 

Média 

Turina, 3 

Red-polled, 292.. 

Red-polled, 181.. 

Schwyz, 276 

Somma 

Média 

Hollandeza, 28... 

Schwyz, 163 

Schwyz; 626 

Hollandeza, 3°... 

Somma 

Média 

Somma geral 

MkdIa geral 



k 


k 


% 


k 


k 


470 


64-5 


3-7 


2.386 


485 


460 


126.0 


3-3 


4.158 


470 


400 


96.5 


4.0 


3.860 


400 


470 


146.5 


2.9 


4.248 


470 


1800 


433-5 


13-9 


14.652 


1825 


450.0 


108.2 


3-47 


3-663 


456.2 


400 


94.0 


3-4 


3.196 


400 


325 


85.0 


2.9 


2.465 


325 


305 


122.0 


2.4 


2.928 


310 


3x0 


97.0 


3-2 


3.104 


318 


1340 


398.0 


11. 9 


11.693 


1353 


335 


99-5 


2.98 


2.923 


338 


440 


93-o 


3-o 


2.790 


440 


410 


100. 


2.8 


2.800 


423 


470 


132.0 


3-5 


4.620 


474 


380 


126.8 


2-7 


3-423 


390 


1700 


451.8 


12.0 


I3-633 


1727 


425 
4840 


112. 9 


3-0 


3.408 


432 


1283.0 


37-8 


39-978 


4905 


403.3 


106.9 


3-15 


3-331 


408 



k 
68.0 

106.0 

96.0 

120.5 

390-5 
97.6 

80.5 

84-5 

93-o 

90.0 

348.0 
87.0 

93-5 

83.5 

112. 5 

108.0 

397-5 
99-3 

1136.0 
94-7 



% 
3-7 

2.5 
4.2 

3-3 

13-7 
3-42 

3-7 

3-o 

2.5 

3-o 

12.2 

3.06 

3-3 
3-o 
3-2 

2-5 

12.0 
3-0 

37-9 
3-i6 



k 

2.516 

2.650 

4.032 

3-9/6 

I3.I74 
3.293 

2.978 

2-535 

2.325 

2.700 

10.538 
2.634 

3-oS 5 

2.505 

3.600 

2.700 

1 1 . 890 
2.972 

35.602 

2.966 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



2 { )S 



DH.O 3\T- 1 



os fenos de gordura e de jaraguá na alimentação das vacas 
BJUitidade de manteiga e peso vivo 



as. 





3 o PERÍODO 






4 o PERÍODO 






ISS 


: 


10 a 29 ( 


e Setembro 




30 de Setembro a 19 de Onti 


ibro 


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Quantidade de man- 
teiga 


Peso vivo em 29 de 
.Setembro 


Quantidade de leite 


as 

a 

Cf" 

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Peso vivo em 19 de 
Outubro 


4. 

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k 


k 


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k 




59-o 


3-2 


1.888 


535 


56.0 


3-5 


1.960 


535 


116 


193-5 


3-0 


2.805 


525 


97-5 


3-5 


3.412 


510 


63 


92.0 


3-6 


3.312 


420 


87.0 


3-6 


3-132 


400 


46 


117. 


3-1 


3.627 


495 


ih. 5 


3-4 


3-791 


485 


5 


361.5 


12.9 


11.632 


1975 


352.o 


14.0 


12.295 


1930 ; 


230 


90.4 


3-2 


2.908 


493-7 


88.0 


3-5 


3-073 


482.5 


57-5 


88.0 


3-6 


3.168 


425 


87.5 


4-3 


3.762 


4IO 


49 


81.5 


3-0 


2-445 


345 


84.0 


3-4 


2.856 


335 


28 


75-5 


2.8 


2. 114 


345 


92.5 


3-3 


3-052 


345 


27 


98.0 


3-2 


3-136 


35o 


96-5 


3-5 


3-377 


350 


20 


343 -o 


12.6 


10.863 


1465 


360.5 


14-5 


13-047 


1440 


124 


85.7 


3-15 


2.716 


366.2 


90.1 


3.62 


3.262 


360 


3i 


131. 


3-2 


4.192 


460 


137-5 


3-i 


4.262 


460 


100 


102.0 


3.0 


3 . 060 


45o 


106.0 


3-3 


3-498 


44o 


50 


139.0 


3.1 


4-309 


500 


136.0 


3-8 


5-168 


495 


38 


103.5 


2.5 


2.5S7 


420 


101 .0 


2.8 


2.828 


410 





475-5 


n. 8 


14.148 


1830 


480.5 


13.0 


I5.756 


1805 


188 


118. 9 


2-95 
37-3 


3-537 


457-5 


120. 1 


3 


3-939 


451 


470 


1180.0 


36.643 


5270 


H93-0 


4i-5 


41.098 


5175 


542.0 


93.3 


3-1 


3-«53 


439 


99-4 


3.45 


3-424 


43i 


45-0 
















1 











2% MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA Eí COMMJJRCIO 



Resultado da experiência realizada no Posto Zoot«chnieo Federal em Pinheiro, no período de I de km 

na alimentação das vaccas leiteiras, I 



RAÇA R IIIMERO IMK VACCAS 



' Flamenga, 188. 

Turina, 4 

Turina, ii 

.Flamengrãi 91. . 



Média periódica. 
Média diária 






Turina, 3 

Red-Poll, 292. 

Red-Poll, 181. 

.Schwyz, 276. . 



Média periódica. 
Média diária 



Hollandeza, 28. 
Schwyz, 163. . . , 
Schwyz, 626. . . , 
.Hollandeza, 30. 

Média periódica 



Média diária. 



Média geral periódica. 



I o liililOIH» 

I a 20 de Agosto 



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2° PKRIOIO 
21 de Acosto a !> de SetembJ 



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Diminuição ou augmento 
geral diário 



116 

63 
46 



100 

50 

38 

2 



64.50 
1 26 . 00 

96. 5P 

146.50 

108.40 

5-42 

94.00 

85.00 

122.00 

97.00 

99-5o 

4-97 

95.00 
100.00 
132.00 
1 26 . 80 

112.90 

5-645 
106.90 



2.386 

4.158 
3.860 
4.248 

3-663 

0.183 

3.196 

2.465 
2.928 
3.104 

2.923 

o. 116 

2.790 

2.800 
4.620 
3-423 

3- 
0.170 

3-331 



i 15.000 

(-10.000 

0.000 

0.000 

-f 6 250 

+ 0.3-2 

0.000 

0.000 

+ 5.000 
+ 8.000 



6S.00 
106.00 

96.00 
120.50 

97.60 

4.88 

80.50 
84.50 
93.00 
90.00 



-f- 3.250! 87.00 

+■ 0.162! 4 . 35 

0.000! 93.50 

-J-13.000I 83.50 

I 

4- 4.000J 112.50 

4- 10. 000 



+ 6.750 
+ 0.338 
+ 5-417 

-+■ 0.270 



108.00 
99.40 

4-97 
94.67 



61.668 
116.500 
93-334 

I34-833 

101.584 

5-079 

9I-834 
84. 668 

112. 198 
96-983 

96.421 
4.821 

107.820 
102.000 
133-332 
109.600 

115-140 

5-757 
104.381 



+■ 6.332 


2.516 


—10.500 


2.650 


+ 2.666 


4.032 


-14-333 


3-976 


- 3.984 


3-293 


- 0.199 


0. 114 


-H-334 


2.978 


- 0.168 


2-535 



— 19.198 

- 6.983 

- 9.421 

- 0.471 

-14.320 
—18.500 
—20.832 

- 1.600 

-15-740 

- 0.787 

- 9. 711 

- 0.485 



2.325 

2.700 

2.634 

o. 131 

3.085 

2-505 
3.600 
2.700 

2.972 

0.148 
2.966 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



2 ( >7 



OIEtO IKT. 2 

19 de Outubro de 11)13, com 12 raeeai 
mis effeitos sobre a secreção láctea 



eiras, para estudar o vai 



dos fenos de jaraguá e gordura 









8? PERÍODO 






4 o PERÍODO 






10 de Setembro a 29 <le Setembro 




30 de Setembro a lí)<l< 


Outubro 


•5 


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- 0.120 

- 0.173 
0.008 

0.406 
0.060 
0.644 
0-495 

0.401 



0.195 
0.527 
1.202 
0.525 

0.610 
o . 030 
0.396 



+25.000 

-j- 30. 000 

10.000 

+ 10.000 

+ 18.750 



59.000 

93 . 000 

92.000 

117.000 

90.250 



0-937 4-512 



+25.000 
f- 10.000 
+35.000 
+32.000 

1-25-500 

+ 1-275 

+25.000 
+27.000 
+ 19.000 
+20.000 

1-22.750 

+ 1-137 
+22.333 

+ i.ixô 



R. V. 38 



88. 000 
81.500 
75.500 
98 . 000 

85-750 
4.287 

I3T.000 
I 02 . 000 

139.000 
103.500 

118.875 

5-911 
98.291 



58.836 
107.000 

90.168 
123.116 

91-792 
4.740 

89.668 

84-336 

102.396 

96 . 66g 

93.267 

4.663 

122.640 
104 .000 
134.664 
118.200 

II7.530 

5.876 

ior.863 



■ 0.164 
■14.000 

- 1.832 

- 6.166 

■ 4-542 

- 0.22S 

— 1.66S 

— 2.836 
-26.896 
+ 1-332 

— 7-517 

— 0.375 

+ 8.360 

— 2. coo 

+ 4.336 

— 14.700 

-I- r.345 

+ 0.067 

— 3.572 
—0.1786 



1.888 
2.805 

3.3I3 
3-627 

2.90S 

0.T45 

3.168 

2-445 
2. 114 

3.I36 
2.716 
0.154 

4-192 
3.060 

4-309 
2.587 

3-537 
0.176 

3-054 



2.102 
3.661 

3-374 
3-944 

3.270 



— 0.214 

— 0.856 

— 0.061 

— 0.317 

— 0.362 



0.163! — o.oifc 



3-573 
2.725 



— 0.405 

— 0.280 
3.010! — 0.896 
3.2S61— 0.150 



3- M7 

0.157 

3-77i 
3-265 

4.9S5 
3.027 

4 ■ 293 
0.214 
3-570 



— 0.431 



— 0.421 

— 0.205 

— 0.676 

— 0.440 

— 0.756 

— 0.038 

— 0.516 

— 0.0258 



+25.000 
+25.000 

+ 10.000 
+ 15.000 

+ 18.750 
+ 0-937 



+ 2.500 
+ 0.125 

— 5.000 



+ 7. coo 

+ 10.000 

+ 3.000 

+ 0.150 
-I- 8.0S3 

+ 0.404 



56 . 000 

97.500 

87.000 
III. 500 



4.400 

87.500 

84.000 

92.500 
96.500 

90 . I 25 

4.506 

137.500 
106.000 
136.000 
101.000 

120.100 

6.050 
99.408 



1.960 

3.412 
3.132 
3.731 

3-°74 
0.153 

3.762 
2.856 
3-052 
3-377 

3.262 
0.163 

4.262 

3.498 
5.168 
2.828 

3-939 
0.197 

3.427 



15.000 
20.000 

10. oco 

I I . 250 

0.562 

15.000 
ro.coo 



6.250 
0.312 



— IO.OGO 

— 5. OCO 

— 10.000 

— 6.250 

— 0.312 

— 7.916 

— 0.395 



298 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 



QUADRO IIXT. 3 

Resumo dos resultados da experiência consignados no quadro n. 2 



LOTES 



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1.1 



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i° período. 

2 o período. 

3 o período. 

s4° período. 

i° período. 

2° período. 

3 o período. 

. 4 o período- 

i° período. 

2 o período. 

3 o período. 

.4° período. 

i° período. 
2 o período. 
3 o período. 
.4° período. 



108.400 
97.600 
90.250 
88.000 

99.500 
87.000 
85.750 
89.125 

112.900 

99 . 400 

118.875 

120.100 

109.900 
94.670 
98.291 
99 . 408 



101.584 
94.792 



96.421 
93.267 



115. 140 
II7-530 



104.381 
101.863 



3-S 

4-542 



9.421 
7-517 



—15-740 

+ 1-345 



- 9-7" 

- 3-572 



3-663 

3-293 
2.908 

3 -074 

2.923 

2.634 
2.716 
3.262 

3.408 
2.972 
3-537 
3-939 

3-331 
2.966 

3-054 

3-427 



3-466 
3-270 



3-036 
3-147 



3.585 
4-293 



3-362 
3-57o 



0.173 
0.362 



0.401 
0.431 



0.613 

0.756 



0.396 
0.516 



456.250 
475.000 

493-750 
482.500 

335-000 
338.250 
363-750 
366.250 

425 . 000 
431-750 
454.500 
457-500 

403.333 
408.750 
431-083 
439.166 



456.250 
475.000 

493-750 
482.500 

338.250 

363-750 
366.250 
360 . 000 

431-750 
454.500 
457.500 
451.250 

408.750 
431-083 
439-166 
431.250 



+ 6.250 
+18.750 
+18.750 
—11.250 

+ 3-250 
+25.500 
+ 2.500 
+ 6.750 

+ 6.750 
+22.750 
+ 3-000 
— 6.250 

+ 5-417 
+22.333 
+ 8.083 
7.916 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



299 



Usada na experiência com as vaccas leiteiras durante o período de 1 a 20 de Agosto 
e de 30 de Setembro a 10 de Outubro de 1013 





















se A . 


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49 

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Matérias 
kydro-carboiíad 
M. H. C. 


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Normas segundo o Professor Mallevre 
para vaccas de 420 kilos, peso vivo e 
uma produeção diária de leite até 10 
litros 110 máximo 



10.500 



0.840 



5-334 



Farelo de trigo 

Fubá grosso 

Farello de algodão. 

Feno de alfafa 

Feno de gordura . . . 

Canna picada 

Capim angola 

SOMMA 



2 ks. 

2 » 
I » 
I » 

3 » 
5 » 

10 » 



24 » 



I 


728 


I 


756 





S91 





• 3^3 


2 


502 


O 


•705 


2 


■327 


IO 


•755 



0.104 
0.180 

O. IOO 

o. 141 

0.025 

0.230 
0.992 



0.04S 
0.03S 
0.059 

O. OIO 

0.031 

O. OIO 

0.040 



0.236 



0.88S 

I.IIO 

0.177 
0.335 

1-350 
0.415 
1-050 
5-325 



6.67S 



1.216 

I-3I3 
0.499 

0-459 
1-569 
0.465 
1.380 



6.901 



1:7,0 



i:5,9 



Preço da ração 875 réis. 

Relação nutritiva 1:5,9 

Peso da ração 24 kilos . 

Matéria secca 10 . 755 

Agua contida nas forragens 13 . 245 = 55 , % 



300 MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMKRCIO 



Usada na experiência com as vaccas leiteiras durante o período de 21 de Agosto 

a 9 de Setembro de 1913 



FORR.UJKKN 



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3 N 



Normas segundo o Professor Mallevre 
para vaccas de 420 kilos, peso vivo e 
unia producção diária de leite até 10 
litros 110 máximo 



10.500 



0.840 



5-334 



6.67S 



1.7,0 



Farelo de trigo 

Fubá grosso. 

Farelo de algodão. 
Feno de alfafa. 
Feno de jaraguá. . . 

Canna picada 

Capim angola 

SOMMA 



2 kS. 



I » 

I » 

3 » 

5 » 

10 n 



24 » 



1.728 
i-756 
0.894 
0.843 
2.430 
0.705 
2.327 



10.683 



0.212 
0.104 
0.1S0 
o. 100 
0.124 
0.025 
0.230 



0-975 



0.038 
0.059 

O. OIO 

0.01b 

O. OIO 

0.040 



0.223 



0.888 

I.IIO 

0.177 

0-335 
1 .264 
0.415 
1.050 



5-239 



1.218 

I-3I3 

0.499 

0-459 
1.434 
0.465 
1.380 
6.766 



i:5,9 



Preço da ração ' 875 réis 

Relação nutritiva 1:5,9 

Peso da ração 24 kilos 

Matéria secca 10.683 

Agna contida nas forragens 13.317 —55, 5 % 



CASA HUBER 



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I o , mata todo o carrapato; 2 Q , não prejudica o animal; 3 o , produz 
uma immunisação temporária, isto é, com um certo numero de banhos 
(para o Brasil calculamos de 4 a 6 no anuo) obtem-se o ideal de ter o 
gado sempre limpo de carrapato, e provavelmente também do berne. 

SARNOL TRILHE FLUIDO 

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Sarnol Triple para matar, como aquelle, o carrapato, 

além do piolho e a sarna dos bovinos 

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Fornecem os adubos necessários para 
qualquer cultura e attendem a toda e qual- 
quer consulta verbal ou por escripto sobre 
o modo como devem ser applicados os 
adubos chimicos nas diversas culturas. 

Propõem-se visitar gratuitamente as 
propriedades agrícolas para ensinar pra- 
ticamente a adubação chimica racional. 

Distribuem livros, folhetos e brochu- 
ras sobre a adubação chimica a quem os 
solicitar. 



12 — li 
13 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 



301 



Usada na experiência com vaccas leiteiras durante o período de 10 a 29 de Setembro de 1913 



FORRAGENS 



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X 



Normas segundo o professor Mallevre 
para vaecas de 435 kilos, peso vivo e 
unia produeção diária de leite até 10 
litros no máximo ... 



12.615 



0.870 



0.217 5-524 



6.916 



1:7.0 



Farelo de trigo 

Fubá grosso 

Farelo de algodão. 

Feno de alfafa 

Feno de gordura. . 

Canna picada 

Capim angola 

Milho forrageiro.. 
Somma 



2 ks. 



2 u 



1 » 

3 » 

5 1 

IO » 

10 » 

34 » 



1.728 
1-756 
0.894 

0.843 
2.502 
0.705 
2.327 
1.720 
12.475 



0.212 
0.104 
0.1S0 
o. 100 
o. 141 
0.025 
0.230 
0.070 
1.062 



0.038 
0.059 

O. OIO 

0.031 

O. OIO 

0.040 

0.020 
0.256 



0.888 

I.IIO 

0.177 
0.335 

1-350 
0.415 
1.050 
0.820 
6.145 



1.216 

I-3I3 
0.499 

o.459 
1.569 
0.465 
1.380 
0.940 
7.841 



1:6.3 



Preço da ração 925 réis 

Relação nutritiva 1:6.3 

Peso da ração 34 kilos 

Matéria secca 12.475 

Agua contida nas forragens 21 ks. 525 = 63,3 % 



302 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

ESTUDO DO MINIMUM DE ALBOMINOIDES NECESSÁRIOS 
PARA AS DIFFERENTES ESPECULAÇÕES ANIMAES 

(Dos annacs do Congresso Internacional de Agricultura de Gand, 

cm 1913 

(Vide n. 4, Agosto de 1914) 

Do conjuncto das experiências cujos resultados acabamos de 
fornecer, esta questão nos parece achar uma solução muito próxima 
da verdade no que se concerne aos bovideos no período de crescimento. 

Nesta época da vida, as necessidades da nlateria azotada são de 
duas espécies : 

i° — As exigências das permutas orgânicas, que reclamam cada 
dia uma certa quantidade de azoto; 

2 - — O augmento do corpo, que fixa perto de 180 grammas de 
matéria azotada por um kilogramma ganho. 

Quando a mjarcha do crescimento é feita em boas condições, 
pôde assegurar-se que a alimentação fornece ás permutas orgânicas, 
todo o azoto de que ella tem necessidade. 

As quantidads de azoto encontradas na urina nos esclarecem 
sobre a importância dessas permutas. 

Pelo exposto no quadro vê-se que durante um periodo de 231 dias, 
os indivíduos marcados N. O. e Q. ganharam, em média, 877 grammas 
por dia, o que é bastante satisfactorio. Durante esse tempo, o azoto 
urinari'o equivalia para cada um delles, respectivamente, a 57 
grammas 8, 61 grammas 5 e 61 grammas de proteína, por 100 kilos 
de seu peso. 

As duas experiências T e U, foram feitas sobre animaes de edade 
mais avançada ; em detrimento de 707 grammas, o azoto urinário 
correspondia somente a 56 grammas 2 e 55 grammas 2 de proteína 
por 100 kilos. 

As precauções, que tomamos para toda a perda possível de azoto, 
foram amplamente sufficiéntes, visto que as amostras foram conser- 
vadas por mais de um anno ao abrigo de qualquer alteração. 



RKVISTA DIÍ VETERINÁRIA B> ZOOTfíCHNlA 303 

Si fosse este o único exemplo, teríamos hesitado em assignalar 
os algarismos da experiência M, feita em i'gQ2, no lim das nossas 
pesquizas e onde as permutas orgânicas se limitaram a 42 grammas 
6 de albumina, com um ganho de 1.026 grammas por dia. 

A experiência T, de 1909, coniprehende um periodo de 63 dias, 
na qual o augmento diário elevou-se a 936 gramtmas ainda que as 
permutas não absorvessemi senão 33 gramlmas 1 de albumina, por 
100 kilos. 

Em outra experiência, feita em 1912, vimos que essas permutas 
não consumiam senão 37 grammas 2 de proteína, ganhando o animal 
889 grairmias por dia. 

Dessas experiências, parece-nos resultar que, introduzindo nas 
rações 60 grammas de proteina digestivel, por 100 kilos do corpo, 
em vista das necessidades de suas permutas orgânicas, ter-se-hia exce- 
dido da importância dessas necessidades. 

Addiccionando-se 180 gramjmas de proteina digestivel, temos 
fornecido os elementos de um crescimento de 1.000 grammas, o que 
é raramente attingido. 



Para poder estabelecer agora as rações nas quaes a proteina 
digestivel se acha em proporção conveniente, torna-se necessário 
conhecer a importância das necessidades alimentícias e a proporção 
na qual a proteina bruta é digerida. 

Sobre o primeiro ponto, as normas de Kellner não nos apresentam 
um guia exacto, pelo menos durante o periodo de crescimento. Elle 
guiou-se comparando os seus algarismos com os nossos resultados 
experimentaes. 



El 


.EMENTOS NUTRE! 


TVOS DIGESTIVE 


JS 


Peso dos animaes 


necessários segundo Kellener 


consumido nas 
nossas experienciass 


Crescimento. 


150 kgs. 


2 kgs. 154 o/° 


1 kg. 545 /° 


874 grs 


250 » 


1 » 797 /° 


1 » 363 o/ <? 


861 » 


350 » 


1. n 623 /° 


1 » 120 /° 


769 » 



Estabelecidos estes factos, fácil se torna calcular as relações 
nutritivas que convém aos animaes em crescimento, tomando como 
objectivo um ganho diário de um kilogramma. 



304 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMBÍRCIO 

A importância de sua ração não teve outra regra senão o seu 
appetite, visto que cada um consumiu feno á sua vontade. Nenhum 
mostrou-se capaz de absorver rações muito copiosas, como as que 
foram prescriptas por Kellner. 

Essas averiguações nos autorizam, estamios certos, a levar em 
conta os nossos próprios resultados, como os mais próximos da 
verdade. 

No que se refere á digestibilidade do azoto e comquanto não 
tivéssemos recorrido senão a cerca de 20 alimentos durante os 1.446 
dias em que estabelecemos o balanço nutritivo, não pomos duvida em 
assignalar, em cada um desses alimentos., um coefíiciente fixo de diges- 
tibilidade azotada. 

Ao que nos parece, a digestão azotada depende menos da natureza 
dos alimentos que das necessidades do organismo, necessidades essas 
que variam conforme as diversas condições de vida. 

Segundo os nossos balanços, constatamos que os animaes em 
experiência digeriram o azoto dos seus alimjentos, nas seguintes 
proporções : 

Peso dos animaes Proporção digerida sep^do^Kett 

50 a 100 kilogrammas 76.79 °|° 96.84 °|° 

101 a 150 



151 a 200 

201 a 250 

251 a 300 

400 



66.59 °|° 83.51 °|° 

50.55 °|° 76.83 °|° 

48.54 °|° 72.18 °|° 

43.93 o|o ;2<35 0|0 

34.87 °l° 66.08 °l° 



A diminuição no poder de digerir o azoto, que se accentúa com 
a edade, explica-se por si própria. Quanto mais joven é o animal e 
maior a sua força de crescimento, é elle obrigado a extrahir uma 
quantidade de azoto mais importante de uma somíma de nutrição 
bem inferior a que elle absorverá em seguida. A natureza não o 
deixou desarmado em face desta necessidade. Ella lhe deu, então 
uma aptidão especial para digerir o azoto, que não mantém mais, 
desde que esta deixe de lhe ser indispensável. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



305 



Todos os nossos animiaes de experiência realizaram ganhos 
superiores a esses, em vista dos quaes as normas de Kellner foram 
estabelecidas. 









Peso dos animaes 


175 KGS. 


225 KGS. 


275 KGS. 


400 KGS. 


Superfície 


3 Mts.01 


3 Mts. 58 


4 Mts. 09 


5 Mts. 25 










ZPZRUsTCIIFIOS 






Azotado 


Não 
azotado 


Azotado 


Não 
azotado 


Azotado 


Não 
azotado 


Azotado 


Não 
azotado 


Materiaes do crescimento grs . . . 


180 


190 

875 

1.400 


180 

135 


190 
1.125 

1.655 


180 
165 


190 
1-375 

1.880 


180 
240 


190 
2 . 000 


Manutenção a razão de 60^ grs. 
de proteína por 100 kilos e 
sobretudo em elementos não 


105 


2.385 






Digestibilidade da proteína %• • . 


285 
5o.55 


2.465 


3i5 

48.54 


2.970 

785 


345 
43-93 


3-445 
1.205 


420 
34-87 


4-575 


Quantidade de proteína bruta 


564 


649 














1 a A -■ ?7 


1 a a ■*& 


I Q_ A.XQ 


1 a 1-80 





















Estabelecemos o augmjento diário de um kilogramma, para o 
animal de 400 kilos como para o de 175; ora, é natural que, com 
a edade, as necessidades do azoto diminuam. O nosso ultimo exemplo 
devia comportar mais que o necessário. 

De um modo geral e depois da desmama, uma ração, que com- 
prehende um de proteína bruta contra quatro de extractos não 
azotados, assegura completamente as necessidades do azoto no fim 
do crescimento. 



Todos nós somos levados a crer que as necessidades do renova- 
mento dos tecidos do corpo não são proporcionalmente mais elevados 
na edade adulta dó que na juventude e que não é preciso senão 



k. v- 39 



306 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMRRCIO 

pequena quantidade de azoto ; todavia, os nossos estudos ainda não 
se estenderam aos adultos. 

Dahi se concilie que é perigoso emittir-se hypotheses para tomar 
a responsabilidade de uma conclusão qualquer referentes aos animaes 
adultos. 

A producção do leite absorve muito azoto ; não ha duvida que 
a ração da vacca leiteira deve ser bastante nutritiva. Sobre este ponto, 
a questão de individualidade prima sobre todas as outras. A theoria 
não dará senão indicações vagas; a experiência, ao contrario, deve 
decidir soberanamente. 

A vacca, sendo copiosamente nutrida, produz muito leite ? A addi- 
ção, aos seus alimentos, de um kilogramma de tortas super-azotadas, 
taes como as de amendoim ou as de algodão da America, permittirá 
levar-se em conta quasi immediatamente si o animal é máo leiteiro, 
e então a situação fica sem remédio ; si o animal deixa de produzir 
leite, não é consequência de uma nutrição insufficientemente provida 
de azoto. ' 

A difTerença entre a producção dos dias precedentes e a quantidade 
de leite que se recolherá uma semana, depois de ter-se começado o 
emprego das tortas, distinguirá, dentre as outras, os animaes que 
reclamam uma nutrição mais azotada. Quando essa differença fôr 
grande, será conveniente considerar a dose de tortas em dois kilo- 
grammas e medir o leite uma segunda vez no fim de uma semana, 
pelo que poder-se-ha ver si umi novo augmento da producção paga 
sufhcientemente a despesa. 

O período de lactação se prolonga tão diferentemente de um 
animal a outro, que somente a observação poderá indicar ao criador 
o momento em que o emprego das tortas deixará de ser benéfico e, 
consequentemente, deverá ser extincto. 

Verifica-se que a excepção das vaccas leiteiras, depois da primeira 
edade, as necessidades das matérias azotadas não são importantes. 

Resta examinar si uma ração rica em azoto se mostra mais 
vantajosa que uma outra em que a quantidade de azoto é menor. 

Revendo-se o quadro e as 14 experiências F a S, que compre- 
hendem um conjuncto de 934 dias, vemos que, nos oito casos em que 






REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 307 



o augmento passou de 800 grammas (898 em niédia), o azoto rejeitado 
na urina não correspondia senão a 23 grammas 85 por 100 kilos do 
peso do corpo, ainda que as seis outras, onde o augmento foi reduzido 
a 656 grammas, a proporção de azoto urinário elevou-se a 33 gram- 
mas 64. 

Segundo esses resultados, vê-se pois, claramente, que não ha 
nenhum interesse em prodigalisar o azoto. ; 



(Continua.) 



André Gouin 
P. Andouard 



308 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E> COMMKRClO 



VISITA AO HARAS PAULISTA 



Uma galopada ao sairmos das ultimas casas da cidade leva-nos 
a um planalto de onde a vista abrange em todas as direcções um 
horizonte de seis a sete léguas. 

Oriento-me. 

Atrás de nós, isto c, ao oeste, a linda cidade de Pindamonhangaba, 
dividida em duas partes: a parte alta, no planalto onde corre a linha 
da Estrada de Ferro de S. Paulo, e a parte construída em amphr- 
theatro na declividade que vai chegar ao valle do rio Parahyba. 

Deante de nós, montanhas de uma altitude chegando a mil e mil 
e quinhentos metros. E', ao sul e sudoeste, a Serra do Mar, ao nordeste 
a Serra da Mantiqueira. O Parahyba corre aos pés desta. 

Lembra o conjunto da paizagem certos cantos das regiões 
f rancezas do Jura. Para me fazer achar a semelhança mais empolgante, 
a viração que me toca no rosto está, neste quente dia de verão, fresca 
e viva, tal como o ar da montanha, factor de saúde, estimulante de 
energia. A sensação é deliciosa. 

Com o ar e o sol, o logar contem um terceiro elemento de vida, 
a agua. Reparo logo sua presença em abundância: ribeirões que 
serpeiam nas baixadas, nascentes que brotam em vários pontos. 

Eis ahí a reunião de excellentes condições climatéricas e de vida, 
e pode-se dizer que foi isto o primeiro mérito do fundador e director 
do Piaras Paulista, o Sr. Conde R. de Grenaud, o ter sabido escolher, 
de modo tão feliz este local. Mas devia a minha visita, conforme o 
esperava, reservar-me muitos outros assumptos de admiração. 

Antes de começar a descripção da obra, resumirei o seu valor, 
dizendo que, perfeitamente concebida, assentada sobre bases certas e 
solidas, foi.ella notavelmente bem executada. 

Temi-se a impressão immediata disso mal transpondo a porta 
da entrada. Revela-se o reino do asseio, da ordem, e da disciplina, 
por miil indícios : excellente conservação dos prédios, das estradas, 
e apresentação incensuravel do pessoal encontrado. 

A convite do meu hospede, encaminho-me em primeiro logar 
para os aposentos reaes, quero dizer,, para o palácio dos garanhões, 
reis deste domínio, a "clé de voute" do edifício. 



* 

* * 



REVISTA T>n VETERINÁRIA K ZOOTEJCHNIA 309 

Tendo o Estado de S. Paulo tomado, em Julho de 1911, a 
importante decisão, que sempre lhe será e cada anrio mais um titulo 
gloria, de crear o Haras Paulista, escolheu o Conde Ri. de Grenaud 
para a realisação desta obra, em virtude de suas eminentes qualidades 
de homem entendido em cousas hitppicas, comprovadas na sua antiga 
profissão de ofificial da cavallaria franceza. Elle então traçou e fez 
adoptar o seu plano para produzir e criar o cavallo de guerra, pura- 
mente nacional. 

. Lembro-o em duas palavras. A égua indígena, bem escolhida, é 
a base, o primeiro factor ; o outro factor é o garanhão de raça 
importado. 

São estes garanhões, até esta data, em numero de seis no Haras 
Paulista : um puro sangue árabe, dote anglo-arabes, um anglo-bretão, 
um Norfolk-bretão e um bretão de Corlay. 

Sendo reconhecido que o cavallo brasileiro, actual descendente 
dos cavallos trazidos á America do Sul pelos seus descobridores e 
primeiros exploradores, vai para quatro séculos, tem uma estirpe árabe, 
seu cruzamento com o árabe e o anglo-arabe é evidentemente o 
processo bem indicado para conseguir o rejuvenescimento do sangue 
que corre nas suas veias e encaminhal-o para o typo a fixar, o qual 
não deve e não pôde ser senão o anglo-arabe brasileiro. 

Pergunto ao meu amigo de Grenaud para que esses bretões. 

"Hei de produzir, responde-me elle, o cavallo de guerra. Ora, 
tem este dois destinos: o serviço de cavallaria e o de artilharia. 
E' para este que julgo o garanhão bretão apto a dar resultados imme- 
diatos. E' interessante demonstral-o. Neste caso, as éguas, que devem 
ser cobertas pelo bretão, fazem o objecto de uma escolha muito 
delicada; o numero, aliás,* não pôde ser senão muito reduzido por 
emquanto. Accrescentarei que é apenas um ensaio, de modo algum 
podendo infirmar o principio, fora de discussão, de que é o sangue 
árabe o primeiro a infundir aqui." 

Passo a examinar os garanhões. Todos reúnem as qualidades 
essenciaes de bons reproduetores, fundadores de famílias e de raças : 
proporções harmoniosas, linhas regulares, membros sólidos, aprumo 
bem estabelecido. 

Cada um delles chama depois a attenção pelas suas qualidades 
próprias. Meus olhos, habituados mais ao typo de cavallo da cavallaria 
ligeira, pairam com maior prazer deante de Va Vite, anglo-arabe 
50°|°, por Prisme e Va Longtemps. Illustre origem: Prisme é um 
dos reproduetores mais celebres e mate perfeitos de formas 110 sul 
da França. Seu filho é encantador, com um peito e aprumos deanteiros 
admiráveis. 



310 MINISTKRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMBRCIO 

O outro anglo-arabe, Itaxassou, por Fils de l'Air e Saida, é 
antes notável na linha do dorso, a eernelha e a garupa. 

O garanhão árabe, Abdul-Hamid, por Bagdalim, ex-Bagdad, e 
Miline, é admiravelmente atávico, com. a bella cabeça expressiva, 
característica de sua raça, proporções harmoniosas, que fazem não se 
dê pela exiguidade relativa de sua altura, im/,48. 

Inca, o Norfolk-bretão e Imbróglio, o trotador bretão de Corlay,- 
são bonitos modelos da espécie, mas o anglo-bretão Guezebet retém 
mais minha attençao pelo "brilhante" extraordinário que possua. 
Foi 1 vencedor de corridas de steeple-chase. 

Faz incontestavelmente este pequeno lote cie cavallos, que se 
vai tornar, por uma parte, origem da grande família cavallar brasileira, 
o mais legitimo elogio a quem o escolheu. Por isso, vê-se que tal 
m|issão não pôde ser confiada senão ao homem experimentado e 
conhecedor do cavallo desde a infância, desde sempre, quasi de 
instincto. A sciencia assimilada pelo estudo theorico, como a golpe de 
martello, nunca fará adquirir a exactidão de vista dada pela natureza. 

A casa dos garanhões é digna delles. E' deveras, e isto se 
comprehende, o prédio mais luxuoso do Haras. Não se mani ! festa, 
todavia, este luxo por decorações e adornamentos. Achamos só o 
confortável, bem entendido, conforme as regras de hygiene : altura 
de 12 metros, bôa largura, que permitte a bôa circulação do ar, boxes 
espaçosos, em numero de 20, com agua corrente. Pôde esta cavalla- 
riça ser considerada como modelo no género. 

Ao pé, uma construcção muito simples de forma circular, género 
paiol, é empregada ao mesmo tempo como picadeiro, onde se faz 
trabalho á guia comprida, e como logar para montada. A notar o 
engenhoso dispositivo em corredor destinado á montada das éguas 
recalcitrantes. 

A cavallariça dos garanhões occupa a parte mais alta do planalto. 
Estamos muito bem collocados para tomar uma idéa de conjunto 
da propriedade. 

Vários prédios apresentam-se á minha visita : um armazém de 
ferragens, a casa de morada do sub-direotor do Haras, a do chefe 
das cavallariças, o Sr. Travaux, antigo ferrador premiado na escola 
de cavallaria franceza de Saumur, e que pertenceu ao serviço do Haras 
de Madagáscar; a enfermaria dos cavallos; a cavallariça das éguas. 
Voltarei a esta. 

Apresenta o terreno um aspecto suavemente ondulado, com 
duas ou três depressões um pouco mais accentuadas. E', em geral, 
descoberto e alguns arvoredos e um pequeno bosque fazem variada 
a paizagem. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 3 1 1 

Têm alli as éguas e filhos á sua disposição um magnifico domínio 
de cerca de 350 hectares. Viejo-os brincando, reunidos em grupos 
ou isolados, formando na relva verde figuras moventes. 

Que encanto neste espectáculo para a alma do verdadeiro 
apaixonado pelo cavallo. Basta-me, para percebel-o^ o olhar de (Jre- 
naud. Elle vive' intimamente com seus educandos. Todos os movi- 
mentos e posições delles contêm uma significação para elle. Escusado 
é dizer que conhece os nomes de todos os pais, a idade e todas as 
particularidades da existência. 

Chegamos até os grupos, que foram aggregados de propósito 
em um cercado, afim de me tornar fácil o exame. 

Tenho então o prazer de bem comprehender o mio do porque a 
obra encetada foi realizada até este) momento le os resultados a 
esperar para o futuro. Estou em presença do segundo elemento de 
base, as éguas indígenas e dos primeiros produetos resultantes do 
cruzamento com os garanhões importados. 

• : * 

* * 

Foi no Estado de S. Paulo somente que o Conde R. de Grenaud 
procurou e achou estas éguas, que sobem ao numero de 84. 

A primeira impressão, ao vel-as, é de extrema surpresa. 
Pergunta-se a si mesmo como pôde ser arranjado um tão considerável 
lote de animaes desse feitio. As amostras por mim encontradas, até 
então, de cavallos aborígenes, muito longe me deixaram de prever 
semelhante qualidade. 

Apresenta, pois, o cavallo indígena, habitualmente encontrado, 
aprumos e um dorso defeituoso, rins mal ligados ; além de que possue 
altura muito dim-inutá. 

Apezar disso, deve ser a forma, a matriz de onde ha de sair a 
raça cavallar brasileira. Por que ? 

Porque, tal como é, apresenta qualidades de rusticidade e de 
resistência que o fazem sem rival para as grandes jornadas na roça, 
mesmo sob um grande peso, porque este ser definhado conserva em 
um canto do organismo uma parcielDinha da herança deixada pelos 
antepassados; porque, embora empobrecido pelos padecimentos e 
condições de bem estar insuficientes, o sangue que lhe corre nas 
vjeias é o da mais nobre raça cavallar do orbe, a raça árabe. O cavallo 
typo brasileiro deve sair do cavallo indígena actual; será apenas, 
falando verdade, uma transformação deste. 



312 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMERCIO 

Minha admiração, ao examinar o lote de éguas paulistas do 
liaras, veio de constatar quanto attenuados estavam os defeitos acima 
assinalados. Deixam ver todas de um modo mais ou menos sensível, 
as qualidades capitães exigidas da égua die cria : bom dorso e garupa, 
aprumos regulares, largura da bacia sufficientc. A altura é também 
razoável, de uma média de 1111,46. 

Na descoberta e na escolha de tal lote manifestaram-se de maneira 
absolutamente excepcional a competência e o golpe de vista do 
Conde R. de Grenaud. E', para os criadores particulares, a occasião 
de virem, procurar no Haras Paulista um ensino que lhes ha de ser 
muito aproveitável. Representam estas éguas, mais ou menos, o 
modelo que devem ter empenho em seleccionar. Reparem por isso, 
que o criador não deve deixar-se enganar por qualidades de brilhante 
muitas vezes fictícias, mas sim procurar as qualidaes solidas, 
primórdiaes de estructura. 

Não apparece a scienci'a hippica do director do Haras Paulista 
de modo menos ruidoso, quando se trata da apropriação de uns com 
os outros dos elementos reproductores de que dispunha. Ainda aqui, 
a tarefa era delicada. Apanhar os pontos de semelhança na estructura, 
as correntes de harmonia no conjuncto do organismo, que designam 
mais especialmente uma égua para a monta de tal garanhão, acha-se 
ao alcance só de quem conhece a fundo sua profissão de criador e, 
já o disse, menos por tel-a estudado em tratados de zootechnia do que 
por possuil-a em Virtude de uma disposição particular dada pela 
natureza á feição de instincto. 

Traduz-se essa excellencia da escolha que tem determinado os 
cruzamentos pelos productos que tenho deante dos olhos. São perfeita- 
mente conformados, accusando geralmente bem a raça do pai. 
Os filhos de Guezebet e Va Vite, particularmente, se reconhecem 
facilmente. 

Mostra-mie de Grenaud um poldro de oito a nove mezes pelo 
qual lhe foi feita uma proposta de compra pela importância de 
8oo$ooo. O Haras Paulista dará d'e pressa, sendo assim e embora 
não sejam aquelles que delle se esperam logo, resultados materiaes 
interessantes. 

O numero dos productos nascidos no Haras é, até esta data, 
de 67. Neste numero 25 procedem de éguas alheias ao estabelecimento 
e 42 de éguas pertencentes a elle, e 25 têm mai's de um anno de idade. 
O numero de éguas montadas tinha sido de 65 e o nascimento 46; 
morreram quatro poldros. Isso dá, na somma para os productos 
vivos, uma porcentagem de 74,19 °|°. 



REVISTA DK VKTICRINAR1A K ZOOTRCHNIA 313 

O regimen a que estão submettidas as éguas e seus produetos é 
mixto, o de pabíilaçao e estãbulãçao. Permitte isto evitar as intem- 
péries das estações, ao mesmo tempo que gozam das vantagens da 
criação em plena liberdade de ar e de vida, que lhes oííerece a área 
considerável dos pastos. 

No que se refere a qualidade destes, não é uniforme. O fim 
almejado é um melhoramento geral pela plantação do capim Jaraguá, 
superior, segundo a opinião de Grenaud, a qualquer herva para 
alimentação do cavallo. Elle fornece um feno perfumado, que este 
come avidamente e representa, verde ou secco, um alimento essencial- 
mente reconstituinte. 

A grama de Pernambuco constitue também uma excellente 
forragem, e parte do terreno é reservada á sua plantação. 

A respeito do capim gordura, tão apreciado para a criação da 
raça bovina e que compõe, por emquanto, a maior parte das pastagens 
do Haras Paulista, não é para ser regeitado, mas sua principal 
propriedade é nutrir os tecidos adiposos e, portanto, torna-se, 
sobretudo, útil quando se trata de augmentar o peso dos animaes de 
engorda. "Não é exetamente o ca?o, quando se fala da criação do ca- 
vallo, ao qual é preciso, antes de tudo, dar ossos, músculos e vigor. 

A's éguas está attribuido um supplemento de alimentação de 
três ki'los de milho por dia. 

Falei em regimen mixto. As éguas e filhos não ficam durante 
a noite nos pastos. Recolhem-se a uma vasta cavallariça, cuja 
construcção estava para ser acabada na época de minha visita e a 
respeito da qual não deixei de tecer os mais vivos encómios ao meu 
ami'go de Grenaud. 

Soube alliar o confortável á simplicidade, até á rusticidade, e, 
quando me foi dado conhecer a pequenez dos recursos de que dispunha 
para executar o plano, não lhe escondi minha admiração pelo seu 
espirito pratico. Sei outrosim, que alta approvação official lhe foi 
dada a respeito disso. 

Está disposta a cavallariça das reproduetoras em forma quadrada, 
comprehendendo boxes de cinco metros sobre quatro. Bonita, 
espaçosa, limpa e arejada. 

Cada animal habitua-se a se recolher á sua casa, onde o espera 
a ração de milho. Alli, sobretudo, familiariza-se o poldro com a 
presença do homem e assim é o principio da domesticidade e do 
adestramento. De facto, apparecem-me todos os poldros pouco bravios 
e dóceis. 



*** 



R- V. 4° 



314 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA E COMM^RCIO 

Ao liaras, propriamente dito, está ligada unia secção agrícola. 

E' seu complemento obrigatório' devendo o Haras retirar delia 
todos os seus recursos alimentícios. Julguem, por isso, qual sua 
importância no ponto de vista económico. Pôde mesmo acontecer 
que o estabelecimento agrícola se torne ponto de rendas para a 
empresa. 

C) solo da propriedade, cuja superfície regula por cerca de 1.700 
hectares, é de qualidade geralmente medíocre, silico-argillosa, e 
mesmo em certos pontos, francamente argillo-silicoso, pouco rico em 
phosphatos. 

E', diremos, um solo regular. Sua pouca accidentação torna-o 
muito accessivel ás machinas agrícolas. 

O chefe da secção agrícola, o Sr. Eduardo Maldonado, espirito 
culto, tão entendido agricultor, quão amável cavalheiro, já conseguio 
aproveitar essa terra de uma forma muito interessante. A lavoura 
de milho, alfafa, arroz, canna de assucar, está tomando uma extensão 
cada anno mais considerável, nos logares mais convenientes a 
cada uma. 

A mais importante, pela qualidade do consumo, a do milho, já 
occupa este anno uma área de 74 hectares. Previra largamente a 
colheita ás necessidades, que não (importam iem menos de 9.000 
litros por m*z, Este grão, sabe-se, está sendo usado aqui em 
substituição á aveia, a qual não pode ser considerada inferior sob 
o ponto de vista das qualidades nutritivas f@ reconstituintes. 

O arroz é cultivado, ainda em uma pequena escala, nas partes 
baixas, pequenos valles bem irrigados. Constituiria também um 
substituto da aveia, assim como isto se pratica no Extremo Oriente, 
onde, não descascado, toma o nomie de paddy. Todavia, excessiva- 
mente rico em princípios nutritivos, torna-se, por isso mesmo, muito 
quente e excitante e não convém dal-os aos poldros senão misturado 
com o milho, sendo este em maior quantidade. 

Merece a alfafa uma menção especial, como alimento. Sua 
riqueza excepcional em proteína fal-a indispensável ao crescimento 
dos novos poldros. O ensaio de quatro hectares desta cultura, que 
eu vi, promette bons resultados. 

A canna de assucar conviem, sobretudo, aos animaes de serviço, 
especialmente aos muares, como fortificante e estimulante de energia! 
Não permittiriam as excellentes condições atmosphe-ricas que 
salientei a cultura da aveia ? 

O Conde R. de Grenaud está estudando a questão. Seria para 
desejar que a producção na propriedade satisfizesse por si só as suas 
necessidades. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 3 1 5 

Falando verdade, seria a aveia, que é necessária á alimentação 
dos garanhões, o un'ico produeto a faltar, pois todos os outros, 
como acabamos de ver, alli se acham. 

A reforma dos pastos de quie já falei, plantação de capim 
Jaraguá, capim gordura e grama de Pernambuco, também faz parte, 
lembro-o apenas da obra considerável, já executada pelo Sr. Ivluardo 
Maldonado. 

; ! I 

Chego ao fim de minha visita. Foi de certo, muito rápida e 
escaparam-me muitos detalhes interessantes ; mas, foi bastante para 
dar uma idéa nítida do modo como a obra foi posta em execução 
do seu alcance e dos resulados que delia se podem esperar. 

Não são estes, diga-se logo, dos immediatos. 

Não obstante o exemplo que citei de um poldro que foi objecto 
de uma proposta de compra por um preço avultado, não deve ser 
o Haras Paulista julgado como empreza financeira. 

Por força, em consequência da valorização dos produetos que 
dará e ensinará a criar, elle constituirá um principio de riqueza para 
o Estado ao qual cabe a gloria de iniciativa de sua fundação. Mas, 
o fim próprio de sua criação, de ordem muito mais alta, que é dotar 
o Brazil de uma raça cavallar nacional, fixar por conseguinte, defini- 
tivamente, o typo desta raça, só será attingido depois díe alguns annos. 

Comprehendem que em matéria de criação, certo praso é neces- 
sário para julgar-se o valor do systema adoptado. Offerecem os 
produetos nascidos dos primeiros cruzamentos, apenas, interesse 
relativo; os da segunda, terceira e seguintes gerações, deixam 
apparecer a estabilidade das qualidades novas, introduzidas pela 
infusão do sangue estrangeiro. 

Eis a suecessão das etapes que levarão aqui á creação da raça 
cavallar nacional : 

I o — A' égua indígena se dará o garanhão de puro sangue árabe. 
Resultado : rejuvenescimento da raça, que é a mesma. 

2° — Aos produetos desses cruzamentos, apresentando si ! gnaes de 
regencrescencia, se dará o garanhão anglo-arabe. Resultado : fixação 
das qualidades adquiridas. 

3 o — O puro sangue inglez, afinal, virá a partir da 3 a geração, 
trazer sua contribuição, representada por mais volume, mais remate 
e também mais brilhante. 

Segundo este methodo, diga-se, não se corre o risco de máo êxito. 
Já foi feita a experiência com resultados concludentes. Elle é exacta- 



316 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

mente o seguido em França, onde, nas regiões do sul Landes, 
INrineus, Tarbes, Camargue, sie havia encontrado uma raça de 
cavallos apresentando certa analogia como a encontrada actualmente 
no Brasil; 

Ora, no praso de menos de mieio século, creou-se lá a raça 
essencialmente franceza do anglo-arabe, chamada por Gayot o puro 
sangue francez, cujo elogio já nao é preciso fazer e de que basta 
dizer que em toda a parte, na Allemanha, Áustria, Itália, Grieda, 
nos Estados Unidos, se procura creal-a. 

Crearemos, portanto, o anglo-arabe-brasiileiro, o Puro Sangue 
Brasileiro, e, assim, como já tive ensejo de dizer, e como me apraz 
repetir, não se vê razão alguma porque este não valha o anglo-arabe 
francez. 

O Haras Paulista terá traçado a via a seguir-se para este 
resultado. Nisso estará a sua maior honra. E' o principal papel quie 
tem a desempenhar, por emquanto. Deve servir como modelo para 
tudo o que diz respeito á criação do cavallo. Não hesitem os criadores 
em ir procurar alli o ensino e a experiência de que, muitas vezes, 
carecem. 

Uma consideração que nao é despida de importância e que merece 
ser posta em destaque é o da escassez dos recursos de que dispoz o 
Conde R. de Grenaud. Nunca passou seu orçamento annual de 150 
contos de réis; foi reduzido 110 presente anno a 130. 

Foi, realmlente, mister, para chegar aos resultados que estamos 
admirando, que elle juntasse á sua innegavel competência profissional 
de criador uma sciencia pratica e administrativa consumada. 

Aos que nutrem pela "mais bella conquista do homem" esta 
paixão, que nunca se apaga, aconselharei uma visita ao Haras Paulista. 
Aconselharei especialmente áquelles que se interessam pela orientação 
do cavallo no Brasil e têm tomado a peito seu futuro. 

Retirarão delia informações e dados extremamente preciosos e 
a todos se proporcionará um prazer de rara essência, realçado pelo 
encanto do acolhimento que lhes será feito pelo Conde R. de Grenaud. 
A todos se patenteará também o subido valor do monumento que 
este vem erigindo á properidade e á gloria da Pátria Brasileira. 

Rio de Janeiro, 20 de julho de 1914. 

Conde A. Vcrin d'Ainvelle. 



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A ESCOLHA DO GADO LEITEIRO 

Um fazendeiro caprichoso deve ter grande euidado na eseullia das 
suas vaccas para apurar um gado de qualidade leiteira, pois tanto 
custa o sustento de uma vacca de má qualidade como o de uma bôa, 
dando esta, porém, um resultado que compensa o trabalho e a despeza 
com o trato que se lhe der. 

O primeiro cuidado deve ser em; relação ao clima e as parti- 
cularidades do terreno da fazenda, para então escolher-se a raça de 
gado que esteia apropriada a taes condições). Assim, se o terreno fôr 
montanhoso, convém um gado rústico, como o Schwiz, Simental, 
Escossez e outros, gado robusto, de pouco peso e acostumado ás 
montanhas; entretanto se o terreno fôr de ! planície, convém um gado 
acostumado as vargens, comb Hollandez, Jersey, Devon, Shorthorn 
e outros. /li ' 

A questão do clima é importante ; pois sendo o nosso muito va- 
riado, não é conveniente trazer-se uma vacca de zona fria para uma 
zona quente, ou vice- versa. Uma vacca que faz esta mudança de clima 
levará muito temrpo a se acostumar comi as novas condições, fica 
magra, em geral, e diminue muito a sua producção de leite. 

Resolvido quaes as raças de gado que se adaptam melhor ás 
particularidades de sua fazenda, o criador deve procurar entre estas 
raças qual a mais apropriada á sua industria. 

Tendo em vista a exportação do leite, convém um gado que o 
produza em quantidade; o gado Hollandez, por exemplo, que já está 
muito introduzido no nosso paiz, devido as suas propriedades leiteiras, 
preenche bem esse fimi, ou o gado Shorthorn, que também produz 
muito leite. 

Mas, se o leite deve ser empregado na industria de lacticínios, 
a sua qualidade é de muito mais importância que a quantidade, pois 
um litro de leite de uma vacca Jersey ou Guernsey pôde conter mais 
manteiga que um litro e meio ou até dois litros de uma vacca Hol- 
landeza ou Ayreshire. 

O leite muito rico em gordura não convém ao exportador, pois 
este viajado, chega muitas vezes ao mercado alterado; convém, pois, 
ao fabricante de manteiga ou de queijo, escolher uma raça de gado 
que produza leite rico em gordura, e ao mesmo tempo abundante. 

Nestes últimos annos a raça Jersey tem sido muito aperfeiçoada 
nos Estados Unidos da America do Norte, e existem agora vaccas 
dessa raça que dão leite em grande quantidade, e bastante rico em 
gordura. As raças .Schwiz e Simental da Suissa dão leite de muito 



3 1 8 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

bôa qualidade e abundante. A raça Shorthorn, muito apreciada na 
Inglaterra, produz também bastante leite de bôa qualidade, tendo 
ainda a vantagem de ser um gado pesado, servindo assina não só 
para a producção de leite como também para o corte. O leite das 
vaccas da raça Devon é também muito rico, com elle é que se fabrica 
o afamado "Creme de Devonshire". 

Determinadas as raças de gado para sua fazenda, terá o criador 
de seleccionar as vaccas dessas raças, trabalho esse de grarídç cuidado, 
tendo em vista as muitas particularidades individuaes, que têm as 
vaccas de uma mesma raça. 

O comprador de uma vacca deve em primeiro logar collocar-se 
ao lado das ancas do animal. Nesta posição elle deve observar o ubere 
e ver se este é alongado para frente, bem desenvolvido, tanto em 
altura como em largura, e também se tem uma saliência bem pronun- 
ciada além dos quartos trazeiros ; em segundo logar deve observar 
as tetas, que devem ser bem desenvolvidas e bastante separadas umas 
das outras ; em terceiro logar, collocando-se então atraz do animal, 
observará a parte posterior deste, que a partir do encovador até a 
extremidade do ubere deve ser coberta de pello que seja em sentido 
opposto ao pello que cobre o resto do animal, formando um lasango, 
ou escudo ; quanto mais alto e mais largo for este, melhor será a 
qualidade da vacca leiteira : os quartos trazeiros devem ser bem sepa- 
rados na parte superior, a espinha dorsal deve ser direita, não curva, 
e a veia do leite deve ser bastante desenvolvida e visível ; as ancas 
devem ser bem largas, devendo o corpo do animal ter mais largura 
nos membros posteriores do que na frente. 

O gado sendo escolhido e comprado, compete ao criador estudar 
as qualidades das suas vaccas individualmente. 

Para este fim é necessário ter umja balança pequena própria para 
pesar leite. O tirador de leite, depois da ordenha, despe ja-o na balança, 
e toma nota do seu peso antes de mistural-o com outros leites. 

Em vez de balança, póde-se usar um balde graduado, próprio 
para medir leite, que dará o resultado em litros em vez de kilos, 
porém é muito preferível e mais exacta a balança. 

O peso do leite de cada vacca deve ser escripturado em um livro, 
traçado, conforme o modelo annexo. 

Esse modelo indica a quantidade de leite que dá cada vacca por 
dia, ou se a vacca é ordenhada duas vezes por dia, a quantidade que 
ella dá de cada vez. No finai da semana a folha é apurada, extrahindo 
do total a média do leite que a vacca produz por dia. Na columna das 
observações póde-se assentar quando a vacca deixou de dar leite, 
quando esteve com o touro, e outras notas de interesse. 






RftVTSTA DK VfCTWKlNARlA K ZOOTITOHNTA 3P* 



Por este meio o criador pôde verificar a quantidade de leite 
produzido por cada vacca no anno, e o temlpo que dura o seu período 
de lactação. 

No caso de ser o leite érrílprègàdo na fabricação de manteiga, é 
necessário examiinal-o para ver a sua qualidade. 

Este exame de leite é feito com facilidade e rapidez com um 
apparelho chamado o butyromletro". O mais simples é o butyrometro 
do dr. Gerber. 

A maneira de proceder é a seguinte: O butyrometro é um tubo 
de vidro, mais largo num .terço do seu comlprimento e bem estreito 
nos outros dois terços, tendo na parte estreita graduações de o a 90, 
e tendo uma entrada na parte larga ; neste butyrometro collocam-se 
dez centímetros cúbicos do leite, tendo-se cuidado de mistural-o bem. 
Isto é feito com uma pipeta de 11 centímetros cúbicos, pois calcula-se 
que um centímetro cubico de leite fica collado nas paredes da pipeta. 

Ajunta-se então ao leite no butyrometro dez centímetros cúbicos 
de acido sulphurico, que deve ter uma densidade de 1.820, e em 
seguida umi centímetro' cubico de álcool amylico, com uma densidade 
de 0.815; o apparelho traz as pipetas necessárias para fazer estas 
medidas. Fecha-se depois o butyrometro com uma rolha de borracha, 
e agita-se bem o liquido até que toda a caseína fique desmanchada e o 
liquido tome uma côr uniforme. A acção chimica desenvolve bastante 
calor. 

Colloca-se depois o butyrometro no centrifugador com os outros 
butyrometros que estão sendo usados, pondo-os com as rolhas do lado 
de fora ; toca-se a machina durante três ou quatro minutos ; reti- 
ram-se, depois os butyromietros, segurando-se-os com a rolha para 
baixo, e aperta-se a rolha até que a superfície do liquido toque na 
marca "O" nas graduações no vidro, podendo então verificar exacta- 
mente até que ponto chega a camada de gordura, e lê-se na escala 
graduada; este gráo indica a percentagem, de gordura que contém 
o leite. x 

Caso a gordura não se separe bem do liquido, será necessário 
collocar o butyrometro de novo no centrifugador e tocar durante 
mais um ou dois minutos. 

Se o numero de ensaios fôr grande, será necessário pôr os buty- 
rometros em banho-Maria a uma temíperatura de 7o°C, antes de 
collocal-os no centrifugador, para evitar o resfriamento do liquido. 

Este exame do leite é míuito simples e muito exacto, e o tempo 
que oceupa é insignificante. 



^20 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

Para obter um resultado exacto é necessário misturar bem todo 
o. leite tirado de uma vacca, pois o primeiro leite tirado é muito 
fraco, sendo o ultimo leite m,uito rico em gordura. 

Antigamente fazia-se uso do crêmometro no exame do leite, 
liste apparelho consiste em um simíples tubo de vidro graduado, onde 
o liquido é depositado durante 24 horas para deixar subir a nata. 
C) resultado obtido é a percentagem de nata de leite, porém não muito 
exacto, e este resultado não tem grande valor, visto que a percen 
tagem de nata não tem relação nenhuma com a percentagem de 
gordura. O crêmometro, portanto, é muito pouco exacto, e hoje não 
é muito usado. > j 

O fazendeiro por estes meios conhece a vacca que lhe está dando 
mais lucro, e a vacca que não convém conservar. E assim pôde tratar 
de sellecionar o seu gado, vendendo toda vacca que pelo, exame veri- 
ficar, não preencher as condições necessárias para a prosperidade do 
ramo de industria que tiver escolhido. 

William Fredenck Cheston. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECttNlA 



32 



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322 MINISTÉRIO DA AGRICUI/TURA, INDUSTRIA K COMMERCXO 



CHOLERA DAS GALLINHAS I 

Até bem pouco tempo, era crença geral que as epizootias reinantes, 
que difficultavam a creação de aves no Rio de Janeiro, eram a diphtería 
aviaria, a peste aviaria e a espiroquetose, sendo esta ultima esplanada 
pelo Dr. Parreiras Horta, em artigo publicado em um' dos números 
desta revista, em 19 12. 

Hoje já se pôde dizer, com segurança, que também o cholera das 
gallinhas vae se alastrando por toda a parte e vae sendo responsável 
pela grande mortandade de aves, aqui. 

Assim podemos affirmar porque tivemos a felicidade de isolar 
o gérmen, em uma gallinha, morta de pouco tempo, pertencente ao 
Dr. Bernardo Teixeira de Carvalho, collega e companheiro de repar- 
tição. 

Na mesma época em que procedíamos tal verificação, em nossa 
casa, á rua das Laranjeiras, começaram a morrer algumas gallinhas, 
vindas da rua Gonzaga Bastos e nas quaes foram verificados o mesmo 
gérmen. 

Temíos tido noticias de outros gallinheiros, que estão sendo dizi- 
mados, onde não foram encontrados os argas, factores indispensáveis 
para explicar uma invasão de espiroquetose. 

Parece, assim, que a terrível epizootia vae com tendências a 
espalhar-se, precisando uma medida efBcaz, afim de difhcultar a sua 
marcha nociva. 

O cholera das gallinhas, il cólera dei polli, cholera des poules, 
pasteurellose des poules, pasteurellosis aviam, Geflvigelcholera, Geflii- 
geltyphoid, Huhner cholera, Chickencholera, Fozvelcholera, é uma mo- 
léstia conhecida desde mjuito temipo e existe em quasi todos os paizes 
da Europa, na America do Norte, principalirnente na Califórnia, e no 
Sul da Africa e no Chile, etc, e que se caracteriza por febre alta, 
grande sede, profusa diarrhéa, grande mortalidade, que é frequente- 
mente rápida. 

Em 1877 e 1878 Perroncito, na Itália, e Semmier, na Rússia, estu- 
dando a infecção, verificaram a presença de um gérmen tendo a forma 
arrendondada. 

Shortly e Toussaint (1879) da "Toulouse Veterinary School" 
confirmaram essas observações e demonstraram que o tal gérmen era 
o único causador da moléstia. 

Em 1880, Pasteur estudou a moléstia e isolou em culturas puras 
o mesmo microorganismo e foi nas pesquizas experimentais sobre essa 






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J. Pinto. Photomicrographo 

Baclllo do cholera das gallinhas. 
Sangue do coração das aves victlmadas por essa moléstia. 



REVISTA DK VETERINÁRIA E ZOOTIÇCHNIA 323 

infecção que levou esse sábio á descoberta fundamental para a theoría 
da immunidadè, da attenuação dos vinis e das vaccinaçoes microi- 
bianas. 

As formas clinicas da moléstia podem-se dividir em: sUper-aguda, 
aguda e eh ro nica. 

Na forma super-aguda o animal, sem o menor vestígio de molés- 
tia, fica de repente agitado e em seguida cáé em convulsões, para 
morrer dentro de poucas horas. 

N*a forma aguda, que é a mais commum, a moléstia dura dè um 
a três dias, o animal fica triste, recusa toda a alimentação e apresenta 
desde logo uma diarrhéa profusa que se prolonga até os últimos mo- 
mentos. A diarrhéa é muito fétida, tem colorido verde-amarellado, 
muitas vezes com traços de sangue. 

Do bico e nariz do animal sae em quantidade um liquido espesso. 

A crista em geral tem a cor arroxeada. 

A forma chronica é mais rara, durando, ás vezes, algumas sema- 
nas. O animal tem diarrhéa. Frequentemiente no curso da moléstia, 
apparece um òu mais tumores articulares, dolorosos, que ás vezes 
expontaneamente se abrem, dando sahida a ura material caseoso, puru- 
lento e riquíssimo em germens. 

O gérmen causador da moléstia é denominado bacitlus clioíerãê 
gallinarum, bacitlus avicida, pasíeurella aviam; pertence ao grupo 
dos das septicemias hemorrhgicas, cujos agentes são bactérias ovaes, 
immoveis, vacuolisadas, com coloração bipolar, que não dão esporos, 
nem fluidificam, a gelatina. 

A este grupo pertencem, nos animaes, o cholera das gallinhas, 
a septicemia dos coelhos de Manguinhos, estudada pelo Dr. Parreiras 
Horta em sua these inaugural, a septicemia hemorrágica dos bovinos 
(broncho pneumonia infecciosa de Nocard), a pleuro pneumonia séptica 
dos bezerros (entequé), o Barbone do Búfalo (Pasteurellose bufa- 
lorum), a septicemia dos suinos (produzida pelo bacillus suisepticus 
de Kruse), a pneumoenterite do carneiro, (certas formas de lombriz 
dos Argentinos,) a pneumonia contagiosa da cabra, a septicemia 
hemorrágica dos gansos, de S. Paulo, estudada pelo Dr. Eduardo 
Marques, etc. 

O gérmen é um pequeno bastonete ovóide ; nas culturas sobre 
gclose os diâmetros longitudinaes e transversaes, quasi que se 
equivalem, tendo o gérmen a apparencia de um cocus. 

O bacillo colorc-se pelas cores da anilina, não toma o Grani. 
Os pólos acceitam melhor a matéria corante que a parte central, o que 



324 MINISTÉRIO DA AGRlCtTl/TURA, INDUSTRIA £ COMM^RCIO 

se observa muito bem, principalmente nos bacillos isolados do corpo 
do animal. 

Nas culturas em caldo os germens são maiores e se dispõem 
em cadeias. 

E' um bacillo immiovel, sem cilios, porém com movimentos 
moleculares, demais accentuados. Não dá esporos. 

Cultiva-se facilmente em todos os meios : 

Gelatina — As culturas dão pequenas colónias, delicadas, transpa- 
rentes primeiramente e depois opacas e não liquefazem o meio. 

Gelose — As colónias são brancas, redondas, hyalinas e de pequeno 
crescimento. Nota-se na cultura umja consistência mucilaginosa, havendo 
depois de pouco tempo uma adherencia accentuada ao meio e as colónias 
com difficuldade podem ser desligadas. 

Caldo — Dá uma ligeira turvação, depois de certo tempo f orma-se 
um deposito granuloso e mucoso no fundo do tubo. 

Leite — Não coagula e nemi modifica sua reacção ; ha pouco 
desenvolvimento. 

Batata ■ — O bacillo forma uma camada delicada. 
Não dá indol. 

A toxina do gérmen são endotoxinas inteiramente ligadas ao 
corpo bacillar. O poder toxico que apresentam os caldos filtrados, 
vem das endotoxinas postas em liberdade pela desagregação e pela 
autolyse das bactérias. 

As culturas tidas ao abrigo do ar conservam a virulência por 
muito tempo, mesmo por vários annos, ao passo que se attenua a 
virulência pela exposição ao ar, devido á acção do oxygenio. 

O déseccamento e o aquecimento a 45°-5o° produzem o mesmo 
effeito. 

O sangue do animal morto, doente ou a cultura, mesmo em 
quantidade mínima, mata os animaes receptiveis, em- menos de 24 horas. 

A infecção experimental é facilmente obtida na gallinha, peru, 
pontbo, faisão, ganso, pato e a maior parte dos pequenos animaes. 

Os pássaros não são só os animaes receptiveis, o carneiro, o 
cavallo, o coelho e os bovideos podem ser infectados. Os coelhos têm 
tal receptividade que, nos paizes em que o seu desenvolvimento se 
torna um flagello, a ponto de constituir uma verdadeira praga, tem-se 
ensaiado destruil-os, contaminando-os com culturas virulentas de 
cholera das gallinhas. 

Além da contaminação natural nos gallinheiros, que se effectua 
por meio dos alimentos ingeridos de mistura com fezes dos animaes 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 325 

doentes e pelos ferimentos da pelle e crista, a moléstia pôde ser 
transmittida, fazendo-se ingerir sangue on fragmento de órgãos dos 
animaes mortos da moléstia. 

Na glycerina conserva o gérmen muito bem a sna vitalidade. 
Umla porção de órgãos (Baço) de um animal morto da moléstia, de 
mistura com glycerina, conserva a virulência por mais de 6o dias. 

Felizmente, acha-se assentado que a carne do animal doente não 
produz malefícios accentuados para o homem. 

Os germens, penetrando no organismo ou por meio do apparelho 
digestivo ou por meio de uma solução de continuidade da pelle, se 
espalham com rapidez, matando por septicemia. 

Quando a infecção se dá pelo modo mais natural, pela ingestão, 
o apparecimento da moléstia é um pouco mais demorado, porque os 
germens invadem em primeiro logar os lymlphaticos para depois chegar 
a circulação geral. 

Diede, inoculando o virus subcutaneamiente, verificou que depois 
de uma hora, todos os órgãos internos eram invadidos pelo gérmen. 

O quadro anatomo-pathologico da moléstia não é muito cara- 
cterístico. 

As lesões são sobretudo accentuadas para o lado dos intestinos 
que apresentam signaes de uma enterite aguda: o epethelio acha-se 
por vezes dilacerado, os vasos dilatados e a mucosa com extravasoes 
sanguíneas. Encontram-se exsudato nas cavidades serosas ; o baço e 
fígado estão geralmente augmentados. Ha por vezes no pulmão focos 
de pneumonias. O pericárdio contém ordinariamente um liquido 
ligeiramente turvo. No sangue como em todos os órgãos e exsudatos 
os germens pululam em grande quantidade. 

Nos casos chronicos encontram-se focos caseosos disseminados por 
quasi todos os órgãos. 

Não temos nada, de positivo para com segurança evitarmos a 
propagação do mal ; os cuidados de isolamento do animal doente e de 
desinfecção das dejecções são medidas que logo se impõem. 

Ha a vaccinação com virus attenuados, expondo á acção do ar 
atmospherico uma cultura em caldo, afim de produzir a attenuação 
da virulência que se perderá completamente no fim de dois mezes. 
Empregando culturas de diversos gráos de attenuação, Pasteur obteve 
duas vaccinas que innoculadas com intervallo dariam resultados 
satisfactorios. Faz-se uma primeira injecção de virus attenuados dando 
logar somente a uma inflammiação local e depois de 10 ou 12 dias, 
uma outra com virus exaltados. Este methodo não tem grandes 
vantagens praticas, é um processo demorado e de resultados pouco 
duradouros e demais a propagação da moléstia se faz com tal rapidez 



326 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

que não deixa tempo para proceder-se com aproveitamento. Ainda ha 
um inconveniente de não ser sempre fácil attenuar-se o virus de um 
modo exacto. 

Ligniéres preconisa uma vaccina polyvalente por elle preparada. 
A serotherapia preventiva tem sido numerosas vezes tentada, porém, 
sem resultados animadores. 

A vaccina de Wright poderia também ser empregada como trata- 
mento curativo, porém, é, além de dispendiosa, pouco pratica e só em 
casos especiaes era justificada. 

O processo que naturalmente vem a calhar pela sua simplicidade 
e seu alto valor é o do virus scnsibilisado, que poderá ser empregtido 
tanto como preventivo como curativo. 

O Dr. A. Besresdka, professor do Instituto Pasteur, em seu 
artigo "De la vaccinotherapie par les virus sensibilisés", tornou bem 
justificado o grande enthusiasmo que tal methodo vae despertando 
por toda a parte. 

Dr. Herbster Pereira 

Ajudante da Secção Technica 



RTÍVISTA DTC VKITOINARIA K ZOOTKCHNIA 327 



MAIS UMA OBSERVAÇÃO CLINICA 



Collecções purulentas após a lebre aphtosa 

Temos tido muitas vezes occasião, eu e o Dr. Luiz Ribeiro, de 
observar uni pouco em todo o Estado de S. Paulo, depois das diversas 
epidemias de febre aphtosa nos bovinos, que haviam delia sido victimas, 
frequentes casos de abcessos intra musculares, principalmente 
nas coxas. 

Esses abcessos», de evolução lenta, contendo ás vezes de cinco a 
seis litros de pus, não pareciam incornmodar muito os doentes. 
Ás vezes, sobretudo quando são mui desenvolvidos, provocam uma 
claudicação mais ou menos accentuada, oecasionada unicamente pelo 
estorvo mecânico que trazem ás contracções musculares e ao escor- 
regamento dos diversos planos carnudos entre si nos diversos 
movimentos da locomoção. 

O que o prova é que desde que essas collecções purulentas sejam 
largamente abertas, o membro affectado recupera instantaneamente 
sua liberdade de acção. 

Em geral, esses abcessos se formam entre os m;usiculos no tecido 
conjunctivo que os separa. Ás vezes se estendem muito profundamente 
em logar de se ostentarem para o exterior, porque a resistência do 
tecido conjunctivo intra muscular á necrose é muito mais fraca do quê 
a do derma. 

Algumas vezes o pus, collectado no momento de chegar á pelle, 
encontra uma dessas resistentes aponevroses dos membros e diffunde-se 
em cima e em baixo da camada muscular externa. Isto permitte 
comprehender o volume considerável dos abcessos, sua apparente 
lentidão em evoluir, as desordens muitas vezes consideráveis que 
provocam e a tumefacção enorme do membro atacado. 

Esses abcessos se encontram em outras partes do corpo, porém 
como o dizia eu, elles evoluem na maioria dos casos nos membros 
posteriores. 

Sempre nos pareceu se formarem na profundidade dos tecidos. 
Jamais podemos verificar lesões externas. O pus collectado no interior 
do membro procura abrir passagem atravez dos tecidos menos 
resistentes, dahi essas fusões purulentas profundas, contornando 
músculos e tecidos mais firmes. 



328 MINISTÉRIO DÁ AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

Quando é antiga, volumosa a collecção purulenta, o pús é branco 
amarellado, algumas vezes esverdiado, cremoso, porém liquido e 
sempre de odor infecto, mi generis. Encerra muitas vezes destroços 
de tecidos necrosados. 

Em geral, os anima.es não parecem muito encommsodados, ha 
pouca ou nenhuma febre, o appetite conservado bem como a lactação 
quando se trata de vaccas amamentando. 

Para a saúde do doente o prognostico não apresenta gravidade 
na maioria dos casos, sobretudo si o veterinário intervém logo. 
Todavia tratando-se de animaes destinados ao consumo publico o 
damno é maior. Uma coxa inteira, quando não mesmo todo o animal, 
torna-se muitas vezes inutilisavel. 

Seria digno da attenção dos inspectores de matadouros estes 
casos que,, lhes passando despercebidos, podem vir a se revelarem 
nos açougues, contaminando de pús a carne quando retalhada. 

Pôde mesmo se dar o facto no miatadouro quando, ao tirarem o 
couro, venham a furar um grande abcesso, maduro, perto do derma, 
e um pús bem fétido se derramará pelo corpo do animal abatido, o 
que será, no minimo, cousa bem repugnante. 

O tratamento desta affecção é dos mais simples. Basta abrir 
largamente o abcesso, sem temor de levar profundamente o bisturi 
que é ás vezes justamente de extensão sufficiente para penetrar na 
cavidade purulenta. A applicação de um dreno ou mecha é quasi 
sempre necessário si o abcesso é profundo. Uma vez a bolsa purulenta 
esvasiada, basta nos dias subsequentes fazer-lhe uma ou duas vezes 
por dia injecções de uma solução de permanganato de potássio a 
i °|° i.ooo. Basta velar para que não se feche o debridamento antes 
que a bolsa desappareça com a formação de tecidos de nova formação, 
senão se formaria nova collecção purulenta. 

Qual poderá ser a causa destes abcessos tão frequentes? Serão 
devidos a uma infecção secundaria, ao nivel das lesões aphtosas das 
unhas, progredindo lentamente emi marcha ascendente ao longo dos 
lymphatieos até algum ganglio profundo cuja abscedação dê inicio 
a esses abcessos? 

Deixamos a outros o cuidado de resolver o problema. 

Paulo Maugé 

Veterinário 




Vitella victimada pela febre aphtosa, com um abcesso intra-muscular. 





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3 
3 
3 
3 
3 
3 
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BANHOS 5 

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Tanques carrapaticidas D 



REPRODUCTORES FRAHCEZES 

ADUBOS 
CARRAPATICIDAS 



Pedidos e informações a 



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í Caixa, 425 — S. PAULO jj 



3 
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E. THIERS & C. 



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IMPORTADORES K FABRICANTES 

DE 

CHAPÉOS DE SOL 

•• A L'ARCHE DE Mi •• 

Casa fundada em 1868 



RIO DE JANEIRO: 

Rua Sete de Setembro, 54 

S. PAULO: 

Rua Boa Vista, 11 

PARIS : 

Boulevard du Temple, 11 

6-6 
13 



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WERNECK 



Poderoso e nico desinfectante nacional, premiado com o Grande Premio 
na Exposição Nacional de Hygiene de 1909 

Dentre o grande numero de desinfectantes qne concorreram á Expo- 
sição, apenas dons mereceram o Grande Premio: a Carbolina Werneck e 
a Creolina de Pearson, -producto estrangeiro, o qne qner dizer que íoram 
considerados perfeitamente eguaes , offerecendo a Carbolina Werneck 
maiores vantagens ao consumidor, pois o seu preço é muito inferior. 

Na industria pastoril ella tem prestado os melhores serviços como 
especifico para destruir completamente as bicheiras, bernes, e no trata- 
mento da febre aphtosa os seus effeitos são promptos e satisfactorios. 

Os documentos abaixo transcriptos demonstrainTá evidencia o valor da 
Carbolina, e devemos assignalar mais o facto importante de ser a única 
creolina nacional que tem dado resultados idênticos á Creolina Pearson, no 
tratamento de bicheiras, conforme a opinião franca e sincera de distinctos 
criadores dos mais conhecidos no Brasil. 



PARECERES 

Não tendo tido tempo de fazer eu mesmo a analyse da 1 o /a amostra da Carbolina, 
que me enviou, enearregou-se deste trabalho um illustre cliimico de Berlim, o Sr. Ur. Valer 
Kobelt. 

Como se verifica pelo resultado obtido, o seu producto continua, como as amostr-as 
anteriores, a cujas analyses procedi pessoalmente, a ser de óptima qualidade sendo elle 
mais rico em cresóes do que a maior parte dos productos similares nacionaes e estran- 
geiros que se encontram á venda nesta Capital. 

Com elevada estima e consideração sou de V- S. adm. e amg. obr- — Ur. Daniel 
Henninger, Isente Cathedratico da Escola Polytechnica. 



Nunca encontrei creolina, mesmci a de Pearson, que produzisse tão bons effeitos 
como o seu preparado. A Carbolina destróe rapidamente todos os vermes que apoquentam 
especialmente o gado vaccum. Felicito-o por mais este triumpho sobre os similares 
estrangeiros.— Ur. Pedro Gordilho Paes Leme. 



Illm. Sr. Vicente Werneck.— Tenho a satisfação de communicar-lhe que tenho 
feito uso em- minha fazenda de cultura e criação de diversas qualidades de creolina» 
para desinfectar e matar bicheiras das minhas criações suina, lanígera, cavallar e bovina ; 
nenhuma até hoje deu-me resultados da sua Carbolina, que, além de tudo, é excellente 
para matar bicheiras em poucos minutos, superior á Creolina de Pearson, que considerei 
melhor do que o mercúrio, único medicamento que até pouco tempo empreguei para 
esse fim. Portanto, posso garantir que a Carbolina é muito bom preparado e continuarei a 
preferil-o a qualquer outro conhecido. 

Apparecida, 8 de Julho de 1905.— M. tj. Lemgrxtber. 



Experimentei com o maior interesse a sua Carbolina para matar as bicheiras no 
gado da minha fazenda e tenho hoje a satisfação de communicar-lhe que o resultado 
excedeu á toda a expectativa. 

Posso garantir-lhe que ainda não empreguei melhor producto para o fim de 
extinguir os vermes da vareja e afianço-lhe que a Creolina de Pearson não é melhor 
do que o seu producto. 

Felicitando-o calorosamente pelo resultado obtido com o seu excellente preparado, 
faço votos para a divulgação do seu producto e subscrevo-me com elevada estima e 
consideração. 

Campo Bello, 18 de Junho de 1905.— Seu affeetuoso amigo obrigado— Eduardo 
Cotrtm. 



Tenho toda a satisfação em partieipar-lhe que tenho empregado o seu desinfectante, 
Carbolina Werneck, no tratamento das bicheiras dos animaes e obtido em mais de um caso 
resultado verdadeiramente surprehendente. 

Além do meu testemunho pessoal sei que collegas e visinhos meus também têm 
colhido excellentes resultados com a applicação da Carbolina Werneck. 

Felicito-o pela confecção de um producto que vem prestar relevantíssimo serviço á 
Industria Pastoril pelos seus effeitos e modicidade de preços. 

Cantagallo, Fazenda de S. Joaquim, 29 de Junho de 1905. — José A. Fontainha 
Sobrinho. 

Deposito : PHARMACIA E DROGARIA WERNECK 



EUA DOS OURIVES N. 7 



RIO DE JANKIRO 

6-4 
14 






RKV1STA DF y VIÍTICRINAKIA Jí ZOOTlÇCHNIA 32 f i 



PELAS INSPECTORIAvS 



2 o Districto (Maranhão e Piauhy) 

No mez de Agosto, esta Insipectoria distribuiu a sete criadores 
1.200 doses de vaccina contra a manqueira. 

— Em Julho foi verificado um foco de carbúnculo symptomatico 
em Caxias, Maranhão, onde morreram cinco bezerros ; o criador que 
os perdeu, Sr. Raymundo Boavista, anteriormente havia feito vacci- 
nar um lote de bezerros em que não occorreu nenhum caso> da 
moléstia, em vista disso resolveu agora vaccinar todos os bezerros 
para o que a Inspectoria lhe forneceu 200 doses de vaccina, e forne- 
cendo mais 300 a outros criadores. 

Tem sido feita activa propanganda contra a tuberculose bovina. 

Quer no Maranhão, quer no Piauhy existe enzooticamente a 
tristeza bovina. 

3 o Districto (Ceara' e Rio Grande do Norte) 

A 24 de Agosto, o Inspector do Districto informava á Directoria 
que um veterinário havia feito uma viagem de inspecção através os 
municípios de Morada Nova, Limoeiro, Riacho do Sangue, Jaguaribe- 
Mirim, Icó e Iguatú, onde visitou 34 fazendas, effectuou 1.300 vacci- 
naçoes contra a peste da manqueira ; realisou três conferencias pu- 
blicas em Morada Nova, Icó e Limoeiro. 

Nas regiões percorridas registrou a existência das seguintes epi- 
zootias : dourina nos equídeos, manqueira nos bovinos e estrongylosie, 
em todos os municípios reina a tristeza no estado enzootico. Em Ja- 
guaribe-Mirim e Iguatú relativamente aos annos anteriores o estado 
do gado em geral é bom, as pastagens são regulares e as aguadas 
abundantes. O carrapato cresce em numero extraordinário em todos 
os municípios. O percurso total da viagem foi de 1.344 kilometros, 
dos quaes 394 a cavallo. 

4° Districto (Pernambuco, Parahyba e Alagoas) 

Em Abril, esta Inspectoria distribuiu 190 doses de vaccina contra 
a manqueira, tendo constatado três focos de carbúnculo sympto- 
matico. 

J<. v. 42 



330 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMEJRCIO 

No boletim de Maio accusa a existência de dois focos dessa 
moléstia, contra a qual forneceu 150 doses de vaccina e o pessoal da 
Inspectoria vaccinou sete animaes. 

5 o Districto (Bahia e Sergipe) 

O Inspector Veterinário deste Districto informa á Directoria do 
Serviço de Veterinária que, durante os mezes de Junho e Julho, o 
pessoal da mesma Inspectoria eff ectuou os seguintes trabalhos : 

Tendo recebido denuncia de que na fazenda Matoin, município 
da capital da Bahia, propriedade do Dr. Domingos Cerqueira Lima, 
grassava uma epizootia, seguiram para esse logar um veterinário e 
um auxiliar, com o material indispensável. 

Pela symptomatologia clinica, pelos dados da autopsia e pelo 
exame microscópico foi diagnosticado carbúnculo hematico. Deante 
deste resultado procedeu-se á vaccinação anti-carbunculosa do gado 
das visinhanças desse foco, tendo-se insistido antes na necessidade e 
vantagem da incineração das rezes mortas. Com a applicação destas 
providencias extinguiu-se o mal em seu inicio, pois até 13 de Agosto 
não se produziu mais caso algum. 

Além disso, na sede da Inspectoria foi tratado um vaqueiro da 
referida fazenda, que se infeccionou quando occupado em tirar o 
couro de uma rez carbunculosa. 

Em redor da pústula que apresentava no ante-braço esquerdo, 
foram feitas cauterizações profundas, o que produziu excellente resul- 
tado, ficando o doente inteiramente bom. 

Os serviços da Inspectoria foram também requisitados pelo Ge- 
neral commandante da 7 a região militar afim de, na Intendência da 
Guerra, examinar um cavallo doente. O funccionario designado para 
esse fim encontrou o animal atacado de tétano e já em estado grave; 
não obstante tentou salval-o applicando-lhe injecções de soro anti- 
tetanico mas improficuamente, pois veiu a morrer poucas horas depois. 
Como medida preventiva effectuaram-se na cocheira rigorosa desin- 
fecções e fizeram-se injecções de soro anti-tetanico em três animaes 
rrtais sujeitos á infecção. 

Um veterinário percorreu o município de Feira de Sant'Anna, 
onde representou a Inspectoria numa exposição realizada pelo criador 
Theopompo de Almeida. Em quatro fazendas desse município vacci- 
nou 144 bezerros contra a manqueira; em vista dos numerosos e insis- 
tentes pedidos, distribuiu a diversos criadores 650 doses dessa vaccina. 

Em resumo: foram distribuídas 4.130 doses de vaccina contra 
a manqueira e 1.5 10 contra o carbúnculo hematico interessando 16 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 331 

municípios e 23 criadores; três tubos de soro anti-tetanico á Inten- 
dência da Guerra da 7 a Região Militar; consultas e chamados em está- 
bulos da capital 38 e os veterinários fizeram em objecto de servido 
cinco excursões a diversos municípios. 

Em relatório apresentado ao Inspector Veterinário, o veterinário 
informa que em Março vaccinou na fazenda do Sr. Dr. Adolpho de 
Cerqueira Lima, município de Curaçá, 564 animaes contra o carbún- 
culo syniptomatioo e 2.187 ccwatra o carbúnculo hemíatico. 

7 o Districto (Uberaba) 

No mez de Julho apenas foram constatados alguns poucos casos 
de gourme, polmiÕes e verminoses intestinaes. 

— Em data de 21 de Agosto o Inspector Veterinário informa que, 
na Fazenda Modelo de Criação, de Uberaba, vaccinou dez bezerros 
contra a manqueira e ensinou a um funccionario da mesma fazenda 
a maneira de vaccinar. 

Na propriedade do Sr. Godofredo do* Nascimento, inspeccionou 
36 jumentos recem-chegados da Itália, procedentes da ilha de Pantel- 
leria, sendo 33 machos e três fêmeas, de dois a seis annos, todos de 
côr preta, castanha ou tordilha. São todos muito bem conformados, 
bem desenvolvidos, muito sadios e produzem óptima irrípressão. Com 
esta ultima leva, a criação de asininos ficará consideravelmente melho- 
rada nesta zona. 

— Em Agosto o pessoal da Inspectoria vaccinou dez animaes 
contra a manqueira; foram constatados casos de sarna, gourme, pol- 
moes, vermes em cavallos e diversos parasitas nas aves. 

— No boletim de Setembro está assignalada sensível diminuição 
de focos de manqueira, a existência de um foco de sarna para cujos 
animaes foi indicada a prophylaxia e tratamento e a dyphteria aviaria. 

— Em relatórios a parte O 1 veterinário da Inspectoria informa ter 
attendido e medicado um animal zebú atacado de indigestão e outros 
animaes com moléstias diversas. 

8 o Districto (Santa Catharina) 

No mez de Julho foi assignalado um caso de carbúnculo bacte- 
ridiano mo município de Florianópolis e um de peste da manqueira. 
O pessoal da Inspectoria vaccinou contra este ultimo morbus cinco 
bezerros. 

A febre aphtosa ainda persiste, mas tem decrescido de intensidade 
em alguns focos antigos e desapparecido em outros ; todavia, appa- 



332 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMfíRCIO 

reccram dois focos novos em Urussanga e Blumenau. A epizootia 
eonserva-se de forma benigna, tendo sido aconselhado o isolamento e 
desinfecções. 

A epizootia de raiva grassa nos bovideos, equinos e cães nos 
municípios de Joinville, Blumenau e Itajahy; houve iy casos e uma 
pessoa mordida ; a Inspectoria aconselhou a suppressão de cães soltos, 
mas as autoridades locaes nenhuma providencia têm tomado. 

Foram ainda verificados dois casos de sarna sarcoptica, que é 
endémica em Florianópolis, tendo-se aconselhado lavagens anti-para- 
sitarias e isolamento dos animaes atacados. 

No Estado grassa enzooticamente a tristeza (pyroplasmose bovi- 
na) de que, pela observação clinica e microscópica, foi constatado um 
caso grave em um animal importado da Republica Argentina. Sub- 
mettido á série de injecções intravenosas de azul de Trypan, o animJal 
ficou curado. 

A Inspectoria acudiu ainda a cinco cavallos atacados de gourme, 
cinco de febre typhoide, seis cães de typho, de formas diversas, dois 
cavallos com helminthiases, um cachorro com oxynrus vermicularis ; 
um cavallo com distensão dos tendões, dois com cólicas, um com 
inappetencia, um com arthrite aguda, três com intoxicação por for- 
ragem estragada, um burro com gastro-enterite, um com eczema, uma 
vacca com corpo estranho no tubo digestivo, um cachorro com lipoma 
na coxa, um com tétano, um com dartros húmidos ; gallinhas, dois 
casos de gota, três de cholera e quatro de diphteria. 

— O boletim de Agosto accusa a continuação da febre aphtosa 
em Urussanga, benigna nos animaes adultos e mortífera nos terneiros 
e leitões ; comjo meio prophylatico tem sido empregadas lavagens de 
agua de cal e a desinfecção dos logares. 

Além dos focos de Blumenau e Brusque a raiva surgiu com 
intensidade em Paraty, município de São Francisco ; em Florianópolis 
appareceram dois cães com essa moléstia. As autoridades locaes ne- 
nhuma providencia tomaram». 

A babesiose e a anaplasmose bovina existem enzooticamente em 
todo o Estado, tendo occorrido um caso grave da primeira em um 
animal procedente da Argentina que, submettido ao processo immuni- 
zante pelo azul de Trypan, restabeleceu-se. 

Foram tratados ainda : um cavallo com typho, um de gourme e 
um com helminthiases ; um cachorro com tumor cerebeloso e dois com 
helaminthiases e cinco terneiros também com parasitas intestinaes. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECIINIA 333 

Inspectoria Veterinoria de Campos 

No mez de Julho esta Inspectoria registrou 31 focos de 'carbún- 
culo symptomatico, tendo morrido 32 anirnaes ; o pessoal da [nspecto- 
ria vaccinou 160 cabeças e distribuiu 990 doses de vaccina a 16 
criadores registrados, Foram mortos e enterrados quatro equinos 
pertencentes á prefeitura de Camipos por se acharem atacados de 
môrmo. Occorreram dois casos de polyarthrite em dois muares aos 
quaes se prescreveu o tratamento apropriado. 

— Em Agosto occorreram 26 fóco^s de carbúnculo symptomatico 
e 12 anirnaes mortos ; o pessoal da Inspectoria vaccinou 100 cabeças 
e distribuiu 180 doses de vaccina. 

Verificaram-se mais cinco casos de môrmo 110 municipio de 
Campos., onde grassa em larga escala. Reoem-chegados de S. Paulo e 
importados de Monevidéo cinco bovinos foram atacados de babesiose ; 
três morreram e dois foram submettidos a tratamento pelo sulfato de 
quinino ; outros casos de tristeza constatou o veterinário da Inspectoria 
em Santa Thereza de Valença e Barra do Pirahy. 

— Durante o mez de Setembro registraram-se 19 focos de car- 
búnculo symptomatico ; o pessoal da Inspectoria vaccinou 671 cabeças 
e forneceu 160 doses de vaccina. Foi sacrificado um animal môrmoso 
no valor de 200$ooo e nos gallinaceos tem grassado a enterite infe- 
ctuosa. 

O serviço de polyclinica foi intenso no municipio de Campos e 
bem assim o de inspecção em todo o Estado do Rio. 



334 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMKRCIO 






CONSULTAS E INFORMAÇÕES 



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(A Rcvisla de Veterinária e Zoolechma responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações que lhe 
forem feitos sobre assumptos de sua especialidade ) , 



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ECOS E NOTICIAS 



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Carbúnculo verdadeiro — Ultimamente tem sido notificado a Directoria do 
Serviço de Veterinária grandes focos de carbúnculo verdadeiro em diversas 
fazendas dos Estados do Rio, Minas e S. Paulo, nas zonas marginaes das Estradas 
de Ferro Central e Leopoldina. 

Tomando em consideração essas notificações, a Directoria do Serviço tem 
feito verificar todos esses focos por funecionarios do serviço, que têm procedido 
a muitas vaccinações com completo êxito jara os criadores das zonas infectadas 
e extineção rápida da moléstia. 

E' preciso, porém, que os senhores criadores, considerando a importância 
do caso e a extensão do perigo a que está sujeito o seu gado, communiquem, 
com presteza, á Directoria do Serviço de Veterinária, qualquer caso suspeito 
que venha a apparecer em seus campos, afim de se evitar o desenvolvimento 
de uma epizootia que pôde trazer consideráveis prejuízos aos interessados. 

As vaccinações contra o carbúnculo no mez corrente tem sido consideráveis, 
todas com o melhor resultado possivel. 

Exposição de Bagé — As vendas VI e animaes que figuraram nessa exposição, 
recentemente encerrada, attingiram a um total de mais de cem contos de réis. 

Além de três touros « Duram » e de diversos touros naciouaes, cujos preços 
variaram entre um e quatro contos, foram vendidos pelos criadores António da 
Costa & C, dous touros de raça «Hereford», um por seis e outro por quatro 
contos de réis. 

Feira de Sitio — Durante os mezes de Julho a Setembro foram vendidos 
na feira de gado dessa localidade 6.624 rezes, que importaram em 785:536$000. 

Registro de criadores e lavradores — O governo de Minas vai crear na 
Secretaria da Agricultura do Estado um registro especial de lavradores e criadores 
á feição do já estabelecido pelo Governo Federal no Ministério da Agricultura. 

Aos agricultores e criadores, que inscreverem suas propriedades agricolas 
e pastoris no referido registro, serão concedidos todos os favores consignados 
nas instrucções relativas ao transporte de gado e plantas, gratuitamente, mediante 
simples requerimento dirigido a Directoria de Agricultura. 



REVISTA DE VETFRINARIA E ZOOTECHNIA 335 

Distribuição de vaccinas — Durante o anno passado foram distribuídas 
pela Directoria do Serviço ás inspectorias veterinárias e aos criadores, em 
todo o território da Republica, 514.563 dozes de medicamentos diversos, assim 
discriminados : 

Doses 
Vaccina contra a peste da manqueira 420.395 

» » o carbúnculo bacteridiauo 85. 528 

» » a espirillose das gallinhas 2.180 

Soro anti-tetanico 688 

» anti-estreptococcico 158 

» anti-ophidico 49 

Malleina 452 

Tuberculina diluida, centimetro cubico 5. 113 

— A remessa ás Inspectorias e criadores no primeiro semestre, deste anno, foi : 

Doses ' 

Vaccina contra a peste da manqueira 148.915 

» » o carbúnculo bacteridiano 37.210 

» » a espirillose das gallinhas 1.120 

Soro anti-estreptococcico 173 

» contra a pneumonia dos suinos 1 . 350 

» anti-tetanico 426 

Malleina 633 

Tuberculina 500 

— Além dessa distribuição, attendeu a diversas requisições de veterinários 
feitas por criadores dos Estados do Rio, S. Paulo e Minas. 

Neste Estado, em fins de Setembro ultimo, um funccionario da Directoria 
vaccinou, em sete fazendas do município de S. José de Além Parahyba, 951 
cabeças de gado vaccum contra o carbúnculo hematico, que tendia alastrar-se 
naquelle município. 

Transporte de gado — O Secretario da Agricultura do Estado de Minas acaba 
de fazer publicar as instr ícções, regulando o transporte gratuito, nas estradas 
de ferro, de animaes reproductores. Esse transporte só será concedido para 
reproductores bovinos, cavallares, asininos, ovinos e suinos de boa compleição, 
em perfeito estado de saúde e pertencentes á raças capazes de melhorar o gado 
existente na respectiva zona. 

Nenhum criador, porém, poderá obter transporte, dentro de um anno, para 
mais de dez animaes de cada espécie, sendo condição essencial para o obtenção 
desse favor que os mesmos animaes não procedam de regiões onde reinem 
moléstias contagiosas. 

Para que o criador possa gozar das vantagens concedidas pelas instrucções, 
a que nos virmos referindo, deverá elle fazer o seu, pedido, em requerimento 
devidamente sellado, dirigido ao Director da Agricultura e instruindo-o com os 
seguintes documentos, também sellados, de accõrdo com o regulamento do sello : 



336 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEJRCIO 

a) attostado do collector, relativo ao pagamento do imposto territorial sobre 
a propriedade pastoril a que são destinados os animaes ; 

ò) attestado do presidente da Camará do município onde reside o requerente, 
af firmando que o mesmo dispõe de bons recursos forrageiros e que tem, pelo 
menos, dez reproductores femininos; 

c) attestado do presidente da Camará ou de outra autoridade competente, 
a juizo da Directoria da x\gricultura, do município de onde procedem os animaes, 
declarando a raça dos reproductores, sua edade, compleição e estado de saúde, 
com a declaração de que nos sessenta dias anteriores á compra não grassava na 
região nenhuma moléstia contagiosa. 

Segundo as mesmas instrucções a Directoria da Agricultura, quando entender 
conveniente, poderá exigir dos criadores, que gozarem dos favores concedidos 
pelo governo, informações relativas aos resultados obtidos dos reproductores 
animaes, perdendo o direito a novas concessões dos alludidos favores o criador 
que deixar de attender ás exigências feitas naquelle sentido. 

Ficam dispensados de apresentar os documentos mencionados nas lettras 
A e B, acima referidas, os criadores que já unia vez os tenha apresentado a 
Directoria de Agricultura. 




MÉDIO IfflLLM CONTRA OS CARRAPATOS 



Officialmente approvado pelo Governo dos E. U. da America 

Machinas e instrumentos agrícolas, Separadores de leite e outros 
apparelhos para lacticínios 

BROIIIBERG, HAEKER 1 1 



Rio de Janeiro, S. Paulo, Bello Horizonte, Santos e Bahia 



6-6 

13 



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Anno IV 



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PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 

DO 

leraoo È YÊriíria IIíMÉrio ÈAracsita.íaliMa 8 Cnercío 



SUMMARIO 



PARTE OFFICIAL; 

Registro de lavradores e Criadores. 
Vaccinas e outros niedicamentos 



COLLABORAÇAO: 

0r. Paulo de F. Paineiras Horta. A cara inchada ou osteoporose dos 

equídeos 339 

Dr. Octávio Duponi Uma experiência de aclimação de 

gado europeu, no Paraná 344 





Dr. Lourenço Granato , A industria dos lacticínios 349 

Dr. Domingos Yanzelloti Inspecção veterinária 361 

PELAS REVISTAS : 

Recenseamento dos animaes na Hungria 369 

A inspecção da carne e o cinema tographo 37 2 

CONSULTAS E INFORMAÇÕES 373 

ECOS E NOTICIAS : 

Despacho honroso — ■ Fraudes no commercio da manteiga •— Estatís- 
tica pecuária — Carbúnculo bacteridiano — Matança de gado 373 




RIO DE JANEIRO 
TypoKrnphla do Ministério da Agricultura. Industria tf Commercio 



CARBOLINA WERNECK 

Poderoso e único desinfectante nacional, jreniiato com o GraMe Premio 
na Exposição Nacional fte Hygiene te 1909 

13 entre o grande numero de desinfectantes que concorreram á Expo- 
sição, apenas deus mereceram o Grande Premio: a Carbolina Werneck e 
a Creolina de Pearson, producto estrangeiro, o que quer dizer que foram 
considerados perfeitamente eguaes, offerecendo a Carbolina Werneck 
maiores vantagens ao consumidor, pois o seu preço é muito inferior. 

Na industria pastoril ella tem prestado os melhores serviços como 
especifico para destruir completamente as bicheiras, bernes, e no trata- 
mento da febre aphtosa os seus eff eitos são promptos e satisfactorios. 

Os documentos abaixo transcriptos demonstram á evidencia o valor da 
Carbolina, e devemos assignalar mais o facto importante de ser a única 
creolina nacional que tem dado resultados idênticos á Creolina Pearson, no 
tratamento de bicheiras, conforme a opinião franca e sincera de distinctos 
criadores dos mais conhecidos no Brasil. 



Não tendo tido tempo de fazer eu mesmo a analyse da nova amostra da Carbolina, 
que me enviou, encarregou-se deste trabalho um illustre chimico de Berlim, o Sr. Dr. Valer 
Kobelt. 

Como se verifica pelo resultado obtido, o seu producto continua, como as amostras 
anteriores, a cujas analyses procedi pessoalmente, a ser de óptima qualidade sendo elle 
mais rico em cresóes do que a maior parte dos productos similares nacionaes e estran- 
geiros que se encontram á venda nesta Capital. 

Com elevada estima e consideração sou de V. S." adm. e amg. obr. — Dr. Daniel 
Henninger, I<ente Cathedratico da Kscola Polytechnica. 



Nunca encontrei creolina, mesmo a de Pearson, que produzisse tão bons eff eitos 
como o seu preparado. A Carbolina destróe rapidamente todos os vermes que apoquentam 
especialmente o gado vaccum . Felicito-o por mais este triumpho sobre os similares 
estrangeiros.— Dr. Pedro Gordilho Paes I,eme. 



Illm- Sr. Vicente Werneck.— Tenho a satisfação de communicar-lhe que tenho 
feito uso em minha fazenda de cultura e criação de diversas qualidades de creolina, 
para desinfectar e matar bicheiras das minhas criações suina, lanigera, cavallar e bovina ; 
nenhuma até hoje deu-me resultados da sua Carbolina, que, além de tudo, é excellente 
para matar bicheiras em poucos minutos, superior á Creolina de Pearson, que considerei 
melhor do que o mercúrio, único medicamento que até pouco tempo empreguei para 
esse fim- Portanto, posso garantir que a Carbolina é muito bom preparado e continuarei a 
preferil-o a qualquer outro conhecido. 

Apparecida, 8 de Julho de i9°5-— M. u. I,emgruber. 

experimentei com o maior interesse a sua Carbolina para matar as bicheiras no 
gado da minha fazenda e tenho hoje a satisfação de communicar-lhe que o resultado 
excedeu á toda a expectativa. \ 

Posso garantir-lhe que ainda não| empreguei melhor producto para o fim de 
extinguir os vermes da vareja e afianço-lhe que a Creolina de Pearson não é melhor 
do que o seu producto. ; / 

Felicitando-o calorosamente pelo resultado obtido com o seu excellente preparado, 
faço votos para a divulgação do seu/producto e subscrevo-me com elevada estima e 
consideração. I 

Campo Bello, 18 de Junho de/i9°5-— Seu affectuoso amigo obrigado— Eduardo 
Cotrim. / 



Tenho toda a satisfação em participar-lhe que tenho empregado o seu desinfectante, 
Carbolina Werneck, no tratamento das bicheiras dos animaes e obtido em mais de um caso 
resultado verdadeiramente surprehendente • 

Além do meu testemunho pessoal sei que collegas e visinhos meus também têm 
colhido excellentes resultados com a applicação da Carbolina Werneck. 

Felicito-o pela confecção de um producto que vem prestar relevantíssimo serviço á 
Industria Pastoril pelos seus eff eitos e modicidade de preços. 

Cantagallo, Fazenda de S. Joaquim, 29 de Junho de i9°5-— José A. Fontainha 
Sobrinho. 

Deposito : PHARMACIA E DROGARIA WERNECK 

RUA DOS OURIVES N. 7 = RIO DE JANEIRO 

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REVISTA 



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PUBLICAÇÃO OFFIOIAL 



DO 



Serviço âe Yeterinaria [lo Ministério iaÁiricutoJiMria e Comercio 



IDEZIEIMIIBIR/O - 1914 



TOMO IV I^jaL®OXOXJ3LiO VI 



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RIO DE JANEIRO 

Typographia do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 

1914 







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REVISTA DE UETEÍW1AAIA E ZODTECHniA 

Publicação Officlal da Directoria do Serviço de Veterinária 

DO 

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIG 

Distribuição gratuita aios criadores do psilz que a solicitarem 
R\0 ftL M\UL\RO * * Caixa Postal 1.678 * * ftHbSW. 

A REDACÇÃO DA «REVISTA» NÃO SE RESPONSAIS! LISA PELOS CONCKITOS 
EMITTIDOS EM ARTIGOS ASSIGNADOS POR SEUS COJLLABORADORES 

ANNO IV U Dezembro de 1914 U N. 6 



EXPEDIENTE 

Pedimos aos nossos leitores que nos communiquem 

sempre qualquer mudança de endereço, afim de evitar 

a interrupção no recebimento da «Revista», indicando, 

quando possivel, o numero de ordem de sua inscripção. 



PARTE OFFICIAL 



REGISTRO DE LAVRADORES E CRIADORES 



Modelo de requerimento para inscripção 

Sr. Ministro da Agricultura, Industria e Commercio: 
F. . . , desejando inscrever-se no «Registro de lavradores, Criadores 
e Profissionaes de Industrias Connexas» estabelecido nesse Ministério, 
de accôrdo com a portaria de 21 de Setembro de 1909, apresenta, para 
esse fim, o documento (*) exigido pela mesma portaria e as inclusas 
informações (**) e pede-vos autorizeis sua inscripção. 

Pede deferimento. 




R. V. 43 



338 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMEJRCIO 



(*) O dòdumeiftõ referido c o que diz respeito ao imposto que paga ao Estado 
013 ao município como lavrador ou criador (art. 6 o das inst.). 

A falta desse documento poderá ser supprida por attestado do Presidente 
da Municipalidade, do Prefeito ou Agente Executivo ou de dois lavradores já 
insoriptos, devendo ser legalmente reconhecida qualquer das respectivas firmas 
(art. 7 das inst.) . 

Qualquer dos documentos citados está sujeito ao sello da lei, isto é, 300 réis 
federal (art. 11 das inst.). 

(**) As informações, a que se refere o requerimento, devem ser assim pres- 
tadas: 

Nome 

Profissão 

Denominação da propriedade 

Estado 

Município 

Cidade, villa ou povoação mais próxima 

E' própria ? Nome do proprietário » 

E' arrendada ? Nome do proprietário 

E' alugada ? nome do proprietário . 

Servida pela estrada 

| Estação mais próxima 

Meios de communicação 

[Área total e qualidade das terras 

Área cultivada 

f Área inculta 

| Área ern pastagem 

^Area em mattas 

[Género de producção . 

s Média annual de producção 

[ Numero de cabeças de gado, com designação de sexo. . . 

Suas espécies 

Possue prados artificiaes ? 

Natureza das culturas forrageiras 

=§ t Rendimento por hectare, alqueire, etc 

VAOOINAS E OUTROS MEDICAMENTOS 

Modelo de requerimento para requisição de vaccinas 

Sr. Director do Serviço de Veterinária : 

F . . . , criador em . . . Estado de ... , inscripto no Registro de 
Lavradores, Criadores e Profissionaes de Industrias Connexas sol 
n. . . letra. . . a fl. . . do respectivo livro, possuindo. . . cabeças de 
gado, pede-vos a remessa de. . . doses de vaccina, visto estar o seu 
gado ameaçado da peste da manqueira. 

Pede deferimento. 



Estampilha 


le 


300 réis 



Nota — Para requisição de sarnol ou qualquer outro medicamento serve este 
mesmo modelo, fazendo, apenas, as indispensáveis modificações. 



REVISTA DE) VETERINÁRIA % ZOOTfíCHNlA 339 



COLLABORAÇÃO 



»/V^">k>"«"kJ'Vj'S-í\«<N^ 



A CARA-INCHADA OU OSTEOPOROSE DOS EQUÍDEOS 
(Micrococcus osteoporosi n. sp.) 

Em um paiz, como o Brasil, que necessita desenvolver em grande 
escala a criação de equídeos, quer como magníficos meios de transporte, 
quer como elementos indispensáveis para sua defeza, têm sido nume- 
rosas as tentativas feitas pelos criadores com o fim de chegar a esse 
resultado. No meio dos maiores sacrifícios são encontradas, em vários 
Estados, criações de grande valor e nos últimos annos se observa o 
apparecimento de productos nacionaes que honram sobremodo aos que 
se dedicarem á sua obtenção. São particularmente notáveis, sob o ponto 
de vista dòs resultados obtidos, as criações de puro sangue inglez, 
já se ostentando em nossos prados de corridas exemplares dignos de 
attençao, conforme se patenteia pelo estudo do que se vem notando 
nas ultimas exposições de poldros, promovidas pelo Jockey Club, con- 
forme já fizemos notar nas paginas desta Revista. Sobre todas essas 
iniciativas, porém, paira sempre o grande perigo do apparecimento da 
cara-inchada ou osteoporose como elemento destruidor de esforços 
proveitosos, resultando dahi, não raro, o abandono completo de uma 
exploração digna dos maiores incentivos. 

Nos últimos annos ou em virtude de uma melhor observação ou 
em virtude de maior disseminação da moléstia, o facto é que os casos 
de cara-inchada têm sido assignalados por toda a parte, não poupando 
zonas do paiz, nem raças de animaes. 

Nesta Capital, principalmente, já se vão accentuando de tal modo 
os casos entre os animaes de corridas, que urge tratar de ser resolvida 
a questão, que também interessa fundamente aos proprietários de 
animaes dos Estados do Rio, de Minas e S. Paulo, Estados de que 
possuimos elementos de informação mais completos. 

Temos observado que tanto os animaes do paiz, quanto os estran- 
geiros, são attingidos pelo mal, devendo ser destacada entre estes a 
grande receptividade que apresentam os jumentos. 

Pelo estudo dos casos de que temos conhecimentos, cada vez se 
torna mais funda em nosso espirito a convicção de que nos encontra- 



340 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMERCIO 

mos deante de unia moléstia nitidamente contagiosa, opinião que 
também é patrocinada por autoridades da ordem de Carougeau, Thei- 
ler, Hutcheon, Robertson, Sourrel, Charon, Thiroux, no estrangeiro 
e entre nós por Augusto Fomm, Carini, Paulo Maugé, etc. 

Resolvemos, por isso, dirigir nossas pesquizas principalmente no 
sentido de verificar qual o agente infeccioso que provocava a moléstia 
e quaes as condições que favoreciam ou impediam sua acção patho- 
genica. 

Nossas investigações ainda se acham limitadas á primeira parte 
do programma e se resolvemos agora publicar as primeiras notas a 
respeito é porque pensamos já ter obtido alguns resultados interes- 
santes que permittem alimentar esperanças de próxima elucidação 
completa da etiologia de uma moléstia que hoje preoccupa a quasi 
todas as nações, mas que, para nós, se constituiu em séria ameaça 
para o futuro de nossa criação equina. 

A cara-inchada ou esteoporose dos equídeos, big-head dos ameri- 
canos, não é mais que uma osteite rareíicante generalizada. Nada têm 
que ver com a osteomalacia, constituindo, como diz Carougeau, um 
typo mórbido bem especial e particular aos equideos. 

Tendo dirigido nossas pesquizas para os ossos da cabeça do 
cavallos, ossos que em geral são os que apresentam as maiores alte- 
rações na forma e no volume, conseguimos isolar um micro-organismo 
que, pelas condições especiaes que presidiram ao seu isolamento e 
pelas suas propriedades biológicas, nos parece ser o agente etiológico 
da moléstia. i ■ ' i i ! 

Em um puro-sangue inglez, autopsiado por nós e pelos Drs. Char- 
les Conreur e Herbster Pereira no Posto Veterinário da rua General 
Canabarro, resolvemos serrar o maxillar superior justamente ao nivel 
de sua maior tumefação, retirando antes os dentes necessários para 
que pudesse ser levada a efTeito a operação. A superfície óssea posta 
a nú foi, depois, cuidadosamente queimada a thermo-cauterio, afim de 
serem destruidos todos os elementos de contaminação acarretados pela 
technica empregada; com uma seringa esterilizada fizemos uma pun- 
cção profunda na massa do tecido esponjoso, conseguindo recolher 
uma pequena porção de liquido que foi immediatamente semeada em 
tubos contendo caldo simples e glycerinado, agar simples e agar glyce- 
rinado. Collocados estes tubos em estufa a 37 o observamos, dois dias 
depois, o apparecimento nos tubos de gelose glycerinada de um ligeiro 
pontilhado, constituído por pequeníssimas colónias de um gérmen que 
se apresentava sob o aspecto de um micrococco. 




J. PINTO, photomicrographo 

MICROCOCUS OSTEOPOROSI 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 341 

A pobreza da cultura era, porém, de tal ordem que resolvemos 
proceder a novas sementeiras com o fim de augmentar o material que 
lográramos obter. Confessamos que foi com grande difficuldade que 
conseguimos manter vivo o gérmen isolado ; foi necessário acompanhar 
com a maior attençfio o desenvolvimento das culturas e repical-as com 
pequenos intervallos ; não raras vezes obtivemos cultura em um ou 
dous tubos, emquanto que os outros permaneciam estéreis. Ficou 
assim patente a grande sensibilidade deste gérmen aos meios de cul- 
turas e somente no fim de alguns mezes é que obtivemos as bellas 
culturas que hoje podem ser observadas em nosso laboratório. Aos 
poucos foi-se o gérmen habituando a esses meios e, durante os mezes 
que estivemos na Inglaterra devemos ao esforço do nosso distincto 
companheiro dr. Herbster Pereira conservarmos perfeitas nossas 
culturas. Actualmente as culturas mais abundantes são obtidas nos 
meios que contenham liquido de. ascite, sendo fácil conservar boas cul- 
turas em gelose-ascite. 

Examinadas as culturas, verificamos se tratar de um pequeno 
cocco, immovel. Nos preparados feitos a fresco, em gotta pendente, 
os coccos se apresentam ora isolados, ora reunidos dous a dous, ora 
em grupos maiores. 

Em preparados coloridos, verifica-se que são obtidas boas pre- 
parações com todas as colorações usuaes em bacteriologia, sendo prin- 
cipalmente notáveis pela sua nitidez as que são feitas com fuchsima 
diluída. 

O gérmen que estudamos não toma o Grani. 

As culturas feitas em caldo simples ou caldo glycerinado quasi 
não apresentam desenvolvimento apparente de gérmen; depois de 
vários dias de permanência na estufa é vista no caldo uma ligeira 
opalecencia, que depois desapparece, notando-se então limpidez com- 
pleta do caldo e um pequeno deposito no fundo dos tubos de cultura. 

Em gelose inclinada também é muito pobre o desenvolvimento 
do micro-cocco, já sendo mais abundantes as culturas em gelose 
glycerinada e ainda mais as que são feitas em gelose-ascite. 

O aspecto das culturas em gelose-ascite é bastante característico: 
nota-se o appareci mento de grande numero de pequenas colónias que 
vão pouco além de certo augmento e que difficilmente enchem o meio 
de cultura, sendo quasi sempre possivel observar as colónias isoladas, 
a não ser que já tenha sido o microganismo perfeitamente habituado 
aos meios de cultura. 

Em batata não ha desenvolvimento apreciável a olho nú, porque 
as colónias se confundem com o meio de cultura. 



MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA fí COMMERCIO 

O aspecto das colónias em todos os differentes meios é sempre 
o mesmo; as colónias são no começo regulares, redondas, ligeiramente 
amarelladas e formadas por tuna camada única de germens dispostos 
regularmente; mais tarde as bordas se tornam um pouco irregulares e 
nas colónias mais velhas se notam mesmo pequenas massas mais com- 
pactas de germens que dão a colónia em geral um aspecto interessante, 
po'is ficam essas massas dispostas como pequenas ilhotas mais escuras 
nó interior da colónia original. 

Não é possível a menor confusão do nosso gérmen quer com o 
estaphylo-cocco, quer com o estreptococco ; não só o aspecto morpho- 
logícb e disposição do gérmen são muito differentes, como ainda as 
culturas são absolutamente diversas das culturas de estophyloeocco e 
apenas ligeiramente se approximam das do estreptococco. Além disso, 
conforme vimos, o nosso micrococco não toma o Gram, o que permitte 
uma differenciação immediata em relação a esses germens. 

Resolvemos, por todas essas observações, denominar Micrococcus 
osteoporosi ao gérmen que tínhamos em estudo. 

Afim de verificar a sua acção pathogenica fizemos inoculações em 
coelhos, inoculando sob o periosteo do maxilar superior, próximo a 
arcada dentaria, uma gotta de emulsão em agua physiologica de uma 
cultura em agar. No fim de um mez observamos uma pequena ele- 
vação na parte inoculada e procedendo á autopsia dos coelhos vimos 
que o maxillar no ponto da inoculação e nas zonas mais próximas 
apresentava-se avermelhado, friável e um pouco augmentado de vo- 
lume. Semeando o material dahi recolhido obtivemos o mesmo gérmen 
que havíamos inoculado. 

Ainda não fizemos inoculações em poldros, o que vamos realizar, 
pretendendo communicar em trabalho ulterior o resultado dessas ino- 
culações. 

Acreditamos que, antes de nós, já o gérmen que acabamos de 
descrever fora entrevisto por outros pesquizadores. 

Pelos menos, no magnifico trabalho publicado sob o titulo de 
Estude génêrale de VOsteomalacie chez le Chéval, p ar ticulièr emente a 
Madagáscar, por Carougeau, chefe do serviço veterinário de haras 
e da criação em Madagáscar, trabalho apparecido no n. 217, de 1 de 
Janeiro de 191 2, na Rêvue Génêrale de Medicine Vêtêrinaire, ha 
referencia positiva a um gérmen que realmente pensamos ser o que 
isolamos aqui no Brasil. Assim é que, no capitulo destinado a pesquizas 
do micróbio da osteomalacia, escreveu Carougeau: "Emfirn, o maior 
numero de sementeiras ficou estéril ou deu um pequeno micrococco que 
me parece especial (o grypho é do autor). Este organismo, muito 



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CAVALLO COM CARA INCHADA 




CAVALLO COM CARA INCHADA 



Rlí VISTA DIÇ VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 343 

menor que o estaphylococco, apresenta-se frequentemente sob a forma 
de diplococco. Não dá culturas senão extremamente, pobres, desenhan- 
do-se em um espaço flqu, apenas pcrceptivicl sobre a gelose e \><>v 
uma opalecencia, apenas sensível, no caldo. Apezar de muitas tenta- 
tivas, nunca consegui obter este gérmen com abundância. A's repi- 
cagens são estéreis. Ha necessidade de proseguir as pesquizas neste 
sentido, sendo preciso multiplicar os ensaios de culturas sobre meios 
variados, tomando como fonte de virus lesões de: idade differente." 

Vê-se, por ahi, que o gérmen, que ora descrevemos e do qual 
conseguimos culturas abundantes, passou pelas mãos de Carougeau e 
que os germens de Madagáscar e do Brasil são provavelmente idênti- 
cos. O que fez Carougeau desanimar foram as diffioudades que se 
encontram nas primeiras culturas e que também tivemos de enfrentar. 
Hoje, conforme já vimos, essas difficuldades são muito menores desde 
que as sementeiras sejam feitas em meios contendo liquido de ascite. 

O professor Carini, do Instituto Pasteur de S. Paulo, em seu 
trabalho publicado em 191 1 sob o titulo cara-inchada, nas paginas 
desta Revista, falia em um estaphylococco que isolou das costellas de 
um cavallo atacado da moléstia, facto que se repetiu em dous outros 
animaes, dos quaes conseguiu isolar o gérmen, uma dessas vezes tendo 
sido retirado o estaphylococco de sangue do animal doente. Carini 
reconhece que a inconstância com que encontrou o seu gérmen, sua 
ausência bem certa em lesões na phase de desenvolvimento, são certa- 
mente razoes de muito valor para não acreditar no papel etiológico 
desses germens. 

Já vimos em outro ponto que o gérmen que isolamos da cara- 
inchada não é um estaphylococco, devendo ser considerado como um 
microcoeco. Não se trata, portanto, do gérmen visto por Carini, tendo 
o próprio Carougeau também isolado varias vezes em seus trabalhos 
estaphylococcos que não lhe mereceram attenção. 

Em nosso próximo trabalho sobre este mesmo assumpto, apresen- 
taremos o resultado das inoculações do Micrococcus Osteoporosi em 
poldros, e, caso estas inoculações nos permitiam reproduzir experi- 
mentalmente a cara-inchada, tentaremos immediatamente os trabalhos 
de vaccinação que são os que interessam mais directamente aos cria- 
dores. Na mesma occasião publicaremos o estudo dos focos de osteo- 
porose no Brasil, estudo pelo qual, desde já, podemos afnrmar serem 
muito lógicas as opiniões emittidas sobre o mechanismo da transmissão 
da moléstia pelo saudoso Dr. Augusto Fomin. 

Dr. Paulo de F. Parreiras Horta 

Chefe da Secção Teclmica. 



344 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMERCIO 

UMA EXPERIÊNCIA DE ACLIMAÇÃO DE GADO EUROPEU, 

NO PARANÁ 



Com o fim de estudar a acclimação do gado europeu no Paraná, 
o Sr. Ministro da Agricultura entregou á Fazenda Modelo de Ponta 
Grossa um lote de gado "Aberdeen-angus", vindo da Inglaterra, com 
primeiro destino á exposição pecuária de Bíello Horizonte. 

O lote compunha-se de onze cabeças, assim repartidas : três touros 
novos, seis novilhas, entre 18 e 30 mezes, e duas vaccas, adultas. 

Uma noVilha de 30 mezes succumbiu, logo após seu desembarque 
em Ponta Grossa, a um phlegmão superitoneal, com peritonite aguda 
genelarizada. Foi também verificada a tuberculose de alguns ganglios 
abdominaes. 

Ficaram então dez rezes, de todas as idades. Duas vaccas e duas 
novilhas estavam em gestação e em estado de excessiva gordura. 

Logo depois da chegada, foram os animaes infectados artificial- 
mente, apparecendo a piroplasmose, em todo o lote, entre o quinto e 
o vigésimo dia. 

Propositalmente uns receberam o azul de tripan, logo depois do 
apparecimento da febre e de piroplasmas no sangue ("Lofty", "El- 
. win", a Myrthe") ; um outro grupo, após um ataque de três ou quatro 
dias ("Pride Alex", "Ricardo", "Blackbird"; um terceiro grupo não 
recebeu ("Magestic", "Ristls", "Red-ensigne", a Mathilde' , ' , ), isso no 
intuito de saber-se si a • immunidade adquirida naquelles três casos 
apresentaria alguma differença. 

Fora um caso de hemoglobinuria, a symptomatologia toda con- 
sistia em febre com presença de piroplasmas no sangue. 

Em todos os casos de administração de azul de tripan (que foi 
a dose forte 150 cc. a 200 cc. a 1 °|°), por via intravenosa, a acção 
foi decisiva e rápida : a temperatura tornando-se normal no prazo 
máximo de doze horas, a immunidade sendo forte, pois não temos 
a assignalar nenhuma recahida, devido a piroplasmas que resistiram 
ao tripanbleu. 

Também nada demonstrou que o momento da administração ou 
a não administração do tripan influe no gráo da immunidade adquirida, 
devendo pois o especifico ser administrado, sem demora, para evitar 
todo máo successo, estragos ou lesões possíveis pelos parasitas do 
sangue nos casos de applicação tardia. 




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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNICA 345 

Assim, a novilha "Blackbird" perdeu três milhões de glóbulos 
vermelhos por 1111113 de sangue sendo tripanbleu applicado só no 
quarto dia. 

Logo depois, o gado foi solto no campo durante as horas mais 
amenas do dia, recebendo um regimen mixto e permanecendo em 
observação diária. 

Passado o prazo de 27 dias após a infecção artificial, principiou 
nova febre alta, com symptomatologia grave. (V. Diag. Temp°., de 
"Blackbird", etc. 

A vacca -"Ruth", em gestação, succumbiu em quatro dias, tendo 
o numero dos glóbulos cahido a 2.500.000 por mm3, no terceiro dia. 

O systema nervoso traduzia tristeza e prostração progressivas. 

O systema digestivo revelou, no principio, inappetencia relativa, 
para tornar-se completa nos dois últimos dias. As fezes mostraram-se 
dtarrheicas, de côr amarellada, devido á grande porcentagem de 
pigmentos biliares, transformando-se logo ao contacto do ar, em 
verde escuro, quer dizer, á transformação de biluribina em biliverdina. 

O pulso fraco attingiu a 100, para subir a 120, e no fim tornar-se 
irregular e em seguida imperceptível. 

A urina, muito concentrada, sempre sem hemoglobina, com traços 
de seriua, causada pela nephrite concommittante, era escura devido 
aos pigmentos biliares. 

A respiração muito accelerada e entrecortada de inspirações 
profundas e gemidos. 

Um symptoma importante reside na pallidez das mucosas, tor- 
nando-se terrosas e amarellas (anemia e icterícia). 

O emmagrecimento é rápido, os tecidos tornam-se flácidos. 

O sangue descorando-se, perdendo em parte a viscosidade e a sua 
coagulabilidade, revelou no microscópio, pela coloração de Giemse, 
grande porcentagem de glogulos vermelhos, com pontos de chro- 
matina quasi sempre em numero de um ou dois, collocados na 
peripheria, que Theyler classificou e denominou Anaplasma Marginal. 

O poder hemolítico do parasita demonstrou-se muito intenso e 
rápido : descendo o numero dos glóbulos vermelhos a perto de 
2.000.000 por mni3 em poucos dias, trazendo um desequilíbrio brusco 
nas propriedades physicas, chimicas e physiologicas do "meio interno", 
associado a uma infecção profunda. 

Um tremor muscular, com resfriamento peripherico annunciava 
a morte. 

A autopsia também revelou tratar-se de casos muito agudos, 
seguindo-se de perto em virulência os casos de "Lofty". "Mathilde" 

R. v. 44 



346 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

e "Myrthe", que succumbiram ao segundo ataque no verão, todas em 
gestação e em estado excessivo de gordura. 

As lesões são as de infecções graves, associadas á anemia e á 
icterícia. 

O fígado, augmentado de volume, com bordas arredondadas, 
linha sempre a superfície do corte amarella, brilhante e anemica, e 
em estado de degenerescência gordurosa. 

A visicula biliar continha bilis concentrada em excesso. 

O baço duplicado em espessura tinha a polpa molle e negra. 

Os rins congestionados na parte cortical tinham petechias (isso 
sobretudo no caso de "Ruth"). 

O pequeno conteúdo do intestino tinha grande proporção de ele- 
mentos colorantes de bilis. 

Não é raro encontrarem-se surTusoes hemorraghicas superitonaes. 

O musculo cardíaco, degenerado, pallido e flácido. O pericárdio, 
contendo petechias. 

A musculatura, descorada e flácida (com rigidez cadavérica 
diminuída) . 

O cérebro, anemico e terroso. 

O sangue, muito pallido, corando-se de vermelho ao contacto do 
ar, coagulando-se lentamente, dando um "coagulum" pequeno, sem 
consistência. 

Nos casos de morte rápida ("Ruth" e "Mathilde"), o aborto 
não se produziu, sendo esse o caso, desde que a moléstia se prolonga 
cinco ou seis dias ("Pride Alex" e "Loíty"). 

O diagnostico differencial no animal vivo é fácil de fazer-se na 
piroplasmose : os anaplasmas, sendo bastante numerosos, mesmo nos 
casos pouco graves ; tendo valor pathognomico da piroplasmose a 
hemoglobinuria quando exfete. 

No cadáver, a origem da tumef acção do baço (lesão commum ás 
plasmoses e ao carbúnculo bacteridiano) differencia-se microscopica- 
mente: ausência ou presença da bacteridia; microscipicamente : no 
sangue, musculo, etc, e pelas inoculações nos animaes do laboratório. 

Daquella experiência de acelirnação, embora seja sobre um 
pequeno numero, poder-se-hia concluir: 

I o , que pelo methodo de Nuttall bem applicado, a immunisação 
do gado europeu contra a piroplasmose é fácil, sem perda, dando forte 
immunidade, mesmo sendo o animal adulto e em estado de gestação; 

2 o , que toda a difflculdade reside na anaplasmose, moléstia grave 
sem tratamento especifico até agora ; 




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REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 347 

3°, que nos casos de que nos oceupamos um primeiro ataque de 
anaplasmose na primavera não impediu uni segundo mais virulento 
em alguns animaes durante o verão ; 

4 o , que a gestação, coincidindo com um estado excessivo de gor- 
dura, parece-nos muito prejudicial á resistência do animal contra "a 
anaplasmose'', o aborto complicando seriamente os casos, o que nos 
leva a preconisar a introclucção de animaes novos (um anno, sobretudo 
as fêmeas), sendo o tempo necessário para a acelimação de cerca de 
nove mezes. Não ousamos di'zer que os bovinos novos têm uma ana- 
plasmose benigna, mas luetam com mais facilidade do que os adultos 
que têm certo grão de obesidade, sobretudo nas raças de corte, ou os 
que estão em gestação. Por exemplo: o segundo ataque de "Ricardo", 
que tinha uni anno de idade, foi fortíssimo e elle escapou ; e 

5°, as tabeliãs de temperaturas demonstram que os animaes devem 
estar em observação diária durante oito a nove mezes, tomando-se 
a temperatura pela manhã, explorando-se as mucosas, estabulando-se 
immediatamente todo o animal que apresente mais de 39 o , subtrahin- 
do-se elle aos raios do sol e á fadiga, dando-se alimentos de fácil 
digestão. 

Com effeito, uma rez solta no campo, atacada de anaplasmose 
poderá dimeilmente resistir. 

Como conclusão : o governo deve tornar obrigatória a acelimação 
do gado europeu em estabelecimento sob a sua immediata direcção. 

Devemos procurar isolar a variedade benigna do anaplasma 
(variedade central isolada por Thevler). Não resta duvida que a nossa 
anaplasmose seja a mesma que a existente na Afrfca do Sul, porque 
ha uns quarenta annos atraz foram introduzidos bastantes reprodu- 
ctores da colónia do Cabo. Si essa variedade não fôr encontrada, será 
rasoavel mandar vir do laboratório de Theyler uma rez portadora 
daquella variedade' benigna. Mesmo sem procurar isso, aguardando 
escrupulosamente as prescripçoes acima citadas, podemos salvar 90°!° 
no Paraná. 

0. Dupont 

Medico, Veterinário da Fazenda-Modello 
de Creação, Ponta Grossa 




MAJESTIC OF DENNE — 6 de Março de 1912— Reproductor Polled 

Angus (preto) da Fazenda Modelo de Criação do Paraná 

Ponta Grossa 




RICARDO OF DENNE — 23 Janeiro 1913 -- Reproductor Polled Angus 

(preto) , filho de Prince Forth of Ballindalloch e Ruth 3 

of Balthayock 



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12 — 9 
13 



revista de veterinária e zootechnia 



340 



A INDUSTRIA DOS LACTICÍNIOS 



O QUE E' O LEITE 

E' o producto segregado pelas gladulas mamães dos mamíferos 
femininos, no ultimo período da gestação e depois do parto, é cuja 
secreção se extende por um período de tempo mais ou menos 
demorado. 

A SECREÇÃO DO LEITE 

São diversos os factores que contribuem para a proporção e 
qualidade do leite fornecido pelo gado: alguns factores são individuaes 
e dependem do temperamento do animal, do seu estado de saúde, da 
raça a que pertence, da idade, etc. ; outros dependem exclusivamente 
da alimentação, do clima, da lestação, dos trabalhos a que se submetta 
o individuo, etc. 

COMPOSIÇÃO CHIMICA 

O leite se compõe de diversas substancias, cujas proporções são 
variáveis nas diversas espécies de mamíferos, como mostra o quadro 
seguinte : 



SUBSTANCIAS 


VACCA 


CABRA 


OVELHA 




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Máximas Mínimas 


Máximas 


Mínimas 


Máximas 


Mínimas 




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9'-5 , 85.3 


% 
89.2 

3-3 
1.6 

9.8 
4-5 
0.5 


% 
82.2 

2.4 
1.0 
3-7 
3-7 
0.4 


% 
85.6 

6.5 
0.7 
10.3 
5-o 
1. 1 


% 




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0.7 


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As substancias citadas constituem os principaes componentes do 
leite, além dos quaes existem outros que lhe dão uma composição e 
uma constituição bastante complexas. 



350 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA S COMMERCIO 

< I agua é o componente maior do leite e a sna proporção frequen- 
temente é alterada pela natureza da alimentação ; a caseína é um 
componente interessante do leite, porque, tratado por certos processos, 
dá origem ao queijo; a albumina tem a composição elementar igual 
á da clara do ovo ; a manteiga é contida no leite em forma de pequenas 
gottas, cujo numero é extraordinário; o assucar ou lactose está dissol- 
vido no leite; as cinzas ou substancias mineraes contidas no leite, 
mesmo sendo em pequenas proporções, têm um importante papel na 
alimentação dos filhos no periodo do alimento. 

PROPRIEDADES PHYSICO-CHIMICAS DO LEITE 

O leite é levemente doce e o seu cheiro, apenas extrahido, lembra 
o da espécie do animal que o forneceu, é branco e opaco e adhere' ao 
vidro; o seu peso especifico oscilla entre 1.029 e 1.033 approxima- 
damente. 

Em contacto com certas substancias o leite coagula, dando um 
precipitado de caseína ; estas substancias capazes de coagular o leite 
são especialmente os ácidos. 

COLASTRO 

E' o liquido segregado pela glândula mamai alguns dias antes 
e logo após o parto e cuja composição differe sensivelmente do leite 
fornecido no periodo suecessivo. 

Seus caracteres typicos são : cheiro desagradável ; levemente 
salgado ; consistência viscosa e peso especifico, que se eleva até 
1 .080. 

O culastro, contendo certos elementos purgativos, é útil pua a 
alimentação dos recem-nascidos, sob o dúplice ponto de vista da 
alimentação e do medicamento. 

Esse primeiro leite de modo algum deve ser aproveitado na 
industria dos lacticínios, porque dá origem a alterações no processo 
fermentativo do leite. 

ALTERAÇÕES PATHOLOGICAS 

As alterações do leite podem ser devidas á infecção do animal ou 
podem mesmo ser devidas a causas posteriores á secreção. 

Além das alterações pathologicas contidas 110 leite devido a molés- 
tias internas do animal, outras alterações se manifestam, pela ingestão 
que os animaes fazem de certas substancias, que communicam ao 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



351 



leite certas propriedades nocivas á saúde dos consumidores. As causas 
de alteração do leite, após a extracção, são igualmente numerosas, 
sendo de toda a opportunidade o exame attencioso do gado e o maior 
asseio das vasilhas destinadas á conservação do leite. 

Os auetores estabelecem que as causas prineipaes das moléstias e 
defeitos do leite são devidas especialmente : 

i°, á alimientação imprópria, alimentos deteriorados; 

2 o , á agua ruim, imprópria para bebida do gado e para a limpeza 
das vasilhas ; 

3°, ao ambiente desfavorável em que vive o gado, ar viciado ; 

4°, á falta de asseio durante a extracção ; 

5°, á permanência do leite em ambiente quente e mal ventilado ; 

6°, á conservação do leite quente, em vez de esfrial-o logo depois 
da extracção ; 

7°, á falta de asseio nas operações suecessivas do tratamento 
> leite ; 

8°, ao transporte impróprio e defeituoso, e 

9°, ao gado doente, leite infecto. 

Quasi todas as causas citadas podem ser evitadas pelo criador ; 
salvo o caso de infecção pathologica no gado, o bom criador terá 
sempre ao seu alcance os meios práticos para que o produeto seja 
são e apto para uma demorada conservação. 

O professor Gigli 1 mui claramente resume as alterações do leite 
da seguinte forma : 



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Alterações 

do 

leite 



após a extracção. 



antes da extração. 



f espontâneas leite azedo, etc. 



] dependentes da sua conser .J leite que contém substancias 

* , < m mera es ou outras devido a 

l * ( falta de asseio do vasilhame. 

{ leite de côr azulada, amarel- 
I lada, rósea, 
dependentes da alimentação- . { leite amargp, etc. 

I leite que coagula com o aque- 
l cimento, leite dustico. 

. ,„ . ... ,. , ,• (leite contendo princípios or- 

dependentes dos medica- J gan i cp s aromáticos ou sub- 
memos ( stancias mineraes. 

íleite inquinado de pús, san- 
dependeutes das moléstias.. .'. -s gue ou que contém micro- 
l ( organismos. 



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TRANvSMlSSÀO DAS MOLÉSTIAS 



O leite, mesmo quando é obtido de um animal são, pode conter 
os germens de perigosíssimas moléstias transmissíveis ao homem. 
Torna-se, por isso, de grande vantagem que o leite seja guardado em 
um ambiente são, afim de evitar que os germens disseminados no ar 
o possam inquinar. 



352 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMM^RCIO 

Frequentemente o leite é o verdadeiro transmissor de certas molés- 
tias e, sem duvida, é utilíssimo fervel-o e com mais forte razão quando 
não se conhece o animal do qual o leite foi extrahido. 

REACÇÃO CHIMICA DO LEITE 

Alguns auctores affirmam que o leite tem a reação acida, outros 
sustentam que essa reacção é alcalina. O que é certo é que o leite dos 
animaes carnivoros apresenta reacção acida, ao passo que o leite dos 
herbivoros tem reacção alcalina. E' iiti ( l, porém, observar que a reacção 
pôde ser differente, mesmo nos animaes da mesma espécie e isto 
especialmente pela natureza da alimientação. 

Ha auctores, finalmente, que dizem ter o leite uma reacção am- 
phothera (alcalina e acida simultaneamente). 

VALOR NUTRITIVO 

O leite, devido á sua complexa composição, pôde e deve ser con- 
siderado um. alimento completo, pois nelle estão contidos os grupos 
die princípios, que constituem os elementos de grande valor, reunindo 
em si o poder nutritivo de todos os demais alimentos, porque, de 
facto, no leite encontram-se os quatro componentes geraes dos 
alimentos completos : 

substancias azotadas (caseína) 

graxas (manteiga) 

carbohydratos (assucar de leite ou lactose) 

substancias mineraes (saes das cinzas) 

O nosso organismo para produzir calor e força carece não somente 
de substancias azotadas, ou só de assucar, gordura ou substancias 
mineraes, mas de uma alimentação mixta, na qual entrem em determi- 
nadas proporções os quatro grupos citados. No leite esses diversos 
grupos são contidos em doses bem proporcionadas, tornando o agra- 
dável liquido em precioso alimento. 

DIGESTIBILIDADE DO LEITE 

A digestibilidade de um alimento é a relação que existe entre a 
quantidade de substancia absorvida e a quantidade da substancia 
expellida pelo organismo. O leite é digerido tão facilmente quanto a 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



353 



carne ou pouco menos do que esta, quando crua. O queijo é digerido 
mais facilmente do que o próprio leite. 

O leite cru, que pôde ser um agente de transmissão de moléstias, 
é digerido mais facilmente do que o leite fervido. 

FALSIFICAÇÕES 

A falsificação mais communii, para abusar da bôa-fé dos consu- 
midores, consiste em juntar agua ao leite. Alguns juntam-lhe, mesmo, 
farinha, amido, gommas, etc, afim de augmentar a densidade do 
liquido, do qual se extrahiu a manteiga, ou sie lhe juntou agua, para 
augmentar o seu volume. 

Outros falsificadores mais perigosos e venaes fazem uso de bórax 
e outras drogas nocivas, afim de impedir o leite de se azedar. 

CAUSAS QUE MODIFICAM A COMPOSIÇÃO DO LEITE 

Os diversos leites de animaes diferentes ou mesmo de um só 
animal podem soffrer oscillaçoes mais ou menos sensíveis e as causas 
dessas oscillaçoes podem ser assim resumidas: 

o temperamento próprio do animal 
a raça á qual o animal pertence 
a condição de saúde do individuo 
o tempo decorrido depois do parto 
a idade do animal 
Causas <J a hora e o modo de extracção do leite. 



intrinsecas 



extrínsecas 



alimentação 
clima 
estação 
temperatura. 



Fabrico da Manteiga 

NATA 

Quando se deixa o leite em fepdtfèó, observa-se que a sua super- 
fície se cobre de uma matéria espessa, unctuosa e agradável e que é 
conhecida pelo nome de nata. 

Essa substancia é composta de glóbulos, os quaes encerram o 
butyrum ou manteiga. 



R. V. 45 



354 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMEJRCIO 

A separação dá nata do leite se obtém de três modos: 

I o , deixando o leite em repouso, na temperatura ordinária; 

2°, deixando o leite em repouso e baixando-lhe a temperatura ; 

3°, fazendo a separação por meio da força centrífuga. 

DESCREMAÇÃO ORDINÁRIA 

A descremação ordinária consiste cm deixar o leite em absoluto 
repouso, permittindo-se deste modo aos glóbulos emulsionados virem 
á superfície. 

Esta ascenção dos glóbulos á superfície é devida a serem eiles ma'is 
leves do que o leite ; porém essa separação nunca é completa, porque, 
mesmo depoi's de longo repouso, o leite ainda contém de io a 15 °|° de 
matéria graxa. 

DESCREMAÇÃO COM ABAIXAMENTO DE TEMPERATURA 

Deixando-se o leite em repouso e abaixando-se a temperatura, foi 
observado que a porcentagem da nata augmentava sensivelmente e 
houve quem affirmasse que após algumas horas a separação da nata 
do leite era completa. 

Mais tarde foi suggerido e usado o processo de esfriamento por 
meio de refrigerantes dos quaes se ideavam diversos modelos. 

Estes refrigerantes davam ao leite um abaixamento de tempera- 
tura até 4 ou 5 , porém na estação cálida foi aproveitada a agua com 
a sua temperatura ordinária, a qual satisfazia perfeitamente o fim 
desejado. 

DESCREMAÇÃO CENTRÍFUGA 

A descremação centrífuga resolveu o problema de uma separação 
completa da manteiga do leite. 

Os apparelhos ou desnatadeiras centrífugas são construídos de 
modo que o leite inteiro, cahindo sobre uma lamina circular animada 
de grande velocidade, imprime ao liquido uma força de rotação. 

Ora, pela força centrífuga determina-se uma separação do corpo 
mais leve (manteiga) do resto do liquido, ficando a parte menos pesada 
no centro e era círculos concêntricos conforme a sua densidade. 

As desnatadeiras centrífugas primitivas soffreram modificações 
profundas, ficando quasi de todo banidas as demais batedeiras de 
madeira, que, por sua vez, haviam também prestado relevantes serviços. 



REVISTA DEÍ VETERINÁRIA fi) ZOOTKCHNIA 355 

Existem numerosos lypos de desnatadeiras, sendo ninas de mão 
e outras movidas com motores inanimados, das quaes se pôde obter 
o desnatameinto de mais de Í2.OQ0 litros de leite por hora. 

VANTAGENS DAS DESNATADEIRAS CENTRÍFUGAS 

Estes admiráveis apparelhos offeíecern especialmente as vantagens 
seguintes : 

i°, possibilidade de extrahir do leite a maior quantidade de man- 
teiga, a qual se eleva de 4 a 4.80 °|°, deixando apenas 1 °|° de gordura, 
no resíduo ; 

2 o , fazendo-se a centrifugação logo após a extracção do leite, a 
separação da manteiga é muito rápida e a nata pôde ser posta em 
fermentação usando-se os fermentos seleccionados, emquanto que o 
leite magro ou descremado pôde ser utilizado com vantagem na ali- 
mentação do homiem ; 

3°, por meio da centrifugação pódie-se obter uma nata bastante 
concentrada, de modo a se ter em um volume mínimo o máximo da 
matéria gordurosa do leite, economilsando-se força motriz no preparo 
da manteiga da nata e perde-se menos quantidade' de leite magro, 
porque a nata, sendo concentrada, não dá sinão um insignificante 
resíduo ; 

4°, a manteiga preparada com nata obtida da centrífuga é geral- 
mente superior e apresenta uma uniformidade de typo, de grande 
relevância no commercio ; 

5 , as desnatadeiras centrífugas estimularam o espirito de aggre- 
miação dos productores, os quaes, associando-se, puderam, com grande 
vantagem, trabalhar em commum, transformando a matéria prima em 
excellentes productos. 

CARACTERES DE UMA BOA DESNATADEIRA 

Uma boa desnatadeira deve apresentar os requisitos seguintes: 

I o , simplicidade de construcção e montagem; 

2°, facilidade de poder fazer a limpeza das suas partes internas; 

3°, solidez de todas as suas partes ; 

4°, rotação regular, firmeza de apoio, sem causar choques durante 
o trabalho ; 

5°, exigir o minimum de força motriz para o seu funccionamento ; 

6°, custo mínimo nelativo ao trabalho que produz ; 

7°, coefficiente máximo de extracção da matéria graxa contida 
no leite ; 



356 MINIL5TBB IO DA AGRIC JI/TUA i, INDl STRIA E COMMEÍRCIO 

8°, possibilidade de graduar a relação entre o volume de nata e 
o de leite ccntrifugado, afim de se obter nata concentrada ; 
9°, perdas mínimas do producto e do resíduo, e ' 
io°, facilidade na substituição das peças por outras sobresalentes. 

PREPARO DA MANTEIGA 

Quando se tiver obtido a nata com um dos methodos citados é 
preciso batel-a para a separar do soro que ainda contém. Para isso 
existem typos especiaes de batedeiras, as quaes podem ser de pnston, 
de barril, verticaes ou de balanço. 

Com uma dessas batedeiras agita-se a nata, a qual deve oceupar 
uma metade da capacidade do apparelho. 

Devido á agitação da batedeira a matéria gordurosa ou manteiga 
agglontera-se separando-se do soro que se elimina por um furo do 
apparelho e lava-se com agua pura e fresca a mantei'ga separada, a 
qual é extrahida da batedeira, afim de ser amassada. 

Existem diversos typos de amassadores, sendo preferível o amás- 
sador rotativo mecânico, porque faz trabalho rápido e perfeito. 

A temperatura mais favorável para se amassar a manteiga é 
de 12 ou 15 o . 

PREPARO DAS FORMAS 

Estando a manteiga prompta, costuma-se dar-lhe uma forma para 
ser posta no commercio; alguns preparam grandes pães de seis a oito 
kilos, outros preparam a manteiga em pequenas formas por meio de 
prensagem e ha, finalmente, quem costume preparal-a em pequenas 
latas e também em barris. 

COLORAÇÃO DA MANTEIGA 

Para satisfazer as exigências dos mercados, costuma-se colorir a 
manteiga usando-se, para isso, pequenas doses de açafrão, urucú, etc. 

ACETIFICAÇÃO DA MANTEIGA 

Muitos fabricantes julgam conveniente acetificar a nata, afim de 
augmentar o gosto e o aroma da manteiga e a operação consiste em 
misturar á nata, certa quantidade de leite azedo, deixando-se a misturar 
por 12 horas á temperatura de 10 a 12 o . 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 357 

Esta acetifíGa'çãô é devida á presença cie alguns fefmentòè que se 
desenvolvem e se multiplicam na nata, modilicando-a profundamente. 

Julgam alguns que a manteiga proveniente de ríàta doee, isto é 
não azeda, cdrisefvá-sté melhor; porém está demonstrado qjúè, quando 
a acetificaçãò é feita com fermentos seleccionados, o produeto con 
serva-se por um período de tempo muito maior. 

GASEIFICAÇÃO 

O queijo é uma substancia alimentícia que sé obtém por meio 
da coagulação do leite e cujo coagulo, preparado por processos diversos, 
constitue objecto de largo consumo pelo homem. 

OPERAÇÕES FUNDAMENTAES 

As operações fundamentaes da caseificação consistem: 

i°, na coagulação do leite; 

2 o , na subdivisão da coalhada; 

3°, no cozimento da coalhada ; 

4°, na prensagem ; 

5°, no salgamento, e 

6 o , na cura dos queijos. 

i. - — Coagulação — A coagulação do leite é geralmente obtida 
usando- se uma substancia conhecida pelo nome de coalho, a qual é 
um reagente que se prepara com o 4 estômago dos ruminantes (abo- 
maso). Sob o ponto de vista scientifico o coalho é um fermento pro- 
duzido pela mucosa gastrite dos animaes, especialmente dos mamíferos, 
no período do aleitamento. 

Acham-se á venda uns coalhos líquidos, aliás de uso fácil e que 
merecem consideração, quando houver certeza de que na sua compo- 
sição, nada entre de nocivo. 

A coagulação do leite ás vezes é feita logo após a extracção, 
outras vezes é mais ou menos demorada e fnequentemente extrahe-se 
do liquido primeiro a manteiga, transformando-se o leite em leite 
magro, para em seguida fazer a precipitação da caseína. 

E' preciso que a quantidade de coalho a usar não seja excessiva, 
afim de se evitar uma coagulação rápida, tornando-se o coagulo muito 
' compacto e de estruetura defeituosa, 

2. — Subdivisão da coalhada — Quando o coagulo tiver alcançado 
o grau de consistência que se deseja, rompe-se a coalhada, facili- 
tando-se desse modo a separação do soro. 



358 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

Tcndo-se reduzido a coalhada a pequenos fragmentos, côa-se cm 
(ooidos, separando-se os fragmlentos caseosos do soro. 

3. Co.-jiincuío — Algumas vezes, costuma-se levar ao fogo a 
coalhada com o soro e esía operação merece cuidados, não se devendo 
exceder o aquecimento além de 6o°. 

4. — Prensagem — Para fazer uma boa separação dos fragmentos 
caseosos, deixa-se a massa nos tecidos que serviram de coador e desta 
forma colloca-se sobre um plano inclinado afim de deixar a massa o 
mais enxuta possível. 

Obtida a massa em condição de ser manipulada, colloca-se em 
formas, dando-se-lhe, dieste modo, uma forma estável e favorecendo 
a formação de uma crosta resistente. 

Desta operação tira-se também a vantagem de se expellir uma 
certa quantidade de soro, que leistava contida na massa. 

5. — Salgamento — Sómento os queijos destinados ao consumo 
immediato dispensam o salgamento. Além do mais os queijos salgados 
são mais agradáveis e conservam-se por muito tempo. 

O salgamento pôde ser feito de três modos diversos : 

I o , ou espalha-se sal na superfície ; 

2 o , ou se collocam os queijos em solução de sal (salmoura) ou, 
finalmente, póde-se misturar o sal á massa no momento do fabrico. 

Alguns preferem salgar os queijos alguns dias depois do fabrico, 
afim de que se possa iniciar o processo de fermentação da massa, que 
favorecerá certamente a suecessiva maturação do produeto. 

ó.° — Cura ou maturação — Os queijos, quando não são consu- 
midos frescos, deixam-se por certo tempo em local appropriado afim 
de chegarem a um estado de perfeição, que varia para as diversas 
espécies. 

CLASSIFICAÇÃO DOS QUEIJOS 

Os queijos podem ser classificados sob diversos pontos de vista. 

Quanto a natureza do leite, os queijos se dividem em queijos 
magros, que são provenientes de leite descremado; queijos com leite 
não descremado e queijos de nata, aos quaes, além da substancia gor- 
durosa que possuem, ainda se lhes ajunta uma parte da nata dos leites 
descremados. 

Quanto á consistência, os queijos podem ser molles e duros : os 
queijos molles são fabricados com leite inteiro, isto é, não descremado; 
os queijos duros são fabricados com leite inteiro, com leite em parte 
ou completamente diescremado e a sua massa é quasi sempre cozida. 

Uma terceira categoria é devida á proveniência do leite e então 
podem ser: queijos de vaccas, de ovelhas ou cabras e de búfalos. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



359 



O quadro seguinte eselarece a -classificação : 



quanto á natureza do leite < 



Queijos <j quanto á consistência 



queijos macros 

» de leite não descrem.ulo 
queijos de nata 

; frescos 
queijos moles <J , 

n J curados 



» duros 



comprimidos 
cozidos 



quanto á proveniência 



queijos de vacca 

« de ovelha e de cabra 
» de búfalo. 



Pela classificação acima vê-se logo que existem numerosos typos 
de queijos, cujos caracteres são especiaes para cada um. 

Merecem especial menção o queijo de Brie e o de Neufchatel, 
que são molles, mas salgados ; o de Chestier, o de Glaucester, o hol- 
landez, o de Edam, o de Gruyére, que são 1 de massa firme, submettidos 
á prensa; o queijo parmesão, que é feito com leite descremado e cujo 
uso é grande, mesmo entre nós, pelos italianos, que o utilizam como 
condimento no macarrão. 



COLORAÇÃO DOS QUEIJOS 

A coloração artificial dos queijos é usada raramente, utilizando-se 
nesse caso o açafrão (queijo hollandez). 

Entretanto, . frequentemente, os queijos apresentam-se coloridos, 
mas neste caso essa coloração é actíidental e pôde ser devida a diversas 
causas dependentes do vasilhame, das substancias ingeridas pelos 
animaes ou pôde ser mesmo devido á moléstia ou alteração do queijo. 

FALSIFICAÇÃO DOS QUEIJOS 

São raras as falsificações que os fabricantes fazem nesse pro- 
dueto. A mais commum é a substituição da matéria graxa do leite 
(manteiga) por outras gorduras diversas. 

Outra falsificação commettida pelos fabricantes fraudulentos 
consliste em ajuntar amidos á massa que constitue o queijo. Certas 
vezes costumam injectar nos queijos frescos certas substancias corantes 
que tendem a imitar as manchas características de certos queijos 
maduros. , ■..'■■• 



360 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMM^RCIO 

Existem casos em que os queijos são nocivos á saúde por con- 
terem saes metálicos como zinco, chumbo, estanho, etc, cuja pre- 
sença é devida ás vasilhas que se usaram durante a mnufactura desses 
productos. 

Em primeiro logar lembramos que os resíduos da caseificação 
aproveitados para o preparo de certos lacticínios pobres, extrahidos 
do soro e 'este ultimo mesmo despido de tudo o que se pôde aproveitar, 
ainda constitue um excellente alimento para os porcos. 

PRODUCTOS SECUNDÁRIOS 

O leite, além do queijo e da manteiga, pôde dar origem a diversos 
productos. 

O leite, além de produzir os alimentos de que nos occupamos, 
pôde ser utilizado para o fabrico de leite condensado, assim como para 
o do pó de leite, da farinha láctea e, finalmente, para o preparo dos 
líquidos fermentados conhecidos sob os nomes de Koomnys e Kefyr. 

O Koomnys é preparado com le ! ite de égua e raramente com o 
de vacca ; produz abundante espuma e tem gosto acido. 

E' muito usado na Rússia. 

O Kefyr obtem-se pela fermentação do leite de vacca ou também 
do leite de cabra ou de ovelha, usando-sie um certo fermento que lhe 
dá também, como no Koomnys, um gosto acido e agradável. 

MOLÉSTIAS DOS QUEIJOS 

As causas das moléstias ou alterações dos queijos podem ser 
devidas á qualidade do leite, á falta de asseio na manipulação, á falta 
de cuidado durante o período da maturação do producto, á influencia 
dos micro-organismos, etc. 

As moléstias principaes são : a do queijo amargo, a podridão ou 
gangrena, as moléstias parasitarias devido a ácaros, a moscas, 
bolor, etc. 

Lourenço Granato. 



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qualquer cultura e attendem a toda e qual- 
quer consulta verbal ou por escripto sobre 
o modo como devem ser applicados os 
adubos chimicos nas diversas culturas. 

Propõem-se visitar gratuitamente as 
propriedades agrícolas para ensinar pra- 
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ras obre a adubação chimica a quem os 
solicitar. 



12 — n 
13 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 36? 



INSPECÇÃO VETERINÁRIA 



Relatório apresentado ao Dr. Thomaz Pompêo de Souza Brazil 
Filho, Inspector Veterinário do 3 D.istriícto, pelo veterinário Dr. Do- 
mingos Vanzelloti, sobre sua excursão aos municípios de Morada- 
Nova, Limoeiro, Riacho do Sangue, Jaguaribe-mirim, Icó e Iguatú, 
de 20 de Junho próximo passado, a 6 de Julho corrente. 

EXCURSÃO 

Partindo desta sede no dia 20 de Junho próximo passado, acom- 
panhado do auxiliar de 2 a classe, António Cezar de Vasconcellos* 
chegamos a Quixadá no mesmo dia, seguindo á tarde para Morada- 
Nova, onde chegamos no dia seguinte ; deste municipio partimos a 
24 para Limoeiro, chegando á noite do mesmo dia; a 26, viajávamos 
para Riacho do Sangue alcançando-o a 27 ; proseguimos a 29 para 
Jaguaribe-mirim, onde chegamos á tarde, e no di'a i° de Julho lográ- 
vamos Icó, onde permanecemos até 4 do corrente, quando partimos 
pára Iguatú, de regresso á sede, por julgar concluida a commlissão 
que me havíeis confiado, devido a impossibilidade allegada pelos 
criadores, de juntarem os gados soltos. 

ESTRADAS 

Como em anteriores relatórios sobre outras excursões vos hei 
informado, nos Municípios que ora percorri não encontrei vias publicas 
que mereçam o nome de estradas. Estas são traçadas através de ínvio 
mattagal, cerrado e baixo, tramado de hervaçaes que abrangem todo 
o caminho e o tornam quasi intransitável. Os viajantes seguem, léguas 
e léguas, de um a um, por cima de barrancaes, atoleiros, pedregaes 
e paludes. Não existem nessas chamadas estradas vestígios de que 
algum dia, mesmo em épocas remotas, os poderes públicos se hajam 
interessado por essas vias de transporte, unitos escoadouros da pro- 
ducção agro-pecuaria da immensa, rica e fértil zona banhada farta- 
mente pelo Jaguaribe. 

TRANSPORTES 

Como sempre a difíiculdade dos transportes nos prejudicou o ser- 
viço, assim como nos privou de colher mais abundante material de 
estudos e experiências. 

R. V. 4 6 



362 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

RECEPÇÃO NOS SERTÕES 

Com a gentileza habitual fomos recebidos nos sertões, notando 
porém, ainda os terríveis effeitos das acirradas luctas politicas que 
repercutiam em todas as. relações sociaes e industriaes. 

ZOONOZES 

Sarna psoroptica ■ — Nos equinos de varias fazendas, em todos 
os municípios, grassa com intensidade. Aconselhei meios prophyla- 
cticos, e receitei. 

Ascaridiose — Nos equinos de varias fazendas tem feito algumas 
victimas o parasitismo intestinal das ascaridas. Aconselhei medidas 
hygienicas e prophylacticas, e receitei. 

Durina — Esta epizootia continua a dizimar os solipedes, espe- 
cialmente os equinos, em todos os Municipios. 

Os meios prophylacticos de castração dos machos e matança das 
fêmeas, embora sejam systematicamente aconselhados, por serem 
actualmente os únicos praticamente utilisaveis neste Districto, não 
são praticados pelos criadores. 

Como agente therapeutico de relativa efficacia receitei o licor 
Donovan-Ferrari que de ha muito venho empregando com algum 
resultado. 

Babesioses — Nenhum caso constatei de visu, embora colhesse 
informações officiaes de que grassava nos Municipios percorridos. 

As duas variedades morphologicas a pyroplasmose e anaplasmose, 
são entretanto as causas da epizootia que dizima horrivelmente a espécie 
bovina deste Districto. 

Strongiloze — Enorme é a mortandade dos ovinos e caprinos em 
toda a região percorrida. 

Pesquizando clinicamente a causa dessa epizootia, só diagnostiquei 
baseado em material colhido a Strongiloze. Entretanto, creio outras 
infecções existem que dizimam os rebanhos, e cujos agentes etiológicos 
ainda são desconhecidos para nós. 

No intuito de identificar a diarrhéa epizootica que grassa tão 
intensa e extensamente neste Districto, adquiri, por compra, uma cabra 
doente a qual autopsiei. 

Nos intestinos delgado e grosso, colhi numerosos exemplares de 
strongilus contortus. 

Também nos intestinos delgado e grosso, notei profusos nódulos 
pequenos, esphericos, alvacentos, e que, á pressão digital, extravasavam 



RB VISTA DE VETERINÁRIA £ ZOOTECHNIA 363 

do lado da mucosa uma substancia caseosa, cuja natureza não iden- 
tifiquei. Nos folículos notei lesões mais esparsas, cobertas de sul>- 
stancia catarrhal amarelecida, e grande quantidade de mucus solto 
no intestino grosso. 

O aspecto característico dessas lesões, induz-me a c rer na 
infecção parasitaria de um coccidio conjunctamente aos strongylus. 

Quanto aos demais organs, não observei ao exame macroscópico 
nada de anormal. 

Aguardo ainda o resultado do exame histológico do material que 
colhi para confirmação do meu (diagnostico clinico. 

Entretanto, pelos symptomas .da zoonoze, ao engendrar-se a 
hydremia (papeira dos sertanejos) que conduz o animal á cachexia, 
em que definha e morre, parece-me não ser estranho a tal estado 
algum parasita pathogeno do sangue ainda não identificado, e cuja 
etiologia por falta de material de estudos ainda não desvendamos, 
para resalva ao nosso critério seientMco, e verdadeira identidade desta 
mortífera magrem caprina. 

Infecção cadavérica — No Município de Jaguaribe-mirim, corria 
o boato alarmante de que grassava o Carbúnculo hematico nas fazendas 
da familia João Luiz. 

Para lá segui immediatamente, nada constando a respeito. 

Verifiquei apenas que dera margem ao boato, o seguinte facto : 
fora encontrada morta uma vacca numa das fazendas, e António 
Luiz tirara o couro do cadáver, conduzindo-d sobre um muar que 
nada soffrera ; elle, porém, começara a sentir dores agudas no braço 
direito e, após, se lhe manifestara uma infecção purulenta abrangendo 
todo o ante-braço direito, a qual cedeu com a applicação de antise- 
pticos e pomadas seccativas. E só. 

A meu vêr tratava-se do processo mórbido de uma infecção 
cadavérica. 

Carbúnculo symptomatico — E' a epizootia que mais intensa- 
mente e extensamente grassa no Estado, conforme as informações 
que colhi na região percorrida. 

Grande é a mortalidade que constatei, cujos effeitos terríveis 
redundam no anniquillamento da maibr parte da producção, talvez 
75°|°: Felizmente os fazendeiros já vão comprehendendo a efficacia 
da vaccina usada pela Inspectoria, e se rendem ante a evidencia dos 
factos. Não obstante, ainda exigem, porém, a longa permanência dos 
funccionarios nas localidades afim de reunirem os garrotes e bezerros, 
o que, aliás, pelo prévio aviso que recebem não se justifica, e só 
acarretaria prejuízos e despezas forçadas a este serviço. 



364 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA B COMMBRCIO 

Assim resolvi demorar-me nesta excursão, como nas anteriores, 
o tempo extrictamente necessário á immunização dos animaes que 
me eram apresentados, e cujos proprietários se promptificavam ás 
necessidades dessa pratica. 

A vaccinaçao foi a seguinte — Município de Morada-Nova : na 
propriedade de Luiz José Nobre, 23 bezerros; na de Félix Rodrigues, 
19; na de Francisco Maia Filho, 14; na de Manoel Honorato Caval- 
cante, 27; na de Luiz Eduardo Girão, 29; na de Raymundo B. da 
Silva, 13; na de Cypriano Maia, 15; na de José Rabello, 11; na de 
António Conrado Girão, 25 ; sommando 195 vaccinaçoes, feitas em 
bezerros e garrotes deste Município. 

Em Limoeiro visitámos as propriedades seguintes, nas quaes 
vaccinamos : de José Nunes Guerreiro, 45 ; de Júlio Albuquerque, 32 ; 
do Dr. Audalio Costa, 29; de António Nogueira de Souza, 17; cuja 
somma attinge a 123 vaccinaçoes em bezerros e garrotes. 

Na villa do Riacho do Sangue vaccinamos nas propriedades de 
Honório José Botão, 39 ; Benigno Bezerra de Menezes, 23 ; Belarmino 
Rodrigues, 27; o que prefaz 89 vaccinaçoes neste Municipio. 

Em Jaguaribe-mirim só conseguimos vaccinar nas propriedades: 
de Álvaro Nery da Silva, 37; e Francisco Saraiva Leão, 21 ; sommando 
58 vaccinaçoes. 1 , \ ■ I 

Em Icó, as propriedades que visitamos e nas quaes vaccinamos, 
foram : de Manoel Roberto Alencar, 23 ; de António Pereira Graça, 27 ; 
de José Guimarães Caminha, 39; cuja somma constata 169 vaccinaçoes. 

Em Iguatú, vaccinamos de António Corrêa, 29 bezerros. Além 
destas vaccinaçoes, fizemos nas sedes de cada Municipio, outras a 
titulo de demonstração pratica do processo de immunização e propa- 
ganda deste serviço. Foram-nos trazidos pelos proprietários os bezerros 
que tinha cada um delles na zona urbana, cujo total prefaz uma cifra 
regular mas que era assas demorado annotal-os em particular. 
Assim essa vaccinaçao foi: Morada-Nova, 109; Limoeiro, 145; 
Riacho do Sangue, 93; Jaguaribe-mirim, 178; Icó, 105; Iguatú, 7. 
Sommam 637 vaccinaçoes. 

Recapitulando, fizemos portanto 1.300 vaccinaçoes nos seis Muni- 
cípios inspeccionados, tendo 36 propriedades ruraes. 

Bronchite verminosa — Como consequência a infecção parasitaria 
dos ovinos e caprinos, também esta zoonoze tem feito seu cortejo de 
victimas. 

Apezar dos meios prophylacticos aconselhados quanto a stron- 
giloze e suas congéneres, não serem utilisados pelos criadores, pois 
lhes é, em parte, quasi impossível essa pratica devido a criarem em 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 365 

coniraum em campos abertos, insisti ainda, como sempre, para que 
assim procedessem imprescindfivelmente. 

Ixodes — Já se vão disseminando pelos Municípios inspeccionados, 
principalmente Iguatú. 

Entretanto, não me foi dado constatar casos de Babesias, os quaes 
acredito em breve recrudeceráo epizooticamente em seu caracter 
calamitoso. 

Infelizmente não dispomos de recursos financeiros para proseguir 
em obra de prophylaxia, como a contracção de banheiros carrapati- 
cidas para expurgo dos bovinos com transito obrigatório nas vi'as de 
communicação inter-Municipios. 

Além destas zoonozes, outras, não enzooticas nem epizooticas, 
mas communs as varias espécies animaes, constatei em todos os 
Municípios. 

ESTATÍSTICA E ECONOMIA 

Não me foi ( possível colher dados officiaes referentes a população 
pecuária dos Municípios inspeccionados. 

Assim o computo que fiz basea-se nas informações obtidas dos 
criadores e orça pelos seguintes números: Morada- Nova, ;bovinos 
io.ooo; equinos, 1.800; asininos e seus hybridos, 1.500; ovinos, 4.000; 
caprinos, 4.000. Limoeiro, bovinos 9.000; equinos, 800; asininos e seus 
hybridos, 700; ovinos, 2.500; caprinos, 2.000. Riacho do Sangue, 
bovinos, 8.000; equinos, 1.100; asininos e seus hybridos, 800; ovinos, 
2.800; caprinos, 1.500. Jaguaribe-mlirim, bovinos, 12.000; equinos, 
2.000; asininos e seus hybridos, 1.800; ovinos, 6.000; caprinos, 3.500. 
Icó, bovinos, 10.000; equinos, 1.500; asininos e seus hybridos, 1.600; 
ovinos, 5.000; caprinos, 2.000. Iguatú, bovinos, 8.000; equinos, 1.200; 
asininos e seus hybridos, 2.000; ovinos, 3.000; caprinos, 5.000. 

Quanto aos suihos, não consegui obter dados que me autorisem 
a emittir uma líypothese estatística. Sua criação é, entretanto, feita 
nos Municípios que inspeccionei, com regular extensidade, e con- 
stitue um dos maiores factores económicos da população pobre. 

Não ha porém, quem se interesse pela industria suína entre os 
fazendeiros, e aquelles que possuem varas de porcos deixam-nas soltas 
pelos campos refocilando nos lameiros, ou perambulando pelos mon- 
turos dos povoados. Cuidados hygienicos e veterinários, não existem 
em absoluto para tal espécie, entre os seus criadores. 

A producção agrícola pastoril da região percorrida, soffre pro- 
fundamente com a carência absoluta de vias férreas, que difficulta 



366 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMEJRCIO 

o transporte dos productos, anniquilando o commercio asphixiado 
em sua origem pela ausência dos consumidores que não estabelecem 
a lei da offerta e da procura, imitativa do desenvolvimento agro- 
pecuarib da região, e consequente accreseinio da importação de 
manufacturas. 

Por falta de vias férreas ou fluviaes que transportem a pro- 
ducção local, esta se restringe mais e mais, accentuando a crise os 
baixos preços de 40$ooo a cabeça vaccum ; e desapparecem aos poucos 
os minguados capitães reduzidos pela não applicação uns, e outros 
absorvidos em materiaes improductivos pela impossibilidade da 
exportação. 

Por estes factos a pobreza vae invadindo todos os lares, causando 
graves apprehensoes para o futuro social-politico de tão povoada e 
utilisavel extensão do território cearense. 

PASTAGENS 

Como as chuvas ainda continuavam, alongando a estação pluvial, 
notei as pastagens reverdecentes em vários tractos de cada Município, 
o que emprestava a paysagem um aspecto assas animador, encora- 
jando os fazendeiros a compra de gados de engorda provenientes de 
outros Municipios visinhos, e até do Piauhy. 

Não observei, porém, em nehuma propriedade, quem se dedicasse 
ao plantio systematico de pastagens, ou ao cultivo de plantas forra- 
geiras, nem mesmo a ceifa dos capinzaes nativos para forragem na 
estação da secca que se approxima. 

; ; < AGUADAS 

Também devido as chuvas, os rios Jaguaribe e Salgado, e seus 
numerosos affluentes e confluentes, corriam com regular volume, pro- 
porcionando assim aos gados agua potável de óptima qualidade, da 
qual se utílisa também a população local. 

ESTADO SANITÁRIO 

A não serem os rebanhos de ruminantes, e lotes de solipedes 
attingidos pelas zoonozes que identifiquei, os demais apresentavam 
bom aspecto, e regular gordura, dando-me a impressão geral de uma 
safra promissora. 



RJÍVíSTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 367 

PISCICULTURA 

E' uma industria muito lucrativa que os fazendeiros possuidores 
de açudes já exploram intensamente. 

E é bem significativa essa exploração, pois representa mais um 
ramo da actividade humana utilisado pelos sertanejos cearenses para 
míinorar-lhés a calamidade da secca, além de augmentar-lhes os juros 
do capital empregado na açudagem. 

Devido a pesca, que é feita abundantemente em épocas determi- 
nadas, não ha accumulo de producção ide peixes o que então preju- 
dicaria as qualidades chimicas da agua. 

AVICULTURA 

E' assas abundante a criação de gallinaceos, e outras aves aquá- 
ticas assim como de perus em toda a região. 

Não ha porém methodo algum, ou mesmo qualquer cuidado 
hygienico relativamente a esta industria, ainda muito rudimentar em 
seus delineamentos. Entretanto a população pobre já aufere regulares 
proventos com a sua exploração. 

CONFERENCIAS PUBLICAS 

No intuito de popularisar mais a propaganda da minha missão, 
realisei três conferencias publicas na sede dos Municípios de Morada- 
Nova, Limoei'ro e Icó. 

Em todas estiveram presentes numerosos criadores e commer- 
ciantes, representando-se também as autoridades locaes, que me honra- 
ram com a sua presença e suas gentilezas. 

Os assumptos que debati em cada uma foraml: Babesioses e 
Ixodes ; Durina ; hygiene animal e prophylaxia. Expressei-me sempre 
em linguagem vulgar, adaptando á technologia os termos sertanejos, 
afim de facilitar ao auditório a comprehensão dos meus ensinamentos. 

Satisfeitos retiraram-se todos após ouvir-m|e, e pelos calorosos 
cumprimentos de que fui alvo, supponho ter sido comprehendido. 

CONCLUSÕES F1NAES í ). ' ] 

O auxiliar de 2 a classe, António Cezar de Vasconcellos que me 
acompanhou nesta excursão, desiempenhou-se sempre com zelo e acti- 
vidade das incumbências que teve. 



36S MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E) COMMEÍRCIO 

Não logrei mais amplo desenvolvimento aos serviços que prestei 
na região percorrida, em parte devido a indifferença, e, por vezes, 
manifesta má vontade dos criadores, e por outra a escassez de material 
de estudos, difficilimo de obter ante a ingratidão do meio, adverso 
aos trabalhos profissionaes, pois os criadories, sempre desconfiados, 
exhimem-se ao nosso contacto julgando-nos, apezar dos documentos 
de identidade que levamos, sermos agentes do fisco espionando os 
seus haveres para accresoer-lhes os onerosos tributos que pagam. 

Mas, apezar de tudo, creio que profícua foi em muito esta minha 
excursão de 1.344 kilometros, dos quaes 394 a cavallo por Municípios 
que desconhecíamos, e onde os nossos esforços conseguiram um êxito 
vantajoso no animo dos criadores que assim se relacionaram com os 
serviços desta Inspectoria, que V. S. dirige com o elevado critério 
eminentemente scientifico e pratico, de profissional abalisado. 

Da exposição clara e conscienciosa que fiz neste relatório, V. S. 
inferirá do mérito ie da utilidade desta excursão. 

Saúde e Fraternidade. 

Fortaleza, 14 de Agosto de 1914. 

Dr. Domingos Vanzelloti 

Veterinário 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



3í»'J 



PELAS REVISTAS 



RECENSEAMENTO DOS ANIMAES NA HUNGRIA 



Effectivo dos animaes — Comiparando-se o resultado do recen- 
seamento effectuado em 191 1 com o realizado em 1895, verifica-se o 
seguinte: 



Animaes 




1911 



Bois 

Cavallos.. 
Jumentos. 
Burros... . 

Porcos 

Carneiros 
Cabras 



6.738.365 
2.308.457 

23-855 
1.911 

7-330-343 

8.122.682 

308.810 



7.319.121 
2. 351. 481 
20.103 
1.850 
7.580.446 
8.548.204 
' 426.981 



Raça bovina — A totalidade dos bovideos augmentou, de 1895 a 
191 1, na Hungria propriamente dita, de 5.829.585 a 6.184.264 cabeças, 
ou mais 354. 79 cabeças; na Croacia-Slavonia, de 908.780 a 1. 134.857 
cabeças, ou sejam mais 226.077 cabeças e em todo o reino da Hungria, 
de 6.738.365 a 7.319. 121 cabeças. 

Raça cavallar — Esta raça, comprehendidos os cavallos do 
exercito commum, do exercito nacional e do corpo de gendarmes, 
apenas augmentou, de 1895 a 191 1, em 43.024 cabeças. 

Não levando em conta os cavallos do exercito, o effectivo da raça 
cavallar, em todo o reino, naquelle período, elevou-se de 2.282.028 
a 2.320.271 cabeças, ou mais 38.243 cabeças. Este augmento deu-se, 
quasi exclusivamente, na Croacia-Slavonia, onde o effectivo augmen- 
tou de 37.558 cabeças. 

Raça asinina — A criação de animaes desta raça diminuiu. O 
numero de jumentos decresceu, no intervallo de dote recenseamentos, 
de 23.855 a 20.103 cabeças, ou menos 3.752 cabeças. O effectivo de 



370 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMKRCIO 

burros diminuiu também, de 1.911 a 1.850 cabeças, ou menos 61 ca- 
beças. 

A criação é sufflciente para o consumo do paiz, que exporta an- 
nualmente de 400 a 500 jumentos. 

Raça porcina — O efifectivo destes animaes augmentou na Hun- 
gria de 7.330.343 a 7.580.446 cabeças, ou mais 250.103 cabeças. 

O recenseamento de 191 1 fez distincçao entre os porcos "à chair", 
para carne e "à graisse", para banha, sebo, etc, mas, os dados a isso 
relativos não podem ser acceitos, sinão sob reserva. Sobre a totali- 
dade desta raça, havia 6.091.025 porcos "à graisse" e 1. 489.421 porcos 
"à chair". 

Os porcos "à chair" existem principalmente na Croacia-Slavonia. 

Raça ovina — Os recenseamentos efíectuados entre os annos de 
1869 e 1895 notaram um decréscimo constante e gradual no efifectivo 
dos animaes desta raça; o recenseamento de 191 1 accusa um augmento 
bem sensível, representando, na Hungria propriamente dita, 170.935 
cabeças; na Croacia-Slavonia, 254.587 cabeças e em todo o reino da 
Hungria, 425.522 cabeças. 

Este accrescimo, pois, bem notável, não é apparente e provém 
de que entre os annos de 1869 e 1895 os recenseamentos foram feitos 
no inverno, em uma estação, portanto, em que o efifectivo desta raça é 
bem reduzido, ao passo que o de 191 1, ao contrario, foi levado a efifeito 
em Fevereiro, quando as ovelhas já haviam tido suas crias. Tendo em 
consideração este accrescimo annual, que se eleva para todo o reino 
da Hungria a 1.870.524 ovelhas, póde-se constatar que a diminuição 
gradual do numero de ovinos, notada em 1895, continuou desde aquel- 
la época. 

Além disso, ainda que o numero de animaes dessa raça diminuísse, 
esta diminuição é compensada pela melhora de sua qualidade. A cria- 
ção de animaes maiores, fornecendo mais carne, leite e lã tem augmen- 
tado bastante, de modo que o efifectivo total é hoje menos importante 
do que era ha 15 annos. 

5.370.063 cabeças são das raças "raczka" e "czigaja"; 2.492.469 
cabeças são merinos e o resto, ou 685.672 cabeças, é de raça ingleza. 

Raça caprina — O efifectivo desta raça augmentou no reino, 
entre os annos de 1895 e 191 1, de 308.810 a 426.981 cabeças; na Hun- 
gria, propriamente dita, de 286.392 a 331.383 cabeças e na Croacia- 
Slavonia, de 22.418 a 95.598 cabeças. 

Convém notar, entretanto, que não só nesta como na raça ovina 
o augmento se explica, em parte, pelo facto de ter sido feito o recen- 
seamento de 1895 no outomno, emquanto que o de 191 1 foi realisado 
na primavera. 



REVISTA DF, VF/TKRINARIA E) ZOOTEJCHNIA 



371. 



Effectivo dos ANIMAES EM RELAÇÃO ao território 10 a' POPULAÇÃO 
— A proporção do effectivo dos animaes em relação ao território 
pouco melhorou, comparativamente ao anno de 1895 ; havia, para 100 
kilometros quadrados em todo reino: 



Animaes 




1911 



Bois 

Cavallos.. 
Jumentos 
Burros. • . • 

Porcos 

Carneiros 
Cabras. . . . 



2.095 


2.253 


716 


724 


8 


7 


2.274 


2.33 6 


2.520 


2.631 


96 


131 



Com relação ao effectivo dos animaes e o numero de habitantes, a 
situação, em 191 1, é menos favorável que a de 1895; o effectivo dos 
animaes não augmentou tanto quanto a população ; havia no reino da 
Hungria, para mil habitantes : 



Animaes 




1911 



Bois 

Cavallos.. 
Jumentos. 
Burros . . . 
Porcos . . . 
Carneiros 
Cabras . • • 



369.1 


350.4 


126.4 


112. 6 


1.4 


1.1 


401.5 


362.9 


449-9 


309-3 


16.9 


20.4 



CJD (Do 1 ' Bulletin Mensuel de V Office de Renseignements Agticoles, n. 7 
Julho, 1914). 



372 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

A INSPECÇÃO DA CARNE E CINEMATOGRAPHO 

E' sabido que depois do escândalo de Chicago, os Estados Unidos 
tentaram organisar um serviço de inspecção de carne. 

O cinematographo foi utilisado para tornar conhecido o modo de 
se fazer essa inspecção. 

Um film de mais de 600 metros de comprimento mostra os inspe- 
ctores do Estado em trabalho. 

De aventaes brancos vemol-os lavarem as mãos e desinfectarem 
os escalpellos cada vez que tocam as carnes ihfectas. 

Esta demonstração cinematographica é feita para que o publico se 
certifique da perfeita organisação do exame da carne que é exposta á 
venda com a marca (U S). 

O Governo despende com este serviço 15 milhões. 

Ha 2.400 veterinários e assistentes e o serviço já está regular- 
mente installado em 238 cidades, que comprehendem 847 estabeleci L 
mentos. 

Nestes últimos seis annos foram inspeccionados 321 milhões de 
animaes; destruiram-se 900.000 carcassas inteiras e 4.500.000 partes de 
carcassas diversas. 

{De la Clinica Veterinária, n. 17, de 15 de Setembro de 1914). 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 373 



CONSULTAS B INFORMAÇÕES 



\/">./'>,*"n'\*' , \*'W*'1» 



(A Revista de Veterinária e Zootechnia responderá nesta 
secção a todas as consultas e pedidos de informações que lhe 
forem feitos sobre assumptos de sua especialidade). 



ECOS E NOTICIAS 



t^*^r\r\4'\,*'\f\^\^ 



Despacho honroso — Publicando hoje o trabalho do Dr. Paulo Parreiras 
Horta, nosso companheiro de trabalho e chefe da Secção Technica do Serviço de 
Veterinária, sobre «A cara inchada ou osteoporose dos equídeos», nos é summa- 
mente agradável transcrever nesta Revista o seguinte despacho, que o Sr. Mi- 
nistro da Agricultura deu no ofíicio em que aquelle profissional apresentou a 
S. Kx. o referido trabalho: 

«Forneça-se ao Dr. Parreiras Horta o material de estudo de que preciza para 
seus trabalhos sobre «osteoporose» dos equideos. Dê-se publicidade aos resultados 
já colhidos, caso o autor não veja inconveniente nessa divulgação. Sejam regis- 
trados no livro de assentamentos dos funccionarios deste Ministério o caloroso 
applauso e o louvor sem restricções a que fez jús o Dr. Parreiras Horta por sua 
bella iniciativa e seus brilhantes resultados.» 

— A propósito do mesmo trabalho recebeu ainda o Sr. Dr. Paulo Parreiras 
Horta as seguintes cartas: 

«A Directoria do Jockey-Club teve prazez em tomar conhecimento do artigo 
publicado hontem no Jornal do Commercio , sob o titulo «A cara inchada ou 
esteoporose dos equídeos» e vos felicita pelos resultados obtidos com os esforços e 
estudos que despendestes, fazendo votos para que chegueis a um efficaz resultado, 
o que será de grande proveito para o máximo desenvolvimento do hippismo na- 
cional; offereço-vos todo o concurso que o Jockey-Club possa prestar nas inves- 
tigações para esse trabalho» . 

Queira aceitar as seguranças de minha elevada consideração — Marciano de 
Aguiar Moreira, Presidente.» 

Do Sr. Ivinneu de Paula Machado: 

«Sinceras felicitações pela grande descoberta do terrível micróbio da moléstia 
da «Cara inchada», que tem paralysado e causado grandes prejuízos á criação 
nacional. 

Fraudes no commercio de manteiga — Sobre este momentoso assumpto 
o Sr. Ministro da Agricultura expediu os seguintes avisos: 

— Ao Sr. ministro da Justiça e Negócios Interiores: 

«Tendo resolvido nomear uma nova commissão para proceder a inquérito 
sobre fraudes que se têm verificado no commercio de manteiga, cabe-me declarar 



374 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA K COMMERCIO 

a V. Ex. que resolvi extinguir a commissão que até então estava encarregada do 
alludido inquérito. 

Cabe-me, outrosim, agradecer a V. Ex. o auxilio que prestou a este Ministério 
o Dr. Manoel Venâncio Campos da Paz, Inspector Sanitário, como membro da 
extincta commissão. 

Aproveito a opportunidade para apresentar a V. Ex. os meus protestos de 
subida estima e mui distincta consideração.» 

— Ao Sr. Dr. Mário Saraiva, chefe de secção de chimica do Posto Zootechnico 
Federal de Pinheiro: 

«Tendo este Ministério deliberado abrir um inquérito sobre fraudes no com- 
mercio de manteiga, em virtude de reclamações de interessados, declaro- vos haver 
resolvido designar-vos para chefe de uma commissão que se encarregará das in- 
vestigações a respeito, apresentando, com a devida urgência, as informações 
obtidas e suggerindo as providencias capazes de repiimir aquellas fraudes. 

Farão parte dessa commissão o Sr. António de Castro Brown e o Dr. Ernani 
Pinto, este funccionario da Prefeitura do Districto Federal, devendo o Dr. Alcides 
Miranda, Director do Serviço de Veterinária, acompanhar os trabalhos da dita 
commissão.» 

— Ao Sr. Presidente do Estado de Minas Geraes: 

«Tendo sido nomeada uma nova commissão para proceder a inquérito sobre 
fraudes que se têm verificado no. commercio de manteiga, tenho a honra de so- 
licitar a V. Ex.se digne de providenciar no sentido de serem remettidos a este 
Ministério os dados que tiverem sido obtidos pelo Dr. Schaeffer sobre exames pro- 
cedidos no Laboratório de Analyses de Bello Horizonte. 

Aproveito a opportunidade para apresentar a V. Ex. os meus protestos de 
subida estima e mui distincta consideração.» 

— Ao Sr. Prefeito do Districto Federal communicou também S. Ex. a nomeação 
da nova commissão para proceder a inquérito sobre fraudes de manteiga e solicitou 
a designação do Dr. Ernani Pinto para fazer parte da dita commissão. 

Outrosim, solicitou providencias no sentido de serem remettidos ao Minis- 
tério da Agricultura os dados que sobre o assumpto existirem no L/aboratorio de 
Analyses do Districto Federal. 

— Ao Sr. Dr. Alcides Miranda, Director do Serviço de Veterinária: 
«Tendo sido nomeada uma nova commissão para proceder a inquérito sobre 

fraudes que se têm verificado no commercio de manteiga, sob a presidência do 
Dr. Mário Saraiva, chefe da secção de chimica do Posto Zootechnico Federal de 
Pinheiro, declaro-vos que resolvi incumbir-vos de verificar a execução do pro- 
gramma estabelecido para as investigações a que vai proceder a alludida com- 
missão.» 

Estatística pecuária — Segunda o relatório do Inspector Veterinário do 
districto, existem no municipio de Ponta Grossa, Estado do Paraná, 25 fazendas 
de criar, cuja população pastoril está calculada em 12.515 cabeças, sendo gado 
vaccum, 9.663; cavallar, 1.542; muar, 365; suino, 430; lanigero, 1.983; caprino, 6 
e aves, 2.640. 

Os reproductores das raças cavallar e bovina são em numero de 98, predomi- 
nando nesta ultima a raça zebú. 



REVISTA DE VETERINÁRIA E ZOOTECHNIA 



375 



Carbúnculo bacteridla.no — Na fazenda «Progresso», iminicipio de Ilru- 
guayana, de propriedade do Coronel Honorato Cunha, talvez o maior criador do 
Rio Grande do Sul, foram vaccinados em Novembro ultimo, contra o carbúnculo 
bacteridiano, pelos funecionarios da Inspectoria Veterinária,, 6.351 animaes e 
contra o carbúnculo symptomatico, 455 bovinos. 

A totalidade dos animaes vacinados era de raça Hereford, verdadeiros typos 
de animaes para frigoríficos. 

Matança de gado — Nos matadouros do Districto Federal foram abatidos 
de 1904 a 1913, 2.230.155 cabeças de gado, sendo : 



Annos 


Bois 


ViíeSIas 


Porcos 


Carneiros 


1904 


139.227 
146.108 
160. S98 
148.605 
T30.20S 

172.534 
182.891 

195-^94 

207.956 
219.037 


2 -333 
2.974 
1.426 
613 
2-743 
6.038 

7-279 
8.43S 
10.233 
1 1 . 263 


26.593 
30.079 
26.715 
22.511 
23.021 
30.985 
37-294 
40 . 646 
41.236 
34-526 


13-059 
14-057 
12.758 

15.99 6 
16.914 

15-649 
16.2S3 


1905 


1906 


1907 


190S 


IQOQ 




iq- 1 


18.506 


IQI2 


18.397 
18.232 


1913 






1.703. 158 


53-34° 313-606 


159-851 



Vaccinação antí-carfounculo3a — O Sr. Ministro da Agricultura recebeu 
dos Srs. João K. do Valle e António José Martins, em nome da Camará Muni- 
cipal de Juiz de Fora, o seguinte officio: 

«Bxmo. Sr. — Reconhecendo a solicitude com que esse Ministério se dignou 
attender ao pedido de vários criadores dos districtos de Vargem Grande e São 
Pedro de Alcântara, relativo á remessa de um profissional para o tratamento do 
gado atacado do carbúnculo hemactico, nós, representantes destes dous districtos 
da Camará Municipal de Juiz de Fora, vimos apresentar a V. Ex. os nossos agra- 
decimentos e os dos criadores attendidos, pelo grande beneficio que lhe foi pres- 
tado, tornando-os extensivos ao Sr. Dr. Camillo Boulte, encarregado da vacci- 
nação anti-carbunculosa, pelo cabal desempenho dado ásua missão.» 

Estas providencias foram tomadas pelo Sr. Df. Edwiges de Queiroz, ex-Mi- 
nistro da Agricultura. 



iirsnDiciE 



Matérias cio ciuiarto volume 



Pags. 
ALBUMINÓIDES NECESSÁRIOS PARA AS DlEEERENTES ESPECULAÇÕES 

animaes (Estudo do minimum de ) 302 

Alimentos do gado (O valor productivo attribuido por Kellner aos 

principaes. . . corresponde ás observações da pratica ?) 255 

Animaes na Hungria (Recenseamento dos) 369 

Assistência Pasteur 117 

Banheiros carrapaticidas 117 

Bibeiographia 118, 167, 230, e 283 

Biologia e Zootechnia Geral (Assumptos de) 149 

Cara inchada ou osteoporose dos equídeos (A) 339 

Carbúnculo bacteridiano 375 

Carbúnculo hematico , 117 

Carne de vacca (Commercio internacional de) 110 

Carne E o cinematographo (Inspecção da) 372 

Censo pecuário do Brasil 119 

Cirurgia veterinária avícola 214 

Coloração de protozoários em cortes histológicos pela solução 

de Giemsa (Sobre um processo de) 245 

Commercio da manteiga (Fraudes no) 373 

Congresso internacional de medicina veterinária (Decimo) 87, 

114 e 228 

Consultas e informações 110, 166, 226 e 280 

Despacho honroso 373 

ECOS E noticias 114, 167, 228, 280, 334 e 373 

FyNCEPHALlTE CHRONICA COMPLICADA DE PACHYMENINGITE CEREBRAL 

ESPINHAL OSSIFICANTE, NO CAVALLO 248 

Esponja (O valor do emético no tratamento da) 65 

Estatística pecuária 228, 280 e 374 

Exposição agro-pecuaria . 116 

Fecundidade E esterilidade 189 

Feira de Três Corações 116 

Gado (Matança do) 375 



378 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 

Pags. 

Gado EUROPEU no ParanÁ (Uma experiência de acclimação de) 344 

Gado para corte (Commercio internacional de) 110 

Hog-cholERA (Kpizootia do) 228 

Hygiene veterinária brasieEira (Assumptos de) 7 

Industria pastorie em S. Paueo 281 

Inimigos da avicuetura (Os) 49 

Inspecção veterinária 361 

Inspectorias (Pelas) 98, 160, 221 e 263 

Lacticínios (Industria de) 51 

» (Industrias dos) ' 349 

IvEiEAO DE animaes 167 e 280 

IvEiTE EM NiCTHEROY (Serviço de inspecção do) 198 

Manqueira (Peste da) 166 

Manteiga (Fraudes no commercio da) 373 

Matadouros avicoeas 115 

Nambyuvú (A propósito do tratamento do) 228 

Nambyuvú (Contribuição ao tratamento pelo tryplanbau) 63 

NUTTAEIOSE DOS EQUÍDEOS EM MlNAS 3 

OTTITE 221 

Pecuária em Minas 280 

PEEAS revistas 110 e 369 

Peste da manqueira 166 

Potros E potrancas nacionaes (A 22 a exposição de) 119 

Protozoários em cortes histoeogicos peea soeução de Giemsa 

(Sobre um processo de coloração de) 245 

Pseudo-pESTES no Brasie (Contribuição ás) c . 158 

Puro sangue árabe (O) 69 

Raça bovina Maremmana 250 

Raças bovinas da Suissa (As) 21 e 167 

Raça bovina do Vae de Chiana - 144 

Recenseamento dos anima.es na Hungria 369 

Registro de eavradores e criadores 243 e 337 

Seeecção 255 

Serviço de veterinária (Do Relatório do Ministro) 233 

TricophiCia 226 

Tristeza no Brasie (A etiologia da) 115 

Trypanosomiases (Uma nova descoberta sobre a) 55 

Vaccas EEITEIRAS (Alimentação das) 73, 127 e 174 

Vaccina (Distribuição de) 169 

Vaccina anti-carbuncueosa 375 

Vaccinas E outros medicamentos 244 e 338 

Zebú (Inquérito sobre o) 122 

Zebús (Reproductores) i 282 



I2ST3DIGE 



DOS 



Autores do quarto volume 



Pags. 

A. Carini e J. J. Maciel (Drs.) 63 

A. Varin d'Ainveeee 69 

Alberto Gertsch 22 

Aleixo de Vasconceeeos (Dr.) 245 

André Guin e P . Andourd 255 e 302 

Castro Brown , 51 e 198 

Domingos Vanzeeotti (Dr) 361 

Gaston Urbain ( Dr. ) 248 

Herbert W. Munford (Prof . ) 110 

J. B. de Castro e Eduardo Cotrim (Drs. ) 122 

J. V. de Pauea Nogueira (Dr. ) 189 

J. Wieson da Costa 49, 219 e 260 

Lourenço Granato (Dr. ) 349 

Nicoeau Athanassoe (Dr. ) 73, 127 e 174 

Octávio Dupont (Dr. ) 158 e 344 

Paueo F. Parreiras Horta ( Dr. ) 339 

Paueo F. Parreiras Horta e António Serapião de Figuei- 
redo (Drs.) 3 

PiETRO Foschini (Dr. ) 55, 144 e 250 

Roberto Hottinger ( Prof. ) 7 e 149 

Stewart Stockman (Prof. ) 87 

Thomaz Pompeu Fieho (Dr.) 65 



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